quarta-feira, 10 de junho de 2009

Números do Holocausto - Estimativa de vítimas judaicas

Estimativas de vítimas judaicas no Holocausto

TABELA 2
ESTIMATIVAS DOS HISTORIADORES PARA PERDAS JUDAICAS EM CADA PAÍS
País
Polônia
URSS
Hungria
Romênia
Reich Alemão
Tchecoslováquia
Holanda
França
Áustria
Iugoslávia
Grécia
Bélgica
Itália
Luxemburgo
Noruega
Dinamarca
Total
Reitlinger
2.350.000-2.600.000
700.000-750.000
180.000-200.000
200.000-220.000
160.000-180.000
233.000-243.000
104.000
60.000-65.000
60.000
58.000 60.000
57.200 60.000
25.000-28.000
8.500-9.500
3.000
+1.000*
+100
4.578.800
Hilberg
3.000.000
900.000
-180.000
270.000
-120.000
260.000
-100.000
75.000
-50.000
60.000
60.000
24.000
1.000
+1.000
762
60
5.109.822
Gutman e Rozett
2.900.000-3.000.000
1.211.000-1.316.
550.000-569.000
271.000-287.000
134.500-141.000
146.150-149.150
100.000
77.320
50.000
56.200-63.300
60.000-67.000
28.900
7.680
1.950
762
60
5.859.622
W. Benz
2.700.000
2.100.000
550.000
211.214
160.000
143.000
102.000
76.134
65.459
60.000-65.000
59.185
28.518
6.513
1.200
758
116
6.269.097

*os sinais de maior que(>) e de menor que (<) foram substituídos, respectivamente, pelos sinais de somar(+) e subtrair(-) para o texto não ficar oculto devido a configuração do html do blog.


Nota: Onde são fornecidas faixas de valores, os números mais altos são usados nos totais. A maioria dos historiadores acreditam que os números mais recentes (de Gutman e Rozett e Benz) são os mais precisos. Números compilados de Gerald Reitlinger, The Final Solution (Nova York: Beechhurst Press, 1953 [1978]); Raul Hilberg, The Destruction of the European Jews (Chicago: Quadrangle Books, 1961); Yisrael Gutman e Robert Rozett, "Estimated Jewish Losses in the Holocaust," Encyclopedia of the Holocaust, vol. 4, editado por Yisrael Gutman (Nova York: Macmillan, 1990); Wolfgang Benz, Dimension des Volkermords: Die Zahl der Jüdischen Opfer des Nationalsozialismus (Munique: Deutcher Taschenbuch Verlag, 1991).

Fonte(livro): Denying History
Autores: Michael Shermer e Alex Grobman; página 177
Tradução: Marcelo Oliveira

Fonte(site): http://h-doc.vilabol.uol.com.br/estat.htm (h-doc, M. Oliveira)
Link restaurado (https://web.archive.org/web/20110925214450/http://h-doc.vilabol.uol.com.br/estat.htm)

Ver também:
Números do Holocausto - Ciganos (Estimativa do número de mortos)
Números do Holocausto - Estimativa de judeus mortos
Números do Holocausto por Raul Hilberg
5 milhões de vítimas não judias? (1ª Parte)
5 milhões de vítimas não judias? (2ª Parte)
Auschwitz e os números de mortos (por Robert Jan Van Pelt)
Número de judeus húngaros gaseados na chegada a Auschwitz
Números de vítimas do Holocausto por país em relação aos números da populaçao de 1937

domingo, 7 de junho de 2009

Vídeos do Holocausto e de depoimentos de nazistas

*Aviso importante(1): está sendo colocado no post com vídeos, vídeos online do youtube. Pela facilidade do acesso e por não conterem vínculos com qualquer orgão.

Aviso importante(2): em virtude de muitas contas no youtube com material histórico sobre nazismo e Holocausto serem contas de neonazistas, fica difícil a reposição imediata de vídeos que constavam do post anteriormente. Com o decorrer do tempo, e se e quando for possível, vídeos de outras contas e fontes serão colocados neste post.

Pra quem quiser assistir alguns vídeos sobre o Holocausto e de depoimentos de nazistas sobre o genocídio, seguem abaixo alguns vídeos:

Cenas em cores de um documentário que mostra os horrores dos campos de concentração, visto no término da segunda grande guerra. Entre as cenas o campo de Buchenwald, Dachau e Auschwitz


Video de exames médicos em prisioneiros. Baixe as duas partes para poderem assistir ao video

A Cultura do Ódio (Documento Especial, em 3 partes)
Neonazismo no Brasil - parte 1
Neonazismo no Brasil - parte 2
Neonazismo no Brasil - parte 3

Atrocidades Nazistas


Entrevista feita pela rede de televisão britânica BBC com o ex-soldado da SS em Auschwitz, Hans Friedrich. Na reportagem, o ex-nazista confirma o massacre em massa e friamente afirma que assassinava por simples ódio aos judeus, e não se arrepende de seus atos.


Por meio da Fundação Raoul Wallemberg, podemos conhecer o testemunho de alguns sobreviventes ao Holocausto nazista. David Galante, grego residente na Argentina há mais de 50 anos, nos conta sua experiência de guerra e de sobrevivência.


Autopsias nos cadáveres de Auschwitz

Sobre produtos feitos com cabelos

Sobre funerais dos últimos mortos

Vídeo sobre as valas.

Sobre as crianças gêmeas. Nesse vídeo são apresentadas as crianças (gêmeas) caminhando lado à lado

1º Video: trecho do texto "Komandant In Auschwitz" de Rudolph Höess


2º Video: ex-integrante da SS Oskar Gröening, não gosta que falem de seu passado

3º Video: ex-integrante da SS Oskar Gröening foi capturado porém não foi à julgamento, nunca foi absolvido pois nunca foi julgado. Nota: "90% dos 7 mil integrantes da SS que "trabalharam" em Auschwitz não foram à julgamento".

4º Video: Oskar Gröening (ex-SS) dando seu testemunho

Abaixo, alguns vídeos que retratam os tipos de execução empregados antes de apelarem à aplicação do Zyklon-B.

- Execuções:

- Problemas (estresse) dos Carrascos:

- Albert Widmann exterminava com explosivos (antes, utilizavam CO2):

- Widmann usa CO2 emitido por veículos para extermínio
"Vídeo de 'Deadly Medicine'(Medicina Mortal) exibido no Museu Memorial do Holocausto dos EUA(USHMM). Este filme mostra pacientes psiquiátricos naked emaciated psychiatric patients (incluindo uma criança) sendo levados ao interior de uma câmara de gás makeshift gas chamber onde eles foram gaseados até a morte. O comentário no final é este abaixo:

"A SS Nazista carry out um experimento de gaseamento usando human subjects em Mogilev na ocupação alemã da União Soviética, fall 1941. Eles aimed to perfect um novo método de assassínio para judeus e inimigos políticos. O método em uso - shooting people at close range - era visto como harmful para a psique e a moral dos assassinos. Gasear, já testado com as facilidades da "eutanasia" alemã, ajudova a manter distante os assassinos e suas vítimas. Um químico alemão, Dr. Albert Widmann, participou neste teste de 1941."
http://www.ushmm.org/museum/exhibit/online/deadlymedicine/


- Formas Inovadoras de Extermínio (Parte 01):

- Formas Inovadoras de Extermínio (Parte 02):

- Formas Inovadoras de Extermínio (Parte 03):

Observação: os vídeos acima, tirando as imagens verdadeiras, foram montados com base na agenda de Himmler.

Hitler Profetiza Extermínio em 30/01/1939
Para quem ainda acha que não ocorreu, eis aqui o discurso de Hitler "profetizando" a aniquilação da raça judia na Europa. Esse discurso ocorreu em 1939 no Reichstag.
O vídeo:

O Texto (em inglês) da tradução do que ele dizia:


Adolf Hitler: "In the course of my life I have very often been a prophet, and have usually been ridiculed for it. During the time of my struggle for power it was in the first instance only the Jewish race that received my prophecies with laughter when I said that I would one day take over the leadership of the State, and with it that of the whole nation, and that I would then among other things settle the Jewish problem. Their laughter was uproarious, but I think that for some time now they have been laughing on the other side of their face. Today I will once more be a "prophet": if the international Jewish financiers in and outside Europe should succeed in plunging the nations once more into a world war, then the result will not be the Bolshevizing of the earth, and thus the victory of Jewry, but the annihilation of the Jewish race in Europe!"

Texto em português(tradução):

Adolf Hitler: "No curso de minha vida muito frequentemente fui um profeta, e geralmente fui ridicularizado por isso. Durante o período de minha luta pelo poder foi apenas a raça judaica, no primeiro momento, que recebeu minhas profecias com risos quando eu disse que um dia eu tomaria o comando do Estado, e com isso a nação inteira, e que então eu, entre outras coisas, resolveria o problema judaico. Seus risos eram hilários, mas eu penso que por agora eles estejam rindo com o outro lado de sua face. Hoje eu mais uma vez serei um "profeta": se o financismo(finanças) internacional judaico dentro e fora da Europa sucederem mais uma vez em mergulhar as nações numa guerra mundial, então o resultado disso não será a vitória da 'judaria', mas sim na aniquilação da raça judia da Europa!"

Link: O racismo nazista nas palavras dos próprios nazistas

Texto se encontra(em inglês) em: http://www.historyplace.com/worldwar2/holocaust/h-threat.htm

sábado, 6 de junho de 2009

Celebração pelos 65 anos do 'Dia D'. Libertação da Europa do regime hitlerista

Obama chega à Normandia para comemorações do Dia D

Na França, ele disse que 'impasse' no Oriente Médio tem que ser superado.
Data marcou início da ofensiva na Europa contra tropas alemãs em 1944.

Da EFE


O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, chegou neste sábado (6) a Caen, na região francesa da Normandia, para participar das comemorações pelo 65º aniversário do Dia D, durante as quais também fará uma reunião com o colega francês, Nicolas Sarkozy.

Veja fotos das comemorações

Acompanhado de sua esposa, Michelle, Obama chegou a Caen a bordo de uma versão reduzida de seu avião Air Force One tradicional, procedente de Paris.

Após uma cerimônia de recepção na Prefeitura de Caen, os dois chefes de Estado realizarão uma reunião na qual devem discutir assuntos como a situação no Oriente Médio e a crise econômica mundial.

As conversas continuarão durante um almoço de trabalho, após o qual se deslocarão rumo a Colleville, onde se encontra o Memorial e Cemitério Americano, para participar das comemorações do desembarque aliado na Normandia nas praias denominadas Omaha, Utah, Juno, Gold e Sword, no que marcou o começo da ofensiva na Europa em 6 de junho de 1944.

(Foto) Os casais presidenciais Niclas Sarkozy e Carla Bruni e Barack e Michelle Obama na chegada a prefeitura de Caen (Foto: Thierry Chesnot/AFP)

Também estarão presentes nas comemorações o príncipe Charles, o primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, e o chefe de Governo do Canadá, Stephen Harper, representando os países que participaram do Dia D.

Obama, que visitou ontem o campo de concentração de Buchenwald, na Alemanha, tem um interesse pessoal em participar dos eventos deste sábado. Um de seus tios-avôs e seu próprio avô desembarcaram na Normandia nos dias seguintes ao Dia D.

Oriente Médio

Em Caen, Obama afirmou que o "impasse atual" no Oriente Médio tem que ser "superado" por israelenses e palestinos, cujos destinos são "interligados".

"Temos que superar o impasse atual", declarou Obama durante uma entrevista coletiva conjunta com seu colega francês, Nicolas Sarkozy, antes das comemorações. "Espero das duas partes (israelenses e palestinos) que reconheçam que seus destinos são interligados", acrescentou.

(Foto) Primeiras-damas Michelle Obama e Carla Bruni-Sarkozy (Foto: Bob Edme/AP)

Irã

O presidente francês também falou sobre questões internacionais durante este sábado. Ele denunciou as "declarações insensatas" do iraniano Mahmud Ahmadinejad sobre o Holocausto.

"Não podemos aceitar as declarações insensatas do presidente Ahmadinejad" sobre o Holocausto, afirmou Sarkozy. "A Europa, a França e os Estados Unidos são totalmente solidários sobre este assunto", destacou o presidente francês. Da mesma forma, "a França e os Estados Unidos concordam plenamente" sobre o fato de que o Irã não pode ter a arma nuclear, acrescentou.

"O Irã é um grande país, uma grande civilização. Queremos a paz e o diálogo com o Irã, Queremos ajudar este país a se desenvolver, mas não queremos a disseminação da arma nuclear", prosseguiu Sarkozy.

O presidente Ahmadinejad negou diversas vezes a existência do Holocausto. Em 3 de junho, ele voltou a qualificar o massacre de judeus em grande escala durante a Segunda Guerra Mundial de "uma enorme enganação".

Fonte: EFE
http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL1185180-5602,00-OBAMA+CHEGA+A+NORMANDIA+PARA+COMEMORACOES+DO+DIA+D.html

Link do vídeo:
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM1052151-7823-DIA+D+CERIMONIA+MARCA+ANOS+DE+DESEMBARQUE+NA+NORMANDIA,00.html

Ver mais: Tom Hanks e Spielberg participam de aniversário do Dia D
http://noticias.terra.com.br/mundo/interna/0,,OI3809430-EI8142,00.html

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Obama critica negação 'ignorante e odiosa' do holocausto

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, aproveitou nesta sexta-feira uma visita ao antigo campo de concentração nazista de Buchenwald, na Alemanha, para criticar aqueles que negam o holocausto.

Obama, que passou pelo país em seu giro de volta do Oriente Médio, disse que os que defendem esta visão o fazem "sem base" e de forma "ignorante e odiosa".

Acompanhado da chanceler alemã, Angela Merkel, Obama caminhou por Buchenwald, onde cerca 250 mil prisioneiros foram mantidos entre 1937 e 1945. O campo foi liberado em 1945 pelas tropas americanas.

"Até hoje existem os que insistem em que o holocausto nunca aconteceu, uma negação de fato e verdade feita sem base, ignorante e odiosa. Esse lugar desmente essas idéias, é um lembrete de nossa tarefa de confrontar aqueles que contam mentiras sobre nossa história", criticou o presidente.

"Até hoje existem também aqueles que perpetuam todas as formas de intolerância, racismo, antissemitismo, homofobia, xenofobia, discriminação sexual e mais. Ódio que humilha as vítimas e nos diminui a todos."

Lição

Obama já havia tocado no tema do holocausto no dia anterior, quando falou em um discurso na Universidade do Cairo, no Egito, sobre o Irã, país cujo presidente nega o holocausto.

Antes da visita ao campo, Obama havia sugerido que Ahmadinejad - que nesta semana repetiu suas alegações de que o holocausto foi "uma grande fraude" - deveria visitar Buchenwald.

O presidente americano e a chanceler alemã carregaram cada um uma longa rosa branca enquanto caminhavam por Buchenwald acompanhados pelo sobrevivente do holocausto e vencedor do prêmio Nobel da Paz Elie Wiesel.

Eles depositaram as rosas sobre uma placa memorial para as mais de 56 mil pessoas que morreram no campo. Depois eles visitaram as celas e o crematório.

"Não esquecerei o que vi aqui", disse Obama. Em seguida ele lembrou a história de um de seus tios-avôs, Charles Payne, que ajudou a liberar Ohrdruf, um campo satélite de Buchenwald.

Oriente Médio

Obama e Angela Merkel anunciaram ter discutido, na cidade alemã de Dresden, um plano para promover a paz entre israelenses e palestinos, prometendo "redobrar" os esforços para alcançar este objetivo.

"Agora é o momento de agir no que ambos os lados sabem ser verdade", disse Obama.

Mas o presidente americano não entrou em detalhes sobre os passos concretos de seu governo neste sentido.

Afirmou apenas que enviaria o representante americano para a região, George Mitchell, de volta à mesa de negociações com os principais envolvidos na questão.

Fonte: BBC/O Globo
http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2009/06/05/obama-critica-negacao-ignorante-odiosa-do-holocausto-756212876.asp

Ver mais:
http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2009/06/05/obama-sobre-ahmadinejad-nao-tenho-paciencia-com-pessoas-que-negam-historia-756212111.asp

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Presidente antissemita do Irã nega novamente o Holocausto

Ahmadinejad chama Holocausto de "grande fraude"

TEERÃ (Reuters) - O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, chamou o Holocausto de grande fraude nesta quarta-feira, reiterando uma visão que já havia sido denunciada por rivais moderados nas eleições presidenciais deste mês.

De acordo com a televisão estatal Irib, o conservador Ahmadinejad fez as declarações durante discurso contendo seu último ataque verbal a Israel, país não reconhecido pela República Islâmica.

Descrevendo Israel como "o regime mais criminoso na história humana", ele continuou para se referir a "grande fraude do Holocausto".

Os críticos de Ahmadinejad, incluindo reformistas e até mesmo alguns conservadores, dizem que seus veementes discursos antiocidente e seu questionamento do Holocausto isolaram o Irã, que enfrenta o Ocidente por suas ambições nucleares.

Teerã diz que seu trabalho nuclear tem apenas fins pacíficos mas países ocidentais temem que se trata de um programa militar secreto.

Ahmadinejad tem contra-atacado seus oponentes, que incluem o ex-primeiro-ministro Mirhossein Mousavi, acusando-os de tentar enfraquecer o Estado Islâmico por quererem uma política de afrouxamento com o Ocidente.

O presidente, que busca reeleição no pleito de 12 de junho, enfrenta dois candidatos moderados: além de Mousavi, o ex-presidente do Parlamento Mehdi Karoubi e o conservador ex-diretor da Guarda Revolucionária Mohsen Rezai.

Ahmadinejad assumiu o poder em 2005 com a promessa de divisão mais justa dos recursos do petróleo e retorno à valores revolucionários islâmicos. Neste mesmo ano, ele causou indignação no Ocidente ao dizer que o Estado de Israel deveria ser riscado do mapa.

(Reportagem de Hossein Jaseb e Zahra Hosseinian)

Fonte: Reuters/Brasil Online
http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2009/06/03/ahmadinejad-chama-holocausto-de-grande-fraude-756179478.asp

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Os nazistas e os untermenschen (subhumanos) - Parte 1

(trechos do Capítulo “A Nova Ordem” do livro Ascensão e Queda do Terceiro Reich – O começo do fim – 1939 a 1945, William Shirer, Editora Agir, 2008, págs.: 431 a 438)

Não se traçara um plano compreensível para a Nova Ordem, mas, pelos documentos apreendidos e pelo que aconteceu, é claro que Hitler sabia bem o que desejava que ela fosse: uma Europa governada pelos nazistas, com seus recursos explorados em benefício da Alemanha e com o povo transformado em escravo da raça superior alemã, cujos “elementos indesejáveis” – principalmente os judeus e muitos eslavos no leste, especialmente a classe culta que havia entre eles – seriam exterminados.

Os judeus e os povos eslavos eram os Untermenschen, isto é, subhumanos. Para Hitler, não tinham o direito de viver, salvo aqueles, entre os eslavos, que pudessem ser necessários para trabalhar nos campos e nas minas como escravos de seus senhores alemães. Não só nas grandes cidades do leste – Moscou, Leningrado e Varsóvia – deviam ser eliminadas para sempre, como também seria reprimida a cultura dos russos, poloneses e outros povos eslavos, aos quais seria negada uma educação formal. As prósperas indústrias seriam desmontadas e enviadas para a Alemanha, e o próprio povo confinado aos labores da agricultura para produzir alimentos aos alemães, sendo-lhe permitido para si apenas o suficiente à subsistência. A própria Europa, segundo as palavras dos chefes nazistas, devia ficar “livre dos judeus”.

“Não me interessa, absolutamente, o que acontece a um russo ou a um tcheco”, declarou Heinrich Himmler em 4 de outubro de 1943, num discurso aos oficiais de suas SS, em Posen.(...)

“O que as nações [continuou Himmler] puderem oferecer em matéria de sangue bom, de nosso tipo, nós acolheremos, seqüestrando, se necessário, suas crianças e educando-as aqui, conosco. Se as nações vivem em prosperidade ou morrem de fome, como gado, apenas me interessa na medida em que delas necessitamos como escravas de nossa <>, fora disso, nenhum outro interesse tenho por elas. Se dez mil mulheres russas caem exaustas ao cavarem fossos contra tanques, interessa-me apenas que esses fossos sejam terminados para a Alemanha(...)[1]

(...)

Em 15 de outubro de 1940, Hitler decidiu sobre o futuro dos tchecos, o primeiro povo eslavo a ser conquistado. Metade devia ser assimilada; seria, aliás, despachada para a Alemanha, onde trabalharia como escrava. A outra metade, especialmente os intelectuais, seria simplesmente nas palavras constantes de um relatório secreto sobre o assunto, eliminada.[2]

Os poloneses [acentuou Hitler] nasceram especialmente para o trabalho pesado(...) Não é preciso pensar em melhorias para eles. Cumpre manter, na Polônia, um padrão de vida baixo, não se permitindo que suba(...) Os poloneses são preguiçosos e é necessário usar a força para obrigá-los a trabalhar(...) Devemos utilizar-nos do governo geral (da Polônia) simplesmente como fonte de mão-de-obra não especializada(...) Poder-se-ia conseguir ali, todos os anos, os trabalhadores de que o Reich possa necessitar.

Duas semanas antes o Führer esclareceu suas idéias sobre o destino dos poloneses, o segundo dos povos eslavos a ser conquistado. Seu fiel secretário, Martin Bormann, deixou um longo memorando sobre os planos nazistas que Hitler encaminhou a Hans Frank, o governador-geral da parte remanescente da Polônia, e a outros funcionários.[3]

Quanto aos sacerdotes poloneses,
(...)eles pregarão o que mandarmos. Se qualquer sacerdote agir diferentemente, daremos cabo dele. Sua tarefa é manter os poloneses tranqüilos, broncos e fracos de espírito.

Havia duas outras classes de poloneses a serem tratadas, e o ditador nazista não se esqueceu de mencioná-las:

Indispensável ter em mente que a pequena nobreza polonesa deve cessar de existir; por mais cruel que isso possa ser, ela deve ser exterminada onde quer que se encontre(...) Deve haves apenas um senhor para os poloneses: o alemão. Dois senhores, lado a lado, não podem e não devem existir. Todos os representantes da classe culta polonesa, portanto, têm de ser exterminados. Isso parece crueldade, mas é a lei da vida.

A obsessão dos alemães pela idéia de que eram uma raça superior, e que os povos eslavos deviam ser seus escravos, era especialmente violenta no tocante à Rússia. Erich Koch, o rude comissário do Reich na Ucrânia, exprimiu isso num discurso proferido em Kiev no dia 5 de março de 1943:

Somos uma raça superior e devemos governar com dureza, mas com justiça(...) Arrancarei deste país, entretanto, tudo que puder. Não vim para espalhar bem-aventuranças(...) A população deve trabalhar, trabalhar sempre(...) Não viemos para distribuir o maná. Viemos para criar as bases da vitória. Somos uma raça superior que precisa lembrar que o mais humilde operário alemão é, racial e biologicamente, mais valioso que a população daqui.[4]

Quase um ano antes, em 23 de julho de 1942, quando os exércitos alemães aproximavam-se, na Rússia, dos campos petrolíferos do Cáucaso, Martin Bormann, secretário do Partido de Hitler e, já então, seu braço direito, escreveu uma longa carta a Rosenberg reiterando a opinião do Führer sobre o assunto. Um funcionário do Ministério de Rosenberg fez o resumo dessa carta:

Os eslavos terão que trabalhar para nós. Se não precisarmos deles, poderão morrer. Tornam-se supérfluos, por conseguinte, os serviços de saúde alemães e a vacinação compulsória. A fertilidade dos eslavos é indesejável; o ensino, perigoso. Basta que contem até cem(...) Toda pessoa instruída é um futuro inimigo. Deixaremos a religião, para eles, como meio de diversão. Quanto à alimentação, não receberão mais do que o absolutamente necessário. Somos os senhores. Primeiro nós.[5]

Quando as tropas alemãs entraram na Rússia, foram acolhidas em muitos lugares como libertadoras por uma população que hà muito vivia oprimida e dominada pelo terror da tirania de Stálin. Houve, no começo, deserções em massa de soldados russos. Especialmente no Báltico, que, fazia pouco tempo, havia estado sob ocupação soviética, e na Ucrânia, onde um movimento incipiente de independência não pudera ser completamente eliminado, muitos sentiram-se felizes de verem libertados do jugo soviético(...), mesmo pelos alemães.

Em Berlim, havia pessoas que acreditavam que se conquistaria a adesão do povo russo para a sua causa, se Hitler tivesse agido habilmente, tratando a população com consideração e prometendo libertá-la do sistema bolchevique (concedendo-lhe liberdade religiosa e econômica e transformando em cooperativas as fazendas coletivas), e dando-lhe, eventualmente, um autogoverno. Poderiam eles então cooperar com os alemães, não só nas regiões ocupadas como, também, nas não ocupadas, para se libertarem do cruel domínio de Stálin. Se tivessem feito – argumentaram -, cairia o próprio regime bolchevique e se desintegraria o Exército Vermelho, da mesma maneira que se dera com os exércitos czaristas em 1917.

Mas a selvageria da ocupação nazista e os óbvios objetivos dos conquistadores alemães, muitas vezes proclamados publicamente, saquear terras, escravizar as populações e colonizar o leste com alemães, logo destruíram qualquer possibilidade de êxito.

Ninguém resumiu melhor essa desastrosa política e todas as oportunidades que ela desdenhou e destruiu do que um alemão, o Dr. Otto Bräutigam, diplomata de carreira e representante-chefe do Departamento Político do Ministério que Rosenberg criara, fazia pouco tempo: o Ministério para os Territórios Ocupados do Leste. Num acrimonioso relatório confidencial dirigido a seus superiores em 25 de outubro de 1942, Bräutigam ousou apontar os erros cometidos pelos nazistas na Rússia.

Encontramos, à nossa chegada na União Soviética, uma população cansada do bolchevismo que aguardava, ansiosamente, novos slogan que oferecessem perspectivas de melhor fututo. Era dever da Alemanha fornecer tais slogans, mas manteve silêncio sobre eles. A população saudou-nos alegremente como libertadores e colocou-se à nossa disposição.

Houve, na verdade, um slogan; mas o povo russo logo percebeu seu significado.

Com o inerente instinto dos povos orientais [continuou Bräutigam], esses homens primitivos logo descobriram que para a Alemanha o slogan “Libertação do Bolchevismo” não passava de um pretexto para escravizar os povos orientais segundo seus próprios métodos(...) O operário e o camponês logo perceberam que a Alemanha não os considerava companheiros com direitos iguais, mas apenas objetivo de suas pretensões políticas e econômicas(...) Com uma presunção sem precedente, pomos de lado todo o conhecimento político e(...) tratamos os povos dos territórios do leste como “brancos de segunda classe”, aos quais a providência apenas atribui a tarefa de servir à Alemanha como escravos(...)

Havia dois outros processos, declarou Bräutigam, que lançaram os russos contra os alemães: o bárbaro tratamento infligido aos prisioneiros de guerra e o embarque forçado de mulheres e homens para a Alemanha, a fim de trabalharem como escravos.

Já não constitui segredo de amigos e adversários que centenas de milhares de prisioneiros de guerra russos têm morrido de fome ou de frio em nossos acampamentos(...) Presenciamos agora a grotesca situação de termos que recrutar milhões de operários nos territórios ocupados no leste, depois que os prisioneiros de guerra morreram de fome como moscas(...) Nos desmandos ilimitados para com o povo eslavo, que ainda prevalecem, empregaram-se métodos de recrutamento que, provavelmente, têm sua origem nos períodos mais negros do tráfico de escravos. Inaugurou-se uma constante caçada ao homem. Sem consideração à saúde ou à idade, embarcaram-se pessoas para a Alemanha(...)(*)

(*) Nem a exterminação de prisioneiros soviéticos em massa nem a exploração do russo no trabalho constituíram segredo para o Kremlin. Já em novembro de 1941, Molotov fez um protesto diplomático formal contra o extermínio dos prisioneiros de guerra russos, e, em abril do ano seguinte, outro mais, contra o programa de trabalho escravo na Alemanha.


A política e os métodos empregados pela Alemanha na Rússia “provocaram a resistência dos povos orientais”, concluiu Bräutigam.

Nossa política forçou os bolcheviques e os nacionalistas russos a formarem uma frente comum contra nós. Os russos estão hoje lutando com excepcional bravura e com espírito de renúncia, nada mais visando que o reconhecimento da dignidade humana.

Fechando o memorando de 13 páginas com uma obervação positiva, o Dr. Bräutigam pediu que se modificasse completamente a política adotada. “Deve-se dizer aos russos algo de concreto sobre seu futuro”, argumentou ele.[6]

Notas desta parte:

[1] NCA, IV, p.559 (ND 1919-PS)
[2] Ibid., III, p.618-9 (ND 862-PS) relatório do general Gotthard Heinrici, representante geral da Wehrmacht no Protetorado.
[3] Memorando de Bormann. Citado em TMWC, VII, p.224-6 (ND URSS-172).
[4] NCA, III, p.798-9 (ND 1130-PS)
[5] Ibid., VIII, p.53 (NDR-CF)
[6] Memorando do Dr. Bräutigam de 25 de outubro de 1942. Texto em NCA, III, p.242-51; original alemão em TMWC, XXV, 331-42 (ND 294-PS)

terça-feira, 2 de junho de 2009

São confiáveis as memórias de Hoess? - Parte 6 - Final/Conclusão

A resposta à pergunta do título deste estudo, com base em todas as provas disponíveis, as memórias de Hoess são muito confiáveis relativas à verdade total. Existe uma grande quantidade de documentação independente que suportam quase todas as declarações de Hoess. As memórias de Hoess emergem entre as mais confiáveis da Segunda Guerra Mundial. Infelizmente, não hà confirmação independente de todas as suas declarações.

A principal indicação para a qual não temos qualquer prova da afirmação de Hoess (27-28) que Himmler lhe disse no verão de 1941 que Hitler havia ordenado o assassinato de todos os judeus dentro da área de alcance dos nazistas. Himmler poderia ter os registros desta conversa, mas ele destruiu todas as provas que o ligavam a estas questões.[54] No entanto, sabe-se que Himmler falou nestes tons. Em particular, existe o seu famoso discurso em Posen em 1943, para a qual existe uma gravação nos Arquivos Nacionais [NARA], onde ele fala de “extermínio do povo judeu”.[55] Uma recente descoberta de documentos alemães nos arquivos russos mostram uma anotação de Himmler em um caderno em Dezembro de 1941, após uma reunião com Hitler que afirma: “Questão judaica / exterminar como partisans [guerrilheiros]”.[56]

Mais de 50 anos se passaram desde que Hoess foi executado pelos seus crimes. A passagem do tempo tende a validar as memórias de Hoess. Novas descobertas somente aumentam sua credibilidade. Os historiadores foram muito corretos nos últimos 40 anos em recorrer aos seus escritos.

Notas para esta parte:

[54] See Richard Breitman, The Architect of Genocide: Himmler and the Final Solution (NY:1991), p. 7, for the destruction of documents which incriminated Himmler.

[55] Speech of October 4, 1943. Relevant excerpts in Yitzhak Arad, et. al, Eds. Documents on the Holocaust (Jerusalem:1981), pp. 344-345; Lucy Dawidowicz, ed. A Holocaust Reader (West Orange:1976), p. 133; Michael Berenbaum, Witness to the Holocaust (NY:1997), p. 178. German text in International Military Tribunal, Trials of Major War Criminals (Washington D.C. 1947), Vol. 29, p. 145. Mitchell Jones, an independent researcher, obtained a recording of the speech from the National Archives. See his comments on the denier claim that Himmler did not mean physical killing of the Jews. Mitchell Jones, The Leuchter Report: A Dissection (Cedar Park: 1992), p. 62.

[56] New York Times, January 21, 1998, p. A4. The notation is from December 18, 1941. A scan may be found on the web at http://www.mazal.org/archive/documents/DOC-00002.htm. A similar entry in Goebbels diary for December 12, 1941 has been discovered in the archives. See Gord McFee, "When Did Hitler Decide on the Final Solution?" http://holocaust-history.org/hitler-final-solution/.

Link das notas fora do ar:
http://www.holocaust-history.org/auschwitz/notes.shtml
Link das notas recuperado (alternativo):
https://phdn.org/archives/holocaust-history.org/auschwitz/hoess-memoirs/notes.shtml

Fonte: The Holocaust History Project
http://www.holocaust-history.org/auschwitz/hoess-memoirs/; Link 2; Link3
Autor: Prof. John Zimmermann
Tradução: Leo Gott

Sequência:
São confiáveis as memórias de Hoess? - Parte 5 - Hoess e o sigilo
São confiáveis as memórias de Hoess? - Parte 1 - Introdução

segunda-feira, 1 de junho de 2009

São confiáveis as memórias de Hoess? - Parte 5 - Hoess e o sigilo

Os assassinatos em massa de Auschwitz necessariamente exigiam sigilo. Hoess escreve (35-36) que os membros da SS que participaram dos assassinatos eram obrigados a garantir sigilo, “mas até mesmo o mais severo castigo foi incapaz de parar o gosto pela fofoca.” Um dos documentos chave que sobreviveram é uma declaração do Cabo SS Gottfried Wiese de 24 de maio de 1944, durante a operação húngara. Ele afirma que, sob pena de morte ele não poderia roubar qualquer propriedade de judeus ou revelar qualquer informação sobre a “evacuação” de judeus. Ele reconhece também que ele foi informado sobre o caso de uma trabalhadora da SS que foi condenada à morte por revelar segredos de estado.[52]

Hoess reafirma(38-39) que ele recebeu ordens de Himmler para destruir todas as informações sobre o número de vítimas assassinadas depois de cada ação em Auschwitz. Ele afirma que destruiu pessoalmente todas as provas dos assassinatos em massa e que outros chefes de departamento fizeram o mesmo. Ele cita Eichmann dizendo que Himmler e o quartel-general da Gestapo destruíram os documentos que poderiam vinculá-los aos assassinatos em massa. Ele afirma que, embora alguns documentos possam ter escapado à picotadora, eles “não podiam dar informações para fazer um cálculo.” Esta é uma das declarações mais discutidas pelos negadores. Eles afirmam que o motivo pelo qual não tem muitas informações sobre o número de assassinados em Auschwitz é porque assassinatos em massa nunca ocorreram lá. De fato, sabe-se que haviam ordens gerais para destruir todas as provas incriminatórias. Infelizmente, a maioria dessas ordens foram destruídas também. Entretanto, um importante documento que sobreviveu mostra a natureza das ordens que foram destruídas. É uma ordem secreta de 15 de março de 1945 do Gauleiter e Comissário de Defesa do reich, Sprenger:
Todos os arquivos, particularmente os secretos, deverão ser completamente destruídos. Os arquivos secretos sobre...as instalações e o trabalho desestimulante nos campos de concentração devem ser destruídas a todo custo. Também o extermínio de algumas famílias, etc. Esses arquivos sob nenhuma circunstância devem cair nas mãos do inimigo, pois afinal todos eles são de ordens secretas do Führer.[53]
As “instalações” e “trabalho desestimulante” nos “campos de concentrações” que as “famílias” eram sujeitas ao “extermínio” não estão definidos. Tal como “tratamento especial”, haviam palavras códigos qu foram destruídas nas extensas provas incriminatórias.

Notas desta parte:

[52] Photocopy of the original in Henry Friedlander and Sybil Milton, eds, Archives of the Holocaust (NY:1989), Vol. 11, Part 2. Docs. 405 and 406, p. 300.
[53] D-728. Text in Nazi Conspiracy and Aggression, Vol. 7, p. 175. My thanks to the National Archives for providing me with a photocopy of the original document.

Fonte: The Holocaust History Project
http://www.holocaust-history.org/auschwitz/hoess-memoirs/; Link 2
Autor: Prof. John Zimmermann
Tradução: Leo Gott

Sequência:
São confiáveis as memórias de Hoess? - Parte Final - Conclusão
São confiáveis as memórias de Hoess? - Parte 4 - Hoess e demografia

Museu em Gdansk lembra invasão da Polônia pelas tropas de Hitler

Há quase 70 anos, o Exército alemão invadia a Polônia. Pawel Machcewicz, diretor do novo Museu da Segunda Guerra Mundial, a ser inaugurado na polonesa Gdansk, fala sobre o sofrimento do povo de seu país no conflito.

(Foto)Soldados alemães invadiram a Polônia em 1939

Deutsche Welle: Em Gdansk, o lugar onde começou a invasão da Polônia pela Alemanha de Hitler, deverá ser erigido, sob uma perspectiva europeia, um Museu da Segunda Guerra Mundial. O que poderá ser visto nesse novo museu?

Pawel Machcewicz: Não queremos mostrar a guerra do ponto de vista militar, mas sim sob a perspectiva da população civil. Queremos mostrar o sofrimento das pessoas, mas também a resistência, que nem sempre foi militar. O Estado polonês clandestino era, em grande parte, uma instituição civil, com escolas funcionando secretamente e até mesmo tribunais secretos.

Queremos mostrar também o caminho que levou a essa guerra, resultado da ideologia criminosa do Terceiro Reich, sem a qual não podemos compreender nem a radicalização da guerra nem a política alemã de ocupação. Queremos mostrar que esta guerra foi, desde o início, uma guerra de extermínio. Com isso, corrigimos a interpretação formulada com frequência de que a brutalidade da guerra teria começado somente com a invasão alemã da União Soviética.

(Foto)Westerplatte, em Gdansk: emblema da resistência polonesa

Não foi assim e é o que queremos mostrar. E pretendemos expor também as consequências da guerra, que foram muito diferentes para a Europa Ocidental e para o Leste Europeu. Para a Europa Ocidental, o fim da guerra foi uma libertação. Não estou falando aqui da Alemanha, onde a situação era mais complicada, mas, por exemplo, dos franceses ou holandeses.

Para a Polônia, ao contrário, o fim da guerra foi somente o fim da ocupação alemã, mas liberdade não obtivemos. No Ocidente, esse paradoxo parece pouco compreensível, mas, para a Polônia, e também para vários outros países do Leste Europeu, a Segunda Guerra Mundial só acabou realmente em 1989.

DW: Sua ideia já foi criticada várias vezes na Polônia. Jornalistas da imprensa nacionalista e conservadora, mas também políticos conservadores ligados ao presidente Lech Kaczyński, e seu irmão Jaroslaw, o acusam de ter, com a perspectiva europeia do museu, negligenciado o sofrimento do povo polonês e também a resistência heróica contra a ocupação alemã.

Essas acusações não têm nada a ver com a realidade, nem com a nossa proposta. Houve protestos até mesmo contra a ideia de que fôssemos além da perspectiva polonesa. Mas a Segunda Guerra não foi uma experiência apenas polonesa e sim europeia. Estou convencido de que destinos especificamente poloneses até ganham importância quando apresentados em comparação com outros países.

Só podemos, por exemplo, compreender o significado do Estado polonês clandestino e das grandes conspirações contra a Alemanha de Hitler, e também contra a União Soviética, quando comparamos esses episódios com outras formas de resistência na Europa Ocidental. Os ataques ao nosso projeto tinham objetivos muito políticos. A oposição nacional-conservadora acreditava ter descoberto aqui uma possibilidade cômoda de atacar o premiê Donald Tusk, que apoia o projeto.

Somente o fato de trabalharmos junto com outros historiadores europeus – Ulrich Herbert da Alemanha, Norman Davies do Reino Unido e Henry Rousso, da França – já era, para alguns grupos na Polônia, razão suficiente para repudiar o projeto como um todo.

DW: Na Alemanha, entre as associações de desterrados, a ideia do museu vem sendo também observada e em parte criticada. Essas associações pleiteiam uma apreciação mais crítica da história polonesa anterior à guerra. Um período no qual partidos nacionalistas já cogitavam, antes da eclosão da guerra, a expulsão dos alemães, enquanto o governo do país mantinha as melhores relações com o regime de Hitler. Houve até mesmo um tratado de amizade entre os dois lados.

Isso é um equívoco. Não se trata de um museu da história teuto-polonesa. Se fosse o caso, poderíamos voltar até os tempos das ordens de cavaleiros. Trata-se, porém, de um Museu da Segunda Guerra Mundial, e a razão desta guerra está, acima de tudo, na expansão ideológica, territorial e militar do Terceiro Reich. Isso precisa ser exposto como a razão principal da guerra.

(Foto)200 mil poloneses morreram na luta pela libertação

Mostrar as exigências territoriais da Polônia à Alemanha naquele momento só iria distorcer a imagem da guerra. Antes da eclosão da Segunda Guerra Mundial, não havia na Polônia nenhum grupo político sério, que tenha exigido a expulsão dos alemães ou que tenha feito valer demandas territoriais à custa da Alemanha. A Polônia é que foi invadida. Neste contexto, é preciso fazer valer, acima de tudo, a razão. E avaliar as proporções do que ocorreu.

DW: Como será a inauguração do museu, no dia 1° de setembro de 2009, em Gdansk?

Haverá um encontro de chefes de governo e Estado de diversos países europeus na Westerplatte [península de Gdansk, palco do início da Segunda Guerra Mundial]. A premiê alemã, Angela Merkel, e o presidente russo, Vladimir Putin já confirmaram que virão. Contamos também com a presença dos líderes dos principais países da então aliança anti-Hitler, ou seja, da França e do Reino Unido.

A Westerplatte simboliza a heróica resistência polonesa contra o ataque de Hitler. Ali esteve estacionada uma pequena unidade polonesa, que defendeu o país do 1° ao 9 de setembro. Ali foi assinado o documento de fundação do museu.

Pawel Machcewicz, nascido em 1966, é historiador e diretor fundador do Museu da Segunda Guerra Mundial, em Gdansk. Ele atuou anteriormente no Instituto de Estudos Políticos da Academia Polonesa das Ciências (ISP PAN) e foi diretor do Escritório para Educação e Pesquisa do Instituto para a Memória Nacional, em Varsóvia.

Autor: Martin Sander
Revisão: Augusto Valente

Fonte: Deutsche Welle(01.06.2009, Alemanha)
http://www.dw-world.de/dw/article/0,,4292562,00.html

sexta-feira, 29 de maio de 2009

São confiáveis as memórias de Hoess? - Parte 4 - Hoess e demografia

Hoess escreveu que em 1944 (166) dezenas de milhares de judeus foram transferidos de Auschwitz para serem usados na indústria de fabricação de armas alemã. Ele não especifica o período de 1944, mas aparentemente deve ser quando os húngaros deportados começaram a chegar, em maio. Os registros do campo de Auschwitz mostram que, de 29 de maio a 13 de agosto, cerca de 20.000 foram transportados para fora do campo.[45] Um total de 437.000 foram deportados da Hungria, de meados de maio a meados de julho.[46] No entanto, Hoess observou (166-167) que os trabalhadores eram inúteis para o esforço de guerra alemão porque eram inaptos para o trabalho. “Eu sempre pensei que os judeus mais fortes e saudáveis deveriam ser escolidos.” A observação de Hoess é confirmada pelas atas das reuniões do Ministério dos Armamentos. Em 26 de maio, o Gerente do Departamento Central para o Ministério, Fritz Scmelter, queixou-se: “Para a construção de caças foram oferecidos apenas crianças, mulheres e homens idosos com os quais muito pouco pode ser feito...”[47] Duas semanas depois Schmelter anunciou que ele poderia ter de 10.000 a 20.000 trabalhadoras judaicas. No entanto, apenas 520 foram selecionadas, que eram, em última análise não consideradas aptas para o trabalho.[48]

A mais importante observação demográfica de Hoess diz respeito ao número total de vítimas que foram assassinadas em Auschwitz. Ele deu o total (39) de 1.130.000. Até recentemente. Muitos disputaram o tamanho desta estimativa. A maioria dos estudos de Auschwitz deu um número pelo menos duas vezes mais elevado ou superior. Mesmo a capa da edição destas memórias utilizadas para este estudo utiliza o número de 2 milhões de assassinados. No entanto, em 1991 o Historiador polonês e uma autoridade em Auschwitz, Dr. Franciszek Piper, fez o mais completo estudo demográfico do número de deportados para o campo já realizado. Ele começou o seu estudo em 1980. Ele descobriu que 1,3 milhões haviam sido deportados para Auschwitz em seus 4 anos e meo de existência, mas que apenas 400.000 receberam um número de registro. Desses 400.000 apenas 200.000 não foram mortos. Todos os deportados que não foram registrados, não podem ser contabilizados, foram mortos. Isso significa que 1,1 milhões foram mortos.[49] O USHMM em Washington D.C. agora está aceitando este número.[50]

Hoess foi incorreto em alguns detalhes. Por exemplo, ele exagerou o número de judeus franceses e holandeses que morreram em Auschwitz e sub-avaliou outros. No entanto, isso não é incomum. Ele não tinha os dados subjacentes à sua frente, uma vez que tinham sio destruídos. Mas ele sabia o total. Isto é algo que seria provável de se lembrar.

O aspecto mais significativo para a colocação de Hoess do número de 1,1 milhões é que isso constitui a prova definitiva de que Hoess não poderia ter sido obrigado a mentir nas suas memórias. No momento em que Hoess escreveu suas memórias o valor já fixado sobre o número de assassinados era de 4 milhões. Os soviéticos, que libertaram Auschwitz em janeiro de 1945, emitiram um relatório em 6 de maio de 1945, informando o número de 4 milhões. Este relatório foi apresentado posteriormente no Tribunal Militar Internacional em Nuremberg como documento USSR-0008. Muitos dos antigos prisioneiros afirmaram que 4 milhões foram mortos em Auschwitz. Esse número também foi aceito pelas autoridades polonesas que julgaram Hoess.[51] Mas ao mesmo tempo, sobre estes relatórios que foram listados 4 milhões de assassinados, Hoess repudiou seu antigo testemunho que deu no Tribunal Militar Internacional, antes ele entregou aos poloneses que eram 2,5 milhões de mortos. Ele escreveu (39): “Considero o número total de 2,5 milhões um numero demasiado alto. Mesmo Auschwitz tinha limites para sua capacidade destrutiva. Números dados por antigos prisioneiros são fragmentos da imaginação deles e não tem qualquer base de fato.”

Hoess desafiou diretamente a credibilidade de seus captores. Ele simplesmente não poderia ter escrito isso sob coação. Pelo contrário, se ele estava sendo forçado a escrever estas memórias o número de 4 milhões deveria aparecer certamente. Além disso, isto mostra que suas memórias não foram adulteradas pelos poloneses ou pelas autoridades soviéticas. Isso poderia explicar a razão – embora o autor não tenha nenhuma informação nesse sentido – as memórias de Hoess não foram liberadas pelos poloneses até 1958, mais de onze anos depois que foram escritas.

Convém, no entanto, salientar a imparcialidade dos antigos prisioneiros e entidades que investigativas que relataram que 4 milhões era um número que eles não conheciam. Só sabiam que o número era muito elevado. A contagem dos mortos foi baseada no número de corpos que as autoridades pensavam que poderiam ter sido cremados nos fornos. Os números apresentados pelos soviéticos no documento USSR-008 eram demasiados elevados, em parte porque foram baseados no pressuposto de que todos os fornos crematórios funcionaram a toda velocidade em torno de 2 anos e meio. A hipótese estava errada e será examinada em maior profundidade por este site em um próximo estudo. Tal como muitos acontecimentos históricos, todos os fatos só se tornaram conhecidos com o passar do tempo.

(todos os grifos do tradutor)

Notas para esta parte:

[45] Czech, Auschwitz Chronicle, pp. 633, 636, 641, 642, 643, 647, 648, 650, 655, 661, 666, 671, 673, 686.
[46] Letter dated July 11, 1944 from Edmund Veesenmayer, Germany's Plenipotentiary to Hungary, NG 5615 in Randolph Braham, The Destruction of Hungarian Jewry: A Documentary Account (NY:1963), Vol. 2, p. 443.
[47] NOKW 266, in Nuremberg Military Tribunal, Trials of War Criminals (Washington D.C. 1947), Vol. 2, p. 557.
[48] Raul Hilberg, The Destruction of the European Jews (NY: 1985), Vol. 3, p. 935.
[49] Franciszek Piper, "Estimating the Number of Deportees to and Victims of the Auschwitz-Birkenau Camp", 21 Yad Vashem Studies (1991), pp. 97-99 for a summary of the data appearing earlier in the study. Piper has done a more comprehensive work on this subject in German. See his Die Zahl Der Opfer von Auschwitz: Aufgrund der Quellen der Etrage der Forschung, 1945-1990 (Oswiecim:1993).
[50] United States Holocaust Memorial Museum, Atlas of the Holocaust (NY:1996), p. 97.
[51] Piper, "Estimating the Number of Victims", pp. 53, 54, 58, 59. Text of USSR-008 in German appears in International Military Tribunal, Trials of Major War Criminals (Washington D.C., 1947), Vol. 39, pp. 241-261. Four million reference on p. 260.

Fonte: The Holocaust History Project
http://www.holocaust-history.org/auschwitz/hoess-memoirs/; Link 2
Autor: Prof. John Zimmermann
Tradução: Leo Gott

Sequência:
São confiáveis as memórias de Hoess? - Parte 3 - Hoess e a eliminação de corpos
São confiáveis as memórias de Hoess? - Parte 5 - Hoess e o sigilo

quinta-feira, 28 de maio de 2009

São confiáveis as memórias de Hoess? - Parte 3 - Hoess e a eliminação de corpos

Hoess escreveu sobre os problemas enfrentados na eliminação dos cadáveres das vítimas assassinadas. Este tema tem gerado uma grande discussão na Internet e em publicações de negadores. O tema será tratado abrangentemente em outro local [NT.: já foi tratado, o estudo de Hoess foi anterior a este e traduzido neste blog].[36] O objetivo do estudo seguinte é a avaliação dos escritos de Hoess à luz do que é conhecido.

Hoess escreveu (32) que os dois bunkers, referidos anteriormente, haviam sido convertidos em câmaras de gás. Prisioneiros foram gaseados e os seus corpos foram enterrados. No entanto, os corpos foram enterrados até o fim do verão e as cremações em massa começaram. As cremações foram até o final de novembro de 1942 altura esta em que todas as valas comuns tinham sido abertas. Um relatório do jornal The New York Times no fim de novambro de 1942 afirma:
As informações recebidas aqui dos métodos pelos quais os alemães na Polônia estão levando a cabo o massacre de judeus incluem relatos de transportes de trens lotados de adultos e crianças para os grandes crematórios de Oswiencim[sic] perto de Cracóvia.[37]
Oswiecim era o nome polonês de Auschwitz. Este relatório de “grandes crematórios” é coerente com o tempo e às cremações ao ar livre mencionadas por Hoess. A altura que este relatório foi escrito, Auschwitz tinha apenas seis fornos (este número foi posteriormente aumentado para 52). As cremações ao ar livre foram utilizadas porque os crematórios não poderiam tratar de todos os mortos.

Hoess escreveu (36) que os oito fornos do Crematório IV tornaram-se operacionais em março de 1943[38] “falharam completamente após um curto espaço de tempo e depois não [foram] utilizados em tudo.” Isso é confirmado pela visita a Auschwitz em maio de 1943 do Engenheiro-Chefe que era responsável pela construção dos fornos. Ele afirmou que os fornos do Crematório IV não poderiam ser reparados.[39] Convém notar que, se os captores poloneses de Hoess estavam tentando coagir falsas informações, certamente não teria sido permitido a ele falar das permanentes avarias dessas estruturas, o que sugere limitações para os crematórios. Como será visto depois, os poloneses basearam em uma elevada taxa de mortalidade em Auschwitz, na capacidade destes fornos para cremar mais corpos do que eram capazes.

Hoess escreveu (37) que os corpos gaseados no Crematório V foram cremados principalmente em covas atrás desta estrutura. Uma foto aérea tomada do complexo em 31 de maio de 1944 mostra uma coluna de fumaça saindo de trás do Crematório V. A foto veio a público em 1983.[40] Um recente enhancement desta fotografia foi feito pelo Supervisor de Aplicações Cartográficas e Processamento de Imagens do Caltech/NASA, Laboratório de Propulsão a Jato de Pasadena mostra prisioneiros marchando para o Crematório V.[41] Existe também uma conhecida foto mostrando corpos nus sendo cremados ao ar livre em Birkenau. A paisagem de fundo mostra que esses corpos estão sendo cremados atrás do Crematório V.[42] Uma foto aérea da área de Birkenau tirada em 26 de junho de 1944 mostram marcas no terreno atrás dos crematórios IV e V consistentes com covas.[43]

Hoess escreveu (36) que um sexto crematório foi planejado. A idéia foi abandonada porque Himmler ordenou a interrupção do extermínio em 1944. Uma carta para Hoess datada de 12 de fevereiro de 1943 do Chefe da Agência de Construção de Auschwitz afirma que a idéia para um sexto crematório tinha sido discutida com o engenheiro da empresa que construiu os fornos.[44]

(todos os grifos do tradutor)

Notas para esta parte:

[36] Chapter 10 of the source cited in note 6 herein and a forthcoming study for this site entitled "Body Disposal at Auschwitz: the End of Holocaust Denial."
[37] New York Times, November 25, 1942, p. 10.
[38] Czech, Auschwitz Chronicle, p. 357. The date was March 22, 1944.
[39] Pressac, Les Crematoires d' Auschwitz, pp. 79-80, citing a letter from the Auschwitz Archives in Moscow dated June 9, 1943.
[40] Dino Brugioni, "Auschwitz-Birkenau," Military Intelligence(January-March, 1983), p. 53.
[41] Michael Shermer, Why People Believe Weird Things (NY:1997), p. 236. The photo analyst is Dr. Nevin Bryant.
[42] Pressac, Auschwitz: Technique and Operation of the Gas Chambers, p. 422. The background of this photo is consistent with Crematorium V. Many photos of the Crematoriums, including Crematorium V, were published by Pressac. See also the photos reproduced in Czech, Auschwitz Chronicle. The photo may be found online at http://www.holocaust-history.org/crosslink.cgi/http://www.nizkor.org/ftp.cgi/camps/auschwitz/images/burning-pit.jpg.
[43] Dino Brugioni and Michael Poirier, The Holocaust Revisited: A Retrospective Analysis of the Auschwitz-Birkenau Extermination Complex (CIA:1979), p. 6.
[44] Piper, "Gas Chambers and Crematoria," p. 175.

Fonte: The Holocaust History Project
http://www.holocaust-history.org/auschwitz/hoess-memoirs/; Link 2
Autor: Prof. John Zimmermann
Tradução: Leo Gott

Sequência:
São confiáveis as memórias de Hoess - Parte 2 - Hoess sobre gaseamentos e assassinatos em massa
São confiáveis as memórias de Hoess? - Parte 4 - Hoess e demografia

quarta-feira, 27 de maio de 2009

São confiáveis as memórias de Hoess - Parte 2 - Hoess sobre gaseamentos e assassinatos em massa

(todos os grifos do tradutor)
Hoess escreveu sobre uma ordem secreta (29;155) dada no outono de 1941 para matar todos os comissários e políticos soviéticos nos campos. Esses indivíduos estavam constantemente chegando em Auschwitz. Hoess então reconta (30) como aconteceu o primeiro gaseamento de POWs soviéticos no porão do Bloco 11, a execução no bloco acontecia normalmente por tiro ou enforcamento, mas não por gaseamento. No entanto, este parece ser o primeiro gaseamento que aconteceu no Bloco 11 ou um dos dois gaseamentos.[16] O Bloco 11 era inapropriado para gaseamento porque levou dois dias para o ar sair do porão. Hoess, em seguida, afirma que o gaseamento dos POWs soviéticos foi transferido para o Crematório I. Os judeus (31) foram gaseados em outro lugar.

Hoess está sendo confiável? Um cartão de arquivo de POWs soviéticos no outono de 1941 mostra que 9.997 foram levados para o campo.[17] Os registros do necrotério de Auschwitz – não devem ser confundidos com os Livros de Mortos de Auschwitz[18] – mostram que 7.343 prisioneiros soviéticos morreram em quatro meses, de outubro de 1941 a janeiro de 1942, assombrosos 73%.[19]

Negadores do Holocausto argumentam que isso não foi o primeiro gaseamento de POWs soviéticos em Auschwitz.[20] Entretanto, em 1994, o Instituto de Pesquisas Forenses de Cracóvia fez um estudo exaustivo das estruturas de Auschwitz identificadas como câmaras de gás homicidas. O Instituto encontrou vestígios de HCN, o gás venenoso usado para assassinato em massa, no porão do Bloco 11, no local identificado por Hoess como o local do primeiro gaseamento. Além disso, o Instituto também apurou que existiam baixos níveis de HCN quando comparados com outros locais de gaseamento, justificando assim a afirmação de Hoess que os gaseamentos no Bloco 11 foram abandonados logo de início porque o local era inapropriado. O Instituto também encontrou HCN no Crematório I, onde Hoess afirmou que as operações de gaseamento dos POWs soviéticos foram transferidas.[21]


Hoess escreve (28) que ele teve um encontro com Adolf Eichmann, chefe da Gestapo do Escritório Judaico, “que me disse sobre os assassinatos por gases dos escapamentos de motores de vans e como eles tinham sido utilizados no Leste [o território ocupado Soviético] até agora.”


O negador do Holocausto David Irving obteve as memórias não publicadas de Eichmann. Estas memórias foram escritas antes dele ser capturado pelos israelenses, portanto não pode ser alegado que elas foram escritas sob coação. Irving cita o escrito de Eichmann em que ele estava em um ônibus e disse para o motorista “olhar através do olho mágico na parte de trás do ônibus para ver alguns prisioneiros sendo gaseados por gases do escapamento.”[22]


Irving tentou “escapar pela direita” sobre a admissão de Eichmann alegando que este foi um incidente isolado. Ele também tentou argumentar que as memórias de Eichmann acusam Hoess. Mas Irving sabia mais. A caracterização de Hoess nos papéis de Eichmann tinha sido confirmada por Irving antes dele se tornar um negador. Em 1977 Irving escreveu sobre a descoberta de um documento de 1941 mostrando que Eichmann tinha aprovado “uma proposta que estes [Judeus] que chegaram a Riga [na Letônia] deveriam ser mortos por caminhões de gaseamento.”[23] O memorando confirma em detalhes a descrição de Hoess do papel de Eichmann nesses assuntos. Trata-se de um memorando secreto do Assessor para Assuntos Judaicos do Ministério do Reich para Territórios Ocupados a Leste intitulado “A Solução da Questão Judaica”. Está escrito:
Favor informar que [Chefe Executivo do Escritório] Brack da Chancelaria do Fuehrer afirmou a sua disponibilidade para ajudar na construção das adaptações necessárias e aparelhos de gaseamento [Vergasungsapparate]. No momento não temos em mãos a quantidade suficiente de aparelhos, de modo que primeiramente devem ser construídos... Devo ainda salientar que [Major] Eichmann, o Assessor de Assunto Judaicos do Escritório Central de Segurança do Reich está em plena consonância com este procedimento. Segundo informação recebida aqui à partir de [Major] Eichmann, campos para os judeus serão construídos em Riga e Minsk...Dada a situação atual, os judeus que estão incapacitados para o trabalho podem ser eliminados sem reservas através da utilização do dispositivo de Brack.[24]
Hoess também escreveu (42) que testemunhou em Treblinka que grandes caminhões e tanques “foram ligados e os gases do escapamento eram alimentados por tubos para as câmaras de gás...” Este foi o método preferido de gaseamento em Treblinka, Belzec, Chelmno e Sobibor e vans de gaseamento que rondavam o território Soviético. Suas observações são confirmadas por um memorando “secreto” datado de 16 de maio de 1942 sobre as atividades nos territórios ocupados à partir de agosto do Tenente SS August Becker que relatou que “para chegar a um fim tão rápido quanto possível, o motorista pisa no acelerador ao máximo. Por isso as pessoas que vão ser executadas têm uma morte sofrida por asfixia e não cochilando como foi planejado.” Quatro semanas mais tarde, um memorando foi enviado do Escritório Central de Segurança do Reich pedindo “a transferência de 20 mangueiras de gás para três S-vans”, que estavam para ser usadas em um “transporte de judeus que serão tratados de forma especial quando chegarem semanalmente”.[25] Aproximadamente no mesmo tempo, outro relatório do Escritório Central de Segurança do Reich menciona que desde dezembro de 1941, “noventa e sete mil foram processados usando três vans.” O relatório menciona que “a fim de facilitar a rápida distribuição de CO [monóxido de carbono]...dois buracos...serão feitos no teto da parte traseira.” Afirma que o “tubo que liga o escapamento da van pode enferrujar, porque ele é deteriorado por líquidos que fluem nele.”[26]

Hoess escreve (44) que as câmaras de gás de Auschwitz foram decoradas com chuveiros, a fim de dar a impressão de um real local de banho. Uma lista de inventário das autoridades do campo para o necrotério 1 do Crematório III lista “14 chuveiros” e uma “porta hermética”.[27] Negadores ainda têm muita dificuldade para explicar porque razão um chuveiro e uma porta hermética deveriam estar em um necrotério. Hoess também escreveu (32,44) que removiam os dentes de ouro das bocas das vítimas de gaseamentos. Esse testemunho foi comum entre os sobreviventes. O documento de conclusão do Crematório II afirma que no porão onde existiam dois necrotérios era uma sala de processamento de ouro.[28] Dois meses antes, em 29 de janeiro de 1943, um destes necrotérios foi identificado como um “porão de gaseamento” em um relatório das autoridades de construção do campo.[29]

Hoess cita (32) que, no verão de 1942 cinco alojamentos foram construídos perto de dois bunkers. Os dois bunkers tinham sido convertidos em câmaras de gás na área arborizada do campo de Birkenau, conhecido como Auschwitz II, e eram usadas para assassinar judeus. Estas duas câmaras de gás precediam os quatro crematórios de Birkenau, que se tornaram operacionais em 1943 e também foram utilizados para gaseamento.(36) Os alojamentos eram utilizados como instalações de despir. Um memorando das Autoridades de Construção de Auschwitz de julho de 1942 solicita “quatro alojamentos [stuck baracken] para tratamento especial [Sonderbehandlung] dos prisioneiros em Birkenau.” Este documento é o primeiro a apoiar todos os testemunhos de testemunhas oculares sobre a existência dessas estruturas.[30] Hoess também escreveu (38) que o termo “tratamento especial” era uma denominação de Eichmann para os transportes de judeus para serem assassinados.


O termo “tratamento especial” era um bem conhecido termo nazista para camuflar a palavra assassinato. Em Auschwitz, dois relatórios que sobreviveram mostram que “tratamento especial” significava o desaparecimento de prisioneiros. Um relatório do campo de 8 de março de 1943 apóia Hoess na definição do significado do termo para assassinato dos transportes judaicos. O relatório afirma que em 5 de março um total de 1.128 judeus chegaram de Berlim. Apenas 389 desses presos foram admitidos no campo, enquanto o restante, mulheres e crianças receberam “tratamento especial”. Os registros dos arquivos de Auschwitz de 6 de março mostram que 389 homens e 96 mulheres foram registradas à partir deste transporte. O mesmo relatório afirma que, em 5 de março chegaram 1.405 judeus de Breslau. Este transporte, de acordo com o relatório, mostra 406 homens e 190 mulheres registradas, enquanto o restante recebeu “tratamento especial”. Os arquivos de registros de Auschwitz mostram 406 homens e 190 mulheres que foram admitidos neste transporte.


O mesmo relatório também afirma que, em 7 de março 690 prisioneiros chegaram de Berlim, dos quais 243 foram admitidos no campo, enquanto o restante – 30 homens e 417 mulheres – receberam “tratamento especial”. Os arquivos de registros de Auschwitz de 7 de março mostram que 243 chegaram de Berlim e receberam um número de registro.[31] Assim, em todos estes três transportes em que os prisioneiros receberam “tratamento especial”, estes desapareceram após a chegada em Auschwitz. Os dados obtidos nestes três transportes também apóiam a declaração de Hoess (35) , entre 25 e 30% dos recém-chegados foram considerados aptos e admitidos no campo.


Um relatório do campo de 8 de outubro de 1944 sobre a força de trabalho para o campo das mulheres em Birkenau afirma que em 7 de outubro havia 38.782 prisioneiros. Chegaram mais 8 totalizando 38.800. O relatório cita em seguida que foram reduzidos 2.394, com isso o total baixou para 36.406. Essas diminuições consistem de sete mortes naturais, oito que foram soltos, 1.150 transferidos e 1.229 sob o título de “SB”. Uma vez que este “SB” não pode significar morte natural, libertação ou transferência, só pode significar que estes prisioneiros foram mortos.[32]


Um dos exemplos mais recentes que emergem este termo com o gaseamento de prisioneiros é um memorando da Agência de Construção de Auschwitz datado de 29 de janeiro de 1943 que aborda os problemas com eletricidade no Crematório II. É citado: “O funcionamento está limitado às máquinas existentes (portanto, permitindo simultaneamente cremação com tratamento especial)”[33] Cremação só pode significar cremação de corpos. Este memorando afirma que, no Crematório II “tratamento especial” [ou seja, gaseamento] e cremação podem ocorrer simultaneamente. A data de 29 de janeiro é altamente significativa. Lembrar que neste mesmo dia, a mesma agência afirmou que existia um “porão de gaseamento” no Crematório II. A ligação de um tratamento especial com gás venenoso foi ainda estabelecida em um memorando de 26 de agosto de 1942 quando foi dada permissão para o campo de concentração de Auschwitz “para despacho de um caminhão de Dessau para carregar material de tratamento especial.” Dessau era onde o veneno Zyklon B era fabricado.[34] O Instituto de Pesquisas Forenses de Cracóvia, referido anteriormente, encontrou muitos vestígios de Zyklon B no porão do Crematório II.[35]


Assim, a descrição de Hoess do termo “tratamento especial” é confirmada em todos os seus aspectos essenciais. A expressão está ligada diretamente ao que aconteceu nos crematórios, o uso de gás venenoso e o desaparecimento de prisioneiros.

Notas desta parte:

[16] On page 30 Hoss gives the impression that this was the only gassing in Block 11, but later on (155-156) he suggests that there was another gassing at this block.
[17] Czech, Auschwitz Chronicle, 121.
[18] The Auschwitz Death Books are discussed in Chapters 4 and 10 of the source cited in note 6 above. They will also be discussed in a future study intended for this site entitled "Body Disposal at Auschwitz: The End of Holocaust Denial."
[19] Czech, Auschwitz Chronicle, pp. 102, 112, 120, 131.
[20] See denier Carlo Mattogno, "The First Gassing at Auschwitz: The Genesis of a Myth," 9 Journal of Historical Review No. 2 (Summer 1989), pp. 212-213. Mattogno actually provides a great deal of useful information to show that the gassing occurred, something that appears to have escaped Mattogno and the JHR. He argued that the first gassing did not occur because of contradictions in the eyewitness testimonies as to the date of the first gassing in the Fall of 1941. However, in light of the findings of the Cracow Institute, discussed below, the actual date is not as important as the event itself. Also, there may have been some confusion as to the first gassing because there could have been two gassings in Block 11 as suggested by Hoss (155-156).
[21] The report appeared in the Polish journal Z Zagadnien Sqdowych. z XXX 1994, pp. 17-27. An English translation appears at http://www.nizkor.org/hweb/orgs/polish/institute-for-forensic-research/. I have received written permission from the Institute to reproduce the study in an appendix in the source cited in note 6 above.
[22] David Irving, "The Suppressed Eichmann and Goebbels Papers," 13 Journal of Historical Review No. 2 (March/April 1993), p. 22.
[23] David Irving, Hitler's War (NY:1977), p. 330.
[24] NO-365 dated October 25, 1941. Translation in Gerald Fleming, Hitler and the Final Solution (Berkeley:1982), pp. 70-71. My thanks to the National Archives for providing me with a photocopy of the original document.
[25] The texts of both of these reports are in PS-501 in Office of the Special Counsel, Nazi Conspiracy and Aggression (Washington D.C. 1947), Vol. 3, pp. 418-422.
[26] Photocopy of the original German with an English translation in Eugen Kogon, Hermann Langbein and Adalbert Ruckerl, Nazi Mass Murder: A Documentary History of the Use of Poison Gas (Yale:1993), pp. 228-235.
[27] Jean-Claude Pressac, Auschwitz: Technique and Operation of the Gas Chambers (NY:1989), p. 429. Photocopy of the list on p. 430.
[28] Original text with English translation in ibid., p. 231.
[29] Text in ibid., p. 211. The German word "Vergasungskeller," gassing cellar, is underlined in the original report. The "gassing cellar" was Corpse Cellar I. See ibid., p. 212.
[30] Jean Claude Pressac, Les Crématoires d' Auschwitz: La Machinerie du Meurtre De Masse (Paris: 1993), p. 107, fn. 256. Pressac discovered this document in the Auschwitz Archives in Moscow. The eyewitness testimony is reproduced in Pressac, Auschwitz: Technique and Operation of the Gas Chambers, pp. 161, 164, 171, 181.
[31] Text of the report in Jeremy Noakes and G Pridham, Nazism 1919-1945 (Exeter:1988), Vol. 3, p. 1184. Registration data in Czech, Auschwitz Chronicle, p. 347.
[32] Text in Kogon, Langbein and Ruckerl, Nazi Mass Murder, p. 160.
[33] "Aktenvermerk Betr: Stromversorgung und Installation des KL und KGL" in Auschwitz [34] Archives From Moscow, File 502-1-26 Reel 20. My thanks to Aaron Kornblum of the United States Holocaust Museum for providing me with this and other documents from the archives.
[35] Text in Raul Hilberg, Documents of Destruction (NY:1971), pp. 220-221. Photocopy of the original in Death Books From Auschwitz: Remnants (London:1995), Vol. 1, Appendix, p. 144.
Source cited in note 21 herein.

Fonte: The Holocaust History Project
http://www.holocaust-history.org/auschwitz/hoess-memoirs/; Link 2
Autor: Prof. John Zimmermann
Tradução: Leo Gott

Sequência:
São confiáveis as memórias de Hoess? - Parte 1 - Introdução
São confiáveis as memórias de Hoess? - Parte 3 - Hoess e a eliminação de corpos