terça-feira, 8 de dezembro de 2015

[HB] Como em 1964, a conspiração do golpe para derrubar governo foi tramada durante 2015 (ou antes): a Globo, Cunha, Temer e o resto da tropa

Antes de prosseguir com o post, embora creio que muita gente sabe do que se passa (se não sabe, passará a saber), gostaria que lessem essas matérias, ou basta ver os títulos:

Procuradoria pede 184 anos de prisão para Eduardo Cunha
Justiça da Suíça multa Cunha por tentar impedir investigação de contas
Cunha: Dinheiro na Suíça é da venda de carne moída

Agora, revejam esta foto abaixo, de uma faixa que ficou famosa em uma das "manifestações" da extrema-direita liberal (neocon) do país pra derrubar a presidente da República, de como esta extrema-direita golpista e sem vergonha se identifica com um elemento desses, fixem bem a imagem às matérias acima:

"Somos milhões de Cunhas"


 "Somos milhões de Cunhas", ou seja, eles são, em "alma", como o Eduardo Cunha, o dos 184 anos de prisão e notório chantagista que solapou o país durante o ano de 2015 inteiro (com ajuda da mídia oligopolizada e sem vergonha do país, capitaneada pela Rede Globo, e pelos neocons "liberais" que "surgiram do nada" pra "lotar ruas") e fechou com "chave de ouro" com um pedido de Impeachment contra a presidente do país no último dia 2 de dezembro (isso mesmo, em pleno mês de dezembro, do ano que "nunca acaba"):
Acuado, Cunha acolhe pedido de impeachment contra Dilma Rousseff

A quem quiser ver mais insanidades desta "manifestação" dos golpistas (antes eles se valiam do "benefício da dúvida" pra negar a pecha, mas depois do ato de Cunha e apoio da mídia oligopolizada a pecha de golpista grudou na testa e não desgruda mais), podem clicar no post:
Carnaval-Manicômio: O desfile da extrema-direita - viúva de 1964 - nas supostas marchas "contra a corrupção" (O que virou o "vem pra rua" despolitizado de 2013)

Peço desculpas se no decorrer do post eu fugir do tema, pois seria mais fácil narrar o que se passa (seria mais fácil falar) do que detalhar em linguagem escrita, mas vai assim mesmo.

Vou colocar estes posts sobre esses acontecimentos recentes numa tag (marcador) única, pra facilitar que leiam tudo em série, pois ficará mais compreensível o que se passa vendo em perspectiva (na cronologia, ano após ano).

Os posts ficarão na tag "golpismo", que vem desde a Copa do Mundo e aquelas "marchas de junho de 2013", a Revolução Colorida que não atingiu seu intento que era a derrubada de presidente naquela ocasião, mas tirou do limbo essa extrema-direita golpista e todo tipo de oportunista político que vê nesses episódios uma forma de "se dar bem", mesmo que se ferre depois, como o Carlos Lacerda que apoiou e conspirou pelo golpe de 1964 e depois foi perseguido pela ditadura que ajudou a promover.

Alguém, com bom senso, acha que tudo isso foi um "grande caos" que emergiu do "nada"? Só se for trouxa ou ingênuo (sinto se magoar com esse tipo de afirmação). Agora está ficando bem nítido o que vem se passando desde 2013.

Deram sinal verde em Washington pra setores radicais da direita brasileira (setores golpistas, organizados, articulados) atacarem a democracia do país (sabotarem politicamente, criarem o "caos") como não faziam antes, já que não vencem eleição.

Não basta vencer, tem que debilitar a democracia do país pra tornar o país vulnerável a chantagem política de grupos organizados (setor financeiro, lobistas) com forte presença no congresso nacional, pra atacar direitos da população e a economia do país.

Por que cito Washington (capital dos Estados Unidos)?

Porque desde a segunda guerra não há qualquer movimento político dessa envergadura, visando entregar recursos do país (privatizações) e colocar governos alinhados aos EUA, sem o dedo dos Estados Unidos. Vide o Consenso de Washington e a era FHC, o ataque a Vargas já em 1954 (a ofensiva sempre se dá visando os recursos do país), que com sua morte evitou o golpe na ocasião e por aí vai.

Não só no Brasil como em quase todo o mundo. Isso não é uma "teoria da conspiração" (quisera eu que fosse). Isso é História que a maioria da população (ou uma parcela significativa) se orgulha em não saber, não conhecer. Depois ficam "boiando" com cara de trouxas sem saber do que se passa, sem saber se posicionar.

A quem quiser ver como foi tramado o golpe de 1964, que repercute negativamente até hoje na vida pública do país, assistam o documentário "O dia que durou 21 anos" que narra toda a tramoia dos EUA (Estados Unidos) armando o golpe, já com Kennedy. Confiram o link:
Documentário: O Dia que Durou 21 Anos. Como e quem armou o golpe de 1964 no Brasil

Obviamente (espero), a postura das Forças Armadas hoje têm sido exemplar, de pleno respeito à Constituição, já que muita gente reclama que estão "atacando as FA", não é ataque, até porque é uma parte fundamental do Estado, só que havia uma tradição de golpes que acabavam servindo a interesses externos. Espero que uma visão mais nacional (não anacrônica e com paranoias do passado e sectarismo) sobre o país seja dominante nas FA.

Sim, estou sendo categórico: esta extrema-direita ou direita radical só está fazendo estas coisas no país porque possuem algum respaldo do governo norte-americano (respaldo externo), mesmo que este negue (as tramoias deles sobre isto só aparecerão décadas mais tardes, se não quiserem levar o Wikileaks em consideração). Nenhum grupo de extrema-direita neocon faria isso no Brasil sem aval externo, pois seriam isolados facilmente.

Até algum tempo atrás chamavam essas acusações sobre a participação dos EUA no golpe de 1964 de "paranoia da esquerda", mesmo com pilhas de indícios, hoje já não negam mais pois a verdade vem à tona, mesmo com décadas de atraso.

A quem andou "dormindo", já houve golpe em Honduras e no Paraguai (golpe branco) muito recentemente. Os golpes nunca "surgem" do nada.

Sei que tem gente que fica surtando quando alguém usa esses termos como "conspiração", "golpe", verdade etc, pois os ditos "revisionistas" (negacionistas) costumam usar o discurso (tenho que citar isso pois o blog comenta este assunto), só que o uso desses termos no caso deles (na maioria das vezes) é pra retórica fascistoide em cima de um fato da segunda guerra, assunto que não causa mais tanta repercussão com o tanto de desgraças que emergiram nos últimos anos (Estado Islâmico, crise nos EUA/Europa etc). Portanto, a quem ficar "magoadinho" com os termos, vá encher o saco de outro. A questão é coisa séria e não pretexto pra melindre de terceiros. Vamos parar de frescura que esses chiliques emocionais saturaram.

Mas voltando à questão relevante, o que se passa, se você olhar em perspectiva, começou em 2013 (não vamos entrar na década passada, pois já havia ensaios destes ataques, que só não davam resultado porque houve uma transformação do país, mudança de status) com as tais "marchas de junho" (ficaram conhecidas assim), onde o povo saiu como "manada" às ruas igual àquela cena do filme "Forest Gump" quando ele sai correndo aleatoriamente sem direção e um monte de gente segue atrás dele atrás de "alguma coisa" (ideal etc) e ele apenas estava correndo por correr.

A cena do filme ilustra bem o que houve em 2013, por parte da maioria que aderiu sem uma pauta definida a essa "manifestação" desconexa onde esses setores organizados da direita golpista (direita radical), que é parte da mídia (a Rede Globo está apoiando o golpe ao legitimar o ato do Eduardo Cunha, atitude parecida com a de 1964 quando apoiou outro golpe, e o faz diariamente), aproveitaram esse "tumulto", esse "efeito manada" da população, pra incitar uma dose de irracionalidade política (ódio, revolta sem direção) pra solapar a democracia do país, pois qualquer movimento desconexo, sem rumo, acaba de alguma forma causando danos à democracia, ainda mais quando isto passa a ter apoio de grupos poderosos do país e de fora.

Voltando à questão mais relevante (de novo), pois isto diz respeito a todos no país, se você acha que essas "brincadeiras" de Eduardo Cunha, Aécio Neves, Temer e cia não sobrará pra você, tenho uma notícia a lhe dar: vai sobrar pra todo mundo, não há espaço pra "A" ou "B" ficar em "cima do muro".

Aliás, esse estado de coisas só chegou a esse extremo porque muita gente nesse país costuma ficar em cima do muro (por comodismo ou mesmo estupidez política, achando que quem se posiciona é "idiota", quando o idiota é o covarde) deixando a corda esticar ao extremo, quando poderiam ter cortado todos esses extremistas se tivessem tido coragem de dizer "basta" a eles, se tivessem noção do que está por trás desses "movimentos do bem" pra "moralizar a política" no país, dos ditos "apartidários" (que votam em tucanos, extrema-direita, Caiados e outros).

Pra alguém que ainda não percebeu o que move a "insanidade" (entre aspas, pois este pessoal que está tumultuando, os cabeças, sabem o que estão fazendo) desse pessoal, é o famoso "mais do mesmo":
Há no Brasil setores da elite (classe dominante) que querem se alinhar aos Estados Unidos totalmente entregando o patrimônio público brasileiros (pré-Sal, Petrobras, programa nuclear do país etc) a grupos privados estrangeiros, como fizeram com a Vale do Rio Doce (não preciso citar o crime ambiental que a Vale, privatizada, causou recentemente, e que a mídia oligopolizada demorou dias pra "ver", depois de ficarem "chocados" com o terrorismo na França, síndrome de vassalo, de vira-lata, colonizado).
Pra esses setores (banqueiros, alguns empresários com um liberalismo dogmático, os que encarnam o patrimonialismo) qualquer gesto de soberania do Brasil, projeto nacional etc é visto como algo a ser combatido. Eles são fieis capachos das corporações dos EUA e do governo norte-americano, como parte dos governos de direita da América Latina (a maioria absoluta desde a redemocratização da maioria dos países e mesmo antes disso).

E como fazem isso?

Pegam algum caso de corrupção etc (estão começando a entender o que há por trás da retórica moralista?) e começam a fazer estardalhaço em torno disso com a mídia, diariamente, descendo o porrete de forma seletiva (pois partidos que são uma barreira a esse projeto neoliberal é algo a ser batido), sempre empurrando pra debaixo do tapete qualquer "aliado" (político ligado ao PSDB, que é o partido que defende esta ordem, junto com setores do PMDB e algumas legendas historicamente entreguistas) que esteja envolvido em falcatrua.

Por isso que aquela operação Lava-Jato, que deveria se tornar algo sério, emblemático (apurar tudo, não isentando qualquer culpado, de qualquer partido, e verificando desde o começo das irregularidades do grupo infrator na Petrobras, ainda no governo FHC ou antes), está condenada a se tornar um retumbante fiasco (pode provocar perda de 1% do PIB, ou traduzindo, a operação já custou mais caro que a própria corrupção supostamente investigada, resumidamente, nem pra apurar corrupção esses malas, pra não usar termo pior, fazem a coisa direito) por ser conduzida com fins eleitoreiros, políticos, politicagem ordinária.

A Lava-Jato, que já chamam de "Vaza-a-Jato", pois parece uma "peneira" onde depoimento sigiloso chega à mídia vazado e é vendido por "japonês bonzinho" da Polícia Federal (ou seja, prática de corrupção na própria polícia):
‘Japa bonzinho’ da Lava Jato ganha fama, música e é candidato a hit de Carnaval. Assista o clip

Essa Lava-Jato começou a fazer água quando ocorreu a prisão inconsequente do Almirante da Marinha, Othon Luiz, cabeça do programa nuclear do país, com décadas de serviços prestados ao país, um assunto seríssimo de Estado, defesa nacional, pelo juiz celebridade que vive aparecendo em palestras de grupos empresariais de mídia, quando um juiz em outros países (EUA, França etc) jamais se atreveria a se intrometer desta forma em assuntos delicados como este, tanto que o caso passou pro Rio de Janeiro e saiu das mãos do juiz do Paraná. As "forças ocultas" do Estado devem ter se movimentado (nada contra, se isto ocorreu, agiram bem).

Nem se fizessem roteiro de filme ficção surrealista daria uma trama tão surreal como essa, e tão ridiculamente mal feita, pelo extremismo (radicalismo) de alguns envolvidos na coisa (mídia, juiz do Paraná etc).

Quando o ataque é seletivo demais, até o mais reticente que fica "aplaudindo" o linchamento (de início) começa a desconfiar de que há algo de podre na coisa (na condução do caso).

Aos que ficarem irritadinhos pela crítica à condução do caso no Paraná, vou ser curto e grosso: eu não acredito em "super-heróis", eu não preciso de "heróis", essa transposição popularesca (apelativa) de "heróis" de filmes pra vida real é coisa de gente estúpida. É um troço tão cretino e estúpido que chega a ser ridículo comentar, mas como gente estúpida e radical abunda neste país, então a gente é obrigado a ser curto e direto com esse comportamento messiânico e fantasioso de parte da população, comportamento causado por dificuldades em interpretar fatos, falta de firmeza no que se pensa ou "crê".

Todos esses fatos citados acima (marchas de junho, Lava-Jato, pedido de Impeachment, movimentos de ruas estimulados por TVs, locautes de caminhoneiros etc) estão interligados, ou seja, esse "caos" que essa direita tocou não foi aleatório, foi algo tramado, muito bem planejado, que deu pra visualizar muito bem após o gesto desmedido do vice-presidente da República, Michel Temer, o maçom (agora dá pra entender porque tem tanta página da maçonaria no FB apoiando golpe), articulando grupos pra apoiar o pedido de "impeachment" sem vergonha do cidadão Eduardo Cunha. A quem não assistiu (vou procurar vídeo melhor depois e coloco), esse é breve e resume bem, o ex-governador do Ceará e ex-ministro Ciro Gomes foi curto e direto sobre a tramoia, que é golpe de estado (crime), ou o famoso "golpe branco" (golpe institucional, com pretexto ordinário, ilegítimo, sem forças armadas):




Em suma, eu ia fazer um post melhor mas se esperasse mais não iria sair nada e não posso me omitir sobre o que se passa.

Acho que todo democrata de verdade (não os pseudo-democratas que se dizem "liberais" no Brasil, esses neocons que seguem gente como Olavo de Carvalho e cia), deve se posicionar com veemência contra esse golpismo que se arrasta desde 2013 (pra fixar uma data mais óbvia, e próxima dos fatos recentes). Não precisa gostar de governo "A" ou "B" ou com a política do mesmo, mas a democracia do país foi conseguida a duras penas e é um retrocesso abrir um precedente desses que não vai acabar num afastamento "paraguaio"** (explico a expressão abaixo também), que arrastaria o país pro buraco décadas a fio, tal qual o de 1964. Esse pessoal do "caos" não tem nada a perder, se eles tivessem consciência política (cívica) não estariam fazendo isso, fora os burros (a manada) que vai "na onda" (os famosos "bucha de canhão", que eles descartam quando conseguem o intento).

Não se iludam, esse pessoal é o mesmo que deu o golpe em 1964 (são herdeiros mentais dos golpistas de 1964 e antes, já que houve tentativa de golpe antes de 1964, que não deu certo graças a um general nacionalista e democrata, General Teixeira Lott). Comentei isso várias vezes nos outros posts sobre manifestações, o Eduardo Cunha e o Michel Temer só vestiram a carapuça que tanto negavam, pois muita gente não tomou uma posição firme achando que essa fanfarronice desse pessoal acabaria pelo cansaço (eu mesmo cheguei a achar isso) e não vai acabar sem dizer "basta" a eles. E por boa parte do país não costumar ter interesse em História do Brasil (um povo que desconhece sua própria História é alvo fácil de manipulação).

Não vou esperar que publicação A, B ou C, que nunca comentam a coisa sob perspectiva (o que chega a ser ridículo), como se o Brasil não tivesse relevância geopolítica alguma (o Brasil é membro dos BRICS, aquele bloco que a Rússia faz parte, a mesma Rússia encurralada pelos EUA na Ucrânia e que sofre boicote dos EUA na guerra civil na Síria), o que é uma atitude ridícula, cretinice.

Caso alguém que não tinha opinião formada, leia este post e os anteriores (irei organizar em série na tag que eu citei acima), sendo redundante (acabei escrevendo de novo porque já havia escrito o parágrafo), não precisa gostar de governo A ou B, apenas defender a democracia do país dessa rapinagem organizada com discurso "moralista" (que eu sempre chamo de "udenista") de que estão "preocupados com o país" e outras baboseiras do tipo.

Acho que a ficha caiu pra muita gente quando o "excelentíssimo" presidente da Câmara, Sr. E. Cunha, abriu o processo de Impeachment (golpe branco) pra tentar salvar a própria pele (primeiramente), mas o ato dele não é um ato "tresloucado" só pra salvar a pele, como faz parecer, é algo calculado e tramado por grupos mais fortes que ele, que o usaram e usam enquanto for possível, caso o povo não interrompa esse festival de insanidades, dizer um "basta" a esses grupos "liderados" por "Pokemons com fome" e esse "populacho medonho"* (explico a expressão depois ou abaixo, nas notas, até porque uso com frequência e é bom registrar, pois podem acabar gostando e depois eu não poderei alegar que eu usava isso).

A Time andou listando o "Pokemon subnutrido" como "gente influente", quando a Time começa a dar destaque a golpistas é sinal de que há fumaça nos EUA, a Time andou até dando destaque a Marine Le Pen (suavizando a imagem dela, extrema-direita, não vou discuti-la aqui). A Time é aquela publicação que, se eu não estiver enganado, é parte daquele grupo Time-Life que deu dinheiro pra Globo em 1964, caso Time-Life, a DW, publicação alemã, também adora dar eco a esses golpistas, nunca os chama pelo nome ou o termo "extrema-direita", na Europa sabem usar o termo, mas no Brasil é como se não houvesse "extremos políticos", caso sui generis no mundo.

Era pro país estar pensando nas festas de fim de ano, mas graças ao "murismo" (ficar em cima do muro) dos bons, que tinham alguma noção de que há algo de estranho nessa narrativa da grande mídia, vamos ter que enfrentar o problema. Comigo não há meio termo pra golpista. Caso alguém que leia se identifique politicamente com os grupos golpistas, não espere de mim cordialidade, considero vocês inimigos e como tal irei tratá-los.

Notas:

*populacho medonho: a elite usa o termo "populacho" (ralé, gentinha, Zé Povinho, escória etc) como pejorativo pra povo, "populares". Como essa claque de ódio é muito ordinária, apesar de se "acharem" o "último bastião moral do país", é um verdadeiro populacho medonho. Os termos "populacho" e "medonho" se encontram nos links (dicionário), rs. Nada mais justo chamar a suposta "elite" pelo que eles adoram chamar os outros, mesmo porque eles são medonhos mesmo (abomináveis).

**paraguaio: isso é gíria, não é relativo ao nacional (a quem nasce no Paraguai, apesar do nome). Ficarei devendo o termo no dicionário. Mas pra quem não conhece (já que muita gente de fora lê o blog e não conhece certos termos do país), o Paraguai é conhecido por vender muito contrabando, produto falsificado, então costuma-se usar o termo "paraguaio" pra designar algo chinfrim, de quinta categoria (relativo à muamba, produto falsificado). Há também outra origem pro termo que é a do "Cavalo Paraguaio". Apesar de alegarem que é um termo discriminatório ao Paraguai (que o termo estaria associado ao povo etc), o termo é mais usado por conta do aspecto da "muamba" (contrabando, mercadoria falsificada), mas devido à questão da Guerra do Paraguai, acabam enviesando o termo, que é comum nas ruas mesmo com o rótulo de "pejorativo" etc.

Prefiro deixar anotado (quando é possível) o uso de certos termos do que alguma pessoa mal intencionada atribua significados aos mesmos pra fins 'marotos'.

P.S. texto sujeito a correções (faltam vários links, serão colocados depois).

domingo, 6 de dezembro de 2015

"Mein Kampf" (Minha Luta) regressa às bancas alemãs

Instituto histórico de Munique quer fazer edição pedagógica da obra que inspirou o regime nazi.


Numa altura em que o fluxo de refugiados a entrar na Alemanha está a gerar uma onda de descontentamento e a reacender os fantasmas da xenofobia , uma instituição universitária germânica vai lançar, em Janeiro do próximo ano, o manifesto ‘Mein Kampf’, de Adolf Hitler.

O livro, que explica a ideologia racista e antissemita que inspirou o regime nazi, foi publicado pela primeira vez em 1925, oito anos antes de Hitler chegar ao poder em Berlim. Na altura passou razoavelmente despercebido. Hitler era um ilustre desconhecido e livros de temática antijudaica eram muito abundantes na Europa de então – tinham passado apenas 30 anos sobre o caso de alta traição de Alfred Dreyfuss, que abalou todo o continente e afundou França num momento de vergonha nacional.

O Instituto de História Contemporânea, sediado em Munique, vai imprimir uma edição da obra de quatro mil exemplares, onde o texto original será acompanhado de mais de 3.500 notas, que pretendem assumir um cariz pedagógico oposto às propostas incendiárias do responsável direto pela morte de mais de seis milhões de judeus durante o conflito mundial de 1939/45.

Andreas Wirsching, diretor do instituto, já disse que o texto com comentários de especialistas irá “quebrar o mito” em torno do manifesto: trata-se de "um trabalho acadêmico" que, afirmou, pretende ir mais longe que as publicações “irresponsáveis” que estão amplamente disponíveis nas livrarias de segunda mão. Também Thomas Krüger, presidente do Centro para a Educação Política, uma organização estatal, veio defender a publicação, dizendo que é importante “quebrar o tabu ‘Mein Kampf’”.

A publicação da obra foi proibida logo a seguir à derrota dos nazis em 1945 e os seus direitos atribuídos pelas potências ocupantes ao Estado da Baviera. Segundo a lei germânica, estes direitos cessam ao cabo de 70 anos, em Janeiro de 2016, pelo que ‘Mein Kampf’ passa a ser de acesso livre no mercado. E para que ninguém faça uso abusivo da obra de Hitler – que foi um ‘best-seller’ com mais de 12 milhões de cópias –, as autoridades judiciais alemãs decidiram no passado que não deveria existir uma edição acrítica do livro. Mas, para já, não se livram das críticas de diversas instituições e grupos ligados à diáspora judaica – que alegam que a obra nunca mais deveria ver a luz do dia. Temem que a ‘bondade’ da nova edição se perca no meio da situação explosiva que se vive na Alemanha por estes dias.

03 Dez 2015 António Freitas de Sousa
antonio.sousa@economico.pt

Fonte: Económico (Portugal)
http://economico.sapo.pt/noticias/mein-kampf-regressa-as-bancas-alemas_236493.html

Ver mais:
“Mein Kampf”. O livro proibido de Hitler volta a ser publicado na Alemanha 70 anos depois (Observador, Portugal)

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Paul Preston: "Franco pensava que o mundo era regido por um superestado maçônico"

O historiador e hispanista britânico (d), conversa com o reitor da Universidade de Estremadura, Segundo Píriz (i),
e com o presidente estremenho, Guillermo Fernández Vara (c), antes de ser investido Doutor Honoris Causa
num ato celebrado na Faculdade de Filosofia e Letras da Universidade de Estremadura. EFE/Esteban Martinena

CÁCERES.- O historiador e hispanista britânico Paul Preston foi investido como doctor honoris causa pela Universidade de Estremadura, onde afirmou que o ditador tinha "aspectos bastante cômicos", como o fato de que acreditava que "Paulo VI era um bolchevique".

"Pensava que o mundo era regido por um superestado maçônico, que não se sabia se estava na Lua ou debaixo do Atlântico", acrescentou em tom irônico durante sua conferência como doutor honoris causa pela Universidade estremenha (Uex).

Ante um abarrotado Paraninfo da Faculdade de Filosofia e Letras, no Campus de Cáceres, Preston recorreu a sua vinculação com a Espanha e com sua história, entre a que se situa a biografia que elaborou sob o título "Franco: Caudillo de España" ("Franco: Caudilho da Espanha").

Relatou que quando recebeu o encargo desta obra, tinha "a impressão de que a figura de Franco era tão tediosa, tão odiosa", que não lhe interessaria". Contudo, uma vez iniciada, se "enganchou", pois, entre outros motivos, "Franco era, pessoalmente falando, um enigma mas com aspectos bastante cômicos".

Seu discurso, seguido pelo reitor da UEx, Segundo Píriz, e o presidente da Junta de Estremadura, Guillermo Fernández Vara, entre outras autoridades, também serviu para conhecer sua relação com Estremadura, "uma terra" com a qual mantém "importantes laços pessoais e profissionais".
"Estremadura significa para mim a Guerra Civil e o sofrimento do povo espanhol"
De fato, sua relação com a Espanha começou nos fins dos anos 60, e "minha primeira viagem - revelou - foi a esta terra". Estremadura significa para mim a Guerra Civil e o sofrimento do povo espanhol", afirmou o historiador londrino, a quem em seu começo como historiador decidiu aproximar seus interesses pela Segunda Guerra Mundial pelo da Guerra Civil espanhola, a mercê do trabalho do professor Hugh Thomas.

"Pareceu-me mais fascinante" que qualquer outro tema que até então havia estudado, acrescentou, e que desvelou que o sentido do humor dos espanhóis e sua gastronomia foram elementos que influíram na hora de adentrar na História da Espanha.

Desde um prisma acadêmico, Presto assegurou que a UEx goza de uma "muito merecida e crescente reputação internacional, pelo qual é um privilégio poder se considerar uma pequena parte dela".

Píriz destacou a trajetória acadêmica "sólida e excelsa" de Preston, cuja obra qualificou como "extensa, profunda, influente e sugestiva". "Repassa de maneira crítica e fundada o devir de todo um século da vida na Espanha", acrescentou.

Na sua concepção, "os espanhóis de hoje estão em dúvida com seu retrato de nosso imediato passado". Também o presidente estremenho disse palavras de elogio para Preston, "um mestre dos historiadores", um conhecedor "dos sofrimentos desta terra e também os esforços que se há feito por aqui pela recuperação da memória histórica". "Estamos convencidos de que a melhor maneira de recuperar a história é contá-la", acrescentou Vara.

Fonte: Público/EFE (Espanha)
http://www.publico.es/politica/preston-franco-pensaba-mundo-regido.html
Título original: Preston: "Franco pensaba que el mundo estaba regido por un superestado masónico"
Tradução: Roberto Lucena

domingo, 22 de novembro de 2015

Só para registro, sobre fakes de novo, surreal

Como não tenho a menor intenção em me aborrecer depois, caso alguém comentando anonimamente ou com fakes fique usando textos do blog de forma indevida, mais precisamente cópia de comentário opinativo em parte de um texto (copiando comentários, opinião, algo desnecessário) pra tentar provocar "revisionistas" e afins, pois dessa vez o trecho copiado não foi de conteúdo traduzido (algo que não faço a menor questão que usem, os textos com conteúdo traduzido estão públicos, os posts só com conteúdo histórico sem opinião podem ser usados desde que apontem o local de origem do texto, é uma condição). Reconheci fácil a cópia pois se fui eu que escrevi o texto original eu reconheço fácil caso eu leia em outro canto.

Eu fiz questão de alertar no blog que a mensagem deixada (anônima) de que não era minha (sobre Netanyahu, deste post, e o cidadão até adaptou palavras pra não identificarem o post original), embora já tenha alertado isso aqui (mas o formato do blog não ajuda a saberem do problema quando o post fica velho, a menos que ele seja fixado), até porque, como disse aqui várias vezes (bastam ler os avisos do blog), se eu quiser comentar algo, comento com o perfil, não preciso de A ou B pra falar por mim, tampouco deixar mensagem anônima usando algo opinativo num texto.

Caso alguém queira ler, clique na tag "trolls" (link acima) ou veja diretamente neste post um dos avisos:
No Reino da Fantasia dos Trolls "Ocultos" (dezembro de 2013).

Dois anos ou mais de alertas e a pessoa (que deve ser a mesma) continua com a mesma postura cretina, irracional. Coisa de irracional mesmo, não é normal um negócio desses.

Eu acho que não ligaria se fosse um "revi" a atacar, porque não espero nada de bom desse pessoal, por isso que nunca me aborreci com algo que atacam, nesse ponto eles são coerentes com o que pregam. No Orkut quem muitas vezes provocava esse tipo de ataque era o pessoal ligado a grupos pró-Israel. Hoje dá pra visualizar melhor a coisa. Atacam e depois enfiam o rabo entre as pernas.

Havia muito desses problemas no Orkut, que fechou por conta dessas coisas.

Como disse, quem vem fazendo isso não é "revi", e não é um papel "louvável" agir dessa forma.

É uma tremenda cretinice (já ressaltei isso antes) o ato. Se esse pessoal tem medo dos "revis" a ponto de só comentar como anônimo, deveriam parar de bater boca com eles. É fácil ser "valente" anônimo, é o que se pode chamar de "valentia" de frouxos, mas isso é ridículo. Querem provar o quê com o gesto? Que são cretinos como o "revisionismo"? Pois é o que estão fazendo.

O que acho também ridículo é alguns "revis" liberam mensagens de fakes/anônimos pra insinuar que A ou B faz isso quando eles deixam propositalmente a coisa passar pra movimentar a "discussão" (entre aspas). Neste ponto estão sendo incoerentes pois só deveriam deixar passar mensagens de alguém com perfil fixo.

Este post não é uma crítica ao blog onde vi esta mensagem anônima mas é que já vi essa postura em outros blogs, e é no mínimo incoerência usar esse tipo de comentário anônimo. Se liberam então parem de ficar insinuando que é A ou B, se liberam é porque gostam do achincalhe e provocação, assumam isso em vez de querer posar de "vítimas" ou cortem esse tipo de comentário.

Como disse acima, não é uma crítica ao blog de Portugal pois, independente de divergência ideológica, cada lado, dentro do possível, respeita-se, mesmo ocorrendo discussões mais acirradas no passado. Dificilmente, ou muito raramente, levo alguma discussão sobre política pro lado pessoal, exceto se houver algum ataque pessoal grave. Mas mesmo discussões e troca de farpas numa discussão podem ocorrer, quem for se "doer" com isso (levar tudo pro lado pessoal), não discuta.

Havia dois blogs de Portugal que discutiram com este blog, só um está ativo e o outro parado, mas os donos dos blogs comentavam/comentam com seus perfis, que é o certo. Neste ponto nunca houve qualquer motivo de queixa a esses blogs.

Causa perplexidade entender o que se passa na cabeça de uma pessoa pra ficar fazendo esse joguinho de "gato e rato" achando que alguém vai cair nesse tipo de pilha. Não pretendo fazer outro post sobre isso, se for o caso, fixo este post no topo pra servir de alerta. Quem acessar o blog lerá e identificará fácil quem fizer.

Este blog aqui já recebeu mensagem anônima, na única vez que liberei a opção e retirei depois dessas mensagens, e eram sempre com o mesmo intuito: gente que entra nos sites (blogs) "revis" pra bater boca com os "revis" e não aguentam o tranco da discussão, provocação. Tomam algum toco e começam a apelar. Ficam querendo fazer denuncismo, discutir besteira etc.

Pra quem vê essas discussões com fakes/anônimos, não há diferença alguma desse tipo de postura pra postura de vários "revis".

Outro ponto central do problema é que os assuntos racismo, antissemitismo, segunda guerra etc são algo sério, não são pra alguma "boa alma" posando de "justiceiro" tentar "trollar" "revis" de forma pueril. Isso só faz aumentar o discurso de ódio nesses cantos e é algo perigoso, pois ódio mata. Ódio se propaga, é irresponsável e inconsequente esse tipo de provocação. Se quer fazer isso não tente colocar outros que não participam no meio da "peleja", isso é canalhice. Não é porque convirjo em algo com alguém que sou obrigado a concordar com esse tipo de impostura e outros posicionamentos políticos dessas pessoas. O mundo pegando fogo e gente no país fazendo essa cretinice dos tempos do Orkut.

Se alguém está com nostalgia/saudosismo do Orkut, sinto informar: aquele site morreu e algo do tipo não aparecerá de novo. Graças a esse tipo de comportamento.

Uma parte da população no país, por completa falta de educação, etiqueta (é uma generalização, não é o povo inteiro do país obviamente, mas uma parte considerável permitiu essa bandalheira naquele site, e mesmo no Facebook o "nível" segue o mesmo patamar, só que de forma mais isolada) não soube se comportar naquela rede levando a mesma ao colapso (por conta desse mau comportamento). Quem perdeu com o mau comportamento? O Google não foi.

Emporcalharam a rede e judicializaram a mesma, coisa que a gente não via na internet antes da ascensão do Orkut.

Se a gente fosse dizer isso no Orkut, em algumas comunidades de Orkut com aquele sendo repressor com desculpa de "politicamente correto", davam piti porque esse tipo de comentário "soa" "elitista" e coisas do tipo, mas é verdade, emporcalharam a rede e não estão ajudando o povo passando a mão na cabeça do que fazem de errado. Não sou contra a inclusão digital, a única forma de democratizar o país e o mundo se dará por isso, mas não pode virar a zona que virou no Orkut, e não foram só os trolls que provocaram o problema. O pessoal permissivo foi peça-chave na propagação desse comportamento repulsivo, como o próprio Google ao não coibir o problema achando que isso gerava mais acessos ao site (foi pra vala o Orkut, o Google+ tá indo pelo mesmo caminho, o Facebook é outro que já embarcou nessa).

"Bela" "contribuição" que esse pessoal "justiceiro" "troll" deu à liberdade de discussão na rede. Patotas estúpidas só fazem besteira mesmo.

Eu vi quando começaram a propagar o discurso de ódio no Orkut, um dos principais responsáveis por isso adivinhem quem foi? Os ditos "justiceiros" de internet, que a própria PF esculachava em matérias (acho que coloquei links nos posts antigos), MP etc. Só pra ilustrar o problema, matéria de 2007, no auge dessa bandalheira naquela rede do Google:
Justiceiros do Orkut: heróis ou criminosos?

A matéria pega até leve quando deveria atacar pesado a conduta. Logo nos primórdios da internet, algumas listas na Undernet ou Usenet (citando de memória, fui ver e foi na Usenet e BBS) foram emporcalhadas e quase destruídas por conta de trolls discutindo. A solução? Banir totalmente os trolls.

O próprio IRC (antecessor do Orkut) vinha/vem (pois deve funcionar ainda) com recursos pra banir trolls e afins pra que não criassem o caos no ambiente e destruíssem o mesmo, justo por essa experiência que tiveram na Undernet.

O problema do Orkut é que pegou a inclusão digital no país, com um povo não habituado ao ambiente digital e que achava que isso era a extensão do comportamento turvo que possuem. Deu nisso uma vez que houve um comportamento de permissividade na maioria das comunidades do Orkut, confundido com "defesa da liberdade de expressão". Os trolls venceram a peleja, destruíram tudo, discussão etc, pois as pessoas sãs acabam saindo desses ambientes conturbados, por falta de segurança causada pelos trolls.

Ou seja, esses "heróis" (entre aspas), em vez de ajudar no problema só faziam apagar o rastro dos delinquentes naquele site, fora o clima de terror e insegurança que propagavam com as brigas e ameaças, que também são crimes. Por isso são chamados de "justiceiros", pois são foras da lei, fora a profunda ignorância de vários deles. Como alguém vai se posicionar contra o nazismo sem nem saber o que é nazismo ou fascismo? Ou com um comportamento de delinquente?

Quem deixa esse tipo de comentário, aparentemente, não se trata nem de um "revisionista" e sim alguém que melindra fácil com o tema Holocausto e fica com aquelas defesas insanas do mesmo, misturando o assunto com questões do Oriente Médio, posicionamento sectário de direita, movido por algum fanatismo religioso.

Que a pessoa queira defender o que quiser e crer no que quiser, direito de cada um, mas já tentar me colocar no meio desse 'melindre' ou "cruzada pessoal" é algo que não aceito em hipótese alguma. Haja por sua própria conta sem me pôr no meio ou qualquer um aqui nisso. Já começa errado a postura de escrever como anônimo.

Que comente por si sem fazer esse joguinho ridículo que já critiquei aqui antes, e pensei (até porque leem esse blog mesmo sem comentar) que já haviam parado com essa babaquice.

Quem faz isso só faz aumentar o azedume dos "revis" (dar algum pretexto pra discutirem, embora até eles já estejam ficando de saco cheio desse bate-boca com gente anônima, mesmo deixando comentarem achando que isso "embala" os "debates") uma vez que esse assunto ("revisionismo") perdeu o "impacto" inicial que teve no país (perdeu o status de novidade e também porque a agenda do mundo hoje é outra).

Ou seja, se a ideia da pessoa que faz os comentários é a de "combater" os "revis", só está fazendo papel de bobo da corte (na melhor das hipóteses) pra eles uma vez que pra comentar com comentário anônimo passa a impressão de que morre de medo deles.

Eu só comento com este perfil ou o que uso no Holocaust Controversies, ou deixando claro que sou eu, se alguém comentar anônimo, que os sites "revis" se responsabilizem por isso (se quiserem, pois uma vez que foram alertados e permitem, são coniventes com a coisa que supostamente "condenam", eu não ligo pra briga desse pessoal, só não quero ficar em fogo cruzado de idiotas) e que fique claro que não é ninguém daqui do blog.

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

'Descendentes precisam saber que história da África é tão bonita quanto a da Grécia'

Quando começou a se interessar pela história da África, o poeta, diplomata e historiador Alberto da Costa e Silva ouviu: "Por que você, um diplomata, um homem tão letrado, não vai estudar a Grécia?"

Justamente porque todo mundo estudava a Grécia, explica, ele resolveu estudar a África. Hoje, é o principal africanólogo brasileiro, autor de clássicos como A Enxada e a Lança: a África antes dos Portugueses e A Manilha e o Libambo: a África e a Escravidão, de 1500 a 1700. E, aos 84 anos, prepara um novo livro para completar sua trilogia sobre história africana.

Formado em 1957 pelo Instituto Rio Branco, Costa e Silva serviu em vários países e foi embaixador na Nigéria. É membro da Academia Brasileira de Letras, autor e organizador de mais de 30 livros. Por sua obra, recebeu em 2014 o Prêmio Camões, o mais prestigiado da língua portuguesa.

Filho do poeta piauiense Antônio Francisco da Costa e Silva, nasceu em São Paulo e viveu no Ceará até aos 12 anos, quando mudou-se para o Rio de Janeiro. Cresceu entre livros e costuma dizer que, como no verso do poeta francês Charles Baudelaire (1821-1867), seu berço "ao pé da biblioteca se estendia".

Foi entre livros, quadros e esculturas, no apartamento em que guarda lembranças de vários lugares do Brasil e do mundo, que ele recebeu a BBC Brasil às vésperas do Dia da Consciência Negra para falar da história do continente pelo qual se apaixonou.

BBC Brasil: Como o Brasil aprendeu a história da África?

Alberto da Costa e Silva: A história da África durante muito tempo foi uma espécie de capítulo de antropologia e etnografia do continente africano. Eram livros que árabes e europeus escreveram sobre suas viagens. Data do fim da Segunda Guerra Mundial a consolidação a história da África como disciplina à parte, semelhante à história da Idade Média europeia, ou à história da China.

Entre 1945 e 1960 seu estudo começa a ganhar grandes voos, tanto na África quanto na Europa, sobretudo Inglaterra e França. Curiosamente o Brasil esteve ausente disso. Os historiadores brasileiros sempre viam a história das relações Brasil-África com a África figurando como fornecedora de mão de obra escrava para o Brasil, como se o africano que era trazido à força nascesse num navio negreiro.

Era como se o negro surgisse no Brasil, como se fosse carente de história. Nenhum povo é carente de história. E a história da África é uma história extremamente rica e que teve grande importância na história do Brasil, da mesma maneira que a história europeia.

De maneira geral, quando se estuda a história do Brasil, o negro aparece como mão de obra cativa, com certas exceções de grandes figuras, mulatos ou negros que pontuam a nossa história. O negro não aparece como o que ele realmente foi, um criador, um povoador do Brasil, um introdutor de técnicas importantes de produção agrícola e de mineração do ouro.

BBC Brasil: O senhor poderia citar alguns exemplos?

Costa e Silva: Os primeiros fornos de mineração de ferro em Minas Gerais eram africanos. Fizemos uma história de escravidão que foi violentíssima, atroz, das mais violentas das Américas, uma grande ignomínia e motivo de remorso. Começamos agora a ter a noção do que devemos ao escravo como criador e civilizador do Brasil.

Quando o ouro é descoberto em Minas Gerais, o governador de Minas escreve uma carta pedindo que mandassem negros da Costa da Mina, na África, porque "esses negros têm muita sorte, descobrem ouro com facilidade". Os negros da Costa da Mina não tinham propriamente sorte: eles sabiam, tinham a tradição milenar de exploração de ouro, tanto do ouro de bateia dos rios quanto da escavação de minas e corredores subterrâneos. Boa parte da ourivesaria brasileira tem raízes africanas.

Tenho a impressão de que todos temos dentro de cada um de nós um africano. Podemos não ter consciência disso, mas é permanente.

Temos de estudar o continente africano não como um capítulo à parte, um gueto. A história da África está incorporada à história do mundo, porque ela foi parte e é parte da história do mundo. Que a história do negro no Brasil não seja isolada, como se o negro tivesse sido um marginal. O negro foi essencial na formação do Brasil.

BBC Brasil: Qual a importância de um personagem como Zumbi?

Costa e Silva: Havia um suplemento juvenil do jornal A Noite, sobre grandes nomes da história, e eu me lembro perfeitamente de um caderno sobre Zumbi. Zumbi está aliado de tal maneira à ideia de liberdade que é difícil escrever sobre ele sem ser apaixonado.

Zumbi não é um nome, é um título da etnia ambundo, significa rei, chefe. Palmares era como um Estado africano recriado no Brasil. Na África era muito comum isso. Em torno de um núcleo de poder forte se aglomeravam vários povos e formavam um novo povo. Isso é uma hipótese.

BBC Brasil: O senhor vê um aumento do interesse dos brasileiros pela questão negra?

Costa e Silva: Tenho a impressão de que todos temos dentro de cada um de nós um africano. Podemos não ter consciência disso, mas é permanente. Há naturalmente hoje em dia uma percepção mais nítida do que é a África, a escola começa a dar uma visão mais clara.

Mas ainda apresenta visões distorcidas. Uma vez uma professora veio me dizer que era absurdo que apresentássemos Cleópatra como uma moça branca, quando ela era negra. É um equívoco isso. Cleópatra não era negra nem mulata. Era grega. Os Ptolomeus, uma dinastia grega, governavam o Egito e não se misturavam.

BBC Brasil: Na África também havia escravos, não?

Costa e Silva: Escravidão houve em todas as culturas no mundo. Todos nós somos descendentes de escravos. Houve escravidão em toda a Europa, na Indonésia, entre os índios americanos, na Inglaterra. Na África havia todos os tipos de escravidão, e até hoje em certas regiões africanas os descendentes de escravos são discriminados. Quase toda a África teve escravidão.

A escravidão transatlântica, da África para as Américas, a nossa, tem uma diferença básica: pela primeira vez era uma escravidão racial. Era um especial aspecto da perversidade dela. No início não, mas a partir de certo momento, passa a ser exclusivamente negra. Foi o maior deslocamento forçado de gente de uma área para outra que a história já conheceu, e o mais feroz.

Acho que tem de haver cota em tudo. Se você vai se candidatar a um cargo de atendente de hotel de primeira classe, se você for negro, você tem dificuldade.

O Brasil foi o último país das Américas e do Ocidente a abolir a escravidão. O último do mundo foi a Mauritânia (na África), em 1981.

BBC Brasil: Como analisa o racismo hoje no Brasil?

Costa e Silva: Existe racismo, e muitíssimo. No nosso racismo, não temos um partido racista, mas temos repetidas manifestações de racismo no seio da sociedade. É dificílimo, para um negro, ascender socialmente. A discriminação se exerce de forma muitas vezes dissimulada, mas que os marca muito. Mas está mudando. Sinto mudanças.

É importante que os descendentes de africanos saibam que eles têm uma história tão bonita quanto a história da Grécia. Que eles não eram bárbaros, que não são descendentes de escravos. São descendentes de africanos que foram escravizados.

Para mim o importante não é que haja cota na universidade. Acho que tem de haver cota em tudo. Se você vai se candidatar a um cargo de atendente de hotel de primeira classe, se você for negro, você tem dificuldade. O preconceito é discriminatório. Ele não impede você de usar o mesmo banheiro, o mesmo bebedouro, mas dificulta o acesso (do negro) às camadas das classes média e alta.

Fernanda da Escóssia
Do Rio de Janeiro para a BBC Brasil
20 novembro 2015

Fonte: BBC Brasil
http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/11/151120_entrevista_historiador_fe_ab

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Estado Islâmico (EI) - Programa Canal Livre

Como vez por outra alguém aborda o assunto, por alguns sempre associarem a temática da segunda guerra com Oriente Médio (na atualidade, não no período da segunda guerra), muitas vezes de forma inapropriada, seguem abaixo alguns vídeos de debate sobre o Estado Islâmico já que não dará pra colocar alguns textos no momento, a menos que alguém queira traduzir (algo que preste).

Eu diria que o vídeo principal pra assistirem, caso não queiram ver os demais pois os vídeos são longos, este vídeo é o do Canal Livre da TV Bandeirantes com o prof. Salem Nasser como convidado, só que o vídeo tá separado em quatro partes num servidor do UOL. Há mais de um debate em vídeo nos links, divididos em partes e mais três em vídeos inteiros. Caso alguém suba o vídeo inteiro pro Youtube (que estão divididos em links), removerei os links do UOL. Tem outro programa mas depois acrescento o link. Links:

Observação 1: removeram o primeiro vídeo inteiro (e aberto) que constava no Youtube e não há cópia disponível. Assistam os demais.

Não creio que o vídeo removido foi este (não lembro direito pois há mais de um), exibido provavelmente em novembro de 2015, só tem um trecho do debate, mas aparenta ser o sobre "Atentado na França" (mas há um debate anterior que foi cortado):
http://noticias.band.uol.com.br/canallivre/entrevista.asp?id=15724439&t=retrospectiva-2015---parte-6

Outro debate: Atentado na França - Parte 1
http://noticias.band.uol.com.br/canallivre/entrevista.asp?id=15678350&t=atentado-na-franca---parte-1
Atentado na França - Parte 2
http://noticias.band.uol.com.br/canallivre/entrevista.asp?id=15678355&t=atentado-na-franca---parte-2
Atentado na França - Parte 3
http://noticias.band.uol.com.br/canallivre/entrevista.asp?id=15678357&t=atentado-na-franca---parte-3
Atentado na França - Parte 4
http://noticias.band.uol.com.br/canallivre/entrevista.asp?id=15678358&t=atentado-na-franca---parte-4

Segue abaixo outros vídeos que considerei interessante sobre o tema já que o povo (generalizando) prefere ver vídeos que ler.

Programa antigo/anterior (TV Bandeirantes): Canal Livre - O Estado Islâmico
https://www.youtube.com/watch?v=xhlW18-W3p0


Estado Islâmico - TV e Rádio Unisinos
https://www.youtube.com/watch?v=LY2VBB6xCiM


Espaço Público recebe Salem Nasser - Espaço Público
https://www.youtube.com/watch?v=5n0BzZ_I3Pk


Canal Livre debate os conflitos no Oriente Médio – parte 1
http://tvuol.uol.com.br/video/canal-livre-debate-os-conflitos-no-oriente-medio--parte-1-04024C9C346ED0913326
Canal Livre debate os conflitos no Oriente Médio – parte 2
http://videos.bol.uol.com.br/video/canal-livre-debate-os-conflitos-no-oriente-medio--parte-2-04020C9C346ED0913326
Canal Livre debate os conflitos no Oriente Médio – parte 3
http://videos.bol.uol.com.br/video/canal-livre-debate-os-conflitos-no-oriente-medio--parte-3-04020E18356ED0913326
Canal Livre debate os conflitos no Oriente Médio – parte 4
http://tvuol.uol.com.br/video/canal-livre-debate-os-conflitos-no-oriente-medio--parte-4-0402CC9C346ED0913326
Canal Livre debate os conflitos no Oriente Médio – parte 5
http://videos.bol.uol.com.br/video/canal-livre-debate-os-conflitos-no-oriente-medio--parte-5-04028C9C346ED0913326

Observação 2: mas não menos importante. Só uso o termo "ISIS" quando alguém tem problema de entender a sigla EI, que é a correta em português, "ISIS" é mais outro anglicismo que a mídia brasileira impõe (ou tenta impor) por estupidez, macaquice. Não há necessidade alguma do uso desse anglicismo. É vergonhoso ver 'jornalistas' não usando o idioma oficial do país quando existe tradução do termo.

domingo, 15 de novembro de 2015

Hilmar Wäckerle, primeiro comandante de Dachau

Hilmar Wäckerle na batalha de
Grebbeberg, Países Baixos. Original
de waroverholland.nl
Hilmar Wäckerle nasceu em 24 de novembro de 1899 em Forchheim, no norte da Baviera. Aos catorze anos, já começava a Grande Guerra, entrou na escola de oficiais do exército bávaro. Depois de três anos, antes de completar os 18, foi destinado ao regimento de infantaria da Bavária nº2, "Príncipe herdeiro" em agosto de 1917, um dos regimentos mais prestigiados (e com maior índice de baixas) do antigo Reino da Bavária.

Em setembro de 1918, o alferes (Fähnrich) Wäckerle foi ferido gravemente. Recuperou-se do armistício no hospital, longe do front, compartilhando desta forma a mesma experiência de Hitler. No pós-guerra, depois de ingressar no Freikorps Oberland, de 1921 a 1924, estudou engenharia agrícola na Universidade Técnica de Munique, ainda que não consta se se relacionou com quem fora seu condiscípulo de 1919 a 1922, Heinrich Himmler, um ano mais jovem. Hilmar também ingressou no NSDAP um ano antes que Himmler, mas deixou de pagar as cotas e se distanciou da política ao terminar seus estudos. Não solicitou ingressar na SS até 1929, quando Heinrich já era seu Reichsführer. Depois de dois anos de teste, foi admitido como SS-Mann com o número 9.729. Também voltou a ingressar no NSDAP em 1 de maio de 1931, com o número de 500.715. Hilmar nesses momentos era administrador de uma propriedade agrícola em Kempten. Seu irmão, Emil, também era membro da SS.

Em fevereiro de 1933, com Hitler recém nomeado chanceler em 30 de janeiro, Wäckerle chega a SS-Hauptsturmführer (capitão). Em março, Freidrich Jeckeln, chefe da SS do sul da Alemanha, nomeia-o comandante do primeiro campo de concentração da SS, em Dachau. Desde 30 de janeiro, por toda a Alemanha proliferou todo tipo de cárceres "selvagens", casas ou prisões onde Gauleiters (chefes do partido) e grupos da SA detinham e torturaram seus inimigos políticos. Nesses momentos o cargo oficial de Himmler é o de chefe da polícia da Bavária, e decide criar um grande campo centralizado para "reeducar" esquerdistas e inimigos do Estado. A desculpa é o incêndio do Reichstag, que se supõe a um chamamento de um levante comunista. Na realidade quem se levanta são os homens do NSDAP, com o apoio de outros grupos de extrema-direita, como o Stahlhelm.

A primeira denúncia contra Hilmar Wäckerle, como comandante de Dachau, foi feita por Sophie Handschuch pela morte de seu filho. Outros prisioneiros que morreram nesses primeiros dias foram o doutor Rudolf Benario, Fritz Dressel, Sepp Götz, Ernest Goldmann, Arthur Kahn e Erwin Kahn, além de Karl Lehrburger e Wilhelm Aron, judeus. A promotoria também determinou que Herbert Hunglinge havia se suicidado por não poder aguentar as condições de sua reclusão. Em maio, as investigações do promotor se ampliaram para as mortes de Sbastian Nefzger, Leonard Hausmann, o doutor Alfred Strauss e Louis Schloss, esses dois últimos, judeus.

Supõe-se que Himmler destituiu Hilmar Wäckerle de seu cargo em Dachau por todas essas mortes, ainda que só o fez pra manter as aparências. Também é possível que influíra que se conseguisse fugir um deputado comunista, que publicou em agosto o primeiro escrito sobre a vida e morte nos campos de concentração da Alemanha. De todas as formas, Wäckerle foi elevado a SS-Sturmbannführer (comandante) em 01 de março de 1934, menos de um ano depois de sua destituição em Dachau.

Desenvolveu o resto de sua carreira na Waffen-SS, e teve seu momento de glória na invasão dos Países Baixos, em maio de 1940, ao comando do III batalhão do regimento Der F6uhrer. Disfarçou seus homens com uniformes holandeses para tomar pontes de surpresa, e utilizou prisioneiros de guerra como escudos humanos. Estima-se que uns cinquenta prisioneiros holandeses morreram por este tipo de tática. Foi ferido duas vezes, e ainda que fora indicado para a cruz de cavalheiro da cruz de ferro, teve que se conformar com a cruz de ferro de 1ª classe.

Morreu numa emboscada no começo da Barbarossa, no comando da SS-Infanterie-Regiment Westland, da SS-Division (mot) Wiking próximo da atual Lviv, Ucrânia (Lemberg para os alemães, Lvov para os poloneses), em 2 de julho de 1941. Sua morte desencadeou um pogrom em 9 de julho na zona, no qual soldados de sua unidade mataram a uns 600 judeus.

Notas:

1. Tom Segev: Soldiers of Evil, Berkley Books, 1991, pg. 64-68
2. George H. Stein, Las Waffen-SS, pg. 272
3. Richard Rhodes, Los amos de la muerte. Los Einsatzgruppen y la solución final, Seix Barral pg. 109-111
4. A descrição mais detalhada do massacre para vingar sua morte, em Pontolillo, pg. 162
5. Site: http://www.waroverholland.nl/index.php?page=chapter-11---myth-and-reality

Fonte: Blog Antirrevisionismo (Espanha)
https://antirrevisionismo.wordpress.com/2015/11/14/hilmar-wackerle-primer-comandante-de-dachau/
Título original: Hilmar Wäckerle, primer comandante de Dachau
Tradução: Roberto Lucena

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

[OFF] Ajuda à Mariana e região (Minas), no mar de lama da Vale (mineradora)

Caso alguém consiga ou saiba números de ajuda pros desabrigados de Mariana e região em Minas e puderem colocar os links nos comentários eu agradeço, mas peço que sejam números da Defesa Civil e só de entidades do Estado não ligados a essas duas empresas fruto das Privatizações do PSDB nos anos 90.

Não falarei na questão política por detrás dessa tragédia (na verdade um crime) pois o post não é pra isso, mas não dá pra não sentir raiva (repulsa) vendo as imagens da devastação provocada pela irresponsabilidade (negligência) e descaso da antiga Vale do Rio Doce privatizada a preço de banana (ao preço de dois Youtubes) na época da privataria no país. Surreal o roubo de minérios do país extraídos a toque de caixa e a forma como estavam extraindo isso, com explosão perto de barragens, fora o completo descaso na extração disso com cidades e povoados ao redor. O caso é totalmente absurdo e repulsivo. Que o Estado brasileiro haja com mão de ferro contra essas mineradoras frutos da privataria, e se esse país não fosse um país com uma parcela da população totalmente imbecilizada pela mídia era caso pra abrir uma CPI urgente sobre as privatizações no país e toda a patifaria por detrás disso, sem apuração até hoje. Tragédia é forma de falar, não foi uma tragédia, foi um crime e os responsáveis deveriam ser punidos severamente.

Parte da mídia tá fazendo vista grossa ao caso pra proteger a companhia Vale, Samarco e BHP-Billiton (Austrália), o grosso das notícias chegam pela internet (imagens etc), por isso que boa parte da população do país não tem dimensão da desgraça produzida por um rompimento de barragem.

E a empresa envolvida ainda faz uma palhaçada dessas, pra tentar abafar o caso, é muita cara de pau:
Página no Facebook apoiando a Samarco gera revolta em internautas

Das outras vezes que houve algum problema pesado eu conseguia achar os números de ajuda fácil e coloquei nos posts (mais de um, do Haiti, chuvas no interior do Rio etc), mas não consegui achar números de telefone da defesa civil pra colocar no post, pois há um amontoado de matérias onde dá destaque pra "ajuda" (entre aspas) dessas companhias, mas só interessa aqui os números locais e do Estado. Fica ao menos o post como registro dessa desgraça.

Vale e BHP foram displicentes e omissas, diz subprocuradora-geral da República

Atualização (dia 14.11.2015)

Onde prestar ajuda, finalmente fizeram essa publicação já que a Grande Mídia (Globo e afins) está desviando o foco do caso da Vale pra.
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Tudo que você precisa saber para ajudar desabrigados de Mariana
http://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2015/11/06/interna_gerais,705328/tudo-que-voce-precisa-saber-para-ajudar-desabrigados-em-mariana.shtml

Alimentos não perecíveis, água, colchões, toalhas, cobertores, roupas, produtos de limpeza e higiene pessoal são algumas opções de doações

O rompimento das barragens do Fundão e Santarém, da Mina do Germano, propriedade da Samarco, em Mariana, na Região Central de Minas Gerais, deixou muitos desabrigados, além de mortos e desaparecidos. Para ajudar as vítimas da tragédia a recomeçar, mineiros organizaram uma rede de solidariedade não apenas em Belo Horizonte, mas também em cidades do interior do Estado. As vítimas do tsunami de água e lama perderam além de suas casas, todos os pertences que tiveram que deixar para trás.

Vários locais em Belo Horizonte e outras cidades mineiras estão recolhendo donativos para enviar à Arena Mariana, complexo esportivo do município localizado no Bairro Vila Aparecida, onde as vítimas estão alojadas. Alimentos não perecíveis, água, colchões, toalhas, cobertores, roupas, produtos de limpeza e higiene pessoal são algumas opções de doações.

Quem souber de novos locais para doações, pode enviar as informações para o WhatsApp do em.com.br: (31) 98502-4023.

Confira os locais da rede solidária:

Belo Horizonte

- Chiara Pontelo, na Avenida Nossa Senhora do Carmo, 1825, em frente ao Supermercado Verdemar, até sábado

- Sede da Cruz Vermelha Brasileira – Filial Minas Gerais (CVB-MG), Alameda Ezequiel Dias, 427, Centro, na região hospitalar. Informações: (31) 3239.4211 ou (31) 3239.4223
Sugestão: Água mineral

- Arquidiocese de Belo Horizonte, Rua Além Paraíba, 208, Bairro Lagoinha, Região Noroeste

- O Bolão Santa Tereza, na Praça Duque de Caxias, 288, Bairro Santa Tereza

- Servas, Avenida Cristóvão Colombo, 683, Bairro Funcionários, das 7h às 19h
Não estão recebendo roupas, colchões e agasalhos!

- Loja do Bem, no Minas Shopping, na Avenida Cristiano Machado, 4000, Piso 1, Bairro União, das 10h às 22h, incluindo fim de semana

Mariana

- ICSA (Instituto de Ciências Sociais Aplicadas), Rua Catete, 166, Bairro Centro

- ICHS ( Intituto de Ciências Humanas e Sociais), Rua do Seminário, s/n, Bairro Centro

- Para doações fora do município a Prefeitura de Mariana disponibiliza uma conta bancária no Banco do Brasil através do CNPJ: 18.295.303/001-44, Agência: 2279-9, Conta Corrente: 10.000-5

- Centro de Convenções Alphonsus Guimaraens, Rua Getúlio Vargas, s/n, Centro

Ouro Preto

- República Doce Veneno – Endereço: Rua Argemiro Sanna, 21 – Bairro Barra. Telefone: 31 3551-3816

- República Snoopy – Endereço: Rua Conde de Bobadela ( Rua Direita), 159 – Bairro Centro. Telefone: 31 3552-2859

- República Palmares – Endereço: Campus Universitário, 4º ala, casa C – Bairro: Vila Operária. Telefone: 31 3551-3372

Congonhas

- Rotary Club, Rua Marquês do Bonfim, 197, Bairro Praia, a partir de segunda-feira, de 10 às 21 horas

Itabira

- Posto de coleta de Donativos no Bela Camp, na Avenida Carlos de Paula Andrade, entre os bairros Bela Vista e Campestre

Barbacena

- Sede da Defesa Civil, que fica no prédio da 13ª Região da Policia Militar

São João Del Rey

- Prefeitura de São João Del Rei, Coreto da Avenida Tancredo Neves, das 8h às 17h de sábado

- Secretaria de Cidadania, Desenvolvimento e Assistência Social, na Rua Salomão de Souza Batista, 10, de segunda e sexta-feira, das 8h às 17h

- Secretaria de Cultura e Turismo, na Praça Frei Estevão, de segunda e sexta-feira, das 8h às 17h

- Campus da Universidade Federal de São João del Rei (UFSJ) Santo Antônio, Dom Bosco e CTAM, de segunda e sexta-feira, das 8h às 17h

Juiz de Fora

- Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora (CES/JF): campi Academia, na Rua Halfeld 1.179, Centro; Arnaldo Janssen, na Avenida Luz Interior 345, Bairro Estrela Sul), Verbum Divino, na Avenida Rio Branco 3.520, Centro) e no Seminário Santo Antônio, na Avenida Rio Branco 4.516, Centro

Acaiaca

- Prefeitura de Acaiaca, na Praça Tancredo Neves, 35
Sugestões: Roupas, alimentos, colchões

Rio de Janeiro

-Palácio Maçônico do Lavradio
Rua do Lavradio, 97, centro, Rio de Janeiro
Estacionamento no local
9 e 10 de novembro das 10h ás 20h
11 de novembro até as 12h (saída dos caminhões)

CONSULTORIA JURÍDICA

Consultoria Golçalves oferece consultas e apoio jurídico para todas as vítimas da tragédia em Mariana, especialmente por meio da Dra Valéria Aparecida Silva (nativa de ouro Preto), e Dr Márcio Golçalves (ex-aluno da República Arte & Manha)
Telefones: (31) 996087137 (27) 32225354 (27) 988773545
Email:contato@consultoriagoncalves.com.br
Site: www.consultoriagoncalves.jur.adv.br

Pela internet

Também é possível ajudar sem sair de casa. Um crowdfunding foi criado no site juntos.com.vc para arrecadar recursos para as famílias atingidas. Para contribuir basta entrar no site e doar qualquer quantia a partir de 20 reais. A verba será enviada para a prefeitura de Mariana.

O aplicativo Uber também se colocou à disposição para recolher donativos nas casas dos usuários durante o fim de semana. Quem quiser doar artigos como água, escovas de dente, toalhas de banho, copos, talheres e pratos descartáveis basta chamar um carro da companhia entre entre 10h e 15h de sábado e entre 10h e 17h de domingo.

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Hitler era astuto, não tanto hipnótico, diz nova biografia alemã (Peter Longerich)

BERLIM (Reuters) - Uma nova biografia de Hitler escrita por um proeminente historiador alemão deve gerar controvérsias com seu argumento de que a perspicácia política do líder nazista foi subestimada e de que a crença de seu domínio hipnótico sobre os alemães é inflado.

O livro "Hitler", de Peter Longerich, que será publicado na segunda-feira é um tomo de 1.295 páginas que inclui material sobre os diários do chefe de propaganda nazista Joseph Goebbels e os primeiros discursos de Hitler.

"De modo geral, você tem uma imagem de um ditador que controlou muito mais, que era mais envolvido de perto em decisões individuais do que se pensava anteriormente. Eu quis colocar Hitler como uma pessoa de volta ao centro", disse Longerich em entrevista à Reuters.

Trabalhos recentes sobre o Terceiro Reich têm colocado mais ênfase nos climas social e político que levaram à ascensão do nazismo após a derrota na Primeira Guerra Mundial e as demandas de reparação incapacitantes.

Logo após a Segunda Guerra Mundial, os alemães agarraram-se na crença de que eles foram mantidos reféns de uma gangue criminosa liderada pelo carismático Hitler, empenhada em conquistar a Europa e exterminar judeus.

Longerich, professor da Universidade de Londres, argumenta que enquanto todas as políticas de Hitler e os resultados foram catastróficos, ele agiu de maneira inteligente em situações específicas.

"A questão de porquê ele conseguiu chegar tão longe precisa ser abordada: Obviamente ele tinha habilidade para explorar situações individuais em seu interesse próprio e para seus objetivos próprios", disse ele.

Mesmo suas políticas raciais foram em grande parte devido a um oportunismo político, disse Longerich, que não acha que Hitler era radicalmente anti-semita na sua juventude.

"Nos anos de 1919-1920 ele percebeu que poderia ser bem sucedido em política ao abraçar e incitar o antissemitismo", disse, acrescentando que isso virou elemento central apenas em 1930.

A habilidade de Hitler de tomar o poder é ainda mais impressionante dado que o estudante de arte nascido na Áustria era um "ninguém" sem ideologia até seus 30 anos. Apenas então, recusando-se a aceitar a derrota da Alemanha, ele foi levado ao recém-criado Partido Nazista.

Longerich também busca desmascarar a teoria de que Hitler tinha um carisma irresistível que cativou os alemães, argumentando que ela foi em grande parte construída artificialmente pela máquina de propaganda nazista, que bombardeou imagens de fãs extasiados em comícios.

O autor não exonera os alemães, dizendo que grande parte da população apoiou Hitler enquanto outros foram oportunistas em segui-lo, mas argumenta que havia uma tensão social e um descontentamento, por exemplo dentro da Igreja.

"Não seria lógico pensar que um país profundamente dividido como a Alemanha de repente se uniu por trás de uma pessoa e compartilhava de uma única visão política", disse Longerich.

Setenta anos após sua morte, as atitudes dos alemães em relação a Hitler ainda estão evoluindo, disse Longerich.

"Eu não acho que há qualquer entusiasmo por Hitler, mas estamos vendo tabus sendo quebrados", afirmou ele, citando filmes recentes sobre o ditador e um debate sobre a publicação "Minha Luta".

Com um crescimento de temores sobre o radicalismo de direita na Alemanha, por conta da crise dos refugiados, ele alerta que com uma atmosfera política "mais dura", "o potencial de uma figura política singular é um fator que não deve ser subestimado".

(Por Madeline Chambers)
sábado, 7 de novembro de 2015 11:01 BRST

Fonte: Reuters Brasil
http://br.reuters.com/article/entertainmentNews/idBRKCN0SW0GH20151107
Hitler was shrewd, not so hypnotic, new German biography says (Reuters, EUA)

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Portugal e a Guerra Civil Espanhola

O envolvimento direto de Salazar (e da ditadura de que foi o máximo expoente) ‬no golpe militar de‭ ‬17‭ ‬de Julho de‭ ‬1936‭ ‬contra a IIª República espanhola tem sido minimizado pela historiografia oficial,‭ ‬alegadamente por falta de provas documentais.‭ ‬Contudo,‭ ‬uma análise dos fatos conhecidos,‭ ‬refrescados pela divulgação recente das reuniões mantidas pelo ditador,‭ ‬no próprio dia do golpe,‭ ‬às‭ ‬22:45,‭ ‬com Ricardo Espírito Santo,‭ ‬presidente do BES,‭ ‬o banco que desempenharia um papel fundamental no financiamento da sublevação fascista,‭ ‬e,‭ ‬no dia seguinte,‭ ‬18‭ ‬de Julho,‭ ‬com o chefe dos conspiradores,‭ ‬exilado em Portugal,‭ ‬General Sanjurjo,‭ ‬tornam evidente esta implicação.

A proclamação da IIª República espanhola em Abril de‭ ‬1931,‭ ‬que pôs fim à monarquia depois da ditadura de Primo de Rivera,‭ ‬surpreende a Ditadura Nacional nas tarefas de controlo da‭ “‬Revolta da Madeira‭”‬.‭ ‬Os republicanos portugueses exilados das revoltas que se tinham sucedido no nosso país depois do golpe militar de‭ ‬28‭ ‬de Maio de‭ ‬1926,‭ ‬até ali refugiados em Espanha e França,‭ ‬passaram a contar com o apoio dos novos governantes espanhóis na luta contra o regime ditatorial português.‭ ‬Conscientes do perigo que representava a nova situação para o seu futuro,‭ ‬os responsáveis pela ditadura portuguesa puseram em marcha uma campanha avivando o anti-espanholismo na opinião pública portuguesa‭ 1.

Esta campanha essencialmente propagandística,‭ ‬levada a cabo pela generalidade dos jornais e rádios portugueses,‭ ‬viria a conhecer um interregno,‭ ‬depois da vitória da coligação de direita de Gil Robles e Alejandro Lerroux nas eleições espanholas de‭ ‬1933,‭ ‬de que resultaria,‭ ‬inclusive,‭ ‬o reconhecimento oficial da IIª República por parte de Portugal,‭ ‬mas viria a ser retomada com mais afinco quando,‭ ‬em Fevereiro de‭ ‬1936,‭ ‬a Frente Popular,‭ ‬coligação de forças de esquerda e independentistas,‭ ‬ganhou as eleições legislativas no Estado espanhol.‭ ‬Desta vez,‭ ‬ao contrário das eleições de‭ ‬1933,‭ ‬os anarquistas e anarco-sindicalistas organizados na FAI,‭ ‬Federação Anarquista Ibérica,‭ ‬e na CNT,‭ ‬Confederação Nacional do Trabalho,‭ ‬não deram indicação abstencionista.‭

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Entrevista com o autor de “Os Árabes e o Holocausto”

"Há em Netanyahu um ódio tão profundo aos palestinos que não é difícil encontrar afinidade com Hitler"

Historiador franco-libanês, Gilbert Achcar é o autor de Les Árabes et la Shoah: La guerre israélo-arabe des récits ("Os Árabes e o Holocausto: A guerra israelo-árabe das narrativas"), aclamada como uma obra de referência. Não há aqui complacência com os negacionistas do genocídio de seis milhões de judeus. Uma grande parte do livro é dedicada a Haj Amin al-Husseini, Grande Mufti de Jerusalém, e aos seus encontros com os nazis, durante a II Guerra Mundial. Na sequência da acusação de Netanyahu de que o extermínio foi ideia do defunto líder espiritual palestino e não de Hitler, telefonámos para Beirute, onde Achcar se encontra em ano sabático da cadeira de Relações Internacionais que leciona na School of Oriental and African Studies (SOAS, Escola de Estudos Africanos e Orientais), em Londres.

Como avaliou a declaração do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, de que a culpa pela Solução Final não foi de Hitler mas de Haj Amin Al-Husseini?

Netanyahu chocou o mundo inteiro, ao tentar exonerar Hitler. A única razão que encontro para este discurso ultrajante é a de que Netanyahu odeia os palestinos mais do que odeia Hitler. Isto é chocante. Sempre vimos revisionistas do lado pró-nazi e antissemita; do lado sionista este revisionismo, agora expresso por Netanyahu, é surpreendente. Do ponto de vista histórico, o que Netanyahu disse é um disparate total. Até o Governo alemão refutou imediatamente o que ele disse [assumindo o Holocausto como responsabilidade exclusiva nacional]. Na extrema-direita do movimento sionista há um ódio tão profundo aos palestinos que não é difícil encontrar esta afinidade com Hitler, tentando absolvê-los dos seus crimes sórdidos. Talvez, por quererem ver-se livres dos palestinos – não digo que seja recorrendo ao genocídio, mas através de expulsões ou transferência em massa. Isto é muito perigoso e trágico. Netanyahu é um político oportunista, capaz de se exprimir de forma muito demagoga, de acordo com a sua audiência, para conseguir o que quer.

Não foi a primeira vez que a figura de Amin al-Husseini foi invocada para associar os palestinos ao nazismo. Qual era, afinal, a relação entre o Mufti e Hitler?

Amin al-Husseini era um nacionalista de direita, sem escrúpulos e profundamente antissemita. Ao contrário de Hitler, porém, a natureza do seu antissemitismo estava na crescente colonização sionista da Palestina – isto não é uma justificação, mas é preciso distinguir o seu antissemitismo do antissemitismo na Alemanha, onde os judeus eram uma minoria oprimida. Quando cortou relações com os britânicos e se mudou para Berlim [em 1940], Husseini aliou-se aos nazis e participou na propaganda deles, mas não desempenhou qualquer papel direto na Solução Final. Husseini só teve conhecimento da Solução Final no Verão de 1943 – ele diz isso nas suas memórias, onde deixa claro que não lamenta o que aconteceu, “porque os judeus mereciam isso”, uma atitude que comprova a sua dimensão profundamente antissemita. No entanto, dizer que o genocídio foi levado a cabo por sugestão de Husseini é totalmente ridículo. A discussão entre historiadores respeitados é sobre se genocídio foi sempre um dos desígnios de Hitler ou resultou da sua derrota na Rússia. Jamais um historiador debateu se Husseini influenciou a Solução Final, porque Hitler desprezava-o. Até a sua linguagem corporal quando se encontrava com o líder palestino denotava desprezo. A tentativa de Netanyahu rever a História é um sinal de doença mental grave.

O historiador israelita Tom Segev, num artigo publicado no diário The Guardian, recorda que Husseini pediu a Hitler que assinasse uma espécie de Declaração Balfour de apoio aos direitos palestinos, semelhante ao documento britânico que defendeu um “lar nacional para o judeus”, mas que Hitler recusou. Lembra também que os árabes não foram os únicos a pedir assistência aos nazis. “No final de 1940 e de novo no final de 1941, antes de o Holocausto atingir o auge nos campos de extermínio, uma pequena organização terrorista sionista – Combatentes pela Liberdade de Israel, também conhecida por Bando Stern (Stern Gang) – contactou representantes nazis em Beirute esperando apoio alemão contra os britânicos [potência mandatária na Palestina]. Um dos sternistas, então numa prisão britânica, era Yitzhak Shamir, futuro primeiro-ministro de Israel”, e um dos líderes do partido Likud, de Netanyahu.

Sim, uma parte da extrema-direita sionista tentou colaborar com os nazis. Mais: havia na Alemanha um movimento judeu que colaborou com os nazis. Foi o único grupo não nazi autorizado a permanecer na Alemanha, e ajudou as autoridades nazis na transferência de judeus alemães para a Palestina. Essa colaboração manteve-se até 1941 – e isto está registrado por todos os historiadores do Holocausto. Pessoalmente, não gosto de entrar neste jogo. A extrema-direita colaborou mais com Mussolini, talvez, porque era menos problemático. A colaboração de judeus com os nazis acabou, naturalmente, quando a Solução Final começou a ser aplicada. O que nos deve interessar, agora, é a recolha dos fatos históricos e as lições que devemos aprender com eles. Netanyahu não segue esse caminho.

No seu livro reconhece que vários líderes árabes, não apenas Husseini, colaboraram abertamente com os nazis, e que outros permanecem negacionistas do Holocausto, mas opõe-se à generalização deste antissemitismo, que também distingue, por outro lado, do “sentimento antijudeu profundamente enraizado na Europa”. Pode explicar?

Se um alemão é antissemita, isso é racismo contra uma minoria que durante séculos foi oprimida na Europa. Se um palestino exprime opiniões antissemitas é por se sentir oprimido num Estado que exige ser reconhecido como judaico, ignorando os não judeus que são cidadãos israelitas. Perante a exigência de uma definição étnica, os palestinos são tentados a posições antissemitas – e devem ser criticados por isso –, mas é uma situação semelhante à dos negros sul-africanos que se manifestavam contra os brancos durante o regime de apartheid. Não é racismo preto-branco. É uma forma de o oprimido se rebelar contra a opressão.

A verdade é que há ainda muitos negacionistas do Holocausto no mundo árabe, não apenas palestinos...

Sim, é verdade. Negam, sobretudo, que sejam responsáveis pelo Holocausto, que foi cometido por europeus. Vale a pena frisar que havia muito mais soldados árabes nas fileiras do Aliados do que no campo dos nazis. É quase insignificante o número de combatentes árabes do lado nazi durante a II Guerra Mundial, comparado com o número extraordinário de soldados do Norte de África e do Médio Oriente que se juntaram às tropas britânicas e às francesas. Havia 9000 palestinos no Exército britânico! É certo que ainda há muitos árabes a negar o Holocausto, mas é uma maneira – completamente estúpida e eu chamo-lhes ‘loucos antissionistas’ – de exprimirem a sua fúria contra Israel. No entanto, é preciso realçar que essa negação não pode ser comparada à negação do Holocausto por parte de um europeu, cujos países foram protagonistas do genocídio. É estúpido, reafirmo, que haja palestinos a negar o Holocausto, mas convém salientar, também, que o Estado Israel continua a negar a Nakba, a catástrofe palestina [o êxodo] de 1948 que foi cometida por Israel. Isto é ainda mais grave. Tal como é muito grave que as autoridades turcas continuem a negar o genocídio armênio [em 1915-1917, durante o período otomano].

Depois de 1948, a palavra “Holocausto” tem sido usada e abusada, pelos palestinos, que reclamam reconhecimento da Nakba e se afirmam como “vítimas das vítimas”, e por muitos israelitas: O antigo primeiro-ministro Menachem Begin comparava Yasser Arafat, o líder da OLP, a Hitler, e até o filósofo Yeshayahu Leibowitz cunhou a expressão "judeu-nazi". Até que ponto a ideologia sionista é responsável por esta desvalorização de um dos piores crimes da Humanidade?

A ideologia sionista foi promovida, de uma forma generalizada, por Elie Wiesel [um sobrevivente do Holocausto e Prêmio Nobel da Paz]. É um termo muito mau. O significado bíblico é o da queima de oferendas a Deus. Isso é muito perigoso. É como uma representação dos judeus sacrificados em nome de Deus. De vez em quando, aparece um rabi doido que descreve o Holocausto como um castigo divino, porque não os judeus não obedecem às suas leis. Naturalmente, isto gera críticas. Para ser honesto, acho que a declaração de Netanyahu a propósito de Husseini e Hitler encaixa na mesma categoria: loucura ideológica. Em todo o caso, não é esta declaração de Netanyahu o grande problema, mas sim a atitude do Estado de Israel, já não apenas face aos palestinos sob ocupação mas, também e cada vez mais, em relação aos palestinos de cidadania israelita, sujeitos a mais e mais racismo – documentado por organizações israelitas de direitos humanos. É preciso que o mundo entenda que Israel não representa as vítimas do Holocausto. O que Netanyahu disse exonerando Hitler deveria ser um toque de alarme, sobretudo na Europa, que deveria reagir, antes que seja tarde de mais.

Margarida Santos Lopes

Fonte: Expresso (Portugal)
http://expresso.sapo.pt/internacional/2015-10-24-Entrevista-com-o-autor-de-Os-Arabes-e-o-Holocausto

Observação: fiz correções na grafia do texto da matéria, porque o jornal Expresso (Portugal), recusa-se a usar a nova ortografia da língua, que é lei, não é "favor" o jornal escrever na nova ortografia.

Eu tentarei não discutir este assunto aqui neste post (até pra não desviar do assunto do post), porque a gente se empolga e acaba alongando a observação, mas vou adiantar do que se trata pois o jornal fez uma provocação no texto que pode passar desapercebido de quem está por fora dessas questões políticas (e linguísticas) entre países. Caso a observação desvie muito do assunto do post eu a colocarei num post à parte como já fiz com outras.

Mas como dizia, há até post arquivado sobre essa questão (estava cheio do blog, então não coloquei), depois de ver ataques (vários) sistemáticos a brasileiros com a "desculpa" de "acordo ortográfico". Esse surto de "rebeldia" (entre aspas) em Portugal com o Acordo começou por parte da extrema-direita xenófoba de lá, que como toda extrema-direita só costuma fazer besteira, e encontrou eco em setores do país em virtude da crise. Chamo de surto porque não havia esse tipo de "chilique" com outros acordos da língua, por que essa reação agora? Quem quiser ver um histórico disso, clique aqui:
Acordo Ortográfico de 1945

Houve "revolta" em 1945? Duvido. Nem internet tinha, rs.

Querem transferir a revolta com a crise interna pra algum "inimigo externo", no caso o Brasil, uma vez que, como o nome diz, houve um "acordo", e não imposição de idioma? Chega a ser ridículo quererem uma briga dessas.

Mas como dizia, seria até mais fácil impôr a forma de escrever do Brasil visto que a maior parte dos falantes da língua falam a vertente brasileira e não a portuguesa, só pra ter uma ideia da desproporção, só o Brasil tem 204 milhões de falantes (valores atualizados, no link ainda consta a contagem mais antiga da população, mas fica próxima) contra menos de 70 milhões de todo o resto junto (Portugal, Angola etc), fora os locais que falam a vertente brasileira (dialeto) como o Uruguai e países vizinhos (nenhum quer aprender o dialeto de Portugal).

Quando a maioria das pessoas procuram aprender português no exterior, procuram a forma do Brasil e não a de Portugal, por 'n' motivos. Até fui descortês com o Roberto Muehlenkamp (mas não foi proposital e sim por ignorância minha à época) sobre pedir pra revisar o texto dele pois o Roberto aprendeu a escrever na forma portuguesa (dialeto), só que na parte escrita dá pra entender perfeitamente (só há uma modificação "forte" em nomes como Stalingrado que fica "Estalinegrado", Lênin que fica "Lenine" e coisas desse tipo, mas vamos concordar que dá pra entender perfeitamente), esse, por sinal, é mais um mito ridículo que difundem pelo Brasil e até por Portugal, o mito dos "dois idiomas", a parte complicada é mesma o som da língua (a forma de falar), não a escrita, só que o som do português do Brasil, levando em conta a variedade dos sotaques, fica próxima ao do "galego", que seria berço do "português", é estranho esse som adquirido em Portugal, mas isso é outro assunto. Aqui os números:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Lusofonia
https://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_pa%C3%ADses_onde_o_portugu%C3%AAs_%C3%A9_l%C3%ADngua_oficial

Não me estenderei sobre o assunto aqui, mas há quem defenda no Brasil a adoção de gramática própria (brasileira) como forma de ruptura (provocam, provocam, a resposta sempre vem), muito em resposta a esses surtos xenófobos vindos de setores de Portugal. Brincam com coisas que uma vez rompidas, "tchau e fim de papo", o Brasil tem muito pouco a perder com uma ruptura dessas, se é que tem algo a perder.

Fica aqui o registro, assunto pra ser abordado depois. O jornal quer fazer birra mantendo a grafia que já não vale mais, mesmo sabendo que é lei, e que isso vigorará cedo ou tarde, mas como eu também sou birrento, tirei toda a grafia portuguesa, de propósito (sempre que dá eu faço isso) e coloquei a brasileira e a do acordo. Se o jornal não gostar, caso leia o post, peça pra remover, pois vai ficar assim aqui, de pirraça.

E por favor, não precisam se irritar ou se incomodar com essa questão, são surtos autoritários de algum suposto "orgulho nacional" ferido (ó), suposto porque beira à cretinice isso. Atenham-se à entrevista do historiador francês sobre Netanyahu e o Holocausto, noutro post se aborda essa questão do acordo (como disse acima, acabarei transferindo a observação prum post à parte).

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Sai Ahmadinejad, entra Netanyahu. "Revisionistas" ganham um "apoiador" inusitado

Por negacionismo ou "revisionismo" se enquadra não só a negação do fato em si (todo ou parcial), como a distorção do episódio e trivialização. Então o Netanyahu se enquadraria fácil no rótulo negacionista ou "revisionista" (caso alguém queira pegar mais leve usando o termo "revisionista" em vez de negacionista, por não suportar a crítica à postura cretina dele) pelas asneiras que disse hoje, embora ele sempre diz asneiras.

A quem não entendeu o que se passou pelo título do post, leiam a matéria da RTP abaixo que foi feita em cima da matéria do Haaretz (jornal de Israel). O título do Haaretz é até mais pesado:
"Netanyahu: Hitler Didn't Want to Exterminate the Jews"

Traduzindo:

"Netanyahu: Hitler não queria exterminar os judeus"

Isso dito da boca do Primeiro-ministro de Israel, primeiro-ministro de um país que não preciso ressaltar a ligação com o genocídio da segunda guerra.

Esse é o tipo de asneira que você espera que saia de algum "revisionista" ou coisa parecida, não de um primeiro-ministro, principalmente do país mencionado. Mas saiu.

É uma cretinice por dia no mundo, em termos de notícia. No Brasil a bancada "religiosa" executa seu arsenal de idiotices ridicularizando o Congresso com coisas como essa (já podem trocar o nome da bancada pra "bancada do estupro"), projeto do "fundamentalista" presidente da Câmara, Eduardo Cunha, o do Porsche "em nome" do domínio Jesus.com, o mesmo pego com conta nos EUA na casa dos 61 milhões de reais, não foi a da Suíça.

Voltando ao assunto do post, as asneiras dele (Netanyahu) estão repercutindo pesado (mal) em Israel e entre os palestinos, houve uma rejeição total à cretinice dele naquela região do conflito.

Afirmar que Hitler foi incitado por um árabe pra executar a Solução Final e extermínio é como negar a origem do antissemitismo e genocídio da segunda guerra. Não foi uma declaração simplesmente idiota, ultrapassa a idiotice.

É impressionante o nível de ódio que ele nutre a palestinos ao ponto de chegar a fazer uma afirmação desse tipo, trivializar a culpa do maior algoz de judeus por ódio a palestinos. Esse cara não bate bem da cabeça.

Ele apresenta o mesmo tipo de mentalidade turva de gente que levou à morte o Rabin (assassinado por um fanático judeu de extrema-direita em Israel).

Incrível a neurose desse cidadão em citar genocídio da segunda guerra em todo evento envolvendo Israel. A Deborah Lipstadt (historiadora dos EUA) já havia criticado essa postura de políticos de Israel. Deborah Lipstadt é autora deste livro sobre o negacionismo, "Denying the Holocaust: The Growing Assault on Truth and Memory" (Link2), sem tradução pro português, mas que você pode ler a tradução do capítulo VI (feita pelo Leo) em três partes:
Negação [do Holocausto]: Uma ferramenta da Direita Radical (Parte 1)
Negação [do Holocausto]: Uma ferramenta da Direita Radical (Parte 2)
Negação [do Holocausto]: Uma ferramenta da Direita Radical (Parte 3)

A quem quiser ler a matéria (está em inglês, usem o tradutor do Google) sobre a declaração dela do abuso do uso do Holocausto por políticos israelenses (e dos EUA), segue abaixo o texto:
Top Holocaust Scholar Blasts 'Holocaust-abuse' by U.S., Israeli Politicians (Haaretz)

Matéria da RTP sobre as declarações de Netanyahu:
_____________________________________________________
Netanyahu inocenta Hitler e culpa um árabe pelo Holocausto


O primeiro-ministro israelita disse no Congresso Mundial Sionista ao afirmar que foi o Grande Mufti de Jerusalém o responsável pelo Holocausto, ao convencer Hitler a exterminar os judeus.

Ao discursar hoje, quarta feira, perante o Congresso Mundial Sionista, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, relatou o que diz ter sido uma conversa entre Hitler e o Grande Mufti de Jerusalém, Haj Amin al-Husseini, numa reunião que mantiveram em Novembro de 1941.

Segundo o diário israelita Haaretz, no discurso de hoje Netanyahu reproduziu a conversa nestes termos: "Hitler na altura não queria exterminar os judeus e disse: 'Se os expulsarmos, eles virão todos para aqui [para a Palestina]'". Ainda segundo Netanyahu, Hitler pediu orientação ao Grande Mufti: "O que é que hei-de fazer com eles?". Ao que o Mufti terá replicado: "Queime-os".

Para Netanyahu, a decisão da cúpula nazi, no sentido de exterminar os judeus foi, assim, decisivamente influenciada pelas instruções que o Mufti deu a Hitler, a pedido deste.

Apesar do abalo sísmico que o discurso de Netanyahu está a causar nas redes sociais, o que ele contém não é inteiramente novo. Segundo recorda o Haaretz, o primeiro-ministro tem vindo de forma consistente a transmitir esta versão e já antes, num discurso pronunciado há três anos perante o Knesset (parlamento israelita), apresentara o Mufti de Jerusalém como "um dos principais arquitetos da Solução Final".

Na comunidade académica israelita, as palavras de Netanyahu estão, aliás, a ser tão ou mais criticadas do que noutros pontos do mundo. Segundo o diário britânico The Guardian, o mais conhecido investigador israelita vivo sobre o tema do Holocausto, Dan Michman, disse que, embora a reunião entre Hitler e Husseini tenha efectivamente sucedido, sucedeu num momento em que o Holocausto já estava em curso.

Dina Porat, do Instituto de Yad Vashem, afirmou, segundo citação do diário israelita Yeditoh Aaronot: "Não se pode dizer que o Mufti deu a Hitler a ideia de matar ou queimar os judeus. Não é verdade. A reunião deles teve lugar depois de uma série de fatos que apontam para isto [a decisão já tomada de exterminar os judeus]".

Meir Litvak, professor na Universidade de Tel Aviv, foi mais específico, explicando que a ideia nazi do extermínio dos judeus data já de 1939, quando se concebeu na cúpula do Terceiro Reich o plano de deportá-los para lá dos Montes Urais, após invasão e derrota da URSS, para que morressem de doença.

Ainda segundo Litvak, o plano alternativo, das câmaras de gás, surgiu quando a invasão da URSS fracassou e a guerra a Leste se mostrou impossível de ganhar com os métodos da Blitzkrieg. Como o objetivo do extermínio dos judeus se mantinha, a fantasia da deportação para lá dos Urais foi substituída pela realidade de Auschwitz e de outros campos de extermínio.

A isto acrescenta Litvak: "Husseini apoiou o extermínio do judeus, ele tentou impedir que fossem salvos judeus, ele era uma pessoa abominável. Mas isto não diminui a escala da culpa de Hitler".

A OLP (Organização de Libertação da Palestina) comentou o discurso no Twitter, dizendo "Netanyahu odeia de tal modo os palestinos, que está disposto a absolver Hitler pelo assassínio de seis milhões de judeus".

O líder da oposição israelita, Isaac Herzog, classificou o discurso de Netanyahu como "uma falsificação da História". E lembrou o histórico da sua família: "Ninguém precisa de ensinar-me como o mufti odiava Israel. Ele deu ordem para assassinar o meu avô, Rabbi Herzog, e apoiou Hitler ativamente. Mas só houve um Hitler. Hitler não precisava de Husseini para ordenar o extermínio dos judeus só por serem judeus".

Mesmo o ministro da Defesa Moshe Ya'alon, considerado um dos "falcões" do Governo de Netanyahu, achou necessário demarcar-se das afirmações do primeiro-ministro: "Claro que Haj Amin al-Husseini não inventou a 'Solução Final para a questão judaica'. A História mostra claramente que foi Hitler a iniciá-la. Haj Amin al-Husseini juntou-se a ele". Ya'alon acrescentou, contudo, que "os atuais movimentos jihadistas estão a encorajar o antissemitismo e apoiam-se na conhecida herança nazi".

Fonte: RTP (Portugal)
http://www.rtp.pt/noticias/mundo/netanyahu-inocenta-hitler-e-culpa-um-arabe-pelo-holocausto_n867583