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domingo, 5 de julho de 2026

Maior denominação presbiteriana dos EUA nomeia a guerra de Israel contra Gaza como genocídio e insta os EUA por um embargo de armas

Reverendo palestino
Notícia divulgada pelo "Democracy Now!", canal/site alternativo (mídia alternativa) dos EUA, que passou batido (como de costume...) pelas mídias aqui do Brasil... que não acredito nem que tenham lido a matéria e se leram não entenderam a dimensão da coisa...

O link em espanhol da matéria: "La Iglesia Presbiteriana de EE.UU. declara la guerra de Israel contra Gaza como un genocidio e insta a un embargo de armas" ("A Igreja presbiteriana dos EUA declara a guerra de Israel contra Gaza como um genocídio e insta a um embargo de armas" https://www.democracynow.org/es/2026/7/2/titulares/presbyterian_church_usa_declares_israels_assault_on_gaza_a_genocide_urges_arms_embargo).

Várias igrejas protestantes (protestantismo histórico) já vinham se rebelando contra Israel desde 2023, mas é a maior congregação protestante presbiteriana nos EUA a fazê-lo.

Palavras do reverendo/presbítero Fahed Abu Akel, palestino-estadunidense e ex-moderador da Igreja Presbiteriana que sobreviveu à Nakba, um acontecimento ocorrido em 1948 no qual milhares de palestinos foram expulsos de seus lares durante a criação do Estado de Israel:
"Reverendo Fahed Abu Akel:Temos guardado silêncio ante a destruição da maioria dos hospitais, escolas, universidades, mesquitas e igrejas [em Gaza]. Entre as igrejas havia uma ortodoxa, uma católica e uma batista. Toda essa destruição se levou a cabo com armas fabricadas nos Estados Unidos e com dólares estadunidenses. Irmãos e irmãs em Cristo, em nome do Cristo vivo, já não podemos seguir calados sobre esse assunto" (tradução minha).
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Primeira grande ruptura de grupo do Protestantismo histórico nos EUA com Israel, em geral, primeira grande ruptura de grupo significativo do Protestantismo nos Estados Unidos.

Quem imaginava algo do tipo em outubro de 2023?... Eu já fiz post sobre isso: ""Apenas um terço dos judeus norte-americanos dizem se identificar como sionistas". A Hasbará "rodou" nos Estados Unidos..." (https://holocausto-doc.blogspot.com/2026/06/apenas-um-terco-dos-judeus-norte-americanos-dizem-se-identificar-como-sionistas-a-hasbara-rodou-nos-estados-unidos.html).

Apesar dos esforços de gente na "filial reacionária" (do Brasil) em propor censura pro país, em cima da inércia e desmobilização (desunião) de setores da esquerda brasileira (vale ressaltar isso), a coisa toda está "fazendo água" (pra valer) na "Metrópole" (EUA)...

sexta-feira, 5 de junho de 2026

"Apenas um terço dos judeus norte-americanos dizem se identificar como sionistas". A Hasbará "rodou" nos Estados Unidos...

Essa matéria saiu em começo de fevereiro desse ano (2026) e a "turma da surdina" que "copia e cola" (sem dar os créditos) não deu a mínima (na verdade nem leram...).

Antes de prosseguir deixa eu situar a coisa, o Stephano perguntou no "Post 25" de "Gaza" sobre "a quanto ia a Hasbará" nos EUA e Europa... eu disse que faria um post comentando a questão, porque são os dois espaços onde a disputa política em relação a Israel realmente ganha maior peso (peso decisivo), não que o resto do mundo "não exista", mas a pressão "mundo afora" desagua, ganha impacto real nesses dois locais, mais nos Estados Unidos (mas tem peso grande na Europa/União Europeia também), porque se soma a voz dos descontentes nos dois locais, que é muito grande.

Até cheguei a comentar nos posts sobre o conflito (tem Post contínuo desde 2023, uma sequência, no caso) que há mais movimento político organizado anti-imperialista nos Estados Unidos e na Europa do que no Brasil... pra nossa vergonha... muito da inação, inépcia de certa "esquerda ilustrada pavoa" (a fêmea do "pavão", adjetivo atrelado à "gente vaidosa", mas eu chamaria de "exibicionistas", "individualistas", apesar de uns se declararem "socialistas"... que por não dialogar com setores amplos do país, não conseguem articular nada pralém da crítica ao sionismo/Israel em canal de Youtube e cia.

Esse é o quadro brasileiro, ou até da América Latina, apesar da maioria das pessoas reprovarem o genocídio de Gaza, o imperialismo dos EUA, Israel e cia, mas não há um "movimento organizado" (articulado) com esse teor, essas características no Brasil. Há pessoas que se posicionam nessa linha, mas não é algo organizado como há na Europa/União Europeia e Estados Unidos (com marchas volumosas de rua e pressão contínua nas esferas de poder desses países).

Mas pra não me perder, voltando ao tema inicial, alguém se declarar sionista ou "pró-Israel" nos EUA e Europa de Outubro de 2023 pra cá (quando Israel começa a matança deliberada em massa de palestinos, maioria mulheres e crianças, fora os ataques letais no Líbano, Irã, Iêmen e cia, junto com os EUA e apoiados pela Europa na "surdina", apesar das dissidências emergindo: Irlanda, Espanha...), se alguém se declara sionista ou pró-Israel nos EUA, pode sofrer constrangimento público pesado.

A maior parte da comunidade judaica dos EUA (principalmente) está rompendo com Israel (vou colocar trecho da matéria mais para baixo), e isso coloca abaixo a Hasbará (https://pt.wikipedia.org/wiki/Hasbar%C3%A1), o apoio a Israel nos EUA etc, de forma definitiva.

Também já coloquei aqui, acho que não em Post exclusivo, uma pesquisa do Pew Research Center (dos EUA) onde indicava que 60% do público adulto dos Estados Unidos rejeita Israel, o link da pesquisa (https://www.pewresearch.org/short-reads/2026/04/07/negative-views-of-israel-netanyahu-continue-to-rise-among-americans-especially-young-people).

Traduzindo os números da pesquisa em questão, e os números são maiores dependendo do espectro político (Democrata maior x Republicanos menor, mas alta), que um norte-americano hoje na casa dos 35 anos, que decidirá a vida política dos EUA não dará a mínima pra questão israelense na próxima década. O apoio a Israel é maior entre os mais velhos, que pegando as pessoas com 65 anos, em 10 anos terão 75 anos, saindo da vida política (a maior parte), e assim sucessivamente.

O resultado é devastador pra Israel do regime sionista, a ponto disso já respingar em um esporro público vazado essa semana do Presidente dos EUA (Trump) sobre Netanyahu (primeiro-ministro de Israel), onde Trump afirma que seu "colega" só não foi preso por conta dele (Trump)... algo inédito na relação "EUA-Israel"... já reflexo do conflito longo no Oriente Médio.

A quem não viu a coisa, matéria (https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/06/03/trump-reconhece-ter-falado-com-netanyahu-de-forma-raivosa.ghtml).

Ser chamado de "louco" por Trump e não ir pra cadeia por conta dele é "fim de linha"... Netanyahu, "pede pra sair de fininho"... e se "esconde"... (conteúdo irônico, obviamente, mas...).

Mas voltando a outro ponde onde eu parei, sobre a manifestação das pessoas nos EUA a quem se declara sionista, a quanto anda a coisa. Não se trata de movimento de civis não-judeus e cia, como também boa parte da comunidade judaica nos EUA (e Europa) já rejeita Israel ou a política israelense, o "regime sionista".

O "regime" leva o termo "sionista" porque se baseia na "doutrina política" do "sionismo", movimento começado por Theodor Herzl (judeu austro-húngaro, de um país que nem existe mais, seria mais austríaco).

Ressalto isso porque há gente no Brasil que crê que quando alguém comenta usando termos que isso é "coisa de esquerdista", de "extremistas" ou coisa do tipo, pra ver o "nível" (baixo nível) político, de discussão histórica que o país vive mergulhado desde junho de 2013 com aquelas malditas "jornadas de junho", quando certa direita emergiu e provocou um revés político violento no Brasil (e em várias partes do mundo onde rolou coisa parecida com a ascensão desse tipo de extrema-direita "caricata" e pró-EUA, anti-Estado e cia).

A matéria de "apenas um terço dos judeus norte-americanos dizem se identificar como sionistas" saiu em mais de um canto, além do jornal (de viés de direita, em inglês) "The Times of Israel" (que a gente divulgou primeiro aqui, afirmo isso porque nunca vi certa turma que "comenta" esses temas de Outubro pra cá sequer mencionar a publicação e outras que a gente colocou, pelo contrário, já vi críticas, que eu já respondi o porquê uso esses meios/fontes, porque mesmo sendo uma mídia de direita, e de Israel, ainda dão notícia nesses meios por lá, com censura militar e cia, não usem como "parâmetro" a "mídia brasileira" porque é um esgoto completo em relação ao resto do mundo, até com a mídia de Israel, o Brasil não tem mídia, o que há se assemelha mais à "agências de propaganda").

A quem quiser ler a matéria e tirar suas próprias conclusões, segue só um trecho e depois os links (em inglês, mas há tradutor fácil na web do inglês pra vários idiomas, sem desculpa pra fulano e cicrano dizer que "não lê porque está em inglês", algo comum ainda no Brasil, infelizmente).

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Até mesmo a maioria dos judeus americanos que apoiam Israel não se identificam como "sionistas", revela pesquisa da JFNA

Após os eventos de 7 de outubro, a guerra em Gaza e a eleição do prefeito antissionista de Nova York, Zohran Mamdani, os judeus (norte)americanos não têm uma definição de sionismo mutuamente aceita, revelam os resultados.
Por Andrew Lapin

JTA — Apenas um terço dos judeus (norte)americanos dizem se identificar como sionistas, embora quase nove em cada dez afirmem apoiar o direito de Israel de existir como um Estado judeu e democrático, de acordo com uma nova pesquisa realizada pelas Federações Judaicas da América do Norte.

Os resultados da pesquisa revelam que os judeus (norte)americanos não possuem uma definição consensual de sionismo — aqueles que se identificam como antissionistas e aqueles que se identificam como sionistas atribuem significados bastante diferentes ao termo.

Por exemplo, cerca de 80% dos judeus antissionistas afirmam que “apoiar quaisquer ações que Israel tome” é um princípio do sionismo, enquanto apenas cerca de 15% dos que se identificam como 'sionistas' compartilham dessa crença, de acordo com a pesquisa.
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A quem quiser ler a matéria completa, seguem os links:
https://www.timesofisrael.com/even-most-israel-supporting-us-jews-dont-identify-as-zionists-jfna-survey-finds/
https://www.inss.org.il/social_media/jfna-survey-finds-just-37-of-jewish-americans-identify-as-zionists/

Mas de forma resumida: o que vários judeus nos EUA interpretam como "sionismo", não bate com o que se entende por isso dentro de Israel... fora que não concordam com os massacres, genocídio, fanatismo religioso (de colonos) e cia. Basicamente isso.

Por isso que já fiz comentário crítico alertando a algumas pessoas (chamando atenção) pro fato de que nem todo mundo que declara "apoiar a existência de Israel" (fora as distorções que fazem sobre essa questão) concorda com as políticas daquele país e cia, é que existe uma confusão sobre o "país existir" e sobre como a coisa "deve funcionar" ou "ser", pralém da propaganda israelense.

Fato é que a propaganda ligada diretamente à "linha dura" de Israel foi pro ralo. Ou à "linha mole", tanto faz também. Gastam/gastaram uma fortuna pra propaganda pueril, decrépita pra nada... pudera, quem em sã consciência vai apoiar as atrocidades que Israel faz abertamente e que são denunciadas (mesmo em escala reduzida) pela "grande mídia" mundo afora?...

Vamos ver quanto "gancho" (suspensão/shadowban) a gente toma do Google com esse Post (rs), que não tem nada demais, todas as fontes são da mídia israelense...

quarta-feira, 13 de maio de 2026

Colonizando e conquistando terras com os kibutzim, o "sonho socialista" (propaganda) de Israel pro mundo sem máscara. "Líder de kibutz confirma papel do movimento no estabelecimento e manutenção do apartheid israelense"

O kibutz é há muito celebrado pelos liberais como um exemplo da herança socialista de Israel, mas o líder do movimento, Nir Meir, afirma que a "primeira missão" dos kibutzim era "conquistar a terra", e hoje ele está pronto para "manter postos avançados" perto de Gaza.
Por Jonathan Ofir, 01 de Março de 2024

Uma foto do Kibutz Zikim, localizado ao norte da Faixa de Gaza. O kibutz foi fundado em 1949 por membros do movimento Hashomer Hatzair nas terras da aldeia palestina de Hirbiya. A casa em primeiro plano é conhecida como "Casa Alami", nome dado em homenagem à família palestina que a possuía antes da Nakba. Desde que esta foto foi tirada, em 2017, a casa foi transformada em um centro de acolhimento para o kibutz. (Foto: Zeev Stein/Wikimedia)

Por muitos anos, a sociedade kibutziana em Israel representou o "Israel liberal" que as pessoas usavam para destacar o "belo Israel", e muitos contavam sobre suas experiências como voluntários em um ou outro kibutz – incluindo Bernie Sanders. Claro, os kibutzim eram muito mais do que isso – eles foram ferramentas centrais na limpeza étnica da Palestina desde o início. Centenas desses kibutzim, incluindo o Kibutz Givat Haim Ichud, onde nasci e cresci, foram estabelecidos sobre as ruínas de aldeias palestinas etnicamente limpas para impedir o retorno dos refugiados palestinos e criar novos "fatos consumados".

Durante muitos anos, essa imagem liberal e de esquerda serviu para mascarar a destruição sistêmica da qual os kibutzim faziam parte. Mas agora, as máscaras estão caindo. Em uma longa entrevista ao Haaretz, o secretário-geral do movimento kibutziano, Nir Meir, que o lidera há nove anos, afirma que é hora de abandonar essa pretensão de esquerda. "A direita está certa":

"Os colonos não estão errados. A direita está certa: essa é a maneira de se apoderar e manter terras, e a alegação deles de que, onde quer que nós israelenses deixemos, os árabes ocuparão nosso lugar, está correta. A direita também está correta em seu caminho: é por meio de assentamentos, e somente por meio deles, que a soberania pode ser imposta. O debate é se a soberania deve ser imposta. Os assentamentos alegam ser os sucessores do Kibutz Hanita [na fronteira com o Líbano], porque, assim como nos tempos da Torre e da Paliçada [um método de estabelecer novos assentamentos durante o período do Mandato Britânico], é preciso conquistar colina após colina sem levar em consideração a lei e criar fatos consumados no terreno. Eles [os colonos] aprenderam conosco como se estabelecer e se apoderar de terras. A discussão com eles não é sobre o caminho ou o método, mas sobre a intenção e o objetivo."

Isso é, na verdade, muito honesto. As diferenças entre os colonos da Cisjordânia e os kibutzim são meramente superficiais/cosméticas.

Meir relata como cooperou com a extrema-direita e com a Ministra das Missões Nacionais, Orit Strock, ligada ao sionismo religioso:

"Cooperei com Orit e também com a direita na promoção do assentamento judaico no coração da Galileia [referindo-se a uma lei que permite que comunidades de milhares de famílias operem comissões de admissão para filtrar potenciais novos residentes]. Isso contrariava a abordagem politicamente correta que levou a uma situação em que, no coração da Galileia, em vez de 50% judeus e 50% árabes, haveria 85% árabes e apenas 15% judeus. Sou muito incisivo [na abordagem], promovo valores nos quais acredito, com todos que estejam dispostos a cooperar. O politicamente correto é pós-sionista, e eu sou sionista."

Assim, Meir fala abertamente sobre como a lei das “comissões de admissão”, que foi ampliada no ano passado, visa facilitar a demografia do apartheid. Ele está em sintonia com a extrema-direita nesse ponto. Ele também é o "bom amigo" dos líderes do movimento de colonos da Cisjordânia:

"Pinchas Wallerstein [ex-chefe do Conselho de Assentamentos de Yesha na Cisjordânia] é um bom amigo meu e desempenhou um papel importante na reabilitação das comunidades em frente a Gaza após a Operação Margem Protetora [2014]. Ele não é sectário e eu o estimo muito."

Meir não se considera um esquerdista. "Eu me considero uma pessoa que entende o contexto em que vive."

Paz com os palestinos?

"Não haverá paz com os palestinos. Minha opinião mudou muito antes de 7 de outubro. Não foi a retirada [de Gaza em 2005] que fracassou, foi Oslo. Eu não conto histórias para mim mesmo."

Meir opina que os kibutzim têm se inclinado mais claramente para a direita. E eu concordo com ele. A entrevistadora Meirav Moran pergunta: "Os kibutzim em frente a Gaza sempre foram considerados de esquerda no mapa político israelense. Vocês compartilham dessa visão?"

Meir responde:

"A atitude em relação ao conflito e à sua solução certamente mudará em todos os níveis. Muitos dos kibutzniks que vivenciaram o 7 de outubro não suportam ouvir árabe e querem ver Gaza apagada do mapa. Eles são as novas 'vítimas da paz'. Pouquíssimos dos kibutzniks cujas casas marcam a fronteira acreditam hoje que as pessoas que vivem do outro lado sejam boas pessoas. Eles não conseguem superar racionalmente a experiência emocional. O trauma é mais forte do que a sua visão de mundo."

De fato, ouvi falar de alguns desses kibutzniks e de sua clara defesa do genocídio. Meir diz que são muitos. E esses kibutzniks estão ligados à sociedade kibutziana em geral. Eles estão passando de esquerdistas a genocidas.

Mas Meir acha que não há problema em se mover para a direita, e na verdade está feliz em liderar esse movimento: "Fico feliz em entrar para a história como a pessoa que rompeu a aliança histórica entre o movimento kibutz e os partidos clássicos de esquerda."

Meir é claro sobre o papel histórico do kibutz, afirmando que a "primeira missão" dos kibutzim era "conquistar a terra... Não é por acaso que em todos os lugares onde havia o desejo de tomar posse de uma parte da Terra de Israel, kibutzim foram estabelecidos".

E ele deixa claro seu desejo de dar continuidade a esse tipo de missão, chegando a considerar os kibutzim atuais como "postos avançados civis". "Ainda hoje, o kibutz é a maneira mais eficaz de manter uma centena de postos avançados civis ao longo da cerca da fronteira", disse ele ao Haaretz.

Isso pode ser chocante para aqueles que acreditavam que os kibutzim em Israel eram uma manifestação de igualdade e harmonia socialista e de esquerda, mas nunca foi esse o caso. Israel está cometendo genocídio em Gaza, e o movimento kibutziano está mais uma vez se mobilizando para desempenhar um papel central na Nakba, desta vez a Nakba de 2023-2024. Não se trata de uma mudança repentina de caráter – o aspecto genocida sempre esteve presente, mas se escondia sob uma máscara. Já passou da hora de o resto do mundo também abandonar sua esperança romântica e ilusória de que um dia um "outro Israel" ressurgirá das cinzas. Não existe outro Israel.

Obrigado a Ofer Neiman

Publicidade: "A liberdade de expressão está sob ataque — especialmente quando se trata da Palestina.
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Fonte: Site Mondoweiss
Título original: "Kibbutz leader confirms movement’s role in establishing and maintaining Israeli apartheid"
https://mondoweiss.net/2024/03/kibbutz-leader-confirms-movements-role-in-establishing-and-maintaining-israeli-apartheid
Tradução/Revisão: Roberto Lucena

P.S. só espero que a "turminha ilustrada" que lê o blog na surdina não se aproprie do texto sem citar a fonte (e tradução, se usarem, porque leram aqui, desde 2023 nenhuma mídia do Youtube no Brasil e afins usaram esses textos), como costumam "pinçar" temas, informações das discussões dos Posts de Gaza sem citar o blog, omitindo, "fingindo" que não existe pros seus respectivos público, atitude, no mínimo, desonesta (pra pegar leve). Se quem acompanha o blog ver links por aí, já sabem de onde tiraram. Poderiam ter reproduzido desde 2023 mas não tomaram iniciativa (como em outros pontos) ao mesmo tempo que mantém a postura de "gelo" pro lado de cá, comportamento bizarro já que as pessoas leem, acompanham e ao mesmo tempo têm postura hostil pro lado de cá, nem os "revis" (negadores do Holocausto) tinham/têm essa postura. Depois reclamam que não existe movimento organizado relevante sobre a Palestina no Brasil, desse jeito não vai ter nunca mesmo, fora movimento pra outros temas. Se citam outros sites e cia, qual a razão de omitirem esse? Preconceito ou outro motivo mais "sem vergonha", fútil? Postura estranha, já que no meio acadêmico não existe essa restrição (nunca houve). E ninguém "doura" a pílula por aqui, a conversa é reta sobre a questão (das razões de não existir movimento coeso organizado sobre a questão Palestina e cia no país, deve-se a essas ações dispersas de uma parte, principalmente as partes ligadas a meios políticos/partidos).

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

"Políticas nacional-socialistas (nazistas) perante prisioneiros de guerra soviéticos (eslavos)"

Antes de tudo, dar as boas-vindas por 2026, mas o ano já vai começar com "pedrada".

Só uma pequena considerção antes da tradução seguir, os nazistas tinham política "racial" pras pessoas oriundas do Leste europeu (eslavos: russos, ucranianos etc, em geral), política de escravidão, trabalho forçado e extermínio (se fosse o "caso")... por fome, a quem quiser ler mais (em resumo): Generalplan Ost (Link1, Link2, Link3, Link4).

Os nazistas consideravam os povos do "leste europeu" como "subraças", "inferiores", algo próximo aos judeus, ciganos e cia, consideravam esses grupos como "desprezíveis", apesar das contradições porque os nazistas usaram grupos de extrema-direita entre esses pro esforço de guerra nazista e contradições como apoiarem o Estado fantoche fascista croata (eslavos) sob batuta da "Ustasha" contra os sérvios (outro grupo eslavo).

Parece que há no congresso nacional deputados de origem do "Leste europeu" destilando preconceito regional (me recuso a chamar de "xenofobia", eu não serei tratado como estrangeiro no meu país, essa "turma" que se oriente e vá encher o saco/destilar preconceito no "país de origem" dos avós, eu não assimilo discurso exótico sobre "xenofobia" da parte Sul do país, não reconheço e não legitimo esse termo e peço que o resto do país faça o mesmo), resolvi resgatar a "questão eslava" do nazismo pra mostrar a essas figuras e ao país como esses grupos étnicos são vistos/tratados historicamente na Europa, porque o racismo anti-eslavo está "à toda" em relação à Rússia (e é genérico, a Europa Ocidental não gosta de eslavos, de forma geral, "tolerar" não é "gostar"... há raízes históricas desses preconceitos, condenáveis, obviamente, mas é pra passar na cara qui no Brasil de como certas figuras com ascendência no "Leste europeu" seriam/são vistos fora, principalmente na Europa Ocidental). Porque pralém do nazismo, o preconceito anti-eslavo é forte em toda a Europa Ocidental. Mas é pedir muito (entendimento, bom senso) de pessoas assim.

Espero que o congresso nacional brasileiro não seja negligente com figuras que insuflam separatismo (crime: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/1950-1969/l1802.htm) e coisas do tipo (que alguns rotulam erroneamente de "xenofobia", "xenofobia interna" imitando coisas da Espanha, questao espanhola é diferente da brasileira, chega dessa gente ficar importando "modismo" pro país querendo impor "termos exóticos" a outros estados) e removam esses elementos da "política" brasileira ou do congresso nacional, bem como o TSE poderia também atuar cassando mandato. Figuras que não acrescentam nada e ficam insuflando cizânia, divisão do país, o que é uma "alegria" a países hostis ao Brasil (e América Latina no todo) como os Estados Unidosm, país com "olho grande" nos recursos do Brasil e América Latina (me refiro ao governo e não ao povo, embora o "governo norte-americano" representa parcela também do povo daquele país, como Bolsonaro e outros representam parcela de setores do Brasil).

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"Políticas Nacional-socialistas em relação a prisioneiros de guerra soviéticos"

Marchas forçadas de prisioneiros de guerra
soviéticos, pelos Nazistas (Imagem do USHMM)
"Apesar de terem sido utilizados como mão de obra forçada, um método amplamente empregado a partir de 1942, os prisioneiros de guerra soviéticos constituíram o segundo maior grupo de vítimas das políticas de extermínio nazistas, depois dos judeus. Ao todo, cerca de 5,7 milhões de soldados soviéticos caíram em mãos alemãs entre meados de 1941 e o fim da guerra. Destes, 930.000 ainda estavam em campos de prisioneiros de guerra até janeiro de 1945. Cerca de um milhão havia sido libertado dos campos e transferido para as forças armadas da Wehrmacht para tarefas subordinadas. Outros 500.000 haviam escapado ou sido libertados pelo Exército Soviético. Os 3,3 milhões restantes (aproximadamente 57,5%) morreram em poder dos alemães.8 Havia quatro razões principais, além das brutais execuções em massa, para o enorme número de mortes: fome, a forma como os prisioneiros eram transportados, alojamentos inadequados e o assassinato sistemático de categorias específicas de prisioneiros.

Um dos principais objetivos de guerra da Alemanha no Leste era o controle e a exploração dos recursos alimentares. Para os homens que planejaram a pilhagem da Rússia e da Ucrânia, era evidente que, como resultado, "milhões de pessoas certamente morreriam de fome".9 "Muitas dezenas de milhões" nesses territórios "morreriam ou teriam que emigrar para a Sibéria".10 Os prisioneiros de guerra soviéticos foram as primeiras vítimas dessa política. Como resultado, mais de um milhão de pessoas morreram de fome nos primeiros meses de prisão.11

Dezenas de milhares de prisioneiros de guerra soviéticos também morreram a caminho dos campos. Muitos tiveram que marchar centenas de quilômetros atrás da linha de frente. Os guardas da Wehrmacht fuzilavam aqueles que se exauriam durante o percurso. Nos casos em que os prisioneiros eram transportados por trem, a Wehrmacht permitia apenas o uso de vagões de carga abertos. O rigoroso inverno russo e a privação de alimentos, muitas vezes por vários dias seguidos, resultaram em enormes perdas.

Quase nenhum preparo havia sido feito para abrigar os prisioneiros de guerra, pois se presumia que a União Soviética entraria em colapso em poucas semanas. Para as áreas destinadas aos campos, nada além de arame farpado havia sido providenciado. Os prisioneiros, exaustos pela marcha e enfraquecidos pela desnutrição, tinham poucos recursos para combater o frio, o contágio e as doenças relacionadas à fome nos campos temporários.

Além disso, em meados de julho de 1941, Reinhard Heydrich, em nome da Polícia de Segurança, e o General Hermann Reinecke, oficial da Wehrmacht responsável pelos prisioneiros de guerra, concordaram que os Einsatzgruppen da SS deveriam identificar e fuzilar todos os "elementos politicamente e racialmente inaceitáveis" entre os prisioneiros soviéticos. Isso incluía "todos os funcionários importantes do Estado e do Partido", "membros da intelectualidade", "todos os comunistas fanáticos" e "todos os judeus".¹² O número de vítimas desses assassinatos ficou entre 140.000 e 150.000. Estima-se que apenas o número de soldados judeus do Exército Vermelho feitos prisioneiros seja de cerca de 85.000. Sem exceção, qualquer um identificado como judeu era morto. O mesmo tratamento foi dispensado a milhares de prisioneiros não judeus que — assim como os muçulmanos circuncidados — foram considerados judeus disfarçados ou classificados como "asiáticos racialmente inferiores".

O fato da taxa de mortalidade ter declinado consideravelmente em 1942 não tem nada a ver com considerações de humanidade ou com as regras da guerra, mas sim com o reconhecimento por parte dos líderes do regime e da Wehrmacht de que a produção de armamentos alemã dependia do trabalho desses prisioneiros de guerra. Ficou claro que a União Soviética não seria derrotada tão facilmente quanto os alemães esperavam. Diante da ameaçadora escassez de mão de obra, a indústria de mineração alemã, em particular, tornou-se a principal defensora do uso de mão de obra soviética, mas a SS e a liderança do partido rejeitaram essa ideia de imediato. Chegou-se a um acordo: prisioneiros de guerra e civis soviéticos seriam utilizados, mas sob condições que incluíam exploração máxima, isolamento rigoroso da população alemã, tratamento e provisão miseráveis e imposição da pena de morte até mesmo para infrações menores.13"

Notas (do trecho)

8 Streit, Keine Kameraden, p. 136.

9 Aktennotiz, 2. 5. 1941, Document 2718 PS, International Military Tribunal (IMT), Major War Criminals, Nuremberg 1947–49, Volume 31, p. 84; see also Gerlach, Kalkulierte Morde, pp. 46–59.

10 Wirtschaftspolitische Richtlinien für Wirtschaftsorganisation Ost, Gruppe Landwirtschaft vom 23. 5. 1941, Document EC 126, IMT, Volume 36, p. 135.

11 Streit, Keine Kameraden, p. 136.

12 Einsatzbefehl Nr. 8, 17 July 1941, IMT, NO – 3414, based upon the notorious Kommissarbefehl, OKH, Gen. Z.b.V. beim ObdH, Nr. 75/41 g. Kdos. Chef., 6. 5. 1941, Annex 2, Document 877 PS, International Military Tribunal [IMT], Major War Criminals, Nuremberg 1947–49.

13 Ulrich Herbert, Fremdarbeiter. Politik und Praxis des ‘Ausländer-Einsatzes’ in der Kriegswirtschaft des Dritten Reiches (Bonn, 1999), pp. 158–208.

Fonte: site OpenEdition Books; Central European University Press ("Jews, Gypsies and soviet prisoners of war: comparing nazi persecutions"; Michael Zimmermann, pág. 31-53)
https://books.openedition.org/ceup/1413
Tradução: uso do tradutor do Google (IA, sob supervisão (Roberto Lucena) (eu li tudo pra aprovar ou corrigir)

quinta-feira, 4 de setembro de 2025

Edwin Black revolve as raízes americanas da eugenia nazista

MARCELO FERRONI
free-lance para a Folha de S.Paulo
(Post original publicado em 09.05.2010).
Em 1934, um ano depois de Hitler ter tomado o poder na Alemanha, o superintendente de um hospital da Virgínia (EUA) reclamou a um jornal americano: "Os alemães estão nos vencendo em nosso próprio jogo". O jogo era a discriminação racial, com a posterior exclusão dos "mais fracos", perpetrada pela Alemanha na Segunda Guerra Mundial.

O médico que fez a afirmação, Joseph De Jarnette, pertencia a um grupo de eugenistas norte-americanos que, desde o início do século 20, se esforçava para aprovar no país leis e medidas de exclusão social e de esterilização das pessoas que fossem consideradas inadequadas a ter filhos.

A Virgínia, um dos Estados que mais apoiaram a eugenia --ou a ciência destinada a "melhorar geneticamente" a espécie humana--, havia promulgado suas leis de esterilização em 1924. Ela não fora a única.

Entre 1907 e 1940, a Carolina do Norte, Michigan e outros Estados norte-americanos realizaram milhares de esterilizações e castrações. Só na Califórnia, o número de intervenções cirúrgicas forçadas chegou a 14.568. No entanto, foi com Hitler que o projeto de um grande extermínio, sonhado por alguns desses eugenistas, tomou forma concreta.

"Esse grupo pequeno estava no poder, sabia como manipular as leis e usou sua posição influente para usar as armas do governo contra as minorias étnicas", diz o jornalista Edwin Black, 53, autor de "A Guerra Contra os Fracos", lançado agora no Brasil.

Black causou polêmica ao lançar em 2001 "IBM e o Holocausto" (Campus), em que afirmava que a empresa americana havia ajudado os alemães a conduzir seu sistema de extermínio em massa. Em seu novo livro, vai mais longe.

Acusa não só a IBM, mas centros de pesquisa e financiamento americanos, como a Instituição Carnegie e a Fundação Rockefeller, de terem estimulado a discriminação e defende que, apesar de a eugenia ter sido criada pelo inglês Francis Galton (1822-1911), ela só adquiriu seu aspecto violento nos EUA devido à ação de uns poucos fanáticos, que chegaram a influenciar Hitler. Leia, a seguir, trechos de sua entrevista à Folha.

Folha - É possível dizer que Galton era um eugenista de boas intenções, apesar de suas idéias preconcebidas?
Edwin Black - Há uma diferença entre eugenia "positiva" e "negativa". Galton, em muitos aspectos, era "positivo", ou seja, ele procurava promover casamentos melhores. Suas idéias foram desvirtuadas nos EUA e se tornaram eugenia negativa, que era o desejo de obliterar ou destruir linhagens humanas. Acho que, apesar de equivocado, Galton pode ter sido bem intencionado.

Folha - Por que a eugenia se tornou tão forte nos EUA?
Black - Na virada do século 20, havia milhões de judeus chegando da Europa Oriental e da Rússia. Havia milhões de mexicanos que haviam sido absorvidos após a guerra de anexação dos EUA. Havia asiáticos que vieram para construir as ferrovias, uma grande quantidade de negros, e os índios estavam sendo lentamente integrados. Não só o país estava mudando demograficamente, mas também se urbanizando.

Alguns homens da alta sociedade se sentiram ameaçados pelas mudanças extremas que eles presenciaram em um curto período de tempo, de cinco a dez anos, e quiseram voltar para a época de seus avós e bisavós. Foram as sementes do medo que causaram o racismo. O racismo é somente o produto do medo.

Folha - Por que a eugenia era mais forte na Califórnia?
Black - É preciso diferenciar onde a eugenia era mais ativa e onde era mais apoiada. É possível dizer que a Virgínia era um dos Estados onde havia mais apoio, mas, na Califórnia, ela era mais ativa. Tratava-se de um grupo muito pequeno de pessoas contra uma sociedade maior. Mas esse grupo pequeno estava no poder, sabia como manipular as leis e usou sua posição influente para usar as armas do governo contra as minorias étnicas.

Folha - A idéia dos campos de concentração alemães foi inspirada pelos eugenistas americanos?
Edwin Black - Eu diria que ela foi inspirada por uma combinação de duas coisas: os primeiros campos de concentração da guerra dos bôeres [entre o Exército inglês e colonos sul-africanos, de 1899 a 1902] e a idéia eugenista americana de que cidadãos deveriam ser separados e colocados em colônias que hoje podemos chamar de campos de concentração.
A justificativa para campos domésticos, em oposição aos campos para inimigos, provavelmente veio de filosofias eugenistas americanas.

Folha - E dá para afirmar que a idéia de extermínio em massa veio dos eugenistas norte-americanos?
Black - Infelizmente, essa idéia foi norte-americana. A eutanásia foi uma das propostas iniciais, e o método deveria ter como base câmaras de gás. Mas a sociedade não estava preparada, e assim a esterilização individual forçada foi implementada no lugar.

Folha - Mas, quando Hitler subiu ao poder, parte dos eugenistas americanos deixou de apoiá-lo.
Black - Conforme o programa de Hitler se tornou mais detestável, muitos eugenistas abandonaram suas idéias ou se calaram. Mas o núcleo mais "duro" se isolou e continuou a apoiar o regime. Eles tinham um conceito chamado de "seleção letal", uma versão da seleção natural de Darwin em que o mais forte prevaleceria sobre o mais fraco e agentes externos, como bactérias, seriam usados para acelerar os desígnios da natureza.

Folha - Qual a importância da eugenia para a fundação da genética?
Black - A eugenia não foi o avô da genética; foi seu pai. É muito simples. Após a Segunda Guerra Mundial, quando se descobriu que milhões haviam morrido, o movimento norte-americano se recolheu e mudou de nome. Ele passou a se chamar "genética humana".
Após uma ou duas gerações, uma nova leva de cientistas apareceu para criar a nova ciência que conhecemos, imune aos preconceitos raciais anteriores.

Folha - A genética pode se tornar tão perigosa quanto a eugenia?
Black - Acredito que a "nova-genia" possa reaparecer. Mas a ameaça não terá por base bandeiras nacionais e dogmas racistas. Ela virá da área econômica, de seguradoras, de empregadores que queiram usar informações genéticas para caracterizar a ancestralidade como base para a discriminação e, logo, perseguição.

Livro: A GUERRA CONTRA OS FRACOS
Autor: Edwin Black

Fonte: Folha de São Paulo(Brasil, 31.01.2004)
http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u41025.shtml

Edwin Black é também autor do famoso livro IBM e o Holocausto.

domingo, 10 de agosto de 2025

As reflexões do prof. Mearsheimer sobre o "futuro" de Israel (ou "falta de")

Eu ia fazer esse post há dias, ou há mais de semana quando saíram os cortes no canal da Katie Halper, mas paciência, só tem duas pessoas que praticamente dialogam nesse espaço (mesmo com a quantidade considerável de "Voyers de política" acompanhando), onde ninguém recebe nada (nem "tapinha nas costas") ou ajuda em divulgação do espaço, sendo que não era (nunca foi) esse o objetivo desde o princípio da denúncia da situação de Gaza (o blog existe desde 2007 e nunca contou com "ajuda" de quaisquer grupos de canal, mídia etc, só que antes não vinha copiar e colar sem apontar os créditos, está na descrição do blog sobre "uso de conteúdo" essa questão), comento isso porque realmente me "desapontou" (mas não espantou) verificar o comportamento nebuloso e mesquinho mesmo em setores "ditos de esquerda" na postura de comunicação e denúncia do genocídio.

Mas que refletem bem a prostração atual do PT e governo quando querem mobilizar a população e como bem da dita "esquerda radical de Youtube" (já comentada aqui, não em profundidade porque teria muito mais coisa a abordar, ficará pra outra ocasião, eu gostaria mais de falar do porquê do PT ser hegemônico já que essa turma ignora por completo a gênese do PT, até por questão geracional, já tem uma parte que nasceu ou cresceu com o PT no poder, só têm alguma ideia do "Brasil anterior" por leitura ou "ouvi falar", ou quando leem comentários de certa pessoa aqui na surdina... e de outros), mas é uma questão pertinente e a ausência de livros que expliquem o Brasil da Redemocratização, governo Sarney, Collor, FHC etc (irei abordar essas questões em outro post, fazendo até uma bibliografia do que eu achar de relevante desses assuntos).

O prof. Mearsheimer, desse livro aqui ("The Israel Lobby and U.S. Foreign Policy", review 1, review 2), deu entrevista à comediante/jornalista Katie Halper (norte-americana de origem judaica, foi demitida por chamar Israel de apartheid, de ter apartheid em Israel), sobre ela (Link1), em que explana sobre o "futuro sombrio" de Israel ou ausência disso (de "futuro"). Tem coisas que a gente já abordou/discutiu por aqui nos 'n' posts de Gaza (são 22 partes desde Outubro de 2023, mais dois ou três posts onde a discussão havia começado, ficam listados nos posts), porque temos problema sério de comunicação, de discussão aqui no país com uma turma de direita que "cobre geopolítica" reduzindo essas questões a posturas "isentonas" (tolices), por serem politicamente refratários, reducionismos, simplificações, passada de pano pra política israelense etc (com até endosso de setores da esquerda do país ao se aproximarem desse "espectro" de forma acrítica, sem questionar essas posições, e sim, eu não vou passar pano ou alisar cabeça de ninguém, a gente já não tem fama de "chato", de "briguento"? sou mesmo, gosto das coisas corretas, certas, mesmo que A, B ou C não concordem, direito de cada um, mas vamos parar com essa discussão de que vivemos numa "Aldeias dos Smurfs" e todo mundo é "amiguinho de todo mundo").

Perdi um pedaço do texto, mas tentarei reescrever (que lixo essa atualização que o Google fez do Blogger), acho que a gente conseguiu traçar bem uma linha que distingue a posição da gente desses demais grupos refratários. Não tenho intento de "fazer cabeça" de ninguém aqui no país até porque isso é uma questão estritamente pessoal, mas que não venham com conversa mole tortuosa repetindo bobagem que ouviu em "canto x" pras bandas de cá. Ninguém aqui vive apitando ou dando pitaco nesses outros cantos. E não fomos nós que começamos certa "hostilização", faziam, começaram, depois não cabe "choro" ou o famoso "deixa disso". Eu tenho pouca (ou nenhuma) paciência pra esse tipo de postura. Acham que vão nos silenciar porque blogs não têm alcance de canais do Youtube... já comentei isso antes, mas não tem problema em repetir: não tem o mesmo alcance (imediato), mas possuem alcance sim... principalmente porque um público leitor, que está mais acostumado a ler, com os temas etc, tem muito público univesitário que acessa isso aqui desde o começo, que vão formar a opinião dos países amanhã. A gente dialoga com certo nicho, como cada canal dialoga com os seus.

Não era bem isso que estava escrito no trecho que perdi (apaguei sem querer tentando salvar, mas paciência). E o prof. Meirsheimer não é uma figura de esquerda, mas é uma pessoa esclarecida, chamaria de "liberal clássico" esclarecido em extinção, com uma visão mais social de mundo.

Sem mais delongas, vou colocar os vídeos do Mearsheimer, dois em destaque (mas há mais de um, o resto eu colocarei os links pra clicarem e assistirem, acho que há a entrevista inteira no canal da Halper, a quem quiser ouvir vale a pena, se você quer estar bem informado sobre o conflito no Oriente Médio e cia, sigam a sugestão da gente que não se arrependem) porque fica ruim de abrir em celulares (smartphones) vários vídeos com tela do Youtube no post, por isso a escolha de dois cortes (os principais) e o resto segue como link.

Por essa razão que eu tenho uma leva de links da fome de Gaza (imagens, vídeos) e estou pensando em como disponibilizar isso, porque no post de Gaza (parte 22), muita gente por vezes não clica, apesar de que o maior acesso ao blog vem de público externo ao Brasil, cerca de quase 70% (de brasileiros morando fora, de estrangeiros mesmo, tem gente aprendendo português, tem gente que usa tradutor do Google, da Ásia, muitos acessos de Singapura, muitos acessos dos Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido, França, Vietnã, Hong Kong, Holanda, Japão etc, a lista é extensa e nos deixa feliz em saber que prestigiam lendo, acompanhando, apesar da ausência de comunicação, diálogo, que seria importante pra gente, pode ser via email). Irei colocar os vídeos de Gaza como links e alguns abertos (depois, posso até inverter a posição dos posts depois). Cerca de uns 32% dos acessos do blog são de dentro do Brasil... pelo menos da última vez que contabilizei isso.

Mas como ninguém fez a pergunta, eu mesmo faço: "por que é importante saber do futuro de Israel e bla bla bla bla"? Eu não adoto certa linha de "corte brusco" que o Breno, por exemplo adota (nada contra, direito dele e de mais gente, eu apenas penso de outra forma nisso), sem se comunicar ou estabelecer algum diálogo com gente que ainda se declara "sionista" e está ciente do problema que se passa, ou mesmo de sionistas (mais esclarecidos que já começam a notar que esse "projeto sionista colonial" colapsou ou está em vias de colapsar, porque não sobrevive por médio/longo prazo sem os Estados Unidos, se sobreviver, dá até pra discutir isso depois), porque a resolução do conflito na Palestina também virá de pessoas nesse "bloco sionista" (principalmente nos EUA e Europa) rachando com a "linha dura" bitolada. Quem achar que isso não é relevante está viajando lindamente na maionese.

Os vídeos:

1. "Israel está CONDENADO" — Prof. John Mearsheimer
2. "Israel “NÃO SOBREVIVERÁ” sem os EUA" – Prof. John Mearsheimer
(O Google anda traduzindo automaticamente os títulos sem perguntar antes, tá bem chato isso)


3. Vídeo, "Republicanos se voltam contra Israel com o Prof. John Mearsheimer" (https://www.youtube.com/watch?v=a3I0cQPUpb0)
4. Vídeo, "Israel está “EM VERDADEIROS PROBLEMAS” - Professor John Mearsheimer (https://www.youtube.com/watch?v=rhFGGIpenow
5. Vídeo, "John Mearsheimer EXPÕE o segredo sujo de Israel: 'O estado judeu está se comportando como nazistas'" (https://www.youtube.com/watch?v=OdQDYhSk6-0
6. Vídeo, "Os sionistas cristãos são mais radicais que os judeus" — Mearsheimer | APT" (https://www.youtube.com/watch?v=s-XFHy_1c24)

P.S. pros de fora que não entendem português (exceto por tradutor aqui), a quem for acessar os vídeos pelo post, os vídeos podem aparecer com "áudio" em português (pela IA do Google), fazem isso de forma automática, não foi minha opção. A quem quiser ouvir com o áudio original, é só mexer na "Configuração" do vídeo ou clicar pra ouvir direto no Youtube.

sexta-feira, 2 de maio de 2025

As cartas e cadernos de Vasily Grossman

O livro "Um escritor em guerra" ("A writer at war") consiste em trechos das cartas da família de Vassily Grossman (preservadas por sua filha e enteado) e de cadernos (preservados no RGALI: Arquivo Estatal Russo de Literatura e Artes). Sua natureza privada elimina qualquer dúvida de que sejam fontes primárias de verdadeiras observações de Grossman. E elas apresentam problemas intransponíveis para os negacionistas. Aqui está um exemplo.
A carta da qual este trecho foi retirado foi escrita para sua esposa durante a viagem de Kiev para a recém-libertada Berdichev, onde sua mãe foi uma das vítimas dos alemães:
"Querida Lyusenka, cheguei ao meu destino hoje. Ontem estive em Kiev. É difícil expressar o que senti e o que sofri nas poucas horas em que visitei os endereços de parentes e conhecidos. Só há sepulturas e morte. Vou para Berdichev hoje. Meus camaradas já estiveram lá. Eles disseram que a cidade está completamente devastada, e que apenas algumas pessoas, talvez uma dúzia entre milhares, dezenas de milhares de judeus que viviam lá, sobreviveram. Não tenho esperança de encontrar mamãe viva."
Se os negacionistas ainda desejam afirmar que o relato de Grossman sobre o genocídio em Kiev e Berdichev, escrito na época de sua libertação, é propaganda totalmente falsa, eles terão que explicar este segundo trecho, no qual Grossman descreve estupros em massa perpetrados por seu próprio lado em Schwerin:
"Coisas horríveis estão acontecendo com mulheres alemãs. Um alemão instruído, cuja esposa recebeu "novos visitantes" — soldados do Exército Vermelho —, explica, com gestos expressivos e palavras russas truncadas, já foi estuprada por dez homens hoje. A senhora está presente...

Gritos de mulheres são ouvidos através de janelas abertas...

Uma história sobre uma mãe que amamentava e estava sendo estuprada em um celeiro... o bebê faminto chorava o tempo todo.
"
Por que Grossman mentiria, em seus escritos privados, sobre Berdichev, sobre o assassinato de sua própria mãe, mas contaria a verdade sobre esses estupros, que são prejudiciais à imagem dos soviéticos?

Fonte: Holocaust Controversies
Autor: Jonathan Harrison
Título original: "Vasily Grossman's Letters and Notebooks"
https://holocaustcontroversies.blogspot.com/2009/05/vasily-grossmans-letters-and-notebooks.html
Tradução: Roberto Lucena

domingo, 23 de fevereiro de 2025

Adam Tooze: "O salário da destruição. Formação e ruína da economia nazi", "Review" (Resumo/análise do livro, para entender o colapso da economia nazista)

Adam TOOZE. The Wages of Destruction. The Making and Breaking of the Nazi Economy
Adam TOOZE. "O Salário da Destruição. Formação e ruína da economia nazi
Paris, Les Belles Lettres, 2012, 812 p.

Domingo, 3 de março de 2013, por Laurent Gayme

Licenciado pelo King's College e pela London School of Economics, Adam Tooze é professor de história alemã na Universidade de Yale. Publicou anteriormente "Statistics and the German State, 1900-1945: The Making of Modern Economic Knowledge", Cambridge, Cambridge University Press, 2001.

Este livro é uma tradução do seu livro The Wages of Destruction: The Making and Breaking of the Nazi Economy, Londres, Allen Lane, 2006, que ganhou o Prêmio Wolfson de História em 2006 e o Prémio Longman-History Today Book of the Year em 2007.

A história econômica no centro das atenções

Esta tradução de um livro importante por Les Belles Lettres é de saudar. Nos últimos anos, os leitores franceses puderam ler muitas obras inovadoras sobre a Alemanha nazi, entre as quais as de Ian Kershaw, Robert Gellatelly, Mark Mazower, Christian Ingrao e Johann Chapoutot (que passa em revisão as últimas pesquisas sobre o nazismo em Le nazisme, une idéologie en actes, coleção Documentation photographique n°8085, Paris, La Documentation française, 2012). 

De todas estas publicações, poucas foram dedicadas a questões econômicas, com exceção de Götz Aly (Comment Hitler a acheté les Allemands, Paris, Flammarion, 2005). Adam Tooze chama a atenção para o fato de a história econômica do nazismo ter progredido pouco nos últimos vinte anos, ao contrário da história do funcionamento do regime, da sociedade e das políticas raciais, por exemplo. É por isso que tem a ambição de “iniciar um processo de recuperação intelectual que há muito deveria ter sido feito” (p. 19), dando-nos, sob a égide de Marx, uma impressionante história econômica da Alemanha nazi: “O primeiro objetivo deste livro é, portanto, voltar a colocar a economia no centro da nossa compreensão do regime hitleriano...” (p. 20). (p. 20). 

Propõe-se fazê-lo rompendo com um pressuposto do século XX, o de uma superioridade econômica particular da Alemanha (ainda hoje presente no espírito das pessoas...), um mito destruído pelos últimos trabalhos dos historiadores econômicos para os quais o grande fato econômico do século XX é o eclipse da Europa pelas novas potências econômicas, nomeadamente os Estados Unidos. Na década de 1930, a Alemanha da Krupp, da Siemens e da IG Farben tinha um rendimento nacional per capita na média europeia (ou seja, comparável, em termos atuais, ao do Irã ou da África do Sul), um nível de consumo mais modesto do que o dos seus vizinhos ocidentais e “uma sociedade parcialmente modernizada em que mais de quinze milhões de habitantes viviam do artesanato tradicional ou da agricultura camponesa”. (p. 21).

O inimigo americano

A tese central de Adam Tooze baseia-se menos no Mein Kampf (1924) anti-bolchevique do que num manuscrito de Hitler conhecido como “Segundo Livro”, concluído no verão de 1928 e que contém discursos da campanha para o parlamento da Baviera, em maio de 1928, na qual Gustav Stresemann, ministro dos Negócios Estrangeiros da República de Weimar, era candidato. Convencido de que os Estados Unidos iriam tornar-se a força dominante da economia mundial e um contrapeso à Grã-Bretanha e à França, Stresemann tinha escolhido, após a derrota de 1918, a aliança financeira americana e a integração econômica na Europa capitalista (as escolhas feitas por Adenauer depois de 1945), a fim de conquistar um mercado suficientemente grande para se equiparar aos Estados Unidos. 

Para Hitler, a força motriz era a luta por meios de subsistência limitados, ou seja, a colonização de um “espaço vital” no Leste, para competir com o poder dos Estados Unidos, cuja hegemonia ameaçaria a sobrevivência econômica da Europa e a sobrevivência racial da Alemanha, com os judeus a reinarem tanto em Washington como em Londres e Moscou. Hitler rejeitava a “americanização”, a adoção dos modos de vida e de produção americanos, porque por detrás do liberalismo, do capitalismo e da democracia estava o “judaísmo mundial”.

Construção de um complexo militar-industrial

Em suma, Hitler estava a responder a uma situação do século XX com uma solução do século XIX. O imperialismo, combinado com a sua ideologia antissemita, tinha de transformar a Alemanha numa potência continental capaz de rivalizar com o Império Britânico e, sobretudo, com o imenso território dos Estados Unidos. Para isso, Hitler organizou, a partir de 1933, o mais extraordinário esforço de redistribuição jamais realizado por um Estado capitalista, com a percentagem do produto nacional destinada ao exército a passar de menos de 1% para quase 20% em 1938, ao mesmo tempo que a produção industrial aumentava fortemente, assim como o consumo e o investimento civil (6 milhões de desempregados foram postos a trabalhar). 

Tudo foi sacrificado ao rearmamento e à criação deste complexo militar-industrial, nomeadamente os interesses das indústrias de bens de consumo e do campesinato, daí o racionamento das matérias-primas essenciais a partir de 1935 e, mais tarde, a pilhagem da Europa. Este foi aceite pelo grande capital alemão, enfraquecido pela crise de 1929, porque era seletivo, explorando frequentemente a iniciativa privada, e assegurava lucros substanciais, mantendo a ordem social e esmagando a esquerda e os sindicatos. Por fim, a conquista do Lebensraum no Leste (com o "Generalplan Ost" de racionalização e reorganização agrária e o Plano Fome de 1941, que previa a pilhagem dos recursos alimentares de cerca de dez milhões de polacos, russos e ucranianos) e a política genocida, nascida da ideologia racial e antissemita, encontraram a sua justificação econômica ao serviço do poder. A economia nazi e a Segunda Guerra Mundial

No entanto, Adam Tooze mostra claramente que a diplomacia, o planeamento militar e a mobilização econômica não se combinaram para formar um plano de guerra coerente e a longo prazo. Em setembro de 1939, a Alemanha entrou em guerra sem uma forte superioridade material ou técnica em relação à França, à Grã-Bretanha ou, em 1941, à URSS. Com uma economia condicionada por problemas de balança de pagamentos (era impossível contrair empréstimos ou fazer comércio com a Grã-Bretanha e os Estados Unidos) e sob controlo administrativo permanente, Hitler estava constantemente a jogar contra o relógio. 

Em 1939, a Alemanha já não podia acelerar o seu esforço de armamento, enquanto a Grã-Bretanha, a França e a URSS aceleravam o seu rearmamento. Por outro lado, se em 1936 Hitler ainda insistia na conspiração judaico-bolchevique, a partir de 1938 o antissemitismo nazi tomou um rumo anti-ocidental e, sobretudo, anti-americano, o que facilitou a compreensão do Pacto Germano-Soviético, que também protegia a Alemanha contra uma segunda frente e contra os piores efeitos do bloqueio anglo-francês. Para além das considerações ideológicas, tendo em conta a dimensão do esforço de guerra anglo-americano a partir do verão de 1940, os recursos econômicos da URSS (cereais, petróleo) eram vitais para a sobrevivência da Alemanha. Ao mesmo tempo, porém, era necessário preparar a invasão da URSS e a corrida transatlântica ao armamento, o que exigia uma vitória rápida sobre o Exército Vermelho, ao mesmo tempo que se levavam a cabo os programas genocidas de limpeza étnica das SS no âmbito do Generalplan Ost.

No início de 1942, as forças econômicas e militares mobilizadas contra o Terceiro Reich eram esmagadoras. Mas o núcleo do poder político nazi (o Gauleiter Sauckel, Herbert Backe, o orquestrador do Plano da Fome, Göring, Himmler e Albert Speer) empreendeu então um imenso esforço para mobilizar todos os recursos humanos (incluindo a mão de obra judaica nos campos), alimentares e econômicos (pilhando toda a Europa) ao serviço da guerra e do “milagre armamentista” de Speer. A aceleração final da produção alemã de armas, em 1944, foi efetuada à custa da destruição de uma grande parte da Europa e das suas populações, bem como da própria Alemanha. Em 1946, o PIB alemão per capita era de pouco mais de 2.200 dólares (um nível que não se registrava desde a década de 1880) e, nas cidades arrasadas, as rações alimentares eram frequentemente inferiores a 1.000 calorias por dia. Uma grande obra

Como já deve ter percebido, é impossível transmitir aqui toda a riqueza deste fascinante fresco, que é perfeitamente legível para não especialistas em história econômica. Adam Tooze desafia muitas ideias recebidas sobre os sucessos industriais do Terceiro Reich e as motivações e decisões nazis durante a guerra, sem nunca subestimar a importância dos pressupostos ideológicos nazis. 

Oferece-nos uma brilhante releitura da primeira metade do século XX, à luz das escolhas econômicas feitas em resposta às convulsões no equilíbrio econômico global, e oferece-nos um cativante apelo à história econômica. É evidente que se trata de uma leitura essencial para os professores de História do ensino secundário, em particular para os que lecionam os capítulos sobre crescimento econômico e globalização, totalitarismo e guerra total.

Fonte: La Cliothèque
http://clio-cr.clionautes.org/le-salaire-de-la-destruction-formation-et-ruine-de-l-economie-nazie.html

Reproduzido primeiramente em Holocaust-doc (blog auxiliar deste aqui para publicação de textos, correlatos ao tema do blog, 2aGM e cia, em outros idiomas: inglês, francês, espanhol etc):
https://holocaust-doc.blogspot.com/2016/02/adam-tooze-le-salaire-de-la-destruction-formation-et-ruine-de-l-economie-nazie.html

Texto traduzido do francês com ajuda de IA ("Inteligência artificial").
Revisão:
Roberto Lucena

terça-feira, 10 de outubro de 2023

Para entender o conflito Israel-Palestina, livros [Bibliografia Oriente Médio] - Atualização 2023

Antes que apareça alguém "surtando" ou enchendo o saco na "caixa de comentários" de algum outro post sobre esse tema, porque tem muito "podcast" (virou uma "praga" essa coisa) sensacionalista com "apelo emocional" direcionado pra certos "públicos", fora o papel de "porco" que a dita "mídia hegemônica" ("grande mídia") faz no país há décadas, em 02 de Agosto de 2014, bem antes desse esgoto que virou o Youtube "emergir" com "podcasts" e cia, eu consegui fazer uma lista/apanhado de livros relevantes sobre o conflito, onde alguns não foram publicanos em português mas se encontra em espanhol, só não sei o preço.

Por que ressalto isso? Porque já se discutia esses termas bem antes desses "antros" ou redutos ficarem papagueando coisas como se fosse "algo inédito" no país. É só citação pra registro mesmo antes que venha algum idiota "desavisado" dizer besteira de que se está "pegando carona" na coisa, muito pelo contrário.

E fica também uma provocação ao Silveira (é só devolução da coisa), já que foi graças à crítica dele em outro post, sobre a questão Palestina/Israel, que esses posts foram abertos: existe "nacionalismo" no "Integralismo" ou tá todo mundo só segurando o "saco" do "Capetão Cloroquina" (Bolsonaro) prestando continência pra bandeira dos EUA e abraçando o neoliberalismo de Paulo Guedes, fora essa euforia da "direita olavete liberal" por Israel que vocês aderiram (país que a turma do Sigma "ama", mas não deram um pio sobre o governo do miliciano)? Que "fofura", rs.

Cobram pra caramba mas o que rolou de "trem da alegria" segurando no saco do "Capetão" é uma festa.

Voltando ao post, livros de História costumam ser caros no Brasil (enquanto os lixos de "autoajuda" se proliferam como pílulas entorpecentes de uma classe média vazia, oca, fútil e sem interesse real pelo país e pelas coisas) e vendidos com "capas dura de luxo" em vez das editoras massificarem a coisa, fora a ausência de interesse de leitores também. Muita livraria fechou no país por conta do alto preço dos livros novos/lançamentos, a situação do "mercado editorial" do país é catastrófico, mas parte das editoras e livrarias "procuraram" por isso, "foram na onda" da futilidade de certa classe média que vive de "modismos" e não possui hábito de aquisição de livros sérios (revisem essa postura).

Mas sem mais delongas, seguem abaixo os links pra lista/apontamentos dos livros sobre o conflito Israel/Palestina (não é propriamente sobre "todo" Oriente Médio, coloquei o termo só pra facilitar na busca caso alguém pesquisa pelo termo), os mais abordados na época, mas continuam bem atuais. Caso alguém tenha indicação de algum outro livro bom, basta indicar. E E um aviso: eu conheço razoavelmente o assunto daquela região, se algum "trollzinho" quiser fazer "pegadinha" ou "teste" comigo nos comentários, fica o aviso, não "chie"/reclame depois se tomar uma "empenada", pois é provável que isso ocorra, aí depois saem correndo chorando "pedindo socorro" pruma legião de aloprados.

E me antecipando (de novo) a alguns esperneios: "Ah, mas essa turma "entende" tudo disso sem ser especialista e bla bla bla", quando esse blog foi criado, muitos anos atrás (põe tempo nisso), por conta das discussões de política/2aGM no Orkut e da lista do Marcelo Oliveira, devido à"variedade" de ataques e asneiras dos "revimanés" ou "revis" (como a gente chamava os negacionistas do Holocausto no Orkut e até aqui) sobre judeus e afins, a gente acaba tendo contato com 'n' assuntos relacionados a judeus e cia, e acaba tendo um panorama bem amplo desses temas. Acabei passando a ler muita coisa sobre o conflito da região desde então (faz tempo, muito tempo). E antes que algum "fundamentalista neopenteca" deslumbrado surte, porque já disse isso antes em posts bem antigos: eu não nutro qualquer entusiasmo, "encantamento", com a região chamada Oriente Médio, apesar dessas leituras. Portanto, guarde seu entusiasmo "idealista fanático religioso" pra você, não tenho o menor encanto sobre aquela região. Regiões com fanatismo religioso ou um "apego exarcebado" disso me desagradam profundamente.

Para entender o conflito Israel-Palestina, livros [Bibliografia Oriente Médio] - Parte 1
https://holocausto-doc.blogspot.com/2014/08/para-entender-o-conflito-israel-palestina-livros-bibliografia-oriente-medio-parte-1-portugues.html
Para entender o conflito Israel-Palestina, livros [Bibliografia Oriente Médio] - Parte 2
https://holocausto-doc.blogspot.com/2014/08/para-entender-o-conflito-israel-palestina-livros-bibliografia-oriente-medio-parte-2-ingles.html

Para entender o conflito Israel-Palestina, livros [Bibliografia Oriente Médio] - Parte 3 (Atualização 2024)
https://holocausto-doc.blogspot.com/2024/07/para-entender-o-conflito-israel-palestina-livros-bibliografia-oriente-medio-parte-3-atualizacao-2024.html

E mais uma indicação de livros neste post aqui:
"As visões geopolíticas de Germar Rudolf e sua "Arábia unificada""
(https://holocausto-doc.blogspot.com/2014/05/as-visoes-geopoliticas-de-germar-rudolf-e-sua-arabia-unificada.html)  

*Um último aviso: como os posts são antigos (são quase 10 anos), muita imagem com capa dos livros "sumiu", não se espantem com os quadrados vazios no lugar das "capas", não dá pra corrigir tão cedo isso (se der). ====================================================================

Alguém pode também apontar que uma lista de filmes ou documentários sobre isso seria uma "boa". De fato é, mas a máquina não ajuda muito a editar esses posts, não tenho mais a paciência de antes, não sei se há material com acesso livre no Youtube como antes também, mas é uma ideia (fica pra registro), caso alguém queira indicar algo, ajudar (nos comentários), facilita, pra uso futuro ou fica pra acesso junto do post nos comentários.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

As entrevistas de Nuremberg: Kurt Daluege

Kurt Daluege, que foi chefe da polícia regular uniformizada da Alemanha, está em prisão sem comunicação. É um tipo alto, de quarenta e tantos anos, nariz aguileña, olhos pequenos, sombrio, e com uma expressão de ressentimento na cara. É educado e comedido, fala com facilidade mas quase não diz nada que tenha um conteúdo emocional ou que revele fatos objetivos. Tem uma aparência remilgada e mantém sua celda em uma ordem gélida, descrição que poderia ser aplicada a sua cara. (…)

Disse tudo com o mínimo de entusiasmo e uma expressão, tanto facial como oral, carente de sentimentos.

Kurt Daluege junto a Himmler na Ucrânia

Sim, disse, foi general da SS durante a guerra, mas foi algo automático, porque como chefe da Polícia comum, deram-lhe esse cargo. Ou seja, inquiri - através do doutor Gilbert, que estava traduzindo - que a policia formava parte da SS. Não, suas polícias não eram militares, não eram parte da SS. Contudo, Himmler era seu superior. Suas forças da Polícia tinham relação com a Gestapo?

- Não, não tinham nada a ver com a Gestapo. E sim, Himmler era o chefe da Gestapo e ele era subordinado de Himmler. 

Perguntei-lhe diretamente se sua polícia protegia os judeus e suas propriedades quando eram atacados por toda Alemanha; ele disse que não sabia nada desses ataques, ninguém lhe falou deles. (…)

Sua relação com Himmler? Não era muito boa porque Himmler lhe considerava um rival. Inclusive uma vez viu que Himmler iria lhe prender. Mas nunca aconteceu. (…)
-Sente-se culpado de algo?

-Não

Ele estava a cargo das forças policiais da Alemanha e tudo foi bem até onde ele sabia.
A impressão geral que deixa é a de ser um homem insensível, sem piedade, capaz das maiores crueldades, amoral e sem consciência. (…) 

Declara ser um simples funcionário, filho de um funcionário: não sabe nada das atrocidades e todas essas coisas. Está claro que devia ser o tipo de chefe ao qual sabia informar com todo detalhe e de maneira obsessiva de tudo o que fazia o pessoal em seu posto, e de fato seguramente exercia um controle muito estrito sobre seus subordinados.

Estou convencido de que é pouco provável conseguir uma resposta emocional deste homem. Ficou endurecido com os anos e a coraça que usou durante tanto tempo fez com que não fique nada debaixo. Depois de ter contato direto com a força, a violência e de haver descartado com tranquilidade a vida de vários outros, cabe questionar o que valoriza a vida em geral, incluindo a sua em particular.

 (Leon Goldensohn, Las Entrevistas de Núremberg, Taurus, 2008, págs. 344 a 346)
LAS ENTREVISTAS DE NÚREMBERG: KURT DALUEGE
26 de janeiro de 1946 

Fonte: blog "El viento en la Noche"; livro: "As entrevistas de Nuremberg", de Leon Goldensohn
https://universoconcentracionario.wordpress.com/2020/04/15/las-entrevistas-de-nuremberg-kurt-daluege/ 

Tradução: Roberto Lucena

terça-feira, 27 de agosto de 2019

Extermínio dos judeus soviéticos, Junho de 1941-Março de 1942

Durante os estágios de planejamento da Operação Barbarossa, a política alimentar nazista estava ligada a planos de assassinatos políticos em larga escala. Em 2 de maio de 1941, uma conferência de secretários de estado, presidida por Thomas, concluiu que "milhões de pessoas sem dúvida morrerão de fome, se extrairmos tudo o que for necessário para nós daquele país". 10 A seleção dessas vítimas por fome seguiria uma economia política de valor racial, mas também seria moldada por uma crença político-ideológica-racial de que o inimigo era o "judeu-marxista". Rosenberg reconheceu essa conexão quando escreveu, em 8 de maio de 1941, que a guerra seria:
[a] luta por suprimento de alimentos e matérias-primas para o Reich alemão, bem como para a Europa como um todo, é uma luta de natureza ideológica na qual o último inimigo judeu-marxista deve ser derrotado. 11
As consequências demográficas específicas previstas neste planejamento foram explicitadas em um relatório do Grupo da Agricultura em 23 de maio de 1941, com base nas recomendações de Backe. A URSS seria dividida em duas (uma zona produtiva e outra improdutiva) e populações excedentes redirecionadas para a Sibéria, embora “o transporte ferroviário esteja fora de questão”:
Não há interesse alemão em manter a capacidade produtiva dessas regiões, inclusive no que diz respeito ao abastecimento das tropas ali estacionadas. […] A população dessas regiões, especialmente a população das cidades, terá que passar por uma fome das maiores dimensões antecipada. A questão será redirecionar a população para as áreas da Sibéria. Como o transporte ferroviário está fora de questão, este problema também será extremamente difícil. 12
O relatório então admitiu que “muitas dezenas de milhões de pessoas se tornarão supérfluas nesta área e morrerão ou terão que emigrar para a Sibéria”. O documento se referia a esses grupos como “comedores inúteis”, uma frase usada originalmente para justificar a morte de oentes mentais no programa T4, confirmando assim que a terminologia da eutanásia havia se espalhado para esses planejadores. No entanto, se não houvesse transporte ferroviário para levá-los à Sibéria, a última opção já era duvidosa, de modo que este documento poderia ser visto como uma admissão antecipada de que a morte estava na vanguarda das intenções nazistas para a população soviética, com judeus a frente da fila. Isto é ainda confirmado por um documento de Engelhardt 13, que incluiu uma tabela de nacionalidades por cidade e país na Bielorrússia, na qual Waldemar von Poletika tinha sublinhado judeus, russos e poloneses e acrescentou uma nota marginal dizendo 'fome!' Outra parte do mesmo texto teve uma nota marginal de von Poletika dizendo que uma população de 6,3 milhões de pessoas morreria.

O planejamento da fome foi reiterado após a invasão. Em 14 de agosto de 1941, Göring "contava com grandes perdas de vida por motivos de nutrição". 14 Em 13 de novembro de 1941, Wagner confirmou que "os prisioneiros de guerra que não trabalham nos campos de prisioneiros passam fome" .15 Em novembro, Göring disse ao ministro das Relações Exteriores italiano, Ciano:
Este ano, de 20 a 30 milhões de pessoas morrerão de fome na Rússia. Talvez seja bom que isso esteja acontecendo, porque certos povos devem ser dizimados. 16
Durante o verão de 1941, a política de fome foi conjugada com uma política de fuzilamento mais ativa, parcialmente justificada pelo conceito de represália e em parte por uma 'conflação' de todos os judeus do sexo masculino com o bolchevismo. Em março de 1941, Göring dissera a Heydrich que preparasse uma advertência às tropas “para que soubessem quem, na prática, encararia o muro”.17 Em 17 de junho de 1941, Heydrich realizou uma reunião com os comandantes de unidade dos Einsatzgruppen em Berlim, dando instruções para as unidades prosseguirem após a invasão. Em 2 de julho de 1941, ele passou um resumo dessas instruções para os quatro HSSPF. Ele listou explicitamente “os judeus em posições partidárias e estatais” como um grupo a ser executado, e também pediu o incitamento aos pogroms, apelidado eufemisticamente por "tentativas de autolimpeza" (Selbstreinigungsversuchen), mas "sem traços" (spurenlos) do envolvimento alemão. .18 Essas instruções colocavam todos os homens judeus em perigo, especialmente aqueles dentro das fronteiras soviéticas anteriores a 1939, que a ideologia nazista automaticamente assumia como bolcheviques. Entre os primeiros homens na linha de fogo estavam quaisquer homens judeus instruídos, como os homens de 'Lwow' mortos na “ação de intelligentsia” do início de julho. O Einsatzgruppe C relatou que os "Líderes da intelligentsia judaica (em particular professores, advogados, oficiais soviéticos) foram liquidados". 19 O Einsatzgruppe B observou que "em Minsk, toda a intelligentsia judaica foi liquidada (professores, acadêmicos, advogados, etc., exceto pessoal médico)." 20 Lutsk, na Ucrânia, testemunhou um dos primeiros exemplos da aplicação extremamente desproporcional de represálias:
Em 2 de julho, foram encontrados os cadáveres de dez soldados alemães da Wehrmacht. Em retaliação, 1160 judeus foram fuzilados pelos ucranianos com a ajuda de um pelotão da polícia e um pelotão da infantaria. 21
Os alemães não reconheceram o conceito de "proporcionalidade" que se aplica às represálias no direito internacional, o que exige que "Atos feitos por meio de represálias não devem, no entanto, ser excessivos e não devem exceder o grau de violação cometido pelo inimigo”. 22 Em outubro, um líder militar, Reichenau, pedia uma "dura, mas justa expiação do Untermenschentum judeu" .23 Os nazistas desejam vingar-se contra os judeus, portanto, convergiram, no Oriente, com uma cultura militar em que as ações de vingança já estavam inclinadas para buscar soluções totais ilimitadas. 24 Esse contexto é totalmente ignorado por MGK e sistematicamente deturpado pelos negadores que discutem a política de represália. 25

Notas:

[10] Aktennotiz über Ergebnis der heutigen. Besprechung mit den Staatssekretären über Barbarossa, 2.5.41, 2718-PS, IMT XXXI, pp.84-85; cf. Alex J. Kay, ‘Germany's Staatssekretäre, Mass Starvation and the Meeting of 2 May 1941’, Journal of Contemporary History, 41/4, October 2006, pp.685-700.

[11] Rosenberg, Allgemeine Instruktion für alle Reichskommissare in den besetzten Ostgebieten, 8.5.41, 1030-PS, IMT XXVI, pp.576-80.

[12] Wirtschaftspolitische Richtlinien für die Wirtschaftsorganisation Ost vom 23.5.1941, erarbeitet von der Gruppe Landwirtschaft, 23.5.41, EC-126, IMT XXXVI, pp.135-57.

[13] Eugen Freiherr von Engelhardt, Ernährung- und Landwirtschaft, p.11, NARA T84/225/1595914. Document was first discussed in Bernhard Chiari, ‘Deutsche Zivilverwaltung in Weissrussland 1941-1944. Die lokale Perspektive der Besatzungsgeschichte’, Militärgeschichtliche Mitteilungen 52, 1993 and most extensively in Christian Gerlach, Kalkulierte Morde. Die deutsche Wirtschafts- und Vernichtungspolitik in Weißrußland 1941 bis 1942. Hamburg: Hamburger Edition, 1999, pp.57-8.

[14] Verbindungsstelle d. OKW/WiRüAmt beim Reichsmarschall, Wirtschaftsauszeichungen für die Berichtszeit vom 1-14.8.41 (u.früher), NARA T77/1066/1062; cf. Christopher R. Browning, 'A Reply to Martin Broszat regarding the Origins of the Final Solution', Simon Wiesenthal Center Annual 1, 1984, pp.113–32.

[15] AOK 18 Chef des Stabes, Merkpunkte aus der Chefbesprechung in Orscha am 13.11.41, NOKW-1535.

[16] Czeslaw Madajczyk (ed), ‘Generalplan Ost’, Polish Western Affairs III/2, 1962, pp.391-442

[17] Browning, Path, p.236, citing Secret file note Heydrich (CdS B Nr. 3795/41), 26.3.41, RGVA 500-3-795, fols. 140-42.

[18] Heydrich an Jeckeln, von dem Bach-Zelewski, Prützmann, and Korsemann, 2.7.41, RGVA 500-1-25; cf.Peter Klein, ed. Die Einsatzgruppen in der besetzten Sowjetunion 1941/42. Die Taetigskeits-und Lageberichte des Chefs der Sicherheitspolizei und des SD. Berlin: Edition Heinrich, 1997, pp.319-28.

[19] EM 13, 5.7.41.

[20] EM 32, 24.7.41.
[21] EM 24, 16.7.41.

[22] Michael A. Musmanno, U.S.N.R, Military Tribunal II, Case 9: Opinion and Judgment of the Tribunal. Nuremberg: Palace of Justice, 8.4.48, pp.106-108, citing the British Manual of Military Law, paragraph 459

[23] AOK 6 Verhalten der Truppe im Ostraum, 10.10.41, published in Gerd R. Ueberschär and Wolfram Wette(eds), “Unternehmen Barbarossa”. Der deutsche Überfall auf die Sowjetunion. Frankfurt am Main, 1991, p.285ff.

[24] Isabel V. Hull, Absolute Destruction. Military Culture and the Practices of War in Imperial Germany. London, 2005

[25] For an attempt by two deniers to whitewash the reprisal policy, falsely claiming that “most of the German reactions were totally covered by international law”, see ‘Dipl.-Chem.’ Germar Rudolf and Sibylle Schröder, ‘Partisan War and Reprisal Killings’, The Revisionist 1/3, 2003, pp.321-330: http://www.vho.org/tr/2003/3/RudolfSchroeder321-330.html.
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Fonte: trecho entre as pág. 95-98 do Paper/Documento produzido pelo Holocaust Controversies (blog);
Título: "Belzec, Sobibor, Treblinka. Holocaust Denial and Operation Reinhard. A Critique of the Falsehoods of Mattogno, Graf and Kues"
Tradução: Roberto Lucena

domingo, 16 de dezembro de 2018

Dirlewanger a um investigador da SS sobre envenenamento de judeus

Em 1942, o Escritório Central da SS "investigou" as acusações lançadas pelo SD e pela SS e pelo tribunal de polícia de Cracóvia contra Oskar Dirlewanger, o comandante da infame unidade penal da SS, o Sonderkommando Dirlewanger, que incluía corrupção racial, abuso de seus próprios homens, extorsão, caça ilegal, confiscos ilegais, detenções ilegais e assassinatos ilegais no Generalgouverment ("Governo geral").

Durante seu interrogatório em 1 de setembro de 1942, Dirlewanger explicou ao oficial da corte da SS (Gerichtsoffizier) que o SD não poderia lidar com o assassinato dos judeus flagrados violando os regulamentos nazistas e que em novembro de 1941, o líder da SS e da Polícia do distro de Lublin, Odilo Globocnik, ordenou que eles fossem entregues a Dirlewanger para execução. Inicialmente, os judeus foram fuzilados, mas depois em um porão, sob a pretensa vacinação contra o tifo, eles foram mortos por injeção do veneno estricnina. Seus dentes de ouro foram quebrados para serem usados no consultório dentário da SS e as roupas entregues aos prisioneiros de guerra russos.

Vale ressaltar que Dirlewanger tentou, dentro de sua esfera de influência e em pequena escala, definir quais seriam os princípios básicos dos locais nazistas de extermínio em massa em grande escala: disfarce, veneno e roubo de pessoas mortas.
"10. Envenenamento de judeus

Por ocasião de uma noite de um 'camarada' em Brigf. Globocnik, por volta de novembro de 1941, o comandante do SD, SS-Sturmbannführer Müller, reclamou ao Brigadeführer que seus funcionários estavam sobrecarregados. De acordo com outro decreto do Generalgouverneur, os judeus que estavam andando sem braçadeira ou que usarem a ferrovia sem permissão ou deixarem a casa sem permissão devem ser executados. Todos os dias, 50 judeus eram trazidos a ele e seus oficiais escreviam um registro de cada um e não podiam mais lidar com seu trabalho. Então o Brigf. me chamou na presença do Sturmbannführer Müller, e ele ordenou que o SD transferisse esses judeus para mim. Eu saberia o que fazer com eles. Eu confirmei isso.

Inicialmente, eu tinha esses judeus mortos. Mais tarde, porém, lamentei que isso arruinasse suas roupas e que eu não pudesse usá-las para vestir os prisioneiros de guerra em um acampamento. Além disso, eu havia notado que os judeus carregavam uma grande quantidade de ouro em suas bocas, enquanto que, para os meus homens da SS, apenas o aço Krupp era disponibilizado para reparos dentais. Eu queria remediar esses erros fazendo com que os judeus injetassem estricnina, o que deveria resultar em morte imediata.

Eu coloquei os judeus no porão e ordenei que eles se despissem. Eu lhes disse que seriam vacinados contra o tifo. Então injetaram estricnina neles pelo médico da SS e os dentes foram quebrados pelo SS-O'Scha Schur (sp?), chefe do hospital da SS e da polícia. Os judeus morreram da injeção. Eles foram enterrados no dia seguinte.

Isso ajudou os prisioneiros russos a trabalharem no inverno e também forneceu ouro para o consultório dentário do hospital da SS e da polícia. As roupas foram tiradas de mim pelo SS-H'Stuf. Streibel, o líder do campo de prisioneiros de guerra em Drawniki."
(Interrogatório de Dirlewanger de 1 de setembro de 1942, BArch R 58/7633, pág. 52-53, minha tradução; cf. Pauer-Studer, Velleman, "Weil ich nun mal in gereichtigkeitsfanatiker bin": Der Fall des SS- Richters Konrad Morgen , pág. 109 no Google books)
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Comentário adicional do Nick Terry no texto (30 de abril, 2018): "Vendo a fonte real sobre este incidente faz com que o contexto cronológico surja de forma notável - isto foi em resposta ao chamado "Schiessbefehl" emitido em outubro de 1941 através do "Governo Geral", decretando a pena de morte para os judeus encontrados fora de seus "distritos residenciais".

Também coincide cronologicamente com o estabelecimento de Belzec."

Fonte: Holocaust Controversies
http://holocaustcontroversies.blogspot.com.br/2018/04/dirlewanger-on-poisoning-of-jews.html
Texto: Hans Metzner
Título original: Dirlewanger to an SS Investigator on Poisoning of Jews
Tradução: Roberto Lucena

domingo, 31 de dezembro de 2017

Hitler e as "raças asiáticas"

Em dezembro de 1942, Hitler realizou uma reunião sobre os Países Baixos com Mussert, Seyss-Inquart, Himmler, Lammers, Schmidt e Bormann. As notas da reunião, escritas por Bormann, foram publicadas em 1976 na coleção "De SS en Nederland Documenten uit de SS-archieven 1935-1945", que recentemente foi disponibilizada através da NIOD e Wikimedia Commons aqui em dois arquivos "pdf". O primeiro arquivo, das páginas 893-899, reproduz o registro da reunião de Bormann.

Em uma de suas principais passagens, Hitler retrata a guerra no Oriente como uma luta de vida ou morte, porque os bolcheviques exterminariam todos os estratos europeus (pág. 895). Hitler também deixa claro que sua oposição aos bolcheviques é racial, não política ou ideológica: a Alemanha está contra as raças asiáticas que pretendam destruir a civilização europeia e impor mistura racial (pág. 894).

Essas observações podem ser comparadas com outras fontes. Hitler foi, em parte, ecoando a formulação de Diewerge "Quem deveria morrer - alemães ou judeus?". No mesmo dia em que Bormann produziu suas anotações, Goebbels escreveu em seu diário: "O judeu deve pagar por seu crime, assim como nosso Führer profetizou em seu discurso no Reichstag; a saber, pela extinção da raça judaica na Europa e possivelmente no mundo inteiro." Crucialmente, no entanto, os comentários de Hitler não eram apenas antissemitas, mas apontavam a vontade de exterminar toda a vida "asiática" em seu caminho, pois era incompatível com sua visão da civilização europeia. Eles, portanto, convergem com os objetivos de fome de maio de 1941, nos quais os nazistas estavam dispostos a condenar à morte trinta milhões de pessoas (ver, por exemplo, Kay, pág. 689), e o plano de destruir totalmente as principais cidades soviéticas e tornas as áreas inabitáveis (veja aqui).

Fonte: Holocaust Controversies
http://holocaustcontroversies.blogspot.com/2017/12/hitler-and-asiatic-races.html
Texto: Jonathan Harrison
Título original: Hitler and the "Asiatic Races""
Tradução: Roberto Lucena

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Os primeiros números (estimativas) do Holocausto

A historiografia, ou seja, a história da história, pode vir a ser fascinante, mas é pouco apreciada pelo grande público. É muito mais interessante para os leitores, por exemplo, uma história da guerra civil dos Estados Unidos, e não um estudo sobre como evoluiu o conhecimento sobre esta guerra nos últimos 150 anos.

Mas parece que há uma exceção à regra, na internet do século XXI: a historiografia do Holocausto.

O primeiro estudo sobre o Holocausto, em inglês, publicado em Londres em 1953, em Nova Iorque em 1954, e traduzido para o alemão em 1956, é este de Gerald Reitlinger: "A solução final. A tentativa de exterminar os judeus da Europa, 1939-1945", que se seguiu reeditando até 1982, que eu saiba. O autor foi se preocupando em ir atualizando o livro em sucessivas reedições até sua morte em 1979, refletindo a aparição de outros estudos e o descobrimento de nova documentação (por exemplo, ainda não haviam descoberto os relatórios de Koherr), mas mantendo o essencial de suas linhas mestras.

Sou o afortunado proprietário de um exemplar da segunda impressão do livro de Reitlinger, "The Final Solution", lançada no mesmo ano de 1953. Ou seja, é idêntica à primeira edição, que pelo visto se esgotou em pouco tempo, sendo assim imprimiram uma nova tiragem nesse mesmo ano.

Na continuação fotografo a páginas com o dado que o autor calculou para Auschwitz. Como se pode ver, e como já foi repetido tantas vezes, dois anos antes que o governo polonês abrisse ao público o Memorial de Auschwitz, Reitlinger estava muito longe da estimativa de "quatro milhões":

Observe-se além disso que, na citação superior do relatório soviético, não mencionam que as vítimas sejam majoritariamente judias, só cidadãos da URSS, Polônia, França....

E quanto ao número total... é usada a estimativa "mágica" de seis milhões? Não. Ainda que um comitê anglo-americano de 1946 houvesse calculado esses seis milhões, do que depois se restou cerca de uns 308 mil refugiados, os cálculos de Reitlinger situam suas estimativas entre 4.194.200 e 4.581.200:

A grande diferença de números está nos mais dificilmente comprováveis (em 1952), da Polônia, Romênia, ou da URSS, que além disso mudaram e muito suas fronteiras entre 1939 e 1953. Por exemplo, nas fronteiras da Bulgária, anterior a 1939, não foram deportados judeus para a Alemanha, mas sim de diversas zonas que ocuparam da Iugoslávia e Grécia, por isso que Reitlinger não soma os 5.000 do Comitê de 1946.

Contracapa desta primeira reimpressão. Seu sucesso, para um livro deste tipo, atrasou a publicação do estudo de Hilberg em seis anos. Os editores acreditavam que não houvesse mercado para outro livro sobre o mesmo tema.

Fonte: blog antirrevisionismo (El III Reich y la Wehrmacht), Espanha
https://antirrevisionismo.wordpress.com/2017/09/15/primeras-cifras-holocausto-mito-seis-millones/
Título original: Las primeras cifras del holocausto
Tradução: Roberto Lucena