quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Alemanha endurece legislação contra crimes racistas

Beate Zschäpe, única sobrevivente do NSU, é julgada
pelo Tribunal de Munique desde maio de 2013.
REUTERS/Michael Dalder
RFI
O governo alemão aprovou nesta quarta-feira (27) um projeto de lei que pretende endurecer as leis contra crimes racistas. A decisão acontece durante o julgamento da única sobrevivente do grupo neonazista Clandestinidade Nacional-Socialista (NSU), acusado de dez mortes e dois atentados.

O Conselho de ministros adotou também as propostas de uma comissão parlamentar encarregada de esclarecer as falhas da investigação dos crimes cometidos pelo NSU. Todas elas alertam para as motivações racistas e xenófobas do grupo.

Entre 2000 e 2007, o grupo formado por Beate Zschäpe, Uwe Mundlos e Uwe Böhnhardt assassinou dez pessoas, oito deles de origem turca, cometeu dois atentados à bomba e realizou diversos assaltos a bancos. Mundlos e Böhnhardt se suicidaram em 2011. Zschäpe, de 38 anos, é julgada desde 2013 pelo Tribunal de Munique, no sul da Alemanha.

O projeto de lei, que ainda deve ser aprovado pelo Parlamento, sugere que as autoridades considerem o caráter racista de alguns crimes. O projeto de lei também repassa à Justiça federal a gestão das investigações relacionadas a grupos extremistas.

“Nós temos o dever de impedir que esses tipos de crime nunca mais se repitam”, disse hoje, em um comunicado, o ministro alemão da Justiça, Heiko Maas, referindo-se ao NSU. Para ele, o grupo pôde agir durante muito tempo sem ser punido.

O porta-voz do governo alemão, Steffen Seibert, classificou o trio como “uma célula terrorista” e lembrou o quanto chocou a Alemanha com os assassinatos de dez pessoas em sete anos.

Falhas policiais

A comissão de investigação parlamentar sobre o NSU finalizou, em agosto de 2013, um relatório de mil páginas sobre as falhas policiais que resultaram na continuação das atividades do grupo.

O documento ressalta a falta de coordenação entre as autoridades de várias regiões onde os crimes foram registrados. O documento também aponta na demora dos investigadores em oficializar a hipótese que as ações do grupo visavam principalmente a comunidade turca na Alemanha.

Fonte: RFI
http://www.portugues.rfi.fr/geral/20140827-alemanha-endurece-legislacao-contra-crimes-racistas

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Descendentes de sobreviventes vítimas do genocídio nazista condenam ofensiva de Israel a Gaza

327 descendentes e sobreviventes judeus das vítimas do genocídio nazista assinaram uma carta escrita em resposta ao que eles consideram ser uma manipulação de Elie Wiesel do genocídio nazi para justificar os ataques israelenses contra Gaza.

Para mais informação desta carta e o sobre o comunicado que saiu na imprensa, ver aqui e aqui.

Fonte: Holocaust Controversies
http://holocaustcontroversies.blogspot.com/2014/08/descendants-of-survivors-of-victims-of.html
Texto: Roberto Muehlenkamp
Título original: Descendants of Survivors of Victims of the Nazi Genocide Condemn Israel’s Assault on Gaza
Tradução: Roberto Lucena

Acréscimo: quem quiser ler mais matérias em português sobre a carta ao New York Times, podem conferir as matérias que saíram na BBC edição brasileira e na DW Brasil.

A quem quiser ler mais sobre o conflito no Oriente Médio no blog e o posicionamento sobre o conflito, cliquem na tag Oriente Médio que aparecem todos os posts com esta tag (marcador).


domingo, 24 de agosto de 2014

"Hitler não matou ciganos suficientes", deputado francês é condenado por racismo

Deputado condenado por afirmar que "Hitler não matou ciganos suficientes"

Gilles Bourdouleix diz que as suas declarações
foram deturpadas, mas vai ter de pagar 3000 euros.
O deputado francês Gilles Bourdouleix foi condenado a pagar uma multa de 3000 euros por ter afirmado que Adolf Hitler não "matou suficientes ciganos". O "desabafo" aconteceu no momento em que o também presidente da Câmara de Cholet presenciava os desacatos provocados pela ocupação ilegal de um terreno agrícola por centenas de caravanas.

Avança o jornal "Le Monde" que o também Presidente da Câmara de Cholet, proferiu estas declarações em julho do ano passado, no decorrer de um desacato quando da ocupação ilegal de um terreno agrícola por centenas caravanas. As palavras proferidas por Bourdouleix poder-lhe-iam ter custado até 5 anos de prisão e 45000€ de multa.

A controversa declaração, pela qual Bourdouleix arriscou uma pena de cinco anos de prisão e 45 mil euros, foi recolhida pelo diário "Le Courrier de l'Quest", e mais tarde confirmada por testemunhas, também presentes no local.

Em sua defesa, o político alega que os comentários feitos no momento foram descontextualizados e manipulados pela publicação francesa, considerando-se "vítima" de uma adulteração das suas palavras.

Mas a gravidade do que disse desencadeou uma investigação, por alegada "apologia de um crime contra a humanidade", Antes mesmo de ser condenado em tribunal, Bourdouleix acabou expulso de União de Democratas e Independentes (UDI), embora continue a integrar o partido de direita, DLR.

Quem não ficou surpreendido foram os habitantes da cidade francesa Cholet. Quase um ano depois do incidente, o autarca foi em março reeleito para liderar a Câmara.

A gravidade de tais declarações originou uma investigação devido à demonstrada "apologia de um crime contra a humanidade", confirma o jornal espanhol El País.

Fonte: Expresso
http://expresso.sapo.pt/deputado-condenado-por-afirmar-que-hitler-nao-matou-ciganos-suficientes=f885774

Ver mais:
Condenado un alcalde y diputado francés por decir que “Hitler no mató a bastantes gitanos” (Alerta Digital, Espanha)
French MP loses appeal against €3,000 fine for Hitler-Roma remark (The Guardian, Reino Unido))
Propos anti-Roms : l'élu Gilles Bourdouleix condamné en appel (Le Figaro, França)
Gilles Bourdouleix condamné à une amende pour «apologie de crime contre l'humanité» (Le Monde, França)

Observação 1: há um comentário racista na publicação em espanhol acima com essas fotos (Foto 1, Foto 2). Um sujeito de nome Alfredo, presumo que da Espanha, com o seguinte comentário e as fotos na sequência:
"Alfredo 14/08/2014 - 17:44
Este alcalde racista no se da cuenta de la riqueza que tiene en su municipio:"

Tradução: "Este prefeito racista não se dá conta da riqueza que tem em seu município"
Há um racismo pesado na Europa contra ciganos, até hoje, e é um assunto pouco relatado na grande mídia, principalmente na mídia brasileira. Assunto várias vezes abordado neste blog pois o Holocausto (genocídio nazista) também abrangeu os ciganos, que são pouco lembrados na mídia pelo episódio pois a devastação dos ciganos no nazismo, proporcionalmente (mas não em números absolutos), foi maior que o extermínio de judeus no Holocausto.

Observação 2: por comodidade coloquei esse texto do jornal português Expresso que cita o jornal espanhol El País. Se você não leu o post anterior sobre este jornal, dê uma lida aqui:
O viés anti-Brasil da imprensa espanhola escancarado na Copa. Destaque para o jornal El País

Eu preferiria que o texto encontrado não constasse citação alguma a esse tipo de jornal, mas se torna inviável fazer um "índex" até de matérias com citações a outros jornais que tentarei evitar de publicar aqui. Também evitei usar as duas matérias que saíram no Brasil também pelo mesmo motivo. Darei-me ao direito de boicotar publicações que apresentam conteúdo enviesado neste tipo de questão ou em outros assuntos por considerar que o uso/citação dessas publicações dá credibilidade as mesmas, e seria bom que mais pessoas começassem a seguir o procedimento. O povo reclama muito que quer "mudanças" na mídia e tal mas não tomam atitude alguma pra forçar isso, eis aí uma atitude simples de se tomar. E como já comentei antes, acho a ferramenta do boicote legítimo e pacífico e funciona a médio, longo prazo, se houver um movimento organizado da sociedade civil em todos os países tomando essa postura. Se os jornais não respeitam seus leitores, usando as publicações pra panfletagem política e politicagem, então precisam arcar com os danos que isso causa.

O público hoje não é o mesmo de décadas atrás que aceitava passivamente as publicações sem questionar a credibilidade deles, então fica o aviso aos jornais que não tentem se tornar "partidos políticos" sob pena de serem rechaçados. Há gente que os boicota sem anunciar o ato (ou seja, mais gente já vem tomando a mesma atitude), mas acho mais honesto tornar a decisão pública.

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Auge e renovação do antifranquismo

Membros da UMD, oposição ao franquismo
O fenômeno da "nova esquerda" na Espanha tem que ser retraído ao momento do surgimento de protestos estudantis em 1956. Além das dissidências da esquerda tradicional, existiram outras duas fontes ideológicas no catolicismo e no nacionalismo. A gestação da nova esquerda se prolongou durante uma década para, desde 1967, entrar num período de transição, numa etapa superior de consolidação que durou até 1971. As famílias políticas da nova esquerda foram a maoista, a marxista-leninista, a trotskista e a anarcomarxista. A esses novos grupos políticos, unia-se o rechaço ante os partidos trabalhistas históricos e sobretudo ao PCE (Partido Comunista Espanhol), que eram acusados de reformismo ou revisionismo. Autodefiniam-se como organizações revolucionárias que rechaçavam o conjunto do sistema social existente na Espanha sendo, portanto, não somente antifranquistas senão anticapitalistas e contrários aos blocos. Cada uma das famílias políticas da nova esquerda estava dividida por sua vez em várias formações políticas segundo as correntes ideológicas, movimentos sociais e organizações que haviam surgido. De todas as formas, a principal fonte desses grupos seria uma série de organizações-pontes que haviam vivido seu orto e ocaso durante os anos sessenta, como a FLP e a AST.

A cavalo entre o fenômeno do radicalismo esquerdista e a dissidência dos partidos históricos da oposição, apareceria outra série de formações políticas. O comunismo espanhol foi o mais afetado por este fenômeno de fracionamento apesar de viver ao final da ditadura uma etapa de cenit, sua década prodigiosa. Ao revisionismo de figuras como Fernando Claudín e Jorge Semprún, expulsos do partido comunista em 1965, houve que somar a saída de facções autodenominadas marxistas-leninistas em 1964 (PCE m-1) e 1967 (PCEi e Bandeira Vermelha), assim como o surgimento de grupelhos pró-soviéticos desde 1970. O debate a partir de 1964 foi enfrentado por Claudín e Semprún com o resto da direção do PCE e se pode resumir na existência de diferentes interpretações da realidade espanhola, do stalinismo e do funcionamento do partido.

A condenação de Santiago Carrillo da intervenção soviética na Tchecoslováquia trouxe consigo a criação de grupos como o liderado pelo general soviético Enrique Líster. Além disso, entre 1971 e 1973, surgiu dentro do PCE uma autodenominada Oposição de Esquerdas que, a partir da crítica da democracia interna no seio do partido, passou a coordenar o recente giro europeísta e a se alinhar com posições pró-soviéticas.

De todas as maneiras, não há que exagerar o alcance dessas dissidências no seio do PCE. A mística do antifranquismo e a disciplina do centralismo democrático atrasou o grosso das lutas internas no seio do partido comunista para o tempo posterior à morte de Franco e as primeiras eleições democráticas.

A partir da condenação da intervenção soviética na Tchecoslováquia, o PCE foi evoluindo para o que seria conhecido como eurocomunismo. O passo seguinte nesta evolução ideológica foi o reconhecimento da conveniência que a Espanha se incorporaria num futuro ao Mercado Comum Europeu. Depois do VIII Congresso em 1972, os comunistas elaboraram um documento conhecido como o Manifesto-Programa, aprovado definitivamente em 1975, no qual terminavam identificando socialismo com democracia e pluralismo político.

A política do PCE durante esses anos finais do regime de Franco se alimentou dos movimentos sociais. A ideia de reconciliação nacional se uniu à proposta de um pacto para a liberdade que unisse as denominadas forças de trabalho e da cultura. Ainda que os progressos na coordenação da oposição eram todavia débeis, com a exceção da Catalunha, os comunistas conseguiram uma orla de aliados tácitos, sobretudo da nova esquerda, no seio de movimentos sociais como o estudantil ou Comissões Trabalhistas. Haveria que esperar o momento da revolução portuguesa e a enfermidade de Franco para que Carrillo decidisse dar um precipitado salto adiante lançando em Paris a Junta Democrática. Ao PCE se uniram grupos como o PTE e os carlistas mas, sobretudo, personalidades como Calvo Serer, García Trevijano, Tierno Galván, Vidal Beneyto e Rojas Marcos. Contudo, Carrillo não conseguiu a colaboração do PSOE, de nacionalistas, democrata-cristãos e liberais, e da maior parte da nova esquerda. Alguns setores da oposição que, depois de anos de negociações, terminaram agrupando-se em 1975 à Plataforma de Convergência Democrática.

Para o campo dos socialistas, os anos sessenta também foi um tempo de crise e de fracionamento. A incapacidade da direção de Toulouse, encabeçada pelo veterano Rodolfo Llopis, de aglutinar ao novo antifranquismo radical se uniu o estancamento de sua política de centro-esquerda, aberta à oposição moderada monárquica ou acidentalista. Por outro lado, a implantação dos socialistas do PSOE e da UGT nos movimentos sociais, fora dos redutos industriais no Norte da Espanha, foi muito limitada durante os anos sessenta. Este temporal desencontro com a nova geração antifranquista de 1956-68 se deveu à rigidez da política do PSOE contrária, por exemplo, à unidade de ação com os comunistas, o "entrismo" em instituições do Regime como o Sindicato Vertical, ou a prioridade do ativismo clandestino. Deste modo, toda uma série de novos grupos que se autodefiniam socialistas não conseguiram a integração no colo dos históricos PSOE e UGT. Exemplo disto foi o desencontro com organizações como a ASU, os socialistas catalães do MSC e de outras regiões, o grupo de Tierno Galván e outros neosocialistas madrilenhos, ou o sindicalismo socializante de novos grupos procedentes do trabalhismo católico.

A médio prazo, entretanto, a política socialista de presença internacional, de relações com os meios ideologicamente afins no Ocidente, viria a ser um ativo político fundamental para o momento da transição para a democracia.

Neste contexto de auge do PCE, de emergência da nova esquerda e de desencontro com os neosocialistas, a renovação do PSOE iria se dar no final dos anos sessenta. Os primeiros passos do processo de mudança interna se produziram no seio das Juventudes Socialistas em 1970 e da UGT em 1971. Contudo, a transição interna dos socialistas se prolongaria durante a totalidade dos anos setenta. Houve uma primeira fase de lutas internas, incluindo as incisões minoritárias do que se conheceria como o PSOE histórico, até o Congresso do PSOE em Suresnes em 1974, que incumbiu a Felipe González a liderança do partido e completou o transporte da direção ao interior da Espanha. Paralelamente, mas sobretudo depois da morte de Franco, produziu-se o aglutinamento de boa parte do antifranquismo a partir de uma ótica de radicalismo ideológico. Um radicalismo definido como reformismo revolucionário que, além do realce dos conteúdos anticapitalistas do socialismo e da definição marxista do partido, implicava no neutralismo, na república federal e autogestão.

Em todo caso, a nova direção socialista clandestina viria a conseguir estender a rede de federações provinciais pelo conjunto da geografia espanhola, reconstruir o sindicato UGT como entidade diferenciada do partido e responder com agilidade a mutante conjuntura política do franquismo tardio.

Neste momento final da ditadura, a oposição moderada, em sua maior parte partidária de opção monárquica, também procedeu remoçar suas plataformas organizacionais. As formações democrata-cristãs, nacionalistas, liberais e social-democratas constituíram novos partidos ou buscaram a coordenação de suas famílias políticas. Por exemplo, os democrata-cristãos constituíram uma plataforma confederativa que unia os grupos de Ruiz Giménez, Gil Robles, o PNV e a União Democrática da Catalunha.

Outro fenômeno de grande significação foi o surgimento de uma semi-oposição, a meio caminho entre a Administração do Estado e das forças antifranquistas ilegais, que viriam a jogar uma peça-chave junto à oposição moderada, na formação da União de Centro Democrática. Um dos grupos mais significativos deste processo foi a firma coletiva Tácito no diário católico "Ya" (Já). Esta zona intermediária permitiu a comunicação e, em seguida, colaboração de jovens reformistas do Regime com a oposição moderada.

Em definitivo, ainda que a oposição política e os movimentos sociais não pudessem derrubar o regime franquista, sua crescente implantação avivou a divisão da classe política do mesmo, restando possibilidades aos projetos de reforma que não tiveram como horizonte a restauração da democracia. Por tudo isto, o papel da oposição no final do regime, radicava sobretudo na conformação de uma cultura democrática da sociedade, na preparação da representação desta e no legado que a histórica conservava no plano da legitimidade.

Auge e renovação do antifranquismo
Membros da UMD, oposição ao franquismo (Foto, arquivo do site ArteHistoria)
Época: Final do franquismo
Início: Ano de 1957
Fim: Ano de 1975

Antecedente: A oposição democrática


(C) Abdón Mateos e Alvaro Soto

Fonte: site ArteHistoria (Espanha), da Junta de Castela e Leão
http://www.artehistoria.jcyl.es/v2/contextos/7449.htm
Título original: Auge y renovación del antifranquismo
Tradução: Roberto Lucena

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Testemunhas de Jeová são homenageadas no memorial do campo de concentração de Gusen

SELTERS, Alemanha — No domingo, 13 de abril de 2014, uma placa comemorativa foi inaugurada no memorial do campo de concentração de Gusen. Ela foi feita em homenagem às 450 Testemunhas de Jeová que foram aprisionadas pelos nazistas nos campos de concentração de Mauthausen e Gusen. Mais de 130 convidados estiveram presentes para a cerimônia.

Placa comemorativa inaugurada durante cerimônia pública no memorial do campo de concentração de Gusen, em 13 de abril de 2014.

Quando as Testemunhas de Jeová chegaram ao campo de concentração de Mauthausen, o comandante as ameaçou, dizendo: “Nenhum Estudante da Bíblia sairá daqui vivo.” Martin Poetzinger sobreviveu a nove anos de prisão em Dachau, Mauthausen e Gusen. Mais tarde, ele também serviu como membro do Corpo Governante das Testemunhas de Jeová em Brooklyn, Nova York. Ele falou o seguinte sobre o tempo que passou em Mauthausen: “A Gestapo [polícia secreta alemã] tentou de todas as maneiras fazer com que renunciássemos à nossa fé.”

Maio de 1945: campo de concentração de Gusen. Martin Poetzinger (sentado na primeira fileira, o segundo da esquerda para direita) com outros 23 sobreviventes, logo após serem libertos.

Algumas das Testemunhas de Jeová em Mauthausen foram transferidas para o campo secundário em Gusen. O objetivo principal de Gusen era ser um “campo de extermínio”, onde assassinatos intencionais e planejados eram parte do dia a dia. Para manter forte a fé, as Testemunhas de Jeová se reuniam à noite em pequenos grupos para conversar sobre textos bíblicos que lembravam de cor. Certa vez, elas conseguiram uma Bíblia, que foi repartida para que cada Testemunha de Jeová pudesse ter algumas páginas para ler e compartilhar. Elas usavam o pouco tempo livre que tinham para se esconder embaixo da cama e ler.

As Testemunhas de Jeová também falavam discretamente da mensagem da Bíblia com outros. Elas estudaram a Bíblia com cinco prisioneiros poloneses que foram batizados secretamente em um tanque de madeira improvisado. Uma Testemunha de Jeová chamada Franz Desch falou da mensagem da Bíblia a um oficial nazista, que acabou sendo batizado mais tarde.

O porta-voz das Testemunhas de Jeová na Áustria, Wolfram Slupina, diz: “Ficamos felizes por se lembrarem da fé e da coragem que as Testemunhas de Jeová mostraram nos campos de Mauthausen e Gusen. A determinação delas em tratar a todos com bondade e empatia cristã foi uma vitória sobre o mal que merece ser celebrada e imitada.”

Contato(s) para a mídia:

Internacional: J. R. Brown, Departamento de Informações ao Público, tel. +1 718 560 5000

Áustria: Wolfram Slupina, tel. +49 6483 41 3110
21 DE JULHO DE 2014 | ÁUSTRIA

Fonte: jw.org (site das TJ); link indicado por M. Jorge Caetano no FB
http://www.jw.org/pt/noticias/noticias-2/por-regiao/austria/campos-de-concentracao-mauthausen-gusen/

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Filme sobre pracinhas da FEB ganha prêmio - A estrada 47

A quem se interessar pelo filme, já que tem a ver com a temática do blog (segunda guerra), filme sobre pracinhas da FEB ganha prêmio de melhor filme (longa) em Gramado (RS). Vou colocar resumos de matérias abaixo comentando o filme pois não consegui achar muito mais informação sobre ele. Cortei comentários dos outros filmes pois fogem do assunto tratado aqui e, honestamente, não tenho o menor interesse em vê-los porque são "mais do mesmo", mesmos "artistas", filmes batidos etc, fruto do monopólio/oligopólio de mídia no Brasil por uma certa 'Emissora de TV'. Quem quiser ler as matérias inteiras com todos os comentários é só clicar nos links.

Drama de guerra 'A estrada 47' vence a competição brasileira

Ganhador do troféu Redentor de melhor montagem e de uma menção honrosa, para o ator Francisco Gaspar, no Festival do Rio de 2013, o drama de guerra “A estrada 47”, de Vicente Ferraz, foi o grande vencedor do Kikito de melhor longa-metragem brasileiro do 42º Festival de Gramado, encerrado na noite deste sábado.

Resultado de uma coprodução com a Itália e Portugal, o filme descreve os desafios de um grupo de pracinhas brasileiros nos campos de batalha italianos, na região de Monte Castelo, durante a Segunda Guerra Mundial. Coestrelado por Daniel de Oliveira e Julio Andrade, “A estrada 47” também levou o prêmio de melhor desenho de som.

— Esse filme é resultado de um trabalho muito grande. Foi difícil convencer as pessoas a fazer um filme de guerra, na neve e em outro país – disse Ferraz no palco do Palácio dos Festivais, ao receber seu troféu. — Mas também tem a questão da camaradagem. A participação desses atores maravilhosos foi fundamental.

“A estrada 47” derrotou outros favoritos da competição nacional, como “A luneta do tempo”, de Alceu Valença, que ficou com os Kikitos de direção de arte e trilha sonora; e “A despedida”, de Marcelo Galvão, que ainda acabou levando os prêmios de direção, ator (Nelson Xavier), atriz (Juliana Paes) e fotografia (Eduardo Makino).

Fonte: Portal AZ
http://www.portalaz.com.br/noticia/arte_e_cultura/304066_drama_de_guerra_a_estrada_47_vence_a_competicao_brasileira.html

Crédito: Europa Filmes

A Estrada 47, de Vicente Ferraz, saiu consagrado como melhor filme nacional do 42º Festival de Cinema de Gramado. O longa sobre um grupo de brasileiros lutando ao lado das tropas aliadas na Segunda Guerra Mundial também levou o kikito de Melhor Desenho de Som, para Branco Neskov.

Fonte: Cinecessário
http://wp.clicrbs.com.br/cinecessario/2014/08/17/vencedores-em-gramado/?topo=87,2,18,,,77

Observação rápida antes do trailer do filme abaixo: lendo alguns comentários no vídeo do trailer no Youtube a gente se depara com bobagens do "naipe" de "o governo não quer que veja" e coisas desse tipo. Só estou comentando porque não é a primeira vez que leio uma bobagem dessas e francamente, tem certas coisas que tiram do sério por haver um fanatismo correndo solto no Brasil que deixa as pessoas nesse estado. Não querendo ser chato, mas já sendo, eu não sei o que se passa na cabeça dessas pessoas, se é apenas falta de informação (ignorância) ou algum tipo de fanatismo/radicalismo qualquer. Primeiro, não há como abordar o assunto da segunda guerra inteiro em escolas, quem quiser ler sobre isso lê à parte como outros assuntos. Achar que o mundo para e começa em determinado assunto, por mais relevante que seja, só porque a pessoa gosta de um assunto é de um egoísmo (e "bitolamento") fora do comum, além de alienação e fetiche (fantasias em cima dessas coisas e ignorar a realidade). Ou seja, a princípio isso não é só questão de governo, até porque escolas privadas não seguem à risca governos e boa parte do ensino não-superior no país é privado em vez de ser público. Essas pessoas muitas vezes não gostam de ler e querem que essas instituições repassem resumos que elas consideram como "o ensino", por preguiça. Pode haver, mas a princípio eu não vejo pessoas de outros países ficarem com essa choradeira e a abordagem é quase a mesma, não ficam centrados só no tema segunda guerra em escolas até porque há mais coisas a serem ensinadas além disso. Acho vergonhoso ler certos comentários que leio em páginas brasileiras, fruto de falta de reflexão e preguiça em querer se informar, nem procurar algo no Google as pessoas às vezes procuram.

Trailer do filme:


quarta-feira, 13 de agosto de 2014

As questões de Santomauro (baboseiras "revis") - Parte 1

Tentarei responder esse "questionário" (entre aspas) "revi" de 29 partes ("perguntas") do M. Santomauro ("revisionista" dos EUA), em partes, porque ficaria inviável respondê-lo todo de uma vez, uma vez que quando se coloca textos extensos pouca gente lê. Só não sei em quantas partes ele será dividido.

Em todo caso, segue abaixo o tal texto reproduzido em blog neonazista (Arquivo88, o 88 é alusivo a Heil Hitler), com grafia de Portugal, ainda no acordo ortográfico antigo (já que o novo já está em vigor):

AS QUESTÕES DE SANTOMAURO (http://arquivo88.blogspot.com.br/2014/05/as-questoes-de-santomauro.html)

Alguém poderia me ajudar a responder essas questões?

1. Por que é que Elie Wiesel e inúmeros outros Judeus sobreviveram ao Holocausto se era intenção do Terceiro Reich eliminar cada um dos Judeus que eles receberam nas suas mãos? Elie foi prisioneiro durante vários anos; outros Judeus sobreviveram ainda mais tempo. A maioria destes “sobreviventes” eram pessoas normais que não tinham qualquer perícia rara que os Alemães pudessem ter explorado para o seu esforço de guerra. Não havia nenhuma razão lógica para eles ser mantidos vivos. A existência de mais de um milhão de sobreviventes nos dias de hoje, aproximadamente sessenta anos depois, contradiz um dos componentes básicos do holocausto, isto é, que os Alemães tiveram uma política de eliminar cada Judeu que eles recebiam nas suas mãos
.


Em que uma coisa impede a outra? O problema (distorção) desse tipo de afirmação é que dá como certo o desfecho da guerra (que todo mundo sabe hoje como acabou) ignorando que o nazismo não previa que iria perder a guerra, não estabeleceu prazos pra cumprir todo o extermínio que não conseguiu realizar (apenas parcialmente), além de ignorar as outras minorias que o nazismo também perseguiu e matou.

O Santomauro novamente "ignora" como se procedeu a matança, que não ocorreu de uma só forma como por exemplo na invasão da União Soviética, a matança se deu por balas e havia remanejo de mão de obra escrava judia e de prisioneiros para mais de um campo. O erro básico dessa afirmação reside no fato de que parte do pressuposto de que o nazismo ou os nazistas sabiam como iria ocorrer o fim da guerra desde o princípio, e isso é falso. Eles não sabiam (quando começaram a perseguir) que o conflito acabaria em 1945, da forma como ocorreu. A meta dos nazis primeiro foi varrer os judeus alemães da Alemanha, depois começou a perseguição em outros países e extermínio com ajuda das forças fascistas (colaboracionistas) dos países ocupados ou alinhados com o eixo. Eles não estabeleceram um prazo fixo pra exterminar todos os judeus da Europa, como também não conseguiriam atingir os judeus que residiam em outros países não-ocupados por nazistas ou sem regimes alinhados com o eixo (ex: Reino Unido).

Portanto a afirmação feita pelo revimané Santomauro parte de um erro e prossegue em cima desse mesmo erro sem fazer qualquer correção.

Os nazis não mataram todos os judeus prisioneiros de uma vez, e não conseguiram perseguir todos os judeus da Europa, por isso obviamente há sobreviventes e há sobreviventes que circularam em vários campos servindo como mão de obra escrava ou chegando aos campos próximo do fim das atividades deles e por sorte não foram mortos. Uma parte que foi capturada foi usada como mão de obra escrava pelo nazismo, um dos motivos pra não se exterminar de uma vez todos os judeus assim que eram pegos, uma parte que foi usada morreu de exaustão. É falso afirmar, como o Santomauro faz, que os prisioneiros de uma forma geral não tinham utilidade pro nazismo, milhares foram usados em trabalho escravo/forçado. Leia mais sobre isso aqui:
Trabalho escravo no nazismo

2. Porque não há nenhuma menção ao Holocausto nos seis volumes de História escritos por Churchill sobre a Segunda Guerra Mundial nem nas memórias de guerra de De Gaulle ou de Eisenhower nem em qualquer dos outros intervenientes menores que escreveram sobre aquele conflito? Lembrem-se que todos eles foram escritos anos depois da guerra ter acabado e também depois do Holocausto ter sido supostamente provado nos Julgamentos de Nuremberga. No que diz respeito ao Holocausto, o silêncio quanto a esta questão é ensurdecedora!

O termo Holocausto só passa a ser popularmente usado depois de uma minissérie norte-americana lançada em 1978 com o mesmo nome: Holocausto. Chega a ser bizarro que um dito "revisionista" não saiba de algo tão primário como esse.

Sobre a minissérie, podem ler sobre isso no post abaixo:
Minissérie 'Holocausto' (Gerald Green, 1978). Não existe filme com nome Holocausto

Ou seja, antes, durante a após décadas da segunda guerra até a minissérie ser lançada e se tornar popular, não se costuma usar (não era comum) o termo Holocausto para se referir à perseguição e extermínio de judeus na segunda guerra ou pra se referir ao genocídio nazista, as pessoas falavam de genocídio, Auschwitz ou extermínio mas o termo Holocausto não era comum/popular, por isso não é incomum que não haja qualquer menção à palavra Holocausto por essas pessoas ou mais gente dessa época.

A afirmação idiota, mais uma, do Santomauro é falsa. Há citações de perseguição a judeus feitas por Churchill em suas memórias, por exemplo. Se o "revi" Santomauro tivesse ido atrás da informação ao invés de crivar como verdade absoluta as abobrinhas de Faurisson (negacionista francês que elaborou essa afirmação), não teria feito tal "questionamento". O que não se sabia à época da segunda guerra e no pós-segunda guerra era a extensão real do extermínio, mas a afirmação de que não há citação sobre o fato é falsa como quase tudo que o Faurisson e os "revis" escrevem.

Encontra-se com relativa facilidade os volumes na web das Memórias de De Gaulle:
Mémoires de guerre

Curioso o Santomauro não ter olhado nenhum volume e principalmente o Faurisson que é francês (se viu fez de conta que não leu).

Nos três volumes há citações dispersas sobre judeus com as palavras "juif" e "juive" (a palavra "juive" é usada pra se referir a seguidor do judaísmo, é usada mais no sentido religioso, enquanto "juif" é usada de forma mais genérica pra "judeu" independente que seja algo religioso ou não).

Quem quiser ver todas as passagens, confiram-nas no link do texto:
Charles de Gaulle et le génocide des juifs

No link acima há todos os trechos sobre Holocausto nas Memórias de De Gaulle. Só isso já põe por terra essa abobrinha clássica do Faurisson repetida pelo Santomauro. Depois o povo pergunta porque não há muita paciência em discutir com "revis", eu acho que isso mostra o motivo. São tão desonestos e distorcem (mentem) tanto que não existe de fato uma discussão e sim apontamento do que eles distorcem de forma deliberada (de caso pensado).

Só um exemplo, volume 2 das Memórias de De Gaulle:
Au cours de l'été, s'aggravait la persécution des Juifs, menée par un « commissariat » spécial de concert avec l'envahisseur. En septembre, comme le Reich exigeait de la France une main-d'œuvre sans cesse plus nombreuse et que les ouvriers volontaires n'y suffisaient pas, on procédait à une levée obligatoire de travailleurs. Le montant total des frais d'occupation atteignait 200 milliards au début de ce mois, soit le double de ce qu'il était en septembre de l'année d'avant. Enfin, la répression allemande redoublait de violence. Pendant ces quatre mêmes semaines, un millier d'hommes étaient fusillés, dont 116 au mont Valérien ; plus de 6 000 allaient en prison ou aux camps de concentration.
Tradução:
Durante o verão, agravou-se a perseguição aos judeus, conduzida por uma "polícia" especial em conjunto com o invasor. Em setembro, o Reich exigiu da França uma força de trabalho cada vez mais numerosa e que os trabalhadores voluntários não eram suficientes, então passaram a elevar a cota de trabalhadores forçados. Os custos totais de ocupação chegou a 200 bilhões no início deste mês, é o dobro do que era em setembro do ano anterior. Por fim, a repressão alemã redobrou a violência. Durante essas quatro semanas, mil homens foram baleados, incluindo 116 no Monte Valérien; mais de 6000 estavam em campos de prisioneiros ou de concentração.

Agora nas Memórias de Churchill, do volume 6 (são seis volumes ao todo as Memórias de Churchill, há um volume condensado que foi traduzido pro português e espanhol mas nunca lançaram na íntegra todos os seis volumes do original em português):
Prime Minister to Foreign Secretary
11 July 44

There is no doubt that this [persecution of Jews in Hungary and their expulsion from enemy territory] is probably the greatest and most horrible crime ever committed in the whole history of the world, and it has been done by scientific machinery by nominally civilised men in the name of a great State and one of the leading races of Europe. It is quite clear that all concerned in this crime who may fall into our hands, including the people who only obeyed orders by carrying out the butcheries, should be put to death after their association with the murders has been proved. I cannot therefore feel that this is the kind of ordinary case which is put through the Protecting Power, as, for instance, the lack of feeding or sanitary conditions in some particular prisoners’ camp. There should therefore, in my opinion, be no negotiations of any kind on this subject. Declarations should be made in public, so that everyone connected with it will be hunted down and put to death.
Minha tradução:
Do primeiro-ministro ao ministro de Relações Exteriores
11 de julho 44

Não há dúvida de que isto [a perseguição de judeus na Hungria e sua expulsão do território inimigo] é provavelmente o maior e mais horrível crime jamais cometido em toda a história do mundo, e foi feito por maquinário científico por homens nominalmente civilizados, em nome de um grande Estado e uma das principais raças da Europa. Está bastante claro que todos os envolvidos ​​neste crime podem cair em nossas mãos, incluindo as pessoas que apenas obedeceram ordens de execução nos "açougues", e devem ser condenados à morte depois que sua associação com os assassinatos for provada. Não posso, portanto, achar que isto é um caso comum como é colocado pelo Protetorado, como, por exemplo, a falta de alimentação ou das condições sanitárias no acampamento de alguns prisioneiros em particular. Portanto, não deve haver, na minha opinião, negociações de qualquer tipo sobre este assunto. As declarações devem ser feitas em público, para que todos os envolvidos sejam perseguidos e condenados à morte.
Não irei traduzir o resto abaixo, mas caso alguém tenha curiosidade, segue em destaque outras partes do volume 6:
Prime Minister to Secretary of State for War
6 July 44

I am in general agreement with your proposals [for a Jewish fighting force], but I think the brigade should be formed and sent to Italy as soon as convenient, and worked up to a brigade group there as time goes on by the attachment of the other units.
2. I like the idea of the Jews trying to get at the murderers of their fellow-countrymen in Central Europe, and I think it would give a great deal of satisfaction in the United States.
________________

I believe it is the wish of the Jews themselves to fight the Germans anywhere. It is with the Germans they have their quarrel. There is no need to put the conditions in such a form as to imply that the War Office in its infinite wisdom might wish to send the Jews to fight the Japanese and that otherwise there would be no use in having the brigade group.
_______________

This seems to be a rather doubtful business [the case of the Hungarian Jews], These unhappy families, mainly women and children, have purchased their lives with probably nine-tenths of their wealth. I should not like England to seem to be wanting to hunt them down.
By all means tell the Russians anything that is necessary, but please do not let us prevent them from escaping.
Do Volume 1:
You have these martial or pugnacious manifestations, and also this persecution of the Jews of which so many Members have spoken….
Ou seja, não há menção à palavra Holocausto mas há menções à perseguição e crimes nazistas. Um ponto a se destacar é que os autores das memórias não colocam essa questão do Holocausto como central pois não eram obcecados por judeus como algumas pessoas são ("revis"). Pra eles isto se tratava de algo menor ou de uma "guerra dentro da guerra" fruto da paranoia nazista pois eles estavam mais preocupados com seus respectivos países do que salvar minorias do nazismo, o que não quer dizer que ignoravam a questão. Mais outro erro de interpretação (distorção) pesada que o Santomauro e o Faurisson fizeram deliberadamente.

Fico devendo a parte do Eisenhower que colocarei depois.

3. O que é que uma enfermaria para os prisioneiros (e um bordel) estavam a fazer em Auschwitz se aquilo era, realmente, um campo da morte?

No campo havia os mantenedores dele (os nazis), era pra eles e pruma parte dos "prisioneiros arianos" que serviam o bordel e enfermaria. Ou o Santomauro acha que ninguém precisava de medicação e enfermaria? E que nem todos os prisioneiros foram mortos de imediato? O Santomauro "acha" tanto que não acha nada.

O bordel do campo de concentração: o trabalho forçado sexual em campos
O ícone mais idiota da negação do Holocausto: a piscina de Auschwitz

4. Porque iriam os Alemães reunir Judeus nos confins do seu império, envolvendo uma tão grande quantidade de pessoal e material, lutando uma guerra mundial em duas frentes, e entregar essas pessoas em “campos da morte”, a centenas de milhas de distância e que, supostamente, algumas eram executadas logo à chegada – uma bala logo no início não teria apelado ao lendário sentido alemão de eficiência?

Pelo teor das perguntas do Santomauro, parece que ele nunca leu nada sobre nazismo. Vários massacres foram cometidos com uso de munição, principalmente no leste europeu com os Eisantzgruppen. O método foi deixado de lado porque provocava traumas nos executores. O uso de campos de extermínio evitava o contato direto dos carrascos com suas vítimas, que era o que ocasionava esses traumas, além de ser um método rápido e em larga escala.

5. Por que é que após sessenta anos, os historiadores ainda não conseguiram encontrar um único documento alemão que aponte para o Holocausto? Devemos acreditar em pessoas como Raul Hilberg que defendem que, em vez de ordens escritas, havia um “incrível encontro de mentes” que levou a que, literalmente, dezenas de milhares de pessoas coordenassem as suas acções para desenvolver um empreendimento desta magnitude?

Nenhum documento? Dê uma lida (na parte Documents) aqui, há vários. E há algumas traduções em português aqui no blog. Sua afirmação sobre "nenhum documento" é falsa.

6. Como é possível que se insista no número de seis milhões de Judeus mortos quando o número oficial de Judeus mortos em Auschwitz, o principal gulag do Holocausto, foi reduzido do número imediato após o fim da guerra – 3 milhões – para um número que se situa abaixo de um milhão? Por que é que muitas pessoas respondem a esta observação dizendo, “qual é a diferença se são seis milhões ou se é um milhão”. A resposta é que a diferença são cinco milhões. Outra diferença é que dizendo isso, podemos apanhar três anos numa cadeia Austríaca… basta perguntarem a David Irving!

Santomauro, seis milhões é um número referente a uma estimativa ou arredondamento e não número exato como você insinua, ninguém mata exatamente seis milhões de pessoas, mas a estimativa é dessa monta, por isso dizem que seis milhões foram exterminados. Não há nenhum equívoco usar o termo. Não significa que isso é um número exato como você está insinuando. Popularmente as pessoas citam essa quantificação como número exato, mas é errado embora seja usual, você mesmo cometeu o mesmo erro ao fazer a insinuação e não tem a honestidade intelectual de se auto-criticar.

Ninguém será preso por fazer pesquisa sobre o Holocausto, os grupos que são alvos desse tipo de legislação são considerados publicamente como negacionistas e ligados a grupos neonazistas e de extrema-direita. Você novamente "ignora" os motivos pelo qual o Irving foi preso, mas faz o mesmo que todo "revi" sempre faz ao discutir: omite coisas, distorce etc.

Na Turquia quem afirma que houve genocídio armênio pode ser preso, nunca vi nenhum "revi" criticar a Turquia por conta desse tipo de legislação, mas chiam muito com a legislação sobre negacionismo do Holocausto. Pode-se questionar se esse tipo de lei presta ou é válido, mas afirmar que o Irving foi "perseguido" só por ter opinião divergente é ato de má fé.

Só que gostaria de saber quais as fontes do que você afirma, pois você fez um questionário gigante sem apontar fonte alguma, repetindo muitas afirmações feitas por negacionistas. E obviamente ficarei esperando por isso em vão pois sua claque "revi" que traduziu esse texto pro português (gramática portuguesa) não irá atrás disso.

7. Todos os códigos de guerra da Alemanha foram identificados, inclusivamente aqueles usados para enviar os relatórios diários de Auschwitz para Berlim. As cópias destas mensagens não fazem qualquer menção a execuções em massa nem mesmo remotamente sugerem qualquer programa de genocídio em progresso. Além do mais, insiste-se que os alemães usaram um tipo de código eufemista para discutir o seu programa de extermínio dos judeus, como por exemplo solução final, tratamento especial, restabelecimento, etc. Por que é que seria necessário eles usarem um tal eufemismo codificado para conversarem entre si, a menos que eles pensassem que os seus códigos tinham sido descobertos pelos Aliados?

Santomauro, a perseguição e extermínio de judeus não era assunto oficial dentro da Alemanha, era algo que ocorria paralelo à guerra com outros países. Os códigos são justamente pra isso, evitar que o extermínio seja identificado como tal pois constituem crime de guerra. Leia isto:
Quick Facts: "Tratamento Especial" (Sonderbehandlung)
Os eufemismos nazistas

8. O nível hidrostático em Auschwitz está a umas meras 18 polegadas abaixo da superfície, o que faz insustentáveis as afirmações de enormes fossas a arder para a eliminação de dezenas de milhares de vítimas.

Fonte?

9. Inicialmente, foram feitas afirmações de que tinham acontecido execuções em massa em câmaras de gás homicidas em campos localizados dentro do Antigo Reich, como por exemplo, em Dachau e em Bergen-Belsen. As “provas” para esse efeito era eram semelhantes às que nos tinham oferecido para os outros campos, localizados na Polônia ocupada. Porém, sem qualquer explicação, nos anos sessenta cedo passou a ser dito que afinal não era o caso e que todos os “campos da morte” estavam localizados a Leste, ou seja, na Polônia, fora (alguns diriam de forma conveniente) dos olhos dos investigadores ocidentais.

Fonte? Mais outra afirmação sem fonte. Curioso que ele não cita nenhum texto "revi" indicando de onde tiraram essas "conclusões". Sai atacando a esmo, requentando besteira, e não aponta fonte alguma, nem de seus gurus "revis".

sábado, 9 de agosto de 2014

O dia em que o Brasil declarou guerra ao Império Alemão

Envolvimento do país no conflito é pouco conhecido, mas digno de um bom enredo, que começa com o afundamento de navios brasileiros por submarinos alemães e termina com a participação na criação da Liga das Nações.

Presidente Venceslau Brás assina a declaração de guerra
contra a Alemanha em outubro de 1917
O BRASIL EM ESTADO DE GUERRA. Foi assim, em letras garrafais, que foi anunciada à população a entrada do país na Primeira Guerra Mundial por diversos diários brasileiros numa manhã de sexta-feira, nos idos de 1917.

O inimigo era nada menos que a Alemanha, que já lutava há três anos contra a chamada Tríplice Entente, e que, dias antes, havia afundado o navio mercante brasileiro Macau na costa espanhola, uma área afetada pelo bloqueio naval alemão.

O Brasil, por sua vez, contava com uma força armada precária, cuja máxima experiência internacional até então tinha sido a Guerra do Paraguai. E foi assim, com um Exército incipiente, uma frota naval defasada e uma força aérea inexistente, que desafiamos o Império Alemão.

O envolvimento do Brasil no conflito mundial de 1914-1918 é pouco conhecido, mas, sem dúvida, digno de um bom enredo. Trata-se de uma história repleta de capítulos curiosos, tais como uma onda de perseguição a cidadãos com sobrenomes alemães ou uma divisão naval praticamente dizimada pela gripe espanhola, e que culmina num desfecho quase épico: a chegada da missão brasileira à zona de combate justamente às vésperas do armistício.

"O suficiente para participar das comemorações do final da guerra", comenta o jornalista Marcelo Monteiro, que acaba de lançar o livro U-93: A Entrada do Brasil na Primeira Guerra Mundial, por ocasião do aniversário de cem anos do início do conflito. O título faz referência ao nome do submarino que afundou o Macau.

Para Marcelo, a participação do Brasil foi antes de tudo simbólica, já que o país não possuía uma força militar ou uma Marinha relevantes. "O Brasil não tinha estrutura nenhuma. Não tinha praticamente nada com o que pudesse contribuir diretamente no front. Era mais uma questão de apoio moral de um país das dimensões do Brasil", avalia.

Contudo, ele ressalta que foi justamente esse esforço brasileiro que posteriormente contribuiu para a inserção do país no cenário diplomático internacional. Um exemplo emblemático foi a participação do Brasil na Convenção de Paz de Paris, que resultou na criação da Liga das Nações, precursora da Organização das Nações Unidas (ONU).

Nas palavras de Marcelo, o ataque ao Macau foi, na verdade, a gota d'água. Há meses que o povo vinha pressionando o presidente Venceslau Brás a tomar uma atitude em relação aos sucessivos torpedeamentos de navios mercantes brasileiros por submarinos alemães. A prática remontava a meados de fevereiro, quando a Alemanha declarara guerra submarina ilimitada a navios de qualquer bandeira que cruzassem as áreas em conflito, numa tentativa de impedir a chegada de suprimentos aos inimigos.

O Brasil, que exportava cereais e café principalmente para a França e a Inglaterra, nunca aceitou o bloqueio e seguiu enviando navios para a Europa. O fato de ter se declarado neutro desde o início do conflito, no entanto, não impediria o país de também virar alvo da estratégia alemã.

Embates navais

Capa do livro U-93
A primeira vítima foi o vapor Paraná, o maior navio em operação da marinha mercante brasileira na época, ao navegar nas proximidades de Barfleur, na França. Apesar de ostentar a bandeira nacional, a embarcação foi posta a pique na madrugada do dia 4 de abril pelo submarino alemão UB-32, cujo projétil acertou em cheio o letreiro do casco onde se lia a palavra Brasil. O episódio provocou uma grande comoção no país e a subsequente ruptura das relações diplomáticas com a Alemanha.

O clima ficou ainda mais tenso em maio, quando mais dois navios brasileiros, Tijucas e Lapa, foram atacados. Isso tudo fez com que o presidente decretasse o apresamento de 45 navios alemães que estavam atracados em portos brasileiros, como forma de indenização. Um deles era o Palatia, que posteriormente seria incorporado à frota brasileira sob um novo nome: Macau.

Por uma ironia do destino, foi justamente esse navio alemão "radicado" no Brasil que serviu de estopim para a entrada do Brasil no conflito. "Isso fez com que houvesse uma onda de nacionalismo, uma série de manifestações públicas, comícios, depredação de estabelecimentos de propriedades de alemães, principalmente no Sul e em São Paulo, levando o governo a romper a neutralidade e a declarar o estado de beligerância com a Alemanha e seus aliados", conta o coronel Luiz Carlos Carneiro de Paula, do Instituto de Geografia e História Militar do Brasil (IGHMB).

A declaração de guerra foi sancionada no dia 26 de outubro pelo presidente Brás através do decreto número 3.361: "Fica reconhecido e proclamado o estado de guerra iniciado pelo Império Alemão contra o Brasil e autorizado o Presidente da República a [...] tomar todas as medidas de defesa, nacional e segurança pública que julgar necessárias". E foi assim que entramos na guerra.

A contribuição brasileira

Segundo Monteiro, participação brasileira foi
sobretudo simbólica, mas ainda assim importante
Após a declaração do estado de guerra, uma das principais iniciativas do Brasil foi o envio para a Europa de uma Divisão Naval de Operações de Guerra (DNOG), formada por oito navios e destinada a operar com a marinha britânica. "Só que quase todos os navios já estavam muito velhos, sucateados", pondera Marcelo, lembrando que, na época, a frota brasileira ainda era composta por navios a carvão.

O uso desse combustível implicava uma série de dificuldades logísticas, como a necessidade de se providenciar navios carvoeiros só para abastecerem o restante da flotilha. "Na viagem que esses navios fizeram em 1918 para a Europa, eles tiveram que parar em vários portos na África e em algumas ilhas do Atlântico para consertar problemas mecânicos que surgiram."

Com a missão de patrulhar uma área marítima compreendida entre Dakar, no Senegal, e Gibraltar, na entrada do Mediterrâneo, a DNOG partiu de Fernando de Noronha no dia 1º de agosto de 1918 rumo a Dakar, onde só então começariam as grandes provações da missão brasileira.

Além de um breve embate com um submarino pouco antes de chegar ao porto africano, a esquadrilha foi surpreendida por um surto de gripe espanhola no mês de setembro, resultando na morte de 156 tripulantes. A divisão só retomaria a missão em direção a Gibraltar no início de novembro, só que desta vez desfalcada em quatro embarcações (duas avariadas e outras duas designadas para outras missões).

"A divisão naval, portanto, não teve uma participação de combate", afirma o coronel Carneiro. "Ela foi importante para que se fossem revistos alguns processos de mobilização, preparação, adestramento e também a questão sanitária das tripulações, de como manter a tropa com rigidez física em condições de combate."

Outra contribuição do Brasil foi o envio de uma equipe de saúde com cerca de cem médicos e dezenas de enfermeiras e auxiliares para a França, onde foi montado um hospital para atender não só os combatentes, mas também as populações atingidas pela guerra em diversas áreas no entorno de Paris. Ao contrário da DNOG, o hospital teve uma função tão importante que continuou em operação mesmo depois da guerra.

Fora isso, o Brasil também enviou 13 aviadores para a Inglaterra e mais um grupo de 24 oficiais para atuarem ao lado do Exército francês em missões de observação e treinamento – o que implicaria profundas mudanças nas Forças Armadas brasileiras.

O abandono do modelo prussiano

Manchete de jornal no dia em que o
Brasil entrou na Primeira Guerra
O envio de militares à França foi responsável por mudar completamente a orientação profissional do Exército brasileiro, até então baseada nos moldes da doutrina prussiana, em direção a uma tradição francesa. "Por doutrina entende-se a adoção de um pensamento de atuação militar de acordo com as possibilidades que o equipamento utilizado e o treinamento da tropa permitem", explica o coronel Carneiro. Ele chama a atenção para o caso dos chamados "jovens turcos", um grupo de militares brasileiros que se instruiu no Exército alemão entre 1910 e 1912, e que, em seu regresso, dedicou-se à profissionalização militar nacional apoiada no treinamento germânico.

Além de ser determinante na compra de novos armamentos, que passariam a vir da Alemanha, a experiência dos jovens turcos acabou por influenciar todo o comportamento do Exército brasileiro, desde os procedimentos militares até os uniformes utilizados. Em 1913, por exemplo, eles fundaram a revista Defesa Nacional, uma publicação de cunho conservador e discurso altamente patriótico. Uma mostra do seu ideário pode ser lida no primeiro editorial do periódico:

"[...] Um exército bem organizado é uma das criações mais perfeitas do espírito humano, porque nele se exige e se obtém o abandono dos mesquinhos interesses individuais, em nome dos grandes interesses coletivos; nele se exige e se obtém que a entidade do homem, de ordinário tão pessoal e tão egoísta, se transfigure na abstração do dever; nele se exige e se obtém o sacrifício do primeiro e do maior de todos os bens, que é a vida, em nome do princípio superior de pátria."

Diante da declaração de guerra à Alemanha, foi necessária então uma mudança estrutural no Exército, com o intuito de afastá-lo do modelo alemão. A solução foi a contratação da Missão Francesa. "Quando se compra um material, principalmente armamento, é necessário fazer um treinamento diferente: tem que se organizar a tropa de maneira adequada a esse armamento. O resultado disso é que, quando se mexe no treinamento, muda toda a maneira de se atuar num conflito armado. É como se a gente trocasse de diretor numa peça de teatro. Quando você muda o diretor, muda o vestuário, muda a posição dos atores no palco, acelera mais uma música", resume o coronel.

A participação do Brasil na Primeira Guerra foi, portanto, fundamental para a adoção da Missão Francesa, pois contou com o envio de uma legião à França com o fim de absorver conhecimentos e adquirir o material necessário à sua implementação no Brasil. Liderados pelo general Napoleão Felipe Aché, o grupo de oficiais integrou unidades de combate do Exército francês por cerca de três meses, de setembro a novembro de 1918.

O fim da guerra

No final do conflito, o Brasil teve um saldo de quase 200 mortos, além de um total de nove navios afundados por submarinos alemães. Por outro lado, o fato de ter participado oficialmente da Primeira Guerra Mundial fez com que o país fosse uma das 32 nações convidadas a participar da célebre Conferência de Paz de Paris, em 1919, que culminou na assinatura do Tratado de Versalhes.

Entre os acordos estabelecidos, o Brasil pôde também incorporar à frota nacional aqueles navios alemães que haviam sido confiscados pelo governo de Venceslau Brás. Alguns deles, inclusive, viriam a ser afundados na Segunda Guerra Mundial, como o vapor Cabedelo.

O envolvimento do Brasil no segundo grande conflito mundial, aliás, traz uma série de semelhanças com a guerra anterior, com direito a bloqueios navais e torpedeamentos de navios brasileiros por submarinos alemães – uma prova de que os eventos históricos realmente se repetem. Mas isso já é uma outra história.

Fonte: Deutsche Welle (Alemanha, edição brasileira)
http://www.dw.de/o-dia-em-que-o-brasil-declarou-guerra-ao-imp%C3%A9rio-alem%C3%A3o/a-17824787

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Para entender o conflito Israel-Palestina, livros (Bibliografia) - Parte 2

For readers from other countries, the books listed in this post are all in English.
Post title: Understanding the Israeli-Palestinian conflict, books (Bibliography) - Part 2

Dando sequência a Parte 1 (Para entender o conflito Israel-Palestina, livros (Bibliografia) - Parte 1) dessa indicação de livros para quem tiver interesse entender o conflito Israel-Palestina e suas origens, aqui só constará livros em inglês.

Como era/é muita informação e o outro post ficou extenso, pra não sobrecarregar ainda mais de informação resolvi colocar os livros em inglês em um post à parte neste post aqui. Segue abaixo uma lista de livros críticos sobre o conflito. Obviamente, como toda lista, pode ter falhas ou alguém achar que faltou algum livro na lista etc (pra isso existe a parte de comentários justamente pra sugerir algo), mas creio que os livros que constarão aqui, e os que já se encontram na parte dos livros em português (e espanhol) explicam, a contento o conflito palestino-israelense.

Só que obviamente não irei ler livro algum por ninguém, quem quiser se informar de fato que deixe a preguiça de lado e leia algum livro dos listados, além de não machucar, você não se arrependerá de fazer isso, principalmente os que se encontram disponíveis em português (na Parte 1) já que a maior parte do público que lê o blog prefere (ou só lê) livros em português (pois há uma resistência até com livros em espanhol, apesar da proximidade dos idiomas, em inglês nem se fala). Ao invés de ficar tentando entender o que se passa quando a coisa estoura, procure saber antes do que se passa pra ter uma opinião.

Eu abri um espaço sobre a questão no Oriente Médio no blog a contragosto (quem leu meus outros posts sobre o assunto entenderá o porquê do comentário, cliquem na tag Oriente Médio e entenda, creio que não preciso repetir aqui), mas o impacto das imagens e brutalidade dessa ofensiva (mais uma), bem como o efeito acumulativo das outras (2006 no Líbano e 2009 em Gaza) não dá pra, mesmo não querendo abordar o assunto, omitir-se do problema, fazer de conta que "não houve nada" e ponto, algo até mais fácil de fazer mas que vai de encontro ao que eu penso. Saldo da ofensiva, 408 crianças mortas (ONG publica nomes de crianças mortas em Gaza na imprensa britânica), mais de 1800 mortos no total de um lado, muitos milhares de feridos (crianças, idosos e adultos em geral) e centenas de milhares de pessoas deslocados do local, não é algo que humanamente dê pra fazer de conta que não houve nada "demais". Israel cruzou a linha vermelha moral e insiste em fazer de conta que não houve nada demais.

Como disse no outro post, eu não tenho a menor pretensão de ser "consciência moral" de quem não tem a menor capacidade de refletir ou de entender o que se passa e apoia cegamente um país por questões religiosas, étnicas ou por fanatismo ideológico. Não sou "consciência moral" de quem apoia cegamente bombardeios e um ataque desses como se não fosse algo demais, e com argumentos furados e ridículos que se tornam uma afronta à inteligência de qualquer pessoa. Muita gente que apoiou isso hoje, nesse ano, no futuro sentirá vergonha de ter feito isso.

E pra me precaver pois sei muito bem como rola comentários chantagistas pra intimidar quem por acaso critique a postura israelense (eu já disse no outro post que Israel e quem o apoia não tolera críticas, mesmo sérias, apesar de que eu não registrei nenhum comentário apelativo e inadequado nas postagens, o que é um progresso), eu não estou defendendo o Hamas ao criticar Israel, tá na hora de pararem com a postura de "ou tá comigo ou contra mim", não dá pra adotar esse tipo de postura com um conflito aberto como esse.

Só a título ilustrativo do quanto esse tipo de acusação é impertinente, o Hamas foi incentivado por Israel nos anos 80 pra fragmentar a OLP (Organização de Libertação da Palestina) e minar o Fatah (partido nacionalista laico palestino) e dividir os palestinos seguindo a doutrina de guerra famosa do "dividir pra conquistar", e aparentemente tem funcionado a estratégia, até quando... ninguém sabe.

Se quiserem eu até coloco uma explicação com fontes do assunto, mas se alguém quiser e tiver interesse, podem procurar por conta própria pois é no mínimo curioso que um país que incentiva a ascensão de um grupo desses hoje o use como desculpa pra essas ofensivas, e o Hamas saiu fortalecido disso (Link1, Link2, o segundo link é de 2011, sobre o bloqueio de Gaza). Se o propósito dessas ofensivas seria teoricamente minar o Hamas, por que só o fortalece? Eu não acredito que façam isso sem ter ideia do dano da coisa, a meu ver é intencional.

Pros que tentam afirmar que esse tipo de ofensiva foi um "sucesso", deveriam se questionar quanto a essa crença. Matar e fortalecer o Hamas? Se fosse esse o intuito de fato (e não é), seria uma atitude de jerico, mas o fato é que a direita israelense precisa do Hamas politicamente e o Hamas precisa dessa direita israelense (e até da esquerda nacionalista) pra seguir existindo e dividindo.

Então antes de alguém vir com sofismas de "fulano apoia Hamas" etc, critiquem o governo israelense por fazer essas coisas. Eu já disse antes que não levo em consideração comentários de "revis" sobre esse assunto, "revis" são antissemitas (a maioria) explícitos e não possuem interesse real ou humanitário em relação a palestinos e usam o conflito pra reforçar o ódio antissemita deles com judeus (independente de nacionalidade ou ser israelense), além da maioria ser um bando de imbecis mesmo. Portanto, não tomo posição em função deles sobre esse assunto e ninguém deveria tomar uma atitude sobre essa questão por conta do que "revi" pensa ou deixa de pensar. É muito bem conhecida a banalização do termo antissemita por apoiadores de Israel quando se sentem acuados, usam até com quem não é antissemita e eu já advirto que não tolerarei esse tipo de apelação ridícula pro meu lado.

Eu já vi um caso desses de perto. Uma pessoa, que embora eu discorde politicamente dela em quase tudo e nem fale com a mesma hoje (a pessoa é de direita, tucana, eu sou de esquerda, voto no partido oposto ao dos tucanos) e quase o tempo fecha em discussão por conta dessas discordâncias e sectarismos políticos internos do país pela outra pessoa, mas na questão do conflito Israel-Palestina eessa pessoa tem uma postura humanista e justa. Pois bem, o que quero mostrar? Essa pessoa chegou a ser chamada de antissemita por membros pró-Israel num fórum de discussão, de forma mentirosa visível e apelativa naquele episódio da flotilha que foi pra Gaza saindo da Turquia (não lembro mais o ano exatamente). Inclusive deixei claro pra pessoa que discordava totalmente da afirmação injuriosa contra ela e por conta desse ataque que eu presenciei (e outros) comecei a criar uma visão bastante crítica (e sem retorno) em relação a Israel, embora já desse pra notar antes esses problemas, mas o ponto de mudança total surgiu quando presenciei este tipo de agressão estúpida, mentirosa e sem fundamento e outros fatos. Eu evitava me manifestar pois não queria me aborrecer, mas me desagrava a postura dessas pessoas. Eu sai desses fóruns embora depois de uma briga, que poderia ser evitada, mas em parte foi bom pois pôs uma pá de cal na coisa.

Sorte deles que a pessoa não quis revidar o ataque, pois se eu fosse xingado disso, o tempo teria fechado feio na discussão, pois é muita cara de pau alguém fazer um ataque desses mesmo sabendo que é mentira porque a web protege todo tipo de insolência. São coisas que pessoas com essa postura não diz olhando nos olhos de alguém e sim no conforto da proteção da web. Covardia pura e simples e dissimulação.

Deixemos isso de lado e sigamos com a listagem de livros abaixo, mas poderei voltar ao assunto Israel-Palestina noutro post pois achei uns vídeos legais da Profª Arlene Clemesha (insultada em vários vídeos no Youtube por cretinos fanáticos) que colocarei noutro post sobre o assunto, pois o vídeo serve como resumo. Além dela ser muito instruída e inteligente, com todo o respeito do mundo pois a gente fica fascinado quando vê uma mulher bonita, humanista e inteligente falando, ela é uma mulher muito bonita e humanista.

Aviso: Completarei a lista de livros em inglês depois (e os comentários sobre eles), pois tem muito mais que esses. E terminarei o outro post da Parte 1.

Seção em inglês: Clique em "LER TODO O TEXTO" para expandir o post.
Livro 10:

One Palestine, Complete: Jews and Arabs under the British Mandate;
Autor: Tom Segev

Crítica: Three tribes




sábado, 2 de agosto de 2014

Para entender o conflito Israel-Palestina, livros (Bibliografia) - Parte 1

Conforme prometido, segue abaixo uma lista de alguns livros (vou dar ênfase aos títulos em português e/ou espanhol primeiro, ênfase nos títulos em espanhol caso não tenha em português, e os demais em inglês que considero relevantes, mas estes ficam pro final), não são muitos, para entender o conflito árabe-israelense, do começo até os dias de hoje.

Se você quiser entender este conflito, precisa ler algo sério e não propaganda, principalmente os três títulos listados primeiro (em português) abaixo, destacadamente o primeiro livro da lista. E o problema é justamente este, 90% das pessoas no Brasil (sendo otimista pois acho que o número é muito pior que esse) passa longe desses livros (e de livros em geral a não ser bobagens/perfumaria que são lançadas por editoras e livrarias) e aparece um monte de gente arrotando besteira (a arrogância ignorante) nessas redes sociais repetindo textos, discursos enviesados e toscos, quando não partem logo pra agressão. Se a pessoa conseguir ler um desses, já é um avanço.

Por que digo isso? O que mais notava no Orkut (que foi onde pipocou as discussões pra valer sobre esse conflito na web no Brasil, passando pela ofensiva no Líbano de 2006 até o bombardeio de Gaza em 2009) era gente que não lia nada a não ser propaganda oficial de país X, e não saia disso. Quando discutiam não iam além da repetição de argumentos batidos e argumentos rasteiros, que não conseguiam mantê-los. Todo o discurso do grupo pró-Israel (da maioria, exceção de um ou outro que lia) girava em torno dessa propaganda e nada além disso. Não assistiam documentários, filmes, livros etc. Por isso que levavam muito toco da parte pró-palestina na discussão já que esta parte (não todos, mas um pequeno grupo considerável) lia esses livros ou outros e era bastante informada, politizada. E era algo que causava constrangimento pois nas comunidades em que eu e mais gente ficava, nas de segunda guerra e afins, aparentemente esse pessoal pró-Israel acabavam nos usando como "escudos" porque ficavam acuados quando algum antissemita/"revi" ia pra cima deles discutir sobre esses temas ou contra algum militante pró-palestino. E obviamente essa impostura deles sobrava pra gente, e sem atenuar, isto é uma atitude imbecil (e covarde) dessas pessoas. Não deu pra desabafar lá, irritei-me pra valer com esses grupos, mas fica aqui o desabafo como registro. A gente percebia a coisa, mas por educação ou por considerar algo alheio a questões internas do Brasil, tentávamos não nos envolver com o tema, mas mesmo assim sobrava pra gente por conta da postura inconsequente desse grupo pró-Israel na rede.

Essa observação que descrevi acima não foi nem eu que fiz, estou repetindo-a porque concordo integralmente com ela, eu via a mesma coisa que a pessoa que fez a observação acima descreveu (o comentário foi feito por uma pessoa numa comunidade que ele havia reaberto, sobre Oriente Médio, que fora aberta por outra pessoa) que fez um comentário em "off" criticando o lado pró-israelense no Brasil (nessa comunidade do Orkut) por ser muito, por assim dizer, 'ignorante' em relação ao conflito (ou distorcerem e serem radicais demais) por só repetir propaganda de site. A maioria não lê nada além de textos de determinados sites ou livros enviesados, com discurso pronto sem nem entender o que se passa naquela região enquanto o outro lado tinha interesse e lia livros inteiros. E isso é irônico pois se demonstram ter tanto interesse no que se passa lá, deveriam ler. Quando algum lia, pela postura radical, distorcia a discussão e tentava ganhar discussão "na marra" (a força). E como eu já disse, havia algumas exceções mas não o suficiente pra conter este tipo de impostura dos demais ou porque se enchiam e deixavam pra lá (algo plenamente natural de ocorrer).

Isso quando não aparecia uma pessoa ou outra enviesada até a medula desqualificando autores que as pessoas mais alinhadas com a questão palestina citavam, uma atitude imprudente e apelativa (desonesta), pois ao mesmo tempo que faziam isso, repassavam textos 'floridos' retratando o problema. Hoje dá pra ver com clareza o tamanho da manipulação da coisa, por isso o desabafo. Essa postura acabou por acentuar a imagem negativa de Israel. Não se discute nesses moldes, não se discute com histeria, chilique ou pânico, são coisas que a gente critica o tempo todo nos "revis" então ninguém irá tolerar comportamento similar só porque A ou B acha que é "justo" ou está impulsionado a agir por emocionalismo/fanatismo e não pela razão.

Quero deixar claro, ou mais precisamente, passar na cara dos "revis" que sempre insinuam que "blog" A ou B "fazem jogo dos sionistas", é bom terem vergonha na cara de vez em quando. Eu sempre disse que a questão dos conflitos humanos (nazismo, Holocausto etc) não possuem mais peso sobre o conflito do Oriente Médio, pelo menos pro público na Europa e Américas etc, a maioria das pessoas sabe distinguir uma coisa da outra e eu já comentei outras vezes que a memória do Holocausto inclusive reforça a crítica a Israel e não o oposto como os "revis" alegam. Pelo menos é como vejo. Mas os "revis" não são movidos por valores humanistas e sim antissemitismo, por isso que não os levo em consideração nessa questão, quem quiser levá-los a sério, problema de quem levar.

O N. Finkelstein, se não me engano (citando de memória) já citou isso que comentei acima, de que a questão do Holocausto abre margem pra críticas a Israel porque moralmente é algo que pesa contra aquele país a questão da perseguição de judeus na Europa, embora se eu fosse tentar entender Israel hoje, eu olharia mais pra África do Sul do apartheid que pra essa questão da segunda guerra. E pra passar na cara novamente dos "revis", nenhum desses textos críticos do blog deve estar sendo recebido com "festa" por quem é parcial ao extremo com Israel. Seria incoerente, como bem um de vocês citou em um post antigo, alguém ler sobre Holocausto etc e simplesmente fazer vista grossa com a política de Israel em relação aos palestinos e aquele conflito. O comentário feito procede totalmente.

E como já comentei a questão em outros posts, ninguém precisa apelar pra antissemitismo pra criticar algo que está errado, quem o faz ou é tosco, imbecil ou burro (fora outros adjetivos não muito bons). Não é uma situação fácil criticar isso com muita gente extremada que se rotula ou se enquadra como pró-Israel não aceitando/tolerando críticas, mesmo mínimas, quaisquer que sejam, e que tampouco leem esses livros. Discutir com essas pessoas na maioria dos casos é como discutir com portas (não muito diferente de um "revi" discutindo, só que com outro enfoque).
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Livro 1, em português (encontra-se no mercado brasileiro):

A Muralha de ferro: Israel e o mundo Árabe; Autor: Avi Shlaim. Link

Avi Shlaim, nasceu no Iraque (judeus árabes) e tem nacionalidade britânica e israelense. Professor Emérito de Relações Internacionais da famosa Universidade de Oxford, Londres (Inglaterra) e membro da Academia Britânica. Shlaim é considerado um dos Novos Historiadores de Israel, um grupo de acadêmicos israelenses que apresentam interpretações críticas da história do Sionismo e de Israel.

Comentário: o livro é grande e é um dos mais completos, se você que está lendo este post conseguir ler o livro, entenderá melhor (amplamente) o conflito ao invés de só repetir abobrinhas propagandísticas em redes sociais. A algum desavisado mal intencionado que quiser vir malhar, o Shlaim por ter posições políticas de justiça em prol dos palestinos e resolução do conflito, é altamente criticado e atacado pela direita israelense e a pró-Israel fora de Israel. Já vi virem atacar ele no Orkut de forma ridícula, com a famosa desqualificação, sem querer apelar pro argumento da autoridade, mas... um professor emérito de Oxford não entender do problema que narra em mais de 700 páginas e outros livros e textos, é no mínimo um argumento estúpido mesmo.

Eu ia fazer uma tradução de um texto resumo crítico ao livro, mas fica pruma próxima. Se fizer coloco o link depois aqui. A quem não associou de cara o termo Muralha de Ferro, é referente aquela cerca grande que divide hoje as áreas de Israel passando por dentro das áreas que sobraram dos palestinos. A ideia é antiga. Eu uma vez soltei um tópico no Orkut, que não houve comentários (pois o povo estava mais preocupado em bater boca e futrica ordinária), sobre essa questão perguntando: "Jabotinsky venceu?", mais ou menos assim, pois o que se vê em Israel hoje é a vitória política dessa direita fascistóide de Jabotinsky que era ironicamente chamada de revisionista.

Sinopse: Os numeroso e prolongados conflitos de Israel com os árabes, em especial com o povo palestino, lançam uma grande sombra em sua história, marcada pela guerra e pela paz instável. A estratégia da "muralha de ferro", proposta na década de 1920 por Ze'ev Jabotinsky, pressuponha o trato com os árabes de uma posição de incontestável superioridade, porém almejava igualmente ulterior e que o estado israelense, consolidado e poderoso, estaria apto a negociar acordos de paz e prosperidade com os povos da região.

Livro 2, em português (encontra-se no mercado brasileiro):

Imagem E Realidade Do Conflito Israel-palestina; Autor: Norman G. Finkelstein

Norman Finkelstein, nascido em Nova York (EUA), é um cientista político norte-americano. Graduado pela Universidade do Estado de Nova Iorque (State University of New York) em Binghamton (SUNY Binghamton), estudou posteriormente na École Pratique des Hautes Études, em Paris, e obteve seu doutorado em Ciência Política na Universidade Princeton. Ensinou no Brooklyn College e no Hunter College, ambos da Universidade da Cidade de Nova Iorque. Também lecionou na Universidade de Nova Iorque e, finalmente, na Universidade DePaul, em Chicago, até setembro de 2007.

Suas ideias já lhe custaram o emprego de professor universitário, entre outros problemas. Em 23 de maio de 2008, Finkelstein foi impedido de entrar em Israel por suspeitas de que tivesse contato com "elementos hostis a Israel". Na sua chegada ao Aeroporto Internacional Ben Gurion, perto de Tel Aviv, Finkelstein foi interrogado e mandado de volta a Amsterdã, seu ponto de origem. Segundo funcionários da imigração, a decisão de deportar Finkelstein estava relacionada com suas "opiniões antissionistas" e críticas ao governo israelense. Ele foi proibido de entrar em Israel nos próximos 10 anos.

Comentário: eu diria que se você ler um dos dois livros acima, principalmente o do Avi Shlaim, entenderá perfeitamente o que se passa naquele conflito. Os dois livros que eu coloquei não são, obviamente, "queridos" do público pró-Israel, que em vez de lê-los pra pelo menos criticar sabendo o que está escrito, só faz malhar pura e simplesmente. Atitude irracional e ignorante. O Finkelstein é aquele mesmo do livro "A Indústria do Holocausto", outro livro que a maioria ler por "osmose" só o título do livro (rs) e retrata como um livro antissemita ou algo parecido, e muitos "revis" e ignorantes com viés antissemita também citam este livro menor (o livro sobre o conflito no Oriente Médio dele é bem maior, o Indústria do Holocausto é fino) como se explicasse o Holocausto, e não explica, a crítica do livro é outra (pelo visto quem afirma isso também não leu nada além do título do livro e a orelha dele, e olhe lá). O mais engraçado é que no Orkut alguns indivíduos de extrema-direita com um ódio visceral dissimulado em relação a "sionistas" vinham me agredir sem nem saber o que penso e minhas posições políticas, isso é o que é mais cretino nessas pessoas, malham na internet de forma agressiva quando duvido que saem na rua xingando os outros e querendo brigar, até porque sabem que se fizerem isso um dia apanham (literalmente). Li os livros do Finkelstein por curiosidade, já emiti comentários críticos com ele sobre o posicionamento dele sobre a memória do Holocausto (não concordo com alguns pontos ou vários), mas o livro dele sobre o conflito árabe-israelense deveria ser lido.

Sinopse: ler o link do Google Books.

Livro 3, em português (encontra-se no mercado brasileiro):

Seis Dias de Guerra; Autor: Michael B. Oren

Michael B. Oren, é um diplomata, historiador, escritor e militar israelense de nascimento norte-americano. Autor de livros, artigos e ensaios, inclusive o best-seller Seis Dias de Guerra: Junho de 1967 e a Formação do Moderno Oriente Médio. Combateu pelo exército israelense no Líbano e na Faixa de Gaza e serviu também como porta-voz do mesmo. Obteve o bacharelado da Universidade Colúmbia e o doutorado da Princeton. Lecionou nas universidades Harvard, Yale e Georgetown nos EUA e nas universidades Hebraica e de Tel Aviv em Israel. Abriu mão da cidadania norte-americana para poder exercer o cargo de embaixador de Israel.

Comentário: já tem um post sobre este livro aqui. Esse livro é contestado e bastante criticado no livro do Finkelstein (acima), de forma concisa, mesmo assim discordo dele sobre a questão de ler este livro que tem enfoque mais militar. Pra entender o conflito amplamente deve-se ler este livro também, só que a abordagem (mais militar) é só sobre a guerra dos seis dias, não discute muito questões políticas como a ocupação que seguiu a esta guerra e a conquista de terras da Cisjordânia (em inglês West Bank), Faixa de Gaza, Península do Sinai, parte oriental de Jerusalém e as Colinas de Golã.

O conflito atual, pra não estender até a origem, tem mais o contorno do desfecho da guerra dos seis dias e essa expansão territorial de Israel naquela época, embora não se resuma a isso e sim a questões anteriores a este conflito, mas é um conflito crucial pra entender a questão atual já que uma das reivindicações palestinas é o fim da ocupação israelense nessas áreas e definição de fronteiras nos limites de 1967, incluindo a questão de Jerusalém.

Sinopse: aborda os aspectos políticos e militares da Guerra dos Seis Dias, e da interação de suas dimensões internacional, regional e nacional. Descreve e analisa o processo de eclosão da guerra e os seus desdobramentos. Reconstitui os contextos regional e internacional que, em fins da década de 1960, conduziram à conflagração árabe-israelense, analisando a situação interna de cada um dos estados beligerantes.

Livro 4, em português (encontra-se no mercado brasileiro):

Filho do Hamas; Mosab Hassan Yousef (farei a resenha depois)

Mosab Hassan Yousef, nascido em Ramallah, Cisjordânia, 1978, é um palestino, filho mais velho de Hassan Yousef, um dos sete membros fundadores do Hamas. Mosab foi um informante do Shin Bet, o serviço secreto de Israel, de 1997 a 2007, especialmente no período da Segunda Intifada (2000-2005). Segundo o Shin Bet, Mosab Yousef como a mais confiável fonte infiltrada na liderança do Hamas. As informações fornecidas por ele colaboraram para evitar dezenas de ataques suicidas, assassinatos de israelenses e expôs numerosos grupos terroristas. Desde então, Yousef tornou-se cristão, mudando-se para os Estados Unidos. Em março de 2010, ele publicou sua autobiografia, Filho do Hamas: Um relato Impressionante Sobre Terrorismo, Traição, Intrigas Políticas e Escolhas Impensáveis.

Comentário: Pra adiantar já que algum "desavisado" pode vir dar sermão sobre a listagem desse livro sem entender porque o fiz, em virtude desse livro ser muito divulgado em meios evangélicos e afins (pró-Israel), adianto: eu realmente não entendo porque os grupos radicais que apoiam Israel divulgam esse livro, pelo visto não leram o conteúdo dele e só se ateram ao fim do livro ou ao processo de conversão da pessoa a uma das vertentes do cristianismo (pois há várias vertentes/denominações e cristão não é nem nunca foi sinônimo de evangélico, que é uma das vertentes do cristianismo). O autor descreve no livro o processo de fundação do Hamas (que foi visto positivamente e incentivado por Israel para enfraquecer o Fatah, movimento nacionalista palestino e laico) e a OLP (Organização para a Libertação da Palestina), torturas e as cadeias israelenses. Sempre fique perplexo com isso pois ele descreve com precisão esses detalhes mesmo sem se ater muito à questão sistêmica da coisa que é o uso desse grupo islâmico pra enfraquecer politicamente o outro que hoje se concentra na Cisjordânia enquanto o Hamas controla Gaza e este grupo (o Hamas) se perpetua junto com a direita israelense, resumindo: o Hamas e a direita israelense truculenta precisam um do outro pra seguir existindo ou piorando o conflito e dividindo os palestinos por sectarismo religioso.

Depois quando eu digo que esses fanáticos religiosos são toscos, tem gente que acha que é radicalismo ou cisma porque qualquer crítica a fanático religioso no Brasil, hoje, pode ser acusado de intolerância. Mas não é, infelizmente é uma constatação, além de toscos, acabam fomentando conflitos políticos e religiosos em todo canto incluindo o Brasil. Só leram o título do livro ou se leram só se ateram à questão religiosa da conversão e ignoraram o resto, a coisa menos importante no livro uma vez que ignoram a origem do conflito e desdobramentos que são por questões políticas e étnicas e a formação do Hamas (parte mais relevante do livro) e como os serviços de inteligência de Israel se infiltram facilmente nesse grupo.

*o breve anúncio sobre os autores foram tirados do link da Wikipedia, pra facilitar, já que é só para apresentá-los mesmo. Algumas descrições foram traduzidas aqui no blog dos verbetes em inglês.

Livro 5, em português (encontra-se no mercado brasileiro):

A Guerra dos Seis Dias; A.J. Barker (resenha a ser feita depois, existe o título em português)

Caso alguém queira ler o livro pelo Scribd, em espanhol, eis o link: [A.J. Barker] La Guerra de Los Seis Dias

Livros do autor: Link. Como não achei muita referência dele (ou quase nenhuma), fico devendo isso. Mas ele lançou vários livros sobre guerra.

Comentário: a escolha do exemplar se deu porque é um livro popular que saiu numa coleção que se tornou bem conhecida no Brasil, nos anos 70 (eu acho), lançada pela Editora Renes (catálogo inteiro), a coleção se chama "História Ilustrada da 2ª Guerra Mundial e do Século de Violência", tradução da coleção em inglês da Editora Ballantine, Ballantine's Illustrated History of World War II, aqui você encontra o catálogo completo desta coleção no original em inglês, lista.

Esta coleção também se encontra em espanhol lançada pela Editora San Martín, quem quiser conferir o catálogo dela em espanhol, confira este link. Muita gente pergunta sobre onde encontrar exemplares desta coleção pois estava fora de catálogo no Brasil e falta exemplares para completá-la (não sei a situação atual), mas pode adquirir os exemplares em espanhol e inglês que continuam vendendo normalmente. É uma coleção antiga, e portanto defasada, mas serve como algo introdutório.

Há um exemplar nesta coleção sobre a guerra do Yom Kipur (fica a dica).


Livro 6, em português (encontra-se no mercado brasileiro):

A Questao Da Palestina; Autor: Edward W. Said

Edward W. Said, nasceu em Jerusalém, 1 de Novembro de 1935, já falecido, foi um dos mais importantes intelectuais palestinos, crítico literário e ativista da causa palestina. Sua obra mais importante é Orientalismo, publicada em 1978 e traduzida em 36 línguas, que é considerada como um dos textos fundadores dos estudos pós-coloniais.

Comentário: coloquei o texto pela referência do autor e por ser talvez o intelectual palestino mais conhecido no mundo. E também porque o livro se encontra em português.

Sinopse: Obra escrita entre 1977 e 1978 e publicada originalmente em 1979, atualizada pelo autor no prefácio à edição de 1992. Nesse texto, Said lembra que entre 1978 e 1992, quando considerava a questão palestina 'a última grande causa do século 20', um mundo novo havia surgido, moldado por inúmeros fatos. No Oriente Médio, a invasão do Líbano por Israel, em 1982, o início da longa intifada, em 1987, a crise e a Guerra do Golfo, de 1990 a 1991, e a conferência de paz de 1991, além da revolução iraniana. No Leste Europeu, a dissolução da União Soviética, na África, a libertação de Nelson Mandela e a independência da Namíbia e, na Ásia, o fim da guerra do Afeganistão. No prefácio à edição brasileira, Salem H. Nasser sugere que basta atualizar mentalmente os números da tragédia palestina desde o fim dos anos 1970, para se ter uma ideia precisa da dimensão deste texto. Nasser, em sua apresentação, fala das mudanças ocorridas no Oriente Médio, como o fortalecimento militar do Irã/Síria e a eclosão da chamada Primavera Árabe. E sugere que tais questões conectam-se a Israel e suas atitudes em relação à Palestina, embora não existam respostas, por enquanto, para esse processo ainda em curso. Lembra que também o Brasil se transformou nos últimos anos.

Livro 7, em espanhol:

La ocupación. Israel y los territorios palestinos ocupados; Ahron Bregman (a sair pela Editora Crítica, 16 de setembro de 2014, Espanha)

Ahron Bregman, nascido em Israel, 1958, é um cientista político israelense-britânico, como também escritor e jornalista especializado no conflito árabe-israelense. Ele serviu nas Forças de Defesa de Israel (FDI, em inglês IDF) e como um oficial de artilharia participou da campanha de Litani em 1978 e da guerra do Líbano em 1982. Depois da guerra deixou o exército para estudar relações internacionais e ciência política na Universidade Hebraica de Jerusalém. Ele também trabalhou como assistente parlamentar no Knesset. Depois de dar uma entrevista em 1988 ao jornal Haaretz declarando que ele se recusaria a servir nos Territórios Ocupados, ele deixou Israel e se fixou na Inglaterra. Lá ele entrou para o Departamento de Estudos de Guerra do King's College de Londres, chegando ao PHD em 1994. Bregman é um escritor de vários livros e artigos do conflito árabe-israelense e de assuntos sobre o Oriente Médio. Desde 1994 ele escreve os obituários para o Daily Telegraphy, cobrindo o mundo judaico e Israel. Como professor associado ao Departamento de Estudos de Guerra e jornalista, Bregman vive em Londres. Ele tem três crianças, Daniel, Maya e Adam.

Comentário: soube desse autor através de uma entrevista (infelizmente não achei o vídeo dela, a emissora que a fez, a maior do país, tirou-a do ar no Youtube pois remove muito conteúdo jornalístico do Youtube ao contrário de redes/jornais estrangeiros que disponibilizam) e gostei da explanação dele do conflito, de forma bem crítica, além das credenciais. Curiosamente ele não é conhecido no Brasil. Não tem nenhum livro traduzido pro português, o que mostra a pobreza de informação no idioma sobre o conflito. O grosso do mercado editorial em português é lançado pelo Brasil, não lembro a cifra de cabeça mas é algo em torno de uns 75% ou mais, os lançamentos vindos de outros países que falam o idioma, desse tipo de livro, acaba se tornando inexpressivo (infelizmente). Houve avanços nos lançamentos, mas muito pouco, a maioria das principais publicações sobre isso acabam só sendo lançadas em inglês e por sorte em espanhol.

Sinopse: O conflito entre Israel e os palestinos deu lugar a uma extensa literatura. O que não havia até hoje era um estudo sério, objetivo e bem informado sobre a história dos territórios ocupados por Israel desde 1967. Ninguém poderia escrever com mais autoridade que Ahron Bregman, que combateu pelo exército israelense até alcançar a patente de capitão, e resolveu se exilar depois de ter criticado uma política de ocupação que demonstrava "que quem sofreu terríveis tragédias pode atuar da mesma forma quando possuem poder para isso". Seu livro se baseia em uma ampla documentação e entrevistas com numerosos personagens; mas acrescenta além disso, enquanto se refere às frustradas negociações de paz realizadas entre 1995 e 2007, uma série de documentos e relatórios secretos de maior valor, incluindo as transcrições das conversações telefônicas de Clinton com o presidente da Síria, Hafez al-Assad, interceptadas pelos serviços secretos israelenses. Um livro que joga uma nova luz sobre um tema sistematicamente silenciado.

Livro 8, em espanhol:

La limpieza étnica de Palestina; Autor: Ilan Pappé

Ilan Pappé, é um historiador israelense, professor de história na Universidade de Exeter, no Reino Unido. Foi docente em Ciências Políticas em sua cidade natal, na Universidade de Haifa (1984-2007).

É um dos chamados Novos Historiadores, que reexaminaram criticamente a História de Israel e do sionismo. Pappé faz uma análise profunda sobre os acontecimentos de 1948 (criação do Estado de Israel) e seus antecedentes. Em particular, ele defende em seu livro mais importante, Ethnic Cleansing in Palestine (A limpeza étnica da Palestina), que houve uma limpeza étnica, ou seja, a expulsão deliberada da população civil árabe da Palestina - operada pela Haganah, pelo Irgun e outras milícias sionistas, que formariam a base do Tzahal (exército israelense) - segundo um plano elaborado bem antes de 1948. Pappé considera a criação de Israel como a principal razão para a instabilidade e a impossibilidade de paz no Oriente Médio. Segundo ele, o sionismo tem sido historicamente mais perigoso do que o islamismo extremista.

Comentário: não li o livro mas gostaria de ler, mas tem sido bem divulgado e recebe críticas também. A escolha de listar este livro é porque não gostei de comentários contrários ao livro, proferidos no Orkut, desqualificando por completo a coisa sem emitir uma opinião sequer sobre o conteúdo do mesmo, sinal claro de quem fez isso não leu o livro ou se leu queria impedir que mais gente lesse. Pesa também (eu levei isso em consideração pois não aprovo a conduta) a perseguição sofrida pelo autor que é acadêmico também na Inglaterra.

Livro 9, em espanhol:

Israel: Teorías De La Expansión Territorial; Autor: Nur Masalha

Nur Masalha ou Nur-eldeen Masalha, árabe-israelense, nascido na Galileia, é um escritor palestino e acadêmico. Ele é historiador e professor de Religião e Política e Diretor do Centro de Religião e História e do Projeto de Pesquisa da Terra Santa no St. Mary's University College, Universidade de Surrey. Ele é também diretor do Programa de Mestrado em Religião, Política e Resolução de Conflitos na St Mary's. Atualmente, ele é também professor associado de pesquisa no Departamento de História na School of Oriental and African Studies (Universidade de Londres). Ele é também membro do Programa do Kuwait, Departamento do Governo, da London School of Economics (monografia com Stephanie Cronin, sobre ‘The Islamic Republic of Iran and the GCC States: From Revolution to Realpolitik?).

Sinopse: Em "Imperial Israel and the Palestinians" (Israel: Teorías De La Expansión Territorial), Nur Masalha fornece um histórico das políticas expansionistas de Israel, com foco no período da guerra de junho de 1967 até os dias atuais. Ele demonstra que as tendências imperialistas em Israel conduzem a gama política, da Esquerda à Direita. Masalha argumenta que o coração do conflito entre imigrantes sionistas/colonos e os palestinos nativos sempre foi sobre terra, território, demografia e água. Ele documenta como a política de Israel fez de uma prioridade expulsar os palestinos, seja por guerra ou medidas pacíficas. Mas essas tendências imperialistas não se restringem a fanáticos extremistas. O autor revela as políticas expansionistas encontradas no sionismo trabalhista e na ideologia Kookist. Capítulos cobrem todo o terreno do Movimento Israel, do Revisionismo Sionista e do Partido Likud, Gush Emunim e os fundamentalistas religiosos, partidos e movimentos de extrema-direita e da evolução das atitudes públicas judeus israelenses desde 1967.
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Eu terminarei este post depois por dois problemas: o comentário no início do post ficou muito grande. E falta listar mais três autores (ou mais), só que esses estão em inglês mas é importante listá-los. Pra adiantar os autores (e pra eu não esquecer depois), lá vai: Tom SegevAhron Bregman, e vários outros, e tem mais outros dois que lembrei agora (pode ser que eu lembre de outros depois, mas esses estão todos em inglês, pra ver a pobreza de títulos sobre isso em português e espanhol) que é o Walter Laqueur e esse aqui Jacob Shavit sobre o movimento revisionista sionista que era a direita radical e que molda a política de Israel atual e há décadas. Ou é esse livro ou outro, depois eu confiro.

Aviso: Acabarei colocando a seção da parte em inglês em um post à parte pois são muitos livros e o post ficaria muito extenso (mais do que já é).

Atualização: 05.08.2014

Segunda parte, em inglês:
Para entender o conflito Israel-Palestina, livros (Bibliografia) - Parte 2

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