quinta-feira, 14 de julho de 2011
Hitler sabia do Holocausto. "Todas as medidas contra os judeus devem ser discutidas diretamente com o Führer"
O Chefe de Gabinete da Chancelaria é Martin Bormann, que está acostumado a trabalhar diretamente com Hitler e é especialista em lhe livrar de miudezas. Um ano e meio mais tarde, quando Hess decidiu voar até a Escócia, Bormann se verá recompensado con a chefia suprema da Chancelaria.
Mas regressemos a dezembro de 1939. A segunda guerra mundial tinha três meses de andamento. Está se tentando chegar a algum tipo de acordo com o Reino Unido e a França, agora que a Polônia não mais existe. Há que renegociar com a URSS as linhas de influência. E a ocupação da Polônia. As medidas as quais Himmler deseja fazer, em concreto, são sobre o que fazer com as linhas de telefone que ainda são propiedade de judeus, e se se deve adotar algum tipo de insígnia para os identificar.
A resposta de Bormann está conservada no Bundesarchiv Berlin NS 18alt/842: “o Reichshführer SS discutirá todas as medidas contra os judeus diretamente com o Führer”.
Fonte do livro: Peter Longerich: The Unwritten Order. Hitler’s Role in the Final Solution. Tempus, Charleston 2001. pg. 45-46.
Fonte: blog antirrevisionismo(Espanha)
http://antirrevisionismo.wordpress.com/2011/07/09/todas-las-medidas-contra-los-judios-han-de-ser-discutidas-directamente-con-el-fuhrer/
Tradução: Roberto Lucena
Bispo Williamson é condenado a pagar multa por negar o Holocausto
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| O bispo Richard Williamson, que negou o Holocausto em uma entrevista em 2008 |
Em um processo de apelação, o Tribunal Regional de Regensburg, no sul da Alemanha, condenou à revelia nesta segunda-feira (11/07) o bispo católico britânico Richard Williamson por sedição (incitação à revolta). Após ter negado o Holocausto, a multa que o religioso de 71 anos de idade precisará pagar foi reduzida de 10 mil para 6.500 euros. A defesa de Williamson declarou sua inocência e disse que irá recorrer da sentença.
Em uma entrevista para a televisão sueca, em 2008, o bispo, que é membro da ultra-conservadora Irmandade Pio 10, negou os assassinatos em massa de seis milhões de judeus pelos nazistas, assim como a existência de câmaras de gás em campos de concentração. Por isso, já havia sido condenado em abril de 2010 a pagar uma multa de 100 parcelas diárias de 100 euros, ou seja, 10 mil euros.
Tanto o promotor quanto Williamson recorreram da decisão e, em um novo processo, a acusação havia exigido 12 mil euros de multa (120 parcelas de 100 euros). A juíza Birgit Eisvogel justificou que a atual decisão confirma o veredicto de culpado, declarado em primeira instância, mas por conta da situação financeira do acusado, a multa foi reduzida para 100 parcelas diárias de 65 euros.
Defesa
A defesa pediu a absolvição do bispo, alegando que ele não havia consentido a transmissão da entrevista na Alemanha. Segundo Eisvogel, o bispo deveria saber que a entrevista seria publicada na internet e que, por isso, também estaria disponível na Alemanha. "Sabemos que o acusado é blogueiro", disse, indicando que o religioso estaria familiarizado com a internet.
Além disso, a juíza afirma ser impossível acreditar que o religioso pensava que a televisão sueca não disponibilizaria as declarações polêmicas online. Williamson foi surpreendido pelo entrevistador com a pergunta sobre o Holocausto, mas não hesitou em falar sobre o tema durante seis minutos. "O réu sabia das possíveis consequências", afirma Eisvogel.
Igreja em crise
O caso instaurou uma crise na Igreja Católica, pois justamente na época em que a entrevista do canal sueco com a negação do Holocausto foi transmitida, o Vaticano havia acabado de anular a excomunhão de Williamson e de três outros bispos da irmandade. O Papa, no entanto, não teria tomado conhecimento da entrevista.
Desde o escândalo, Williamson não ocupa mais nenhuma função na irmandade. Ele vive em Londres e dispõe, de acordo com seus advogados, de uma mesada no valor de 300 a 400 euros.
LF/dpa/dapd/afp
Revisão: Carlos Albuquerque
Fonte: Deutsche Welle(Alemanha)
http://www.dw-world.de/dw/article/0,,15226844,00.html
Ler mais:
Confirmada condenação de bispo por negação do Holocausto (DN, Portugal)
Justiça alemã condena bispo que negou o Holocausto (R7, Brasil)
Bispo condenado a multa de 6500 euros por negar o Holocausto (Público, Portugal)
sábado, 9 de julho de 2011
O NSDAP no México: história e percepções, 1931-1940 - parte 3
México foi talvez o país latinoamericano onde o repúdio a Hitler e ao Terceiro Reich se manifestou mais evidentemente. Uma grande parte do povo participou politicamente e tinha ideias social-revolucionárias. Tanto associações comunistas e judias - grupos como a Liga contra o Fachismo [sic] e a Guerra Imperialista ou os Estudantes Socialistas, para os quais a luta contra o fascismo e o nacional-socialismo era de máxima importância - assim como Vicente Lombardo Toledano, chefe da CTM (Confederação de Trabalhadores do México) desde princípios de 1936, denunciaram publicamente a agressiva política externa do Reich e as perseguições de judeus e adversários políticos, pintaram slogans como "Morra Hitler" nas paredes da Representação alemã, queimaram bandeiras com suástica e exigiram o boicote de comerciantes e produtos alemães. Lombardo Toledano e altos representantes do partido oficialista, o Partido da Revolução Mexicana, apoiaram além disso a Liga Pró-Cultura Alemã no México, uma organização de imigrantes alemães judeus e comunistas que lutava abertamente contra o nacional-socialismo mediante cartazes e conferências[25]. Também os diários mais importantes do país rechaçaram a Alemanha nacional-socialista. Assim, o 'El Nacional', portavoz do governo, publicou uma caricatura de Hitler, o que levou à proscrição do jornal na Alemanha[26].
Em términos de política exterior, o conflito aberto entre México e o Terceiro Reich se iniciou com a Guerra Civil na Espanha. O México condenou a intervenção alemã do lado dos insurgentes sob o General Franco e, por sua parte, apoiou ao governo legítimo diplomaticamente e com armas27. Em março de 1938, o México protestou contra a anexação da Áustria e, um ano mais tarde, negou-se a reconhecer a ocupação forçada da Tchecoslováquia[28]. No ano seguinte, depois da subida ao poder do nacional-socialismo, registraram-se alguns ataques contra o grupo regional e à Juventude Hitlerista. Luis N. Morones, chefe da CROM (Confederação Regional Operária Mexicana), declarou a um oficial da Representação alemã que os desfiles da Juventude Hitlerista, vestida com o uniforme nazi, e a bandeira com a suástica em casas alemãs eram uma provocação para o trabalhador mexicano. Acrescentou que não era tolerável que se fizesse propaganda nazi no México e, por último, advertiu que se isto não mudasse, os mexicanos não se se absteriam de levar a cabo ações antialemãs[29].
A extendida atitude antinacional-socialista e esta advertência conduziram a que os grupos nacional-socialistas decidissem se preservar[30]. Na sequência, o Landesgruppe se cuidou tanto de aparecer em público, que se esfumó da percepção popular, e sua existência permaneceu oculta também aos olhos dos círculos bem informados. Por exemplo, pelo motivo da nomeação de Bohle como Chefe da AO no Ministério de Assuntos Exteriores, 'El Nacional' escreveu um artigo fundamental sobre a AO, sem conhecimento algum de que logo provavelmente surgiria no México um desses misteriosos grupos[31]. Em junho de 1939 o ministro alemã resumiu as reações do público mexicano da seguinte maneira: "Prescindindo de ataques isolados da imprensa de extrema-esquerda, a organização do partido não foi exposta a impugnações por parte dos mexicanos"[32].
O governo mexicano tinha informação sobre o NSDAP no México desde início de 1936. O assassinato do líder do Landesgruppe na Suíça, que provocou a proibição do partido pelas autoridades, foi motivo de um detalhado relatório do ministro mexicano na Alemanha sobre os acontecimentos. Em sua opinião, sobretudo os países com colônias alemãs deviam tomar em conta esses fatos, e sugeria uma investigação do partido e daqueles alemães que, sendo mexicanos por naturalização, eram ao mesmo tempo membros do partido nacional-socialista[33]. O destinatário, a Secretaria de Relações Exteriores (SRE), contudo, não falou o motivo para a preocupação. O subsecretário escrveu: "Enquanto a sugestão de que Ud. hace no sentido de que vigiem as atividades do Partido Nacional-Socialista no México [...], esta Secretaria não estima que haja nada o que temer. Enquanto a Suíça é formada, entre outras raças, por alemães que somam cerca de 2.900.000, ou seja, 70% de sua população, o México tem somente uma pequeníssima colônia alemã que chega a apenas 6.000 (entre homens, mulheres e crianças), os quais representam uma fração infinitesimal de nossa população total"[34].
Um ano mais tarde a SRE se mostrou mais interessada. Pelo motivo da nomeação de Bohle ao cargo de Secretário do Ministério de Assuntos Exteriores, a Representação enviou um relatório detalhado e extenso sobre a organização e as tarefas da AO. Era dever dos partidários no exterior, escriveu o representante diplomático, converter ao nacional-socialismo - a todos os cidadãos alemães que viviam fora da Alemanha. Os membros do partido deviam assegurar o ensino nacional-socialista das crianças e impedir que se fizessem cidadãos dos países em que haviam nascido ou viviam. Também era meta do NSDAP assegurar que aqueles que, por motivos econômicos ou por conveniência, deviam aceitar a nacionalidade de um país estrangeiro, vivessem segundo os princípios nacional-socialistas e não se esquecessem de ser alemães[35]. Chegando a esse ponto, a SRE exigiu mais informação sobre a AO[36].
Daqui em diante, a Representação mexicana na Alemanha informou regularmente sobre a AO: por exemplo, acerca dos problemas bilaterais que surgiram entre o Terceiro Reich e outros países pela existência da AO, e também sobre congressos e a propaganda inglesa contra a AO. Uma vez ou outra se informou sobre a propaganda nazi entre os alemães e se questionou a lealdade desses ao México. Enquanto ao grupo regional, a Representação só escreveu que era dirigida por Wilhelm Wirtz, um político conhecido, de personalidade carismática e íntimo amigo de Bohle[37]. Em uma carta de setembro de 1937, mencionou-se pela primeira vez eventuais atividades de espionagem da AO e dos alemães no exterior. Foi dito que a imprensa estrangeira havia decrito nos últimos anos os métodos com os quais o NSDAP recrutava seus membros e revelou que este vigiava críticos alemães do regime nacional-socialista e espiava entre os círculos antinazis no exterior[38].
De todas formas, estes relatórios surtiram efeito sobre a SRE, e despertaram e aumentaram as suspeitas a respeito dos alemães. O subsecretário Ramón Beteta, por exemplo, estava convencido de que as organizações que se ocupavam dos alemães no exterior eram instrumentos de espionagem e de ação política do Reich[39]. A petição de Beteta, a Secretaria de Gobernación, a partir desse momento, começou a vigiar os alemães no México[40]. Obviamente, nem as conclusões de Beteta nem as investigações do ministério tiveram consequências para os alemães e o NSDAP. A partir daí que Rüdt von Collenberg e Wilhelm Wirtz constataram por unanimidade, em junho de 1939, que a existência do partido e de outras instituições da comunidade não corriam perigo[41].
Esta opinião do ministro alemã também se baseava na correspondência com a SRE do ano 1937, motivada, entre outras coisas, pelo já mencionado artigo do 'El Nacional', em que o diário analizava de modo fundamental o problema de um partido que atuava fora de sua pátria e reclamava do uso de poder sobre os próprios cidadãos no exterior, concluindo que não eram aceitáveis esses grupos porque podiam prejudicar os países em que eram desenvolvidas suas atividades[42]. Em algumas cartas enviadas à SRE, Rüdt contradizia essas declarações, aduzindo que, segundo as leis da AO, os membros do partido no exterior tinham a obrigação de evitar qualquer envolvimento na política dos países receptores[43].
A resposta do Secretário de Relações Exteriores, Eduardo Hay, revelava o desinteresse do governo mexicano de tematizar a AO nas relações bilaterais, limitando-se a expressar satisfação de que a AP não se envolvia na política de outros países. Estas foram as únicas palavras do Secretário em relação à AO. Assim pois, a AO não representou nenhum papel importante, nem nos debates da política interna nem nas relações com o Terceiro Reich. Apesar da atenção despertada sobre as atividades do partido e os alemães no país, parece que o número de alemães era demasiado pequeno para constituir um perigo para o México, ainda que estivessem influenciados pela ideologia nacional-socialista.
Nisso, o México se distinguiu fundamentalmente de outros países latinoamericanos. Na Argentina e no Brasil se proscreveram os grupos regionais da AP, tanto que no Chile suspenderam o funcionamento de um grupo vinculado à Juventude Hitlerista e expulsaram um alto funcionário do NSDAP. Em todos esses países houve discussões na imprensa e nas câmaras de deputados sobre os partidos formados por estrangeiros. Alguns políticos atacaram a AO e suspeitaram de outras atividades subversivas e de traição. O que diferencia a experiência mexicana em relação aos outros países é que nestes a propaganda da AO entre os descendentes de alemães, os imigrantes e os cidadãos, e as tentativas de unificar as comunidades alemãs sob o controle do NSDAP, eram vistos como um perigo para a integridade nacional. No Brasil, as atividades dos nazis aumentaram a desconfiança tradicional ante os descendentes de alemães. O partido - repreendiam - impedia a integração deste grupo da população na nação brasileira. Na Argentina, pelo contrário, onde os alemães eram majoritariamente apreciados como bons cidadãos, temia-se que a propaganda nacional-socialista separasse esses da nação. Apesar de que no Chile viviam muito menos alemães que nos outros países, que contavam com uma comunidade alemã de centenas de milhares, existiam - como no Brasil - regiões nas quais predoninavam os alemães, o que também foi motivo crescente de suspeitas e de restrições. No México, contudo, não havia muitos alemães, nem tampouco concentrações destes em determinadas partes do país[44].
Fonte: El NSDAP en México: historia y percepciones, 1931-1940
Autor: Jürgen Müller; Universitdt Kóln
Tradução: Roberto Lucena
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quarta-feira, 6 de julho de 2011
O Extermínio dos Diferentes
Juiz denuncia eutanásia
Arcebispo lidera movimento anti-T4
Clemens von Galen tornou-se arcebispo de Münster em 1933. No mesmo ano Hitler tomava o poder na Alemanha e fechava um acordo com a Igreja Católica - o acordo, assinado pelo Cardeal Eugenio Pacelli (que se tornaria o papa Pio XII em 1939), restringiu os poderes do clero, mas garantiu sua sobrevivência no país. Hitler tinha medo da influência da Igreja e se anunciava como católico. Aproveitando sua liberdade, nos sermões o arcebispo ridicularizava a doutrina nazista (como a ordem, revogada depois de muitas críticas, para remover os crucifixos das escolas). Mas o T4 o fez ficar sério. Em 1941, ele começou a pregar abertamente contra o programa e, logo, contra tudo o que o nazismo representava. Esses discursos inflamados passaram a ser reimpressos clandestinamente na Alemanha e repassados entre famílias católicas e até mesmo aos soldados no front - a Inglaterra chegou a "bombardear" soldados alemães com as transcrições em folhetos. Os sermões geraram protestos públicos contra o programa. O líder da SS em Münster solicitou a execução de Von Galen, mas, temendo a revolta popular, a cúpula do III Reich teve de engolir a resistência do religioso até o fim da guerra. Clemens von Galen foi eleito cardeal no Natal de 1945 e beatificado por João Paulo II em 2004.
Fonte: Revista Superinteressante - Edição 292-A - JUN2011 - Págs 36-37
segunda-feira, 4 de julho de 2011
Cinco Skinheads são presos em flagrante agredindo negros em SP
A Polícia Civil de São Paulo prendeu na madrugada deste domingo cinco jovens integrantes de um grupo skinhead. Eles foram presos em flagrante quando agrediam quatro pessoas na Rua Vergueiro, Aclimação, região central de São Paulo.
Foram detidos Welker de Oliveira Guerreiro, 19 anos; Guilheme Witiuk Ferreira de Carvalho, 21; Pedro Toledo de Souza, 19; Julio Ramon de Lima, 21 e Kauê Baldon Barreto, 18. Com o grupo foram encontradas facas, uma caneta com ponta de ferro e até um machado. Um dos detidos usava uma camiseta com os dizeres White Pride (Orgulho Branco, em inglês).
As vítimas dizem que estavam sendo agredidas quando viram a aproximação de uma viatura da Polícia Civil que passava pela região. Os policiais perceberam a movimentação e interromperam a agressão.
Em depoimento à polícia, duas das vítimas, um orientador socioeducativo e um estudante, dizem ter sido agredidas porquem eram negros. Elas prestaram queixa por racismo. Os detidos irão responder ainda por tentativa de homicídio e formação de quadrilha.
O movimento skinhead surgiu na Inglaterra no final da década de 60. Inicialmente, não possuia conotação racista ou sequer política. O ritmo negro e jamaicano do ska era uma das trilhas sonoras dos skinheads ingleses. No final da década de 70, porém, integrantes do movimento aproximaram-se de políticos da extrema-direita inglesa e até de neonazistas. No Brasil, os primeiro skinheads surgiram no início da década de 80.
Da Agência O Globo
NT: Se investigarem irão encontrar livros "revisionistas" com estes cinco...
terça-feira, 28 de junho de 2011
Massacre de judeus em 1941 assinalado na cidade romena de Iasi
"Estamos junto à sinagoga de Iasi, a mais antiga da Romênia. O obelisco que inauguramos hoje é em memória dos milhares de judeus que foram massacrados aqui no fim do mês de junho de 1941", declarou o presidente da comunidade judaica local, Abraham Ghiltan, segundo a agência France-Press.
O monumento, frisou, "deve lembrar a todos onde é que pode levar o ódio e a intolerância", independentemente da "origem, etnia ou religião".
Assistiram à cerimónia diversos sobreviventes, israelitas descendentes de judeus mortos durante o massacre, dirigentes do Museu do Holocausto de Washington e responsáveis romenos, bem como o embaixador dos Estados Unidos em Bucareste, Mark Gitenstein.
Na segunda-feira, os participantes na homenagem deslocaram-se aos cemitérios próximos de Targu Frumos e de Podu Iloaiei, onde estão enterrados em valas comuns os judeus que morreram nos "comboios da morte" que saíram de Iasi após a ofensiva das forças de segurança romenas.
O diretor do Instituto Elie Wiesel sobre o Holocausto na Roménia, Alexandru Florian, salientou que nas valas comuns estão enterradas "vítimas sem nome", que "durante décadas estiveram sem identidade", porque no país apenas se falava "a meia voz sobre os acontecimentos trágicos de Iasi".
O massacre de Iasi, a segunda maior cidade romena depois da capital Bucareste, foi levado a cabo pelas forças de segurança romenas, com o apoio de populares, após rumores de que os judeus locais apoiavam as forças soviéticas. Entre 1939 e 1944, a Roménia foi aliada do regime nazi.
A perseguição foi lançada na noite de 28 para 29 de junho de 1941, tendo sido inicialmente mortos mais de 8.000 judeus. Outros 5.000 foram presos e embarcados posteriormente em comboios, mas apenas pouco mais de um milhar chegaram ao destino, tendo os restantes sucumbido à fome e à sede dentro das composições sobrelotadas.
Segundo um relatório de uma comissão de historiadores presidida pelo Nobel da Paz Elie Wiesel, entre 280.000 e 380.000 judeus romenos e ucranianos foram mortos durante o holocausto na Romênia e nos territórios então sob o controlo do país.
Fonte: Lusa/SIC Notícias(Portugal)
http://sicnoticias.sapo.pt/mundo/2011/06/28/massacre-de-judeus-em-1941-assinalado-na-cidade-romena-de-iasi-
Ver mais:
Romênia enterra judeus encontrados em vala comum do Holocausto
Holocausto na Romênia
Holocausto por Robert Jan Van Pelt e Deborah Dwork - Parte 1 - Preparativos
terça-feira, 21 de junho de 2011
Misterioso álbum com fotografias inéditas de Hitler é encontrado em Nova York
O jornal "The New York Times" teve acesso ao livro fotográfico, do qual se desconhece tanto o autor das imagens como seu proprietário - sabe-se apenas que este último é um "homem da indústria da moda que trabalha em Manhattan" e que preferiu ficar no anonimato, segundo matéria publicada nesta terça-feira pelo jornal nova-iorquino.
As fotos em preto e branco não apresentam nenhuma referência de quando ou onde foram tiradas, o que levou o jornal a pedir a seus leitores que ajudem a resolver o mistério de quem estava por trás da câmera.
A particularidade deste álbum não é apenas o fato de ter permanecido em segredo durante vários anos, mas por reunir tanto soldados nazistas como as vítimas do extermínio em massa, todas elas registradas de perto, o que demonstra que o fotógrafo tinha acesso tanto às tropas de Hitler como aos campos de concentração.
Em uma das páginas do álbum pode ser visto um prisioneiro do que parece ser um campo em Minsk (Bielorrúsia) por volta de 1941, muito magro e coberto por uma manta enegrecida, ao lado de outra imagem na qual aparece um grupo de prisioneiros com a Estrela de Davi pintada sobre a roupa.
Adolf Hitler aparece em quatro páginas do livro, rodeado de militares, esperando em uma estação de trem a chegada do então regente da Hungria, Miklós Horthy, segundo as averiguações do "The New York Times".
O autor das imagens também documentou o trajeto pelo Leste Europeu de um ônibus do Partido Nazista, um grupo de enfermeiras saudando Hitler em uma estação de trem, uma família com seis filhos imersa na pobreza e as ruínas de uma cidade destruída após bombardeios.
"Este álbum se diferença da maioria dos demais pela qualidade de suas fotografias", disse ao jornal a diretora da coleção de fotografia do Museu do Holocausto dos Estados Unidos, Judith Cohen.
A especialista garantiu também que o autor das imagens "era claramente um profissional e sabia o que fazia", por isso "provavelmente" integrava o comitê de propaganda do Partido Nazista.
"Eu sabia que tinha um pedaço de História", reconheceu o proprietário do álbum, que agora quer vendê-lo para sair de uma situação econômica desfavorável.
"Estava muito preocupado que caísse nas mãos erradas. Mas agora minha necessidade é grande demais", disse o misterioso proprietário ao jornal.
Fonte: EFE
http://noticias.terra.com.br/noticias/0,,OI5198524-EI188,00-Misterioso+album+com+fotografias+ineditas+de+Hitler+e+encontrado+em+Nova+York.html
domingo, 19 de junho de 2011
O NSDAP no México: história e percepções, 1931-1940 - parte 2
Assim, uma primeira tentativa do Gleichschaltung em 1933 fracassou. O partido pretendia tomar a Verband Deutscher Reichsangehdriger (Associação de Cidadãos do Reich) como base institucional para transformá-la numa organização que integraria toda a comunidade alemã, ou seja, também os mexicanos de origem alemã. Só a intervenção do representante diplomático, o ministro Rüdt v. Collenberg, ajudou o Landesgruppe a ter sucesso em seu objetivo. Rüdt esclareceu que um estreito vínculo com a pátria significava também a cooperação da AO. Com essa frase RÜdt deixou al descubierto un ponto central da ideologia nacional-socialista: ser alemão somente era possível como nazi. Apresentando a AO como representante oficial do Reich, o ministro implicitamente advertiu contra as consequências de insubordinação ao partido: a privação dos recursos do Reich para as associações, a interrupção da intervenção da Representação nos contatos com oficiais mexicanos, o boicote econômico e o isolamento social. Em janeiro de 1935, finalmente, fundou-se a Comunidade do Povo Alemão no México (Deutsche Volksgemeinschaft, DVM). Sob o controle de Wilhelm Wirtz e Artur Dietrich, que assumiram funções centrais, a DVM se converteu na maior organização alemã do México, com filiais em todo o país. A alusão de RÜdt venceu a resistência da comunidade alemã, de modo que muitos, e também alguns dos velhos adversários, uniram-se à DVM. Outros, sobretudo a direção anterior, abandonaram a DVM, protestando assim contra aa subversión nazista. Em 1936, a DVM já tinha 1665 membros, 798 dos quais viviam no interior. A alta porcentagem de membros no interior explica a fundação de filiais em povos onde até então não existiam associações alemãs: por exemplo em Chihuahua, onde 26 dos 30 alemães se tornaram membros. A esfera de ação mais importante da DVM, contudo, fez-se sentir na capital, onde, por exemplo, operava um serviço para alemães sem empleo ou necessitados, e se impartían cursos de alemão para mexicanos. Sua sede social era o lugar central para as festividades da comunidade alemã[16].
Além da DVM, outras associações estavam sob o controle do partido nazi. O respeitado Colégio Alemão na capital foi dirigido por um membro a partir de 1933. Friedrich W. Schróter descartou a orientação elitista predominante até esse momento e abriu a escola a crianças alemãs de todas as classes sociais. Com ele, propagaram-se ideias nacional-socialistas na enseñanza, e os judeus tiveram que abandonar a escola. Schróter teve muito êxito com esse programa dentro da comunidade alemã: o número de alunos duplicou entre 1936 e 1940, de 620 a 1259[17].
Outras instituições sob o controle do partido, ou com orientação nazista, eram a Juventude Hitlerista, com 245 membros, e a Associação de Professores Alemães Nacional-socialistas, que reuniam a 20 pessoas[18]. Estas cifras mostram que para uma valorização da AO no México não basta contar o número de militantes. Somando só os membros das associações aqui mencionadas, contam-se muito mais de 2000 pessoas. Ainda que nem todos seus membros tenham sido nazis empedernidos e alguns talvez tenham ingressado por oportunismo ou pela pressão da adaptação, isso indica que uma parte considerável da comunidade alemã no México, sobretudo na capital, foi exposta à propaganda e aos rituais do nacional-socialismo.
Um simples membro do NSDAP no México se movia no reduzido microcosmos da comunidade alemã, e seu contato com o povo mexicano se limitava ao imprescindível; as relações com os representantes do governo se reservavam para a Representação Alemã. A propagação de ideias nacional-socialistas no México, frequentemente, era tarefa de Artur Dietrich. Este, por exemplo, transmitiu material sobre judeus e sobre o comunismo à Ação Revolucionária Mexicanista, aos fascistas mexicanos, e convidou seu líder, Nicolás Rodríguez Carrasco, a intensificar a propaganda anticomunista e antissemita. Esta era a única ajda de que dispunha a ARM. Dietrich também aconselhou Rodríguez Carrasco a nomear um representante pessoal ante o Reich. Contudo, o governo alemão não prestou atenção ao representante durante uma visita que este efetuou à Alemanha, porque temia problemas com o governo mexicano, que nesse momento já havia proscrito a ARM.
Dietrich cultivou o contato com os fascistas sem intenção de lhes ajudar nem a organização do partido e nem a tomada do poder. Mas Más bien, a ARM era uma de tantos possíveis multiplicadores nacional-socialistas. Também jornais, como a 'La Prensa', receberam propaganda alemã. Dietrich inclusive fundou um diário - La Noticia -, no qual, contudo, só foi publicado por pouco tempo[19].
Uma olhada em outros países confirmará esta interpretação das relações entre nacional-socialistas alemães e fascistas. Somente no sul do Brasil existiram contatos cotidianos entre simples partidários do NSDAP e os fascistas brasileiros, a Ação Integralista Brasileira, devido ao fato de que ali descendentes de alemães, impressionados por Hitler haviam fundado as primeiras células fascistas, ou fascistas e nacional-socialistas, pertenciam aos mesmos grupos e tinham os mesmos inimigos: a elite política e econômica. Normalmente, contudo, os membros do partido solían ser de um nível alto ou médio, ou a quem, além de seu cargo dentro do partido, desempenharam uma função para o Ministério de Propaganda de Goebbels ou tuveram contato com os fascistas latinoamericanos[20]. Assim, seu interesse nos fascistas não era decisiva para a qualidade do membro da AO, senão a função local que desempenhavam para Goebbels.
Tampouco em outros países os representantes da AO/Goebbels apoiaram revoluções ou golpes de estado dos fascistas vernáculos. Ao contrário, empenhados em impedir a assimilação dos alemães, a AO contrastou com a política nacionalista dos fascistas que, por sua parte, queriam integrar os alemães na nação[21]. Por exemplo, quando o líder do Movimento Nacional-Socialista do Chile descobriu que membros de origem alemã rechaçavam a mistura de raças e exigiam aos alemães conservar seu sangue puro, expulsou-lhes do partido e publicamente criticou esta atitude que - segundo disse - desintegrava o país[22]. No Brasil, o fato de que muitos alemães pertenciam à Ação Integralista Brasileira não impediu de seus líderes atacar a resistência dos alemães em se assimilar[23]. Para a AO, frequentemente, um contato demasiado estreito com estes grupos, que no geral lutavam contra seus respectivos governos, podia pôr em perigo sua existência, fato que era muito presente aos líderes da AO na Alemanha[24].
Fonte: El NSDAP en México: historia y percepciones, 1931-1940
Autor: Jürgen Müller; Universitdt Kóln
Tradução: Roberto Lucena
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Observação: a princípio, o texto seria dividido em apenas duas partes, mas sendo muito extenso(poucas pessoas leem textos muito grandes) poderá ficar em quatro partes, podendo(ou não)futuramente ser fundido em apenas duas(como dito de início).
sexta-feira, 17 de junho de 2011
O NSDAP no México: história e percepções, 1931-1940 - parte 1
O partido
Em 1931 se fundou, sob o nome de Auslandsabteilung (Departamento para o Exterior), um departamento no Partido Alemão Nacional-Socialista (Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei, NSDAP) que reunia e gerenciava os membros do partido, cidadãos alemães em geral, que viviam fora da Alemanha. Até março de 1933 foi dirigido pelo deputado do Reichstag Hans Nieland, e depois por Ernst Wilhelm Bohle, nascido na Inglaterra e filho de um professor de universidade. A partir de fevereiro de 1934, o Auslandsabteilung passa a se chamar Auslandsorganisation (A0/Organização para o Extranjero). Em abril de 1935, a AO deixou de ser um departamento do NSDAP e se converteu em uma Gau (comarca) independente. Bohle ascendeu à posição de Gauleiter (chefe da comarca). No começo de 1937, Bohle deu outro passo adiante em sua carreira quando Hitler lhe nomeou Chefe da AO no Ministério de Assuntos Exteriores, com o status de StaatssekretÜr[1]. Tanto na hierarquia do partido como na do Estado, Bohle chegou a ocupar um segundo lugar[2].
Até 1930, só uns poucos alemães que se falavam no exterior entraram no partido nazi: 486 em todo o mundo, sete deles no México[3]. Os primeiros grupos foram fundados no início de 1931. O sucesso do NSDAP nas eleições de setembro de 1930 animou a muitos cidadãos alemães em todo mundo a se reunirem com simpatizantes e trabalhar para o partido[4]. No México, por falta de um líder apropiado - segundo lamentava a AO -, ninguém tomou a iniciativa e por isso se demorou na fundação de um grupo do partido[5]. Os membros do partido viviam isolados e sem contato entre si. A pedido da AO, os sete membros na capital fundaram o Ortsgruppe (grupo local) do México, D.F. em 10 de novembro de 1931, mas só uns meses mais tarde, com a nomeação do hábio e vivaz Wilhelm Wirtz como Ortsgruppenleiter (líder do grupo local), começou-se a desenvolver o partido no México. Em 1 de setembro, o Ortsgruppe contava com 52 membros, e em janeiro de 1933 já eram 68. A ascensão ao poder do partido Nacional-Socialista na Alemanha acelerou seu crescimento. Não obstante, diferentemente da Alemanha, onde a partir de maio de 1933 se impediu o ingresso de novos membros ao NSDAP, no exterior era quase sempre possível se tornar membro. Em janeiro de 1934 havia no México 191 membros, e em julho de 1935 eram 264. Nos anos seguintes o partido cresceu mais devagar; em junho de 1937 o número de membros ascendeu a 310, um ano mais tarde a 325, e no ano seguinte somavam 366[6]. Isso significava que aproximadamente 5% dos 6875 cidadãos alemães no México[7] pertencia ao NSDAP - um resultado promédio na AO.
O partido já não estava limitado à capital, e se extendeu por todo o país. Fundaram-se novos grupos, por exemplo em Mazatlán (20 membros), Veracruz (16), Monterrey (16) e Puebla (5)8, mas uma alta porcentagem dos membros, cerca de 40%, vivia na capital. Por seus méritos ao haver promovido o grupo local da capital, Wilhelm Wirtz se converteu em líder do Landesgruppe (grupo regional) do NSDAP do México e ocupou esta posição até início de 1940. Estando na Alemanha, o começo da guerra tornou impossível seu regresso ao México. Wirtz foi um dos poucos líderes da AO que permaneceu em seu cargo sem ser deposto. Nisto, o grupo regional do México mostrou uma rara estabilidade na história da AO, já que, em muitos casos, os grupos no exterior não cumpriam os requisitos da AO. Enquanto que outros líderes não tinham autoridade sobre os militantes, ou simplesmente não eram capazes de dirigir uma organização nacional, Wirtz conseguiu a unidade do partido e impediu querelas internas[9].
Dado o número de membros, o Landesgruppe do México era um dos menores grupos regionais da AO. Por exemplo, em 1939 tinha 1569 membros na Argentina, 2990 no Brasil - sendo ambos dois dos maiores grupos da AO - e 921 no Chile. Por isso, o grupo no México não tinha a mesma importância para a AO que tinham outros grupos: enquanto que em 1932 um enviado da AO visitou os grupos na Argentina, Brasil e Chile para inspecioná-los e apoiá-los em sua propaganda, ninguém foi ao México[10]. Do mesmo modo, nos primeiros meses de 1933, quando a AO intensificou o contato com os grupos na América Latina, os partidários no México se sentiram abandonados[11]. Finalmente, quando políticos e periódicos atacaram os grandes grupos nazis na América Latina, a AO defendeu com afindo os direitos dos alemães no exterior, até provocar atritos diplomáticos inclusive no México, e por conta disso, cedeu ante as pressões[12].
Os fundadores dos partidos nazis no exterior eram, em geral, homens nascidos em fins de século ou poucos anos depois. Experimentaram sua socialização política nos últimos anos da época do Kaiser e, quando lhes foi possível, participaram da Primeira Guerra Mundial. Rechaçaram a República de Weimar e, em mais de uma ocasião, uniram-se a tropas irregulares (Freikorps) e/ou entraram em grupos ou partidos de extrema-direita. Emigraram nos anos vinte por motivos econômicos, porque não conseguiram se integrar na vida civil da Alemanha e consolidar sua existência ali. O país de destino dependia mais da casualidade que de projetos concretos. Poucos emigrantes conseguiram se estabelecer rapidamente. Costumavam mudar muitas vezes de trabalho, para finalmente encontrar, depois de vários anos, um posto que lhes permitisse viver sem problemas de subsistência[13]. Um exemplo deste tipo de pessoas é Artur Dietrich[14]. Nascido em 1900, por sua juventude não pode combater na guerra até finais de 1917. Em 1921 esteve numa tropa irregular na Silésia. Seu diploma em agricultura, obtido em 1922, possibilitou-lhe aceitar uma oferta para ir ao México em 1924. Depois de uma série de falidos intentos na administração fazendária, em 1930 começou a trabalhar como empregado de um comerciante de artigos dentais, emprego que desempenhou nos anos seguintes. Dietrich ingressou no partido em novembro de 1931, quando se fundou o grupo local na capital. Em 1933 foi nomeado líder do Ortsgruppe e, pouco mais tarde, aceitou substituir a Wirtz e - para o Ministério de Propaganda de Goebbels, que também tinha sob seu encargo a propaganda no exterior - foi conselheiro de imprensa da Representação da Alemanha no México.
Fonte: El NSDAP en México: historia y percepciones, 1931-1940
Autor: Jürgen Müller; Universitdt Kóln
Tradução: Roberto Lucena
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quarta-feira, 15 de junho de 2011
Americanos esterilizados em programa de eugenia lutam por indenização do Estado
Em 1968, nos Estados Unidos, foi violentada por um vizinho que ameaçou matá-la se ela relatasse o que havia acontecido a alguém. Criada em ambiente cercado de abusos, filha de pais violentos, na empobrecida cidadezinha de Winfall, na Carolina do Norte, a adolescente tinha 13 anos.
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| A americana Elaine Riddick, que foi submetida a uma esterilização forçada aos 13 anos |
Hoje tida como uma falsa ciência, a Eugenia foi um dos pilares do Nazismo na Alemanha e chegou a ser considerada um ramo respeitável das Ciências Sociais. O termo quer dizer "bom nascimento" e foi criado em 1883 pelo britânico Francis Galton. A ideologia propunha o estudo de agentes capazes de melhorar ou suavizar as características raciais de gerações futuras, física ou mentalmente.
Mais de 60 mil americanos foram esterilizados, muitos contra a vontade, como parte de um programa que terminou em 1979. Seu objetivo, na prática, era impedir que pobres e deficientes mentais procriassem. Décadas mais tarde, um Estado americano - a Carolina do Norte - está considerando indenizar as vítimas.
Coerção
As autoridades da Carolina do Norte forçaram a avó de Riddick a escrever um "x" no formulário de autorização. Após fazer o parto do bebê por cesariana, os médicos esterilizaram Riddick. "Mataram meus filhos", diz. "Mataram os meus antes de chegarem", diz Riddick, que sofreu décadas de depressão e outras doenças, e hoje tem 57 anos.
Quase 40 anos após a última pessoa ter sido esterilizada como parte do programa de Eugenia da Carolina do Norte, o Estado criou um grupo de trabalho para tentar localizar as 2,9 mil vítimas que, estima-se, ainda estariam vivas.
O grupo espera reunir as histórias pessoais das vítimas e recomendar ao Estado que lhes ofereça alguma forma de indenização. Entretanto, com as finanças públicas sob pressão, não está claro se o Legislativo vai concordar.
"Sei que não posso corrigir (a injustiça) mas ao menos posso reconhecê-la", disse o deputado estadual Larry Womble. Ele espera "contar ao mundo que coisa horrenda o governo fez com jovens meninos e meninas". O movimento de esterilização nos Estados Unidos foi parte de um amplo esforço para "limpar" a população do país de características considerados indesejadas.
Entre as políticas adotadas estavam evitar a mistura de raças e o estabelecimento de cotas de imigração rigorosas para europeus do leste, judeus e italianos. Um total de 32 Estados americanos aprovaram leis permitindo que as autoridades esterilizassem pessoas consideradas não aptas a procriar, começando com a Indiana, em 1907.
O último programa terminou em 1979. As vítimas foram criminosos e jovens delinquentes, homossexuais, mulheres de tendências sexuais tidas como "anormais", pobres recebendo ajuda do Estado, epiléticos ou pessoas com problemas mentais. Em alguns Estados, as grandes vítimas do programa foram populações de origem africana e hispânica.
Puritanismo
Segundo historiadores, as esterilizações, aparentemente feitas com o "consentimento" de vítimas e familiares, aconteciam, na prática, à base de coerção. Camponeses analfabetos recebiam formulários para assinar, detentos eram advertidos de que não seriam libertados com seus corpos intactos, pais pobres eram ameaçados de perder assistência pública se não aprovassem a esterilização de filhas "depravadas".
Entre alguns dos pedidos de esterilização recebidos pelo Eugenics Board em outubro de 1950 estavam: uma jovem de 18 anos, separada do marido, que tinha "comportamento antissocial"; uma vítima de estupro, negra, com 25 anos, que apresentava "tendências sexuais anormais"; uma menina de 16 anos que tinha sido enviada para uma instituição do Estado por "delinquência sexual" e cuja tia havia dado "assinatura de consentimento"; uma mulher branca, casada, com três filhos, cuja família havia dependido do Estado por muitos anos e tinha um "histórico de casamentos com índios e negros".
Segundo o historiador e especialista em leis Paul Lombardo, da Georgia State University, a motivação por trás das medidas era a indignação com a ideia de que pessoas que haviam desrespeitado códigos de conduta sexual acabariam precisando de assistência pública.
"Nesse país, sempre fomos muito sensíveis a noções de histórias públicas de sexualidade inapropriada", disse. "É nossa formação puritana entrando em conflito com nosso senso de individualismo."
Os programas de esterilização também se baseavam em critérios raciais. Segundo Lombardo, o discurso era: "Quanto menos bebês negros tivermos, melhor. Vão todos acabar dependendo de ajuda do Estado."
Carolina do Norte
Embora os especialistas calculem que milhares em vários Estados americanos tenham sido esterilizados como parte do programa no século 20, a Carolina do Norte se destacou por sua eficiência em implementar as medidas.
A maioria dos Estados promoveu esterilizações de detentos e pacientes em prisões e outras instituições. Na Carolina do Norte, no entanto, assistentes sociais atuando na comunidade podiam fazer petições ao Estado para que indivíduos fossem incluídos no programa.
As autoridades de saúde calculam que dos 1.110 homens e 6.418 mulheres esterilizados na Carolina do Norte entre 1929 e 1974, cerca de 2,9 mil estejam vivos. Hoje, vários Estados examinaram seu passado e fizeram pedidos oficiais de desculpas. No caso da Carolina do Norte, isso ocorreu em 2003.
Mas alguns no Estado querem que o processo vá mais além. O deputado estadual Larry Womble continua a fazer campanha por indenização monetária para as vítimas. Com a crise nas finanças públicas, no entanto, há poucas chances de que legisladores aprovem um pedido de US$ 58 milhões em indenizações - US$ 20 mil para cada vítima.
Uma das pessoas envolvidas na campanha é Charmaine Cooper, diretora-executiva do grupo de trabalho Justice for Sterilization Victims Task Force, criado pelo Estado. "Minha esperança é de que o Estado reconheça que nunca haverá um bom momento para indenizações".
Entre as vítimas que deverão prestar depoimento está Riddick, que hoje vive em Atlanta. Para ela, a perspectiva de uma indenização de US$ 20 mil é um insulto. "Deus disse, sejam fecundos, multipliquem-se. Eles não pecaram apenas contra mim, pecaram contra Deus."
Fonte: BBC Brasil
http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/bbc/americanos+esterilizados+em+programa+de+eugenia+lutam+por+indenizacao+do+estado/n1597029810792.html
terça-feira, 14 de junho de 2011
Gerald Fredrick Töben - Biografia - "revisionistas" 06

Gerald Fredrick Töben
O Dr. Fredrick Töben é um proeminente revisionista australiano, fundador e Diretor do Adelaide Institute, e autor de pelo menos oito livros sobre educação, ciência política e história.
Ele completou doutorado em filosofia na Universidade de Stuttgart em 1977. Em seguida, ministrou aulas em várias escolas secundaristas e faculdades da Nova Zelândia, Alemanha, Nigéria e Rodésia. Em 1984 ele esteve envolvido em uma caso 10 anos de litigância com o Victorian Department of Education e ganhou. Depois disso, em 1994 ele estabeleceu a gestão privada do Adelaide Institute.
Considerado por muitos como um negador do Holocausto, Töben regularmente nega a afirmação, embora tenha indicado em várias ocasiões que ele considera o Holocausto uma “mentira”, perpetuando ostensivamente “os gangsters do Holocausto, vendedores de cadáveres do Shoah Business Merchants”, ele também afirmou que “o atual governo dos EUA é influenciado pelo mundo Sionista para manter a sobrevivência das colônias européias, apartheid, Sionismo e o Estado racista de Israel”. Enquanto da mesma ele nega ser um anti-semita ou um supremacista branco, tem como umas de suas organizações favoritas o StormFront e o seu Adelaide Institute tem uma predileção incomum constante com suásticas, muitas vezes em várias páginas de seu site.
Em 1999, ele ficou preso por 9 meses em Mannheim pela violação da Lei do Holocausto na Alemanha, Seção 130, que proíbe qualquer pessoa de “difamar os mortos”. Töben ainda de recusa a admitir que o Holocausto como afirmado pela maioria dos historiadores nunca ocorreu, e afirmando que os assassinatos em massa ocorrem em uma escala muito menor. Em 2002, um juiz da Corte Federal da Austrália encontrou no website de Töben [uma página] “vilipendiando o povo Judeu”, e ordenou a Töben que removesse o material ofensivo de seu site. O tribunal não cumpriu a uma ordem dada anteriormente por um comissário de Direitos Humanos e Comissão de Oportunidades e Igualdades para “emitir um pedido de desculpas escrito pelo presidente do Conselho Executivo dos Judeus Australianos”.
Enquanto Töben e seus associados do Adelaide Institute, ocasionalmente negando “serem negadores do Holocausto”, em entrevistas realizadas pela mídia australiana, em 2005 em entrevista à televisão estatal Iraniana, indicou que era sua crença que “Israel foi fundado sob a mentira do Holocausto”.
Fonte: The Coordination Forum for Countering Antisemitism
Link: http://www.antisemitism.org.il/eng/Gerald%20Fredrick%20T%C3%B6ben
Tradução: Leo Gott
segunda-feira, 13 de junho de 2011
Extrema-direita é mais forte no Leste mas é um problema nacional
Extrema-direita é mais forte no Leste mas é um problema nacional
13.06.2011 Por Maria João Guimarães
É voz corrente dizer que o problema da extrema-direita na Alemanha é mais forte na antiga República Democrática Alemã (RDA). Jamel, a pequena aldeia dominada pelos neonazis onde vivem Birgit e Horst Lohmeyer, parece ser a confirmação disso mesmo: fica no estado de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, um dos dois estados federados onde o Partido Nacional Democrático (NDP) tem representação no parlamento local. O outro é a Saxônia, onde o NPD fez a sua estreia num parlamento de um Land em 2004. O partido nunca conseguiu, no entanto, chegar perto da marca dos cinco por cento, necessário para obter representação parlamentar a nível federal.
A explicação da maior presença da extrema-direita na Alemanha de Leste parece estar em vários factores: primeiro, no modo como a RDA lidava com o seu passado nazi, apresentando o fenómeno como ligado à parte ocidental do país e negando a sua participação no regime de Hitler; segundo, pelas maiores dificuldades econômicas e desemprego na antiga parte comunista; e por último, ironicamente, por haver menos estrangeiros e judeus no lado oriental do país, o que faz com que haja mais xenofobia e antissemitismo.
No entanto, para os Lohmeyer, enquadrar a questão assim é redutor. "A extrema-direita é um problema da Alemanha - de toda a Alemanha", dizem. Pode ser pior no Leste, mas o que é preciso é uma forte ação nacional, defendem. Por exemplo? "Proibir o Partido Nacional Democrático."
Os políticos do NPD têm tentado distanciar-se da glorificação do Terceiro Reich e focar-se em questões como imigração ou desemprego; uma tentativa anterior de proibir o partido esbarrou com o fato de que muitas declarações de responsáveis que seriam usadas no processo serem de membros do partido que eram, na verdade, agentes da polícia infiltrados.
Não é fácil fazer um retrato da extrema-direita na Alemanha. Há várias organizações que discordam umas das outras, há muitas diferenças ideológicas. Por exemplo, em relação aos estrangeiros: "Há correntes que não toleram estrangeiros, há correntes que dizem que os estrangeiros são bem-vindos desde que venham como turistas... e depois se vão embora", conta Birgit Lohmeyer. Há os que negam certos acontecimentos históricos como o Holocausto e os que os elogiam. Há os que defendem participar no sistema democrático e os que defendem a sua destruição.
A agência de segurança interna da Alemanha avisou recentemente para o crescimento de membros dos Nacionalistas Autônomos, um grupo que recusa a participação em eleições e que é conhecido pela violência. Este grupo terá cerca de 5600 membros, segundo o presidente do Gabinete Federal para a Protecção da Constituição Heinz Fromm (mais 600 do que no ano anterior).
Por outro lado, os números mais recentes do NPD baixaram: o partido contava com 6600 membros no final do ano passado (menos 300 do que em 2009), e a extrema-direita, no seu conjunto, contava com 25 mil pessoas, tendo as organizações desta tendência perdido 1600 membros no último ano.
Fonte: Público (Portugal)
http://www.publico.pt/Mundo/extremadireita-e-mais-forte-no-leste-mas-e-um-problema-nacional_1498555

