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sábado, 17 de janeiro de 2009

Auschwitz, anatomia de um campo de morte

Nota escrita por Arlynn Nellhaus na edição internacional do Jerusalem Post de 28/1/95*

O livro Anatomia de Auschwitz - Campo da Morte(Anatomy of the Auschwitz Death Camp) foi editado por I. Gutman e Michael Berenbaum (este último é Diretor do Instituto de Investigações do Holocausto dos Estados Unidos) e tem sido publicado pelo Museu Memorial do Holocausto, situado em Washington DC e pela Imprensa Universitária de Indiana. O que pode acrescentar este livro ao que já é sabido sobre os campos de extermínio? Gutman escreveu a introdução deste livro e disse: "Depois de 50 anos os fatos se converteram em história, mas o Holocausto retorna e retorna de vez em quando, e nos segue perturbando. Apresenta problemas e reflexões que nos implicam e comprometem. Define o modo em que visualizamos o mundo. Pensamos que já ouvimos tudo quando algo emerge, como por exemplo, uma informação nova sobre um alto oficial que foi Secretário Geral das Nações Unidas ou aparece um novo filme que nos mexe."

O título do livro é totalmente adequado. Seus vinte nove capítulos contém uma exposição lúcida e crítica sobre Auschwitz. Nathan Cohen, investigador que contribuiu com um capítulo de Anatomia de Auschwitz - Campo da Morte, assinala que é o primeiro livro escrito sobre este tema depois de finalizada a Guerra Fria. Os investigadores colaboradores do livro são provenientes de distintos países, incluída a Polônia, e se teve acesso à documentação até agora desconhecida. Alguns dos autores são desde muito tempo amplamente conhecidos no mundo da língua inglesa, tais como Raul Hilberg, Martin Gilbert, Robert Jay Lifton, David Wyman, Amy Hackett. Alguns dos colaboradores são, como Israel Gutman, sobreviventes.

Gutman destaca que Auschwitz não foi só para judeus: "De um lado estava o campo de concentração para prisioneiros poloneses e de outras nacionalidades. Do outro estava Birkenau, destinado a judeus, onde a humanidade não existia. Birkenau era o pior com seu crematório... Era o lugar mais terrível." Havia outro campo: Buna. Em outros quarenta campos satélites se trabalhava para a indústria alemã: Siemens-Schuckert, Hermann Goring. Em outros campos se trabalhava nas minas. 90% das vítimas de Auschwitz foram judeus. O livro fala sobre a vida dos "prisioneiros", o modo de se relacionar na vida diária, os problemas cotidianos e sobre como um ser humano pode sobreviver em Auschwitz. A aparente falta de resistência com frequência confunde os judeus que não passaram pela experiência do Holocausto. Gutman destaca que num mundo carente de regras humanas, a palavra resistência cobra um significado distinto. Existiam duas linhas de resistência. Uma passava pela ajuda mútua. Para uma pessoa se comportar como um ser humano nessas circunstâncias já era uma expressão de resistência. A outra forma de resistência consistia em obter informação proveniente do mundo exterior. Para os judeus escaparem era algo especialmente dificultoso, dado que eram obrigados a vestir vestimentas distintivas. Na mudança os poloneses tinham acesso ao mundo exterior. Estavam em contato com a Resistência e tinham possibilidades de escapar.

Mas a verdadeira revolta foi a que foi realizada pelo "Sonderkommando" (judeus que trabalhavam no crematório), os que se destacaram num crematório e conduziram a uma fuga. Gutman fala com tom doutoral e que pese a ser ele mesmo um sobrevivente, fato este que por muitos anos ele não mencionou a seus estudantes. Aos 71 anos tem um olhar travesso e generoso de um avô, que o é, de uma pequena neta.

Apesar de suas vivências, Gutman vê o Holocausto como "um sucesso universal decisivo no desenvolvimento da sociedade humana: é importante se dar conta que algo assim é possível que ocorreu na desenvolvida Europa; que Auschwitz foi implementado por uma sociedade desenvolvida, por uma nação com um grande nível cultural. Para o desenvolvimento espiritual do homem, o Holocausto é uma experiência devastadora para o gênero humano." Creem que a recente proliferação de Museus do Holocausto em quase todo o mundo é para o bem. "São intentos de se tratar de entender o que ocorreu, de se tratar de entender o comportamento de uma sociedade organizada em períodos de crises, desde os pontos de vista dos cidadãos e dos políticos. Há que alentar todos os intentos de aprendizagem e por isso há que se alentar a fundação destes Museus."

Israel Gutman é Diretor de Yad Vashem e opina: "Yad Vashem encarna a primeira e mais profunda expressão da tragédia judia, o centro de investigação por excelência." Gutman se educou na Polônia e pertenceu ao Movimento Sionista. Tinha 16 anos quando estourou a Segunda Guerra Mundial e quase em seguida foi confinado no Gueto de Varsóvia. Sobreviveu ao levante do Gueto e, aos 21 anos, foi enviado à fábrica metalúrgica em Auschwitz. Apesar dos perigos, tomou parte da revolta organizada pelos Sonderkommando. Somente a atitude audaz dos que foram capturados, torturados e executados os salvou de sofrer esse mesmo destino. Em 18 de junho de 1945 os alemães começaram a evacuar Auschwitz, e ele foi enviado em marcha forçada na neve até Mathausen, o campo de concentração da Áustria. Ao finalizar a guerra se uniu aos integrantes da aliá "ilegal" e viveu durante 20 anos num kibutz. Quando decidiu completar sua educação na Universidade Hebraica sua vida mudou. Tal como antes da guerra, voltou a se sentir atraído pela História Judaica Moderna, e em especial pela temática do Holocausto

E esta se converteu em sua área acadêmica específica. É um renomado especialista no tema do Holocausto. Seu livro "Os Judeus de Varsóvia 1939-1942", foi publicado pela Universidade de Indiana. Em 1993 publicou "Resistência, a história do levante do Gueto de Varsóvia." Como historiador, Gutman regressou à Polônia mas "por pouco tempo e depois de tantos anos" a agrega com um sorriso amargo, mas a Polônia de minha juventude bate em meu coração. É um verdadeiro milagre quando você pensa em como, desde a profundidade da tragédia e da destruição, pudemos reorganizar nossas vidas. "

Em tom conciliatório diz: "Milhares de poloneses também morreram em Auschwitz, a elite intelectual e religiosa. A maioria das vítimas foram judias, mas também foi lugar de tragédia para pessoas de outras nacionalidades. Até 1942 Auschwitz foi um campo de concentração para poloneses. O capítulo judeu de mortes em massa começou a partir de 1942. Assim que, como você pode ver, em Auschwitz há 2 capítulos." O jornalista pergunta a Gutman: "Como o Sr. pôde se dedicar a investigação do Holocausto, havendo estado envolvido e tendo perdido sua família, sem entrar num estado de depressão?" Sua resposta é decepcionalmente simples: "Não comecei a investigar até depois de um período de reabilitação. Recentemente quando senti que não era diferente de outro cidadão, quando estabeleci uma família, quando fiz amigos, comecei a estudar; pois foi possível criar dentro de mim uma distância emocional. Claro que isto é artificial pois estou envolvido, mas meu dever como judeu é relatar o que se passou. Não tenho grandes planos para o futuro, senão um pequeno: escrever a história dos judeus entre as duas guerras mundiais." Seguramente, como historiador, sei que cada sucesso constitui um tijolo indispensável na construção da história judaica. E nessa história está a sua própria.

*Tradução Ing. Noemí Rychte

Fonte: Fundación Memoria del Holocausto
http://www.fmh.org.ar/revista/3/ausanatomia.htm
Tradução(espanhol): Noemí Rychte
Tradução(português): Roberto Lucena

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Morre historiador israelense do Holocausto, Israel Gutman

Quinta-feira, 3 de outubro de 2013 | 12:09 a.m.

Israel Gutman, who que sobreviveu as atrocidades nazi na segunda guerra e dedicou sua vida à pesquisa do Holocausto, faleceu em Jerusalém. Ele tinha 90 anos.

Gutman nasceu em Varsóvia em 1923 e lutou no levante do Gueto de Varsóvia em 1943, onde ele foi ferido.

Seus pais e irmãos morreram no gueto enquanto Gutman ficou como prisioneiro em três campos de concentração, incluindo Auschwitz.

Depois da guerra ele se transferiu para Israel onde mais tarde serviu como historiador chefe no Museu Memorial do Holocausto Yad Vashem.

Yad Vashem lamentou seu falecimento descrevendo Gutman na terça-feira como um "historiador pioneiro." Ele faleceu na segunda-feira.

Ele deixa duas filhas e três netos.

O funeral ocorre na quarta-feira em Jerusalém.

Fonte: The Associated Press/Las Vegas Sun
http://www.lasvegassun.com/news/2013/oct/03/ml-israel-obit-gutman/
Tradução: Roberto Lucena

Ver mais no blog A Vida no Front:
Israel Gutman, historiador do Holocausto, morreu aos 90 anos

Tag de Israel Gutman no blog (com os posts).

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Números do Holocausto - Estimativa de vítimas judaicas

Estimativas de vítimas judaicas no Holocausto

TABELA 2
ESTIMATIVAS DOS HISTORIADORES PARA PERDAS JUDAICAS EM CADA PAÍS
País
Polônia
URSS
Hungria
Romênia
Reich Alemão
Tchecoslováquia
Holanda
França
Áustria
Iugoslávia
Grécia
Bélgica
Itália
Luxemburgo
Noruega
Dinamarca
Total
Reitlinger
2.350.000-2.600.000
700.000-750.000
180.000-200.000
200.000-220.000
160.000-180.000
233.000-243.000
104.000
60.000-65.000
60.000
58.000 60.000
57.200 60.000
25.000-28.000
8.500-9.500
3.000
+1.000*
+100
4.578.800
Hilberg
3.000.000
900.000
-180.000
270.000
-120.000
260.000
-100.000
75.000
-50.000
60.000
60.000
24.000
1.000
+1.000
762
60
5.109.822
Gutman e Rozett
2.900.000-3.000.000
1.211.000-1.316.
550.000-569.000
271.000-287.000
134.500-141.000
146.150-149.150
100.000
77.320
50.000
56.200-63.300
60.000-67.000
28.900
7.680
1.950
762
60
5.859.622
W. Benz
2.700.000
2.100.000
550.000
211.214
160.000
143.000
102.000
76.134
65.459
60.000-65.000
59.185
28.518
6.513
1.200
758
116
6.269.097

*os sinais de maior que(>) e de menor que (<) foram substituídos, respectivamente, pelos sinais de somar(+) e subtrair(-) para o texto não ficar oculto devido a configuração do html do blog.


Nota: Onde são fornecidas faixas de valores, os números mais altos são usados nos totais. A maioria dos historiadores acreditam que os números mais recentes (de Gutman e Rozett e Benz) são os mais precisos. Números compilados de Gerald Reitlinger, The Final Solution (Nova York: Beechhurst Press, 1953 [1978]); Raul Hilberg, The Destruction of the European Jews (Chicago: Quadrangle Books, 1961); Yisrael Gutman e Robert Rozett, "Estimated Jewish Losses in the Holocaust," Encyclopedia of the Holocaust, vol. 4, editado por Yisrael Gutman (Nova York: Macmillan, 1990); Wolfgang Benz, Dimension des Volkermords: Die Zahl der Jüdischen Opfer des Nationalsozialismus (Munique: Deutcher Taschenbuch Verlag, 1991).

Fonte(livro): Denying History
Autores: Michael Shermer e Alex Grobman; página 177
Tradução: Marcelo Oliveira

Fonte(site): http://h-doc.vilabol.uol.com.br/estat.htm (h-doc, M. Oliveira)
Link restaurado (https://web.archive.org/web/20110925214450/http://h-doc.vilabol.uol.com.br/estat.htm)

Ver também:
Números do Holocausto - Ciganos (Estimativa do número de mortos)
Números do Holocausto - Estimativa de judeus mortos
Números do Holocausto por Raul Hilberg
5 milhões de vítimas não judias? (1ª Parte)
5 milhões de vítimas não judias? (2ª Parte)
Auschwitz e os números de mortos (por Robert Jan Van Pelt)
Número de judeus húngaros gaseados na chegada a Auschwitz
Números de vítimas do Holocausto por país em relação aos números da populaçao de 1937

quinta-feira, 7 de abril de 2011

As heróicas mulheres de Auschwitz

Por Ernie Mayer
Nota publicada no Jerusalem Post de 13 de julho de 1991

Membros da resistência francesa

Em julho de 1991 foi inaugurado em Yad Vashem um monumento em homenagem a quatro mulheres judias, que arriscaram suas vidas em Auschwitz. A escultura é de Iosef Salamon.

Os nomes das quatro mulheres que honram este monumento são: Ala Gertner, Roza Robota, Regina Safirsztajn e Estucia Wajcblum. Depois de meses de interrogatórios e torturas as quatro foram enforcadas em 5 de janeiro de 1945, 13 dias antes de que as SS abandonassem Auschwitz ao se inteirar do avanço russo.

A história começa em março de 1944, quando Roza Robota se encontra no campo com um prisioneiro a quem ela conhecia de sua cidade natal de Ciechanow, onde ambos pertenciam ao Hashomer Hatzair. Este homem pertencia ao Sonder Kommando, esquadrão encarregado de remover os corpos das câmaras de gás e levá-los ao crematório. Os homens do Sonderkommando viviam em barracas separadas do resto dos prisioneiros e lhes era reservada melhor comida. Periodicamente os nazis gaseavam estes homens, porque consideravam que haviam "visto demais" e os substituíam por um novo grupo.

Este homem com quem Roza se encontrou pertencia ao grupo "underground" que planejava um levante. Para isto necessitava de granadas e explosivos. Queriam explodir as câmaras de gás. Embora Roza tivesse uma posição relativamente cômoda na "rouparia, comprometeu-se a ajudá-lo. Falou com sete mulheres que trabalhavam em Werschel Metan Unionworke, a fábrica de munições. É necessário contrabandear a pólvora e entregá-la ao grupo "underground". Roza é a ponte entre os que conseguiam a pólvora e os que a recebiam. Nesse grupo se encontrava Israel Gutman, na época então com 21 anos, e atualmente reconhecido professor da história do Holocausto na Universidade Hebraica de Jerusalém.

As heróicas garotas escondiam a pólvora nas bainhas. A revolta estourou no sábado 7 de outubro de 1944. Os sonderkommandos sabiam que tinham os dias contados, porque os transportes de judeus já não chegavam. Mas decidiram continuar lutando. O movimento "underground" polonês que havia prometido sua ajuda, no último momento não apareceu. A revolta não ocorreu como havia sido planejada. Segundo Israel Gutman, foram traídos por um kapo. Não há detalhes da revolta, mas mais de 500 sonderkommandos foram mortos. Os últimos que trataram de escapar foram caçados por cães, segundo relata o historiador britânico Martin Gilbert.

A gestapo não tardou em dar-se conta de quem havia fornecido a pólvora. Que pese nisso as torturas infligidas a Roza, esta não revelou nomes. Gutman disse: "através do heroísmo destas mulheres, 30 de nós podem se salvar". As testemunhas das mortes destas quatro jovens contam que morreram dando mostra de orgulho, e Roza clamou vingança. Em 22 de maio de 1985, na Alemanha, foram homenageadas publicamente e por sugestão dos sobreviventes de Auschwitz em Israel, descobriu-se uma placa no distrito de Ruhr na cidade alemã de Frodenberg, onde funcionava a fábrica Unionworke.

Fonte: Fundación Memoria del Holocausto (Argentina)
http://www.fmh.org.ar/revista/2/lasheroicas.htm
Texto: Ernie Mayer
Tradução(ing-esp): Noemí Rijter
Tradução: Roberto Lucena

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Documentos envolvendo a Wehrmacht e o Holocausto

Ordem do Comandante-em-Chefe do 6º Exército, Von Reichenau

10 de outubro de 1941
Altamente confidencial
Quartel-General do 6º Exército

A Conduta das Tropas nos Territórios do Leste

...A questão da atitude de nossos militares com relação ao sistema bolchevique continua incerta em muitos casos. O objetivo principal da campanha contra o sistema judaico-bolchevique é a derrota e aniquilação completa da influência asiática sobre a cultura européia. Assim, as forças armadas estão enfrentando tarefas que não pertencem
ao domínio das tarefas costumeiras dos militares. Um membro das forças armadas nos territórios do leste não é apenas um soldado, lutando segundo as regras de combate, mas o portador do pensamento nacional e um vingador por todas as calamidades inflingidas sobre os alemães e os povos aparentados a eles.

É por isso que um soldado deveria estar profundamente consciente da necessidade da punição severa mas justificada dos judeus. Um outro objetivo é cortar pela raiz as rebeliões na retaguarda das Forças Armadas Alemãs. Essas rebeliões são sempre inspiradas, como nossa experiência mostra, pelos judeus.


Fonte: Documentos de Nuremberg D-411, cf. citado em Yitzak Arad, ed.,
Unichtozhenie Evreev SSR vgody nemetskoi okkupatsii (1941 - 1944)
(Jerusalem: Yad Vashem, 1991), p. 52

Gitelman, Zvi, Bitter Legacy: Confronting the Holocaust in the USSR.
Bloomington: Indiana University Press. 1997. p. 255
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Ordem de Keitel proibindo contato com judeus nos territórios ocupados do leste, 12 de setembro de 1941


Alto Comando da Wehrmacht
WFST [Quadro Operacional das Forças Armadas] Div. L (IV/Qu)
No. 02041/41 Secreto
Quartel-General do Führer, 12 de setembro de 1941
Re: Judeus nos territórios ocupados no leste


...A luta contra o bolchevismo exige ação cruel e enérgica, e em primeiro lugar também contra os judeus, como condutores principais do bolchevismo. Esta, portanto, não será uma cooperação, qualquer que seja, entre a Wehrmacht e a população judaica, cuja atitude é abertamente ou secretamente anti-alemã, e de nada servirão indivíduos
judeus, para quaisquer serviços preferenciais para a Wehrmacht. Sob nenhuma circunstância serão emitidos documentos por escritórios militares para judeus, confirmando que eles estão empregados para os propósitos da Wehrmacht.

A única exceção a ser feita é o uso de judeus em colunas de trabalho especialmente organizadas, que somente serão empregadas sob supervisão alemã.

É solicitado levar esta ordem ao conhecimento das tropas.

[assinado]Keitel

Fonte: Documentos de Nuremberg NOKW-3292, cf. citado em Yitzak Arad, Yisrael Gutman and Abraham Margaliot, eds. Documents on the Holocaust (Jerusalem and Oxford: Yad Vashem and Pergamon Press, 1987) p. 387 (Document 175).

Gitelman, Zvi, Bitter Legacy: Confronting the Holocaust in the USSR.
Bloomington: Indiana University Press. 1997. pp. 261 - 262
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A Wehrmacht e as ações das Einsatzgruppen, setembro de 1941 - ordem de von Rundstedt


Alto Comando
Grupo de Exércitos Sul
Ic/AO (Abw. III)
Q.G., 24 de Setembro de 1941

Re: A Luta Contra Elementos Hostis ao Reich

A investigação e luta contra tendências e elementos hostis ao Reich (comunistas, judeus, etc.), visto que eles não são parte da força militar hostil é, nas áreas ocupadas, tarefa exclusivamente do Sonderkommando [Unidade Especial] da Polícia de Segurança e da SD, que tomarão as medidas necessárias sob sua própria responsabilidade e as levarão a cabo.

Ações individuais de membros da Wehrmacht ou participação de membros da Wehrmacht em excessos da população ucraniana contra os judeus são proibidas; eles também são proibidos de assistir ou fotografar medidas tomadas pelo Sonderkommando.

Esta proibição deve ser levada ao conhecimento dos membros de todas as unidades. [Comandantes] encarregados da disciplina em todos os níveis são responsáveis pela implantação desta proibição. Em caso de violações, deve ser investigado em todos os casos se o comandante falhou ao executar sua tarefa de supervisão, e quando necessário ele deve ser severamente punido.

[assinado] von Rundstedt

Distribuição:
AOK [Comando de Inteligência, Grupo de Tankes PzGr]
Bef rückw [Comando de Retaguarda]
Befehlsstelle Süd [Comando Sul]
Abt. des Stabes u. Wach-Kp [Departamento de Staff e Companhias de
Guarda]
Nachr.: Luftflotte [info: Força Aérea]


Fonte: Documentos Nuremberg NOKW-541, cf. citado em Yitzak Arad, Yisrael Gutman and Abraham Margaliot, eds. Documents on the Holocaust (Jerusalem and Oxford: Yad Vashem and Pergamon Press, 1987) p. 388 (Document 176).

Gitelman, Zvi, Bitter Legacy: Confronting the Holocaust in the USSR.
Bloomington: Indiana University Press. 1997. pp. 264 - 265
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De um Relatório da Wehrmacht sobre o extermínio de judeus na Ucrânia

2 de Dezembro de 1941
Armamentos na Ucrânia
Inspetor


Confidencial
Para: Escritório do Wi Rü [Departamento de Armamento Industrial]
OKW [Alto Comando da Wehrmacht]
General da Infantaria Thomas
Berlim


...c. A Questão Judaica

Resolver a Questão Judaica na Ucrânia tem sido mais difícil porque nas cidades os judeus constituem uma parte importante da população. O que nós temos aqui portanto é - assim como no Governo Geral - um problema de política de enorme população. Muitas cidades têm mais de 50 por cento de judeus. Somente os judeus ricos escaparam antes
da chegada das tropas alemãs. A grande maioria da massa judaica ficou sob a Administração Alemã. A situação toda foi complicada pelo fato de que esses judeus executavam quase todo o trabalho especializado e até mesmo forneciam parte do trabalho para pequenas e médias indústrias; sem contar os ofícios, alguns dos quais se
tornaram supérfluos como resultado dos efeitos diretos ou indiretos da guerra. [A sua] eliminação foi portanto compelida a ter conseqüências econômicas profundas, incluindo até efeitos diretos na economia militar (suprimentos para tropas).

De início, a atitude da população judaica era ansiosa-voluntária. Eles tentaram evitar qualquer coisa que pudesse desagradar à Administração Alemã. Que eles odiassem a Administração Alemã e o Exército do fundo de seus corações é óbvio e não surpreende.
Entretanto, não há evidência de que os judeus, ou como corpo, ou mesmo em quaisquer números consideráveis, tenham tomado parte em sabotagem, etc. Sem dúvida têm havido alguns terroristas e sabotadores entre eles, assim como têm havido entre os ucranianos. Mas não se pode alegar que os judeus como tais apresentam qualquer tipo de perigo para a Wehrmacht Alemã. As tropas e a Administração Alemã têm estado satisfeitas com o produto do trabalho dos judeus, que estão certamente motivados por nenhuma outra emoção que não o medo.

Imediatemante depois das operações militares, a população judaica continuou tranqüila no início. Foi só depois de semanas, em alguns casos meses, que o fuzilamento sistemático dos judeus foi executado pelas unidade da Polícia de Ordem, especialmente estabelecida para este propósito. Esta Aktion agiu principalmente do leste para o
oeste. Ela o conduziu inteiramente em público, com a assistência da milícia ucraniana; em muitos casos, lamentavelmente, também com a participação voluntária de membros da Wehrmacht. Estas Aktionen incluíam velhos, mulheres, e crianças de todas as idades, e a maneira na qual elas foram executadas foi apavorante. O número
gigantesco de execuções envolvidas nesta Aktion é muito maior que qualquer medida similar conduzida na União Soviética até agora. No total, cerca de 150.000 a 200.000 judeus podem ter sido executados na seção da Ucrânia pertencente ao RK [Reichskommissariat]; até agora, nenhuma consideração foi dada aos interesses da economia.

Para resumir, poder-se-ia dizer que a solução da Questão Judaica conforme conduzida na Ucrânia, evidentemente motivada por princípios ideológicos, tem tido as seguintes conseqüências:


a) Eliminação de alguns, em parte inúteis, comedores nas cidades.
b) Eliminação da uma parte da população que sem dúvida nos odeia.
c) Eliminação de artesãos urgentemente necessários, que eram em muitos casos indispensáveis para as exigências da Wehrmacht.
d) Conseqüências em conexão com propaganda estrangeira que são óbvias.
e) Efeitos adversos sobre soldados que em qualquer caso tiveram contato indireto com execuções.
f) Efeitos embrutecedores nas unidades (Polícia de Ordem) que conduziram as execuções...


Fonte: Documentos de Nuremberg PS-3257, cf. citado em Yitzak Arad, Yisrael Gutman and Abraham Margaliot, eds. Documents on the Holocaust (Jerusalem and Oxford: Yad Vashem and Pergamon Press, 1987) p. 417 (Document 190).

Gitelman, Zvi, Bitter Legacy: Confronting the Holocaust in the
USSR. Bloomington: Indiana University Press. 1997. pp. 273 - 274
==================================================================

Fonte: http://www.einsatzgruppenarchives.com
Tradução: Marcelo Oliveira
Publicado em: http://br.groups.yahoo.com/group/Holocausto-Doc/message/6093

domingo, 25 de março de 2012

Mengele - Experimento médicos

Mengele promoveu experimentos médicos com prisioneiros, especialmente anões e gêmeos. É dito que supervisionou uma operação na qual as crianças ciganas foram costuradas uma na outra para criar gêmeos siameses; as mãos das crianças sofreram graves infecções nos pontos que uniam as veias (Snider, Louis; Encyclopedia of the Third Reich; 1997)

Cohen nos conta:
A única evidência de primeira mão destes experimentos provém de um grupo de sobreviventes e de um médico judeu, Miklos Nyiszli, que trabalhou com Mengele como patologista. Mengele submetia suas vítimas - gêmeos e anões a partir dos dois anos de idade - a exames clínicos, testes sanguíneos, raios-X e medicações antropológicas. No caso dos gêmeos, fazia perfis de cada gêmeo para comporá-los. Também infectava suas vítimas com diversas substâncias e injetava produtos químicos em seus olhos (ao que parece, tentando alterar a cor dos olhos).

Por último, o mesmo as matava injetando nelas clorofórmio no coração para depois realizar exames patológicos comparativos de seus orgãos internos. A intenção de Mengele, segundo o Dr. Nyiszli, era estabelecer as causas genéticas do nascimento de gêmeos para facilitar a formulação de um programa que dobraria a taxa de nascimento da raça 'ariana'. Os experimentos afetaram cerca de 180 pessoas, tanto adultos como crianças.

Mengele também realizou um grande número de experimentos no campo das doenças contagiosas (febres tifóide e tuberculose) para averiguar como os homens de raças distintas podiam enfrentar essas enfermidades. Utilizou gêmeos ciganos para este fim. Os experimentos de Mengele combinavam investigações científicas (talvez inclusive importantes) com fins racistas e ideológicos do regime nazi, que usaram orgãos governamentais, instituições científicas e campos de concentração.

A partir da escassa informação disponível, pode-se deduzir que suas investigações se distinguiam de outros experimentos médicos em que a morte das vítimas estava programada no experimento e era um elemento central deste. (Israel Gutman (Editor); Encyclopedia of the Holocaust, Vol. 3, página 964)
Fonte: Site Nizkor; Encyclopedia of the Third Reich; Autor: Louis S. Snyder; Encyclopedia of the Holocaust, Vol. 3 (Editor: Israel Gutman)
http://www.nizkor.org/faqs/auschwitz/auschwitz-faq-16.html
http://www.nizkor.org/faqs/auschwitz/auschwitz-faq-16-sp.html
http://www.jewishvirtuallibrary.org/jsource/Holocaust/auschwitz_faq_16.html
Tradução: Roberto Lucena

sábado, 2 de fevereiro de 2008

66 Perguntas e Respostas sobre o Holocausto - Pergunta 45

45. Pode se utilizar um forno crematório em 100% do tempo?

O IHR diz:

Não. Uma estimativa generosa daria uns 50% (12 horas ao dia). Há que limpar cuidadosamente e regularmente um forno crematório quando se está fazendo um trabalho pesado.

Nizkor responde:

Esta resposta compreende as anteriores das perguntas 42, 43, e 44.

Comecemos dando uma olhada em uma fotografia dos fornos do Krema II para termos uma idéia do tamanho. Eram muito grandes. Tendo em conta que o Zündelsite qualifica estes enormes edifícios de incineração de "galinheiros".

Havia cinco Kremas em Auschwitz. Os Kremas II e III tinham cinco grandes fornos, cada um dos quais tinham três "bandejas", podendo assim incinerar três cadáveres de vez. Eram desenhados para realizar as incinerações eficientemente e rapidamente, especialmente quando tinham que queimar muitos corpos de uma vez (ver Gutman et al., "Anatomy of the Auschwitz Death Camp", 1994, pp. 185-186).

Ainda que os fornos tivessem três bandejas, podiam-se colocar quase sempre dois ou inclusive três cadáveres por bandeja. Recordando que havia muitas crianças, e que as vítimas eram com freqüência prisioneiros que haviam estado em Auschwitz durante meses e que por tanto sofriam uma grave desnutrição. Os nazis consideraram entre 70 e 100 kg de restos como uma "unidade" que podia ser incinerada numa bandeja; quer se tratasse de uma pessoa corpulenta ou de três pequenas era irrelevante tecnicamente falando. Höss testemunhou que o Sonderkommando costumava ir alternando pôr dois ou três cadáveres em cada bandeja. (Ver Gutman et al., op. cit., pp. 236, 166, 180n55.)

Indo contra o que o IHR afirma na pergunta 42, os fornos podiam consumir um cadáver entre 30 e 45 minutos como máximo. Isto tem sido verificado não só por testemunhas oculares, como também por numerosos relatórios nazis sobre o processo de incineração.

Estes são os cálculos para um único Krematorium, o número II:

Cinco fornos, cada um com três bandejas, sendo cada bandeja capaz de conter dois ou três cadáveres de uma vez (ponhamos dois) e sendo capazes de incinerá-los em meia hora, reduziriam a cinzas 1440 corpos em 24 horas de trabalho contínuo. 5 por 3 por 2, por 48 meias horas que se tem em um dia, dá-nos 1440.

Um relatório capturado com data de 28 de junho de 1943 e enviado à Berlim ao General das SS Kammler estipula o número de corpos que podiam se eliminar em um dia em Auschwitz-Birkenau em 4.756. Isto ao que parece se baseia em um ciclo de trabalho de 24 horas por dia utilizando as cifras anteriores, já que se calcula a capacidade do Krema II como de 1440. Ver uma fotografia do documento, ou Pressac, "Auschwitz: Technique and Operation of the Gas Chambers", 1989, p. 247. Os historiadores e os técnicos discutem se isto representa um máximo teórico que nunca foi alcançado salvo com a ajuda de incinerações realizadas em valas, ou se é uma cifra que foi alcançada ou inclusive ultrapassada nos piores momentos do processo de extermínio. Seja como for, está claro que a cifra dada por Lagace de 184 corpos ao dia (Lenski, Robert, "The Holocaust on Trial", 1990, p. 252) nem sequer se aproxima das cifras corretas.

Fonte: Nizkor
Tradução: Roberto Lucena

66 Perguntas e Respostas sobre o Holocausto - Pergunta 42

42. Os escritores sobre o "Holocausto" afirmam que os nazis podiam cremar corpos em uns dez minutos. Quanto tempo leva incinerar um cadáver, segundo diversos operários profissionais de crematórios?

O IHR diz (edição original):

Umas duas horas.

Na edição revisada:

Aproximadamente uma hora e meia, ainda que os ossos maiores requerem um segundo processamento.

Nizkor responde:

No quê ficamos, uma hora e meia ou duas horas? Mais recentemente, os negadores do Holocausto começaram a se apoiar no testemunho de Ivan Lagace, que ao que parece disse no julgamento de Zündel, e mais adiante ante a imprensa que incinerar cada corpo leva entre seis e oito horas.

O IHR insiste uma e outra vez em se queixar de que os testemunhos dos sobreviventes se contradizem em detalhes técnicos como o tempo de cremação - e não podem se pôr de acordo entre eles.

A discrepância entre as estimativas do IHR e o tempo real (uns 30 minutos) é importante, dado que o IHR está confundindo os crematórios industriais e militares com os cemitérios atuais.

Quando dizem "operários profissionais de crematórios", referem-se a gente como Lagace, cujo trabalho consiste em cremar um único corpo de cada vez, dentro de um ataúde, num forno desenhado para converter inclusive os ossos maiores em finas cinzas que serão levadas aos familiares do defunto. Esta situação, evidentemente, não é comparável com a que havia em Auschwitz-Birkenau durante a Segunda Guerra Mundial.

Por exemplo, para Lagace jamais lhe ocorreria mesclar as cinzas de um cadáver com as de outro. Lagace e o IHR esqueceram que se podia enfiar dois ou três cadáveres esqueléticos em cada "bandeja". Isto, por suposto, jamais ocorreria em um incinerador civil.

Assim mesmo, os fornos de Auschwitz foram desenhados para funcionar continuamente, usando o calor produzido pelas incinerações de cadáveres realizadas antes e se mantendo assim para os corpos seguintes. Depois de acender os fornos com coque ao começar do dia até que alcançavam a temperatura adequada, apenas requeriam um pouco mais de combustível para funcionar. Isto é uma técnica bem documentada (ver Gutman et al., "Anatomy of the Auschwitz Death Camp", 1994, pp. 185-187ff).

Lagace afirma que tem de haver um período de "esfriamento" entre cada incineração, o qual demonstra uma profunda ignorância por sua parte sobre o funcionamento destes fornos. Lagace diz que um ciclo contínuo de operação havia causado avarias nos fornos de Auschwitz, mas mais uma vez não é capaz de entender a diferença entre um crematório civil e um crematório industrial militar.

Habitualmente o operário de um forno crematório convencional queimará o cadáver durante um período de tempo para eliminar todo o resto de carne carbonizada, quer dizer, para branquear os ossos. Ainda assim, este processo faz com que o tempo total de incineração acabe sendo somente dentre duas e quatro horas, e não as seis e oito horas de Lagace. Lagace esqueceu que estes detalhes não tinham importância para os nazis. Mas estes erros e outros aparecem na resposta à pergunta 45.

À parte dos erros comentados, os tempos de incineração são totalmente inquestionáveis. Em 1939, concedeu-se à firma Topf e Filhos um contrato para construir um forno em Dachau com uma capacidade estimada de um cadáver por hora e bandeja (tendo duas bandejas/nichos). Incrementando a pressão do ar, em julho de 1940 fabricaram um forno que podia incinerar dois cadáveres por hora e bandeja (de novo, tendo duas bandejas). Necessitava-se de umas três horas de manutenção ao dia, algo muito longe das doze horas por dia das que fala o IHR na pergunta 45. (Ver Gutman et al., op. cit., pp. 185-186, 189-190.)

Os crematórios que foram instalados em Auschwitz-Birkenau eram de capacidade industrial. Eram capazes de processar vários cadáveres por bandeja em uma meia hora, e podiam funcionar durante dias seguidos sem necessidade de manutenção. (Houve contudo algumas dificuldades às vezes, e vários dos fornos estiveram fora de serviço durante meses). Foi concedida à Topf e Filhos uma parente em 1951, e a patente estabelece a capacidade de cremação de um cadáver a cada meia hora.

Dispõe-se de uma fotografia dos fornos do Krema II.

Fonte: Nizkor
Tradução: C. Roberto Lucena

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

66 Perguntas e Respostas sobre o Holocausto - Pergunta 29

Traduzido por Leo Gott

29. Por que o utilizaram no lugar de algum gás mais apropriado para o extermínio em massa?

O IHR diz:

Se os nazistas quisessem utilizar gás para exterminar pessoas, eles dispunham de gases muito mais eficientes. O Zyklon-B é pouco eficiente, salvo quando se usa como agente fumigante.

Nizkor responde:

Mentiras.

O Zyklon-B foi usado porque é extremamente eficaz para matar pessoas. Certamente, existem outros gases com efetividade maior. Sem dúvida, o Zyklon-B era único porque tinha outras duas vantagens:
  1. Era fácil de embalar, armazenar e transportar – pedia-se a indústrias químicas convencionais, e vinha em latas fechadas.
  2. Era um produto muito extendido, já que se usava para despiolhar. De fato, provavelmente 90% do Zyklon-B usado em Auschwitz foi para eliminar piolhos. Ver Gutman, Anatomy of the Auschwitz Death Camp, 1994, p. 215.
Como foi dito em nossa resposta à pergunta 28, é extremamente eficaz para matar pessoas. Hoje em dia o gás liberado pelo Zyklon-B se usa para execuções nos Estados Unidos.

Para dizer com todo rigor e exatidão, temos que assinalar que as câmaras de gás usadas nas execuções de hoje em dia liberam o Cianeto de Hidrogênio por reações químicas, não simplesmente deixando-o evaporar, como se fazia com o Zyklon-B. Mas não havia nenhum problema com o método utilizado pelos nazistas, ele funcionava bem.

Tal e qual los nazistas averiguaram, o gargalo no processo de extermínio era a incineração dos cadáveres, não o gaseamento. Podia-se matar mil pessoas em questão de minutos, ou em uma ou duas horas, se incluirmos todo o processo desde a chegada ao campo até à ventilação da câmara de gás.

Mas queimar os cadáveres destas mil pessoas levava tempo. Eles compraram enormes fornos muito caros, e gastaram muitos marcos do Reich para mantê-los, mas a incineração todavia levava umas dez vezes mais tempo.

Os nazistas inclusive reduziram o tamanho das câmaras de gás depois de dar-se conta de que gargalo sempre estava na capacidade dos fornos - ver Gutman et al., Anatomy of the Auschwitz Death Camp, 1994, p. 224.

Assim, os argumentos sobre as dificuldades do processo de gaseamento, ou sobre a eficiência do gás, são maneiras de desviar a atenção. Ver também seção correspondente na FAQ sobre Auschwitz .

De qualquer forma, se temos tantos gases que são "muito mais eficazes", por que o IHR não nomeia alguns? Já foi pedido a Greg Raven que fizera isto na Usenet entre 1994 e 1995, mas, depois que insistiram muitas vezes, o único que ele encontrou foi:


“O Monóxido de Carbono, por exemplo, seria mais rápido que o HCN, ou igual que
muitos gases nervosos.”
Como já foi explicado, a velocidade do agente mortal não é o gargalo do processo de extermínio,assim dizer que o gás tal é mais rápido é totalmente irrelevante.

E aparte disso, o Monóxido de Carbono na realidade não é "mais rápido" que o Cianeto de Hidrogênio, que é um dos venenos mais rápidos. Ver documento sobre este tema para mais detalhes.

E mais ainda, os nazistas experimentaram o uso do Monóxido de Carbono nos campos da Operação Reinhard e em Majdanek, onde se encontrou monóxido de carbono em cilindros adequados para este gás. Mas, como explicou Höss em suas memórias, viram que os métodos existentes não eram eficazes e decidiram trocar para o Zyklon-B.

"Gases nervosos" é uma expressão demasiado vaga para poder contestá-la.

O outro único exemplo de especificação de um gás concreto que havíamos encontrado até agora é uma patética demonstração de ignorância. Ele é chamado de "Relatório Lüftl", Walter Lüftl escreve:

Qualquer familiarizado com o perigo que supõe a manipulação do Cianeto de
Hidrogênio (que é explosivo e extremamente tóxico) deveria perguntar por que os
carrascos das SS não usaram dióxido de carbono -que é mais fácil de manejar e
completamente inofensivo para o carraco - para matar os prisioneiros que
supostamente foram envenenados com Zyklon.
Qualquer texto de fisiologia confirma que em caso de anoxia (falta de oxigênio), as alterações no funcionamento do cérebro fazem sua aparição após cinco segundos, seguidas pela perda de consciência em 15 segundos, e à morte cerebral em cinco minutos. Esta é a maneira que "dormem" os animais, sem dor e com segurança, também funciona com as pessoas.


Isto é uma absoluta estupidez. o dióxido de carbono simplesmente asfixia as suas vítimas, deixando-as sem ar oxigenado.A perda de consciência levaria muito mais de 15 segundos. A morte não seria indolor, seria pelo menos como morrer afogado ou estrangulado. E tem que transportar o dióxido de carbono comprimido em cilindros, ja que o "gelo seco" não pode sublimar-se o suficientemente rápido para matar alguém.

Quantas garrafas de dióxido de carbono seriam necessárias para preencher completamente o air normal com oxigênio de uma cámara de gas?

Quanto haveria custado transportar e recarregar os cilindros?

Não deveria ter sido mais fácil usar una pequena quantidade de um veneno que bastem poucas centenas de partes por milhão para ser mortal, no lugar de ter que alcançar suficiente concentração para substituir o ar?

De fato, Friedrich Berg desestimula o uso de dióxido de carbono em outro artigo publicado pelo IHR, e disponível no site de Greg Raven:


O dióxido de carbono na realidade não é mais tóxico que a água. A maioria dos
livros sobre toxicologia nem sequer o mencionam. Quando se encontra, geralmente se classifica como "não tóxico, asfixiante".

Aqui temos mais uma contradição interna.

O "Relatório Lüftl" está na Internet em um arquivo de texto no site Nizkor, ou em uma página web no web site de Greg Raven.

Procure pelo texto “fisiologia”. :-)

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

66 Perguntas e Respostas sobre o Holocausto - Pergunta 1

Postado originalmente em: http://www.nizkor.org/features/qar/qar01.html

Traduzido por Leo Gott.

1. Que provas existem que os Nazistas praticaram o genocídio ou assassinaram deliberadamente seis milhões de judeus?

O IHR (http://www.ihr.org) responde (combinando a versão original, a da Editora Samisdat (de Ernst Zündel) e à revisada):

Nenhuma. A única evidência são os testemunhos do pós-guerra de "sobreviventes" individuais. Estes testemunhos são contraditórios, e nenhum "sobrevivente" afirma ter sido testemunho de nenhum gaseamento. Não existem documentos da época que demonstrem nenhuma prova tangível: nem montes de cinzas, nem crematórios capazes de eliminar milhões de corpos, nem pilhas de roupa, nem sabão feito de restos humanos, nem abajures feitos com pele humana, nem registros, nem estatísticas demográficas credíveis.

Nizkor responde:

Uma mentira atrás da outra, e sem a mínima prova.

Isto é um ponto tão bom como qualquer outro para começar a expor algumas provas detalhadas que são ignoradas como base para negar o Holocausto. Veremos que esta resposta será maior que as outras sessenta e cinco, mas talvez o leitor compreenderá que é necessário.
  • Suponhamos como única evidência, "os testemunhos de pós-guerra de sobreviventes individuais".


Em primeiro lugar, consideremos a teoria conspiratória implícita. Observe-se como os testemunhos de todos e de cada um dos prisioneiros dos campos nazistas são automaticamente depreciados como pouco convincentes. Este desprezo a estes testemunhos, junto com a desvalorização dos testemunhos de vários nazistas (¡¡), é a maior suposição não expressada da negação do Holocausto.


Esta suposição, que poucas vezes é expressada claramente, afirma que o genocídio judeu nunca teve lugar, sendo que foi uma conspiração dos judeus que começou desde 1941, e que falsificou milhares de documentos para prová-lo; depois da guerra, falaram com os sobreviventes dos campos e lhes indicaram o que estes deveriam dizer.


Aparentemente, os “conspiradores” também conseguiram torturar centenas de nazistas que estavam em postos-chave durante a guerra, para confessarem crimes que nunca cometeram, ou para implicarem os seus companheiros. Mesmo assim, conseguiram colocar centenas de documentos nos arquivos nazistas que nunca foram descobertos até depois da guerra, e muitas vezes somente com muita sorte. O diário de Goebbels, por exemplo, foi salvo de ser vendido como 7.000 páginas de papel usado, mas nos manuscritos se encontram algumas entradas como estas (segundo a tradução do inglês de Lochner, The Goebbels Diaries, 1948, pp. 86, 147-148):

14 de fevereiro de 1942: O Führer voltou a expressar sua determinação de eliminar sem piedade os judeus da Europa. Deve desaparecer todo sentimentalismo embutido(?). Foram os judeus que provocaram a catástrofe que está se aproximando. Sua destruição irá unida à destruição dos nossos inimigos. Devemos acelerar este processo sem piedade.

27 de março de 1942: O procedimento é muito bárbaro, e não irei detalhá-lo aqui. Não sobraram muito dos judeus. Em cifras gerais, podemos dizer que cerca de sessenta por cento deles serão liquidados, enquanto que quarenta por cento se salvarão para serem utilizados como mão de obra.


Michael Shermer tem assinalado que as estatísticas dos nazistas sobre o número de judeus europeus giravam entre onze milhões, e sessenta por cento de onze milhões são 6,6 milhões, algo muito próximo das cifras reais. (Na realidade, os quarenta por cento são uma estimativa muito por alto da taxa de sobrevivência dos judeus que foram capturados, mas muitos judeus escaparam).


Em qualquer caso, a maioria das informações do diário é trivial, e somente interessa aos historiadores.

Você crê na suposta conspiração judia que inseriu sete mil páginas de um diário simplesmente para inserir umas poucas linhas a seu favor? Como eles fizeram para conhecer a vida de Goebbels tanto a fim de evitar contradições, como por exemplo situá-lo e outras pessoas em uma cidade e dias equivocados?


Tal e como foi admitido inclusive pelo “revisionista” David Cole, os “revisionistas” ainda têm que dar uma explicação satisfatória sobre este documento.


E quanto aos testemunhos de pós-guerra dos nazistas, todos foram torturados para que confessarem seus horríveis crimes que supostamente não cometeram?
Isto seria credível se somente houvessem capturado uns poucos nazistas depois da guerra, ou talvez se alguns tivessem enfrentado um tribunal que lhes julgava, e tivessem confessado ao mundo a intenção de manipular seus testemunhos. Mas centenas deles testemunharam sobre o Holocausto, em julgamentos que vão de 1945 ate os anos 60. (Por exemplo, ver Böck, Hofmann, Hössler, Klein, Münch, e Stark).


Muitos destes nazistas testemunharam e não foram acusados de nenhum crime. Em que se baseia sua suposta manipulação? Muitos destes julgamentos aconteceram em tribunais alemães. Os alemães torturaram seus próprios compatriotas? Bem, os negadores do Holocausto às vezes afirmam que os judeus estão infiltrados no governo alemão e o controlam. Não obstante, preferimos não falar muito desta “teoria”, visto que isso beira o lunático.

A questão principal é que nenhuma destas supostas vítimas de tortura -em cinqüenta anos, nenhuma- apoiou estas teorias segundo os quais foram coagidos.


Pelo contrário, ao longo destes anos os testemunhos foram confirmados. Que coerções poderiam ter levado o juiz Konrad Morgen a confirmar seus crimes que foram testemunhados no Tribunal de Nuremberg em 1946? De onde não foi acusado de nenhum crime? E para depois voltar a testemunhar perante o Julgamento de Auschwitz celebrado em Frankfurt de 1963 a 1965? Qual foi a coerção ao médico das SS Johann Kremer para testemunhar em sua própria defesa em 1947, e, depois de haver sido condenado na Polônia e na Alemanha, voltar a aparecer novamente e sair da prisão para testemunhar no Julgamento de Frankfurt? Qual a coerção a Böck, a Hössler, a Hölblinger, a Storch e a Wiebeck, todos eles das SS, todos eles testemunharam em Frankfurt, sem que nenhum deles foi acusado de nenhum crime naquele Julgamento?


Os que negam o Holocausto destacam pequenas discrepâncias nos testemunhos para que possam ser desacreditados. O que eles pretendem com isso é que o leitor aceite estas pequenas discrepâncias como a evidência de uma vasta e toda poderosa conspiração judia. Isto é um absurdo.


É certo que as discrepâncias e os pequenos erros em detalhes falam contra, e não a favor, da teoria conspiratória. Por quê os conspiradores haveriam passado informação diferente a diferentes nazistas? De fato, todos os testemunhos, tanto dos nazistas como dos prisioneiros, foram demasiado parecidos, não existe dúvida de que os que negam o Holocausto o considerariam uma evidência de conspiração.


Que coações poderiam perdurar durante quatro décadas para forçar o antigo SS-Untersturmführer Dr. Hans Münch a conceder uma entrevista, contra a vontade de sua família, à televisão sueca? Na entrevista de 1981, ele falou de Auschwitz:


Entrevistador: Não é contrário aos valores éticos de um médico o conceito de genocídio?

Münch: Sim, sem dúvida. É indiscutível. Mas isso vivia comigo, e tratei por todos os meios evitar e aceitar, mas tive que viver com ele. Que outra coisa eu poderia fazer? E eu não o enfrentei diretamente, até que nos foi ordenado, a mim, e a meu superior, e a outra pessoa, tomar parte do extermínio, dado que os doutores do campo estavam saturados do trabalho.

Entrevistador: Devo perguntar-lhe algo. Os que duvidam sobre a autenticidade do Holocausto argumentam que "tratamento especial" poderia significar qualquer coisa, menos para tratar de extermínio.

Münch: O "tratamento especial", na terminologia dos campos de concentração, referia-se ao extermínio físico. Se tratava de algo mais que um pequeno grupo de pessoas, onde o melhor que se podia fazer era gaseá-los, sim, eram gaseados.

Entrevistador: O "tratamento especial" se referia ao gaseamento?

Münch: Sim, sem nenhuma dúvida.

Que coações poderiam perdurar durante quatro décadas para forçar o antigo SS-Unterscharführer (Cabo das SS) Franz Suchomel a conceder uma entrevista para o filme Shoah? Pedindo falsas promessas de anonimato, falou dos crimes cometidos no campo de extermínio de Treblinka (do livro Shoah, Claude Lanzmann, 1985, p. 54):

Entrevistador: O seu testemunho é muito importante. Vocêpode nos dizer o que foi Treblinka?

Suchomel: Mas não utilize meu nome.

Entrevistador: Não usarei, te prometo. Muito bem, quando você chegou a Treblinka...

Suchomel: ...O sargento Stadie nos apresentou todo o campo. Durante o percurso, passamos pelas câmaras de gás quando elas se abriam, e vimos as pessoas cair como sacos de batatas. Logicamente, isto nos aterrorizou e impactou. Nós demos uma volta, nos sentamos sobre nossas malas e choramos como anciãos.
Cada dia se escolhia uma centena de judeus para que levassem os cadáveres para as covas comuns. Ao entardecer, os ucranianos levavam estes judeus para as câmaras de gás ou lhes davam um tiro. Todos os dias!

Perguntem aos que negam o Holocausto por que desacreditam o testemunho de Franz Suchomel? Greg Raven lhes dirá que "não é uma prova... dêem-me uma prova, por favor". Outros lhe dirão que Suchomel e Münch estavam loucos, ou que alucinaram, ou que são fantasias.


Mas onde estão as fantasias nas mentes dos que preferem evitar a enorme quantidade de provas, e crêem em troca na hipotética conspiração, apoiada em nada mais que suas imaginações.


Esta total falta de provas é o que faz que a "suposição da conspiração" quase nunca apareça por escrito. Não existe nem um único documento “revisionista”, artigo, discurso, panfleto, livro, fita, fita de vídeo ou boletim que proporcione detalhes sobre esta suposta conspiração judia ou sionista que revela todo o trabalho sujo. Nem um único.


Como sempre, a literatura “revisionista” faz veladas referências ao Congresso Mundial Judeu como o perpetuador de um "engano" (Arthur Butz, 1976) - mas sem mostrar detalhes. E toda a negação do Holocausto se apoia nesta suposta conspiração.


Enquanto os testemunhos dos sobreviventes, que segundo os "revisionistas" são a única evidência, e neles existem milhares de referências a gaseamentos e outras atrocidades, relatadas por prisioneiros judeus que sobreviveram aos campos e por outras classes de prisioneiros, como prisioneiros de guerra. Muitos dos prisioneiros de guerra que testemunharam sobre os gaseamentos não são judeus, por exemplo. Vejamos, por exemplo, o testemunho do oficial polonês Zenon Rozansky sobre o primeiro gaseamento em Auschwitz, onde foram assassinados 850 prisioneiros de guerra russos (Reitlinger, The Final Solution, p. 154):


Os que estavam contra a porta tinham uma estranha rigidez e então caíram aos
nossos pés, batendo o rosto contra o chão de cimento. Cadáveres! Cadáveres que
se mantinham erguidos preenchendo todo o bunker, estavam tão apertados que não podiam cair.


Quais "revisionistas" negaram isto? Qual deles esteve alí?

Quais têm autoridade para dizer a Rozansky o que ele viu e o que ele não viu?


A frase "nenhum 'sobrevivente' afirma ter testemunhado um gaseamento" é claramente falsa; nas últimas versões, eles trocaram "nenhum sobrevivente" por "uns poucos sobreviventes", algo um pouco mais próximo da verdade.


Mas não é necessário limitar somente aos testemunhos dos sobreviventes, dos nazistas, ou de qualquer outra pessoa. Muitos documentos elaborados durante a guerra, não descrições do pós-guerra, que falam especificamente de gaseamentos e outras atrocidades, capturados pelo exército americano. A maioria está nos Arquivos Nacionais de Washington, D.C.; outros estão na Alemanha.


Por exemplo, aqui temos um documento secreto enviado ao SS Obersturmbannführer (Tenente-Coronel das SS) Rauff pelo SS Untersturmführer Becker sobre os furgões(vans) de gaseamento, os precursores das câmaras de gás (de Nazi Conspiracy and Aggression, 1946, Vol. I, pp. 999-1001):


Se choveu, por exemplo, durante meia hora, não se pode usar o furgão porque
patina. Só pode usá-lo quando não chove. A pergunta agora é se pode usar o
furgão permanecendo parado no lugar da execução. Pero primeiro o furgão tem que chegar ao lugar, e só podemos fazer sem chuva...
Normalmente, o gás não é aplicado corretamente. Para acabar o mais rápido possível, o condutor pisa fundo no acelerador. Fazendo isto, as pessoas morrem por asfixia, sem desmaiar, e não é o que havia sido planejado. As medidas que tenho tomado demonstram que um correto ajuste do acelerador faz com que a morte seja mais rápida e que os prisioneiros morram pacificamente desmaiados.

Rauff recebeu outro informe sobre os furgões de gaseamento em 5 de junho de 1942, sendo este informe classificado como "secreto" e "cópia única". É uma horrível amostra dos eufemismos nazistas, que se refere aos assassinatos como "o processamento" e às vítimas como "o assunto" e "a carga". (Ver Kogon, Nazi Mass Murder, 1993, pp. 228-235.):

Desde dezembro de 1941, por exemplo, se processou 97.000 usando três furgões,
sem que os veículos sofressem avarias...
A capacidade dos furgões é de nove a dez por metro quadrado. A capacidade maior dos furgões especiais Saurer não é uma vantagem. Embora não sofram excesso de carga, perdem muita manobrabilidade fora dos caminhos e estradas em qualquer terreno. Seria desejável uma redução na capacidade da carga. Podemos fazer reduzindo em um metro o tamanho do furgão. A dificuldade mencionada não pode ser resolvida reduzindo a carga, como se tem feito até agora. Esta redução requer um tempo maior de operação, uma vez que temos que preencher o espaço vazio com CO [o gás emitido pelo cano de descargautilizado para asfixiar as vítimas].
É necessário proteger melhor as luzes. A grade deveria cobrir os faróis o suficiente para impossibilitar que se rompam os bulbos. Parece que raramente se acendem os faróis, porque os usuários dizem que podem ser retirados. Mas a experiência demonstra que, quando se fecha a porta traseira o interior escurece, e a carga se aperta contra a porta. O motivo é que quando o interior escurece, a carga se desloca para o menor resquício de luz. Isto dificulta o fechamento da porta. Também temos reparado que o ruído provocado pelo fechamento da porta se une ao medo provocado pela escuridão.

Existem certos deslizes cometidos na correspondência sobre as câmaras de gás, e algumas destas cartas, por sorte, não foram destruídas e foram recuperadas depois da guerra. Um relatório escrito pelo SS Karl Bischoff em 27 de novembro de 1942 descreve a câmara de gás do Krema II sem o habitual término "Leichenkeller", mas sim como "Sonderkeller", "porão especial".


E dois meses depois, em 29 de janeiro de 1943, Bischoff escreveu um relatório para Kammler, referindo-se a esta mesma câmara de gás como "Vergasungskeller". (Ver Gutman, Anatomy of the Auschwitz Death Camp, 1994, pp. 223, 227.) "Vergasungskeller" significa literalmente "porão de gaseamento", uma câmara de gás subterrânea.

Os negadores do Holocausto recorrem a Arthur Butz, que da uma enganosa explicação do término: "Vergasunsg", diz, não pode referir-se a assassinar pessoas com gás, mas sim somente ao processo de converter um sólido ou líquido em gás. Assim, diz que "Vergasungkeller" devia ser um cômodo especial em que o combustível para os fornos de Auschwitz era transformado em gás - uma "câmara de gasificação".


Existem três problemas nesta explicação. Em primeiro lugar, "Vergasung" certamente pode referir-se a assassinar pessoas com gás; Butz não fala alemão, assim não deveria fazer especulações com o idioma. Em segundo lugar, não existe um cômodo que pudesse realizar a função que Butz descreve - anos depois de escrever seu livro, ele admitiu, e inutilmente tratou de sugerir que pode ser que houvera outro edifício em alguma parte que acomodou a câmara de gasificação. Em terceiro lugar, o tipo de forno usado em Auschwitz não requeria nenhum processo de gasificação. Os fornos utilizam combustível sólido(coque). (Ver Gutman, op. cit., pp. 184-193.)


Então, a que se refere o termo "porão de gaseamento"? Os negadores do Holocausto ainda têm que oferecer uma explicação credível.
Um inventário de material, capturado antes da guerra, revelou a existência de quatorze chuveiros e uma porta suspensa na câmara de gás do Krema III. Os negadores dizem que esta sala era um necrotério; mas não explicam para que usar em um necrotério quatorze chuveiros e uma porta suspensa. (Ver fotografía do documento, ou Pressac, Auschwitz: Technique and Operation, 1989, pp. 231, 438.)


Um relatório do escritório de obras de Auschwitz, datado de 31 de março de 1943, diz: (Hilberg, Documents of Destruction, 1971, pp. 207-208):


Aproveitamos para mencionar outro pedido de 6 de março de 1943 de uma porta suspensa 100/192 para o Leichenkeller 1 de Krema III, Bw 30a, que deve instalar-se seguindo o procedimento e medidas da porta do porão do Krema II, com uma escotilha com vidro duplo de 8 milímetros selada com borracha. Este pedido deve ser considerado urgente...

Para que necessitaria urgentemente em um necrotério uma porta com escotilhas com um vidro grosso duplo de 8 milímetros?


A questão referente a que isto pode demonstrar é o uso de gás cianeto nas câmaras de gás de Auschwitz, é algo que intriga os negadores. Como tem anunciado o Relatório Leuchter, por exemplo, dedica grandes esforços a perguntar-se se existem restos de cianeto ali hoje em dia. Mas não necessitamos buscar traços químicos para confirmar o uso de cianeto (Gutman, op. cit., p. 229):


Várias cartas e telegramas trocados entre 11 e 12 de fevereiro [de 1943] entre o Zentralbauleitung e Topf mencionam o pedido de um ventilador de madeira para o Leichenkeller 1.

Esta referência confirma o uso do “necrotério” como câmara de gas: Bischoff e Prüfer consideravam que a extração de air mesclado com ácido prússico concentrado [cianeto dissolvido em água] (20 gr/cm3) requeria um ventilador que não pudesse corroer.


Na realidade, Bischoff e Prüfer se equivocaram, e acabou usando aceitavelmente bem um ventilador metálico. Mas o feiro de que pensaram que era necessário demonstra que o cianeto era habitualmente utilizado nas salas que os negadores chamam de necrotérios. (O cianeto não serve como desinfetante em um necrotério, já que não elimina bactérias).

Outros documentos capturados, inclusive ainda que não se referiam diretamente a alguma parte do processo de extermínio, se referem a ele pelas conseqüências deste. Um relatório capturado do SS-Brigadeführer (General de Brigada de las SS) Kammler revela que a capacidade de incineração prevista dos fornos de Auschwitz era de um total de 4.756 cadáveres por dia (ver fotografía do documento Kogon, op. cit., p. 157).

Os negadores estão acostumados a dizer que todo isto não era realizado na prática. Não é correto. Estes crematórios foram projetados cuidadosamente em 1942 para ter uma capacidade de eliminação de 140.000 por mês – em um campo em que só havia 125.000 pessoas. Podemos concluir que o extermínio massivo foi previsível, inclusive planejado, já em meados de 1942. Um campo projetado para incinerar toda sua população de prisioneiros a cada quatro semanas não é um simples centro de detenção.

Finalmente, depois dos abundantes testemunhos, confissões, e evidências físicas do processo de extermínio, certamente não tem necessidade de buscar provas sobre as intenções e planos dos nazistas.

Mas aqui temos alguns exemplos. Do diário de Hans Frank (de Nazi Conspiracy and Aggression, 1946, Vol. I, pp. 992, 994):

Mas, o que se deveria fazer com os judeus? Acreditam que serão reassentados
no 'Ostland' [territórios do leste], em povoados [de reassentamento]? Isto é o
que nos dizem em Berlim: por que tantas doenças? Não podemos fazer nada com eles nem no 'Ostland' nem no 'Reichkommissariat'. Assim serão liquidados.

Cavalheiros, devo pedir-lhes que abandonem todos os seus sentimentos de piedade. Devemos aniquilar os judeus, onde quer que se encontrem e em qualquer momento em que possamos, para assim manter a estrutura do Reich como um todo...

Não podemos disparar ou envenenar estes 3,500.000 de judeus, mas sem dúvida seremos capazes de tomar medidas que levarão, de uma maneira ou outra, à sua aniquilação...


Sentenciar 1,200.000 judeus a morrer de fome é algo que só se notaria um pouco.

O discurso de Himmler em Posen de 4 de outubro de 1943 foi gravado em fita (Trial of the Major War Criminals, 1948, Vol. XXIX, p. 145):

Irei me referir agora à evacuação dos judeus, ao extermínio do povo judeu. Esta é uma das coisas que se dizem facilmente: "se está exterminando os judeus", dizem todos os membros do partido, "muito certo, é parte dos nossos planos, a eliminação dos judeus, seu extermínio, nós estamos fazendo".


O trabalho de extermínio foi inclusive mencionado em pelo menos um veredito oficial de um tribunal nazista. Em maio de 1943, um tribunal de Münich declarou em sua sentença contra o SS-Untersturmführer Max Taubner que:

Não se deveria castigar o acusado em razão das ações cometidas contra os
judeus como tais. Os judeus tem de ser exterminados e nenhum dos judeus mortos é uma grande perda. Embora o acusado deveria haver-se dado conta de que o
extermínio dos judeus é a missão dos Kommandos que se criaram especialmente para ele, se deveria desculpar que se considerara a si mesmo com a autoridade
necessária para tomar parte no extermínio.


E Hitler falou claramente dele em público em pelo menos três ocasiões. Em 30 de janeiro de 1939, sete meses antes da Alemanha invadir a Polônia, deu um discurso no Reichstag (transcrito da revista Skeptic, Vol. 2, No. 4, p. 50):

Hoje quero voltar a converter-me em profeta: se a judiaria internacional da
Europa e de fora dela tiverem êxito mais uma vez em sua intenção de levar as
nações a outra guerra mundial, a consequência não será a bolchevização da Tierra
e assim, a vitória dos judeus, e sim a aniquilação da raça judia na Europa.


Por certo, esta última frase, em alemão é "die Vernichtung der jüdischen Rasse in Europa". Aos que falam alemão se darão conta de que não é em absoluto ambígua.

Em setembro de 1942:

...se os judeus conspiram para provocar outra guerra mundial para exterminar os
arianos da Europa, não deverão ser os arianos os exterminados, e sim os
judíos...


Em 8 de novembro de 1942:


Relembrou da sessão do Reichstag em que declarou: si os judeus imaginam que
poderão provocar uma guerra mundial para exterminar as raças européias, o
resultado não será o extermínio das raças européias, e sim o extermínio dos
judeus da Europa. As pessoas sempre riram de mim quando profetizava. Daqueles
que riram então, um incontável número já não ri hoje, e os que ainda riem,
talvez rirão somente durante um pequeno tempo.


Existem muitos outros exemplos de documentos e testemunhos que poderiam ser apresentados.
Temos que ter em conta a resposta do IHR a “que provas existem?" A resposta é "nenhuma". Como demonstrado claramente, é fácil dizer que a resposta é uma fraude. E isto é a chave do que queremos expressar: a negação do Holocausto é uma fraude.

Seguiremos agora analisando o resto das afirmações, mais específicas, sobre as que se supõe que não hà provas.

A expressão "nenhuma montanha de cinzas" é contraditória com respeito a outros documentos do IHR. Em um artigo do boletim publicado pelo IHR, que também publica as 66 Perguntas e Respostas, o editor do boletim afirmou que uma comissão polonesa encontrou em 1946 uma cova com cinzas humanas no campo de extermínio de Treblinka com uma profundidade de seis metros. Podemos ler este artigo no website de Greg Raven.
(Ao que parece, alguns sobreviventes afirmam que os cadáveres não eram incinerados por completo. Devido ao que se mesclavam restos não incinerados com as cinzas, o editor sugeriu que os testemunhos eram falsos. Surpreendentemente, não se fez nenhum comentário sobre como estava ali uma cova de seis metros com cinzas humanas. Talvez considerou que não valia a pena ter isto em conta).

Também foram encontradas montanhas de cinzas em Maidanek. Em Auschwitz-Birkenau, jogaram as cinzas dos cadáveres nos rios e pântanos que rodeavam o campo, e jogaram gradativamente nos campos das fazendas vizinhas.

"Nenhum crematório" capaz de eliminar milhões de corpos? Totalmente falso, os crematorios eram mais que capazes de realizar o trabalho, de acordo com os relatórios internos dos próprios nazistas e com os testemunhos dos sobreviventes. Os negadores do Holocausto confundem deliberadamente, as pessoas falando dos crematórios atuais dos cemitérios em vez de falar dos enormes fornos industriais dos campos de extermínio. Este tema será discutido em detalhes nas perguntas e respostas 42 e 45.

"Nenhuma montanha de roupa"? Aparentemente, o IHR considera que as pilhas de roupa são uma "prova tangível"! Isto é estranho, porque no tentam negar a existência de outras pilhas encontradas nos campos nazistas: de óculos, de sapatos (em Auschwitz, Belzec, e Maidanek), de dentes de ouro, de cadáveres queimados, de próteses (see Swiebocka, Auschwitz: A History in Photographs, 1993, p. 210), de cabelos humanos (ibid, p. 211), de malas abertas e reviradas (ibid, p. 213), de escovas de cabelo (ibid, p. 215), de pentes (ibid), de cassarolas e frigieiras (ibid), e sim, inclusive pilhas de roupa (ibid, p. 214) que segundo o IHR não existem.

Talvez os leitores deste texto se deram conta de que era perigoso para eles admitir que estas pilhas eram provas tangíveis, porque então se veriam obrigados a admitir que outras coisas são "provas tangíveis". Talvez é por isso que os mesmos retiraram esta frase da edi’c~ao revisada das 66 Perguntas e Respostas do Holocausto.

Se não encontraram com freqüência objetos em quantidades massivas, é porque os nazistas distribuiam entre a população alemã. Foi encontrado um relatório sobre este assunto, revelando que inclusive distribuíram roupas íntimas femininas.

"Nenhum sabão com restos humanos"? Isto é certo, mas é uma meia verdade. Embora haja algumas provas da fabricação de sabão à partir de cadáveres em uma quantidade experimentale muito limitada, os boatos "produção em massa" nunca existiram, e não se sabe da existência de sabão feito de cadáveres humanos. Não obstante, existe o testemunho juramentado, nunca refutado, de prisioneiros de guerra britânicos e de um oficial do exército alemão, segundo o qual aconteceram experimentos, e os aliados capturaram a receita do sabão. Afirmar a secas que os nazistas não fizeram sabão de seres humanos não é correto.

"Nenhum abajur de pele humana"? Falso - foram utilizados como provas abajures de lâmpadas e outros "adornos" feitos com pele humana nos dois julgamentos de Ilse Koch, e foram mostrados a uma comissãode investigação do Senados dos Estados Unidos em fins dos anos '40. Sabemos que estes objetos foram feitos de pele humana porque levavam tatuagens, e porque foi realizada análise microscópica forense. (Nizkor está preparando uma página dedicada exclusivamente ao assunto.)


¿"Nenhum registro"? Isto é uma estupidez (temos que explicar que esta afirmação desapareceu das versões revisadas das 66 Perguntas e Respostas). Certamente, sempre se falou do extermínio por gás utilizando palavras em código, e não se registrava em nenhum livro as vítimas que chegavam aos campos de extermínio para serem gaseadas imediatamente. Mas existem vários deslizes no uso destas palavras em código que revelam seus verdadeiros significados, como já foi descrito. Existem inventários e pedidos do Krema que falam de objetos extranhos em um uso normal, mas não em um extermínio em massa por gaseamento. Existem registros de trens de deportação que, reunidos, falam claramente... Como demonstrado em alguns exemplos anteriormente.

"Nenhuma estatística demográfica credível"? Esta é a segunda contradição do IHR com seus próprios documentos. Ver as preguntas 2 e 15. O comitê anglo-americano que estudou o tema estimou o número de vítimas judias em 5,7 milhões, baseando-se em estatísticas de população.

Alemanha 195.000
Áustria 53.000
Tchecoslováquia 255.000
Dinamarca 1.500
França 140.000
Bélgica 57.000
Luxemburgo 3.000
Noruega 1.000
Holanda 120.000
Itália 20.000
Iugoslávia 64.000
Grécia 64.000
Bulgária 5.000
Romênia 530.000
Hungria 200.000
Polônia 3,271.000
URSS 1,050.000
Refugiados em diversos países. (308.000)

Total de judeus assassinados 5,721.500

(Esta estimativa foi realizada à partir de estatísticas de população, e não somando o número de vítimas em cada campo. Também estão disponíveis estes cálculos - por exemplo, um arquivo com a sentença de um tribunal alemão sobre o número de vítimas em Treblinka. As SS elaboraram registros mais precisos, e foram resgatados muitos documentos, apoiados por testemunhos e testemunhos oculares).

Algumas estimativas dão cifras mais baixas, outras dão cifras mais altas, mas é uma questão de cifras, não do feito. Em um artigo do jornal dos estudantes da CMU, é citado o chefe do Departamento de História da CMU, Peter Stearns, afirmando que documentos recentemente descobertos - especialmente na antiga União Soviética - indicam que o número de vítimas supera os seis milhões. Outros historiadores consideram que não supera os cinco milhões. A Encyclopedia of the Holocaust usa a cifra de 5,596.000 como mínimo e 5,860,000 como máximo (Gutman, 1990, p. 1799).

EM RESUMO:
Os “revisionistas” com freqüência afirmam corretamente que o peso das provas corresponde ao dos historiadores. As provas, por exemplo, têm sido PÚBLICAS desde finais de 1945, e podem ser lidas em bibliotecas do mundo inteiro. Estas provas foram analizadas muitíssimas vezes. Simplesmente estamos mostrando uma pequena parte de alguns dos pontos principais do imenso conjunto de provas, existem muito mais disponíveis.


O simples fato de pleitear que o Holocausto nunca ocorreu é um absurdo. Afirmar seriamente que não existe a mínima prova está mais além do absurdo, e é UM CLARO EXEMPLO DAS INTENÇÕES DISTORCIDAS DO “REVISIONISMO”.

sábado, 2 de fevereiro de 2008

66 Perguntas e Respostas sobre o Holocausto - Pergunta 44

44. Dado um ciclo de trabalho de 100% de todos os crematórios de todos os campos em território controlado por alemães, qual é o número máximo de cadáveres que foi possível incinerar durante todo o período em que os crematórios estiveram em funcionamento?

O IHR diz:

Uns 430.600.

Nizkor responde:

Esta enganosa cifra é o resultado de vários erros que vão se acumulando. Temos respondido aos erros sobre os tempos de inicineração de um cadáver e das necessidades de manutenção na resposta à pergunta 42. Foi respondido sobre os erros do número de cadáveres por bandeja do forno na resposta à pergunta 45.

Basear-se em números teóricos pode ser instrutivo, se um tem em conta que nunca se alcançou a capacidade teórica por diversas razões. Mas se trata-se de considerar quais poderiam ter sido os números teóricos, usando um ciclo hipotético de 100% e eliminando todo o tempo sem serviço por manutenção, as cifras se tambalean.

Não necesitamos falar de todos os campos nazis; consideremos simplesmente Auschwitz-Birkenau. Mais ainda que, consideremos só as duas instanções de cremação maiores (de um total de cinco). Esses dois únicos fornos, trabalhando em sua capacidade máxima as 24 horas do dia desde sua instanação em abril de 1943 até sua captura em novembro de 1944 poderiam ter incinerado aproximadamente 1,700.000 cadáveres.

Isto é aritmética simples baseada na capacidade estimada pelos próprios nazis. Ver uma fotografia do documento, ou Pressac, "Auschwitz: Technique and Operation", 1989, p. 247.

Tendo em conta que os nazis começaram a se dar conta mais adiante de que a capacidade teórica dos fornos não era real, e em finais de 1942 redujeron suas estimativas de 1440 por Krema e um dia para 800 (ver Gutman et al.,"Anatomy of the Auschwitz Death Camp", 1994, p. 212). Usando esta cifra mais realista, estes dois crematórios de Auschwitz tinham podido incinerar quase um milhão de cadáveres em seus 20 meses de trabalho.

Isto se corresponde com a realidade, dado que havia outros Kremas disponíveis para a incineração, e porque sabemos que com freqüência se saturavam os fornos pelo número de cadávares, tendo que queimar alguns em valas abertas. Ver pergunta 41. No total, matou-se e se incinerou em Auschwitz entre 1,100.000 e 1,500.000 de pessoas.

Fonte: Nizkor
Tradução: C. Roberto Lucena

terça-feira, 27 de março de 2012

Experimentos Médicos - Oberhauser e Schumann

Oberhauser

A Dra. Herta Oberhauser assassinava prisioneiros com injeções de óleo e outras substâncias, amputava-lhes extremidades ou lhes extraia órgãos vitais, ou lançava vidro moído e serragem em feridas. Recebeu uma condenação de vinte anos como criminosa de guerra, mas saiu da prisão em 1952 e obteve uma vaga de clínico geral em Stocksee, Alemanha. Sua licença para praticar medicina foi anulada em 1960. (Laska, Vera. ed. Women in the Resistance and in the Holocaust: The Voices of Eyewitnesses. CT: Greenwood Press, 1983, p. 223).

Schumann

Himmler, em uma carta ao Oberführer da SS, Brack, em 11 de agosto de 1942, manifestou seu interesse nos experimentos de esterelização realizados com raios-X (Verauschwitz sterilization). Em abril de 1944 recebeu um relatório sobre o trabalho do Dr. Horst Schumann "sobre a influência dos raios-X nas genitais humanas" em Auschwitz. O relatório incluia o seguinte parágrafo:

Previamente você pediu ao Oberführer Brack que leve a cabo este trabalho, e o apoiou proporcionando o material adequado no campo de concentração de Auschwitz. Destaco especialmente a segunda parte deste trabalho, que demonstra que por este sistema a castração de homens é quase impossível ou requer um esforço que não compensa. Visto isto, estou convencido de que a castração cirúrgica não necessita mais do que 6 ou 7 minutos, e portanto é mais confiável e rápida que a castração por raios-X.

Schumann montou uma estação de raios-X em Auschwitz em 1942, no campo de mulheres de Bla. Ali se esterilizou à força homens e mulheres lhes colocando repetidamente durante vários minutos entre duas máquinas de raios-X, apontando os raios para os órgãos sexuais. A maioria das vítimas morreram depois desses grandes sofrimentos, ou foram gaseadas imediatamente porque as queimaduras produzidas pela radiação fizeram com que não pudesem mais trabalhar. Os testículos dos homens eram extirpados e enviados a Breslau para realizar estudos histopatológicos.

As frequentes ovariectomias que eram feitas, foras realizadas pelo prisioneiro polonês, o Dr. Wladyslav Dering. Dering apostou uma vez com um homem da SS que era capaz de fazer dez ovariectomias em uma tarde, e ganhou a aposta. Algumas de suas vítimas sobreviveram. Dering foi declarado criminoso de guerra, mas esquivou-se da ação da justiça e praticou a medicina durante um tempo na Somalilândia Britânica. (Laska, Vera. ed. Women in the Resistance and in the Holocaust: The Voices of Eyewitnesses. CT: Greenwood Press, 1983, p. 223; Encyclopedia of the Holocaust, Vol. 3, p. 965).

Fonte: Site Nizkor; livro: Women in the Resistance and in the Holocaust: The Voices of Eyewitnesses; Autor: Vera Laska; Encyclopedia of the Holocaust, Vol. 3 (Editor: Israel Gutman)
http://www.nizkor.org/faqs/auschwitz/auschwitz-faq-17-sp.html#Oberhauser
http://www.jewishvirtuallibrary.org/jsource/Holocaust/auschwitz_faq_17.html
Tradução: Roberto Lucena

domingo, 3 de novembro de 2013

O julgamento dos médicos em Nuremberg

Os réus neste caso são acusados ​​de assassinatos, torturas e outras atrocidades cometidas em nome da ciência médica. As vítimas desses crimes são estimadas na ordem das centenas de milhares. Só um punhado ainda está vivo, alguns dos sobreviventes vão aparecer neste tribunal. Mas a maioria dessas vítimas miseráveis ​​foram abatidos em definitivo ou morreram no decorrer das torturas a que foram submetidos.

Para a maioria eles são mortos sem nome. Para seus assassinos, essas pessoas miseráveis ​​não eram considerados indivíduos. Eles vieram em lotes por atacado e foram tratados de forma pior que animais.*
Dessa forma o julgamento dos médicos começou. Este foi o início da declaração de abertura para a acusação, entregue pelo General de Brigada Telford Taylor em 9 de dezembro de 1946, que apresentou ao mundo as experiências terríveis e desnecessárias que foram realizadas por médicos nazistas. No julgamento estavam 22 homens e uma mulher acusados de participação nesses experimentos. A maioria eram médicos, apenas três não eram. Alguns haviam sido médicos eminentes, poucos eram produtos de sua geração. Como essas pessoas poderiam se voltar contra a humanidade?

Embora muitas vezes conhecido como o "Julgamento dos Médicos" e de "Caso Médico", o julgamento foi oficialmente designado de Estados Unidos da América vs. Karl Brandt. Realizado no Palácio da Justiça em Nuremberg, na Alemanha, o julgamento começou em 9 de Dezembro de 1946. Quatro juízes norte-americanos presidiram a sessão - Walter Beals, Johnson Crawford, Harold Sebring, e Victor Swearingen. O julgamento descreveu e documentou alguns dos experimentos médicos mais terríveis e dolorosos, incluindo os de tifo, água do mar, testes de alta altitude, o transplante de ossos, frio extremo, esterilização, balas envenenadas e a coleta de esqueletos.

Depois de ouvir 85 testemunhas e examinar 1.471 documentos que foram apresentados, o julgamento foi pronunciado em 19 de agosto de 1947, com a condenação seguindo no dia seguinte. Dos 23 acusados, sete foram condenados à morte por enforcamento (realizada na prisão de Landsberg), nove foram condenados à prisão e sete foram inocentados.

Réu
Hermann Becker-Freyseng
Wilhelm Beiglböck
Kurt Blome
Viktor Brack
Karl Brandt
Rudolf Brandt
Fritz Fischer
Karl Gebhardt
Karl Genzken
Siegfried Handloser
Waldemar Hoven
Joachim Mrugowsky
Herta Oberheuser
Adolf Pokorny
Helmut Poppendick
Hans Wolfgang Romberg
Gerhard Rose
Paul Rostock
Siegfried Ruff
Konrad Schäfer
Oskar Schröder
Wolfram Sievers
Georg August Weltz
Sentença
Prisão - 20 anos
Prisão - 15 anos
Inocentado
Morte - enforcamento
Morte - enforcamento
Morte - enforcamento
Prisão perpétua
Morte - enforcamento
Prisão perpétua
Prisão perpétua
Morte - enforcamento
Morte - enforcamento
Prisão - 20 anos
Inocentado
Prisão - 10 anos
Inocentado
Prisão perpétua
Inocentado
Inocentado
Inocentado
Prisão perpétua
Morte - enforcamento
Inocentado
Resultado final
Prisão - 10 anos
Prisão - 10 anos
Absolvido
Executado em 2 de junho, 1948
Executado em 2 de junho, 1948
Executado em 2 de junho, 1948
Prisão - 15 anos
Executado em 2 de junho, 1948
Prisão - 20 anos
Prisão - 20 anos
Executado em 2 de junho, 1948
Executado em 2 de junho, 1948
Solta em abril de 1952
Absolvido
Solto em 31 de janeiro, 1951
Absolvido
Prisão - 15 anos
Absolvido
-
Absolvido
Prisão - 15 anos
Executado em 2 de junho, 1948
-

* Declaração de abertura do julgamento pelo General de Brigada Telford Taylor como citado em George J. Annas e Michael A. Grodin, The Nazi Doctors and the Nuremberg Code [Os médicos nazistas e o Código de Nuremberg] (New York: Oxford University Press, 1992), página 67.

Todas as fotografias são cortesia do Museu Memorial do Holocausto dos EUA (Fotos de arquivo)

Fotografia da coleção de Hedy Epstein, cortesia dos Arquivos de foto do USHMM.
Descrição da foto: Médicos nazistas como réus no julgamento dos médicos (Caso #1 dos Processos Subsequentes de Nuremberg) estão sentados no local dos prisioneiros numa sessão do julgamento. (09 de dezembro de 1946 a 20 de agosto de 1947)


Bibliografia:

- Annas, George J. and Michael A. Grodin. The Nazi Doctors and the Nuremberg Code: Human Rights in Human Experimentation. New York: Oxford University Press, 1992.

- Gutman, Israel (ed.). Encyclopedia of the Holocaust. 4 Vols. New York: Simon and Schuster, 1995.

Fonte: Site about.com (20th Century History)
Título original: The Doctors' Trial
http://history1900s.about.com/library/holocaust/aa052998.htm
Tradução: Roberto Lucena

Observação: o comentário que estava aqui sobre cobaias de laboratório foi removido para este post
Sobre cobaias de laboratório e humanos, e o caldo da segunda guerra