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quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Porque é negação e não revisionismo. Parte II: negadores e as valas de Marijampole

Porque é negação e não revisionismo. Parte II: negadores e as valas de Marijampole

Em 1 de setembro de 1941, o Einsatzkommando 3 assassinou mais de 5.000 seres humanos na cidade lituana de Marijampole. Mais tarde naquele ano o comandante da Polícia de Segurança e o SD friamente resumiu a contagem de mortos como se segue:

Mariampole
1,763 judeus, 1,812 judias
1,404 crianças judias,
109 mentalmente doente,
1 mulher. Nacionalidade alemã que era casada com um judeu,
1 mulher. Russa

Adiantando o tempo e pulando para o verão de 1996: a cidade de Marijampole decidiu eregir um memorial do Holocausto no local do massacre. De acordo com o jornal lituano Lietuvos Rytas (21.08.1996), o presumido local do massacre foi escavado. Não havia nenhum corpo.

Rapidamente os negadores do Holocausto começaram a atividade de usar a contagem do Lietuvos Rytas. Aqui estão algumas citações da literatura "revisionista":

Germar Rudolf na introdução de Dissecting the Holocaust(Dissecando o Holocausto):

No verão de 1996 a cidade de Marijampol, na Lituânia, decidiu eregir um memorial do Holocausto para dezenas de milhares de judeus do alegado assassínio, enterrados lá pelos alemães dos Einsatzgruppen. A fim de construir o memorial na exata localização, tentaram achar onde as valas comuns estavam. Escavaram o local descrito por testemunhas, mas não acharam nenhum rastro. Além de cavarem ao longo de um ano inteiro, tudo ao redor do alegado local do assassínio não revelou nada além de solo nunca antes mexido. Os alemães então fizeram um trabalho perfeito ao destruir todas as pistas e até mesmo restaurando a seqüência original das camadas do solo? Eles fizeram milagre? Ou estão as testemunhas erradas?

Quase a citação idêntica no "Partisan War and Reprisal Killings"(Guerra dos Partisan e a Reprise dos Assassinatos) de G. Rudolf e S. Schroeder.

Juergen Graf, "Raul Hilberg's Incurable Autism"(Autismo incurável de Raul Hilberg):

Finalmente, evidência material de um assassínio em massa de judeus dos números alegados é totalmente inexistente. Na cidade lituana de Marijampol em 1996, foi decidido eregir um monumento à dezenas de milhares de judeus que tinham sido alegadamente mortos pelos alemães. Eles começaram as escavações no local designado pelas testemunhas oculares a fim de localizar as valas comuns, mas pasmem, não havia nada lá. Mesmo se os alemães tivessem postumamente exumado e cremado aquelas dezenas de milhares de cadávares, como Hilberg e seus associados alegam, nenhuma vala comum seria ainda facilmente identificável em virtude das configurações alteradas do terreno.
Carlo Mattogno e Juergen Graf simplesmente citam Rudolf em seu livro sobre Treblinka.

E um 'não menos negador', Jonnie Hargis ("Hannover"), fez a mesma afirmação, confundindo o jornal lituano como se fosse um jornal da Letônia.

A conclusão dos negadores é simples - o relatório, mencionando este massacre, é duvidoso, e, por indução, todos os outros relatórios dos Einsatzgruppen são suspeitos.

Como de costume, um pouco mais de pesquisa ajudaria os negadores a não parecerem idiotas.

Um dos que destacados anti-negadores, Roberto Muehlenkamp, decidiu investigar o problema, e escreveu para o prefeito da Marijampole municipality, Sr. Vidmantas Brazys. E ele recebeu a seguinte resposta em 20.05.2003:
Caro Roberto Muehlenkamp,

Gostaria de informar a você, que na página da internet do município de Marijampole, na apresentação online de “Lugares para visitar” sob o item 10, contém a seguinte passagem: “No vale de rio Sesupe 5090 judeus e pessoas de outras nacionalidades foram assassindas em 1941 por forças nazistas.” Este fato é confirmado por documentos.

Em 1970 o cemitério foi incluído na lista de Monumentos Culturais. A área, onde se pensou que estavam as valas, oliveiras foram plantadas e abriga o monumento.

Em virtude da exata localização das valas não ser conhecida, em 1996 foram feitas escavações arqueológicas e o local do fuzilamento foi encontrado (acerca de 50m a oeste das valas apontadas).

Doutor de Ciência da Arqueologia da Universidade de Vilnius, o Sr. Algimantas Merkevicius fez escavações arqueológicas. Todos os documentos da escavação são mantidos pelo Especialista-chefe de Arquitetura e Divisão de urbanística do município de Marijampole, o Sr. Gedeminas Kuncaitis.

Os fatos no artigo de Germar Rudolf são primários e não resultados finais de escavações arqueológicas.

Sinceramente,

Prefeito Vidmantas Brazys
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Então Roberto escreveu para o Sr. Algimantas Merkevicius, e mais tarde foi respondido em 17.06.2003 como segue:

Caro Sr. Roberto Muehlankamp,

Desculpe-me pela demora na resposta, mas eu estava longe de meu escritório. Sim, escavei o território das valas comuns em Marijampole em 1996. O propósito era achar o lugar exato das valas. O suposto local do enterro estava vazio e achei as valas comuns cerca de 100m de distância desta suposta área. Pessoas foram assassinadas e enterradas numa grande dich. Mas depois de achar o lugar exato, meu trabalho encerrou. Não sei como muitas pessoas foram mortas e como grande é a área das valas comuns.

Cordialmente, saudações
Algimantas Merkevicius

Uma simples pergunta por e-mail foi o suficiente para constatar isso. Mas por que tentar e estragar o argumento conveniente, certo?
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A resposta dos negadores como sempre ao que foi exposto acima seria:

1) as valas estavam na localização errada;
2) o número de corpos não foi estabelecido;
3) a identificação dos corpos não foi estabelecida.

Isto capta a idéia pessimamente. 100 metros longe da área presumida não é absolutamente ruim, se a área presumida foi o local do massacre com base em testemunhos. Testemunhos podem conduzir, dentro de limites, para algum erro em certa medida. Especialmente se foram testemunhos tardios, tomados após meio século. Se as identidades dos cadávares foram encontradas não está claro no relatório, mas é até apontado que eles não eram judeus, e que não houve corpos suficientes, negadores simplesmente não têm uma base para argumentação: o argumento inteiro foi baseado na premissa de que não havia corpos seja o que for. Os corpos estão lá. Se os negadores desejam afirmar que aqueles são corpos errados, corram atrás para provar isso.

Então, uma vez mais, os negadores mostraram ser "pesquisadores" descuidados.

Oh! E o memorial para 5090 judeus e pessoas de outras nacionalidades que foram assassinadas em 1 de setembro de 1941 foi erguido, depois de tudo isso.









A seguir, mais. Permaneça atento.

Anterior: Parte I: negadores e o Sonderkommando 1005

Próximo: Parte III: negadores e o massacre de Babiy Yar (1)

Fonte: Holocaust Controversies
Texto: Sergey Romanov
http://holocaustcontroversies.blogspot.com/2006/04/thats-why-it-is-denial-not-revisionism_06.html
Tradução(português): Roberto Lucena

Ver também: Técnicas dos negadores do Holocausto

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Eliminação de corpos em Auschwitz – O fim da negação do Holocausto - Parte 1 - Introdução

Por John Zimmermann, Professor Associado da Universidade de Nevada, Las Vegas.

Em memória de Stig Hornshøj-Møller e Chuck Ferree


Talvez nenhum aspecto da negação do Holocausto seja tão disputado quanto a eliminação dos corpos em Auschwitz. Os negadores do Holocausto alegam que não era possível eliminar 1,1 milhões de corpos no campo. [1] Assim, alegam que estas pessoas não foram mortas em Auschwitz. Em certo sentido a razão do foco dos negadores sobre este tema é compreensível. Os negadores nunca foram capazes de explicar o que aconteceu com cerca de 5 a 6 milhões de judeus que desapareceram após a Segunda Guerra Mundial. A maneira mais fácil de explicar seria mostrar o que aconteceu com os desaparecidos. No entanto, poucas exceções falharam [2], negaram ficam compreensivelmente em silêncio sobre este assunto.

Negadores têm hà anos centrado os seus argumentos sobre impossibilidade de utilização de câmaras de gás em Auschwitz. O “expert” deles era Robert Faurisson, um professor francês de literatura. Ele fez uma série de argumentos nesta área no fim dos anos 1970 e início dos anos 1980.[3] Suas idéias sobre câmaras de gás foram incorporadas a um relatório de um consultor em pena de morte americano chamado Fred Leuchter. Como será mostrado em outro lugar, o relatório de Leuchter prova que ele sabia quase nada sobre as câmaras de gás de Auschwitz. Está repleto de inúmeros erros técnicos [4]. Ele preferiu se basear em Faurisson, em todas as suas afirmações. Segundo Leuchter, ele se encontrou com Faurisson antes de sua visita a Auschwitz, de quem recebeu informações para suas examinações.[5] De fato, Faurisson escreveu o prefácio do Leuchter Report.[6]

Os negadores tentaram capitalizar em cima dos erros e da ignorância de Leuchter sobre Auschwitz. Eles puderam fazer isto porque muitas pessoas não têm os conhecimentos técnicos para contestar a credibilidade de Leuchter. No entanto, em 1994, o Instituto de Pesquisa Forense de Cracóvia na Polônia, realizou um exame global nas estruturas identificadas por várias testemunhas oculares como sendo as câmaras de gás homicidas. O instituto encontrou vestígios de ácido cianídrico nas seis estruturas testadas. Estavam no que tinha restado dos cinco crematórios e do bloco de execução. Mais perturbador para os negadores foi que o Instituto encontrou uma maior concentração do gás venenoso nas amostras que foram testadas no Crematório II. Seis das sete amostras testados deram positivo.[7] Em contrapartida, Leuchter afirmou que não encontrou nada de ácido hidrociânico nesta estrutura.[8] Isto provou que Leuchter foi completamente incompetente, na melhor das hipóteses, ou na pior das hipóteses, desonesto. As conclusões do Instituto também substanciaram uma observação anterior do crítico dos negadores, Jean-Claude Pressac, que tinha visto uma fita de Leuchter recolhendo as amostras, Leuchter tinha evitado propositalmente as áreas do Crematório II porque elas dariam positivo.[9] Pode ser relevante aqui que o Instituto teve a capacidade de recolher as amostras nos locais suscetíveis para o recolhimento, mesmo que Leuchter tivesse sido honesto, ele não poderia fazer, pois a sua coleta foi ilegal, porque ele não tinha permissão para coletar amostras.

O total descrédito do Relatório Leuchter causou a muitos a negadores a centralização nos argumentos da eliminação dos corpos. O guru dos argumentos da eliminação dos corpos é o negador italiano Carlo Mattogno. Seus argumentos sobre a eliminação dos corpos foram estabelecidos em uma monografia de 1994, onde suas idéias avançaram para as câmaras de gás e os crematórios de Auschwitz.[10] Ele expandiu suas idéias como co-autor de um artigo em um website de negadores.[11] Parece que este artigo foi concebido para ser o argumento definitivo dos negadores sobre o assunto. Seus argumentos das câmaras de gás, juntamente com os de outros negadores, são analisados em outro local.[12] O objetivo do presente estudo é analisar a eliminação dos corpos. Esta é a primeira análise abrangente dos argumentos dos negadores sobre este assunto. O presente estudo vai servir de base a um capítulo muito maior que analisa todos os argumentos dos negadores.[13] Mattogno tem uma vantagem sobre os outros negadores, suas fontes, muitas vezes são difíceis de verificar. Ele tem usado fontes pouco conhecidas e material de arquivo. As fontes mais importantes foram localizadas e analisadas no presente estudo. Como será visto, os escritos de Mattogno são mais sofisticados do que a maioria dos negadores, ele basicamente reverte as técnicas comuns dos negadores, a omissão e a deturpação.

Comentário: Todas as notas deste artigo (incluindo as outras partes que serão postadas) serão postadas em um post separado, depois iremos editar os links para o respectivo post.

Fonte: The Holocaust History Project
http://www.holocaust-history.org/auschwitz/body-disposal/
Tradução: Leo Gott

Continuação - Partes: (1);(2);(3);(4);(5);(6);(7);(8);(9);(10);(11);(12);(13)

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Respostas técnicas e históricas às declarações do Bispo Richard Williamson à respeito do Holocausto - Parte 1

Por Harry W. Mazal, OBE

(todos os grifos são do tradutor)

Durante uma entrevista na Alemanha para um programa de televisão sueco chamado Uppdrag Granskning que foi exibido em 21 de janeiro de 2009, o Bispo Richard Williamson fez uma série de declarações em conflito com a história estabelecida do Holocausto. Ele fez outras declarações que vão contra a ciência. Este documento irá respeitosamente tentar resolver estas questões na esperança de que elas possam ajudar a convencer o Bispo a abjurar suas declarações e focar sua atenção em sua vocação religiosa.

Nossa experiência com os negadores do Holocausto mostrou que, raramente, ou nunca, algum deles vai mudar a sua opinião, não importando a quantidade de provas que são colocadas ante eles. Negadores são invariavelmente antissemitas que utilizam a negação do Holocausto como um instrumento para perseguir e humilhar o povo judeu. A verdade raramente colore suas obras e declarações. Rezemos para que o Bispo Williamson seja maduro e inteligente o suficiente para ter uma decisão esclarecida.

Recentemente o Bispo Williamson afirmou que o seu conhecimento sobre este assunto veio de livros e folhetos que ele havia adquirido na década de 80, durante o tempo em que ele foi Reitor do seminário de São Tomás de Aquino em Winona, Minnesota.

TELEVISÃO ENTREVISTA O BISPO WILLIAMSON

Pergunta: Bispo Williamson, estas são suas palavras: “Nenhum judeu foi morto por câmaras de gás. Foi tudo mentira, mentira, mentira.” São estas as suas palavras?

Bispo Williamson: Você está citando o que eu disse no Canadá, Acredito que sim, hà muitos anos atrás. Hmm. Eu acredito em evidências históricas, as evidências históricas são fortemente contra, é, é, extremamente contra, seis milhões de judeus terem sido deliberadamente gaseados em câmaras de gás como uma política sistemática de Adolf Hitler.

Análise: O Bispo está distorcendo a verdade à partir de uma declaração aparentemente verdadeira, como se fosse uma espécie de Cavalo de Tróia. Os negadores do Holocausto empregam esta técnica freqüentemente para tentar fazer algum ponto. A declaração do Bispo é: “as evidências históricas são fortemente contra, é, é, extremamente contra, seis milhões de judeus terem sido deliberadamente gaseados em câmaras de gás como uma política sistemática de Adolf Hitler.”, à primeira vista, é bem verdade. Entretanto, é importante dissecar a declaração e explicar como é que está usando para promover uma mentira:

1) Seis milhões de judeus não foram mortos deliberadamente em câmaras de gás. Nenhum historiador do mundo jamais disse isso. No entanto, aproximadamente seis milhões de judeus foram mortos, [soma-se] as câmaras de gás em Belzec, Sobibor, Treblinka, Majdanek e Auschwitz-Birkenau; ou a tiros de pistolas, fuzis, metralhadoras pelos Einsatzgruppen, como ocorreu em Babi Yar; ou nas vans de gaseamento inicialmente localizadas em Chelmno e em outros lugares; ou através de experimentos médicos; ou por injeções de fenol em seus corações ou por premeditada fome, etc.

2) Adolf Hitler tinha uma política deliberada para se livrar de todos os judeus da Europa, mas não necessariamente através da utilização de câmaras de gás como a declaração do Bispo implica. A lista mostrando a população judaica da Europa que foi apresentada para os participantes da Conferência Wannsee não poderia ter mostrado as intenções da política de extermínio nazista de forma mais clara.

Pergunta: Mas você disse que nenhum judeu foi morto...

Bispo Williamson: ...em câmaras de gás, eu penso...

Pergunta: Não existiram câmaras de gás...

Bispo Williamson: Eu acredito que não existiram câmaras de gás. Sim. Eu penso. Como eu estudei as evidências; não vou pela emoção, Eu vou...tanto quanto eu entendi as evidências, existem, por exemplo, pessoas que são contra o que muitos hoje acreditam sobre a expressão abre e fecha parêntesis “O Holocausto”, eu acho que essas pessoas, essas pessoas que concluem, eles são chamados de revisionistas, eu penso que é mais sério concluir, que entre 200 mil e 300 mil judeus pereceram em campos de concentração nazistas, mas nenhuma delas gaseadas em câmaras de gás.

Análise: O Bispo insiste em dizer que não existiram câmaras de gás. Em uma irônica guinada, o negador do Holocausto David Irving – que tinha hospedado o Bispo Williamson em sua casa em Windson, dez dias antes desta entrevista – respondeu à pergunta do Bispo sobre as câmaras de gás para assassinar judeus:

Eu estou me mantendo fora disso. O conselho que eu gostaria de passar a Sua Excelência, é aceitar que eles organizaram assassinatos em massa do verão de 1942 a outubro de 1943 em três lugares sob ordens de Himmler perto do Rio Bug – Treblinka, Sobibor e Belzec; hà muita controvérsia sobre os números e métodos de
assassinato, mas ele não deve disputar se houveram tais assassinatos.

O Sr.Irving não tocou nas instalações de assassinato em Auschwitz-Birkenau por razões que não são pertinentes para o objetivo principal deste documento.

O Bispo alega que ele tem “entendido as evidências” onde os negadores do Holocausto (a quem o Bispo identifica como “revisionistas”) “que entre 200 mil e 300 mil judeus pereceram em campos de concentração nazistas, mas nenhum delas gaseadas em câmaras de gás.” Isto é obviamente falso.

O Bispo Williamson se baseia exclusivamente de declarações e publicações emitidas pelos conhecidos negadores do Holocausto e antissemitas. Ele não consulta as provas publicadas por historiadores acadêmicos tais como: Richard Evans, Peter Longerich, Hugh Trevor-Roper, Deborah Dwork, Robert Jan van Pelt, Raul Hilberg, Sir Martin Gilbert, Christopher Browning, Martin Broszat, Eberhard Jäckel, Gerald Fleming, para citar apenas alguns das centenas de historiadores que têm escrito sobre o Holocausto. Notar que muitos destes não são judeus.

Também o Bispo – ele deveria ter – consultado os diários, registros, biografias, confissões, examinações cruzadas dos autores, tais como Rudolf Höss, Johann Paul Kramer, Ernst Kaltenbrunner, etc.

Apesar do fato de que há milhões de documentos, fotografias, transcrições de crimes de guerra em cada língua européia, declarações de sobreviventes e Gentios Justos, o Bispo Williamson parece ignorá-los completamente. Gentios Justos são pessoas de outra fé que arriscaram suas vidas para salvar judeus. Seria de se pensar que seu testemunho é inatacável. Mas ele parece mostrar que tem uma exclusiva predisposição para material produzido por pessoas que não são acreditados como historiadores, nem, muito menos, reconhecidos cientistas.

Também é evidente que o bispo não é um especialista em estatística, ainda que só demografia. [Ou] Um pesquisador cuidadoso buscando analisar as provas demográficas publicados pela American Jewish Yearbook dos últimos 100 anos. Estes mostram a população judaica em todo o mundo, país por país e ano por ano. Uma curva populacional de 1900 a 2005, mostra que houve um aumento gradativo da população mundial judaica até 1941. À partir daí a curva começou uma acentuada descendente. Em 1938 o American Jewish Yearbook revelou o número de judeus no mundo sendo de aproximadamente seis milhões a mais do que os vivos em 1946. De fato, a atual população judaica mundial em 2009, é muito menor do que era em 1939. Um artigo acadêmico de um douto demógrafo do extinto Journal of Holocaust Education reitera os números populacionais do American Jewish Yearbook.

O Bispo pode optar por não utilizar fonte de material judaico, ele pode obter uma contagem bastante precisa dos judeus na Europa em um documento produzido pelos próprios nazistas. Um documento que foi distribuído aos oficiais que participaram da Conferência Wannsee, onde mostra a população judaica em todos os países da Europa. Uma cópia da quantidade de judeus incluídos no Protocolo Wannsee aparece no corpo deste documento.

Do ponto de vista puramente ético, não é saber se trezentos mil ou seis milhões de judeus foram assassinados pelos nazistas, mas sim saber se os nazistas tinham o direito de matar até mesmo uma única pessoa simplesmente por causa de sua etnia [NT: ou ideologia/religião].


Fonte: The Holocaust History Project: http://www.holocaust-history.org/williamson/williamson.shtml
Tradução: Leo Gott


Próximo>> Respostas Técnicas e Históricas às declarações do Bispo Richard Williamson à respeito do Holocausto - Parte 2
Comentário sobre os textos<< Breve comentário sobre a série de refutações às afirmações do Richard Williamson sobre o Holocausto

terça-feira, 22 de abril de 2008

Shmuel Krakowski e os Arquivos Yad Vashem

O seguinte fragmento, de Dan Gannon, à obra de Portland, é um exemplo típico da Tergiversação de Krakowski:
Se o "Holocausto" é realmente "o crime mais documentado da História da Humanidade", o que os "negadores do Holocausto" solicitam, "provas da existência das câmaras de gás", não deveria ser um problema para o Sr. Berenbaum. Por que não se pode proporcionar as provas pedidas? Onde está toda essa "documentação" de que se fala? Se se refere à "declarações de testemunhas", deveria saber que inclusive Shmuel Krakowski - o diretor dos arquivos do Centro de Documentação sobre o Holocausto Yad Vashem, de Israel- disse que umas 10.000 "declarações de testemunhas" sobre atrocidades nazis foram consideradas como FALSAS pelo Yad Vashem! [1]
A flagrante tergiversação do Sr. Gannon é vista claramente quando se dá uma olhada na seguinte carta ao editor do Jerusalem Post de 21 de agosto de 1986: [2]

Ao Editor do Jerusalem Post

Senhor- tenho ficado enormemente surpreendido ao ler o artigo da página de Barbara Amouyal de 17 de agosto, que se baseia em parte numa entrevista que me fisgou.

Das 20.000 declarações que são guardadas em nossos arquivos, várias milhares foram amplamente utilizadas em julgamentos de criminosos de guerra nazis, ao contrário do que que escreveu Amouyal.

Disse à Amouyal que os sobreviventes fizeram suas declarações como registro da História. Não entendo porque ele disse que os sobreviventes queriam "ser parte da História".

Disse a ele que há alguns- afortunadamente muito poucos- testemunhos dos que se foram demonstrado de que não são precisos. Por que Amouyal disse que são um grande número?

Com respeito às últimas frases, não recebi a "ordem" de não falar do caso Demjanjuk. Simplesmente não quis falar dele com Amouyal.

Shmuel Krakowski,
Diretor,
Arquivos Yad Vashem
Jerusalém.
Da carta do Sr. Krakowski se desprende, assim que o foi entrevistado, que ele fora citado mal, e ele decidiu esclarecer o assunto.

A Tergiversação de Krakowski, contudo, aparece freqüentemente nos livros que negam o Holocausto, e na Web. Se diz que a citação aparece na página da edição de Londres feita por David Irving do Relatório Leuchter. Isto não tem sido confirmado, mas se certo, isto explicaria porque aparece uma vez ou outra.

Foi vista a citação em 1995 no website de Keven Schmid, BeWISE. Nizkor lhe fez ter ciência, numa série de mensagens de correio de que a informação era incorreta, e ao que parece foi retirada.

O material publicado pelo Sr. Schmidt em BeWISE, procede ao parecer do Editorial Samisdat de Ernst Zündel. Não sabemos se o editorial do Sr. Zündel ainda publica este panfleto. Ken McVay, do Nizkor, tem perguntado com freqüência ao Sr. Zündel sobre este tema em grupos de notícias, mas o Sr. Zündel não tem respondido.

Foi vista a citação em maio de 1996 no então novo website de Arthur Butz. Numa página sobre os testemunhos judeus do pós-guerra, e dizia:
Tem um elemento de grande importância historiográfica no Jerusalem Post (17 de agosto de 1986 na edição diária regular, págs. 1,4). Os Arquivos Yad Vashem de Jerusalém guardam milhares de testemunhos assim. Seu atual diretor, Shmuel Krakowski, admitia que "quase a metade" dos testemunhos "não são confiáveis" porque os "sobreviventes" se baseavam em sua imaginação e nunca estiveram nos lugares dos quais falavam, ou se baseavam em histórias que haviam ouvido em vez das coisas das quais haviam testemunhado.
A citação, e uma explicação do mesmo estilo da retratação de Krakowski também apareceu num anúncio no periódico universitário Daily Northwestern em abril de 1991. Este anúncio foi pago por Bradley Smith para sua organização, o Committee for Open Debate On the Holocaust (CODOH) (Comitê para o Debate Aberto sobre o Holocausto). Smith escrevia:
Como as "provas" documentais do assassinato massivo dos judeus da Europa estão caindo uma atrás da outra, os historiadores especializados no Holocausto dependem cada vez mais de declarações de "testemunhas" para apoiar suas teorias. Muitos destes testemunhos são absurdos e nada confiáveis.

Shmuel Krakowski é o diretor dos Arquivos Yad Vashem, o centro internacional de documentação sobre o Holocausto que está em Jerusalém. Krakowski disse que se fora demonstrado que mais de 10.000 declarações de "testemunhos" sobre as atrocidades alemãs contra judeus das que o Yad Vashem possuem são falsas!
Ainda que se assinale o erro cometido pelo Sr. Smith na Usenet em 1992, e depois, em finais de 1994, foi feito saber a ele diretamente através de um correio eletrônico, e ele não admitiu o erro até por quase um ano depois, em dezembro de 1995. Não fez nenhum comentário sobre o tema, até que publicou uma página web, "You Don't Have To Be Jewish" ("Não tens que ser Judeu"), na qual descrevia suas experiências na Usenet, em especial seu contato com Jamie McCarthy. (Se descreve esta página como um capítulo de um futuro livro). Smith escrevia aqui:
Não soube que Krakowski havia contestado à Amouyal até que li sua carta na Internet. Krakowski havia contestado em 1986, mas não o soube até 1994. Não sei porque. Talvez os revisionistas estavam mais interessados em fazer circular a coluna de Amouyal do que distribuir a resposta de Krakowski.
Dada a demonstrada escassez de honestidade da maioria dos "revisionistas", essa explicação parece muito provável. Smith continua sugerindo uma explicação alternativa hipótetica:
As duas pessoas que sei que se encarregavam de ver o que saiu no Jerusalem Post só olhavam à Edição Internacional. A resposta de Krakowski apareceu na edição normal do Post, de acordo com a referência que dá McCarthy. Talvez a carta de Krakowski não apareceu na Edição Internacional, ou talvez sim.
Esta hipótese é curiosa, porque não se tem feito a mínima confirmação para se apoiá-la.

Smith sugeriu mais adiante que o artigo original de Amouyal era correto- e que portanto Krakowski havia confessado que 10.000 testemunhos eram falsos- mas Krakowski havia mentido descaradamente em sua carta de resposta, e que uma conspiração global havia silenciado a discrepância:
É muito provável que depois de que se publicasse a coluna de Amouyal, os representantes das instituições fundamentalistas sobre o Holocausto de todo o mundo ocidental lhe disseram que seguir nessa linha seria "mau para os judeus" e especialmente mau para ela... Por outro lado, talvez não ocorrera nada disto...

Talvez a informação que citou era incorreta, mas nem sequer isto foi demonstrado que seja certo. Não há provas de que eu mentira, não há provas de que Amouyal mentira, e não há provas de que Krakowski dissera a verdade em sua resposta a Amouyal.
Talvez reconhecendo a fragilidade do argumento, também admite:
Não voltarei a empregar a citação a Amouyal. Estou de acordo de que a resposta de Krakowski a pôs em dúvida... Se houvesse sabido da existência da carta de resposta de Krakowski à coluna de Amouyal, não haveria chegado a usar a observação dos "mais de dez mil" de Amouyal.
A pergunta é se Zündel e outros negadores do Holocausto também admitiram seus erros, e se fazê-los levaria tanto tempo como levou Bradley Smith.

Engano e Tergiversação/Técnicas de Negação do Holocausto
Autores: Jamie McCarthy e Ken McVay

Fonte: Nizkor
http://www.nizkor.org/features/techniques-of-denial/krakowski-01-sp.html
Tradução: Roberto Lucena

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Porque é negação e não revisionismo. Parte V: negadores e o massacre de Babiy Yar (3)

Porque é negação e não revisionismo. Parte V: negadores e o massacre de Babiy Yar (3)

John Ball é um negador do Holocausto bem conhecido cuja especialidade é "análise" das fotos aéreas do tempo de guerra dos campos nazistas. Para uma introdução à sua metodologia ver o execelente artigo "See No Evil: John Ball's Blundering Air Photo Analysis"(Não ver nenhum mal: a análise errônea das fotos aéreas, por John Ball). Para informação sobre a credibilidade profissional e intelectual de Ball ver "John Ball: Air Photo Expert?"(John Ball: especialista em foto aérea?) e "John Ball's $100,000 Challenge: Where is John Ball?" (O desafio de $100.000 de John Ball: onde está John Ball?).

Um dos argumentos de Ball a respeito do massacre Babiy Yar está como se segue:
ALEGAÇÕES SÃO DE QUE 33.771 CORPOS FORAM QUEIMADOS NA RAVINA BABI YAR

Em 1941 as ravinas de Babi Yar sofreram uma série de drenagens por canais de subida que uma vez drenaram do rio Dnieper à noroeste de Kiev na região da Ucrânia da União Soviética. Os canais superiores tinham flat bottoms.

É alegado que em 1941 em 28 e 29 de setembro, 33.771 judeus de Kiev foram ordenados a seguir até o final da rua Melnik onde o cemitério judeu encontra a ravina de Babi Yar. Lá eles marcharam em pequenos grupos a beira da ravina e do maquinário de fuzilamento dos soldados das Waffen-SS.

Em 1943 de 18 de agosto à 19 de setembro, 327 trabalhadores viviam na ravina enquanto escavavam os 33.000 corpos e os queimava em trilhos atados e molhados com gasolina.

Durante a cheia dos anos de 1970 a ravina foi arada e hoje não há nenhuma foto ou outra evidência dos outros crimes além dos relatos de testemunhas oculares. (Ref.: _Encyclopedia of the Holocaust_, pages 113-115.)

Os arquivos de Kiev liberaram esta nebulosa foto em 1990 que é a melhor e mais conhecida foto da Babi Yar seca no canal de subida. As vítimas alegadamente caíram na ravina e foram enterradas depois de serem mortas, e só então dois anos mais tarde foram desenterradas e queimadas. Não é conhecido se quaisquer estradas passaram pelos muros íngremes até o fundo plano. (Ref.: Wolski, M., _Fact Sheet on the 50th Anniversary of the Babi Yar Massacre, October, 1991_)

26 DE SETEMBRO, 1943: esta foto foi tirada uma semana depois do fim das supostas cremações em massa na ravina. Se 33.000 pessoas foram exumadas e cremadas, a evidência do veículo e tráfego para suprimento de gasolina deveria ser evidente na área onde o cemitério judaico encontra a ravina de Babi Yar, entretanto não há nenhuma evidência do tráfego ou sobre o fim da estreita estrada que avança para a ravina no fim da rua Melnik, ou na grama e arbustos dentro ou nos cantos do cemitério. [Marcado: Localização dos alegados fuzilamentos e cremações at edge do cemitério judaico na ravina de Babi Yar, ravina de Babi Yar, cemitério ortodoxo, cemitério judaico e rua Melnik.] [Ref.: GX 3938 SG, exp. 104 & 105]

26 DE SETEMBRO, 1943: Uma ampliação não revela nenhuma evidência de que 325 pessoas estavam trabalhando na ravina finalizando a cremação de 33.000 corpos apenas uma semana antes, e que muitos caminhões de combustível teriam que ter trazido, e não existem quaisquer marcas do trânsito do veículo ou na grama ou arbustos ao lado do cemitério judaico ou na ravina onde os corpos foram supostamente queimados. [Ref.: GX 3938 SG, exp. 105]

1943 FOTOS AÉREAS DA RAVINA BABI YAR E DO ADJACENTE CEMITÉRIO JUDAICO EM KIEV REVELAM QUE NEM O SOLO E NEM A VEGETAÇÃO ESTÃO MEXIDOS COMO SERIA ESPERADO SE MATERIAIS E GASOLINA TIVESSEM SIDO TRANSPORTADOS UMA SEMANA ANTES PARA CENTENAS DE TRABALHADORES QUE ESCAVARAM E QUEIMARAM DEZENAS DE MILHARES DE CORPOS EM UM MÊS.
(ou ver aqui.)

Erros factuais flagrantes imediatamente traem a ignorância histórica de Ball. E.g., é sabido que muito mais que 33.000 pessoas foram queimadas em Babiy Yar (isto será discutido na próxima postagem das séries). Os Sonderkommandos não pararam seu trabalho em 19 de setembro (ver abaixo; esta pode ter sido um errata na fonte usada por Ball ("19" em vez de "29"), but even so, mostra que Ball simplesmente não pesquisou a questão adeqüadamente). E há muito mais evidência pro massacre que simples testemunhos.

Fotos tiradas em 26 de setembro, 1943 podem ser examinadas no site do USHMM(Museu Memorial do Holocausto dos Estados Unidos).

Você pode ver a área "analisada" por Ball neste site.

Aqui um pequeno exercício: compare a área examinada por John Ball com a ravina na foto. Deixe-me tornar isso mais fácil pra você:

OK, então Ball "esqueceu" a maior parte da ravina em sua "análise". Para aqueles que conhecem os 'métodos dos negadores' isto não chega a ser surpreendente.

Quais fontes acadêmicas dizem que pessoas estavam sendo mortas exatamente nesta parte da ravina? Nenhuma que eu saiba.

A questão das localizações exatas dos assassinatos é um pouco controversa em virtude de que durante a tragédia de Kurenyovka de 1961 Babiy Yar foi destruída e as tentativas de pôr os locais exatos dos fuzilamentos em massa nos mapas parecem datar após 1961. Até então Babiy Yar, exceto por um breve período de guerra e período pós-guerra, foi uma mancha política dolorida para dirigentes soviéticos, que até tentaram gradualmente destruir a si mesmos, ao se desfazer da cobertura na ravina. E, de fato, isto foi o que conduziu pra tragédia que tirou muitas vidas em 1961.

Pode ser dito com certeza que pessoas foram mortas em diferentes partes de Babiy Yar (e não poderia ter sido de outra forma, considerando o número de vítimas e tempo restritos). Mas em nenhum dos planos vi a área de Ball ser alegada a ser o local dos fuzilamentos.

Aqui estão vários planos, a considerar:

1) O plano de http://www.jewukr.org/observer/jo15_34/map_main1.php, baseado em vários outros mapas e fontes. Prováveis locais dos fuzilamentos (de acordo com o site) são indicados por "1".

2) Um plano relativamente recente de "Kyivprojekt", no qual cruzes indicam os prováveis locais dos fuzilamentos de acordo com suas fontes.

Fonte: Babij Jar: chelovek, vlast', istorija, vol. 1, compiled by T. Yevstafjeva, Vitalij Nakhmanovich; Kiev, Vneshtorgizdat Ukrainy, 2004.

Aqui está outra versão deste plano (fonte), com mudanças no relevo pré-guerra marcado em vermelho. O relevo pré-guerra foi comparado com uma pesquisa geodésica de 1960. I.e., este plano denota possíveis áreas de fuzilamento/enterro (isto porque os nazis tentaram usar explosivos para explodir os "muros" da ravina). Deveria ser notado que por si só a falta de mudanças nos contornos não significa necessariamente que alguns lugares não foram usados por execuções.

3) O plano de 1969 com a área geral de fuzilamentos foi estabelecido com a ajuda de vários sobreviventes. Novamente, o plano foi feito várias anos depois de Babiy Yar ter sido obliterada, então não espere absoluta exatidão ou perfeição.

Fonte: Yevstafjeva, Nakhmanovich, op. cit.

Repetindo: em cada um dos planos a informação pode não ser completa mas nenhum deles considera a área de Balll como o local onde quaisquer assassinatos foram cometidos.

Sem palavras, realmente. Aqui nós temos um vil ignorante, tentando "provar" que assassinatos de dezenas de milhares não ocorreu, baseado em nada além de sua própria idiotice.
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Agora, o que podemos dizer sobre a relevância das fotos aéreas feitas em 26 de setembro de 1943? De acordo com o sobrevivente do Sonderkommando Vladimir Davydov, em 25-26 de setembro, a ação de incineração tinha sido quase finalizada. (Yevstafjeva, Nakhmanovich, op. cit., p. 148). A última fase desta ação consistiu na execução de um repasse de coisas - desmantelar camuflagem, nivelar a terra, levantar uma última pira (ibid.). SKs adivinhou que esta pira era para eles mesmos; e provavelmente eles estavam corretos. De qualquer forma, os Sonderkommandos revoltaram-se em 29 de setembro de 1943 (exatamente dois anos desde o começo do massaccre) e vários deles organizaram a fuga. Então, a foto foi tirada durante a fase final, vários dias antes da fuga, e basicamente, isto significa que não é necessário que nós devêssemos ver quaisquer colunas de fumaça nas fotos. Podemos encontrar algo, mas então novamente, poderemos não encontrar. Ambos resultados são compatíveis com a história comprovada.

São traços de atividade associada com incineração em massa (remoção de sinais/alteração de terra próxima e dentro da ravina) visível nesta foto? Está acima para especialistas decidirem, mas parece que as datas destas fotos não foram seriamente analisadas por quaisquer especialistas em fotografia aérea (Ball não conta, mil perdões).

Minha reconhecidamente interpretação amadorística é de que uma enorme parte da ravina está coberta por sombra, então é inteiramente possível que simplesmente não ]podemos ver algumas coisas interessantes que estavam acontecendo naquele momento. É difícil para eu dizer se há qualquer "remoção" de carros, etc., em qualquer lugar na foto, mas negadores certamente não provam que não há qualquer uma, ou, se isso não é certamente visível na foto aérea que tinha que estar numa escala grande, como também ser visível. Eles nem mesmo mostraram como aquela remoção de sinais/alteração deveria parecer, de acordo com as fotos aéreas análogas. Então, como eles dizem, a decisão é deles*.

[* Nota da tradução: pode haver na frase um trocadilho com o nome de John Ball com uma a expressão idiomática "the ball is in their court" que significa algo como "tomar uma decisão"]

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Fonte: Holocaust Controversies
Texto(inglês): Sergey Romanov
http://holocaustcontroversies.blogspot.com/2006/08/thats-why-it-is-denial-not-revisionism.html
Tradução: Roberto Lucena

Ver também: Técnicas dos negadores do Holocausto

terça-feira, 22 de abril de 2008

Técnicas de Negação do Holocausto - Relatórios "Forenses"

Relatórios "Forenses"
Traduzido por Leo Gott à partir do link:
http://www.nizkor.org/features/techniques-of-denial/forensic.html

Autor: Richard Green

Esta página é uma breve análise dos relatórios "forenses" de Leuchter e Rudolf que provam supostamente que não aconteceram assassinatos em massa por exposição a cianeto de hidrogênio do Zyklon-B das câmaras de gás do complexo de Auschwitz-Birkenau.

Os links abaixo levam a análises mais profundas sobre estes relatórios “forenses”:
  • A FAQ sobre Leuchter analisa as afirmações do Relatório Leuchter com mais detalhes.
  • Markiewicz, Gubala, e Labedz, do Instituto de Pesquisa Forense de Cracóvia, Polônia, publicaram um verdadeiro relatório forense intitulado "Estudo do Conteúdo de Componentes de Cianeto nos Muros das Câmaras de Gás dos Antigos Campos de Concentração de Auschwitz e Birkenau", que joga por terra as conclusões dos relatórios Leuchter e Rudolf.
  • O ensaio Leuchter, Rudolf, e os Azuis de Ferro falam da química que constitui a falha principal dos relatórios Leuchter e Rudolf.
  • A segunda parte da FAQ sobre o cianeto de hidrogênio fala do Azul da Prússia e sua formação.
  • A FAQ sobre o Cianeto de Hidrogênio fala deste e se sua toxicidade.
    Diversas investigações forenses realizadas em Auschwitz-Birkenau desde 1945 encontraram provas do extermínio em massa que aconteceu ali.
    [1]
    Apesar destas provas e dos testemunhos
    [2],[3], Leuchter, Rudolf e outros negadores do Holocausto afirmam que os assassinatos em massa por exposição ao Cianeto de Hidrogênio (HCN) que contém no Zyklon-B não poderiam ocorrer nas câmaras de gás de Auschwitz-Birkenau.
Os negadores utilizam duas linhas de argumentação em suas reivindicações:
  • Dizem que não existem traços medíveis de Cianeto de Hidrogênio nas câmaras de gás.
  • Dizem que os gaseamento com Zyklon-B eram fisicamente impossíveis.

Ambas as afirmações são falsas.

Em apoio da primeira afirmação, citam os relatórios de Rudolf e Leuchter que mediram quantidades maiores de cianeto nas manchas azuis das câmaras de despiolhamento do que nas encontradas nas câmaras de gás empregadas para o extermínio.

Markiewicz, Gubala, e Labedz[4] fizeram medições por sua conta. Encontraram traços de cianeto nas câmaras de extermínio com níveis significativos comparados com os de outros edifícios do complexo de Auschwitz-Birkenau. Escreveram:
Este estudo demonstra que apesar de ter transcorrido um período de tempo considerável (uns 45 anos), nos muros das instalações que um dia estiveram em contato com o cianeto de hidrogênio foram conservadas quantidades de vestígios dos compostos que forma este componente do Zyklon-B. Isto é certo também para as ruínas das antigas câmaras de gás. Os compostos de cianeto aparecem nos materiais de construção só localmente, nos lugares onde tiveram condições para se formarem e permaneceram durante tanto tempo.

Em suas tergiversações deste relatório, os negadores do Holocausto citaram com frequência a seguinte frase:

No que diz respeito às ruínas, foi demonstrado a presença de cianeto na Câmara do Crematório II de Birkenau, evitando mencionar que esta frase se refere somente a um estudo preliminar realizado em 1990.
Depois de conhecer o Relatório Leuchter, os autores levaram a cabo um estudo mais detalhado.
Os resultados são mostrados em várias tabelas, e levam por terra as afirmações de Leuchter e Rudolf.

Os negadores assinalam que Leuchter e Rudolf mediram concentrações muito superiores de compostos de cianeto nas manchas azuis das câmaras de despiolhamento. Que os negadores meçam mais compostos de cianeto nas amostras das manchas azuis não é surpreendente, assumindo que estas manchas estão formadas por compostos de azul de ferro como o "azul da Prussia", como afirmam Leuchter e Rudolf. Markiewicz et. al. tiveram o cuidado de separar estes compostos de azul de ferro em sua comparação dos níveis de cianeto. A razão, é muito simples, é que a origem das manchas azuis não está ainda de todo claro, e não existem razões para assumir que a formação destes compostos tenha lugar sempre nos materiais de construção que ficam expostos ao HCN.

Para fazer credível que era impossível cometer o extermínio em massa utilizando Zyklon-B, os negadores se apoiam em umas poucas táticas. Assinalam corretamente que o cianeto de hidrogênio é líquido à temperatura ambiente. Eles negligenciam mencionar que a pressão de vapor em equilíbrio deste líquido a temperaturas baixas de várias ordens de magnitude maior que sua concentração letal. 300 ppm de HCN são rapidamente mortais. Na tabela seguinte [5] mostra a pressão de vapor em equilíbrio do HCN em função da temperatura:




Quando se revela esta treta, os negadores dizem que o HCN não se evapora o suficientemente rápido do Zyklon-B para alcançar uma pressão letal em um tempo razoável. G. Peters tem demonstrado que não é assim, inclusive em temperaturas baixas.[6]

Alternativamente, os negadores dizem que o HCN é demasiado perigoso que os homens das SS não dispunham de equipes suficientemente sofisticadas para manejá-lo com segurança, e que haveria levado muito tempo para ventilar a câmara. Ainda que havia um verdadeiro risco para os operários das câmaras se não fossem cuidadosos, tem que se assinalar vários pontos. Os Sonderkommandos que atuavam como operários eram prisioneiros, e o nível de segurança com que as SS tinham que trabalhar não é equivalente de maneira alguma com os padrões atuais nos Estados Unidos; as câmaras subterrâneas contavam com sistemas de ventilação; e às vezes entregavam máscaras anti-gás aos Sonderkommandos. Pressac[7]descreve um gaseamento que aconteceu em 13 de março de 1943:

Nessa mesma noite,1.492 mulheres, crianças e idosos selecionados de um comboio de 2.000 judeus do gueto de Cracóvia foram assassinados no novo crematório.133 Utilizaram seis quilos de Zyklon-B nas bocas das quatro colunas de metal situadas entre os pilares que sustentavam a sala.133 Em cinco minutos todas as vítimas estavam mortas. Colocaram em funcionamento o sistema de ventilação (8.000 m3 por hora) e o de extração (com a mesma potência), e depois de 15 e 20 minutos, o ar, que tinha sido renovado quase completamente depois três ou quatro minutos, já era suficientemente puro para que os membros do Sonderkommando entraram na agonizante e quente câmara de gas. Durante este primeiro gaseamento [na câmara nova do Krema II], os Sonderkommandos levaram máscaras anti-gás por precaução. Retiraram os cadáveres os levaram à plataforma. Lhes cortaram o cabelo, retiraram os dentes de ouro e também as alianças e as jóias que levavam.

Talvez a única questão que resta por responder aos negadores é se conhecem as provas que têm contra suas teorias ou se eles crêem de verdade no que dizem ou se são perfeitamente conscientes das falhas de suas teorias.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Porque é negação e não revisionismo. Parte IV: negadores e o massacre de Babiy Yar (2)

Porque é negação e não revisionismo. Parte IV: negadores e o massacre de Babiy Yar (2)

Um bem conhecido negador faz firulas sobre as declarações das testemunhas a respeito do sangue aparecendo nos locais das execuções em massa. Talvez a mais famosa acusação seja a de Bradley Smith contra Elie Wiesel:
EW(Elie Wiesel) afirma que depois dos judeus serem executados em Babi Yar na Ucrânia, "gêiseres de sangue" jorraram de suas valas por "meses" mais tarde (ver Paroles d'etranger, 1982, p. 86). Impossível? Sim, é. Os professores acreditam nisto?
Primeiramente, como John Silber ressalta, isto não pode ser nada além de boato, então o ponto de Smith é fraco. Porém, o relato de Wiesel é parcialmente corroborado por um diário contemporâneo de Irina Khoroshunova, que em 14.10.1941 escreveu:
Nós sabemos, já sabemos com certeza, que o sangue jorrava de Babiy Yar e estava jorrando a uma distância de quilômetros do cemitério.
(Fonte: E. Wiehn, Die Schoah von Babiy Yar, Konstanz, Hartung-Gorre, 1991, p. 304; presumidamente, isto significa cemitério de Lukjanovskoje).

Claro, os negadores dirão que é impossível. Agora, eu não sou um especialista, mas aqui está um extrato do relatório feito depois da tragédia de Kurenyovka (que também destruiu a ravina) entitulado "Geological characteristic of the emergency strip in Babiy Yar region"(Característica geológica da na região de Babiy Yar) (1961; ênfase minha):
[...]
A faixa na qual em 13 de março de 1961 o movimento catastrófico de massas de terra aconteceu está restrita a parte superior e média de Babiy Yar, que foi 35-40 m profundidade. A ravina corta os aqüíferos, que é a razão pela qual a parte de fundo dos declives e o fundo em si serem parcialmente encharcados.

A permanente canal no fundo usualmente tem a taxa de fluxo d'água de 8-10 litros/seg. Juntos com o largo sistema avançado de ramos superiores, Babiy Yar é uma grande área de captação d'água e isto se dá porque quando chove o fluxo de água de repente aumenta.
[...]
(Fonte: Babij Jar: chelovek, vlast', istorija, vol. 1, compilado por T. Yevstafjeva, Vitalij Nakhmanovich; Kiev, Vneshtorgizdat Ucrânia, 2004.)

Dado que a ravina corta os aqüíferos, presumidamente não seria surpreendente que líquidos dos corpos aparecessem em outro lugar.

Mas eles jorrariam como gêiseres acima das valas? Bem, "gêiser" é provavelmente a palavra errada usada aqui. Mas considere este relatório, "1.500 ovelhas a serem desenterradas com os corpos escorrendo líquidos" (ênfase minha):
AS carcaças de 1.500 ovelhas abatidas há cinco semanas porque estavam infectadas, com as patas e a boca a serem desenterradas e queimadas pelo MAFF(Ministério de Agricultura, Pesca e Consumo, Reino Unido)depois do sangue encontrado borbulhando do chão.

[...]

Segue a descoberta de uma semana atrás de que 15.000 ovelhas enterradas nos campos de tiro do exército em Epynt, Médio Gales(País de Gales), estavam com fluidos escorrendo do corpo ao nível d'água e teriam que ser desenterradas e queimadas. Richard Tutton, que cultiva em Buttington Hall, disse: "Elas foram enterradas há cinco semanas atrás. A cova foi muito grande, eficiente e profunda.

"Temos tido uma chuva horrenda desde então. A água tem bem debaixo e houve sorte de borbulhar. Não alcançou o rio ou qualquer coisa. Eles estão apanhando isso antes que qualquer coisa mais séria aconteça."
Isto são 1500 ovelhas. Agora imagine o que aconteceria com 34.000 corpos num verão indiano em 1941.

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Fonte: Holocaust Controversies
Texto(inglês): Sergey Romanov
http://holocaustcontroversies.blogspot.com/2006/04/thats-why-it-is-denial-not-revisionism_10.html
Tradução(português): Roberto Lucena
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Site sobre o problema(a queimada) em Gales com os cadáveres de ovelhas:
http://www.epynt-disaster.co.uk/

Apenas mais uma prova do ocorrido citado no texto acima para atestar e reforçar a demonstração de como negadores do Holocausto("revisionistas")ignoram fatos e fontes de forma proposital e distorcem os mesmos quando lhes é conveniente para justificarou dar crédito às suas deturpações.

Ver também: Técnicas dos negadores do Holocausto

terça-feira, 22 de abril de 2008

Técnicas dos Negadores do Holocausto - O significado de Tratamento Especial (Parte 1)

Traduzido por Leo Gott à partir do link:
Parte 1 de 3

Autores: Jamie McCarthy y Ken McVay

Em março de 1994, Dan Gannon respondeu [1] a uma série de dez perguntas que haviam sido enviadas a Usenet durante um período de quase dois anos.

Em sua resposta a diversas perguntas sobre a descrição do Zyklon-B como material empregado para o "reassentamento" e "tratamento especial" dos judeus, e sobre o significado dos termos "tratamento especial" e "ação especial", o Sr. Gannon invocou os ridículos argumentos da negação do Holocausto.

Respondemos perguntando ao Sr. Gannon se queria dizer que as palavras "tratamento especial", "reassentamento", etc. nunca foram usadas para camuflar as intenciones nazistas de levar a cabo o extermínio em massa. Solicitamos que examinasse as provas que apresentamos aqui, e que as refutasse ponto por ponto.

Cremos que está claro que o Sr. Gannon fez esta afirmação, como evidência na frase seguinte:
"Tratamento especial" ("Sonderbehandlung") não era uma "palavra chave" e não queria dizer especificamente "assassinato". Se referia a um grande número de coisas... [2]
O Sr. Gannon citou então dois ou três exemplos de vários negadores do Holocausto, que têm catalogado obscuras definições de palavras chave, queriam dizer coisas muito diferentes de seus significados habituais.
Com esta tática, cremos que o Sr. Gannon tratou de confundir sua audiência, em lugar de enfrentar o assunto. Os casos especiais são irrelevantes, e não tem nenhum impacto no significado principal destas palavras chave, que documentaremos aqui.
Foi pedido ao Sr. Gannon que apresentasse casos que empregaram "tratamento especial" e outros eufemismos com referência ao trabalho de extermínio nazista.
Estes casos foram enumerados assim:
  1. "Tratamento especial se referia aos assassinatos, todo mundo sabia", disse Eichmann.
  2. Para salvar vidas, Kaltenbrunner pede que "o tratamento especial se limite ao mínimo".
  3. Tratamento especial é "eliminação", escreveu Heydrich.
  4. Um relatório do Escritório Principal de Segurança do Reich explica "tratamento especial" com a anotação "execução".
  5. O tratamento especial deveria realizar-se com enforcamento, disse Himmler.
  6. Um relatório da frente Leste iguala tratamento especial a "liquidação".
  7. "Não significa nada que não seja assassinar", disse o ex-general de divisão das SS Mazuw.
  8. "Todo mundo sabia o que significava", disse o ex-tenente das SS Hamann.
  9. Em uma carta a Korherr, Himmler pede que não se use o termo "tratamento especial" uma vez que o significado é demasiado conhecido.
  10. Um capitão das SS pede mais furgões de gaseamento para que os judeus sejam "tratados de uma maneira especial".
  11. Um relatório da Gestapo pede que as pessoas "objeto de tratamento especial" sejam incineradas.
Aqui falaremos especificamente da palavra-chave Sonderbehandlung, que significa literalmente "tratamento especial" ou "manejo especial". É provavelmente a mais freqüente. Outras palavras-chave:

Umsiedlung, literalmente "reassentamento"
Sonderaktion, literalmente "ação especial" Evakuierung, literalmente "evacuação" e, supostamente,
die Endlösung der Judenfrage, literalmente "solução final do
problema judaico".
Em sua resposta, o Sr. Gannon oferecia os comentários de Kaltenbrunner sobre a obtenção de diplomas de francês como significado do "tratamento especial" assinado aos judeus da Europa - a mente dele ficou louca com este giro lógico.
Espera que os leitores traguem a afirmação de Faurisson segundo a qual o "tratamento especial" dos nazistas era para manter com vida os judeus. Isto é, obviamente, o contrário da realidade. Os nazistas usaram os judeus e outras pessoas como trabalhadores escravos, fazendo-lhes trabalhar literalmente até a morte:
A fome era um hóspede permanente em Auschwitz. A dieta que se proporcionava aos internos destinados ao trabalho forçado, que incluía a famosa "sopa Buna" - uma ajuda nutricional de que não dispunham outros prisioneiros - provocava uma perda de peso média em cada indivíduo entre dois e três quilos por semana.

Ao passar um mês, as mudanças do aspecto dos prisioneiros eram muito visíveis; passados dois meses, era impossível reconhecer os internos, convertidos em umas caricaturas de seres humanos formadas por pele e ossos, quase sem carne; depois de três meses, o haviam morto, ou eram tão incapazes de trabalhar que eram enviados às câmaras de gás de Birkenau. Dois médicos que estudaram os efeitos da dieta dos internos assinalaram que "o prisioneiro alimentado normalmente com Buna poderia completar as carências com seu próprio corpo durante uns três meses..."

Se condenavam os prisioneiros a consumir seu corpo trabalhando e, se não se não apresentassem alguma infecção ou enfermidade, morreria de exaustão. [3]
É esta a idéia que tem o Sr. Gannon de um comportamento que pretendia "manter com vida os judeus"? As fontes de Gannon para este texto sem sentido foi o ensaio de Robert Faurisson "Resposta a um Historiador de Papel" e o livro de Carlos Porter Not Guilty at Nuremberg (Inocentes em Nuremberg)- citam a mesma seção da transcrição do Julgamento de Nuremberg em que aparece a declaração de Kaltenbrunner. A única outra "prova" que Gannon cita indiretamente é que Faurisson disse que Sonderbehandlung às vezes queria dizer "transporte", mas Faurisson no aponta nenhuma prova - só uma nota de rodapé de um outro

domingo, 30 de novembro de 2008

Porque é negação e não revisionismo. Parte I: negadores e o Sonderkommando 1005

Porque é negação e não revisionismo. Parte I: negadores e o Sonderkommando 1005

No livro "Treblinka. Campo de extermínio ou campo de trânsito?" , os negadores do Holocausto Carlo Mattogno e Juergen Graf mostram um flagante descaso pela verdade, ao negar eventos por "razões" que se revelam como falsas quando uma mínima quantidade de pesquisa é feita.

Vamos começar com o caso mais simples de todos - aquele do Aktion/Sonderkommando 1005.

O essencial daquele Aktion 1005 você pode checar no death-camps.org:
Sob o codinome "Aktion 1005" os alemães tentaram esconder todos os traços da política de extermínio nazi no leste, como abrir valas em massa e cremar centenas de milhares de corpos.

Aqui está o que Mattogno e Graf têm a dizer sobre isso:
"A decisão de seguir esta operação, para começar, supõe-se ter sido tomada em Berlim no começo de 1942. Uma carta de 20 de fevereiro de 1942, do Chefe da Gestapo, Heinrich Müller, a Martin Luther do ministério de relações exteriores, no qual o objeto da insatisfação do enterro dos cadáveres é levantada e se supõe que foi escrita depois de Müller "ter recebido uma carta anônima complaining sobre os cadáveres inundando a área de Warthegau," é citada como prova. Esta carta confirma a designação do arquivo "IV B 4 43/42 gRs (1005)," e a alegada 'Operation 1005' supõe-se ter seu nome deste documento!

Mas Alfred Streim, que cita a relevante carta baseada em conhecimento de primeira-mão, escreve:

Em 20 de novembro de 1942, Himmler ordenou ao SS-Gruppenführer Müller, Chefe do Departamento IV na RSHA, no escrito (Zst. Dok. Slg. Ordner 3, Bl. 583): '...Você tem que me dar uma garantia sobre aqueles corpos destes judeus mortos ou queimá-los ou enterrá-los em cada lugar, e que em nenhum lugar possa qualquer pessoa saber o que aconteceu com estes corpos...

Ele não diz isto nesta carta conforme o cabeçalho "IV B 4 43/42 gRs (1005)," não assina isso para a designação '1005,' e restringe a ele mesmo o seguinte comentário:

"A tarefa recebida - de acordo com a nomenclatura procedente da RSHA - a designação '1005.'"

Deste modo, a carta enviada consta da data de 20 novembro de 1942, e não de 20 de fevereiro. Isto significa que a designação '1005' para a operação teria sido assinada uns cinco meses depois de seu início! Na outra mão, na carta os judeus são mencionados como "mortos," não 'fuzilados' ou 'assassinados.' Além disso, a disposição dos corpos poderiam ter sido feitas por cremação ou enterro, o que significa que a carta de Himmler não precisa ter nenhuma conexão com a escavação e cremação dos cadáveres de judeus que haviam sido fuzilados, e o que nós estamos tratando aqui é uma fraude primária.

[...]

Agora, se alguém considera que de acordo com a maioria dos extensos estudos que existem sobre este tema, supõe-se que os Einsatzgruppensozinhos fuzilaram 200.000 pessoas (judeus e não-judeus), que a Wehrmacht, SS, e as unidades policiais são também acusadas de centenas de milhares de assassinatos, e que - como já enfatizado - nem os soviéticos e nem os poloneses acharam quaisquer valas em massa com até mesmo poucos milhares de corpos, e os 'Sonderkommandos 1005' devem ter exumado e queimado entre um e meio à três milhões de corpos. Isto significa que, dentro de um período de 13 meses eles tiveram que ter esvaziado milhares de valas de centenas de lugares, os quais foram dispersos acerca de uma enorme área - e tudo isto sem deixar pra trás qualquer traço material ou registro!

Sem ter milhares de mapas, nos quais as valas foram marcadas, teria sido totalmente óbvio e impossível localizar aquelas milhares de valas em massa num território de mais de 1.2 milhão de quilômetros quadrados, mas nem tais mapas mencionados estão num mero e único relatório dos Einsatzgruppe ou de qualquer outro documento, nem tais mapas foram encontrados entre os documentos alemães capturados pelos vitoriosos da Segunda Guerra Mundial.

E se - como relatos de testemunhas - milhares de piras foram queimadas durante a noite apesar dos apagões(blackouts)regulados, nenhum plano de reconhecimento soviético os descobriu e fotografou - senão as fotografias teriam sido aproveitados em seguida com propósitos de propaganda."

Thomas Sandkühler discorre sobre isto abaixo:

"Devido ao extremo segredo da 'Operation 1005,' fontes escritas sobre isto são muito raras.

Em outras palavras, não há nenhuma! A declaração de Sandkühler reflete o total rubor com que historiadores ortodoxos sentem na face devido a esse escândalo, enquanto simultaneamente fornecem a tradicional velha explicação: os documentos não existem "devido a um estrito segredo"! Esta hipótese substitui com evidente contraste o fato o qual Gerald Reitlinger descreve:

"As séries originais [dos relatórios dos Einsatzgruppen] consistem de aproximadamente duas centenas de relatórios com uma lista de circulação de sessenta a cem cópias cada. [...]

Não é fácil ver porque os assassinos deixaram tantos abundantes testemunhos sobre eles, [...]"

O evento relata que a URSS compôs um total de "cerca de 2.900 páginas escritas à máquina," e cada uma delas foi distribuída com um mínimo de circulação de 30 cópias. Os alemães são aí suspeitos de terem distribuído dezenas de centenas de páginas de documentos relatando os fuzilamentos em massa cometidos pelos Einsatzgruppen, então bem de repente percebem a necessidade de exumar e queimar os corpos, mas esqueceram de destruir os documentos que incriminam!

O fato é, a história da 'Operation 1005' é baseada completamente sob algumas poucas declarações pouco fidedignas de testemunhas oculares.

[...]

A designação 'Sonderkommando 1005' foi inventada pelos soviéticos."

Enfatizei vários reivindicações-chaves feitas pelos autores.

Agora, o que alguém que está pesquisando estes problemas, e especialmente alguém que é "cético" sobre estes problemas, deveria ter feito em primeiro lugar?

Ele(a) deveria consultar estudos fidedignos de outros acadêmicos sobre este tema, trabalhando a partir deles, refutando ou adicionando informação ao longo do estudo.

Atualmente, o estudo acadêmico definitivo da Aktion 1005 é o artigo de Shmuel Spector "Aktion 1005 - Effacing The Murder of Millions" (Aktion 1005 - Apagando o assassinato de milhões) (Holocaust and Genocide Studies, 1990, vol. 5, no. 2, pp. 157-173).

Graf e Mattogno nunca mencionam o artigo. Certamente, eles obviamente ignoraram isso, porque isso completamente desacredita suas "análises", citadas acima.

1) Antes de tudo, o artigo deixa claro que houve uma inscrição "IV B 4 43/42 gRs (1005)" no canto superior esquerdo da carta enviada por Mueller a Luther em 28 de fevereiro de 1942 (não 20 de fevereiro, como os authors state). "IV B 4" foi uma designação do departamento de assuntos judaicos de Eichmann. "43/42" foi o número e o ano da carta. "gRs" é "Geheime Reichsache", "problema secreto do Reich". Finalmente, 1005, o que quer que fosse inicialmente, tornaria-se mais tarde o codinome da operação para apagar traços do assassinato em massa.

O segundo documento com a menção dos autores como citado por Streim (Spector cita isso também)não é a carta de Mueller para Luther, mas de Himmler para Mueller, escrita não em 28 de fevereiro, mas em 20 de novembro. Disto os autores deveriam ter adivinhado que eles estavam tratando de diferentes cartas. Duuh! Então eles sacam o peso da idiotice quando escrevem:
"Mas Alfred Streim, que cita a carta relevante se baseou em conhecimento de primeira-mão...
[...]
Assim, a carta remete a datas de 20 de novembro de 1942, e não de 20 de fevereiro. Isto significaria que a designação '1005' para a operação teria sido assinada uns cinco meses depois de seu início!"

Para reiterar: é monstruosa a obviedade de que estas são cartas diferentes. Que tipo de idiotas estamos tratando com isto?

Também, não vi qualquer historiador afirma que foi a carta de novembro de Himmler que iniciou toda a operação.

Em sua carta, Himmler não ordenou o início da Aktion 1005 - ele simplesmente estava reagindo aos rumores de que os nazis estavam fazendo sabão de corpos de judeus, e é certo que nada disso realmente ocorrera.

2) O ponto sobre a localização das valas em massa é quase que totalmente um referencial. Ninguém argüiu que a SK1005 limpou todas as valas. De fato, Spector afirma:
"Os nazis não tiveram sucesso em remover os sinais do assassínio devido ao vasto número delas, de uma grande distribuição das valas em massa, e por causa do rápido avanço do exército soviético."

As próprias valas podiam ser localizadas por interrogatório da população local e daqueles que tomaram parte nos assassinatos, deste modo não houve qualquer necessidade de extensivos mapas, etc. Historiadores certamente apontam que a documentação sobrevivente da 1005/Aktion 1005 é scarce, mas eles nunca disseram que não havia nenhuma existente, ao contrário do que M&G aparentemente alegam. De fato, em seu artigo Spector cita que em abril de 1944 o relatório de inteligência das atividades do exército na área de Pinsk (de forma alguma deveria ser assumido que isto é apenas o único documento):
"Por uma ordem especial do Reichsfuehrer SS, Sonderkommando 1005 chegou, para executar tarefas especiais na área do exército."

Assim, ao contrário de M&G, o Sonderkommando 1005 não foi uma invenção soviética.

Agora pense sobre isso: quanta vergonha Mattogno e Graf teria evitado se eles simplesmente tivessem lido o artido de Spector? Aquela é a melhor pesquisa "revisionista".

E isto é apenas o primeiro exemplo. Mais a seguir.

Atualização: ver também as decodificações PRO sobre SK1005.

Próximo >> Parte II: negadores e as valas de Marijampole

Fonte: Holocaust Controversies
Texto: Sergey Romanov
http://holocaustcontroversies.blogspot.com/2006/04/thats-why-it-is-denial-not-revisionism.html
Tradução(português): Roberto Lucena

Ver também: Técnicas dos negadores do Holocausto

sábado, 12 de abril de 2008

"Revisionismo": a "ciência" da negação, a negação da ciência

Técnicas de negação do Holocausto
Autor: Mike Stein

Nos últimos anos, os negadores do Holocausto tem se empenhado a recorrer a argumentos "científicos" para "provar" que o regime nazi não pode sar câmaras de gás para levar a cabo um programa de extermínio contra os judeus e os ciganos. Os "Relatórios Leuchter e Rudolf" intencionaram provar que não havia suficientes resíduos de cianeto de hidrogênio nas câmaras de gás de Auschwitz como para demostrar que não se havia realizado gaseamentos massivos. Friedrich Paul Berg, em seu documento "As Câmaras de Gás de Motor Diesel: Um Mito dentro de um Mito", afirma que é capaz de demostrar que é improvável no melhor dos casos e impossível, no pior, usar os escapes de um motor diesel para matar pessoas na maneira e no tempo descritos por testimunhas oculares nas câmaras de gás de Belzec e Treblinka. Ambos documentos citam experimentos, análises de laboratorio, compostos químicos, etc. Igual que em qualquer documento científico objetivo - ou ao menos isso é o que os autores nos querem fazer crer.

O perigo deste novo planteamento negador é que poucar pessoas têm os conhecimentos técnicos necessários para analisar os documentos e descobrir suas falsidades. Demasiada gente examina os argumentos, vê a palavra "ciência" e imediatamente se perde. Consideram que se é "científico", deve estar certo. Esta negação do Holocausto obtem assim credibilidade "cientítica".

Por desgraça, há uma diferença entre a "ciência" negadora e a verdadeira ciência. O princípio fundamental da verdadeira ciência é este: "qualquer teoria há de ter em conta todos os fatos observáveis relevantes. Quer dizer, a teoria há de ajustar-se aos fatos; um verdadeiro cientista nunca nega os fatos simplesmente porque não se ajustam a sua teoria. O método de trabalho de um cientista honesto é em primeiro lugar realizar observações, e só depois elaborar uma teoria que explique o que foi visto. Se em algum momento os fatos contradizem a teoria, esta é descartada como falsa, e se elabora uma nova.

Os negadores do Holocausto invertem este processo. Em primeiro lugar, decidem como querem que sejam os "fatos", em lugar de recorrer a testemunhas oculares e a provas físicas e documentais. Elaboram teorias para "provar" que os fatos "autênticos" são como eles querem que sejam. Assim, todos os documentos verdadeiros são falsificações ou expressam algo distinto do que parecem dizer, e as testemunhas de fatos que contradigam suas teorias são uns mentirosos, ou se equivocam, ou estão loucos, ou são vítimas de algum tipo de coação que provocou que dessem falso testemunho.

Há outras maneirs de distinguir a ciência autêntica da charlatanice. Os verdadeiros cientistas são cautos. Buscam possíveis explicações alternativas. Buscam possíveis fontes de erros. Explicam todas as limitações e todos os problemas que tenham suas teorias. Procuram evitar fazer suposições, e sem têm que fazê-las, explicam-nas e as justificam abertamente. Todas as conclusões tem por base em fatos e em teorias corretamente estabelecidas, não em especulações e suposições sem demonstrações.

Quando se examina a "ciência" negadora, se descobre que se rompem todas estas regras. Fred Leuchter simplesmente supôs que para matar persoa havia sido usada a mesma a mesma quantidade de cianeto de hidrogênio que havia sido usada para matar piolhos. Isto é falso; Há de se usar muito mais cianeto de hidrogênio para matar piolhos, e há de estar expostos a ele muito mais tempo. Também parece que supôs que os gaseamentos tinham lugar com muito mais freqüência que de fato, ao ter considerado condições anormais no momento frio das deportações da Hungria como as típicas durante todo o tempo em que esteve aberto o campo de Birkenau.

Leuchter também supôs que dado que nos lugares onde se havia efetuado despiolhamentos aparecem manchas azuis(ao aparecer pela presença de compostos cianídricos como o azul da Prússia), nas câmaras de gás deveriam ter aparecido as mesmas manchas. Na realidade, o processo de formação do azul da Prússia a partir da exposição ao cianeto de hidrogênio não é ainda de todo conhecido. A taxa de formação, se é que chega a se formar, pode variar consideravelmente baixo diferentes circunstâncias.

Friedrich Berg argumentou que é muito difícil fazer que um motor diesel gere suficiente monóxido de carbono para matar alguém em meia hora, como declararam diversas testemunhas em Treblinka. Na verdade, está nisto certo - a primeira causa de morete foi provavelmente a asfixia(quer dizer, a simples falta de oxigênio). Sem embargo, Berg rompeu todas as regras. Em primeiro lugar, ignorou os testemunhos explícitos de testemunhas que afirmam que as vítimas morreram asfixiadas. Em segundo lugar, não examinou cuidadosamente outras circunstâncias distintas das que se havia falado sobre Treblinka nas que os escapes de un motor diesel podiam matar pessoas. Fechou os olhos para não perguntar-se a si os efeitos combinados de uma baixa concentração de oxigênio, uma alta concentração de dióxido de carbono, uma concentração média de monóxido de carbono, altos níveis de óxidos de nitrogênio e a aglomeração numa sala muito pequena podiam matar as pessoas presentes na sala ainda que quiça(possibilidade)não houvesse podido matá-las se houvessem entrado na câmara um por um.

Contam uma história, quiça apócrifa, segundo a qual alguém, utilizando a teoria de aerodinâmica, "provou" que os zangões não podiam voar. Sem embargo, os zangões, sem deixar-se impressionar por este triunfo da ciência, se negam a caminhar de flor em flor e seguem voando como eles tem feito sempre.

"Os "cientistas" negadores do Holocausto estão na mesma posição: tratam de provar que os fatos não são fatos. Em todos os sentidos, a "ciência" empregada ao serviço da negação do Holocausto é, na realidade, a negação de todos e cada um dos princípios do método científico - uma total negação da ciência em si mesma.

Fonte:
http://www.nizkor.org/features/techniques-of-denial/denial-of-science-sp.html
Tradução: Roberto Lucena

sábado, 20 de dezembro de 2008

Porque é negação e não revisionismo. Parte VII: relatórios dos Einsatzgruppen

Porque é negação e não revisionismo. Parte VII: outras patéticas objeções aos relatórios dos Einsatzgruppen

Nós já vimos em seu livro sobre Treblinka como Mattogno e Graf tentaram desacreditar os relatórios dos Einsatzgruppen (e fracassaram miseravelmente).

Esta postagem endereçará um par de "numéricos" argumentos daquele livro.

Podemos considerar que a parte sobre a Lituânia foi discutida.

Penso que deveria apenas mencionar que de acordo com a mensagem no. 412 de 09.02.1942, das 138.272 pessoas mortas pelo EG-A, 55.556 eram mulheres e 34.464 eram crianças.

Apenas idiotas e negadores argüirão que isto era qualquer forma de ação anti-partisan.

Na realidade, destes 138.272 pessoas apenas 56 eram partisans, e 136.421 - judeus.

Agora vamos examinar as afirmações de Mattogno sobre a Letônia.

Ele cita o Einsatzgruppe A, Gesamtbericht vom 16 Oktober 1941 bis 31 Januar 1942 como segue:
O número total de judeus na Letônia no ano de 1935 era de: 93.479 ou 4.7% do total da população. [...]

No registro das tropas alemãs ainda havia 70.000 judeus na Letônia. O resto tinha fugido com os bolcheviques. [...]

Mais adiante até outubro de 1941, cerca de 30.000 judeus foram executados por este Sonderkommando. Os judeus restantes, ainda indispensáveis devido a importância econômica, foram recolhidos pros guetos. Seguindo o processo dos casos de crimes na base de não usar a estrela judaica, negócio ilícito, furto, fraude, mas também na contagem do perigo preventivo de epidemias nos guetos, mais execuções foram feitas até depois. Assim, em 9 de novembro de 1941, 11.034 foram executados em Dünaburg, 27.800 em Riga no começo de dezembro de 1941 por uma operação ordenada e realizada pelo Superior das SS- e Chefe de Polícia, e 2.350 em Libau no meio de dezembro de 1941. Desta vez houve judeus letonianos nos guetos (à parte dos judeus do Reich) em:

Riga aproximadamente 2.500
Dünaburg " 950
Libau " 300
(Nota: havia 300 em Libau, não 3.000, como digitado incorretamente na versão online; mas os cálculos são baseados em cima do número correto).

Mattogno então resume os dados e chega a seguinte conclusão:
Mas se adicionarmos juntos os números daqueles abatidos (30.000 + 41.184 =) 71.184 a aqueles que ainda viviam nos guetos (3.750), chegamos a 74.934 judeus, um número que é maior que o número alegadamente presente no registro dos alemães dentro da Letônia. Numa tabela que resume o relatório e leva o título de "Número de execuções feitas pelo Einsatzgruppe A além de 1 de fevereiro de 1942," o número daqueles abatidos é indicado como sendo 35.238, para os quais são adicionados 5.500 judeus mortos "por pogroms," mas "de 1 de dezembro de 1941;"[590] logo temos 40.738 vítimas judias. Embora esta cifra inclui um adicional de 5.500 judeus mortos em pogroms não mencionados no relatório, o número total daqueles mortos é de longe mais baixo: 40.738 em oposição a 71.184.
Aliás, o mapa de caixão de Stahlecker é baseado nos mesmos dados, obviamente.

Então, há um erro no relatório? Sim, há um.

Sabemos que 1.134 judeus foram mortos em Duenaburg/Dvinsk/Daugavpils pelo EG-A naquela ação particular. "11.034" é um erro tipográfico (I. Altman, Zhertvy nenavisti, Moscou, 2002, pp. 238, 239; a fonte de Altman é GARF, f. 7021, op. 148, d. 215, l. 48). Este erro provavelmente é originário do rascunho do relatório das operações do EG-A em dezembro de 1941 (o mapa de caixão é um apêndice para este relatório), e é assim desse modo presente em dois documentos. Não era uma inflação deliberada, como a soma errada mostra.

Sem este erro temos cerca de (30.000+1.134+27.800+2.350=) 61.284 vítimas judias. Mais havia 3.750 judeus vivos. Também note o idioma: "Seguindo o processo dos casos de crime ... mais execuções foram feitas até depois. Assim, em 9 de novembro de 1941, 11.034 foram executados em Dünaburg...". Penso que isto implica que eles não listararam necessariamente todas as ações, apenas as maiores delas.

O próximo argumento é que o resumo do número de execuções pelo EG-A (incluindo pogroms) foi de 40.738 em vez de 71.184 (ou 61.284, corrigido por Duenaburg).

O argumento é auto-refutável. Relendo o título: "Número de execuções feitas pelo Einsatzgruppe A além de 1 de fevereiro de 1942". "Número de execuções feitas pelo Einsatzgruppe A...". Agora relendo o relatório: "27.800 em Riga no começo de dezembro de 1941 por uma operação ordenada e conduzida pelo Superior das SS - e Chefe de Polícia". "Ordenada e feita pelo Superior das SS - e Chefe de Polícia". O Superior das SS - e Chefe de Polícia e seus homens não eram do EG-A. Sim, é fácil assim. No relatório eles estavam listando informações gerais até sobre execuções não conduzidas por eles mesmos, mas o resumo pertence apenas ao Einsatzgruppe A.

Isto é tudo, pessoal.

Mas espere, nosso amigo, o Moonbat, quer dizer alguma coisa:

Mas não é fato que os relatórios dos EG contém erros tipográficos minando a história inteira do Holocausto? Você sabe, talvez 2.780 judeus não foram abatidos em Riga, e sim 27.800? (Eu penso que nenhum foi abatido e tudo isto são mentiras judias, mas pela segurança do argumento...)
Bem, o que eu posso dizer? Tudo é possível. Mas ninguém precisa de evidência para afirmar que este ou aquele número é um erro tipográfico, não de outra forma. Além do que, alguém pode sempre estabelecer a exatidão dos dados por checagem cruzada com outros pedaços de evidência. Considere o que o Prof. Richard Evans tem a dizer em seu relatório do julgamento de Irving:
Além do mais, Irving na sua principal narrativa em Goebbels: Mastermind of the ‘Third Reich’(Goebbels: cérebro do 'Terceiro Reich'), fracassou em esclarecer a seus leitores sobre o segundo massacre dos judeus de Riga que ocorreu em 8 de dezembro de 1941. Apenas em suas notas-de-ropapé ele faz reconhecer que o Einsatzgruppe A relatou que em início de dezembro de 1941 um total de 27.800 judeus foram executados em Riga. Entretanto, Irving imediatamente lança dúvidas sobre estas cifras, afirmando que elas são ‘possíveis numa exageração’.655 Já as dúvidas de Irving não são confirmadas por outras fontes. A corte em Hamburgo em 1973 estabeleceu que entre 12.000-15.000 judeus foram assassinados em 8 de dezembro de 1941, trazendo um número total de judeus mortos pelos nazistas em Riga entre 30 de novembro de 1941 e 8 de dezembro de 1941 de entre 25.000-30.000. 656 Usando vários métidos para calcular as vítimas em Riga, o historiador Andrew Ezergailis também chegou certamente a cifra de cerca de 25.000 judeus mortos. 657

[...]

655 Irving, Goebbels, p. 645, nota 42.
656 IfZ, Gh 02.47/3, Urteil des Schwurgerichts Hamburg in der Strafsache gegen J. und andere, (50) 9/72, vom 23.2.1973.
657 A. Ezergailis, The Holocaust in Latvia 1941-1944(O Holocausto na Letônia 1941-1944) (Riga, 1996), p. 261.
Eu devia também assinalar que Mattogno e Graf deviam saber acerca deste erro tipográfico. É mencionado em numerosas fontes - no livro de Altman estes itens de notícias (no qual o real número é citado), H.-H. Wilhelm, um dos co-autores de Die Truppe des Weltanschauungskriege, como relatado aqui, e também na introdução de Rudolf para Dissecting the Holocaust(Dissecando o Holocausto).

Então, agora que suas objeções foram refutadas (e estou certo que eles apresentaram o melhor que eles tinham), Mattogno e Graf aceitarão os números de judeus assassinados e tudo que eles implicam? Ou eles sonharão com outras desculpas? Penso que a resposta é auto-evidente.

[Eu desejo agradecer a Nick pelo auxílio generoso.]
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Com esta postagem eu conclui minha contribuição com estas séries. Roberto continuará o trabalho, examinando vários outras argumentos falaciosos. Obrigado por sua atenção.

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Próximo >> Parte VIII: Os Massacres de Simferopol

Fonte: Holocaust Controversies
Texto: Sergey Romanov
http://holocaustcontroversies.blogspot.com/2006/08/thats-why-it-is-denial-not_115488858935311686.html
Tradução: Roberto Lucena

Ver também: Técnicas dos negadores do Holocausto

terça-feira, 25 de março de 2008

A História do "revisionismo" do Holocausto - Parte 2

2. Revisionismo Histórico e a negação do Holocausto

A prática de revisão da História é constantemente aplicada, não somente sobre a própria metodologia, mas também sobre objetos e fatos em si, gerando inúmeras compreensões resultantes destas reflexões, sejam elas convergentes ou divergentes. É necessário ressaltar que esta prática de revisionismo atende aos padrões acadêmicos, que “exigem” de qualquer tipo de pesquisa, a existência de um referencial teórico e metodologia aplicada não somente para legitimar a pesquisa, mas também para qualificá-la.

É necessário abordar estas características do legítimo Revisionismo Histórico para se estabelecer contato com o auto-intitulado “Revisionismo” do Holocausto, ou Negacionismo, como é costumeiramente chamado nos meios acadêmicos e legais, distinção esta feita justamente para que haja uma diferenciação entre revisionistas e negadores do Holocausto. Segundo Pierre Vidal-Naquet (1998, p.12), notório combatente das práticas de falsificações históricas do Negacionismo, as primeiras células negacionistas surgiram na própria Alemanha sob o julgo nacional-socialista.

A partir de fortes indícios de um iminente fim de guerra, autoridades nazistas ordenaram a destruição de uma série de documentos e provas. Tal processo era nada mais que uma artimanha encontrada por estes oficiais para esconder, diminuir ou até mesmo negar os crimes cometidos durante a 2ª Guerra Mundial, dentre os quais o maior genocídio organizado e friamente sistematizado de uma série de categorias de “indesejáveis" ao governo nazista, como judeus, ciganos, homossexuais, negros, comunistas, entre outros – o Holocausto.

A passagem do negacionismo da plataforma política (como ato interno e restrito aos meios oficiais) para o meio público e acadêmico teve como principal idealizador e fundador Paul Rassinier, um ex-prisioneiro dos campos de concentração nazista de Buchenwald e Dora-Nordhaussen (Milman, 2000, p.120).

Rassinier, antigo militante da extrema-esquerda francesa era, durante a 2ª Guerra Mundial, membro da Seção Francesa da Internacional Socialista (SFIO) e redator de um jornal clandestino (“La IV. é Republique”). Devido às suas atuações, foi preso em 1944 pela Gestapo e enviado para os campos de concentração.

Livre, após o fim da guerra, retornou à França e começou uma peregrinação por diversas organizações políticas extremistas, tanto de esquerda quanto de direita. Afastou-se gradativamente das tendências esquerdistas, para se aliar a figurões da extrema-direita (Vichystas e colaboracionistas, inclusive) francesa e assumiu gradativamente um caráter fortemente anti-semita, antes mascarado como anti-sionismo ou anti-imperialismo.

O ano de 1951 marca a expulsão de Rassinier da SFIO, após a publicação de seu segundo livro, “A mentira de Ulisses”, em que o autor defende a tese de que a 2ª Guerra Mundial havia sido provocada por um complô judeu internacional de dominação mundial. Tal teoria remete facilmente aos moldes de teoria da conspiração largamente perpetuados pelo livro “Os Protocolos dos Sábios de Sião”, uma espécie de bíblia do anti-semitismo, que influenciou uma gama variada de anti-semitas, desde o governo Czarista (que foi, aliás, quem encomendou esta fraude) até Adolf Hitler (Cohn, 1969, p.195), passando por brasileiros como Gustavo Barroso (chefe de milícia da Ação Integralista Brasileira, responsável por uma versão traduzida e apostilada deste) e chegando até os atuais negadores do Holocausto.

Rassinier, em um primeiro momento, empreendeu uma relativização do número de mortos nos campos de concentração para, após isto, negar a existência das câmaras de gás e de qualquer programa sistemático do governo nacional-socialista de assassinato de judeus e outros grupos “indesejáveis”.

No que diz respeito à negação da existência das Câmaras de Fás, o maior argumento usado pelos autores negacionistas é o chamado “Relatório Leuchter”. Escrito por Fred A. Leuchter Jr., um suposto engenheiro norte-americano especialista em câmaras de gás. Tal relatório afirma que não haveria indícios de gaseamento nos campos de concentração (no caso, Auschwitz-Birkenau e Majdanek). A validade desse relatório é bastante questionável e suas alegações técnicas (assim como a capacidade e legitimidade profissional de Leuchter Jr.) são constantemente refutadas. Cabe ressaltar ainda que os campos de concentração em que Rassinier esteve confinado eram “apenas” campos de prisão e trabalho forçado. Desta forma, não haveria como Rassinier presenciar alguma sequer Câmaras de Gás no período e locais em que esteve preso, por motivos óbvios.

Os ideais de Rassinier influenciaram uma variada gama de anti-semitas, sobretudo na França pós-guerra. A seu exemplo, parte de ex-militantes esquerdistas verteram suas atuações para grupos de extrema-direita. Personagens como Serge Thion, Robert Faurisson, dentre outros, militantes ativos do grupo intitulado como “A velha toupeira”, formaram um pequeno grupo em volta de Rassinier que logo se tornou um centro de irradiação de material negacionista.

Não tardou muito e os ideais negacionistas se espalharam por grande parte da Europa e mais tardiamente a outros locais da América Latina, como o Brasil. Atualmente, há uma rede de negacionistas que abrange vários países, dentre os quais alguns autores que ficaram mundialmente conhecidos, não necessariamente por suas obras, mas principalmente pelas batalhas judiciais em que são réus na maioria das vezes (e em muitas destas, condenados). David Irving, historiador britânico que dispunha de um relativo respeito nos meios acadêmicos como historiador militar e de guerras, viu sua “popularidade” desabar após escrever livros negacionistas e ser preso na Áustria – onde a negação do Holocausto é crime. Ernst Zündel, alemão, foi condenado à prisão em seu país de origem, mas acabou sendo preso primeiramente no Canadá, onde ficou detido por um período de dois anos. Após este tempo, foi transferido para a Alemanha, onde foi julgado novamente e atualmente cumpre pena de cinco anos de prisão por negar o holocausto e incitar o ódio contra judeus.

A chegada do negacionismo no Brasil data do ano de 1987. Em um período de crescente mobilização pelas eleições diretas e pelo fim da ditadura militar, surge então o mais famoso livro negacionista brasileiro: “Holocausto: Judeu ou Alemão? Nos bastidores da mentira do século” de autoria de Siegfried Ellwanger, brasileiro descendente de alemães.

Ellwanger, que assina seus livros com o pseudônimo de S.E. Castan (segundo ele para fugir da perseguição sionista), funda a Revisão Editora Ltda., com sede em Porto Alegre/RS, para promover a distribuição de seu livro inicial, além de uma série de outros títulos com forte teor anti-semita e racista, muito deles de autores negacionistas.

A participação de brasileiros, porém, é pequena na Revisão Editora. Grande parte dos livros negacionistas nacionais são de autoria de Ellwanger ou então de Sérgio Oliveira, ex-sargento do Exército brasileiro durante a ditadura militar.

Fonte: Revista eletrônica 'Literatura e Autoritarismo(Dominação e Exclusão Social)
Autor: Odilon Caldeira Neto

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