sábado, 30 de maio de 2026
“Ilusão achar que China vai tomar atitude contra EUA para defender países”, ressalta Chico Teixeira. O Brasil entre os blocos em conflito global
O título ficou como "Ilusão achar que China vai tomar atitude contra EUA para defender países" mas pode acrescentar a Rússia junto da China... porque pra algumas patotas dentro do Brasil existe um delírio muito grande de que primeiro a Rússia tem o "porte" de uma China (não tem, a China é muito maior, mas muito mesmo), em segundo de que a Rússia fará uma proteção "anti-imperialista" contra os EUA quando o atual presidente russo, Putin, vem tomando vários rabos de arraia de Donald Trump, a quem o mesmo achava que iria tirar proveito dele na presidência dos Estados Unidos. A Rússia tomou mais reveses militares e políticos dos Estados Unidos com Trump do que com os Democratas com Biden, pro pessoal iludido em algumas "bolhas" (que sei que leem esse espaço mesmo sem citar nome do blog, de onde tiram certas coisas que repetem etc, o que também mostra o nível de "postura pessoal" de cada um, eu não faria o que essa gente faz, não faria e não faço, quando copio algo de terceiros eu cito a fonte, e se fosse conhecido faria a mesma coisa, é um princípio e não "atitude seletiva" como fazem alguns). Mas voltando ao tema abaixo... lembrando que estamos excluídos pelo Google das buscas, o grosso do acesso ao blog vem de espaços sem ser o Google...
A fala do Chico Teixeira é sobre o fim das "ilusões" da turma que prega um "mundo multipolar" mágico (inexistente), porque na verdade, e aparentemente, a China "dividiu" o mundo em duas zonas (no último encontro entre os presidentes da China e dos EUA em Pequim/Beijing), uma zona chinesa e uma dos EUA, algo que pode (e deve) ser discutido mas não ignorado como uma parte faz (que mesmo com o "shadowban" do Google sobre a gente, ficamos invisíveis, acessam o blog pra ler, se fosse irrelevante o espaço não se dariam o trabalho de descer do alto pedestal em que vivem pra ler os "mortais"...). Ainda mais quando eu só estou retransmitindo uma fala do Chico Teixeira (bem conhecido no país), porque beira o absurdo a postura de "ignorar", "omitir" a fala do professor, principalmente no tocante ao Brasil, à soberania brasileira e cia.
O Chico Teixeira também faz outro alerta (eu penso na mesma linha, já manifestei isso várias vezes mas é bom que alguém como o Chico Teixeira diga, porque o peso será outro...) sobre a dita esquerda brasileira, pra que pensem mais no próprio país, que fortaleçam o Brasil, desenvolvam o país (ele não usou o termo, mas o sentido dá no mesmo), essa parte não lembro se ele citou mas estou colocando (colocarei o vídeo dele abaixo pra assistirem), pra esquerda brasileira desenvolver o Brasil e não ficar de reboque com consolo com "revolução" em país A, B ou C. Beira o ridículo o nível de indigência, de projeto de país dessa turma que fica com raiva quando a gente simplesmente critica ou denuncia um ato de traição na Venezuela porque acham que a "revolução mundial" (que só existe na cabeça esclerosada dessa turma, porque devem pensar nesses termos, esse pessoal nunca explica o que pensa sobre socialismo globalmente, citar caricatura soviética comigo e com a maioria não funciona, e tenho plena noção do que era a URSS, China e cia e o mundo atual) cairá se a gente ironizar ou criticar traição ou debacle em outro país como ocorreu na Venezuela. Essa turma age como se não tivessem país pra defender ou ter um projeto político de desenvolvimento, de emancipação do povo dentro do Brasil sem ser uma caricatura copiada de país A, B ou C.
Esse pessoal tem profundo problema em discutir o Brasil porque menosprezam, ignoram a própria história do país, que não começa em 1808 com a vinda da família real fujona portuguesa pro Brasil, como "poodle" da Inglaterra (que era o que o Estado português era à época). O Brasil já estava formado quando os fujões coroados de Portugal fogem pro Brasil e mudam o eixo político/econômico do país pro atual eixo (Rio-SP). Sempre destaco essa parte porque a parte delirante do país acredita realmente que o Brasil começa no século XIX e não em 1500 (ou antes)...
Sem entender a história do país, dos ciclos econômicos, da formação do país, da formação de uma "identidade" ou várias não iremos a lugar algum, viraremos saco de pancada de outros países, dominando facilmente um povo perdido, amorfo (sem sentido, sem norte/horizonte político e cia).
Em boa parte o governo brasileiro atual (governo Lula 3) já entendeu os movimentos que eu critiquei, erroneamente, na reunião dos BRICS onde o Brasil divergiu da entrada de novos membros no bloco colocados por Rússia e China (ideia encabeçada pela Rússia, endossada pela China, a meu ver errada, o BRICS não implodiu mas está travado, com membros em guerra, Irã, Emirados Árabes...) e foi duramente criticado pelas "patotas ilustradas" das bolhas, de alguns canais, que deveriam entender que uma coisa é simpatizar com país A, B ou C, e outra é achar que o Brasil deva ser subalterno, submisso a país A, B ou C, ou aos EUA, à Rússia, China etc. E isso que já disse 'n' vezes que tenho toda a simpatia do mundo com a China, mas o Brasil deve ser soberano, não subalterno, tampouco subalterno à Rússia, e tampouco também aos Estados Unidos. O problema é que o "Diretório Estudantil" (fortemente influenciado por webcomunistas) consideram o governo Lula inimigo, "traidor", e nunca avaliam a questão militar no Brasil e o emparedamento que os militares exercem sobre o governo do país e parte da população, subestimar isso é erro grosseiro e "esquerdismo infantil" de gente que não saiu do berçário ou do DCE, mas que acha que pode falar "grosso" com X ou Y e não pode...
Vamos ao vídeo do Chico Teixeira, o corte:
“Ilusão achar que China vai tomar atitude contra EUA para defender países”, ressalta Chico Teixeira
domingo, 12 de outubro de 2025
Propaganda anti-esquerda nas prateleiras do país retorna (livros)... revival do período 2003-2015 (livros de 2aGM e similares)
Muita gente não "se liga" ou não associa a propaganda anti-comunista ou anti-esquerda da Guerra Fria à onda anti-PT que culminou na derrubada do governo Dilma 2 (à parte erros do governo também), e como perdi acesso ao pessoal que estuda o assunto (ninguém responde mais email...) não consigo repassar muita coisa que vi esses anos sobre esses "movimentos". Por sinal, o "herói" que conseguir fazer um texto como o do uruguaio René Dreyfus (sobre o golpe de 1964, o que antecedeu), em detalhes, tem que ser chamado de herói mesmo, porque vai precisar da memória de gente que presenciou os eventos desde o Orkut (na ascensão do astrólogo Olavo de Carvalho e cia), e até hoje nunca ninguém sondou sobre a coisa, "história oral" é como se faz certos levantamentos também (https://pt.wikipedia.org/wiki/Hist%C3%B3ria_oral).
Muita coisa que a gente cita vem de "memória", porque os arquivos estão restritos, como o Google escondendo o "acervo" do Orkut e cia... e pra você localizar item a item nessas redes é "tarefa pra Titã"...
Mas voltando ao começo do post, o Stephano comentou na timeline do Breno (Altman) e eu ironizei (quase sempre ironizo algo) o "choque" dele com a premiação do Nobel pela reaça golpista da Venezuela e cia... o prêmio Nobel, destacadamente o da Paz e de Literatura, são projeções de poder da OTAN (a Escandinávia não é parte oficial, mas é um "puxadinho", fora os sentimentos anti-Rússia, anti-URSS, anti-comunistas etc e uma parte aqui no país, de forma tosca, idealiza a mesma como "socialista" por conta do estado de bem-estar forte... o Japão é de direita e tem a mesma coisa... esse negócio da classe média "ilustrada" desinformada do Brasil querer encaixar o mundo em "esquemas" fixos que aprenderam sabe-se lá onde é algo bem esdrúxulo, "complicado", pra dizer o mínimo...).
Citei até anteontem a premiação desse "caboclo russo" aqui por propaganda anti-soviética, é do "tempo" do Breno (rs), alguém lembra do título?
"Arquipélago Gulag" (https://en.wikipedia.org/wiki/The_Gulag_Archipelago), de Aleksandr Solzhenitsyn (https://en.wikipedia.org/wiki/Aleksandr_Solzhenitsyn), nome difícil de escrever/memorizar. "Nobel de Literatura" pela "denúncia/livro"... como disse ao Stephano no post (https://holocausto-doc.blogspot.com/2025/10/o-ataque-ao-capitolio-nao-foi-acidente-bolsonaro-imitou-e-esta-condenado-trump-esta-solto-e-impine-o-que-significa-o-inimigo-interno-de-trump-ditadura-nos-eua-terceiro-mundo.html), o tal "Prêmio Nobel de Literatura" é cabeça à cabeça em escrotice com o "Nobel da Paz"... o povo ainda se chocar com isso no Brasil e América Latina (pessoal de esquerda) mostra que ainda espera alguma "reparação histórica", "justiça" de um troféu do imperialismo europeu/norte-americano... haja ingenuidade ou uma vontade insana em ser rabo dos EUA/Europa Ocidental ou senso crítico.
Mas voltando de novo, eu estava passando por uma livraria (vou colocar as fotos) há semanas quando vi o livro da Applebaum reeditado no país de novo, porque eu ironizei o Breno dele receber o "troféu Applebaum" por ter andado levando gente "exótica de direita" pro canal dele (problema e direito dele, como é direito meu ironizar/criticar) achando que isso vai formular uma "frente ampla nacionalista" ou bizarrices do tipo... "haja fé, irmão, haja fé!".
Esse negócio de "troféu Applebaum" era uma brincadeira (que nem sei se mais gente lembra) que se tirava no Orkut quando queria apontar algum reaça (em algumas comunidades) que se destacava em um mês ou semana... era uma piada, gozação interna (do pessoal que tinha acesso às moderações das comunidades, com os moderadores/moderadoras). Pra quem não conhece? O "Applebaum" vem de Anne Applebaum, que é anti-comunista até o talo (anti-stalinista, Breno...), o livro dela "Gulag uma história" foi reeditado, junto de "O livro negro do comunismo" (https://jacobin.com/2025/01/black-book-communism-courtois-history) e mais "literatura" propagandística do tipo, estilo Guerra Fria (apesar dessas publicações serem posteriores à mesma, seguem o mesmo tom da panfletagem da Guerra Fria).
Não havia só esse tipo de livro nas prateleiras, um monte de adulação dos Estados Unidos na Segunda Guerra (Stephen Ambrose, o do "Band of Brothers" https://en.wikipedia.org/wiki/Stephen_E._Ambrose), que foi minissérie (https://en.wikipedia.org/wiki/Band_of_Brothers_(miniseries)), que também serviu de inspiração (uma das, se a IA do Google não "fraquejar", rs, mas lembro da questão) ao filme "O resgate do Soldado Ryan" com o "Dia D" (tem mais fontes pra esse filme).
Muita gente à esquerda fica lamuriando citando que a Europa e o mundo acham que a libertação da Europa se deu pelos EUA na Normandia e cia, citam sem apontar de onde saiu as "histórias"... e o peso desse tipo de propaganda com viés "acadêmico" e afins. Foi vendo a prateleira cheia desse tipo de "literatura" de novo que refleti de que no dia que eu vir um contraponto da China nas estantes ou de outros países, aí sim dá pra dizer que houve uma "virada" no mundo... e isso que sempre fui entusiasta em afirmar que a coisa já ocorreu ou está a caminho, mas ver esse cenário de novo de 2005 e cia é deprimente.
As fotos das prateleiras (só tirei duas, a quem "duvidar", podem fazer a verificação por conta própria na próxima livraria que visitarem... o povo que acessa tem hábito de ver essas coisas?...):
Esse tipo de literatura circulou pesado no Brasil nos governos Lula 1 e 2, muita gente não associa uma coisa a outra, mas isso é promovido por grupos externos junto com setores do grande Capital dentro do Brasil pra promover uma "propaganda anti-comunista" anti-esquerda que no caso atinge diretamente o PT, Lula e cia... quantas vezes o PT foi associado a "comunismo" esses anos? O povo acha que a associação "caiu do céu"? Nunca vi a turma que questiona esse ponto citar essas coisas. E talvez se eu não tivesse visto essas publicações reeditadas eu não fizesse esse post (pra alguma coisa serviu).
Os grupos do "golpe branco" contra o governo Dilma em 2016 estão operando na mesma toada... como a dita "esquerda brasileira" faz frente a isso? Você vê o comportamento desse pessoal em canais no Youtube (não generalizando) e fica preocupado. Refiro-me aos "canais maiores", que vivem invisibilizando as coisas, comentários e cia embora leiam na surdina... querem criar cidadãos de "segunda classe" mas dizem combater o "fascismo"... desse jeito?...
Um dos motivos deu criticar o Breno aqui (post sobre a participação dele em um podcast, primeira participação dele "debatendo" com uma olavete sobre nazismo: https://holocausto-doc.blogspot.com/2025/04/jogo-dos-200-erros-encontre-um-deles-debate-breno-altman-x-olavete-o-nazismo-foi-de-esquerda.html) é que ele implicou com o livro do Fest (Joachim Fest, biógrafo/historiador alemão, tem biografia famosa de Hitler, a principal ou uma das https://en.wikipedia.org/wiki/Joachim_Fest) que a olavete empilhou, sem nem ler pelo visto, porque o Fest nunca colocou Hitler como "esquerdista"... a crítica é que numa situação extrema como a do Brasil, você implicar com livros sérios de segunda guerra sem esse "propagandismo norte-americano ou da OTAN" é dar tiro no pé. Na situação adversa que o Brasil e América Latina vivem, você celebra quando tem um livro desse tipo junto dessa lixarada de propaganda da Guerra Fria.
Quando fizerem produção de livros críticos de segunda guerra nas livrarias do país, aí dá pra criticar o restante (e olhe lá).
A China vai se tornar hegemônica no mundo sem ocupar esse espaço de produção de livros (ou parcerias), filmes e cia? Em filmes anda tendo uma produção maior, mas quem domina as salas do país é a lixarada propagandística norte-americana, com seus "heróis" infantilizados da Marvel/DC Comics...
Mas voltando ao assunto dos livros, no período dos Lula 1 e 2 ainda rolava algum contraponto nas prateleiras, saia livro dos Finkelstein (tem o Israel Finkelstein desse livro de arqueologia https://pt.wikipedia.org/wiki/A_B%C3%ADblia_n%C3%A3o_Tinha_Raz%C3%A3o e o Norman Finkelstein https://www.versobooks.com/en-gb/blogs/authors/finkelstein-norman-g) nas prateleiras, do Edward Said (a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Edward_Said" target="_blank">https://pt.wikipedia.org/wiki/Edward_Said), de vários autores críticos da política externa dos Estados Unidos, de História e cia. Se havia a lixarada da "Guerra Fria" ao menos havia um "refresco" com a diversidade de autores críticos... que pouca gente acessa no Brasil, livro do tipo, de História, infelizmente é coisa pra "privilegiado" ou gente "muito curiosa" no país, deixar o texto do Daniel sobre o "preço dos livros", post de 2023 e continua atual, a quem gostar de segunda guerra sugiro que também verifiquem o blog do Daniel, "A Vida no Front" (https://avidanofront.blogspot.com/2023/09/sobre-livros-e-valores-inflacionados.html).
Havia muito entulho olavista nas prateleiras, destacadamente na Livraria Cultura (que faliu... os "raios" caíram... muita coisa anda sumindo no país de "olavice"...).
Muita gente acha que a cabeça do povo é feita em canal de Youtube e cia... visão bem rasa da coisa... veja o esforço ($$$$), dinheiro gasto nesse tipo de publicação, reedição no país pra certos propósitos, agora sem contraponto aparente.
Não sei o que o governo federal pode fazer sobre isso (ou se vai fazer, nem me refiro às editoras de "esquerda" porque parecem viver no "mundo da lua", nunca vi as mesmas comentando a questão... não sei se é azar, encosto etc conseguir observar essas coisas), mas temos um país sem produção crítica acessível ao público (classe média e cia), e veja o "estrago" (no bom sentido), ou impacto que causou o filme "Ainda estou aqui" com memória da ditadura militar... a identidade brasileira recente foi muito forjada na ditadura militar pra cá e na redemocratização do país, à parte a identidade anterior. Você não encontra uma publicação sobre período Sarney, Collor, FHC (mais elaborada)... documentários mostrando como era o país nos anos 80 (a miséria abundante, desigualdade extrema deixada pela ditadura militar). Aí depois não vale chiar, reclamar que a "direita aloprada doente" com bandeira dos EUA deu golpe no país... fazem vista grossa a tudo isso, o que querem depois?...
Fica o registro, pra que depois não acusem de "omissão"...
domingo, 6 de abril de 2025
O fim de uma era: "Foi assim que, quase da noite para o dia, os Estados Unidos preencheram o vácuo deixado pelos britânicos que partiam"
Eu sempre aviso ao povo que confere os comentários da discussão do blog sobre conflito no Oriente Médio (sai de tudo no meio) pra procurarem ler algo de relevo em vez de "trololó" de rede (bobeira, conversa fútil, o que significa "trololó", link https://dicionario.priberam.org/trolol%C3%B3 já que muita gente fora do Brasil acessa o blog, é a maioria do público do blog, por sinal), "trololó" apressado de Youtube e cia (Youtube é uma máquina de entretenimento, por mais que possa ser usado pra outros fins, entretenimento, distração, dispersão, o que ajuda a fixar assuntos e cia é a discussão direta, mais precisa, de caráter mais histórico e não apenas "geopolítico", discussão de armamento e cia, e nada contra quem goste, tem sua relevância, só que a parte política/histórica ditam até o "tambor", a "valsa/dança" do "tambor militar", das guerras).
Destaco o trecho do artigo/texto em que o texto da BBC detalha a passagem de "bastão" do Império britânico (falido, caindo aos pedaços) pros Estados Unidos tomar seu lugar no mundo, e já deixo o link do texto da BBC pra quem quiser ler inteiro sem ler a discussão aqui primeiro:
"Exausto, falido e fortemente endividado com os Estados Unidos, o Reino Unido disse aos EUA que não poderia mais continuar apoiando as forças do governo grego que estavam lutando contra uma insurgência comunista armada.
Os britânicos já haviam anunciado planos para sair da Palestina e da Índia e reduzir sua presença no Egito. Os Estados Unidos perceberam imediatamente que agora havia um perigo real de que a Grécia caísse nas mãos dos comunistas e, por extensão, sob o controle soviético.
Caso a Grécia seguisse esse caminho, os Estados Unidos temiam que a Turquia pudesse ser a próxima, dando a Moscou o controle do Mediterrâneo Oriental, e, potencialmente, o Canal de Suez, uma rota comercial global vital.
Foi assim que, quase da noite para o dia, os Estados Unidos preencheram o vácuo deixado pelos britânicos que partiam."
Texto da BBC original, traduzido pra BBC Brasil sob o título de "Como Trump bagunçou a ordem mundial — e deixou os líderes europeus em apuros", link (https://www.bbc.com/portuguese/articles/cnvz4jmvp23o.
O texto todo descreve a passagem de poder do Império britânico caindo (consequência das duas guerras mundiais, problemas internos e outros conflitos) pra ascensão dos Estados Unidos em seu lugar, e abre espaço pra descreverem a própria queda do Império norte-americano atual, que vai pelo mesmo caminho, endividado (site do senado norte-americano, a dívida norte-americana em março de 2025: 36 trilhões de dólares, e subindo, tem a dívida detalhada no link https://www.jec.senate.gov/public/vendor/_accounts/JEC-R/debt/Monthly%20Debt%20Update.html), cansado, falindo, com um "lunático" idoso no comando.
Eu já coloquei esses links pelas discussões de "Gaza" (Oriente Médio) do post retrasado/passado e do atual (chutando sobre esse, mas acho que coloquei), respondi algum "maluco" na rede (é só o que tem) alegando que os EUA "lideram tudo", isso é o percentual dos países em manufaturas, traduzindo, o que cada país produz, fabrica globalmente, a China lidera o ranking (nessa tabela, tem mais de uma em vários sites, mas todos na mesma medida) com 31.6%, os EUA vêm até com uma margem folgada em segundo com 15.9%, o terceiro é o Japão que só aparece com 6.5%, tem o resto da lista no site, em um dos sites pois há medidas diferentes em mais de um, só que nessas proporções, tem um, citando de cabeça, que aponta a China com uns 35%, link, site safeguardglobal (https://www.safeguardglobal.com/resources/blog/top-10-manufacturing-countries-in-the-world/).
E o ranking de medida do "PIB pelo poder de paridade de compra", que é uma medida de PIB mais aceita como mais realista do que a "medida tradicional" que não leva em conta a questão do câmbio das moedas (a moeda chinesa é depreciada, em valor, em relação ao dólar), pelo ranking do PIB de "paridade de poder de compra", a China já é a maior economia do mundo (e sobe), os Estados Unidos aparece em 2o lugar em duas "medidas" e a União Europeia em 2o lugar numa das três (e em terceiro nas outras duas, o PIB da União Europeia é parelho ao PIB norte-americano, ou seja, se a União Europeia se fragmentar, a economia europeia colapsa, literalmente), o link pra acessarem os números abaixo:
Lista de países por PIB (Paridade do Poder de Compra): (https://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_pa%C3%ADses_por_PIB_(Paridade_do_Poder_de_Compra)).
"Ah, mas os números são suspeitos"... vou destacar a fonte dos números, a primeira o FMI (ligado aos EUA), a segunda o "Banco Mundial" (ligado aos EUA) e a terceira vem do "The World Factbook", o "livro branco" da CIA (preciso dizer qual o país da CIA?... acho que não... mas esses dados do World Factbook são em geral levados em conta, apesar de vir da CIA é tido como uma publicação séria.
Estou destacando isso pelo baixo nível de educação, intelectual ("surto de olavismo", doença mental grave) que o Brasil passa, onde aparecem celerados colocando em cheque dados, números sem apontar nada pra confirmar certas asneiras que proferem quando "criticam".
1. E também pra ironizar (de novo) a turma que solta indireta nos chamando de "extremistas", "extremismo", mas eu levantei alguns pontos (perguntas) pra esse pessoal no fim do post de discussão do Oriente Médio (link https://holocausto-doc.blogspot.com/2024/12/post-sobre-conflito-no-oriente-medio-e-a-crise-humanitaria-em-gaza-palestina-discussoes-na-caixa-de-comentarios-parte-19.html), que eu torço pra que "consigam" responder (mas acredito que vão ignorar e/ou tergiversar atacando, urrando, provavelmente), sobre se certas posições de alguns deles seriam consideradas "extremismo" também (de verdade), embora alguns saíram apagando coisa na rede pra que não possam criticar certas "posições pretéritas" ("1984" na veia, rs):
"Netanyahu e Orbán: uma aliança apesar do anti-semitismo" (https://www.publico.pt/2025/04/04/mundo/noticia/netanyahu-orban-alianca-causa-perplexidade-2128596), do jornal Público (Portugal).
2. Deu na CNN também, essa emissora de TV "bancada pelo regime iraniano" (conteúdo irônico), a CNN norte-americana, porque a "CNN brasileira" faz cara de paisagem pro "assunto"... (por que será?... a "versão" brasileira é mais reaça que a Fox News dos EUA):
"Israel embraces France’s far-right, turning a blind eye to its Nazi past" ("Israel abraça a extrema-direita francesa, virando os olhos pra seu passado nazista" https://edition.cnn.com/2025/03/26/europe/israel-embraces-france-far-right-intl/index.html).
Que tal a "aliança" acima?
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O "cavalo de pau" (https://pt.wikipedia.org/wiki/Cavalo_de_pau_(manobra)) que o mundo passa é tão profundo que deu um "tilt" na cabeça de muita gente (https://www.dicionarioinformal.com.br/tilt/, "Tilt" usado nessas colocações no Brasil significa "pane", "parafuso", "apagão mental", ou alguma pane na cabeça, em comparação à pane que um Computador sofre quando tem problema, entra em colapso). Não condeno as pessoas pela "pane mental", mas... é bom recobrarem a consciência logo, não têm o resto da vida pra melindrar com isso.
Mas retomando o texto da BBC (tudo que foi citado acima tem a ver com o tema), destaco também essa parte:
"Os Estados Unidos, tradicionalmente isolacionistas e protegidos com segurança por dois vastos oceanos, emergiram da Segunda Guerra Mundial como líderes do mundo livre.Mais aqui:
Enquanto os Estados Unidos projetavam seu poder em todo o globo, passaram as décadas do pós-guerra refazendo grande parte do mundo à sua própria imagem.
A geração baby boomer cresceu em um mundo que parecia, soava e se comportava mais como os Estados Unidos do que nunca. E o país se tornou a hegemonia cultural, econômica e militar do mundo ocidental.
No entanto, as ideias fundamentais nas quais os Estados Unidos basearam suas ambições geoestratégicas agora parecem prestes a mudar.
Donald Trump é o primeiro presidente dos EUA desde a Segunda Guerra Mundial a desafiar o papel que seu país estabeleceu para si mesmo há muitas décadas.
E ele está fazendo isso de tal forma que, para muitos, a velha ordem mundial parece ter acabado — enquanto a nova ordem mundial ainda não tomou forma.
A questão é: quais nações assumirão a liderança? E, com a segurança da Europa sob maior pressão do que em qualquer outro momento recente, seus líderes, que atualmente estão brigando, serão capazes de encontrar uma resposta adequada?"
"A própria posição de Trump parece ir além de criticar aqueles que, segundo ele, estão se aproveitando da generosidade dos Estados Unidos.Breve comentário: "aliado de uma guerra contra o woke", ou seja, "aliado a um monte de nada", e um espantalho e histeria moralista conservadora norte-americana ao que eles chamam de "liberalismo" nos costumes ("excesso de liberdade, libertinagem, de "coisa gay" etc, coisa de gente religiosa, obtusa, apesar de que o discurso histérico de ditas "minorias" usados pela mídia norte-americana e puxadinhos pelo mundo criou esse "espantalho" conservador, com o problema dos desvios de discursos de gente infiltrada em grupos de esquerda, de verdade, onde a esquerda tinha força política ou ainda tem).
No início de sua segunda presidência, ele pareceu abraçar o presidente russo, Vladimir Putin, dizendo à Rússia que a Ucrânia não obteria a adesão à Otan e que não deveria esperar recuperar o território que perdeu para a Rússia.
Muitos criticaram o posicionamento por abrir mão de duas grandes moedas de troca antes mesmo de as negociações começarem. Aparentemente, o presidente americano não pediu nada à Rússia em troca.
Por outro lado, alguns apoiadores de Trump veem em Putin um líder forte que personifica muitos dos valores conservadores que eles mesmos compartilham. Para alguns, Putin é um aliado em uma "guerra contra o woke"."
E o colapso da OTAN, o trecho é bem maior mas destaco essa parte aqui:
"'Esquecemos as lições da nossa história'
Um dos grandes desafios que a Europa, em particular, enfrenta a partir daqui é a questão de como se armar adequadamente.
Oitenta anos de confiança no poder dos Estados Unidos deixaram muitas democracias europeias expostas. O Reino Unido, por exemplo, cortou os gastos militares em quase 70% desde o auge da Guerra Fria. (No final da Guerra Fria, no início da década de 1990, a Europa se permitiu um 'dividendo de paz' e iniciou um processo de décadas de redução dos gastos com defesa.)
"Tivemos um grande orçamento [durante a Guerra Fria] e recebemos um dividendo de paz", diz Wallace. "Agora, você poderia argumentar que isso era justificado."
"O problema é que passamos de um dividendo de paz para uma invasão corporativa. [Defesa] acabou se tornando o departamento preferido para cortar dinheiro. E foi aí que simplesmente esquecemos as lições da nossa história.""
Quem quiser checar o texto inteiro, o link está no começo. O texto original não vai ter, obviamente, os comentários feitos aqui. Mas achei realmente destacável esse texto da BBC.
Tem "gente xucra" que acha que por eu ter críticas à Europa (política externa) e EUA que ninguém usa fonte europeia ou norte-americana aqui, não preciso nem acrescentar nada pra criticar essa postura pois já disse que isso é coisa de "gente xucra" (https://www.sinonimos.com.br/xucro/), que é o mesmo que "pessoa ignorante", bronca, tapada, estúpida e por aí vai.
Esse espaço existe há mais de década e a gente ter que "explicar" coisas simples beira o ridículo, tal o nível absurdo de estupidez que o Brasil mergulhou (e parte do mundo). Mas fazer o quê?... a caravana vai passar assim mesmo, seguir o "caminho" (https://dicionario.acad-ciencias.pt/curiosidades/os-caes-ladram-e-a-caravana-passa/), apesar de alguns "cachorros latindo".
Os grandes acontecimentos continuarão a estourar independente de posição moralista/refratária de A ou B em canal "exótico" de Youtube. Ressalto isso porque já veio pelo menos cinco pessoas repetindo bobagens que assistem nesse tipo de canal que critico aqui, e mesmo alertando, "persistem", no que adotei a postura de que, "tudo bem", assistam o que quiserem mas também não venham repetir tolices por essas bandas. Em algum momento vão entrar em parafuso com o "choque de versões" que essa turma mesma cria.
E não poderão ficar de "copy and paste" como ficavam no passado (no Facebook) como quando a gente publica o que pensa aqui.
Cuidado que há "público" de vocês (de alguns desses canais) que circulam por aqui também sem comentar pros "donos dos canais"... essa turma vai prestar atenção nessas "cópias" sem citação de onde se discutiu originalmente tal assunto. Já comentei esse assunto aqui: ("Aos que "querem" ou gostariam de invisibilizar o blog, o blog/site em números: passamos os 2 milhões de views (visualizações)" https://holocausto-doc.blogspot.com/2025/03/aos-que-querem-ou-gostariam-de-invisibilizar-o-blog-o-blog-site-em-numeros-passamos-os-2-dois-milhoes-de-views-visualizacoes.html).
Na verdade já vai em mais de 2 milhões e quase 6 mil views, fora os mais de 30 mil acessos no blog parelho em outros idiomas. Não é o mesmo que um canal de Youtube, mas é gente suficiente lendo (em um mesmo nicho). Podem continuar a "ignorar" formalmente, mas não copiando como faziam antes.
E ao público em geral, atenham-se ao texto indicado, é o que importa de fato no post, essa parte de "ironias", "farpas" e afins só ocorre porque a gente, hoje, fica "cercado" pelo circo que virou o Youtube, sem expressão (um dos motivos pra abrir um canal, incipiente), coisa que não acontecia até a ascensão dessa outra rede do Google. Ou ficava "sem expressão", deram uma "suavizada" depois que entenderam que 2 milhões de views não é o mesmo que "mil visualizações no geral".
Em algum momento, por conta dessas imposturas, aquela rede de vídeos do Google (Youtube) vai acabar declinando também, embora o Google tenha uma identificação precisa de plágio se copiarem coisa de outros vídeos mas não faz isso com sites. De qualquer forma, os avisos foram dados, "cai" em "lábia" de A ou B quem quer, responsabilizem-se por isso quem gostar, não venham reclamar depois, aqui não é "divã".
segunda-feira, 23 de maio de 2016
Os árabes que lutaram contra Franco
![]() |
| O jornalista palestino Najati Sidki |
O filme, em sua fase final de produção, reconstrói os passos de um palestino que pagou sua luta na Espanha com o desterro e a dispersão familiar
FRANCISCO CARRIÓNEl; Cairo
fcarrionmolina
02/05/2016 19:45
"Vim defender a liberdade no Front de Madrid. Para defender Damasco em Guadalajara, Jerusalém em Córdoba, Bagdá em Toledo, o Cairo em Cádis e Tetuão em Burgos". O jornalista Najati Sidki, palestino e comunista, desembarcou na Espanha de 1936 com a determinação de lutar contra Franco e suas tropas mouras. Sua vida, marcada também pela II Guerra Mundial e pela tragédia do povo palestino, centra agora um documentário que trata de resgatar do esquecimento as centenas de árabes que se juntaram ao grupo republicano.
A cineasta egípcia Amal Ramsis (Cairo, 1972) chegou até Sidki "por pura casualidade" depois de uma longa e frequentemente infrutuosa pesquisa que começou mais de uma década. "Li um artigo sobre a participação árabe na Guerra Civil e comecei a puxar o fio. Saíram muitos nomes, datas e lugares de chegada mas me faltava uma história que proporcionasse um enfoque pessoal", relata ao EL MUNDO Ramsis a partir de um restaurante central do Cairo. E então se fez a luz. "Em 2008 topei com as memórias de Sidki e encontrei o rosto que necessitava pra história".
Em plena ensambladura, o documentário "You come from far away" ("Vim de longe", em espanhol) reconstrói os passos do intelectual e secretário do Partido Comunista Palestino desde sua viagem à península ibérica em 1936 e oferece testemunho de uma realidade desconhecida, sepultada pela terrível recordação dos soldados marroquinos do exército da África que Franco somou a sua sublevação. "Sidki tentou dirigir-se a eles. Baixou no Front de Córdoba e lhes pediu que se unissem ao bando republicano. Poucos lhe escutaram e os que o fizeram não foram bem recebidos", reconhece Ramsis, autora de documentários como "Vida" (2008), "Proibido" (2011) e "O rastro da mariposa" (2014).
"Cheguei - escreve Sidki em suas memórias - à bela e espetacular Barcelona, capital da Catalunha. Comecei a passear por suas amplas avenidas. De repente, encontrei-me com um grupo de milicianos. Seu chefe, achando que eu fosse espanhol, aproximou-se e me disse em castelhano: "Por que não te unes a nós?" Sorrindo lhe repliquei em francês: "Sou um voluntário árabe e vim defender a liberdade no front de Madrid. Para defender Damasco em Guadalajara, Jerusalém em Córdoba, Bagdá em Toledo, o Cairo em Cádis e Tetuão em Burgos".
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| Najati Sidki, com suas duas filhas |
Alcançada pela ladainha de acontecimentos históricos que desfilaram pelo século XX, a tragédia familiar de Sidki havia permanecido até agora escondida. "Nem sequer fora escrita. Este documentário supõe também um descobrimento dessa vida marcada pelo contexto político espanhol", argui Ramsis. Perdida toda a esperança de defender a República, Sidki teve que fazer frente a outro afundamento. Sua filha Dulia, nascida três anos antes do início da refrega, cresceu em Moscou aleijada de sua família. Durante mais de 20 anos o jornalista apenas teve notícias de sua primogênita.
"Sidki pagou assim não estar de acordo com a posição do Partido Comunista Espanhol a respeito do colonialismo no norte da África", desvela a documentarista. "Ele era, acima de tudo, uma mente livre. Fez pública sua opinião e foi castigado por isso. Expulsaram-lhe do partido e jamais regressou à Rússia. Sua filha mais velha não pode abandonar Moscou e só voltaram a se ver décadas depois em Beirute, que chegou depois de deixar a Palestina em 1948 e onde viveu até a guerra civil. Terminou morrendo na Grécia junto de sua filha mais nova", acrescenta Ramsis.
O documentário reúne o relato das duas irmãs em um contra-relógio contra o esquecimento. "Filmei material durante anos. Pesquisei o fenômeno com uma ajuda da fundação Euroárabe em Granada e deixei congelado o projeto durante a revolução egípcia. O ano passado recebi uma chamada da filha mais nova de Sidki. Disse-me: "Se quer terminar esta história, tens que ir à Moscou de imediato porque minha irmã está perdendo a memória", evoca a cineasta. Na capital da extinta União Soviética se fechou o círculo. "É a vítima de toda a história. A que viveu o desarraigamento e a que tem identidade mista", admite Ramsis. Dulia, com 83 primaveras, e nem sequer balbucia o árabe.
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| Dulia, a filha mais velha de Najati Sidki |
"Sidki e seus camaradas árabes não vieram como refugiados. Não vieram para solicitar asilo senão para apoiar os europeus em sua luta contra o fascismo. Para aqueles as fronteiras estavam abertas para todo o mundo. Não é só um documentário que trata de história passada senão que quer falar do significado das fronteiras antes e agora e lutar contra os estereótipos que se associam ao mundo árabe. Esses rostos demonstram que há gente que não pensava na religião e que tratavam de fazer um mundo melhor. A solidariedade com o povo espanhol também serviu para a liberação dos árabes", conclui Ramsis.
Fonte: El Mundo (Espanha)
http://www.elmundo.es/cultura/2016/05/02/57278d0d22601d95368b4670.html
Título original: Los árabes que lucharon contra Franco
Tradução: Roberto Lucena
domingo, 17 de maio de 2015
Novamente o Oriente Médio...
Mas por que digo "Novamente o Oriente Médio..."?
Eu não ia comentar de novo meu posicionamento em relação àquela região do planeta, mas pelo que deu pra constatar é que: em função do crescimento de determinadas denominações evangélicas no Brasil, que acabam trazendo à tona o assunto Oriente Médio (na maioria ampla dos casos de forma distorcida), e por outra parte grupos radicais ou extremistas que se rotulam como "liberais" e que se alinham totalmente à política externa dos Estados Unidos ignorando a posição do próprio país, achei melhor abrir outro post sobre isso porque realmente não gostei do tom que usaram.
Eu acho absurdo a pessoa ter que repetir o mesmo posicionamento porque alguém pula de paraquedas num post, prejulgando com radicalismo, sem ter uma visão clara do tema pra tomar qualquer posição. Se fosse só uma pessoa a atacar dessa forma o caso seria de ignorar, mas infelizmente são várias que agem e pensam assim. Além de tentarem impor posicionamentos, algo que considero inaceitável.
Que fique claro (e registrado no post) que: eu não irei adotar posicionamento "x" porque um grupo radical que se rotula como "liberais", ou fundamentalistas de qualquer denominação, querem. Nem eu nem qualquer pessoa que participa do blog.
Se eu não imponho o que penso aos outros, também não admito que alguém tente impor crenças ou posições políticas porque não conseguem conviver com a divergência, por não saberem discutir. Não há meio termo nisso, é uma via de mão dupla, se eu não imponho eu também não aceito imposição.
O problema surgiu num comentário feito aqui.
Já aviso que não quero crucificar ninguém pelo teor do comentário, até porque não é posicionamento de uma só pessoa. No Orkut havia dezenas (milhares) com a mesma posição. Aquela rede acabou adquirindo má fama por conta desse bando de extremistas enchendo o saco por lá.
Como não dá pra colocar prints de comentários do Orkut com essas posições (a menos que alguém os tenha pois o Google eliminou o Orkut (Link backup, em 17.10.2017; Link original, passar o mouse) e muita coisa nele já havia sido apagada porque muita gente ou apagou o perfil ou foi "apagado"), há de se apontar um comentário que traz à tona o problema.
E mais outro aviso: o post é longo (quem quiser ler basta clicar abaixo pra ver o post inteiro) porque não pretendo tocar neste assunto de novo. São sempre os mesmos grupos então, mesmo que o post seja longo, fica o recado dado em um só post. O post se deve por conta de comentários ridículos sobre o Oriente Médio, fascismo e cia e como muita gente interpreta de forma equivocada essas questões, além do ranço autoritário de "ou tá comigo, ou contra mim". Não é por aí.
sexta-feira, 12 de dezembro de 2014
Svenja Leiber: “Culturalmente, a Alemanha ainda não se recuperou do Holocausto”
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| Svenja Leiber |
O estilo de Leiber, um presente deliberadamente frio, elíptico nas zonas de sombra, se abraça ao fato visto por uma lupa. Com detalhe. Sua intenção é contar a outra guerra: o pós-guerra, o grande através do pequeno, o que ocorreu não só na retaguarda, senão no lar, ainda mais ao fundo de quem se livrou do front, mas que ao invés teve que esperar, entre ruínas e entulhos, a vitória ou a devastação. Por isso Hitler não é citado nominalmente - se faz referência ao Führer só uma vez - e não se mencionam fatos, nem batalhas, nem campos de concentração. "A política não se pode ficcionar - disse Leiber, uma alemã considerável, alta e elegante -, mas ao mesmo tempo toda novela é política, pois a política começa na vida dos homens e disso se ocupa a literatura. Eludir a cita direta não é difícil: cada coisa que ocorreu teve sua consequência direta na gente".
-De onde vem a história de Ruven e seus três violinos?
-Eu cresci em um povoado próximo de Hamburgo, e ali um dos granjeiros tinha três violinos, um dos quais, tinha um valor incalculável. O problema é que nunca soube qual de todos eles era o violino valioso. Partindo daí quis fazer uma analogia com a história de Orfeu a partir da relação do mito com a morte. Era essa, em resumo, a história que eu queria contar, uma história que, devido às andanças dos violinos, tinha que estar atravessada pelo século XX alemão. Alegro-me de ter escrito um livro que fala da história de meu país justo num momento em que percebo certa saturação dos alemães com respeito a isso.
-A que se credita este cansaço?
-É como se muitos alemãs tivessem chegado a uma espécie de limite. Não desejam seguir escutando o que ocorreu. Por outro lado, hoje há certa tendência a dizer: "Bem, fizemos o que fizemos, nosso país fez o que fez, mas eu estou orgulhoso de ser alemão. Já sei: nós alemães somos os melhores". Mas, no meu modo de ver, isso é incompatível com uma visão crítica da história. Continuamente, os meios nos dizem que somos melhores jogando o futebol, que a nível político lideramos a Europa e que somos uma potência econômica. Muito bem, mas vamos aonde nos levou a retórica dos vencedores? A vitória gera derrotados e Alemanha, tendo em conta seu passado, não se pode permitir essa mentalidade.
-Disse que os alemães estão cansados de sua história, mas no ano assado uma série de televisão, Filhos do Terceiro Reich (Unsere Mütter, unsere Väter), foi o maior sucesso de audiência na Alemanha nos últimos anos.
-É interessante que menciones essa série, porque para muitos foi a última gota que encheu o vaso. Minha opinião é que ela é horrível. É uma série cheia de clichês, tópica, sentimental no pior sentido, com essa música que que te falam quando tens que rir, quando tens que se emocionar etc. É uma visão romântica, e portanto, adulterada, do período mais duro do século XX. Por aí não pode ir nossa forma de afrontar o passado.
-Você também se refere, ao final do livro, ao chamado milagre alemão depois da devastação da Segunda Guerra Mundial. Ao lê-lo dá a sensação de que se fez de algum modo a luz.
-A verdade é que não estou muito convencida de que se fez a luz. Na realidade, o milagre alemão não foi tal. É certo que em pouco tempo se levantou um país novo, e no plano econômico pode parecer que as coisas vão bem, mas isso não quer dizer que se levantara um país melhor.
-Por onde há margem de melhorar a Alemanha? A que se refere quando diz que não é um país melhor?
-Refiro-me ao que ficou da guerra. Desde então, há um vazio gigantesco na Alemanha que no dia de hoje se chegou: não nos recuperamos em absoluto a nível cultural. O extermínio de toda a elite judaica foi trágico para a história cultural da Alemanha. é certo que se melhorou, mas ainda se te muito caminho. É curioso, porque hoje são precisamente emigrantes do leste, de procedência em sua maioria judaica, quem está fazendo a Alemanha se recuperar, pouco a pouco, parte do brilho do passado.
Fonte: El Cultural (Espanha)
http://www.elcultural.es/noticias/letras/Svenja-Leiber-Culturalmente-Alemania-aun-no-se-ha-recuperado-del-holocausto/6868
Título original: Svenja Leiber: “Culturalmente, Alemania aún no se ha recuperado del holocausto”
Tradução: Roberto Lucena
quinta-feira, 21 de agosto de 2014
Auge e renovação do antifranquismo
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| Membros da UMD, oposição ao franquismo |
A cavalo entre o fenômeno do radicalismo esquerdista e a dissidência dos partidos históricos da oposição, apareceria outra série de formações políticas. O comunismo espanhol foi o mais afetado por este fenômeno de fracionamento apesar de viver ao final da ditadura uma etapa de cenit, sua década prodigiosa. Ao revisionismo de figuras como Fernando Claudín e Jorge Semprún, expulsos do partido comunista em 1965, houve que somar a saída de facções autodenominadas marxistas-leninistas em 1964 (PCE m-1) e 1967 (PCEi e Bandeira Vermelha), assim como o surgimento de grupelhos pró-soviéticos desde 1970. O debate a partir de 1964 foi enfrentado por Claudín e Semprún com o resto da direção do PCE e se pode resumir na existência de diferentes interpretações da realidade espanhola, do stalinismo e do funcionamento do partido.
A condenação de Santiago Carrillo da intervenção soviética na Tchecoslováquia trouxe consigo a criação de grupos como o liderado pelo general soviético Enrique Líster. Além disso, entre 1971 e 1973, surgiu dentro do PCE uma autodenominada Oposição de Esquerdas que, a partir da crítica da democracia interna no seio do partido, passou a coordenar o recente giro europeísta e a se alinhar com posições pró-soviéticas.
De todas as maneiras, não há que exagerar o alcance dessas dissidências no seio do PCE. A mística do antifranquismo e a disciplina do centralismo democrático atrasou o grosso das lutas internas no seio do partido comunista para o tempo posterior à morte de Franco e as primeiras eleições democráticas.
A partir da condenação da intervenção soviética na Tchecoslováquia, o PCE foi evoluindo para o que seria conhecido como eurocomunismo. O passo seguinte nesta evolução ideológica foi o reconhecimento da conveniência que a Espanha se incorporaria num futuro ao Mercado Comum Europeu. Depois do VIII Congresso em 1972, os comunistas elaboraram um documento conhecido como o Manifesto-Programa, aprovado definitivamente em 1975, no qual terminavam identificando socialismo com democracia e pluralismo político.
A política do PCE durante esses anos finais do regime de Franco se alimentou dos movimentos sociais. A ideia de reconciliação nacional se uniu à proposta de um pacto para a liberdade que unisse as denominadas forças de trabalho e da cultura. Ainda que os progressos na coordenação da oposição eram todavia débeis, com a exceção da Catalunha, os comunistas conseguiram uma orla de aliados tácitos, sobretudo da nova esquerda, no seio de movimentos sociais como o estudantil ou Comissões Trabalhistas. Haveria que esperar o momento da revolução portuguesa e a enfermidade de Franco para que Carrillo decidisse dar um precipitado salto adiante lançando em Paris a Junta Democrática. Ao PCE se uniram grupos como o PTE e os carlistas mas, sobretudo, personalidades como Calvo Serer, García Trevijano, Tierno Galván, Vidal Beneyto e Rojas Marcos. Contudo, Carrillo não conseguiu a colaboração do PSOE, de nacionalistas, democrata-cristãos e liberais, e da maior parte da nova esquerda. Alguns setores da oposição que, depois de anos de negociações, terminaram agrupando-se em 1975 à Plataforma de Convergência Democrática.
Para o campo dos socialistas, os anos sessenta também foi um tempo de crise e de fracionamento. A incapacidade da direção de Toulouse, encabeçada pelo veterano Rodolfo Llopis, de aglutinar ao novo antifranquismo radical se uniu o estancamento de sua política de centro-esquerda, aberta à oposição moderada monárquica ou acidentalista. Por outro lado, a implantação dos socialistas do PSOE e da UGT nos movimentos sociais, fora dos redutos industriais no Norte da Espanha, foi muito limitada durante os anos sessenta. Este temporal desencontro com a nova geração antifranquista de 1956-68 se deveu à rigidez da política do PSOE contrária, por exemplo, à unidade de ação com os comunistas, o "entrismo" em instituições do Regime como o Sindicato Vertical, ou a prioridade do ativismo clandestino. Deste modo, toda uma série de novos grupos que se autodefiniam socialistas não conseguiram a integração no colo dos históricos PSOE e UGT. Exemplo disto foi o desencontro com organizações como a ASU, os socialistas catalães do MSC e de outras regiões, o grupo de Tierno Galván e outros neosocialistas madrilenhos, ou o sindicalismo socializante de novos grupos procedentes do trabalhismo católico.
A médio prazo, entretanto, a política socialista de presença internacional, de relações com os meios ideologicamente afins no Ocidente, viria a ser um ativo político fundamental para o momento da transição para a democracia.
Neste contexto de auge do PCE, de emergência da nova esquerda e de desencontro com os neosocialistas, a renovação do PSOE iria se dar no final dos anos sessenta. Os primeiros passos do processo de mudança interna se produziram no seio das Juventudes Socialistas em 1970 e da UGT em 1971. Contudo, a transição interna dos socialistas se prolongaria durante a totalidade dos anos setenta. Houve uma primeira fase de lutas internas, incluindo as incisões minoritárias do que se conheceria como o PSOE histórico, até o Congresso do PSOE em Suresnes em 1974, que incumbiu a Felipe González a liderança do partido e completou o transporte da direção ao interior da Espanha. Paralelamente, mas sobretudo depois da morte de Franco, produziu-se o aglutinamento de boa parte do antifranquismo a partir de uma ótica de radicalismo ideológico. Um radicalismo definido como reformismo revolucionário que, além do realce dos conteúdos anticapitalistas do socialismo e da definição marxista do partido, implicava no neutralismo, na república federal e autogestão.
Em todo caso, a nova direção socialista clandestina viria a conseguir estender a rede de federações provinciais pelo conjunto da geografia espanhola, reconstruir o sindicato UGT como entidade diferenciada do partido e responder com agilidade a mutante conjuntura política do franquismo tardio.
Neste momento final da ditadura, a oposição moderada, em sua maior parte partidária de opção monárquica, também procedeu remoçar suas plataformas organizacionais. As formações democrata-cristãs, nacionalistas, liberais e social-democratas constituíram novos partidos ou buscaram a coordenação de suas famílias políticas. Por exemplo, os democrata-cristãos constituíram uma plataforma confederativa que unia os grupos de Ruiz Giménez, Gil Robles, o PNV e a União Democrática da Catalunha.
Outro fenômeno de grande significação foi o surgimento de uma semi-oposição, a meio caminho entre a Administração do Estado e das forças antifranquistas ilegais, que viriam a jogar uma peça-chave junto à oposição moderada, na formação da União de Centro Democrática. Um dos grupos mais significativos deste processo foi a firma coletiva Tácito no diário católico "Ya" (Já). Esta zona intermediária permitiu a comunicação e, em seguida, colaboração de jovens reformistas do Regime com a oposição moderada.
Em definitivo, ainda que a oposição política e os movimentos sociais não pudessem derrubar o regime franquista, sua crescente implantação avivou a divisão da classe política do mesmo, restando possibilidades aos projetos de reforma que não tiveram como horizonte a restauração da democracia. Por tudo isto, o papel da oposição no final do regime, radicava sobretudo na conformação de uma cultura democrática da sociedade, na preparação da representação desta e no legado que a histórica conservava no plano da legitimidade.
Auge e renovação do antifranquismo
Membros da UMD, oposição ao franquismo (Foto, arquivo do site ArteHistoria)
Época: Final do franquismo
Início: Ano de 1957
Fim: Ano de 1975
Antecedente: A oposição democrática
(C) Abdón Mateos e Alvaro Soto
Fonte: site ArteHistoria (Espanha), da Junta de Castela e Leão
http://www.artehistoria.jcyl.es/v2/contextos/7449.htm
Título original: Auge y renovación del antifranquismo
Tradução: Roberto Lucena
domingo, 19 de janeiro de 2014
Há 30 anos terminava a ditadura militar argentina - parte 03
- Entre 1976 e 1983 os militares assassinaram ao redor de 30 mil civis, entre eles, crianças e idosos, segundo estimativas de ONGs argentinas e organismos internacionais de defesa dos Direitos Humanos.
- Os militares afirmam que mataram “somente” 8 mil civis (segundo declarações do próprio general e ex-ditador Reynaldo Bignone, à TV francesa na virada do século, outros colegas seus dizem que não mataram pessoa alguma)
- O Estado argentino, com a volta da Democracia, recebeu pedidos para indenizações da parte de parentes de 10 mil desaparecidos.
- A Ditadura teria sido responsável pelo sequestro de 500 bebês, filhos das desaparecidas. Desde o final dos anos 70 as avós da Praça de Mayo localizaram e recuperaram a identidade de 109 dessas crianças, atualmente adultos.
- Em 1983 nos últimos meses da Ditadura, um relatório das próprias forças armadas argentinas indicou que a guerrilha e grupos terroristas de esquerda e cristãos nacionalistas teriam assassinado 900 pessoas. Diversos historiadores afirmaram ao longo dos anos que esse número está ligeiramente inflacionado, já que diversos dos mortos da lista militar teriam sido assassinados pelos próprios militares, na miríade de brigas internas (e, convenientemente, teriam colocado a culpa nos terroristas).
FRACASSOS ECONÔMICOS E MILITARES: Além de ter sido a mais sanguinária Ditadura foi um fracasso tanto na área militar como na esfera econômica.
Fiascos Militares:
- Entre 1976 e 1978 a Ditadura colocou quase a totalidade das Forças Armadas para perseguir uma guerrilha que já estava praticamente desmantelada desde antes do golpe, em 1975. Analistas militares destacam que este desvio das Forças Armadas argentinas (que havia iniciado no final dos anos 60 mas intensificou-se a partir do golpe) reduziu drasticamente o profissionalismo dos militares.
- Em 1978, a Junta Militar argentina levou o país a uma escalada armamentista contra o Chile. Em dezembro daquele ano, a invasão argentina do território chileno foi detida graças à intermediação papal. O custo da corrida armamentista colocou o país em graves problemas financeiros.
- Em 1982, perante uma crise social, perda de sustentabilidade política e problemas econômicos, o então ditador Leopoldo Fortunato Galtieri – famoso por seu intenso approach ao scotch – decidiu invadir as ilhas Malvinas para distrair a atenção da população. Resultado: após um breve período de combate, os oficiais do ditador renderam-se às tropas britânicas.
Desastres econômicos:
- Em sete anos de Ditadura, a dívida externa subiu de US$ 8 bilhões para US$ 45 bilhões.
- A inflação do governo civil derrubado pela Ditadura, que era considerada um índice “absurdo alto” pelos militares havia sido de 182% anual. Mas, este índice foi superado pela política econômica caótica da Ditadura, que encerrou sua administração com 343% anual.
- A pobreza disparou de 5% da população argentina para 28%
- A participação da indústria no PIB caiu de 37,5% para 25%, o que equivaleu a um retrocesso dos níveis dos anos 60.
- Além disso, a Ditadura criou uma ciranda financeira, conhecida como “la plata dulce”, ou, “o doce dinheiro”.
- Ao mesmo tempo em que tomavam medidas neoliberais, como a abertura irrestrita das importações, os militares continuavam mantendo imensas estruturas nas empresas estatais, que transformaram-se em cabides de emprego de generais, coronéis e seus parentes.
- Os militares também estatizaram US$ 15 bilhões de dívidas das principais empresas privadas do país (além das filiais argentinas de empresas estrangeiras).
- No meio desse caos econômico, os militares provocaram um déficit fiscal de 15% do PIB.
- A repressão provocou um êxodo de centenas de milhares de profissionais do país. Os militares, em cargos burocráticos, exacerbaram a corrupção na máquina estatal.
MILITARES E ESPORTE - Apesar das denúncias de graves violações aos Direitos Humanos a FIFA não cancelou a realização da Copa de 1978. Para a Ditadura, a vitória nesse evento esportivo foi um trunfo político, que lhe garantiu alta popularidade. Os argentinos exilados discutiam no exterior se deveriam torcer a favor ou contra a seleção. Alguns argumentavam que a vitória na Copa não favoreceria a Ditadura, e que esporte e política nunca se misturam. Outros destacavam que esporte e política misturam-se, e muito.
NEGOCIATAS DE 1978 – O Orçamento inicial da Copa de 1978 era de US$ 70 milhões. Custo final da Copa: US$ 700 milhões (o valor supera amplamente o custo da Copa realizada na Espanha, em 1982, que foi de US$ 520 milhões).
GUERRA CIVIL OU GUERRILHA LOCALIZADA?
Os militares deram o golpe e instauraram a ditadura mais sanguinária da História da América do Sul (América do Sul, não América Latina) com o argumento (um dos vários) de que a guerrilha controlava grande parte do país.
Delírio. A pequena guerrilha argentina, mais especificamente o ERP, dominava às duras penas uma pequena porcentagem da província de Tucumán, a menor província da Argentina.
A magnificação da guerrilha foi útil para os militares e também para o prestígio dos guerrilheiros. A nenhum dos dois lados era conveniente admitir a realidade, de que a área controlada pela guerrilha era ínfima.
Os militares e os setores civis que apoiaram o golpe (e os saudosistas daqueles tempos) afirmavam (e ainda afirmam) que o país estava em guerra civil nos nos 70.
Mas, “guerra civil”, rigorosamente, seriam conflitos de proporções mais substanciais, tais como a Guerra da Secessão dos EUA, a Guerra Civil Espanhola, a Guerra Civil Russa logo após a proclamação do Estado Soviético, a Guerra das Duas Rosas (Lancasters versus Yorks, na Inglaterra) ou a Guerra Civil da Grécia após o fim da Segunda Guerra Mundial. Ainda: a Guerra Civil da Nicarágua, e a de El Salvador. Isto é: bombardeios de cidades, grandes êxodos de refugiados, centenas de milhares de mortos, uma boa parte de um país controlado por um dos lados, e outra parte controlada por outro lado. Isso não ocorreu na Argentina nos anos 70.
POLÍTICA EXTERNA ESQUIZOFRÊNICA
Na política externa a Ditadura também mostrou um comportamento peculiar:
- Acreditou que os EUA ficariam de seu lado na Guerra das Malvinas, já que a Ditadura havia sido um bastião anticomunista na América do Sul e até havia colaborado na guerrilha dos ‘contras’ na América Central.
Os militares argentinos não levaram em conta que pesaria mais a velha aliança EUA-Grã Bretanha por motivos históricos e pela participação na OTAN.
- A Ditadura tinha um discurso anticomunista mas continuou vendendo trigo para a URSS e não aderiu ao boicote americano contra as Olimpíadas de Moscou em 1980.
Fonte: Blog do Ariel Palacios
http://blogs.estadao.com.br/ariel-palacios/ha-30-anos-encerrava-se-a-ditadura-argentina-pequeno-manual-sobre-o-modus-operandi-do-regime/
Parte 02: Há 30 anos terminava a ditadura militar argentina
Parte01: Há 30 anos terminava a ditadura militar argentina (Tortura e voos da morte, Estado proto-nazista)
segunda-feira, 6 de janeiro de 2014
Há 30 anos terminava a ditadura militar argentina - parte 02
GALERIA DE ALGUNS DOS PRINCIPAIS TORTURADORES
O “Tigre” Acosta - Um dos criadores dos “voos da morte” foi o capitão de corveta Jorge “Tigre” Acosta, uma das “estrelas” da Escola de Mecânica da Armada (ESMA). O oficial, que falava sozinho à noite, em delírio místico explicava aos colegas e prisioneiros que mantinha longas conversas noturnas com “Jesucito” (O pequeno Jesus), ao qual perguntava qual dos prisioneiros deveria torturar no dia seguinte e jogar dos aviões. Famoso pelos requintes de crueldade que aplicava aos detidos, Acosta também foi um dos principais sequestradores dos bebês de prisioneiras da ESMA.
O “Anjo Loiro” Astiz – “É o mais sinistro paradigma do terrorismo de Estado”. Com esta frase, o escritor e jornalista Jorge Camarasa, define a personalidade do ex-capitão Alfredo Astiz apelidado de “O anjo loiro da morte”. Garoto mimado da ditadura, entre seus assassinatos mais famosos estão os das freiras francesas Alice Domon e Leonie Duquet, além de três fundadoras das Mães da Praça de Mayo, entre elas, Azucena Villaflor. Astiz foi recompensado por seus serviços com o cargo de comando nas ilhas Geórgias durante a Guerra das Malvinas, em 1982. No entanto, essas ilhas foram o primeiro ponto recuperado pelos britânicos durante o conflito. Após um único tiro de bazuca disparado pelos britânicos, Astiz desistiu de resistir “até a morte”, como havia prometido. Com com um copo cheio de whisky em uma das mãos, assinou a rendição incondicional.
Donda Tigel - Alfredo Donda Tigel tornou-se famoso por sequestrar seu próprio irmão e a cunhada – militantes da esquerda. Depois de assassiná-los, ficou com suas filhas, que eram bebês.
Ernesto Weber – Oficial da Polícia Federal, era apelidado de “220” pelos colegas militares pelo prazer que sentia em aplicar essa voltagem nas torturas. Foi professor de torturas dos oficiais de Marinha.
Febres - O ex-Chefe da Guarda Costeira Héctor Febres ficou notório por seu extremo sadismo, que o levou a torturar bebês e crianças para arrancar confissões dos pais, presos políticos. A primeira surpresa ocorreu poucos dias após sua morte, no dia 10 de dezembro – o Dia internacional dos Direitos Humanos, que também coincidiu com a posse da nova presidente, Cristina Fernández de Kirchner – quando a Justiça anunciou que o ex-torturador havia falecido por uma dose cavalar de cianureto. A segunda surpresa surgiu dias depois, quando as autoridades indicaram que a autópsia também registrou a presença de sêmen no reto do ex-torturador. Ele era famoso por seu desenfrado sadismo. Sobreviventes relatam que, quando aplicava choques elétricos nos prisioneiros, ficava “alucinado” e gargalhava enquanto ouvia os gritos dos torturados. Um dos sobreviventes relatou como Febres lhe pediu gentilmente que consertasse o aparelho de choques elétricos, que logo depois utilizaria no próprio prisioneiro. Na ESMA os torturadores costumavam ter apelidos referentes a animais. Esse era o caso do capitão Jorge “Tigre” Acosta e do tenente Alfredo “Corvo” Astiz. Mas, Febres era chamado de “Selva”, já que “era o conjunto de todos os animais”
Enfardador - Luis Porcio, chefe de segurança da Side, conhecido pelo apelido de “Enfardador”, já que apreciava amarrar os prisioneiros com arames, como se fossem fardos, para posteriormente queimá-los. Ele operava no Automotores Orletti, um centro clandestino de detenção e tortura localizado no bairro portenho de Floresta
El Turco Julián - Diversas testemunhas indicam que os torturadores argentinos ouviam marchas militares do Terceiro Reich e discursos de Adolf Hitler enquanto torturavam. Esse era o caso Julio Simón, chefe dos interrogadores do centro de detenção “El Olimpo”, cujo nome de guerra era “O Turco Julián”. Ele divertia-se jogando água fervendo em cima de seus prisioneiros políticos. Deleitava-se em torturar os deficientes físicos, jogando-os do alto de uma escada. Além disso, saboreava cada minuto no qual estuprava a esposa de um prisioneiro na sua frente.
Segundo o depoimento da ex-prisioneira (uma das poucas pessoas detidas que sobreviveram nesse centro onde imperava Julián) Susana Caride o lugar era uma espécie de “circo romano” no qual os policiais “se divertiam”. Caride relatou que os prisioneiros eram obrigados a lutar boxe um contra o outro, sob ameaças de torturas. Ela também relembrou como, no dia de Natal, os prisioneiros foram convidados para um banquete, no qual puderam comer peru, maionese e panettone. Mas, à meia-noite, na hora do brinde, Simón interrompeu a festa que ele próprio havia organizado para iniciar uma sessão de violentas torturas com os presentes. Juan Agustín Guillén, outro dos sobreviventes, contou como Simón – que ostentava uma suástica no uniforme, tinha especial sanha com José Poblete, um jovem militante peronista que havia perdido ambas pernas em um acidente. Simón lhe havia retirado a cadeira de rodas e as pernas ortopédicas, e divertia-se – às gargalhadas – jogando-o para cima ou obrigando-o a desfilar na frente dos outros policiais arrastando-se sobre os tocos de seus membros.
O ex-policial foi condenado pelo sequestro e torturas infligidas ao casal Gertrudis Hlaczik e José Poblete Roa em 1978. Ele também foi considerado culpado do sequestro de Claudia, o bebê de apenas oito meses do casal, e do ocultamento de sua identidade. Ele fazia Gertrudis andar nua pelos corredores, enquanto que José, sem as pernas, devia se arrastar com as mãos pelo chão. Simón e os outros guardas o chamavam de “cortito” (curtinho), por causa da ausência dos membros inferiores. O torturador também costumava jogar Poblete desde o alto de uma escada. Em um vídeo, o ex-policial admitiu que torturou com choques elétricos, com o objetivo de “acelerar” os interrogatórios. No vídeo, confessa que “o critério geral era o de matar todo mundo”.
Rebaneyra - Outro notório torturador era o carcereiro Raúl Rebaynera, uma dos principais figuras da prisão de La Plata, onde estiveram vários prisioneiros políticos, entre eles, o Adolfo Pérez Esquivel, que em 1980 tornou-se Prêmio Nobel da Paz. Segundo o ex-prisioneiro Julio Modorgoy, cada vez que chovia Rebaynera colocava música clássica, de preferência Beethoven ou Bach – e saía “de caça”, isto é, passava pelas celas espancando os prisioneiros. “Se te dou 15 socos e você não gritar, te levo de novo para a cela. Se gritar, fica aqui na sala de torturas 15 dias”, ameaçava.
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| A modelo Marie Anne Erize, estuprada pelos militares por alfabetizar crianças pobres |
Os casos de delitos sexuais transcorreram nos campos de detenção de “Club Atlético”, “El Olimpo” e “Banco”.
Os envolvidos estupraram – segundo as denúncias – dezenas de mulheres detidas nos centros de tortura. Geralmente elas eram amarradas, nuas, a camas nas celas. Primeiro eram torturadas com choques elétricos nos mamilos e nos órgãos genitais. Posteriormente eram violadas por um ou mais policiais e militares. Ocasionalmente, um dos repressores reclamava exclusividade sobre a mulher estuprada. Os militares e policiais costumavam preferir as estudantes universitárias jovens. Frequentemente, quando um casal era detido, os sequestradores violavam a esposa na frente do marido.
Os militares também costumavam introduzir ratos vivos – e famintos – nas vaginas das mulheres.
O CASO MARIE MARIE ANNE ERIZE
Filha de franceses que instalaram-se na Argentina, Marie Anne Erize foi “Miss Siete Días” (concurso realizado pela revista semanal de maior tiragem da época) e protagonizou diversas campanhas publicitárias da primeira metade dos anos 70 na Argentina.
De forma paralela a seu trabalho nas passarelas Marie Anne Erize fazia militância política na faculdade de filosofia, além de colaborar com o padre Carlos Mujica – referência do clero de esquerda na Argentina – na alfabetização de crianças nas favelas portenhas. A jovem mudou-se para a província de San Juan pouco após o golpe militar. No entanto, em outubro de 1976, ao sair de uma loja de bicicletas, onde havia ido trocar um pneu furado, foi sequestrada e levada para o centro clandestino de torturas “La Marquesita”.
Marie Anne, de 22 anos, que também tinha a cidadania francesa, foi levada à força pelo então tenente Jorge Antonio Olivera (que posteriormente chegaria a major), chefe de inteligência da Infantaria de San Juan, que a estuprou em diversas ocasiões, antes de matá-la. Olivera ufanava-se perante os outros militares de ter penetrado a famosa modelo.
Esta história tem outro lado sinistro: Olivera, que tinha apenas dois anos mais do que ela e era tenente na época da ditadura, havia morado durante sua infância e adolescência em Wanda, Misiones, a mesma cidadezinha de Marie Anne, a apenas um quarteirão de distância um do outro.
Fonte: Blog do Ariel Palacios
http://blogs.estadao.com.br/ariel-palacios/ha-30-anos-encerrava-se-a-ditadura-argentina-pequeno-manual-sobre-o-modus-operandi-do-regime/
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domingo, 3 de novembro de 2013
Sobre cobaias de laboratório e humanos, e o "caldo" da segunda guerra
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| Foto do julgamento dos médicos no tribunal em Nuremberg, pós-guerra |
O julgamento dos médicos em Nuremberg
A quem quiser ler mais sobre experimentos médicos na segunda guerra, clique na tag (marcador) abaixo:
Experimentos médicos/Cobaias humanas na segunda guerra
Não há condição de deixar passar batido o que houve, primeiro porque é algo sério (tratado com descaso e sensacionalismo pela mídia), e também (principalmente) porque não gostei da abordagem (agressiva e fanática) de uma pessoa comentando sobre esse assunto, e me impressiona como eles embasam um discurso cheio de lacunas - moralista ao extremo - pra criticar os testes de laboratório ignorando a finalidade disso, refiro-me ao caso da remoção dos cachorros (beagles) do laboratório do tal Instituto Royal em São Paulo.
Segue abaixo a cópia do comentário que estava no link acima "O julgamento dos médicos em Nuremberg". Irei remover o comentário do outro post pois já está colocado em um post separado, pra evitar que o outro post sobre o julgamento se perca, caso haja discussão sobre essa questão (estou me precavendo porque as reações que tenho visto são agressivas e emocionais ao extremo, e muitas sem fundamento algum, abaixo eu explico melhor o porquê deu achar isso, e há dois vídeos que espero que as pessoas assistam e reflitam sobre o ocorrido).
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Comentário: esse texto apareceu quando citaram o nome dessa Herta Oberheuser num grupo e não há praticamente referência no verbete dela da Wikipedia em inglês (ao contrário do verbete em alemão) de bibliografia etc, sendo que se enquadra na questão dos médicos e o nazismo, ela fez experimentos no campo de Ravensbrück.
Mas o texto toca inevitavelmente num ponto que foi assunto nas últimas semanas no país que é a questão de cobaias de laboratório e o porquê do uso de animais em experimentos, refiro-me à invasão de um laboratório e a captura de cães da "raça" beagle. Parece que não "tem nada a ver" o assunto, mas tem tudo a ver. Não sei se deveria comentar isto aqui ou em um post à parte. Se for o caso, colocarei em separado o texto com o comentário/observação em outro post posteriormente, pois o intuito ao fazer o comentário não é abafar o tema do post, embora pela reação totalmente emocional que eu observei neste caso, a gente fica com receio de comentar isso neste post e começarem a discutir somente o caso dos cachorros em laboratório.
Um dos motivos do uso de animais em laboratório é justamente este citado no texto, para não usar humanos como cobaias de laboratório, principalmente depois das atrocidades conhecidas na segunda guerra (Holocausto e também o uso de cobaias humanas na China pelo regime japonês) e na guerra fria (houve uso de cobaias humanas de forma não-oficial, clandestina, pelos EUA). Eu coloquei a matéria no blog sobre estes testes na guerra fria mas não estou achando no momento, por isso coloquei o link com o assunto do que saiu na imprensa pra mostrar que foi noticiado (não estou "chutando").
As cenas da captura de animais foi uma das coisas mais bizarras que já vi em muito tempo. Ninguém que afirma que achou as cenas bizarras é a favor de tortural animal ou algo do gênero (pois um dos recursos apelativos usados por quem faz um ativismo maluco e xiita é ficar imputando aos outros que quem é contra atos tresloucados como este só "pode ser a favor" de tortura etc), e caso o laboratório tenha culpa (de maus tratos) que seja apurado, processado e condenado, coisa que agora ficou difícil de apurar pois desmontaram o local e as provas. "Justiceirismo" sempre costuma dar em besteira, é um dos comportamentos que mais vi no Orkut e que simplesmente arruinou aquela rede, e pelo visto segue no Facebook (pior que no Orkut).
Não ter ideia do porquê do uso de animais como cobaias, como fez o grupo que invadiu e tirou os cachorros, beira a algum tipo de fundamentalismo 'estilo talibã' (acho a postura parecida, desculpem-me se por acaso ofender algum ativista sério), anti-científico e totalmente imprudente. Tiraram animais que poderiam estar infectados por experimentos e que morreriam por infecção, doença etc em pouco tempo fora do laboratório ou poderiam passar alguma doença no contato exterior (ao laboratório), além de que ninguém sabe aonde foram parar os cachorros. Pior foi a sucessão dos fatos, saíram bizarrices ainda mais grotescas como colocar um animal pego no laboratório à venda por mais de 2 mil reais, visivelmente não recebendo alimentação adequada e consequentemente podendo morrer:
Beagle vendido por R$ 2.700 na internet era do Instituto Royal, diz anúncio
Beagle que estava à venda na internet é recuperado pelo Instituto Royal
Isso é comportamento de quem gosta de animal? Pôr um cachorro a venda ou deixá-los largados?
Eu li num dos links acima (o link está dentro do outro link do Zero Hora) que foram recolhidos 178 animais do Instituto em questão, e não se sabe onde foi parar a maioria deles, se estão vivos, mortos etc. Tudo fruto de uma histeria coletiva porque acharam que uma determinada "raça" de cachorro é "fofa". Muita gente só se "comove" com a aparência do animal (e já vi muito comentário grotesco falando de testes em humanos, coisa digna de um Mengele), enquanto não se observa a mesma "histeria" com testes em ratos, cobras e animais menos "apresentáveis" visualmente. Parece que pelo fato de uma cobra não ser um "animal fofinho", desperta menos "compaixão" no pessoal com tendência a uma certa histeria coletiva.
Passaram esse vídeo (e acabei vendo outro que também irei colocar o link abaixo) sobre o caso e acho pertinente como espero que assistam (assistam pra depois criticar ou não), são dois, vou colocar os dois vídeos abertos e os links caso alguém queira ver direto no Youtube:
O resgate dos beagles (link do vídeo acima)
Experimentos e beagles: FAQs (link do segundo vídeo, complemento)
Quem citou o o nome do neurocientista Miguel Nicolelis foi o dono do (Canal do Pirulla) dos vídeos acima, por isso achei pertinente mostrar o experimento do cientista brasileiro (muito bem lembrado por ele nos vídeos) que pode fazer com que pessoas paralíticas voltem a andar. Não é pela menção ao vídeo mas já tinha admiração pelo prof. Nicolelis (já vi matérias sobre ele antes), figura sensacional e motivo de orgulho pra qualquer brasileiro.
Pra quem não sabe ou conhece, o Nicolelis faz experimentos em macacos, e se for levar à risca o que esse tipo de 'ativismo xiita' tentou passar pra "opinião pública" com o caso dos cachorros, vai ter gente, por dedução lógica, querendo enquadrar/rotular o Nicolelis como um "sádico que maltrata animais" pois ele faz experimentos em macacos. O que é absurdo e não precisaria nem ser comentado (por ser algo aparentemente óbvio demais) se não houvesse tanta gente propensa a agir de forma extremada e puramente emocional (e irracional):
Nicolelis diz que exoesqueleto será testado no Brasil até novembro
As imagens do joelho robótico: link
Nicolelis divulga simulação do chute de paraplégico na abertura da Copa do Mundo de 2014
"É como pôr um homem na Lua", diz Nicolelis sobre Walk Again link2
Brasileiro faz macacos sentirem textura em objetos virtuais
Em livro, Nicolelis explica plano de fazer garoto tetraplégico chutar bola
Nicolelis reproduz “ilusão da mão de borracha” em macacos; projetos com a AACD são aprovados na Conep
Achei bizarras as cenas do que houve. A gente se pergunta se esse pessoal assistiu a pelo menos alguma aula de biologia no colégio pra que haja um surto histérico coletivo dessa proporção e de ignorância científica também. E não é um problema qualquer como tem sido tratado pela mídia, é algo bem sério pois já houve surto de histeria irracional movido por "crendices" na campanha de vacinação contra a gripe suína e que pode MATAR pessoas (eu, você ou qualquer um podemos ser vítimas da estupidez alheia, são casos que algum orgão sanitário precisa fazer uma chamada se´ria), um tipo de irracionalidade histérica que acomete principalmente gente com pouca capacidade de reflexão e suscetível a sugestões emocionais extremadas e que muitas vezes vão "na onda" da maioria sem refletir sobre o que estão fazendo ou endossando.
Esse tipo de ativismo mais lembra algum tipo de fundamentalismo religioso talibã. Não quero com isso afirmar que não exista gente séria que faça ativismo sobre esta causa, mas não gostei do que vi nesse episódio, além do fato de que ninguém sabe qual destino os animais tiveram (178 animais no total), com um deles sendo vendido em sites de mercadoria e ninguém responde/assume responsabilidades por nada que fizeram ou referente ao destino dos cães.
A ação de "resgaste", se é que houve (eu pelo menos não considero), não deveria se resumir ao "teatro" da histeria no local, como também e principalmente em ações nos dias seguintes como saber quem cuidaria dos cachorros etc, ou acham que são "bichinhos de pelúcia" que não precisam comer? Algo que fatalmente passou batido e que muita gente pode ter antevisto que algo desse tipo iria ocorrer. Foi uma das primeiras coisas que me vieram à mente quando vi as cenas, "e agora, para onde vão levar os cachorros? quem vai cuidar deles?".
Como diz o dito popular: "de boas intenções o inferno tá ...". Mais raciocínio/reflexão (razão) e menos histeria (apelo emocional), todo extremismo inconsequente acaba se tocando. Esse comportamento de "justiceiro", "síndrome de Batman", é algo próximo da barbárie.











