da Folha Online
O preconceito contra judeus e muçulmanos cresceu na Europa nos últimos anos, revela um estudo americano divulgado nesta quinta-feira.
Segundo a sondagem, realizada na Alemanha, Espanha, França, Reino Unido, Polônia e Rússia pelo instituto Pew Research Center, o anti-semitismo aumentou em todos estes países, exceto no Reino Unido.
O crescimento foi "particularmente espetacular na Espanha, onde as opiniões desfavoráveis [aos judeus] dobraram nos últimos três anos, passando de 21% em 2005 para 46% este ano", destaca o Pew Research Center.
A pesquisa revela que mais de um terço dos poloneses e dos russos têm sentimentos anti-semitas, assim como 25% dos alemães e 20% dos franceses. Apenas no Reino Unido a rejeição se manteve estável, em 9%.
"Na Europa ocidental, as atitudes negativas em relação aos judeus são mais comuns entre os mais velhos e os menos educados", destaca a pesquisa.
Em relação aos muçulmanos, os sentimentos são ainda mais negativos, com opiniões desfavoráveis da metade dos alemães, quase a metade de poloneses e franceses, 33% dos russos e 25% dos britânicos.
Na Espanha e na Alemanha há uma redução deste sentimento negativo em relação aos muçulmanos a partir de 2006.
Enquanto 60% dos espanhóis tinham sentimentos contra os muçulmanos em 2006, este índice caiu a 52% este ano. Entre os alemães, a queda foi de 54% para 50%.
Fonte: Folha Online(19.09.2008)
http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u443510.shtml
sexta-feira, 19 de setembro de 2008
Anti-semitismo se difunde na Europa
Diz Frattini
ROMA, 17 SET (ANSA) - "Vi, infelizmente, um sentimento de anti-semitismo se difundir em muitos países europeus. Felizmente a Itália não é um deles, mas na Itália também existe o anti-semitismo", disse nesta quarta-feira o chanceler italiano, Franco Frattini, durante um encontro do Aspen Institute sobre o desenvolvimento das relações entre Itália, Europa e Israel.
Segundo Frattini, há a necessidade de avançar com os acordos entre União Européia e Israel. Além disso, o chanceler explicou, após um breve encontro com o ministro israelense para Assuntos Sociais, Isaac Herzog, que o governo italiano "defende que a segurança de Israel não poderá nunca ser negociada nem colocada em discussão". Na Europa houve e ainda há em parte "um difuso sentimento de anti-semitismo que infelizmente se confunde com a legítima crítica política", disse ainda o chanceler.
Frattini observou também que no recente passado houve uma "timidez política de alguns líderes europeus em reagir a alguns propósitos desconsiderados que chegaram até à negação do holocausto e proclamações públicas do fim do Estado de Israel do mapa".
Ainda segundo Frattini, felizmente "hoje a Europa entendeu melhor a necessidade de distinguir a desconfiança das críticas legítimas, tudo isso porque Israel, 60 anos depois, é uma aposta vencida. É um Estado prospero e livre e agora devemos trabalhar todos para que seja também um Estado seguro visto que a segurança é um direito e dever moral que deve ser aplicado sem precondições".(ANSA)
Fonte: ANSA(17.09.2008)
http://www.ansa.it/ansalatinabr/notizie/fdg/200809171400325087/200809171400325087.html
ROMA, 17 SET (ANSA) - "Vi, infelizmente, um sentimento de anti-semitismo se difundir em muitos países europeus. Felizmente a Itália não é um deles, mas na Itália também existe o anti-semitismo", disse nesta quarta-feira o chanceler italiano, Franco Frattini, durante um encontro do Aspen Institute sobre o desenvolvimento das relações entre Itália, Europa e Israel.
Segundo Frattini, há a necessidade de avançar com os acordos entre União Européia e Israel. Além disso, o chanceler explicou, após um breve encontro com o ministro israelense para Assuntos Sociais, Isaac Herzog, que o governo italiano "defende que a segurança de Israel não poderá nunca ser negociada nem colocada em discussão". Na Europa houve e ainda há em parte "um difuso sentimento de anti-semitismo que infelizmente se confunde com a legítima crítica política", disse ainda o chanceler.
Frattini observou também que no recente passado houve uma "timidez política de alguns líderes europeus em reagir a alguns propósitos desconsiderados que chegaram até à negação do holocausto e proclamações públicas do fim do Estado de Israel do mapa".
Ainda segundo Frattini, felizmente "hoje a Europa entendeu melhor a necessidade de distinguir a desconfiança das críticas legítimas, tudo isso porque Israel, 60 anos depois, é uma aposta vencida. É um Estado prospero e livre e agora devemos trabalhar todos para que seja também um Estado seguro visto que a segurança é um direito e dever moral que deve ser aplicado sem precondições".(ANSA)
Fonte: ANSA(17.09.2008)
http://www.ansa.it/ansalatinabr/notizie/fdg/200809171400325087/200809171400325087.html
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Museu do Holocausto lança canal no YouTube
Museu Yad Vashem divulga 144 vídeos sobre o massacre de seis milhões de judeus
O Museu do Holocausto Yad Vashem, em Jerusalém, lançou um canal no YouTube com 144 vídeos sobre o massacre de seis milhões de judeus pelos nazis, escreve a agência Lusa. O objectivo desta iniciativa é dar a conhecer as actividades do museu, difundir
testemunhos das vítimas do nazismo e divulgar as visitas de personalidades ao museu.
O canal foi lançado em vésperas do 1 de Maio, dia em que se presta homenagem às vítimas do Holocausto, em Israel, com várias cerimónias em memória dos seis milhões de judeus exterminados pelo regime nazi.
A instituição anunciou em comunicado que os vídeos, em inglês e em árabe, mostram histórias de interesse humano, imagens de arquivo e testemunhos de sobreviventes do Holocausto, e adiantou que, futuramente, vão ser incluídos outros idiomas.
«Por meio do encontro com os sobreviventes e os seus testemunhos, e observando os peritos mais destacados nesta matéria que dão resposta às perguntas mais difíceis, os internautas podem aceder a um nível superior de conhecimento deste período da História", afirmou o director do centro, Avner Shalev.
A entrega do Prémio Príncipe das Astúrias do ano passado, as visitas do Papa João Paulo II, do presidente norte-americano George W. Bush e do francês, Nicolas Sarkozy ao museu, são algumas das imagens difundidas através do YouTube.
O Museu Yad Vashem foi fundado em 1953 pelo estado de Israel em resultado de uma lei do Parlamento. O museu inclui vários monumentos, um museu histórico, um arquivo central e um centro de pesquisa e documentação do Holocausto. O objectivo do Yad Vashem é perpetuar a memória e as lições do Holocausto para as futuras gerações.
Fonte: Portugal Diário
http://diario.iol.pt/internacional/internet-youtube-holocausto-museu-video-jerusalem/946039-4073.html
Para se inscrever no canal do Yad Vashem no Youtube, link direto do canal:
http://www.youtube.com/user/YadVashem?ob=1
O Museu do Holocausto Yad Vashem, em Jerusalém, lançou um canal no YouTube com 144 vídeos sobre o massacre de seis milhões de judeus pelos nazis, escreve a agência Lusa. O objectivo desta iniciativa é dar a conhecer as actividades do museu, difundir
testemunhos das vítimas do nazismo e divulgar as visitas de personalidades ao museu.O canal foi lançado em vésperas do 1 de Maio, dia em que se presta homenagem às vítimas do Holocausto, em Israel, com várias cerimónias em memória dos seis milhões de judeus exterminados pelo regime nazi.
A instituição anunciou em comunicado que os vídeos, em inglês e em árabe, mostram histórias de interesse humano, imagens de arquivo e testemunhos de sobreviventes do Holocausto, e adiantou que, futuramente, vão ser incluídos outros idiomas.
«Por meio do encontro com os sobreviventes e os seus testemunhos, e observando os peritos mais destacados nesta matéria que dão resposta às perguntas mais difíceis, os internautas podem aceder a um nível superior de conhecimento deste período da História", afirmou o director do centro, Avner Shalev.
A entrega do Prémio Príncipe das Astúrias do ano passado, as visitas do Papa João Paulo II, do presidente norte-americano George W. Bush e do francês, Nicolas Sarkozy ao museu, são algumas das imagens difundidas através do YouTube.
O Museu Yad Vashem foi fundado em 1953 pelo estado de Israel em resultado de uma lei do Parlamento. O museu inclui vários monumentos, um museu histórico, um arquivo central e um centro de pesquisa e documentação do Holocausto. O objectivo do Yad Vashem é perpetuar a memória e as lições do Holocausto para as futuras gerações.
Fonte: Portugal Diário
http://diario.iol.pt/internacional/internet-youtube-holocausto-museu-video-jerusalem/946039-4073.html
Para se inscrever no canal do Yad Vashem no Youtube, link direto do canal:
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Museu do Holocausto de Jerusalém vence Prêmio Príncipe das Astúrias
Prêmio
O Yad Vashem, Museu do Holocausto de Jerusalém venceu o Prémio Príncipe das Astúrias da Concórdia 2007, deliberado por um júri que se reuniu na cidade espanhola de Oviedo.
A candidatura foi proposta à Fundação Príncipe das Astúrias pela chanceler alemã
Ângela Merkel.
Na acta da decisão, o júri considera o Museu uma "recordação viva de uma grande tragédia história" e destaca o seu "tenaz trabalho para promover, entre as actuais e futuras gerações, e com base nessa memória, a superação do ódio, do racismo e da intolerância".
A decisão do júri foi tomada depois de um "grande debate" que começou na terça-feira, com fontes da Fundação Príncipe das Astúrias a referirem que houve "muitas candidaturas fortes".
Considerada a instituição internacional de mais significado em memória dos seis milhões de judeus vítimas do Holocausto, o Museu assenta na defesa de preservação dos direitos humanos e do "respeito à vida", como explica a Fundação Príncipe das Astúrias.
O Yad Vashem, Autoridade Nacional para a Recordação dos Mártires e Heróis do Holocausto, mais conhecido como Museu do Holocausto de Jerusalém, é um complexo instalado na zona de Har Hazikarón, na parte oeste da cidade.
Iniciativa do parlamento israelita em 1953, o museu criou em 1963 o título de Justos entre as Nações, já conferido a mais de 22.000 pessoas de mais de 30 países, entre os quais Portugal, que arriscaram a vida para salvar judeus.
Contando com novas instalações desde 15 de Março de 2005, o complexo abrange mais de quatro mil metros quadrados, onde estão reunidos documentos, vídeos, fotografias e testemunhos de sobreviventes.
A biblioteca do complexo conta com mais de 100 mil títulos, terminando na Sala dos Nomes, em que estão depositados testemunhos e fotografias de milhões de vítimas do genocídio.
Este foi o oitavo e último prémio anual concedido pela Fundação sedeada em Oviedo, dotado, como os restantes com 50 mil euros, e uma escultura criada especialmente para o galardão por Joan Miro.
No ano passado o Prémio da Concórdia foi para a UNICEF.
Este ano foram já atribuídos os prémios de Ciências Sociais, ao sociólogo britânico Ralf Dahrendorf, de Cooperação Internacional (Al Gore), de Artes (Bob Dylan), de Investigação Científica e Técnica (Ginés Morata e Peter Lawrence), de Letras (Amos Oz), de Comunicação e Humanidades (revistas Nature" e "Science) e de Desporto (Michael Schumacher).
Fonte: LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.(Arquivo, Memória do Holocausto, 12-09-2007)
http://ww1.rtp.pt/homepage/
O Yad Vashem, Museu do Holocausto de Jerusalém venceu o Prémio Príncipe das Astúrias da Concórdia 2007, deliberado por um júri que se reuniu na cidade espanhola de Oviedo.
A candidatura foi proposta à Fundação Príncipe das Astúrias pela chanceler alemã
Ângela Merkel.Na acta da decisão, o júri considera o Museu uma "recordação viva de uma grande tragédia história" e destaca o seu "tenaz trabalho para promover, entre as actuais e futuras gerações, e com base nessa memória, a superação do ódio, do racismo e da intolerância".
A decisão do júri foi tomada depois de um "grande debate" que começou na terça-feira, com fontes da Fundação Príncipe das Astúrias a referirem que houve "muitas candidaturas fortes".
Considerada a instituição internacional de mais significado em memória dos seis milhões de judeus vítimas do Holocausto, o Museu assenta na defesa de preservação dos direitos humanos e do "respeito à vida", como explica a Fundação Príncipe das Astúrias.
O Yad Vashem, Autoridade Nacional para a Recordação dos Mártires e Heróis do Holocausto, mais conhecido como Museu do Holocausto de Jerusalém, é um complexo instalado na zona de Har Hazikarón, na parte oeste da cidade.
Iniciativa do parlamento israelita em 1953, o museu criou em 1963 o título de Justos entre as Nações, já conferido a mais de 22.000 pessoas de mais de 30 países, entre os quais Portugal, que arriscaram a vida para salvar judeus.
Contando com novas instalações desde 15 de Março de 2005, o complexo abrange mais de quatro mil metros quadrados, onde estão reunidos documentos, vídeos, fotografias e testemunhos de sobreviventes.
A biblioteca do complexo conta com mais de 100 mil títulos, terminando na Sala dos Nomes, em que estão depositados testemunhos e fotografias de milhões de vítimas do genocídio.
Este foi o oitavo e último prémio anual concedido pela Fundação sedeada em Oviedo, dotado, como os restantes com 50 mil euros, e uma escultura criada especialmente para o galardão por Joan Miro.
No ano passado o Prémio da Concórdia foi para a UNICEF.
Este ano foram já atribuídos os prémios de Ciências Sociais, ao sociólogo britânico Ralf Dahrendorf, de Cooperação Internacional (Al Gore), de Artes (Bob Dylan), de Investigação Científica e Técnica (Ginés Morata e Peter Lawrence), de Letras (Amos Oz), de Comunicação e Humanidades (revistas Nature" e "Science) e de Desporto (Michael Schumacher).
Fonte: LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.(Arquivo, Memória do Holocausto, 12-09-2007)
http://ww1.rtp.pt/homepage/
segunda-feira, 15 de setembro de 2008
Papa Bento XVI diz que nada justifica o anti-semitismo
Paris, 12 set (EFE).- O papa Bento XVI se reuniu hoje em Paris com representantes da comunidade judaica francesa, aos quais disse que a Igreja se opõe a qualquer forma de anti-semitismo - ideologia para a qual, segundo ele, não existe qualquer justificativa teológica aceitável.
O pontífice se reuniu com representantes da comunidade judaica na sede da Nunciatura (embaixada do Vaticano), local no qual está hospedado durante sua estada em Paris e o encontro contou com a presença do Grão Rabino da França, Joseph Sitruk, e de outras 18 pessoas.
O encontro, que contou com a presença do cardeal de Paris, Andre Vingt-Trois, aconteceu na guarda da realização semanal do sabá, o que foi ressaltado pelo papa, que defendeu o "fortalecimento" das relações com os judeus e um melhor conhecimento mútuo.
Bento XVI lembrou as palavras do papa Pio XI, que afirmou em 1938 que "espiritualmente todos são semitas" e que acrescentou que "novamente sente o dever de prestar homenagem a todos aqueles que morreram injustamente e a todos aqueles que trabalharam para que os nomes das vítimas sigam na lembrança e não sejam esquecidos". EFE jl/fal
Fonte: EFE
http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2008/09/12/papa_bento_xvi_diz_que_nada_justifica_o_anti_semitismo_1788923.html
O pontífice se reuniu com representantes da comunidade judaica na sede da Nunciatura (embaixada do Vaticano), local no qual está hospedado durante sua estada em Paris e o encontro contou com a presença do Grão Rabino da França, Joseph Sitruk, e de outras 18 pessoas.
O encontro, que contou com a presença do cardeal de Paris, Andre Vingt-Trois, aconteceu na guarda da realização semanal do sabá, o que foi ressaltado pelo papa, que defendeu o "fortalecimento" das relações com os judeus e um melhor conhecimento mútuo.
Bento XVI lembrou as palavras do papa Pio XI, que afirmou em 1938 que "espiritualmente todos são semitas" e que acrescentou que "novamente sente o dever de prestar homenagem a todos aqueles que morreram injustamente e a todos aqueles que trabalharam para que os nomes das vítimas sigam na lembrança e não sejam esquecidos". EFE jl/fal
Fonte: EFE
http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2008/09/12/papa_bento_xvi_diz_que_nada_justifica_o_anti_semitismo_1788923.html
Hitler cego, Stalin aleijado: Exposição apresenta obras de críticos ao nazismo na Alemanha
"Hitler cego, Stalin aleijado": fotomontagem política nos anos 30
(Foto)Fotomontagem de Marinus sobre pacto de não-agressão entre Hitler e Stalin
Museu Ludwig de Colônia expõe obras de John Heartfield, considerado pai da fotomontagem, e do dinamarquês Marinus, cuja identidade só foi revelada há poucos anos. Pela primeira vez, a obra de Marinus é vista na Alemanha.
(Foto)Capa de Heartfield para revista 'AIZ', 1935
Enquanto o trabalho do artista gráfico alemão John Heartfield já é, há muito, conhecido do grande público, a identidade do dinamarquês Jacob Kjeldgaard só foi descoberta nos anos 70, quando se encontrou parte de seu acervo por acaso, num mercado de pulgas parisiense.
Com a exposição sobre fotomontagem política do início do século 20 – Hitler cego, Stalin aleijado – o Museu Ludwig de Colônia presta agora homenagem aos dois artistas críticos do regime de Hitler e mostra, pela primeira vez na Alemanha, na íntegra, a obra ainda existente do dinamarquês Marinus.
Instrumento de agitação de massa
(Foto)Marinus, 1940: embaixador americano não levou Hitler a sério
No espírito dadaísta, o pintor George Grosz e o artista gráfico John Heartfield inventaram a técnica de fotomontagem num dia de maio de 1916. Segundo o próprio Grosz, os artistas alemães não imaginavam, na época, as possibilidades que a técnica desenvolvida para escapar da censura ofereceria.
Com o passar do tempo, sua instrumentalização para a agitação de massa foi uma das correntes seguidas pela técnica que até hoje perdura. Neste contexto, o berlinense John Heartfield, aliás, Helmut Herzfeld, foi um dos seus principais representantes. Em protesto contra o nacionalismo germânico, Herzfeld anglicizou seu nome durante a Primeira Guerra.
Durantes as décadas de 1920 e 1930, o trabalho do comunista Heartfield inspirou a obra crítica e satírica de outros artistas gráficos, entre eles, o dinamarquês Jacob Kjeldgaard, que sob o pseudônimo de Marinus desenvolveu mais de 250 fotomontagens para a revista francesa Marianne, entre 1932 e 1940.
Hitler como pintor de paredes, Stalin como Mona Lisa e Franco na corda bamba. Com agudez visionária, Marinus e Heartfield satirizaram os acontecimentos da época, as pretensões bélicas nazistas e a passividade das potências ocidentais perante os fatos que estavam a acontecer.
Confisco, superposição, fragmentação e alegoria
(Foto)Fotomontagem de Marinus repete motivo de Heartfield
Os dadaístas inventaram a poesia simultânea, estática e puramente fonética. A fotomontagem pode então ser compreendida como a representação pictórica de sua atitude poética. Embora o engajamento político tenha sido declarado culpado pelo fim da fotomontagem como forma de expressão artística, a fotomontagem política continua sendo um dos principais motivos de sua existência. Sua produção é caracterizada pelo confisco, superposição, fragmentação e pela alegoria.
Neste contexto, a fotomontagem que deu título a exposição Hitler cego, Stalin aleijado se aproveita de uma obra do escultor Jean Turcan para ilustrar a parábola do cego e do aleijado: "Se um cego guia outro cego, eles cairão num buraco. Se um aleijado quer ajudar outro aleijado, eles não irão a lugar nenhum. Mas se um cego carrega um aleijado, então eles vão para frente."
Na fotomontagem de 1940, Marinus mostrou um Stalin aleijado carregado por um Hitler cego e comentou, desta forma, o pacto de não-agressão assinado entre os dois ditadores. Em seus trabalhos, o perfeccionista Marinus fez referências constantes a conhecidas obras de arte: a ópera Tristão e Isolda de Richard Wagner, obras de Da Vinci, Breughel, Delacroix, Rodin e a filmes como Ben Hur.
Membro do Partido Comunista Alemão
(Foto)Capa de Heartfield para 'AIZ', 1935
Para exemplificar a influência que a obra de John Heartfield exerceu sobre a de Marinus, como também as semelhanças e diferenças temáticas dos trabalhos dos dois artistas, a segunda parte da exposição mostra diversas fotomontagens que Heartfield fez para a revista AIZ (Arbeiter Illustrierte Zeitung – Revista ilustrada do trabalhador).
A partir de 1930, Heartfield passou a trabalhar constantemente para a revista. Uma das mais famosas fotomontagens da época é "Milhões me apóiam" que mostra Hitler como marionete dos capitalistas industriais.
Heartfield tornou-se membro do Partido Comunista Alemão desde que este foi fundado, em 31 de dezembro de 1918. Trabalhou para a AIZ e também para a revista de Kurt Tucholsky, Deutschland, Deutschland über alles (Alemanha, Alemanha, acima de tudo).
Devido à perseguição nazista, exilou-se primeiramente na República Tcheca e, em 1938, fugiu para o Reino Unido. Em 1950, voltou à Alemanha, onde passou a viver na então República Democrática Alemã. Morreu em 1968, aos 76 anos de idade, na antiga Berlim Oriental.
Marinus e Heartfield
(Foto)Marinus, fotomontagem ’O espírito do mal’, Paris 1940
Principalmente nos trabalhos sobre o mesmo tema, a comparação entre Heartfield e Marinus torna-se interessante. Em Drahtseilakt (Na corda bamba), Heartfield mostra os protagonistas do Terceiro Reich Goebbels e Göring guiados por Hitler balançando na corda bamba, em frente a uma cortina com a suástica – ou seja, uma situação de perigo.
Embora Heartfield tenha feito grande exposição de sua obra em Paris, em 1935, não se pode provar que os dois artistas se conheceram pessoalmente. Sua obra influenciou certamente a de Marinus. Cinco anos mais tarde, por exemplo, Marinus tratou a mesma temática da "corda bamba".
Os mesmos atores estão, no entanto, sobre uma corda quase arrebentada. Após a invasão da Polônia, Marinus retratou a queda do regime nazista como inevitável. No mesmo ano, Hitler ocupou Paris e fechou todas as revistas de orientação de esquerda.
(Foto)Hitler deveria ter realizado sonho de pintor, fotomontagem de Marinus, 1939
Enquanto o trabalho de Heartfield é mais condensado simbolicamente, apelando para a alegoria e se aproximando da técnica do cartaz, as fotomontagens de Marinus são mais complexas e mais cheias de referências. Outra importante diferença foi o fato de o comunista Heartfield nunca ter criticado ou satirizado Stalin em suas fotomontagens.
Marinus, por seu lado, não poupou ninguém. O fato de sempre ter trabalhado sob pseudônimo o livrou de ser deportado para um campo de concentração. Esquecido e doente, ele morreu na capital francesa em 1964. Aos esforços do historiador dinamarquês Gunner Byskov, que a partir dos anos 90, passou a pesquisar sobre a vida de Marinus, deve-se também a atual exposição.
A mostra Hitler cego, Stalin aleijado – Marinus e Heartfield – Fotomontagem Política dos anos de 1930 estará aberta até 19 de outubro de 2008 no Museu Ludwig em Colônia.
Carlos Albuquerque
Fonte: Deutsche Welle (Alemanha)
http://www.dw-world.de/dw/article/0,,3591997,00.html
(Foto)Fotomontagem de Marinus sobre pacto de não-agressão entre Hitler e Stalin
Museu Ludwig de Colônia expõe obras de John Heartfield, considerado pai da fotomontagem, e do dinamarquês Marinus, cuja identidade só foi revelada há poucos anos. Pela primeira vez, a obra de Marinus é vista na Alemanha.
(Foto)Capa de Heartfield para revista 'AIZ', 1935
Enquanto o trabalho do artista gráfico alemão John Heartfield já é, há muito, conhecido do grande público, a identidade do dinamarquês Jacob Kjeldgaard só foi descoberta nos anos 70, quando se encontrou parte de seu acervo por acaso, num mercado de pulgas parisiense.
Com a exposição sobre fotomontagem política do início do século 20 – Hitler cego, Stalin aleijado – o Museu Ludwig de Colônia presta agora homenagem aos dois artistas críticos do regime de Hitler e mostra, pela primeira vez na Alemanha, na íntegra, a obra ainda existente do dinamarquês Marinus.
Instrumento de agitação de massa
(Foto)Marinus, 1940: embaixador americano não levou Hitler a sério
No espírito dadaísta, o pintor George Grosz e o artista gráfico John Heartfield inventaram a técnica de fotomontagem num dia de maio de 1916. Segundo o próprio Grosz, os artistas alemães não imaginavam, na época, as possibilidades que a técnica desenvolvida para escapar da censura ofereceria.
Com o passar do tempo, sua instrumentalização para a agitação de massa foi uma das correntes seguidas pela técnica que até hoje perdura. Neste contexto, o berlinense John Heartfield, aliás, Helmut Herzfeld, foi um dos seus principais representantes. Em protesto contra o nacionalismo germânico, Herzfeld anglicizou seu nome durante a Primeira Guerra.
Durantes as décadas de 1920 e 1930, o trabalho do comunista Heartfield inspirou a obra crítica e satírica de outros artistas gráficos, entre eles, o dinamarquês Jacob Kjeldgaard, que sob o pseudônimo de Marinus desenvolveu mais de 250 fotomontagens para a revista francesa Marianne, entre 1932 e 1940.
Hitler como pintor de paredes, Stalin como Mona Lisa e Franco na corda bamba. Com agudez visionária, Marinus e Heartfield satirizaram os acontecimentos da época, as pretensões bélicas nazistas e a passividade das potências ocidentais perante os fatos que estavam a acontecer.
Confisco, superposição, fragmentação e alegoria
(Foto)Fotomontagem de Marinus repete motivo de Heartfield
Os dadaístas inventaram a poesia simultânea, estática e puramente fonética. A fotomontagem pode então ser compreendida como a representação pictórica de sua atitude poética. Embora o engajamento político tenha sido declarado culpado pelo fim da fotomontagem como forma de expressão artística, a fotomontagem política continua sendo um dos principais motivos de sua existência. Sua produção é caracterizada pelo confisco, superposição, fragmentação e pela alegoria.
Neste contexto, a fotomontagem que deu título a exposição Hitler cego, Stalin aleijado se aproveita de uma obra do escultor Jean Turcan para ilustrar a parábola do cego e do aleijado: "Se um cego guia outro cego, eles cairão num buraco. Se um aleijado quer ajudar outro aleijado, eles não irão a lugar nenhum. Mas se um cego carrega um aleijado, então eles vão para frente."
Na fotomontagem de 1940, Marinus mostrou um Stalin aleijado carregado por um Hitler cego e comentou, desta forma, o pacto de não-agressão assinado entre os dois ditadores. Em seus trabalhos, o perfeccionista Marinus fez referências constantes a conhecidas obras de arte: a ópera Tristão e Isolda de Richard Wagner, obras de Da Vinci, Breughel, Delacroix, Rodin e a filmes como Ben Hur.
Membro do Partido Comunista Alemão
(Foto)Capa de Heartfield para 'AIZ', 1935
Para exemplificar a influência que a obra de John Heartfield exerceu sobre a de Marinus, como também as semelhanças e diferenças temáticas dos trabalhos dos dois artistas, a segunda parte da exposição mostra diversas fotomontagens que Heartfield fez para a revista AIZ (Arbeiter Illustrierte Zeitung – Revista ilustrada do trabalhador).
A partir de 1930, Heartfield passou a trabalhar constantemente para a revista. Uma das mais famosas fotomontagens da época é "Milhões me apóiam" que mostra Hitler como marionete dos capitalistas industriais.
Heartfield tornou-se membro do Partido Comunista Alemão desde que este foi fundado, em 31 de dezembro de 1918. Trabalhou para a AIZ e também para a revista de Kurt Tucholsky, Deutschland, Deutschland über alles (Alemanha, Alemanha, acima de tudo).
Devido à perseguição nazista, exilou-se primeiramente na República Tcheca e, em 1938, fugiu para o Reino Unido. Em 1950, voltou à Alemanha, onde passou a viver na então República Democrática Alemã. Morreu em 1968, aos 76 anos de idade, na antiga Berlim Oriental.
Marinus e Heartfield
(Foto)Marinus, fotomontagem ’O espírito do mal’, Paris 1940
Principalmente nos trabalhos sobre o mesmo tema, a comparação entre Heartfield e Marinus torna-se interessante. Em Drahtseilakt (Na corda bamba), Heartfield mostra os protagonistas do Terceiro Reich Goebbels e Göring guiados por Hitler balançando na corda bamba, em frente a uma cortina com a suástica – ou seja, uma situação de perigo.
Embora Heartfield tenha feito grande exposição de sua obra em Paris, em 1935, não se pode provar que os dois artistas se conheceram pessoalmente. Sua obra influenciou certamente a de Marinus. Cinco anos mais tarde, por exemplo, Marinus tratou a mesma temática da "corda bamba".
Os mesmos atores estão, no entanto, sobre uma corda quase arrebentada. Após a invasão da Polônia, Marinus retratou a queda do regime nazista como inevitável. No mesmo ano, Hitler ocupou Paris e fechou todas as revistas de orientação de esquerda.
(Foto)Hitler deveria ter realizado sonho de pintor, fotomontagem de Marinus, 1939
Enquanto o trabalho de Heartfield é mais condensado simbolicamente, apelando para a alegoria e se aproximando da técnica do cartaz, as fotomontagens de Marinus são mais complexas e mais cheias de referências. Outra importante diferença foi o fato de o comunista Heartfield nunca ter criticado ou satirizado Stalin em suas fotomontagens.
Marinus, por seu lado, não poupou ninguém. O fato de sempre ter trabalhado sob pseudônimo o livrou de ser deportado para um campo de concentração. Esquecido e doente, ele morreu na capital francesa em 1964. Aos esforços do historiador dinamarquês Gunner Byskov, que a partir dos anos 90, passou a pesquisar sobre a vida de Marinus, deve-se também a atual exposição.
A mostra Hitler cego, Stalin aleijado – Marinus e Heartfield – Fotomontagem Política dos anos de 1930 estará aberta até 19 de outubro de 2008 no Museu Ludwig em Colônia.
Carlos Albuquerque
Fonte: Deutsche Welle (Alemanha)
http://www.dw-world.de/dw/article/0,,3591997,00.html
terça-feira, 9 de setembro de 2008
Testemunho de Rudolf Hoess em Nuremberg 15-Abr-1946 (Parte 1)
Traduzido por Leo Gott à partir do link:
http://www.yale.edu/lawweb/avalon/imt/proc/04-15-46.htm
Dr.Kauffmann era o Advogado de Defesa do acusado Ernst Kaltenbrunner. Hoess foi ao Tribunal como Testemunha de Defesa de Kaltenbrunner.
DR.KAUFFMANN: De acordo com o Tribunal, eu chamo agora a Testemunha Hoess.
PRESIDENTE: De pé. Você pode dizer seu nome?
RUDOLF HOESS: Rudolf Franz Ferdinand Hoess
PRESIDENTE: Repita este juramento depois de mim: Eu juro por Deus Todo-Poderoso e Onisciente que irei falar a mais pura verdade, sem ocultar ou adicionar nada.
[A Testemunha repetiu o juramento em alemão]

PRESIDENTE: Quer se sentar?
PRESIDENTE: De pé. Você pode dizer seu nome?
RUDOLF HOESS: Rudolf Franz Ferdinand Hoess
PRESIDENTE: Repita este juramento depois de mim: Eu juro por Deus Todo-Poderoso e Onisciente que irei falar a mais pura verdade, sem ocultar ou adicionar nada.
[A Testemunha repetiu o juramento em alemão]

PRESIDENTE: Quer se sentar?
DR.KAUFFMANN: Testemunha, suas declarações serão de grande significância. Talvez você seja o único que possa lançar uma luz sobre determinados aspectos ocultos, e poderemos dizer que são as pessoas que deram a ordem para a destruição dos judeus europeus, e possa ainda indicar o modo como foi feito este fim, e o grau de segredo para esta execução.
PRESIDENTE: Dr. Kauffmann, por gentileza faça perguntas à testemunha.
PRESIDENTE: Dr. Kauffmann, por gentileza faça perguntas à testemunha.
DR.KAUFFMANN: Sim. [voltando à testemunha] De 1940 à 1943 o senhor foi Comandante do campo de Auschwitz. É verdade?
HOESS: Sim.
HOESS: Sim.
DR.KAUFFMANN: E durante esse tempo centenas de milhares de pessoas foram enviadas para a morte lá. Isso está correto?
HOESS: Sim.
HOESS: Sim.
DR.KAUFFMANN: É verdade que você, você mesmo, não anotou sobre o número exato de vítimas, porque isto lhe foi proibido de fazer?
HOESS: Sim. Isso está correto.
HOESS: Sim. Isso está correto.
DR.KAUFFMANN: Além do mais é correto dizer que exclusivamente um homem de nome Eichmann tinha notas sobre isso, e este homem tinha as funções de organizar e se reunir com essas pessoas?
HOESS: Sim.
HOESS: Sim.
DR.KAUFFMANN: É verdade que Eichmann afirmou que mais de 2 milhões de judeus haviam sido destruídos em Auschwitz?
HOESS: Sim
HOESS: Sim
DR.KAUFFMANN: Homens, mulheres e crianças?
HOESS: Sim.
HOESS: Sim.
DR.KAUFFMANN: Você foi participante da Guerra Mundial?
HOESS: Sim.
HOESS: Sim.
DR.KAUFFMANN: E em 1922 você entrou para o Partido?
HOESS: Sim.
HOESS: Sim.
DR.KAUFFMANN: Você foi um membro da SS?
HOESS: Desde 1934.
HOESS: Desde 1934.
DR.KAUFFMANN: É verdade que você, no ano de 1924, foi condenado a um longo período de trabalhos forçados por ter participado dos chamados assassinatos políticos.
HOESS: Sim.
HOESS: Sim.
DR.KAUFFMANN: E no fim de 1934 você foi para o Campo de Concentração de Dachau?
HOESS: Sim.
HOESS: Sim.
DR.KAUFFMANN: Qual a tarefa que você recebeu?
HOESS: No início, eu era líder de um bloco de prisioneiros, depois me tornei escriturário, e finalmente administrador da propriedade e dos prisioneiros.
HOESS: No início, eu era líder de um bloco de prisioneiros, depois me tornei escriturário, e finalmente administrador da propriedade e dos prisioneiros.
DR.KAUFMANN: E quanto tempo você ficou lá?
HOESS: Até 1938.
HOESS: Até 1938.
DR.KAUFFMANN: À partir de 1938 você trabalhou onde e o que fez?
HOESS: Em 1938 eu fui para o campo de concentração de Sachsenhausen, onde no início eu fui Ajudante do Comandante, depois me tornei Chefe de proteção da guarda do campo.
HOESS: Em 1938 eu fui para o campo de concentração de Sachsenhausen, onde no início eu fui Ajudante do Comandante, depois me tornei Chefe de proteção da guarda do campo.
DR.KAUFFMANN: Quando você foi comandante de Auschwitz?
HOESS: Eu fui comandante de Auschwitz de Maio de 1940 à Dezembro de 1943.
HOESS: Eu fui comandante de Auschwitz de Maio de 1940 à Dezembro de 1943.
DR.KAUFFMANN: Qual foi o maior número de pessoas, presos que teve em algum momento em Auschwitz?
HOESS: O maior número de internos que estiveram em Auschwitz de uma vez foi em torno de 140.000 homens e mulheres.
DR.KAUFFMANN: É verdade que em 1941 foi ordenado a você ir a Berlim para ver Himmler? Por favor, cite resumidamente o que foi discutido.
HOESS: Sim. No verão de 1941 fui convocado para ir a Berlim receber ordens pessoais do Reichsführer SS Himmler. Ele me disse alguma coisa que não me lembro exatamente as palavras, que o Fuhrer tinha dado a ordem para a solução final da questão judaica. Nós SS, deveríamos levar esta ordem adiante. Se não fosse realizado agora, mais tarde os judeus iriam destruir o povo alemão. Ele tinha escolhido Auschwitz por causa do fácil acesso por via férrea, e também por causa do amplo espaço do lugar que asseguravam o isolamento.
HOESS: Sim. No verão de 1941 fui convocado para ir a Berlim receber ordens pessoais do Reichsführer SS Himmler. Ele me disse alguma coisa que não me lembro exatamente as palavras, que o Fuhrer tinha dado a ordem para a solução final da questão judaica. Nós SS, deveríamos levar esta ordem adiante. Se não fosse realizado agora, mais tarde os judeus iriam destruir o povo alemão. Ele tinha escolhido Auschwitz por causa do fácil acesso por via férrea, e também por causa do amplo espaço do lugar que asseguravam o isolamento.
DR.KAUFFMANN: Durante esta conferência com Himmler, ele disse que o planejamento desta ação deveria ser tratado como assunto secreto do Reich?
HOESS: Sim. Ele salientou este ponto. Ele me disse que não era permitido eu dizer sobre este assunto até mesmo para o meu superior hierárquico Gruppenfuehrer Glucks. Essa conferência foi tratada somente com nós dois e eu observei o mais estrito sigilo.
HOESS: Sim. Ele salientou este ponto. Ele me disse que não era permitido eu dizer sobre este assunto até mesmo para o meu superior hierárquico Gruppenfuehrer Glucks. Essa conferência foi tratada somente com nós dois e eu observei o mais estrito sigilo.
DR.KAUFFMANN: Qual era a posição de Glucks para ele não ter sido mencionado?
HOESS: O Gruppenfuehrer Glucks, era assim por dizer, o inspetor dos campos, a partir dali ele era imediatamente subordinado do Reichsfuehrer.
HOESS: O Gruppenfuehrer Glucks, era assim por dizer, o inspetor dos campos, a partir dali ele era imediatamente subordinado do Reichsfuehrer.
DR.KAUFFMANN: Será que a expressão “assunto secreto do Reich” significa que ninguém estaria autorizado a fazer uma pequena alusão às pessoas de fora, sem por em risco sua própria vida?
HOESS: Sim, “assunto secreto do Reich” significava que ninguém estava autorizado a falar desse assunto com qualquer pessoa, e cada um prometia com sua própria vida a manter sigilo.
HOESS: Sim, “assunto secreto do Reich” significava que ninguém estava autorizado a falar desse assunto com qualquer pessoa, e cada um prometia com sua própria vida a manter sigilo.
DR.KAUFFMANN: Você sabe se esta promessa foi quebrada?
HOESS: Não, não até o fim de 1942.
HOESS: Não, não até o fim de 1942.
DR.KAUFFMANN: Porque você mencionou esta data? Você falou com pessoas de fora depois desta data?
HOESS: No final de 1942 a curiosidade da minha esposa foi despertada pelas observações feitas pelo então Gauleiter da Alta Silésia, quanto aos acontecimentos no meu campo. Ela me perguntou se era verdade e eu admiti que era. Essa foi a única violação da minha promessa que fiz ao Reichsfuehrer. Fora isso, não falei com mais ninguém.
HOESS: No final de 1942 a curiosidade da minha esposa foi despertada pelas observações feitas pelo então Gauleiter da Alta Silésia, quanto aos acontecimentos no meu campo. Ela me perguntou se era verdade e eu admiti que era. Essa foi a única violação da minha promessa que fiz ao Reichsfuehrer. Fora isso, não falei com mais ninguém.
DR.KAUFFMANN: Quando você se encontrou com Eichmann?
HOESS: Eu me encontrei com Eichmann 4 semanas depois de receber as ordens do Reichsfuhrer. Ele chegou a Auschwitz para discutir comigo o cumprimento das ordens. Como o Reichsfuehrer me disse durante a nossa conversa, ele tinha instruído Eichmann a discutir o cumprimento das ordens e eu iria receber todas as novas ordens dele.
HOESS: Eu me encontrei com Eichmann 4 semanas depois de receber as ordens do Reichsfuhrer. Ele chegou a Auschwitz para discutir comigo o cumprimento das ordens. Como o Reichsfuehrer me disse durante a nossa conversa, ele tinha instruído Eichmann a discutir o cumprimento das ordens e eu iria receber todas as novas ordens dele.
DR.KAUFFMANN: Você irá me dizer brevemente se o campo de Auschwitz estava completamente isolado, descrevendo as medidas tomadas para assegurar, na medida do possível, o segredo da realização da tarefa atribuída a você.
HOESS: O campo de Auschwitz estava a cerca de 3km de distância da cidade. Cerca de 20.000 acres ao redor da região estava limpa de todos os antigos habitantes, em toda a área só poderia entrar homens da SS e trabalhadores civis que tinham passes especiais. O campo atual chamado “Birkenau”, onde mais tarde foram construídos os campos de extermínio, estava situado a 2km do campo de Auschwitz. As próprias instalações do campo, ou seja, as instalações provisórias que foram usadas primeiro, se adentravam para dentro da floresta e não poderiam ser detectada por olhos. Além disso, essa área foi declarada como área proibida até mesmo para os membros da SS, quem não tinha passe especial não poderiam entrar. Assim posso julgar que, era impossível para qualquer pessoa, exceto para as pessoas autorizadas a entrar nessa área.
HOESS: O campo de Auschwitz estava a cerca de 3km de distância da cidade. Cerca de 20.000 acres ao redor da região estava limpa de todos os antigos habitantes, em toda a área só poderia entrar homens da SS e trabalhadores civis que tinham passes especiais. O campo atual chamado “Birkenau”, onde mais tarde foram construídos os campos de extermínio, estava situado a 2km do campo de Auschwitz. As próprias instalações do campo, ou seja, as instalações provisórias que foram usadas primeiro, se adentravam para dentro da floresta e não poderiam ser detectada por olhos. Além disso, essa área foi declarada como área proibida até mesmo para os membros da SS, quem não tinha passe especial não poderiam entrar. Assim posso julgar que, era impossível para qualquer pessoa, exceto para as pessoas autorizadas a entrar nessa área.
DR.KAUFFMANN: E depois quando o transporte ferroviário chegou? Durante o período dos transportes, que chegavam muitas pessoas, em linhas gerais, era desse tal transporte?
HOESS: Durante todo o período até 1944 determinadas operações foram realizadas em intervalos irregulares em diversos países, de modo que não pode se falar de um fluxo contínuo de chegada de transporte. Foi sempre uma questão de 4 a 6 semanas. Durante essas 4 ou 6 semanas 2 ou 3 trens chegavam, cada um com cerca de 2.000 pessoas em cada, chegava diariamente. Os guardas que acompanhavam os transportes deixavam a área de uma vez e as pessoas que eram levadas para lá eram escoltadas por guardas do campo. Eles eram examinados por 2 oficiais médicos da SS para a aptidão ao trabalho. Os internos que eram considerados aptos para o trabalho marchavam para Auschwitz ou para o campo de Birkenau e os que eram inaptos para o trabalho eram levados primeiro para as instalações provisórias e mais tarde, para os recém-construídos crematórios.
HOESS: Durante todo o período até 1944 determinadas operações foram realizadas em intervalos irregulares em diversos países, de modo que não pode se falar de um fluxo contínuo de chegada de transporte. Foi sempre uma questão de 4 a 6 semanas. Durante essas 4 ou 6 semanas 2 ou 3 trens chegavam, cada um com cerca de 2.000 pessoas em cada, chegava diariamente. Os guardas que acompanhavam os transportes deixavam a área de uma vez e as pessoas que eram levadas para lá eram escoltadas por guardas do campo. Eles eram examinados por 2 oficiais médicos da SS para a aptidão ao trabalho. Os internos que eram considerados aptos para o trabalho marchavam para Auschwitz ou para o campo de Birkenau e os que eram inaptos para o trabalho eram levados primeiro para as instalações provisórias e mais tarde, para os recém-construídos crematórios.
DR.KAUFFMANN: Durante um interrogatório que tive com você no outro dia você me disse que cerca de 60 homens foram designados para receber esses transportes, e que estas 60 pessoas, também, teriam sido obrigadas a manter o mesmo sigilo descrito anteriormente. Você ainda mantém isso hoje?
HOESS: Sim, esses 60 homens sempre estavam prontos para assumir os internos não capazes de trabalhar para essas instalações provisórias e, mais tarde, para os outros. Este grupo consistia de cerca de 10 líderes e sub-líderes, bem como médicos e pessoal médico, tinham sido repetidamente dito, tanto por escrito e verbalmente, de que eles eram obrigados ao mais estrito sigilo quanto a todos os que passaram nos campos.
HOESS: Sim, esses 60 homens sempre estavam prontos para assumir os internos não capazes de trabalhar para essas instalações provisórias e, mais tarde, para os outros. Este grupo consistia de cerca de 10 líderes e sub-líderes, bem como médicos e pessoal médico, tinham sido repetidamente dito, tanto por escrito e verbalmente, de que eles eram obrigados ao mais estrito sigilo quanto a todos os que passaram nos campos.
DR.KAUFFMANN: Havia qualquer sinal que poderia mostrar a uma pessoa de fora que viu estas transportes chegarem, de que eles seriam destruídos ou que a possibilidade era tão pequena, pois em Auschwitz foi um número invulgarmente elevado de transportes, as remessas de mercadorias e assim por diante?
HOESS: Sim, um observador que não fez notas especiais não poderia obter nenhuma idéia sobre isso porque começava a chegar não só transportes para os quais foram destinados a ser destruídos, mas também outros transportes chegavam de forma contínua, contendo novos internos que eram necessários, no campo. Além disso, transportes também deixavam o campo em um número suficientemente elevado com internos aptos para o trabalho ou em troca de prisioneiros. Os trens eram fechados, ou seja, as portas dos transportes foram fechadas de forma a que não era possível, a partir do exterior, obter um vislumbre das pessoas no interior. Além de que até 100 veículos com materiais, rações, etc, davam entrada no campo ou constantemente deixavam as oficinas do campo militar que estava sendo feito.
HOESS: Sim, um observador que não fez notas especiais não poderia obter nenhuma idéia sobre isso porque começava a chegar não só transportes para os quais foram destinados a ser destruídos, mas também outros transportes chegavam de forma contínua, contendo novos internos que eram necessários, no campo. Além disso, transportes também deixavam o campo em um número suficientemente elevado com internos aptos para o trabalho ou em troca de prisioneiros. Os trens eram fechados, ou seja, as portas dos transportes foram fechadas de forma a que não era possível, a partir do exterior, obter um vislumbre das pessoas no interior. Além de que até 100 veículos com materiais, rações, etc, davam entrada no campo ou constantemente deixavam as oficinas do campo militar que estava sendo feito.
DR.KAUFFMANN: E após a chegada dos transportes as vítimas eram destituídas de tudo que tinham? Eles tinham que despir-se totalmente e entregar todos os seus objetos de valor? Insto é verdade?
HOESS: Sim.
HOESS: Sim.
DR.KAUFFMANN: Então eles eram enviados diretamente para a morte?
HOESS: Sim.
HOESS: Sim.
DR.KAUFFMANN: Eu te pergunto, de acordo com seus conhecimentos, essas pessoas sabiam que estavam guardando para elas?
HOESS: A maioria delas não, foram tomadas medidas para que elas ficassem na dúvida e que não suspeitassem que estavam se dirigindo para a morte. Por exemplo, todas as portas e muros tinham a inscrições no sentido de que eles estavam indo para o “despiolhamento” ou para tomar uma ducha. Isto era divulgado em vários idiomas para os internos e pelos outros internos que chegavam com a informação que vinha da tripulação dos transportes.
HOESS: A maioria delas não, foram tomadas medidas para que elas ficassem na dúvida e que não suspeitassem que estavam se dirigindo para a morte. Por exemplo, todas as portas e muros tinham a inscrições no sentido de que eles estavam indo para o “despiolhamento” ou para tomar uma ducha. Isto era divulgado em vários idiomas para os internos e pelos outros internos que chegavam com a informação que vinha da tripulação dos transportes.
DR.KAUFFMANN: E então, você me disse outro dia, que a morte por gaseamento acontecia entre 3 e 15 minutos. É correto isso?
HOESS: Sim.
HOESS: Sim.
DR.KAUFFMANN: Você também me disse que antes da morte as pessoas caíam em estado de inconsciência?
HOESS: Sim. De onde eu fui capaz de descobrir e de onde os oficiais médicos me diziam, o tempo necessário para se chegar à inconsciência variava de acordo com a temperatura e com a quantidade de pessoas nas câmaras. A perda de consciência aconteceia em alguns minutos ou segundos.
HOESS: Sim. De onde eu fui capaz de descobrir e de onde os oficiais médicos me diziam, o tempo necessário para se chegar à inconsciência variava de acordo com a temperatura e com a quantidade de pessoas nas câmaras. A perda de consciência aconteceia em alguns minutos ou segundos.
DR.KAUFFMANN: Você alguma vez sentiu piedade para com suas vítimas, pensando em sua família e crianças?
HOESS: Sim.
HOESS: Sim.
DR.KAUFFMANN: Como foi possível para você levar a cabo estas ações apesar disto?
HOESS: Tendo em conta todas estas dúvidas que eu tinha, o único e decisivo argumento foi a ordem estrita ordem e a razão dada por ele para o Reichsfuehrer Himmler.
HOESS: Tendo em conta todas estas dúvidas que eu tinha, o único e decisivo argumento foi a ordem estrita ordem e a razão dada por ele para o Reichsfuehrer Himmler.
DR.KAUFFMANN: Pergunto-lhe se Himmler inspecionou o campo e convenceu-se de si próprio, também, do processo de extermínio?
HOESS: Sim, Himmler visitou o campo em 1942 e viu em detalhes o processo do início ao fim.
HOESS: Sim, Himmler visitou o campo em 1942 e viu em detalhes o processo do início ao fim.
DR.KAUFFMANN: O mesmo se aplica a Eichmann?
HOESS: Eichmann foi repetidas vezes a Auschwitz e intimamente familiarizou-se com o processo.
HOESS: Eichmann foi repetidas vezes a Auschwitz e intimamente familiarizou-se com o processo.
DR.KAUFFMANN: O acusado Kaltenbrunner esteve no campo alguma vez?
HOESS: Não.
HOESS: Não.
DR.KAUFFMANN: Você falou a Kaltenbrunner alguma vez sobre a sua tarefa?
HOESS: Não, nunca. Eu estive com o Obergruppenfuehrer Kaltenbrunner uma única vez.
HOESS: Não, nunca. Eu estive com o Obergruppenfuehrer Kaltenbrunner uma única vez.
DR.KAUFFMANN: E foi quando?
HOESS: Foi um dia após o seu aniversário no ano de 1944.
HOESS: Foi um dia após o seu aniversário no ano de 1944.
DR.KAUFFMANN: Qual a posição que você tinha no ano de 1944?
HOESS: No ano de 1944 eu era o Chefe do Departamento E1 do Escritório Central de Administração Econômica em Berlim. Meu escritório era responsável por inspecionar o campo de Oranienburg.
HOESS: No ano de 1944 eu era o Chefe do Departamento E1 do Escritório Central de Administração Econômica em Berlim. Meu escritório era responsável por inspecionar o campo de Oranienburg.
DR.KAUFFMANN: E qual foi o tema da conferência que você se referiu?
HOESS: Referia-se sobre um relatório do campo de Mauthausen, também chamado de sem nome, sobre o envolvimento de internos na indústria de armas. A decisão para este assunto seria tomada pelo Obergruppenfuehrer Kaltenbrunner. Por isso eu levei até ele o relatório do comandante de Mauthausen, mas ele não tomou nenhuma decisão, disse-me que faria isso depois.
HOESS: Referia-se sobre um relatório do campo de Mauthausen, também chamado de sem nome, sobre o envolvimento de internos na indústria de armas. A decisão para este assunto seria tomada pelo Obergruppenfuehrer Kaltenbrunner. Por isso eu levei até ele o relatório do comandante de Mauthausen, mas ele não tomou nenhuma decisão, disse-me que faria isso depois.
DR.KAUFFMANN: No que se refere à localização de Mauthausen, por favor me diga, onde o distrito de Mauthausen se localiza? Na Alta Silésia ou no Governo Geral?
HOESS: Mauthausen...
HOESS: Mauthausen...
DR.KAUFFMANN: Auschwitz, peço perdão, cometi um erro. Quero dizer Auschwitz.
HOESS: Auschwitz está situado na Polônia, após 1939 foi incorporada à província da Alta Silésia.
HOESS: Auschwitz está situado na Polônia, após 1939 foi incorporada à província da Alta Silésia.
DR.KAUFFMANN: É correto eu assumir que a alimentação e a administração dos campos de concentração eram de responsabilidade do Escritório Central de Administração Econômica?
HOESS: Sim.
HOESS: Sim.
DR.KAUFFMANN: Era um departamento que era completamente separado do RSHA?
HOESS: Está correto.
HOESS: Está correto.
DR.KAUFFMANN: E de 1943 até o fim da guerra, você era um dos Inspetores-Chefes do Escritório Central de Eonomia e Administração?
HOESS: Sim, disse corretamente.
HOESS: Sim, disse corretamente.
DR.KAUFFMANN: Quer dizer que você era particularmente bem informado de tudo que acontecia nos campos de concentração relativamente ao tratamento e métodos aplicados?
HOESS: Sim
HOESS: Sim
sábado, 6 de setembro de 2008
Curso sobre Holocausto na USP
Estão abertas as inscrições para o mini-curso “O nazismo, os campos de concentração e as vítimas do Holocausto, 1933-1945″, que será realizado de 10 a 12 de setembro durante o Congresso da ANPUH. O Congresso ocorre de 8 a 12 de setembro de 2008 no Depto de História - FFLCH/USP (Cidade Universitária - Campus Butantã).
De 1933 a 1945, a política de Estado do nacional-socialista foi caracterizada pela arbitrariedade e desumanidade de suas ações, em especial, por perseguições sistemáticas, prisões, tortura, encarceramento em campos de concentração, trabalho forçado, e durante a guerra, assassinato em massa e o genocídio de judeus, ciganos e eslavos. Essa política seguia critérios estabelecidos pela doutrina racial e ideológica nazista, pela “expansão do espaço vital” e por interesses econômicos. Nesse contexto, os campos de concentração, onde pereceram cerca de 75 milhões de pessoas, representam um dos fundamentos constitutivos do sistema nazista.
O universo concentracionário abarcou diferentes tipos de campos ao longo do período nazista, por isso, falamos também em “universo concentracionário, que definimos a partir de três aspectos que entendemos como centrais: repressão política, assassinato em massa e brutal exploração de trabalho forçado de prisioneiros, incluindo o “extermínio pelo trabalho”. Segundo a historiografia européia e israelense, o complexo concentracionário é classificado de duas maneiras: 1) levando-se em contra exclusivamente os campos de concentração e extermínio, houve mais de 20 campos com mais de 1.200 campos menores, denominados de Außenkommandos; 2) levando-se em conta todo o complexo concentracionário, estima-se ter havido mais de 10 mil campos, contando aqui as prisões e campos de prisioneiros de guerra, os campos de trabalho forçado e os guetos.
A política nazista, fortemente anti-semita, vitimou inicialmente os opositores políticos alemães (em especial comunistas e social-democratas) e posteriormente também judeus, ciganos, negros, homossexuais, doentes físicos e mentais e testemunhas-de-jeová. As maiores vítimas foram os quase seis milhões de judeus assassinados durante o regime nazista, o que representava 66% da população judaica da Europa e um terço da população judaica mundial. Segundo o Tribunal de Nürenberg, 275 mil alemães considerados doentes incuráveis foram executados em centros de extermínio, algumas pesquisas recentes falam, no entanto, de 170 mil.
Também foram assassinados 500 mil ciganos, o que representava metade da população cigana da Europa do período. O regime nazista também assassinou 1,5 milhão de inimigos políticos, 3 milhões de prisioneiros de guerra, 20 milhões de russos (centenas desses incluídos na categoria de inimigos políticos e prisioneiros de guerra), 600 mil sérvios, 200 mil poloneses, 200 mil maçons, 5 mil testemunhas de Jeová. O número de vítimas negras e homossexuais é de difícil estimativa até hoje, mas algumas pesquisas falam em 15 mil homossexuais assassinados. É a partir da análise das vítimas do nazismo e do universo concentracionário que pretendemos analisar o regime nazista e o fenômeno do Holocausto a partir de fontes e da historiografia européias e israelense.
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Proponente:
Ania Cavalcante (doutoranda em História Econômica na USP, Professora e pesquisadora do módulo “Holocausto e Anti-semitismo” do Laboratório de Estudos sobre Intolerância da USP, estagiária do curso sobre Holocausto no Departamento de Literatura Hebraica da USP).
O conteúdo programático do curso é divido em três módulos centrais:
1) O universo concentracionário de 1933 a 1945: os tipos de campos de concentração.
2) Análise da maioria das vítimas do Holocausto e as motivações de sua perseguição: judeus, ciganos, eslavos, homossexuais, deficientes físicos e mentais.
3) Os campos de extermínio e os três genocídios perpetrados pelos nazistas e seus colaboradores: a “Solução Final da Questão Judaica”, “Solução Final da Questão Cigana” e o extermínio de eslavos.
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Mais Informações:
Fone/Fax da ANPUH: 11-3091-3047
E-mail: anpuh@usp.br
Clique AQUI para visitar o site do congresso.
Fonte: Pletz
De 1933 a 1945, a política de Estado do nacional-socialista foi caracterizada pela arbitrariedade e desumanidade de suas ações, em especial, por perseguições sistemáticas, prisões, tortura, encarceramento em campos de concentração, trabalho forçado, e durante a guerra, assassinato em massa e o genocídio de judeus, ciganos e eslavos. Essa política seguia critérios estabelecidos pela doutrina racial e ideológica nazista, pela “expansão do espaço vital” e por interesses econômicos. Nesse contexto, os campos de concentração, onde pereceram cerca de 75 milhões de pessoas, representam um dos fundamentos constitutivos do sistema nazista.
O universo concentracionário abarcou diferentes tipos de campos ao longo do período nazista, por isso, falamos também em “universo concentracionário, que definimos a partir de três aspectos que entendemos como centrais: repressão política, assassinato em massa e brutal exploração de trabalho forçado de prisioneiros, incluindo o “extermínio pelo trabalho”. Segundo a historiografia européia e israelense, o complexo concentracionário é classificado de duas maneiras: 1) levando-se em contra exclusivamente os campos de concentração e extermínio, houve mais de 20 campos com mais de 1.200 campos menores, denominados de Außenkommandos; 2) levando-se em conta todo o complexo concentracionário, estima-se ter havido mais de 10 mil campos, contando aqui as prisões e campos de prisioneiros de guerra, os campos de trabalho forçado e os guetos.
A política nazista, fortemente anti-semita, vitimou inicialmente os opositores políticos alemães (em especial comunistas e social-democratas) e posteriormente também judeus, ciganos, negros, homossexuais, doentes físicos e mentais e testemunhas-de-jeová. As maiores vítimas foram os quase seis milhões de judeus assassinados durante o regime nazista, o que representava 66% da população judaica da Europa e um terço da população judaica mundial. Segundo o Tribunal de Nürenberg, 275 mil alemães considerados doentes incuráveis foram executados em centros de extermínio, algumas pesquisas recentes falam, no entanto, de 170 mil.
Também foram assassinados 500 mil ciganos, o que representava metade da população cigana da Europa do período. O regime nazista também assassinou 1,5 milhão de inimigos políticos, 3 milhões de prisioneiros de guerra, 20 milhões de russos (centenas desses incluídos na categoria de inimigos políticos e prisioneiros de guerra), 600 mil sérvios, 200 mil poloneses, 200 mil maçons, 5 mil testemunhas de Jeová. O número de vítimas negras e homossexuais é de difícil estimativa até hoje, mas algumas pesquisas falam em 15 mil homossexuais assassinados. É a partir da análise das vítimas do nazismo e do universo concentracionário que pretendemos analisar o regime nazista e o fenômeno do Holocausto a partir de fontes e da historiografia européias e israelense.
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Proponente:
Ania Cavalcante (doutoranda em História Econômica na USP, Professora e pesquisadora do módulo “Holocausto e Anti-semitismo” do Laboratório de Estudos sobre Intolerância da USP, estagiária do curso sobre Holocausto no Departamento de Literatura Hebraica da USP).
O conteúdo programático do curso é divido em três módulos centrais:
1) O universo concentracionário de 1933 a 1945: os tipos de campos de concentração.
2) Análise da maioria das vítimas do Holocausto e as motivações de sua perseguição: judeus, ciganos, eslavos, homossexuais, deficientes físicos e mentais.
3) Os campos de extermínio e os três genocídios perpetrados pelos nazistas e seus colaboradores: a “Solução Final da Questão Judaica”, “Solução Final da Questão Cigana” e o extermínio de eslavos.
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Mais Informações:
Fone/Fax da ANPUH: 11-3091-3047
E-mail: anpuh@usp.br
Clique AQUI para visitar o site do congresso.
Fonte: Pletz
ShoahConnect - Reunindo Famílias
O Memorial do Holocausto em Jerusalém, o Yad Vashem, acumulou milhões de páginas de testemunho documentando as vítimas individuais do Holocausto. Muitas vezes estas páginas de testemunho foram submetidas por membros das famílias das vítimas, e podem, portanto, servir para reunir as famílias separadas pelo Holocausto. Têm ocorrido exemplos dramáticos de irmãos encontrando-se desta maneira.
No entanto, apesar das páginas geralmente conterem informações de contato da pessoa que as submeteu, tendo em vista o longo tempo decorrido desde que o formulário foi submetido, freqüentemente é difícil aos parentes das vítimas contatarem essa pessoa. O ShoahConnect pretende ajudar a resolver este problema, permitindo associar endereços de e-mail com determinadas Páginas de Testemunho - associação esta que o interessado estabelece. O ShoahConnect é totalmente grátis e protege a sua privacidade.
Visite o site www.shoahconnect.org . Atualmente o ShoahConnect só está disponível em inglês, mas as traduções para outros idiomas estão em andamento.
Fonte: Notícias da Rua Judaica/Pletz
No entanto, apesar das páginas geralmente conterem informações de contato da pessoa que as submeteu, tendo em vista o longo tempo decorrido desde que o formulário foi submetido, freqüentemente é difícil aos parentes das vítimas contatarem essa pessoa. O ShoahConnect pretende ajudar a resolver este problema, permitindo associar endereços de e-mail com determinadas Páginas de Testemunho - associação esta que o interessado estabelece. O ShoahConnect é totalmente grátis e protege a sua privacidade.
Visite o site www.shoahconnect.org . Atualmente o ShoahConnect só está disponível em inglês, mas as traduções para outros idiomas estão em andamento.
Fonte: Notícias da Rua Judaica/Pletz
sábado, 30 de agosto de 2008
Porque ("revisionismo") não é Revisionismo
Um ensaio de Gordon McFee
Introdução
Este ensaio descreve, de uma perspectiva metodológica, alguns dos erros inerentes da abordagem "revisionista"(01) para a história do Holocausto. Não se tem intenção em ser uma polêmica, tampouco intenta atribuir motivos. Ao invés disto, busca explicar o erro fundamental na abordagem "revisionista", como também o porquê desta abordagem necessitar em não dar nenhuma escolha.
Conclui-se que o "revisionismo" é um termo equivocado devido aos fatos de não concordarem com a posição que apresentam e, em grande medida, sua metodologia inverte a abordagem apropriada para a investigação histórica.
O que é método histórico?
História é a narrativa registrada de eventos do passado, especialmente aqueles que acerca de um período particular, nação, indivíduo, etc. Reconta eventos com cuidadosa atenção a sua importância, suas relações em comum, suas causas e consequências, selecionando e agrupando eventos sobre o terreno de seus interesses ou importância.(2) Pode ser visualizado disto que a história reconhece a existência de eventos e fatos e busca entender como eles acontecem, no que eles resultam, como eles são interconectados e o que eles significam.
As distinções precisam ser feitas entre fatos, análise e interpretação. Fatos são comprovadamente eventos demonstrados de forma empírica cuja ocorrência pode pode ser provada usando métodos evidenciais. Análise é o método de determinar ou descrever a natureza de uma coisa por determinando-se dentro de suas partes. Interpretação é o intento de dar o significado de alguma coisa. Segue-se que aos fatos conduzem à análise que conduz à interpretação. E se segue que cada etapa no processo é mais subjetiva que a etapa anterior.
Neste contexto, a história é indutiva em sua metodologia, naquilo que acumula os fatos, tenta determinar sua natureza e suas conectividades e então intenta tecê-los dentro de um mosaico compreensível e com significado.
O que é revisionismo histórico legítimo?
Em seu nível mais básico, revisionismo não é nada mais que o apoio à revisão, o qual em si é o ato de revisar, ou modificar algo que já existe. Aplicado à história, isto significa que historiadores questionam a versão aceita das causas ou as consequências de eventos históricos. Como tal, é uma parte importante e aceita do esforço histórico que serve ao redobrado propósito da constante reexaminação do passado enquanto também aumenta nosso entendimento dele. Certamente, se alguém aceita que a história intenta nos ajudar a melhor entender o presente por uma melhor compreensão de como chegamos aqui, o revisionismo é essencial.
Três exemplos de revisionismo histórico legítimo devem bastar para ilustrar isto:
1. A.J.P. Taylor aplicou uma nova interpretação aos eventos que conduziram à segunda guerra mundial. Ele minimiza o papel de Hitler naqueles eventos - the Anschluß (Anschluss, anexação) com a Áustria, a anexação dos Sudetos, a crise de Danzig, o papel dos Aliados, o apaziguamento - comparados ao padrão de interpretação, enquanto retratou a Alemanha nazista como muito menos centralizada e monolítica que a regra. (3)
2. Daniel Jonah Goldhagen questionou virtualmente todas as interpretações habituais das razões para a cumplicidade de muitos alemães na perpetração do Holocausto, e assinalou aquele desejo próprio comum aos alemães que os envolvia devido a existência de um profundo e enraizado antissemitismo eliminacionista nos alemães daquela era. Ele minimiza, ou senão indiscutivelmente rechaça, a influência de Hitler e do Partido Nazista. (4)
3. O historiador alemão Christian Gerlach interpretou um diário de anotações de Joseph Goebbels e um recém descoberto diário de Heinrich Himmler para demonstrar que a data da decisão de Hitler para exterminar judeus foi em dezembro de 1941 ao invés do final do inverno ou início do verão como muitos até então acreditavam. (5)
O que fazem os "Revisionistas"?
"Revisionistas" partem de uma conclusão de que o Holocausto não ocorreu e trabalhar a reversão através de adaptar os fatos para que pré-ordenem a conclusão. Posto de outra forma, eles invertem a própria metodologia descrita acima, e deste modo voltando o próprio método histórico de investigação e análise nesta direção. Isto não quer dizer que historiadores nunca partam de um resultado preconcebido ou desejado; Eles frequentemente o fazem. Mas observando rigorosamente a metodologia correta, aceitam que o resultado de sua investigação pode não ser o que eles previram no início. Eles estão preparados para adaptar suas teorias àquela realidade. Certamente, eles são frequentemente requeridos a revisar suas conclusões baseadas em fatos. Para pôr isto trivialmente, "revisionistas" invertem os fatos baseados em sua conclusão.
Desde que os "revisionistas" partem da conclusão de que o Holocausto não ocorreu, i.e., eles negam sua existência e são frequentemente chamados de "negadores". Em vez de analisarem eventos históricos, fatos, suas causas e consequências e suas interações com outros eventos, eles defendem uma conclusão, independente dos fatos se sustentarem ou não.
O porquê deles fazerem isto não é objeto deste texto, mas pequenos exemplos das distorções, evasivas e negações forçam-nos a ilustrarem como intelectualmente desonesto isto é. E isto deveria ser relembrado, de que eles os forçam a isto, ao fato de que os "revisionistas" negarem uma ocorrência histórica distorcendo os fatos de acordo com aquela negação.
A Teoria de Conspiração
Desde que os fatos não estejam de acordo com a conclusão "revisionista", eles podem encontrar um ponto de vista mais abrangente ou uma forma de rechaça-los. Isto não é uma simples tarefa, desde que os fatos convirjam ao resultado de que os nazis tinham de fato um plano para exterminar o povo judeu europeu, alcançado em grande parte pela sua execução, e deixam pra trás numerosas evidências deste intento. (6)
Portanto, os "revisionistas" tem que alegar que há uma conspiração para fabricar todas aquelas evidências - uma conspiração que deu início a seu trabalho antes do final da guerra - e uma que continua até o presente. "Judiaria Organizada" ou muitas das variantes dos "Sionistas" estão na raiz desta conspiração. A teoria de conspiração manifesta os seguintes posições artificiosas:
. testemunhas sobreviventes mentiram, até onde sua evidência era corroborada por documentos ou outras fontes;
. evidência do perpetrador foi obtida através de tortura, medo por seus familiares ou falsificada de várias formas;
. documentos deixados pra trás pelos nazis foram falsificados, não querem dizer o que eles aparentam dizer, ou são forjados;
. fotografias foram falsificadas;
. filmes foram falsificados;
. palavras não querem dizer o que aparentam dizerem. Quando Himmler usou a palavra "ausrotten" (exterminar) em relação aos judeus, ele não quis dizer realmente "exterminar". Quando Hitler usou a palavra "vernichten" (aniquilar) em relação aos judeus, ele não quis realmente dizer "aniquilar". Quando os Einsatzgruppen falaram das mulheres e crianças judias assassinadas, eles realmente queriam dizer partisans, mesmo que partisans tivessem listas separadas nos muitos relatórios que eles deixaram pra trás;
. discursos gravados foram falsificados. O discurso de 1943 de Himmler em Posen, que foi gravado, não era realmente sua voz, ou partes foram adicionadas mais tarde, ou a tecnologia para gravar não existia em 1943 (ou existia), ou discordava das notas de Himmler para o discurso(ou não);
as vítimas eram responsáveis por aquilo que ocorreu a elas. As mulheres e crianças judias eram partisans ou eram culpados de cometerem crimes atrozes, ou ambos;
Judeus mereceram o tratamento duro de qualquer forma. Mesmo que o Holocausto tivesse ocorrido, e isto seria contudo justificado porque os judeus são alienígenas, raça parasita, determinados em destruir o nobre ariano, e/ou profanarem seu sangue, etc.;
. se nenhuma ordem escrita por Hitler para o Holocausto pode ser encontrada, não houve nenhuma ordem para isto;
. nenhuma câmara de gás está funcionando atualmente. portanto, nunca houve câmaras de gás. Mas mesmo que tivessem existido câmaras de gás, elas foram usadas apenas para fumigar roupas, mesmo que elas estivessem num depósito de cadáveres.
Falsus in Uno, Falsus in Omnibus(Falso em um ponto, falso em todos)
Desde que, como esta lista mostra, uma quantidade de evidências empíricas para o Holocausto são tão claras e devastadoras, os "revisionistas" tem que se lançar em outro truque para desqualificação. Isto tem sido chamado de condição "falsus in uno, falsus in omnibus" (uma prova errada equivale a todas as provas estarem erradas). Isto quer dizer, por exemplo, que se qualquer singular pedaço de evidência de sobrevivente puder ser apresentada como errada, todas as evidências dos sobreviventes estarão erradas e isto pode ser rechaçado. Se qualquer oficial nazista mentiu sobre um aspecto do Holocausto(dentro da questão ou não), todos os oficiais nazistas mentiram, e qualquer coisa que os nazistas disseram depois da guerra é rechaçado. Se qualquer nazista puder ser mostrado por ter sido torturado ou maltratado, todos eles foram e qualquer coisa que disseram é inválida.
Conclusão
O "revisionismo" é obrigado a se desviar do padrão metodologia histórico perseguido, porque busca moldar fatos para se adequar a um resultado preconcebido, nega eventos que foram objetivamente e empiricamente provados que ocorreram, e porque funciona ao reverso, da conclusão para os fatos, de modo a necessitar da distorção e manipulação daqueles fatos onde eles diferem da conclusão preordenada (algo que eles quase sempre fazem). Em poucas palavras, o "revisionismo" nega alguma coisa que de forma demonstrável aconteceu, através de desonestidade metodológica.
Sua desonestidade ética e motivação antissemita são questões que ficam para outro dia.
Notas
01. As menções sobre os "revisionistas" não são apenas citações. Elas indicam que metodologicamente os "revisionistas" não são o que eles afirmam ser. Isto é explicado em detalhe ao longo do ensaio.
02. Funk & Wagnall's Standard Dictionary of the English Language, Volume 1, New York, 1973, p. 599.
03. A.J.P. Taylor, The Origins of the Second World War, Penguin Books, Middlesex, 1964.
04. Daniel Jonah Goldhagen, Hitler's Willing Executioners: Ordinary Germans and the Holocaust(Carrascos Voluntários de Hitler), Alfred A. Knopf, New York, 1996.
05. Die Zeit, edition of January 9, 1998. Seus achados são reportados em Zeitschrift Werkstatt Geschichte, Heft 18/1997.
06. Ver a propósito "Hilberg, The Destruction of the European Jews; Gilbert, The Holocaust; Yahil, The Holocaust; Dawidowicz, The War Against the European Jews 1933-1945; Breitman, The Architect of Genocide; Less, Eichmann Interrogated; Fleming, Hitler and the Final Solution; Broszat et al., Anatomie des SS-Staates;" e muito mais.
--------------------------------
Leitura sugerida: de Pierre Vidal-Naquet, A Paper Eichmann: Anatomy of a Lie(Um artigo para Eichmann: Anatomia de uma Mentira), em particular a parte 4, On the Revisionist Method(Sobre o método "revisionista").
Gordon McFee concluiu seu mestrado em 1973, na Universidade de New Brunswick, Canadá, e na Universidade de Albert Ludwigs, Freiburg im Breisgau, Alemanha (estudos separados), em história e alemão.
Última modificação: 15 de maio de 1999
Copyright © 1998-99 Gordon McFee. Todos os direitos reservados.
Technical/administrative contact: webmaster@holocaust-history.org
Fonte: The Holocaust History Project
http://www.holocaust-history.org/revisionism-isnt/
Tradução: Roberto Lucena
Introdução
Este ensaio descreve, de uma perspectiva metodológica, alguns dos erros inerentes da abordagem "revisionista"(01) para a história do Holocausto. Não se tem intenção em ser uma polêmica, tampouco intenta atribuir motivos. Ao invés disto, busca explicar o erro fundamental na abordagem "revisionista", como também o porquê desta abordagem necessitar em não dar nenhuma escolha.
Conclui-se que o "revisionismo" é um termo equivocado devido aos fatos de não concordarem com a posição que apresentam e, em grande medida, sua metodologia inverte a abordagem apropriada para a investigação histórica.
O que é método histórico?
História é a narrativa registrada de eventos do passado, especialmente aqueles que acerca de um período particular, nação, indivíduo, etc. Reconta eventos com cuidadosa atenção a sua importância, suas relações em comum, suas causas e consequências, selecionando e agrupando eventos sobre o terreno de seus interesses ou importância.(2) Pode ser visualizado disto que a história reconhece a existência de eventos e fatos e busca entender como eles acontecem, no que eles resultam, como eles são interconectados e o que eles significam.
As distinções precisam ser feitas entre fatos, análise e interpretação. Fatos são comprovadamente eventos demonstrados de forma empírica cuja ocorrência pode pode ser provada usando métodos evidenciais. Análise é o método de determinar ou descrever a natureza de uma coisa por determinando-se dentro de suas partes. Interpretação é o intento de dar o significado de alguma coisa. Segue-se que aos fatos conduzem à análise que conduz à interpretação. E se segue que cada etapa no processo é mais subjetiva que a etapa anterior.
Neste contexto, a história é indutiva em sua metodologia, naquilo que acumula os fatos, tenta determinar sua natureza e suas conectividades e então intenta tecê-los dentro de um mosaico compreensível e com significado.
O que é revisionismo histórico legítimo?
Em seu nível mais básico, revisionismo não é nada mais que o apoio à revisão, o qual em si é o ato de revisar, ou modificar algo que já existe. Aplicado à história, isto significa que historiadores questionam a versão aceita das causas ou as consequências de eventos históricos. Como tal, é uma parte importante e aceita do esforço histórico que serve ao redobrado propósito da constante reexaminação do passado enquanto também aumenta nosso entendimento dele. Certamente, se alguém aceita que a história intenta nos ajudar a melhor entender o presente por uma melhor compreensão de como chegamos aqui, o revisionismo é essencial.
Três exemplos de revisionismo histórico legítimo devem bastar para ilustrar isto:
1. A.J.P. Taylor aplicou uma nova interpretação aos eventos que conduziram à segunda guerra mundial. Ele minimiza o papel de Hitler naqueles eventos - the Anschluß (Anschluss, anexação) com a Áustria, a anexação dos Sudetos, a crise de Danzig, o papel dos Aliados, o apaziguamento - comparados ao padrão de interpretação, enquanto retratou a Alemanha nazista como muito menos centralizada e monolítica que a regra. (3)
2. Daniel Jonah Goldhagen questionou virtualmente todas as interpretações habituais das razões para a cumplicidade de muitos alemães na perpetração do Holocausto, e assinalou aquele desejo próprio comum aos alemães que os envolvia devido a existência de um profundo e enraizado antissemitismo eliminacionista nos alemães daquela era. Ele minimiza, ou senão indiscutivelmente rechaça, a influência de Hitler e do Partido Nazista. (4)
3. O historiador alemão Christian Gerlach interpretou um diário de anotações de Joseph Goebbels e um recém descoberto diário de Heinrich Himmler para demonstrar que a data da decisão de Hitler para exterminar judeus foi em dezembro de 1941 ao invés do final do inverno ou início do verão como muitos até então acreditavam. (5)
O que fazem os "Revisionistas"?
"Revisionistas" partem de uma conclusão de que o Holocausto não ocorreu e trabalhar a reversão através de adaptar os fatos para que pré-ordenem a conclusão. Posto de outra forma, eles invertem a própria metodologia descrita acima, e deste modo voltando o próprio método histórico de investigação e análise nesta direção. Isto não quer dizer que historiadores nunca partam de um resultado preconcebido ou desejado; Eles frequentemente o fazem. Mas observando rigorosamente a metodologia correta, aceitam que o resultado de sua investigação pode não ser o que eles previram no início. Eles estão preparados para adaptar suas teorias àquela realidade. Certamente, eles são frequentemente requeridos a revisar suas conclusões baseadas em fatos. Para pôr isto trivialmente, "revisionistas" invertem os fatos baseados em sua conclusão.
Desde que os "revisionistas" partem da conclusão de que o Holocausto não ocorreu, i.e., eles negam sua existência e são frequentemente chamados de "negadores". Em vez de analisarem eventos históricos, fatos, suas causas e consequências e suas interações com outros eventos, eles defendem uma conclusão, independente dos fatos se sustentarem ou não.
O porquê deles fazerem isto não é objeto deste texto, mas pequenos exemplos das distorções, evasivas e negações forçam-nos a ilustrarem como intelectualmente desonesto isto é. E isto deveria ser relembrado, de que eles os forçam a isto, ao fato de que os "revisionistas" negarem uma ocorrência histórica distorcendo os fatos de acordo com aquela negação.
A Teoria de Conspiração
Desde que os fatos não estejam de acordo com a conclusão "revisionista", eles podem encontrar um ponto de vista mais abrangente ou uma forma de rechaça-los. Isto não é uma simples tarefa, desde que os fatos convirjam ao resultado de que os nazis tinham de fato um plano para exterminar o povo judeu europeu, alcançado em grande parte pela sua execução, e deixam pra trás numerosas evidências deste intento. (6)
Portanto, os "revisionistas" tem que alegar que há uma conspiração para fabricar todas aquelas evidências - uma conspiração que deu início a seu trabalho antes do final da guerra - e uma que continua até o presente. "Judiaria Organizada" ou muitas das variantes dos "Sionistas" estão na raiz desta conspiração. A teoria de conspiração manifesta os seguintes posições artificiosas:
. testemunhas sobreviventes mentiram, até onde sua evidência era corroborada por documentos ou outras fontes;
. evidência do perpetrador foi obtida através de tortura, medo por seus familiares ou falsificada de várias formas;
. documentos deixados pra trás pelos nazis foram falsificados, não querem dizer o que eles aparentam dizer, ou são forjados;
. fotografias foram falsificadas;
. filmes foram falsificados;
. palavras não querem dizer o que aparentam dizerem. Quando Himmler usou a palavra "ausrotten" (exterminar) em relação aos judeus, ele não quis dizer realmente "exterminar". Quando Hitler usou a palavra "vernichten" (aniquilar) em relação aos judeus, ele não quis realmente dizer "aniquilar". Quando os Einsatzgruppen falaram das mulheres e crianças judias assassinadas, eles realmente queriam dizer partisans, mesmo que partisans tivessem listas separadas nos muitos relatórios que eles deixaram pra trás;
. discursos gravados foram falsificados. O discurso de 1943 de Himmler em Posen, que foi gravado, não era realmente sua voz, ou partes foram adicionadas mais tarde, ou a tecnologia para gravar não existia em 1943 (ou existia), ou discordava das notas de Himmler para o discurso(ou não);
as vítimas eram responsáveis por aquilo que ocorreu a elas. As mulheres e crianças judias eram partisans ou eram culpados de cometerem crimes atrozes, ou ambos;
Judeus mereceram o tratamento duro de qualquer forma. Mesmo que o Holocausto tivesse ocorrido, e isto seria contudo justificado porque os judeus são alienígenas, raça parasita, determinados em destruir o nobre ariano, e/ou profanarem seu sangue, etc.;
. se nenhuma ordem escrita por Hitler para o Holocausto pode ser encontrada, não houve nenhuma ordem para isto;
. nenhuma câmara de gás está funcionando atualmente. portanto, nunca houve câmaras de gás. Mas mesmo que tivessem existido câmaras de gás, elas foram usadas apenas para fumigar roupas, mesmo que elas estivessem num depósito de cadáveres.
Falsus in Uno, Falsus in Omnibus(Falso em um ponto, falso em todos)
Desde que, como esta lista mostra, uma quantidade de evidências empíricas para o Holocausto são tão claras e devastadoras, os "revisionistas" tem que se lançar em outro truque para desqualificação. Isto tem sido chamado de condição "falsus in uno, falsus in omnibus" (uma prova errada equivale a todas as provas estarem erradas). Isto quer dizer, por exemplo, que se qualquer singular pedaço de evidência de sobrevivente puder ser apresentada como errada, todas as evidências dos sobreviventes estarão erradas e isto pode ser rechaçado. Se qualquer oficial nazista mentiu sobre um aspecto do Holocausto(dentro da questão ou não), todos os oficiais nazistas mentiram, e qualquer coisa que os nazistas disseram depois da guerra é rechaçado. Se qualquer nazista puder ser mostrado por ter sido torturado ou maltratado, todos eles foram e qualquer coisa que disseram é inválida.
Conclusão
O "revisionismo" é obrigado a se desviar do padrão metodologia histórico perseguido, porque busca moldar fatos para se adequar a um resultado preconcebido, nega eventos que foram objetivamente e empiricamente provados que ocorreram, e porque funciona ao reverso, da conclusão para os fatos, de modo a necessitar da distorção e manipulação daqueles fatos onde eles diferem da conclusão preordenada (algo que eles quase sempre fazem). Em poucas palavras, o "revisionismo" nega alguma coisa que de forma demonstrável aconteceu, através de desonestidade metodológica.
Sua desonestidade ética e motivação antissemita são questões que ficam para outro dia.
Notas
01. As menções sobre os "revisionistas" não são apenas citações. Elas indicam que metodologicamente os "revisionistas" não são o que eles afirmam ser. Isto é explicado em detalhe ao longo do ensaio.
02. Funk & Wagnall's Standard Dictionary of the English Language, Volume 1, New York, 1973, p. 599.
03. A.J.P. Taylor, The Origins of the Second World War, Penguin Books, Middlesex, 1964.
04. Daniel Jonah Goldhagen, Hitler's Willing Executioners: Ordinary Germans and the Holocaust(Carrascos Voluntários de Hitler), Alfred A. Knopf, New York, 1996.
05. Die Zeit, edition of January 9, 1998. Seus achados são reportados em Zeitschrift Werkstatt Geschichte, Heft 18/1997.
06. Ver a propósito "Hilberg, The Destruction of the European Jews; Gilbert, The Holocaust; Yahil, The Holocaust; Dawidowicz, The War Against the European Jews 1933-1945; Breitman, The Architect of Genocide; Less, Eichmann Interrogated; Fleming, Hitler and the Final Solution; Broszat et al., Anatomie des SS-Staates;" e muito mais.
--------------------------------
Leitura sugerida: de Pierre Vidal-Naquet, A Paper Eichmann: Anatomy of a Lie(Um artigo para Eichmann: Anatomia de uma Mentira), em particular a parte 4, On the Revisionist Method(Sobre o método "revisionista").
Gordon McFee concluiu seu mestrado em 1973, na Universidade de New Brunswick, Canadá, e na Universidade de Albert Ludwigs, Freiburg im Breisgau, Alemanha (estudos separados), em história e alemão.
Última modificação: 15 de maio de 1999
Copyright © 1998-99 Gordon McFee. Todos os direitos reservados.
Technical/administrative contact: webmaster@holocaust-history.org
Fonte: The Holocaust History Project
http://www.holocaust-history.org/revisionism-isnt/
Tradução: Roberto Lucena
quinta-feira, 28 de agosto de 2008
Socialista britânico critica radicalismo de Norman Finkelstein
Finkelstein e o Holocausto
por Alex Callinicos
UMA TEMPESTADE rompeu-se acerca de A Indústria do Holocausto, o novo e provocativo livro do historiador de extrema-esquerda de Nova York Norman Finkelstein. Seu alvo é em cima de um vasto esforço refletido numa pletora de museus, institutos, cursos, conferências e
de como é relembrado o assassinato nazista de 5.1 milhões de judeus.
Para Finkelstein o Holocausto é uma ideologia. Ele acredita que a representação dominante dos crimes nazistas, particularmente nos Estados Unidos, não tem uma maneira séria de intentar compreender ou relembrar isso. Na crítica desta representação, Finkelstein segue a condução dada pelo historiador liberal Peter Novick. Em seu recente livro The Holocaust and Collective Memory(O Holocausto e a Memória Coletiva), Novick argumenta que o Holocauso apenas tornou-se uma questão maior até para judeus americanos nos fins dos anos de 1960s e início dos anos de 1970s.
Para Novick, esta mudança veio como um resultado das guerras árabe-israelenses de 1967 e 1973. Os mais destacados judeus americanos acreditavam que o Estado de Israel encarava um perigo comparável a Hitler. A invocação do Holocausto permitiu que defensores de Israel representasse seus oponentes como cripto-nazistas. Finkelstein rechaça esta explanação, apontando que Israel era um perigo muito maior perigo na guerra de 1948 quando o estado foi fundado. Ele argumenta que foi a decisão de Washington depois de 1967 de tratar o Estado sionista como um maior ativo estratégico norte-americano no Oriente Médio que foi responsável pela mudança na atitude.
"Não foram as alegadas fraqueza e isolamento de Israel, não foi o medo de um 'segundo Holocausto'," ele escreve, "mas ao invés disso é a prova que a força e aliança estratégica com os Estados Unidos que conduziu elites judaicas a elaborar a indústria do Holocausto depois de junho de 1967.
Um segundo fator, Finkelstein argumenta, foi o aumento da prosperidade dos judeus norte-americanos e sua correspondente mudança política para a direita: "ao agir agressivamente para defender seus interesses corporativos e de classe, as elites judaicas marcaram toda oposição para suas novas políticas anti-semitas conservadoras."
Esta análise proporcionou a base para a mordacidade de Finkelstein em atacar a "indústria do Holocausto". Assim ele denuncia o ganhador do prêmio Nobel sobrevivente de Auschwitz Elie Wiesel por transformar o Holocausto "numa religião 'misteriosa'" que ele expõe para um recebimento de honorários de $25,000 por aparição. Igualmente dúbio, para ele, são os esforços das organizações judaicas para ganhar compensação de países como Alemanha e Suíça. Finkelstein alega aquilo do que ele chama de "a Redobrada Chantagem", as compensações reivindicadas são exageradas e pouco do dinheiro chega aos genuínos sobreviventes do Holocausto.
Não é nada surpreendente que Finkelstein venha a estar sob ataque feroz. Jonathan Freedland escreveu no The Guardian na sexta-feira da semana passada que ele estava "próximo das pessoas que fizeram o Holocausto do que daqueles que o sofreram". Levando em conta que ambos os pais de Finkelstein sobreviveram ao Gueto de Varsóvia e aos campos nazistas, esta é uma acusação odiosa.
Apesar de tud, em sua fúria à classe dirigente sionista norte-americana, Finkelstein faz uma oferta enorme aos reféns da fortuna. Como seria sua afirmação diferente daquela que "o campo de estudos do Holocausto está repleto de nonsense, senão de pura fraude" feita pelo "revisionista" do Holocausto D. Irving ao esculhambar durante seu recente caso de difamação?
Finkelstein põe-se a elogiar a "'indispensável' contribuição" de Irving como historiador. Pior ainda, ele acompanha Novick no rechaço da significância da negação do Holocausto: "Não há qualquer evidência que os negadores do Holocausto exerçam qualquer influência maior nos Estados Unidos do que a Sociedade da Terra Plana o faça."
Mas, pode ser verdade que ao contrário dos EUA, a negação do Holocausto seja uma questão política viva na Europa. Quando Jean-Marie Le Pen, que desqualificou o Holocausto como "um detalhe da história", pode receber 15 porcento dos votos na França, e o simpatizante das SS Jšrg Haider pode dominar o governo austríaco, fazendo pouco caso de que o "revisionismo" do Holocausto é um perigo de luxo.
Pior ainda, Finkelstein às vezes faz concessões para a idéia de que alguns judeus
pelo menos são parcialmente responsáveis pelo anti-semitismo. Assim ele com aprovação quotes the claim que o Congresso Mundial Judaico, em pressionar por reparações dos governos do Leste europeu, é "culpado de promover...uma terrível ressurgência do anti-semitismo".
Isto parece ser inteiramente o lugar errado de partida. Para amplitude de que há uma ressurgência do anti-semitismo na Rússia e leste da Europa, e em sua maioria a causa mais óbvia é o transtorno econômico e político causado pelo colapso dos regimes stalinistas no fim dos anos de 1980s. Neste clima não é difícil de se surpreender de que racistas encontrariam nos judeus e outros - notavelmente os Roma(ciganos) - os bodes expiatórios, totalmente independente do caráter dessas vítimas.
Finkelstein, como Novick antes dele, levantou questões legítimas. Ele tem destacado que algumas formas com as quais a comemoração do Holocausto tornou-se uma ferramenta de poder. Mas de tão exagerada que é sua polêmica às vezes ele a torna, totalmente contrário às suas próprias intenções, perigosamente próximo a dar conforto para aqueles que sonham com novos holocaustos.
Fotos: Norman Finkelsten com bandeira palestina, Alex Callinicos(socialista britânico)
Texto original(em inglês): Alex Callinicos
http://www.socialistworker.co.uk/archive/1706/sw170609.htm
Tradução: Roberto Lucena
por Alex Callinicos
UMA TEMPESTADE rompeu-se acerca de A Indústria do Holocausto, o novo e provocativo livro do historiador de extrema-esquerda de Nova York Norman Finkelstein. Seu alvo é em cima de um vasto esforço refletido numa pletora de museus, institutos, cursos, conferências e
de como é relembrado o assassinato nazista de 5.1 milhões de judeus.Para Finkelstein o Holocausto é uma ideologia. Ele acredita que a representação dominante dos crimes nazistas, particularmente nos Estados Unidos, não tem uma maneira séria de intentar compreender ou relembrar isso. Na crítica desta representação, Finkelstein segue a condução dada pelo historiador liberal Peter Novick. Em seu recente livro The Holocaust and Collective Memory(O Holocausto e a Memória Coletiva), Novick argumenta que o Holocauso apenas tornou-se uma questão maior até para judeus americanos nos fins dos anos de 1960s e início dos anos de 1970s.
Para Novick, esta mudança veio como um resultado das guerras árabe-israelenses de 1967 e 1973. Os mais destacados judeus americanos acreditavam que o Estado de Israel encarava um perigo comparável a Hitler. A invocação do Holocausto permitiu que defensores de Israel representasse seus oponentes como cripto-nazistas. Finkelstein rechaça esta explanação, apontando que Israel era um perigo muito maior perigo na guerra de 1948 quando o estado foi fundado. Ele argumenta que foi a decisão de Washington depois de 1967 de tratar o Estado sionista como um maior ativo estratégico norte-americano no Oriente Médio que foi responsável pela mudança na atitude.
"Não foram as alegadas fraqueza e isolamento de Israel, não foi o medo de um 'segundo Holocausto'," ele escreve, "mas ao invés disso é a prova que a força e aliança estratégica com os Estados Unidos que conduziu elites judaicas a elaborar a indústria do Holocausto depois de junho de 1967.
Um segundo fator, Finkelstein argumenta, foi o aumento da prosperidade dos judeus norte-americanos e sua correspondente mudança política para a direita: "ao agir agressivamente para defender seus interesses corporativos e de classe, as elites judaicas marcaram toda oposição para suas novas políticas anti-semitas conservadoras."
Esta análise proporcionou a base para a mordacidade de Finkelstein em atacar a "indústria do Holocausto". Assim ele denuncia o ganhador do prêmio Nobel sobrevivente de Auschwitz Elie Wiesel por transformar o Holocausto "numa religião 'misteriosa'" que ele expõe para um recebimento de honorários de $25,000 por aparição. Igualmente dúbio, para ele, são os esforços das organizações judaicas para ganhar compensação de países como Alemanha e Suíça. Finkelstein alega aquilo do que ele chama de "a Redobrada Chantagem", as compensações reivindicadas são exageradas e pouco do dinheiro chega aos genuínos sobreviventes do Holocausto.
Não é nada surpreendente que Finkelstein venha a estar sob ataque feroz. Jonathan Freedland escreveu no The Guardian na sexta-feira da semana passada que ele estava "próximo das pessoas que fizeram o Holocausto do que daqueles que o sofreram". Levando em conta que ambos os pais de Finkelstein sobreviveram ao Gueto de Varsóvia e aos campos nazistas, esta é uma acusação odiosa.
Apesar de tud, em sua fúria à classe dirigente sionista norte-americana, Finkelstein faz uma oferta enorme aos reféns da fortuna. Como seria sua afirmação diferente daquela que "o campo de estudos do Holocausto está repleto de nonsense, senão de pura fraude" feita pelo "revisionista" do Holocausto D. Irving ao esculhambar durante seu recente caso de difamação?
Finkelstein põe-se a elogiar a "'indispensável' contribuição" de Irving como historiador. Pior ainda, ele acompanha Novick no rechaço da significância da negação do Holocausto: "Não há qualquer evidência que os negadores do Holocausto exerçam qualquer influência maior nos Estados Unidos do que a Sociedade da Terra Plana o faça."
Mas, pode ser verdade que ao contrário dos EUA, a negação do Holocausto seja uma questão política viva na Europa. Quando Jean-Marie Le Pen, que desqualificou o Holocausto como "um detalhe da história", pode receber 15 porcento dos votos na França, e o simpatizante das SS Jšrg Haider pode dominar o governo austríaco, fazendo pouco caso de que o "revisionismo" do Holocausto é um perigo de luxo.
Pior ainda, Finkelstein às vezes faz concessões para a idéia de que alguns judeus
pelo menos são parcialmente responsáveis pelo anti-semitismo. Assim ele com aprovação quotes the claim que o Congresso Mundial Judaico, em pressionar por reparações dos governos do Leste europeu, é "culpado de promover...uma terrível ressurgência do anti-semitismo".Isto parece ser inteiramente o lugar errado de partida. Para amplitude de que há uma ressurgência do anti-semitismo na Rússia e leste da Europa, e em sua maioria a causa mais óbvia é o transtorno econômico e político causado pelo colapso dos regimes stalinistas no fim dos anos de 1980s. Neste clima não é difícil de se surpreender de que racistas encontrariam nos judeus e outros - notavelmente os Roma(ciganos) - os bodes expiatórios, totalmente independente do caráter dessas vítimas.
Finkelstein, como Novick antes dele, levantou questões legítimas. Ele tem destacado que algumas formas com as quais a comemoração do Holocausto tornou-se uma ferramenta de poder. Mas de tão exagerada que é sua polêmica às vezes ele a torna, totalmente contrário às suas próprias intenções, perigosamente próximo a dar conforto para aqueles que sonham com novos holocaustos.
Fotos: Norman Finkelsten com bandeira palestina, Alex Callinicos(socialista britânico)
Texto original(em inglês): Alex Callinicos
http://www.socialistworker.co.uk/archive/1706/sw170609.htm
Tradução: Roberto Lucena
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quarta-feira, 27 de agosto de 2008
O "Engano" de Graf
Traduzido por Leo Gott à partir do link:
http://holocaustcontroversies.blogspot.com/2008/08/grafs-deceit.html
Em Holocaust or Hoax? de Jürgen Graf, ele sabe que é uma trapaça. Em seu primeiro comentário sobre o discurso de Himmler em Posen, Graf tenta enganar o leitor dizendo que o “significado da palavra ‘Ausrottung’ mudou” desde a guerra.
Graf escreve, como segue:
no primeiro discurso Himmler identifica “evacuação” dos judeus com o “extermínio” deles, misturando os dois conceitos que hoje são totalmente distintos. A identificação de evacuação e de extermínio perde seu significado contraditório quando se considera que o significado da palavra "Ausrottung" mudou. Em um discurso de hoje, é sem dúvida que ‘ausrottung’ significa “extermínio físico”, “liquidação”. Isto não era necessariamente no início, a derivação etimológica de ‘ausrotten’ é “arrancar(*)”.
[(*)Nota do tradutor: seria arrancar pela raiz, desenraizar.]
Isso é totalmente falso, visto que na versão anterior de Holocausto or Hoax?, que em 1993 era intitulado The Holocaust Under the Scanner Graf cita este texto publicado em 1944 que que inclui as descrições dos extermínios em Belzec e Majdanek:
Abraham Silberschein (Die Judenausrottung in Polen, Genève, août1944)
Por isso, Graf sabe que existe o texto, que foi publicado em 1944, na qual "ausrottung ' só poderia ter se referido aos assassinatos em campos de extermínio, Graf ainda usa tentativas de golpe para com seus leitores assumindo que o significado de ‘ausrottung’ como "extermínio físico / liquidação "significado não estava em uso até uma certa data.
Além disso, é claro, como seu parceiro na trapaça, Carlos Porter, Graf simplesmente ignora essas partes dos discursos de Posen que provam que Himmler só poderia estar se referindo a extermínio em massa.
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