sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Valas comuns e Majdanek

No ensaio sobre Majdanek de Mattogno e Graf, eles reconhecem que os corpos foram descobertos em Krepiecki, a 12km de Majdanek:
a Comissão polonesa-soviética, em sua busca nos terrenos do campo e da floresta Krepiecki, descobriu 467 corpos e 266 crânios que foram submetidos à análise forense. A Comissão também descobriu 4,5m³ de cinzas e ossos
Krepiecki é claramente o mesmo local que W.H. Lawrence descreveu ao visitar aqui:
Eu estive em Krempitski, dez milhas ao leste, onde vi três das dez valas comuns abertas e olhei para 368 corpos parcialmente decompostos de homens, mulheres e crianças que tinham sido executados individualmente em uma variedade de métodos cruéis e horríveis. Só nesta floresta as autoridades estimam que existam mais de 300.000 corpos.
Mattogno e Graf podem, e vão, lamuriar e mentir sobre os números, mas isso não altera o fato de que os judeus estavam sendo assassinados em massa nessas áreas e que alguns dos corpos achados foram observados por jornalistas norte-americanos, como também por investigadores poloneses e soviéticos. Além disso, note que esses números foram relatados com cautela por Lawrence:
É impossível para este correspondente afirmar com certeza quantas pessoas os alemães mataram aqui. Muitos corpos inquestionavelmente foram queimados, e não faz tanto tempo que todas as valas nesta vizinhança foram abertas antes do período que visitei a cena.

Mas eu estive em um armazém de madeira no campo, com cerca de 150 pés de comprimento, no qual eu atravessava literalmente dezenas de milhares de sapatos espalhados pelo chão como grãos num elevador cheio pela metade. Lá eu vi sapatos de crianças tão jovens como de uma de um ano de idade. Havia sapatos de homens e mulheres jovens e velhos. Aqueles que eu vi estavam todos em mau estado - desde que os alemães usaram este campo não apenas para exterminar suas vítimas, mas também como um meio de obterem roupas para o povo alemão - mas alguns, obviamente, tinham sido bastante caros. Pelo menos um par viera dos EUA, pois tinha um selo, "Goodyear Welt".

Já passei por um armazém no centro da cidade de Lublin, no qual vi centenas de malas e literalmente dezenas de milhares peças de roupas e pertences pessoais de pessoas que morreram aqui, e tive a oportunidade de indagar um oficial alemão, Herman Vogel, 42, de Millheim, que admitiu que, como chefe dos barracões de roupas, ele tinha supervisionado a transferência de cargas de dezoito vagões de cargas carregados de roupas para a Alemanha durante um período de dois meses e que ele sabia que isso vinha dos corpos de pessoas que haviam sido mortas em Majdanek.
Este homem era apenas mais um que estava consumindo propaganda soviética?

Fonte: Holocaust Controversies
http://holocaustcontroversies.blogspot.com/2011/02/mass-graves-and-majdanek.html
Texto: Jonathan Harrison
Tradução: Roberto Lucena

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Shoá: milhares de documentos e fotos online - Google e Yad Vashem

TEL AVIV, Israel - A mais importante coleção de documentos sobre o genocídio dos judeus pelos nazistas durante a Segunda Guerra mundial está disponível na Internet.

O Museu Memorial da Shoá, Yad Vashem, lançou esta inicitiva na quarta-feira com o lançamento de 130 mil fotos online consultáveis pelo site de buscas norte-americano Google, parceiro do projeto. A coleção deverá se extender mais tarde à outras partes dos vastos arquivos do museu.

A fórmula permite fácil acesso aos documentos, inclusive através de palavras-chave. Um fórum associado permite que aos usuários contribuirem com o projeto, adicionando suas próprias histórias, comentários e documentos sobre seus familiares que aparecem no arquivo online.

O Google tem utilizado uma tecnologia experimental de reconhecimento ótico de caracteres para permitir a pesquisa ativa em várias línguas no texto de documentos e fotos.

O presidente do Yad Vashem, Avner Shalev, disse que o benefício em chamar os jovens que procuram informações sobre seus antepassados supera o risco de publicação de comentários antissemitas.

Já nesta semana, o Yad Vashem lançou uma versão em seu canal de vídeo online no YouTube, para que os iranianos, cujo país é o maior inimigo de Israel, possam aprender sobre o Holocausto, no qual morreram cerca de seis milhões de judeus.

O memorial está agora trabalhando para digitalizar sua coleção de testemunhos de sobreviventes do genocídio.

Pra quem quiser acessar o banco de fotos do Yad Vashem na internet, link: http://collections.yadvashem.org/photosarchive/

Fonte: AP/Métro (Canadá, 26 de janeiro de 2011)
http://www.journalmetro.com/monde/article/754397--shoah-des-milliers-de-documents-et-photos-en-ligne
Tradução: Roberto Lucena

Ver mais:
Google amplia acesso a arquivos do Holocausto (Gazeta do Povo)

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Testemunha militar francesa em Kaunas (Kovno)

Quinze dias depois dos soviéticos liberarem Kaunas em agosto de 1944, a cidade foi visitada pelo Coronel Pierre Pouyade do regimento Normandia-Niémen da Força Aérea francesa livre. Cinco meses depois, Pouyard foi entrevistado no Egito e deu um relato descrevendo os "pilhas de cadáveres de homens, mulheres e crianças nas ruas e nos porões destruídos." Matérias deste relato podem ser vistas aqui e aqui.

Fonte: Holocaust Controversies
http://holocaustcontroversies.blogspot.com/2011/02/french-military-witness-in-kaunas-kovno.html
Texto: Jonathan Harrison
Tradução: Roberto Lucena

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Cão que imitava Hitler enfureceu nazis

Documentos revelam tentativa de vingança
Cão que imitava Hitler enfureceu nazis

Tor Borg junto ao seu cão,
cujo nome 'oficial' era 'Jackie'
Poucos meses antes de Hitler ordenar a invasão da União Soviética, o governo alemão tinha outro problema: um cão rafeiro 'batizado' com o nome do ditador e que tinha o hábito de levantar a pata direita como se estivesse a fazer a saudação nazi.

Segundo documentos oficiais recentemente encontrados em Berlim, o regime nazi tentou arruinar o dono do cão, um empresário do setor farmacêutico na Finlândia, país escandinavo que mantinha a neutralidade em 1942 apesar de ter fortes ligações à Alemanha.

Dono do grupo Tamro, que ainda hoje existe, Tor Borg era casado com uma alemã insuspeita de simpatias pelos nacionais-socialistas, que deu o nome ao cão após verificar que este levantava a pata da mesma forma que a maioria dos seus compatriotas erguiam o braço enquanto diziam 'Heil Hitler'.

Nos arquivos do regime nazi foi encontrada uma carta do vice-cônsul em Helsínquia em que este denunciava que "uma testemunha, que não quis ser identificada", testemunhou a polémica habilidade do cão de Tor Borg.

O empresário foi chamado à embaixada da Alemanha em Helsinque e negou que o cão se chamasse 'Hitler', embora tenha reconhecido que a sua mulher o tratava assim.

No entanto, Tor Borg salientou que a imitação da saudação nazi só tinha ocorrido algumas vezes em 1933, pouco depois de Hitler tomar o poder na Alemanha.

Acrescentou ainda que nunca havia feito "nada que pudesse ser considerado um insulto contra o Reich", mas não conseguiu convencer o embaixador.

Um documento do Ministério da Economia germânico revela que o grupo químico IG Farben, que era um dos principais fornecedores da farmacêutica finlandesa, se ofereceu para deixar de fazer negócios com Tor Borg.

Por seu lado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros tentou pôr o empresário em tribunal pelos insultos a Hitler mas nunca conseguiu convencer nenhuma testemunha ocular das façanhas do seu rafeiro.

O historiador responsável pela pesquisa não encontrou provas irrefutáveis de que o caso tenha chegado aos ouvidos do próprio Adolf Hitler. De qualquer forma, o cão (cujo verdadeiro nome era 'Jackie') morreu de causas naturais e Tor Borg faleceu em 1959, 12 anos antes da sua mulher.

Fonte: Correio da Manhã(Portugal)
http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/ultima-hora/cao-que-imitava-hitler-enfureceu-nazis

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Testemunho de Otto Ohlendorf para Leon Goldensohn


Otto Ohlendorf era membro do Partido Nacional Socialista desde 1925, chefe dos serviços de segurança do Escritório Central de Segurança do Reich durante a Segunda Guerra Mundial, comandante do Einsatzgruppe D no front oriental e tenente-general da SS a partir de novembro de 1944. Condenado à morte em abril de 1948 numa audiência em Nuremberg, foi enforcado em 8 de junho de 1951.


1º DE MARÇO DE 1946


OOtto Ohlendorf nasceu em Hanover em fevereiro de 1907. Na verdade, como ele disse, nasceu em Hoheneggelsen, perto de Hanover. Morou ali até 1927. Aparenta mais do que seus 39 anos, tem um aspecto abatido e repulsivo e é baixo, curvado para a frente e frio. Tende a falar de forma precisa, mas seu jeito é o de um homem que está na expectativa de ser insultado a qualquer momento e por isso está na defensiva.

Freqüentou a escola primária por três anos e o ginásio em Hildesheim – nove anos de ginásio, repetiu dois anos. Um ano não conseguiu se formar, no outro não se formou intencionalmente devido às atividades políticas. Isso foi em 1925.

Quando você se tornou membro do Partido Nazista? “Em 1925.” Porque você não se formou? “Porque discursei em muitos comícios para o público, em aldeias.” Ele tinha dezoito anos e falou publicamente de questões relativas ao SD e, especialmente, contra um partido dissidente em Hanôver denominado Guelfos. Havia duas facções de Guelfos, uma monarquista e outra republicana. Ohlendorf fazia oposição as duas, por ser “contra a destruição e a divisão da Prússia”. Você conheceu Hitler em 1925? “Não.” Você discutia o anti-semitismo aos dezoito anos? “Eram questões políticas gerais. O anti-semitismo estava entre elas.”

Nos seus dezoito anos, quais seus pontos de vista sobre a questão judaica? “Pontos de vista gerais – na maior parte, eu estava interessado em acabar com as lutas de classe e as questões sociais. Estive primeiro na Juventude Bismarck – todos aqueles partidos estavam representados em uma classe de pessoas O NSDAP representava todas as pessoas, independente das classes.” E os judeus? “Eles eram membros de outros partidos.” Então como você considerava que o NSDAP representava todas as pessoas? “Quero dizer que representava todas as classes.”

Quando você começou a ter sentimentos anti-semitas? “Isso vem da época em que participei do Partido Popular-Nacional Alemão. Era anti-semita. O líder era Alfred Hugenberg, mais tarde ministro da Economia e Agricultura, em 1933.”

O anti-semitismo de Hugenberg era do mesmo tipo do de Hitler? “Não sei dizer.” Hugenberg defendia a aniquilação dos judeus? “Duvido. Aquilo não estava no programa de Hitler até 1942.” Até 1942? “Naquela época, Hitler dava as ordens.” Você cumpria as ordens? “Eu não sabia da ordem geral na ocasião. Vim a descobrir aqui. Estou convencido de que Hitler não teria tido apoio do povo ou mesmo de membros do partido para aquela idéia.”

“Mais tarde, após 1925, voltando ao assunto, o anti-semitismo foi abandonado, e apenas diferenças entre nacionalidade eram enfatizadas.” Quando o anti-semitismo foi restaurado? “Em 1942-43.” Não foi você que depôs sobre a morte de 90 mil judeus? “Sim.” E não houve anti-semitismo na Alemanha nazista antes de 1942-43? “Em 1938, as perseguições não eram anti-semitas. Havia um grande número de judeus que ocupavam posições mais favoráveis do que deviam, em relação à percentagem que lhes cabia da população. Eram os alemães quem deveriam ocupar aquelas posições. Isso explica a ação de 1938 de Goebbels contra os judeus.” Portanto, os judeus foram destituídos? “Não. Isso foi na ação de novembro de 1938 de Goebbels contra os judeus, sem o consentimento de Hitler. Foi em represália ao assassinato de um oficial nazista em Paris pelo judeu Herschel Grynszpan.” Você acredita nisso? “Não. Goebbels estava apenas procurando uma desculpa.” Você conheceu Goebbels pessoalmente? “Sim.” Que tipo de pessoa ele era? “Encontrei-o várias vezes. Era esperto, fanático; devido ao pé torto, pode ter sofrido de complexo de inferioridade, sabedor de que, devido à aparência física, jamais conseguiria chegar à liderança. Era inescrupuloso em sua propaganda. Sempre me opus a Goebbels. Sempre tentei fazer com que as pessoas fossem educadas de forma ampla, enquanto Goebbels tentava supri-las de conhecimentos para o momento. Goebbels considerava os seres humanos objetos a serem usados para fins políticos – para o momento.”

Você fez algo concretamente contra Goebbels? “Meus informes no SD sempre se referiram a esses fatos.” Algo mais sobre Goebbels? “Sempre tive a sensação de que Goebbels não respeitava as pessoas em geral. Ele era precipitado em seus contatos no próprio escritório. Não tinha consideração por ninguém. Preocupava-se apenas em governar. Copiou seu estilo de governar da hierarquia católica. Ao que me consta, Goebbels freqüentou uma escola católica e foi educado num convento.” Ele parece ter se voltado contra os católicos. “Sim. Mas isso não o impediu de concordar com os métodos autoritários de governar. Goebbels confiava apenas em sai mesmo.”

EDUCAÇÃO: Ohlendorf concluiu enfim o ginásio e estudou jurisprudência e economia na universidade de Leipzig e Göttingen. Passou um ano na Itália e estudou fascismo – em 1931. Foi um serviço de intercâmbio acadêmico. “Voltei como um antifascista fanático. Depois fui para os tribunais, em outubro de 1933, tornei-me assistente no Instituto de Economia Mundial, na Universidade de Kiel.”

Você ainda estava no NSDAP? “Sim.” Como você podia estar num partido fascista e ser um antifascista fanático? “É lamentável que você ache que ambos sejam a mesma coisa. Há uma grande diferença. O fascismo é um princípio puramente estatal. Mussolini disse em 1932: ‘A primeira coisa é o Estado – e do Estado derivam o direito e o destino de outras pessoas. Os seres humanos vêm em segundo lugar’. No nacional-socialismo, era o contrário. As pessoas e os seres humanos vêm em primeiro lugar, o Estado é secundário.”

Você acredita nisso? “Eu acreditava. O ruim foi que Hitler odiava tanto o Estado que o governo nunca funcionou.” Você acha que Hitler realmente gostava do povo? “Ah, sim. O defeito que vejo em Hitler é que ele abandonou a base original, seu amor pelo povo, e procurou o reconhecimento das outras nações travando guerras.” Você acha que Hitler realmente gostava do povo, se ordenou que milhões de judeus fossem exterminados? “Esse foi o desastre de Hitler.” Mas você acha que Hitler gostava do povo? “Em 1933-39, Hitler fez coisas tremendas pelo povo alemão.” Você acha que Hitler gostava do povo em geral, ou de apenas de um conceito conhecido como Volk? “Não sei responder genericamente.” Seja o mais específico que puder. “Bem, ele gostava o povo alemão.” E dos outros povos? “Não sei.” Você acha que Hitler gostava do povo, quando ordenava que homens, mulheres e crianças fossem mortos, independentemente de raça, cor ou crença, a sangue frio, não em batalha contra uma cidade, ou em ataques aéreos, mas enfileirados diante de fossos, já que você conhece o processo melhor do que eu? “Não se responder às perguntas genéricas ou especificamente. Desconheço as razões psicológicas que levaram Hitler a fazer isso.”

Qual sua opinião pessoal? “Não se pode generalizar, olhando a coisa de um ponto de vista alemão. Exatamente quantas pessoas foram fuziladas devido à raça ou crença eu não sei. Não muitos alemães foram fuzilados. Hitler acreditava que aquilo tinha que ser feito pelo bem do povo alemão.” Como Hitler poderia amar o povo e fuzilar as pessoas? “Hitler fez aquilo pelo seu povo. Hitler não acreditava que as coisas terminassem como terminaram.” O que você acha? “Hitler não esperava a guerra mundial.” O mundo inteiro parecia esperar a guerra. “Não acredito que tais perguntas possam ter respostas simples.” Qual é a sua própria idéia? “Eu não disse que ele era um homem maravilhoso – começamos com uma discussão sobre a definição de fascismo e nazismo.” Da forma como as coisas se desenrolaram, houve qualquer diferença? “O chefe de Estado da Alemanha adotou crenças imperialistas. O extermínio dos judeus tem sua origem nas campanhas de Streicher, Goebbels e Ley, que constantemente enfatizaram o fato de que os judeus eram inimigos do povo alemão.” Como você acredita que uma criança de seis anos tivesse que ser morta – ela era um inimigo? “Na criança nós vemos o adulto. Vejo o problema diferente.” Como? “Eu via a questão judaica em 1933-4 dessa maneira: dêem aos judeus uma região onde eles estivessem uma base, e eles poderiam ter minorias em outros países. Nada em particular aconteceu – e aí veio a ação de Goebbels em 1938. Até 1938, não havia nenhum plano de excluir os judeus da vida econômica. Os experts em economia nunca concordaram com isso.”

Qual foi seu depoimento no tribunal? “Descrevi como um Einsatzgruppe recebeu uma ordem de liquidar os judeus na Rússia. Não foi uma ordem anti-semita, pelo contrário, disseram que os judeus na Rússia eram os principais disseminadores do bolchevismo ali. Foi contra minha vontade que assumi o comando de um Einsatzgruppe na Rússia. Eram quinhentos homens. A maioria da Polícia Comum e da SS armada. A região incluía Odessa e de Nikolaiev até Rostov e Criméia.” Você sabia qual seria sua função? “Sim. Eu conhecia as ordens. Einsatzkommandos chefiados por coronéis-generais executavam as ordens.” E você era um tenente-general no comando do Einsatzgruppe? “Não. Eu era apenas um general-de-brigada naquela época. Foi em 1941-2” O que fazia seu Einsatzgruppe? “Os judeus eram fuzilados à maneira militar em um cordão de isolamento. Havia esquadrões de fuzilamento de quinze homens. Uma bala para cada judeu. Em outras palavras, um esquadrão de fuzilamento de quinze homens executava quinze judeus de cada vez.” Você supervisionou ou testemunhou? “Estive ali duas vezes, por períodos curtos.” As vítimas eram homens, mulheres e crianças? “Sim.” As crianças eram fuziladas? “Sim” Uman ficava e seu território? “Não. Uman fica na Ucrânia.” Quantos judeus foram mortos por seu grupo? “O número oficial é 90 mil. Acho que, na verdade, apenas 60 a 70 mil foram fuzilados.” Foram mantidos quaisquer registros? “Não nomes individuais.” De onde vinham esses judeus que eram fuzilados? “De aldeias russas.”

Você acha que estava fazendo a coisa certa? “Eu não tinha que fazê-lo pessoalmente.” Não era você que comandava aquilo? “Sim, mas as ordens eram dadas aos líderes dos Einsatzkommandos. Tudo o que eu tinha que fazer era assegurar que aquilo fosse feito o mais humanamente possível.” Você faria aquilo de novo? “Eu não fiz nada.” Você voltaria a comandar aquilo ou a obedecer tal ordem? “Não acho que a pergunta seja válida. Acho que você pode me poupar dessa pergunta. Já sofri bastante durante anos. Muitas pessoas tinham que cumprir ordens que desaprovavam. Eu rejeitei a ordem duas vezes, mas tive que cumprir da terceira vez. A ordem veio de Heydrich.” Seu apetite ou sono foram perturbados? “Claro. Eu tinha que acalmar pessoas com colapsos nervosos.” Muitas? “Algumas.” Havia sádicos entre os carrascos de sua equipe? “Não. Essas pessoas recebiam ordens de fazer aquilo – elas não eram selecionadas. Elas recebiam ordens de fazê-lo, e então faziam.”

A esta altura, Ohlendorf parece irritado. Ele lançou a culpa dos assassinatos em massa sobre Heydrich. Não sente nenhum remorso agora, a não ser nominalmente. Parece um espírito fatigado, e sua consciência, se é que possa ser chamada assim, está totalmente limpa e vazia. Há uma carência de afeto, mas nada clinicamente notável. Sua atitude é: “Por que me culpar? Eu não fiz nada.” “Aqueles judeus se levantavam, eram enfileirados e fuzilados à maneira militar. Eu assegurava que nenhuma atrocidade ou brutalidade ocorresse.” Havia limite de idade? “Não havia limite de idade.” Ele refletiu um instante e, depois, disse abruptamente: “Graças a Deus, pouquíssimas crianças foram fuziladas.” Quantas? “Eu não sei. Mal chegaram a mil.” Noventa mil pessoas foram oficialmente exterminadas, mas apenas mil crianças? “O tratamento que os Aliados dispensaram aos alemães foi pelo menos tão ruim quanto o fuzilamento daqueles judeus. O bombardeio de cidades, com homens, mulheres e crianças queimando com fósforo – essas coisas forma cometidas pelos aliados.” Já ouviu falar de Coventry? “Os bombardeiros foram realizados por ambos os lados. Não quero dar nenhuma desculpa, apenas expor os fatos.”

As leis raciais nazistas – o que você acha delas? “Elas são corretas. Correspondem ao que pensam os sionistas – para diferenciar os alemães do povo judeu. Absolutamente corretas.” E as leis de Nuremberg – o que você acha delas? “Não me lembro das leis de Nuremberg.” Na época da promulgação das Leis de Nuremberg, você fez alguma objeção? “Não.”

Qual sua opinião sobre o princípio do Führer? “Eu me oponho a qualquer princípio do Führer que leve a uma ditadura. Mas o princípio do Führer também poderia permitir que alguém de bom caráter se tornasse líder, e isso seria bom.” Em geral, você aprova o princípio do Führer ou não? “Primeiro, preciso entender o que significa o princípio do Führer. Conforme interpretado no Reich, sou contra.”

Qual sua opinião sobre o princípio de Volk e a idéia de uma raça superior? “Os povos são diferenciados individualmente – a raça superior nega o princípio nacional.” Não entendi. “O princípio nacional se baseia em nacionalidades individuais e habilidades que essas nacionalidades possuem.” Por exemplo? “Quero dizer que cada nacionalidade possui certas habilidades que lhe são próprias.”

Então porque você fuzilou 90 mil judeus? “Primeiro, eu não os fuzilei. Esquadrões de fuzilamento o fizeram. Segundo, eu não aprovei aquilo.”

Então por que você realizou aquilo? “Que mais eu podia fazer?” Se você desaprovava aquilo, podia ter protestado e se recusado a fazer, me parece. “Para onde eu podia deserdar? Eu jurei fidelidade a Hitler.” Fidelidade para cometer assassinatos em massa? “Sob juramento.” De quê? O que o juramento dizia? “Eu não conseguiria impedir aquilo nem que me matasse. Ainda assim, aquilo aconteceria de acordo com a programação. Essas ordens eram dadas aos Einsatzkommandos em Berlim antes que viessem o meu grupo.” O líder do comando possui mais poder que o líder do grupo – é isso o que você quer dizer? “Não. Eu também recebia ordens de Berlim.”

E após esse pequeno episódio do Einsatzkommando em 1941-2, você foi promovido de general-de-brigada a tenente-general? “Sim.” De modo que sua carreira não foi em nada prejudicada pela perturbação emocional pelo fuzilamento dos judeus? “Eu contei que fiquei transtornado. Mas aquilo não interferiu em minha eficiência e prossegui em outros campos.”

Quanto tempo você ficou na Rússia? “Um ano.” Quanto tempo você levou para matar 90 mil? “Um ano.” Qual foi o máximo em um dia? “Quatro ou 5 mil em um dia.” Os judeus sabiam que iriam ser mortos? “Só uns dez minutos antes do fuzilamento.” Havia algum tumulto? “Não.” Como eram executadas crianças pequenas que não conseguiam se levantar para ser fuziladas? “Não sei. Não vi nenhuma.” Nenhum relato? “Apenas números.”

“Contei para você como passei noites em claro, como aquilo perturbou meu eu profundo.” Mas você não continuou trabalhando para os nazistas e alcançou o posto de tenente-general? Ohlendorf não responde, simplesmente fica sentado, lábios cerrados, ar hostil. Nenhuma das perguntas foi expressa de forma hostil.

Sua esposa sabe desse negócio do Einsatzgruppe? “Não.” Chegou a vê-la depois de 1941-2? “Eu a vi, mas nunca falava com ela sobre essas coisas. Não achei que fosse uma boa conversa para se ter com uma mulher.”

Mas fuzilar mulheres está certo, só não está certo conversar com elas sobre fuzilamentos? “Em primeiro lugar, eu não fuzilei mulheres. Eu apenas supervisionei.”

Em geral, você se descreveria como emotivo ou frio? “Emotivo.” Chegou a pensar em seus próprios filhos no lugar daquelas pessoas? “Essa era a minha primeira reação.” Mas não o deteve. “Não pude evitar aquilo.” Você não podia ficar doente ou fugir? “Não ia adiantar. Ficando ali, eu achava que podia impedir atos desumanos.” O que você quer dizer? “Se você conversar com as pessoas em Uman e outros desses lugares, há de concordar que é melhor ter boas pessoas presentes para evitar más execuções.”

Quem é responsável por esses crimes? “O Führer e Himmler.”

PAI: Morreu de velhice, em 1943, aos 84 anos. Era fazendeiro.

MÃE: Tem 72 anos, goza de boa saúde.

“Meu pai era um homem muito emotivo, franco e honesto. Politicamente, pertencia ao Partido Popular Alemão – um liberal.” Era anti-semita? “Não.” Você acha que seu pai teria cumprido aquelas ordens? “Não sei.” Ele tinha um caráter forte? “Sim.” Você acha que tem um caráter forte? “Sim.” Então você deve realmente odiar os judeus. “Não. Crescemos sob uma disciplina rigorosa e estávamos acostumados a cumprir ordens. Minhas emoções humanas eram as mesmas das outras pessoas.”

Você se dava bem com seu pai? “Durante muitos anos, não nos demos bem. Mas nos últimos anos, sim. Minhas atividades políticas na juventude conflitavam com as idéias de meu pai.”

Que tipo de personalidade tem a sua mãe? “É uma boa dona-de-casa e uma pessoa franca.” Com quem você mais se parece, do ponto de vista da personalidade? “Meu pai.” De que maneira? “Inclinações científicas. Eu queria ser professor de filosofia, sociologia e economia nacional.” Qual o grau de escolaridade de seus pais? “Baixo, mas meu pai lia muito.”

IRMÃOS: Ohlendorf é o irmão mais novo de quatro filhos. Irmão, cinqüenta anos, químico, não lutou na guerra, casado, três filhos, opõe-se ao Partido Nazista. É “liberal e teosofista”. Segue uma religião “segundo Steiner”. Não é anti-semita, tem uma religião antroposófica.

Quando criança, chego a ter amigos judeus? “Não. Não tive a oportunidade. Não havia judeus na minha cidade.” Qual a primeira vez que você viu um judeu? “Não me lembro. Alguns comerciantes judeus passavam pela minha cidade.” Seu pai era contra os judeus? “Não.” E sua mãe? “Não.”

Irmão, 49 anos, fazendeiro, freqüentou a escola pública e agrícola. Foi um soldado raso na Primeira Guerra Mundial. Não se interessava por política, mas entrou no Partido Nazista em 1933. É solteiro. Sua mãe cuida da casa dele. Ele “teve azar com algumas mulheres e nunca chegou a se casar.”

Irmã, 47 anos, solteira, tem uma loja de tecidos, nunca se casou. “Ela pode ter sido membro do partido após 1933, mas nunca foi politicamente ativa.”

Com qual dos dois irmãos você tem mais afinidade emocional? “Meus maiores contatos têm sido com meu irmão mais velho. Tive conversas intelectuais com ele sobre antroposofia. Temos um bom clima familiar.” Existe algum motivo para sua irmã estar solteira? “Pode-se dizer que é por sermos uma geração da guerra.”

Ohlendorf não gosta muito de falar de sua família, dos irmãos, mas conseguimos nos alongar mais alguns minutos nesse tema. Acredito que a ligação emocional entre ele e qualquer membro de sua família seja mínima e que há uma boa dose de hostilidade entre ele e o pai. O relacionamento entre Ohlendorf e a mãe não parece caloroso, embora a hostilidade pareça menos evidente em relação a ela. Ele disse que a mãe preferia o irmão mais velho.

CASAMENTO: Casado há doze anos. A esposa tem 39 anos. Conheceram-se sete anos antes do casamento. Afirma que o casamento é feliz e que nunca se separaram.

FILHOS: Cinco. Menina de nove anos; menino de sete; menino de cinco; menino de dois anos e meio; e uma menina nascida em maio de 1945.

RELIGIÂO: Protestante. Deixou a Igreja em 1942. Sua esposa também deixou a Igreja naquele ano. Todos retornaram depois de maio de 1945. Porque você deixou a Igreja? “Porque não concordava com seu dogma.” Por exemplo? “Eu achava que estava em conflito com o estado.”

Você conhece Bach-Zelewski? “Vi-o duas vezes, em Berlim e depois que cheguei a esta prisão.” O que você acha dele? “Ele está irreconhecível aqui. Era muito egocêntrico, tentava progredir sem considerar os outros.” Isso foi tudo o que consegui extrair de Ohlendorf sobre Bach-Zelewski.

E quanto aos planos para o futuro da Alemanha? “Eu despolitizaria a Alemanha. Intensificaria a agricultura. Criaria 2 milhões de empregos braçais. Dois ou 3 milhões de empregos agrícolas. Formaria grupos voluntários de pessoas com interesses comuns. A própria juventude se opõe a todo o estilo militarista de educação. Eu me opus a politização e via Ley e Goebbels como oponentes do nacional-socialismo.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Auschwitz foi libertado há 66 anos

Os Roma foram pela primeira vez convidados pelo Parlamento alemão para assinalar o Dia do Holocausto.

Cristina Peres (http://www.expresso.pt/), com Deutsche Welle e dpa
13:45 Quinta feira, 27 de Janeiro de 2011

A libertação de Auschwitz-Birkenau
foi há 66 anos. Andrzej Grygiel/EPA
Passam hoje 66 anos sobre a chegada das tropas soviéticas a Auschwitz-Birkenau, o maior campo de extermínio nazi, onde foram mortas um milhão e meio de pessoas, na sua maioria judeus europeus.

O dia da libertação de Auschwitz foi declarado dia internacional do Holocausto, em 2005, por uma resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas, já sendo anteriormente assinalado na Alemanha desde 1996.

Para as comemorações de 2011, o Bundestag escolheu para convidado de honra o Roma Zoni Weisz, que aproveitou a ocasião para avisar os deputados alemães de que os Roma da Europa de leste enfrentam novas ameaças e discriminação, vivendo em "guetos, em condições inumanas".

Weisz, atualmente com 73 anos, nasceu em Zutphen, na Holanda, e é o único sobrevivente de uma família que foi assassinada em 1944. A família foi deportada para Leste quando Weisz contava sete anos e ele sobreviveu graças a um polícia que o ajudou a fugir, tendo sobrevivido o resto da guerra escondido.

A maioria das vítimas do Holocausto era judia, mas calcula-se que entre 220 e 500 mil Roma também tenham morrido, genocídio que só foi reconhecido em 1982 pela então República Federal Alemã.

É a primeira vez que o destino dos Roma e dos Sinti europeus foi colocado no centro destas comemorações. Foi também a primeira vez que o Presidente alemão Christian Wulff participou nas comemorações do Dia do Holocausto. O Presidente Wulff tinha ainda na agenda um encontro com sobreviventes de Auschwitz, em conjunto com o Presidente polaco Bronislaw Komorowski.

Fonte: Expresso(Portugal)
http://aeiou.expresso.pt/auschwitz-foi-libertado-ha-66-anos=f628461

No Parlamento alemão, cigano lembra o "Holocausto esquecido"

O cigano holandês Zoni Weisz, sobrevivente do
Holocausto, discursa no Parlamento alemão. Foto: AFP
O cigano holandês Zoni Weisz foi nesta quinta-feira o principal orador no Bundestag, Parlamento alemão, na comemoração da libertação do campo de concentração nazista de Auschwitz há 66 anos no dia em que a Alemanha presta homenagem às vítimas do Holocausto.

Seu discurso foi dedicado antes de tudo a lembrar o que ele classificou como "o Holocausto esquecido", em alusão ao cerca de 500 mil de Sinti e Roma, as grandes famílias de ciganos centro-europeus, vítimas da máquina nazista.

O Holocausto dos ciganos só começou a ser alvo de pesquisa histórica há pouco, lembrou Weisz, quem sobreviveu à perseguição nazista devido a uma série de casualidades.

Em 16 de maio de 1944, em uma série de batida policial, seus pais e irmãos, que viviam na pequena cidade holandesa de Zutphen, foram detidos pelas forças de ocupação nazistas.

Zoni Weisz, com sete anos, não foi detido porque estava de visita na casa de uma tia fora da cidade, mas posteriormente os nazistas o encontraram, e com outras nove pessoas.

No caminho a Auschwitz, em uma estação onde deviam mudar de trem, um policial holandês ajudou-o a ele e a seus companheiros a fugir.

Weisz sobreviveu no último ano da ocupação escondido e no final da guerra soube que seus pais e seus irmãos haviam morrido no campo de concentração.

Apesar de Weisz garantir que sua família foi normal e feliz até 1944, ressaltou que a perseguição dos ciganos havia começado muito antes da chegada ao poder dos nazistas e que em muitos países europeus ainda não terminou.

"Apesar dos 500 mil provenientes de Sinti e Roma assassinados pelo nazismo, a sociedade não aprendeu nada disso. Caso contrário, agora teria um comportamento mais responsável em direção a nós", disse Weisz.

"Somos europeus e devemos ter os mesmos direitos que os outros", acrescentou o sobrevivente do Holocausto.

Ressaltou que resulta especialmente preocupante que em países como na Bulgária e Romênia os Sinti e Roma tenham que seguir levando uma existência indigna.

Na Hungria, segundo Weisz, a minoria cigana é perseguida abertamente por ultradireitistas com uniformes negros e em outros países da Europa Oriental existem restaurantes com letreiros que dizem "Proibida entrada de ciganos".

O presidente do Bundestag, Norbert Lammert, ressaltou que os ciganos seguem sendo "a minoria maior e mais discriminada na Europa".

Fonte: EFE
http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI4913989-EI8142,00-No+Parlamento+alemao+cigano+lembra+o+Holocausto+esquecido.html

Vítimas do Holocausto ameaçadas por esquecimento em valas comuns do Leste Europeu

Vala localizada na Ucrânia
Milhares de judeus assassinados pelos nazistas estão enterrados em valas comuns na Ucrânia, Rússia, Polônia e Belarus. Organização Yahad in Unum luta para resgatá-los do esquecimento.

"O Holocausto não começou em Auschwitz. Começou já antes do funcionamento das câmaras de gás, com a invasão do Leste da Europa pela Wehrmacht", diz o rabino norte-americano Andrew Baker.

Soldados, comandos de morte e colaboradores atuaram como ajudantes ávidos. Eles fuzilaram os judeus, nos lugares mesmos onde moravam, e jogaram os corpos em valas comuns. Há milhares de sepulturas na Ucrânia, Polônia, Belarus e Rússia, em florestas afastadas, nos arredores de povoados e cidades. Negligenciados, ignorados, descuidados, os corpos são o testemunho silencioso de uma história quase totalmente reprimida.

Contra o esquecimento

Por muito tempo ninguém se interessou pela localização dessas valas comuns. Até que o francês Pater Patrick Desbois e seus colegas da organização Yahad in Unum começaram a buscar pistas e interrogar moradores e testemunhas sobreviventes. O trabalho possibilitou a identificação de milhares de sepulturas.

Num projeto-modelo de grande porte, uma iniciativa internacional quer agora proteger cinco desses locais, identificá-los com placas memoriais, protegendo-os do esquecimento no futuro.

Participam do projeto a Volksbund Deutscher Kriegsgräberfürsorge, uma comissão alemã que cuida dos túmulos de vítimas de guerra, o American Jewish Comittee (AJC), ao qual Andrew Baker é filiado, a conferência dos rabinos europeus, assim como organizações não-governamentais do Leste Europeu. O Ministério alemão de Relações Exteriores destinou 300 mil euros para o projeto.

Memória e formação
Kyslyn, Ucrânia

"Somos gratos por esse apoio que vem da Alemanha", disse Eduard Dolinsky, do Comitê Judaico da Ucrânia, país onde 500 mil judeus foram vítimas do nazismo. Os jovens não aprendem nada na escola sobre essa parte do passado. "Aqui, a tendência é esquecer."

Na época da União Soviética, o assassinato dos judeus foi ocultada, diz Anatoly Podolsky, do Centro para Estudos do Holocausto, em Kiev. Desde que o país ficou independente, os historiadores puderam, finalmente, pesquisar sobre o tema, "mas o governo tem pouco interesse no assunto".

Pesquisa, documentação e uma homenagem digna são tarefas gigantescas, diz Deidre Berger, diretora do AJC de Berlim. Porém tão importantes quanto elas é contar o que aconteceu às gerações mais novas. "Elas devem saber quantas vidas foram destruídas, quantas comunidades judaicas desapareceram", comenta.

Em dezembro de 2010, um grupo de trabalho esteve na Ucrânia para verificar a situação. O diretor do programa, Jan Fahlbusch, contou sobre descobertas terríveis feitas num terreno arenoso. "Depois da guerra voltou-se a retirar areia do local onde ocorreram muitos tiroteios. Nesse processo, os túmulos foram abertos; num certo ponto, os ossos estão quase na superfície. Aí população escavou o local à procura de objetos de valor." Esse fenômeno foi observado repetidamente na região.

Luta contra o relógio
Restos de um cemitérios de judeus, em Rava Ruska

A iniciativa conta com estreita colaboração das autoridades locais e de arquitetos. Eduard Dolinsky, do Comitê Judaico, fala sobre o design do memorial: "Essa é a condição principal: antes de qualquer outra instância, cabe aos judeus que vivem no local a última palavra sobre a aparência do memorial".

Quando os cinco projetos estivem implementados, eles não só serão exemplos para outros memoriais, como passarão à responsabilidade do governo local. Segundo Jan Fahlbusch, até agora valas comuns não eram reconhecidas legalmente como cemitérios. Consequentemente não eram protegidas contra novas construções e modificações. Tal proteção deve ser assegurada pelas instituições locais.

Nesse ínterim, continua a busca de vestígios e de testemunhas. E, naturalmente, o tempo não para. As testemunhas sobreviventes contam, atualmente, 80 ou mesmo 90 anos de idade, e as pesquisas são uma corrida contra o tempo, diz William Mengebier, da organização francesa Yahad in Unum.

Mesmo assim: "Em 2011, nossa equipe deve fazer 15 viagens de pesquisa e bater à portas, nas ruelas de povoados remotos da Ucrânia, Belarus, Rússia e Polônia, perguntando aos mais idosos: Você viveu aqui durante a guerra?".

Autora: Cornelia Rabitz (np)
Revisão: Augusto Valente

Fonte: Deutsche Welle (versão pt-br)
http://www.dw-world.de/dw/article/0,,14798887,00.html

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

‘Dia D’, de Antony Beevor. A verdade sobre a Normandia

Antony Beevor volta a fazê-lo. Conseguiu, em pouco menos de vinte dias chegou ao mais alto posto nas listas de venda com seu último ensaio, "Dia D", sobre o desembarque na Normandia das forças aliadas durante a II Guerra Mundial. O livro saiu à venda na Espanha no último dia 10 e é editado pela Editorial Crítica.

Beevor declarou que a batalha da Normandia tem sido mitificada por culpa do cinema e da televisão, e que muita gente tem um conceito errôneo do que na realidade significou o desembarque das tropas aliadas, sem conseguir distinguir realidade e ficção.

"Não foram heróis todos os que participaram do desembarque da Normandia"
Com este livro, Antony Beevor pretende desmontar esta imagem irreal de uma das batalhas mais famosas da história. Ele nos fala das vítimas civis, os franceses que sofriam baixas por parte dos dois lados rivais, o penoso avanço pelo território francês, as miseráveis dimensões entre os chefes militares, e o pior de qualquer guerra: os feridos, os desnudos e os mortos.

Através de cartas privadas, diários de soldados e antigas entrevistas, o historiador pode reconstruir este sangrento episódio de nossa história, da história de todos. Beevor continua com sua particular mescla de rigor histórico junto a uma especial habilidade para se conectar com os protagonistas da história, conseguindo um complexo equilíbrio entre os aspectos pessoais e os detalhes bélicos da contenda.

Antony Beevor, educado em Winchester e Sandhurst, foi oficial regular do exército britânico. Abandonou o exército depois de cinco anos de serviço e se mudou pra Paris, onde escreveu sua primeira novela. Seus ensaios, traduzidos para mais de trinta idiomas e publicados em castelhano pela Ed. Crítica, foram recompensados com vários prêmios, especialmente Stalingrado (2000), merecedor do Samuel Johnson Prize, o Wolfson History Prize e o Hawthornden Prize, e Berlim. A queda, 1945 (2002), que ficou conhecido em uma dúzia de edições em espanhol.

"O perigo é que o conhecimento histórico da maioria das pessoas procede de filmes e séries de televisão, mais que dos livros. Vivemos numa sociedade pós-literária onde a imagem é mais importante e poderosa que a palavra."
Se vocês gostam de historia, como eu, estão com sorte, e isso que a história contemporânea não é minha favorita. Beevor consegue engatar com seus livros como se fossem a melhor das novelas. Além disso, estou de acordo com a frase que se diz de ‘uma sociedade pós-literária’, na qual muitas vezes se dá por certo verdades pelo simples fato de vê-las na televisão. Por certo, vale a pena dar uma olhada na página do livro na editora já que inclui bastante informação adicional.

Um livro, enfim, para disfrutar da história.

Via | Europa Press

Fonte: Papel en blanco(Espanha)
http://www.papelenblanco.com/ensayo/el-dia-d-de-antony-beevor-la-verdad-sobre-normandia
Tradução: Roberto Lucena

Ver mais:
Beevor's D-Day (The Telegraph, Reino Unido)

domingo, 23 de janeiro de 2011

Claude Lanzmann: "Na Europa ninguém diz 'holocausto'"

"Ao invés disso --explica o realizador do documentário "Shoah" que busca a verdade dos horrores do nazismo, relançado nos Estados Unidos-- dizem: 'Foi uma catástrofe, um desastre'."

POR LARRY ROHTER - The New York Times

25 ANOS DEPOIS. O filme de Claude Lanzmann
volta aos cinemas nos Estados Unidos.
Transcorrido um quarto de século desde o documentário "Shoah" de Claude Lanzmann transformou a maneira na qual o mundo via o Holocausto, o filme voltou a ser relançado recentemente nos Estados Unidos, um fato que para o débio ocorrer faz tempo.

Lamenta-se de que, ao contrário da Europa, onde "Shoah" "nunca foi deixado de ser exibido nos cinemas e na televisão", seu filme "desapareceu" nos Estados Unidos, trocada por material mais digerível permitindo que se propagassem noções erradas.

Além disso, Lanzmann, de 85 anos, também sustenta que o "Holocausto" é um termo "totalmente inapropriado" para descrever o extermínio de seis milhões de judeus pelos nazis durante a Segunda Guerra Mundial. "Não foi de forma alguma um holocausto", disse durante uma recente visita à Nova York, assinalando que o sentido literal se refere a um sacrifício oferecido a um deus.

"Para chegar a Deus ofereceram um milhão e meio de crianças judias? O nome disso é desastre, e na Europa ninguém diz `Holocausto’.

Isto foi uma catástrofe, um desastre, e isso é `shoah’ em hebraico".

Lanzmann é um judeu francês que se uniu à Resistência quando era adolescente e logo foi editor de Les Temps Modernes(Os Tempos Modernos), a revista cultural e filosófica fundada por Jean-Paul Sartre.

Disse que o Holocausto se apoderou de quando começou a fazer seu filme em 1973.

"Uma vez que comecei, não pude parar", disse. "Durante os 12 anos que levou pra fazer `Shoah’ foi como um cego".

Com apenas um pouco mais de nove horas e 25 minutos, "Shoah" é tomada de mais de 300 horas de filmagem. "Shoah" não deve ser considerada um documentário, disse, "porque não registrei uma realidade pré-existente ao filme, eu tive que criar essa realidade", a partir do que ele chama de "uma espécie de coro de vozes e rostos emergentes, de muitos assassinos, vítimas e observadores".

"Shoah" é uma referência para as representações visuais do Holocausto. Desde sua estréia em 1985 se produziram, naturalmente, muitos filmes que levaram o Holocausto à ficção, entre outros como "A vida é bela" de Roberto Benigni, ganhadora do Oscar, que Lanzmann desestima e "A lista de Schindler" de Steven Spielberg, que ele considera perniciosa. O filme de Spielberg é "muito sentimental", disse.

"É falso", agregou, porque propõe um final edificante. Também impacientam a Lanzmann os esforços em explicar o Holocausto. "Perguntar por que mataram os judeus é uma pergunta que mostra de imediato sua própria obscenidade", disse.

O mundo também mudou consideravelmente desde a estréia original de "Shoah". O governo do Irã e o Instituto de Revisão Histórica propiciam abertamente a negação do Holocausto; por outro lado, genocídios mais recentes na Bósnia, Ruanda e Darfur poderiam ter atenuado o caráter único ou a força do impacto do Holocausto. "A gente fala de `soup nazi’ (nazi da sopa), ou se você não gosta o tipo de depósito de animais, chama de `a Gestapo’", disse Abraham H. Foxman, diretor nacional da Liga Antidifamação. Isto mina o significado da tragédia, que é o que o relançamento de ‘Shoah’ oferece, uma muito importante e significante oportunidade de refocá-la.”

Lanzmann também fez três filmes-satélites de "Shoah", com uma duração não maior que uma hora e meia, e está trabalhando em outra. Publicou assim mesmo, recentemente, uma autobiografía "La liebre de la Patagonia"(A lebre da Patagônia) que foi best-seller na França.

"A maioria das pessoas que entrevistei morreram", disse.

"Mas `Shoah’, o filme, não está morto."

Fonte: Revista de Cultura(Clarín.com, Argentina)
http://www.revistaenie.clarin.com/escenarios/cine/Documental_de_Claude_Lanzmann_0_412758933.html
Tradução: Roberto Lucena

Ver mais: A matéria completa no NYT
Maker of ‘Shoah’ Stresses Its Lasting Value (The New York Times, EUA)

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Biografia mostra Goebbels perturbado e em busca de reconhecimento

'Vocês querem a guerra total?',
perguntava Goebbels após a
derrota de Stalingrado
Joseph Goebbels foi o arquiteto da propaganda nazista. Um historiador teve pela primeira vez acesso a todos os diários do ministro da Propaganda de Hitler e concluiu que ele era uma pessoa perturbada e dependente.

Em fevereiro de 1943, quando a derrota de Estalingrado tornara evidente que seria absurdo prosseguir a Segunda Guerra Mundial e que a Alemanha não tinha como vencê-la, o ministro da Propaganda do Reich, Joseph Goebbels, fez um comício no Sportpalast de Berlim, perguntando ao microfone: "Vocês querem a guerra total?". "Sim", gritou a massa em uníssono.


Grave transtorno de personalidade

Goebbels discursa para 100 mil
pessoas em Zweibrücken, em 1934
Esse era o ponto forte de Joseph Goebbels. O ministro da Propaganda de Hitler sabia como mobilizar as massas, inflamá-las e manipulá-las a serviço da ideologia nazista. Eram famosas as suas incitações contra os judeus, com as quais ele preparara o terreno para a política de extermínio nacional-socialista.

Em sua biografia de 900 páginas Joseph Goebbels - Biographie, o historiador Peter Longerich esboça, no entanto, um Goebbels bem distinto do homem poderoso do regime nazista. Longerich foi o primeiro historiador a investigar todos os diários de Goebbels que restaram. Em suas anotações de 1924 até o seu suicídio em 1945, o político registrou pensamentos, observações e acontecimentos, escrevendo assim uma cronologia do nazismo através de uma ótica pessoal.

A partir desses testemunhos, Longerich reúne indícios de que Goebbels sofria de um grave transtorno de personalidade. O grande propagador do nazismo buscava de forma extrema o reconhecimento por parte de outras pessoas, indica o historiador.

Uma possível origem disso pode ter sido a deficiência provinda de uma doença da medula óssea em sua infância. Goebbels tinha baixa estatura e era aleijado. Durante toda a vida, o estrategista de Hitler lutou por reconhecimento, mesmo que se mostrasse forte e superior.

Uma religião chamada nacional-socialismo

Nascido na Renânia, uma região predominantemente católica, Goebbels se afastou da religião desde cedo. E o nacional-socialismo acabou se tornando para ele um substituto da religião. Seu novo redentor se chamava Adolf Hitler.

"Ao que tudo indica, ele considerava Hitler realmente um enviado de Deus, um homem com habilidades super-humanas", explica Longerich a completa fixação de Goebbels em seu ídolo. O partido e Hitler lhe propiciaram a ascenção social e o reconhecimento que ele ansiava. E assim Goebbels se tornou o mais leal adepto e uma pessoa de absoluta confiança do ditador nazista.

Em sua biografia, Longerich traça a trajetória de Goebbels desde o início de sua carreira fracassada como escritor e jornalista doutorado, passando pela fase em que ele se tornou um agitador do movimento nacional-socialista. O livro acompanha seu percurso como ministro da Propaganda do Reich, uma função na qual procurou obter domínio completo sobre a cultura e a opinião pública, e por fim como plenipotenciário da "guerra total".

A receita de sucesso de Goebbels foi usar e aperfeiçoar os métodos da agitação de massa empregados nas disputas eleitorais da República de Weimar. Quanto à mídia, conseguiu mantê-la sob controle por meio da censura.

Fixação em Hitler

Ao assumir o controle sobre todos os âmbitos da cultura, do teatro ao cinema, passando pela música, ele se projetou como político cultural. O biógrafo Longerich considera peculiar essa posição de poder que Goebbels insistiu em assumir. "Embora ele certamente tenha sido a figura dominante da propaganda nazista, nunca conseguiu controlar absolutamente o aparato. Medido por seus próprios padrões de qualidade, no fundo não foi tão longe".

Mas sem o ministro da Propaganda Goebbels, responsável por ter estabelecido Hitler como uma "marca", a política nazista jamais teria tido o alcance que teve. O estrategista recorreu ao lema "Um Führer – Um Povo", usando virtuosamente as mídias novas da época, o rádio e o cinema, como canais de manipulação.

Magda, esposa de Goebbels,
com seus filhos
A biografia de Longerich esboça o retrato de um homem que sacrificaria tudo para obter reconhecimento e êxito, até mesmo sua própria família. Em 1º de maio de 1945, pouco depois de Hitler se matar e alguns dias antes de a Alemanha capitular, Goebbels e sua mulher Magda cometeram suicídio.

Pouco antes, o casal assassinara seus seis filhos. Esse cínico homicídio colocou um ponto final desesperado a uma vida de identificação incondicional com Adolf Hitler.

Autora: Sigrid Hoff (sl)
Revisão: Alexandre Schossler

Fonte: Deutsche Welle (versão pt-br)
http://www.dw-world.de/dw/article/0,,6290524,00.html

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

A desonestidade de Kues sobre Kruk

Thomas Kues cita* esta entrada do diário de Kruk acerca de Minsk:
No gueto de Minsk, de 3.000 a 4.000 judeus vivem agora lá. Próximo ao gueto fica outro gueto. No primeiro guero estão judeus russos de Minsk, Slutsk, Baranovitsh, etc. No segundo, há ao todo 1.500 judeus alemães e tchecos.
Kues afirma que "Kruk sabia desta informação de dois indivíduos que haviam estado recentemente em Minsk." No entanto, Kruk (p.570) escreve sobre estes dois indivíduos que:

Ambos partiram e retornaram com...nada. Em Minsk não foi permitido que eles entrassem no gueto e primeiro antes de tudo fora dito a eles que não lhes era permitido falar com qualquer um.
O relatório de Kruk e seus 'achados' é claramente apresentado neste contexto, o qual Kues omite. Kues não conta a seus leitores que a visita foi feita sob supervisão da Gestapo. Dado que Kues está disposto a recorrer a tão óbvia e deliberada fraude, como fica sua reputação?

*Nota da tradução: o site inconvenienthistory é um site revinazi, ou como os negacionistas se autoproclamam "revisionista".

Fonte: Holocaust Controversies
http://holocaustcontroversies.blogspot.com/2011/01/kues-dishonesty-about-kruk.html
Texto: Jonathan Harrison
Tradução: Roberto Lucena