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Post de: 7 de fev de 2013 (atualizado em 13.03.13)
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013
terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
Entre a suástica e a palmatória - Fazenda nazi
Nos anos 1930, órfãos eram escravizados em fazenda no interior de São Paulo por simpatizantes do nazismo
Alice Melo
1/1/2012
Boi premiado e ficha de documentação de gado da Fazenda Cruzeiro do Sul na década de 1930.Uma briga de porcos derrubou a primeira barreira que encobria uma história existente apenas nas lembranças de velhos personagens. O obstáculo rompido nos idos da década de 1990 era a parede gasta de um chiqueiro imundo que outrora fora habitado por empregados de uma fazenda localizada no município de Paranapanema, interior de São Paulo. A Cruzeiro do Sul, que hoje beira os 72 hectares de terra. Na ocasião, quem tentava conter os suínos em sua disparada era Tatão, então proprietário das terras, e seu empregado, Aparecido. A dupla falhou ao apartar a rixa; os bichos abriram um buraco na parede e escaparam rumo ao capinzal numa corrida ensurdecedora. Aparecido seguiu os porcos para evitar prejuízo, mas Tatão permaneceu atônito no chiqueiro destruído. Os tijolos maciços caídos no chão, antes encobertos pela argamassa, revelaram ao homem a marca inconfundível, cravada no centro de um losango: a suástica nazista.
“Eu chamei: hômi, volta aqui, hômi, vem ver isso”, lembra Tatão – apelido de José Ricardo Rosa – fixando os olhos verdes no horizonte, entre uma e outra baforada no seu tradicional cigarro de palha. “Quando ele chegou, eu mostrei a marca pra ele. Ele me disse que era a marca do tijolo. Eu falei: como assim? É a marca da Alemanha! E ele disse que não, era a marca do tijolo. Por anos, eu fui ridicularizado na cidade. Ninguém desconfiava que aquele tijolo, com aquela marca, era a prova de que existiu, naquela fazenda, uma filosofia nazista no passado.”
A descoberta do tropeiro permaneceu como peça solta de um quebra-cabeça complexo até 1998, quando a enteada de Tatão, Suzane, durante uma aula sobre a Segunda Guerra Mundial, reconheceu, nas imagens do livro didático, a marca encontrada nos tijolos de sua fazenda, e avisou ao professor. O historiador Sidney Aguilar Filho, que trabalhava na cidade de São Roque, a 160 quilômetros da fazenda, não acreditou na história da menina. Foi preciso que ela levasse o material na aula seguinte para que ele iniciasse uma investigação. Esta durou dez anos e culminou na tese de doutorado “Educação, autoritarismo e eugenia: exploração do trabalho e violência à infância desamparada no Brasil (1930-1945)”, defendida na Unicamp em 2011. Com aquele objeto em mãos, o pesquisador rumou à região e se instalou no município vizinho, Campina do Monte Alegre, ou Campininha – cidade hoje com 5 mil habitantes. Lá, teceu os primeiros fios de uma teia tortuosa de significados. Em meio a polêmicas, a teia liga a simbologia nazista presente na propriedade rural a um contexto de simpatia a ideais de racismo e autoritarismo no Brasil das décadas de 1930 e 1940.
Entrevistando moradores antigos da cidade e revirando arquivos Brasil adentro, Aguilar Filho se deparou com um caso tão curioso quanto o dos tijolos marcados com a suástica: a escravização de 50 garotos órfãos, na maioria negros, numa propriedade rural vizinha. A Fazenda Santa Albertina, com extensão estimada em quase 4 mil hectares de terra. Para sua surpresa, descobriu que tanto a Santa Albertina quanto a Cruzeiro do Sul pertenciam à mesma família no passado: Rocha Miranda. Família tradicional, cujos membros viviam no Rio de Janeiro há gerações, mas mantinham quatro propriedades rurais no interior de São Paulo. Osvaldo, Otávio, Sérgio e Renato Rocha Miranda repartiram as terras do pai, Luís, depois que ele faleceu, em 1915. O caso ilustra, na prática, o ideário eugênico relacionado principalmente à educação por meio do trabalho que permeava o país naquele momento [ver artigo...página XX]. 59 alqueires
Ao que tudo indica, Osvaldo Rocha Miranda, ex-proprietário da Santa Albertina, um dos “benfeitores” do orfanato masculino carioca Romão de Mattos Duarte, que pertence até hoje à Irmandade de Misericórdia, no Rio de Janeiro, escolhia as crianças pessoalmente e as retirava para trabalhar em suas terras sob um contrato de tutelato. O documento tinha o aval tanto do juiz de menores da época quanto da madre superiora da instituição. Os meninos que não fugiram ou morreram permaneceram na localidade entre 1933 e 1945. Nunca receberam salário e, por vezes, eram submetidos a castigos corporais. Trabalhavam na lavoura junto aos adultos. Não tinham nomes, eram chamados por números, e permaneciam sob vigilância constante de um capataz. Este levava consigo instrumentos para castigar fisicamente os meninos e andava sempre acompanhado de dois cães pastores-alemães adestrados: Fiança e Veneno.
A ligação entre as fazendas Cruzeiro do Sul e Santa Albertina, além de familiar, é ideológica. Por mais que as histórias sejam distintas, elas se cruzam em determinados pontos. Os irmãos eram simpáticos à ideologia autoritária: Sérgio Rocha Miranda marcava com a suástica tijolos da estrutura de todas as construções da fazenda, o lombo do gado de exposição, a bandeira da propriedade, que era erguida no mastro, ao lado das bandeiras do Estado de São Paulo e do Brasil. Já o irmão Osvaldo era membro da Câmara dos Quarenta da Ação Integralista Brasileira, com outros dois irmãos, também proprietários de terras na mesma região. Em sua fazenda, os órfãos, mesmo sem ter sapatos, recebiam uniforme de cor verde, engomado, contendo o sigma integralista na braçadeira e no chapéu, para ir a festas nos fins de semana na cocheira da fazenda Cruzeiro do Sul. Os moradores da Santa Albertina, segundo relatos de pessoas que viveram ali, se cumprimentavam gritando “Anauê”, com a mão erguida acima da cabeça.
A história, além de aparecer em vestígios deixados em documentação da época, como o livro de entrada e saída de órfãos no educandário, está ativa na memória de seu Aloísio Silva. Durante décadas, ele foi chamado de “Vinte e Três”. Seu Aloísio tem 89 anos, mora em Campininha. Nesta cidade, morou a maior parte dos órfãos que, de um dia para o outro, foram “liberados”, de acordo com o termo usado por seu Aloísio. Com a doença e posterior morte de Osvaldo Rocha Miranda, em 1945 – período que coincide com a derrocada dos ideários autoritários no Brasil e, principalmente, na Alemanha nazista, país com o qual os Rocha Miranda mantinham relações comerciais estreitas –, o jovem herdeiro, Renato Rocha Miranda Filho (sobrinho de Osvaldo e Sérgio, que morreram solteiros, sem deixar filhos) liberou o grupo, agora já adulto. Sem rumo ou qualquer dinheiro, alguns ficaram pela região e voltaram a trabalhar para a família, como Aloísio e os falecidos José Alves de Almeida, o “Dois”, e Roque. Outros tentaram a sorte longe dali, muitos morreram no caminho.
Em um primeiro encontro, seu Aloísio pode parecer um homem de poucas palavras. As rugas profundas na face e as mãos ainda calejadas mostram o passado de muito trabalho debaixo de sol quente. Na fazenda, quando pequeno, cuidava dos animais, penteava a crina dos cavalos, capinava. Hoje em dia, seu Aloísio vai ao baile da terceira idade todo domingo. Não bebe, tampouco fuma. Nem sempre foi assim, era homem brabo, chegado à pinga – as pessoas da região o chamavam, à época, de “Nego Bêbo". Com o tempo e a curiosidade do povo, ele ganhou amigos para conversar. A memória antes soterrada pelos anos passou a ser pulsante, e hoje ele já consegue falar da infância com tranquilidade. Se no passado era “Nego Bêbo”, agora Aloísio Silva é respeitado na cidade. Ele se diz revoltado, injustiçado. Reclama que, ao ter sido tirado do Rio de Janeiro, naquele 16 de novembro de 1933, todas as chances de conhecer sua mãe foram por água abaixo. Só soube o nome dela, Maria Augusta, depois que o professor Sidney lhe mostrou a documentação encontrada no arquivo do educandário. Certidão de nascimento mesmo, os meninos não tinham. Seu Aloísio acha que foram queimadas quando eles chegaram à fazenda, já que, ao serem levados do Rio de Janeiro, cada um tinha o próprio registro de identidade.
A história contada por ele é rica em detalhes: a primeira leva de dez meninos do orfanato Romão Duarte foi escolhida a dedo por Osvaldo Rocha Miranda, com auxílio de seu motorista, André: “Ele recuou nós tudo num canto, no quintal de brincar. Aí colocou nós empilhado ali e ficou no passadiço em cima, com um saco de bala. Aí, de lá de cima, o major Osvaldo Rocha Miranda jogava um punhado de bala. E nós ia catar que nem galinha catando milho”, lembra com amargura. “Nós não sabia de nada... Então ele ia olhando e apontava com uma vara: André, põe esse pra lá, põe esse pra cá. Ele apartou dez da nossa turma. Na segunda vez que ele jogou as balas, nós já foi catar tudo com medo, assombrado, olhando pra cima. Nós não sabia o que ia fazer com nós. Depois que ele fez a escolha dele, falou: André, solta os outros”, conta. Os mais rápidos, espertos e fortes eram selecionados para o grupo da fazenda – critério muito semelhante ao utilizado para separar os prisioneiros que trabalhariam dos que morreriam nos campos de concentração nazistas, mantidos pelos alemães justamente no mesmo período.
Vestindo seu habitual chapéu de feltro preto e calçando botinas de couro branco, Aloísio Silva revela, com momentos de silêncio profundo, que, depois de serem escolhidos, os meninos com idade entre 9 e 11 anos ficaram oito dias em estado de isolamento até serem levados por carros da polícia à estação de trem D. Pedro II, a Central do Brasil. A promessa era de uma vida boa no campo. Após pegar a maria-fumaça, os meninos foram até a estação Engenheiro Hermillo, em Campininha. “Quando chegamo na fazenda, já tinha um tutor lá – um paraibano ruim, ruim mermo – para tomar conta de nós. Andava com uma vara de marmelo e uma palmatória com cinco furos na ponta, pra caso de nós desobedecesse. Era uma vida muito difícil aqui naquele tempo. A mão da gente chegava a sangra que a gente nem conseguia escreve na escola no dia seguinte”. Em dia de sol quente, ficavam com os pés escaldados, mas não eram poupados da labuta.
Os 50 meninos foram em três levas para a Santa Albertina – entre 1933 e 1934. No primeiro ano, cursaram a quarta série na escola. Tinham aula com a professora Olívia, uma senhora muito boa que, “coitada, não podia fazer nada”, segundo seu Aloísio. Documentos redigidos por funcionários da delegacia de Itapetininga, na época, mostram que as fazendas do entorno também utilizavam o trabalho no campo como aliado à educação dos filhos de empregados. Mas, no caso dos órfãos do Romão Duarte, o esquema era diferente: eles permaneciam isolados dos demais moradores e só podiam deixar a propriedade acompanhados pelo capataz. Alguns meninos jogavam bola contra times da região, mas sempre vigiados.
Seu Carmo Gomes, morador de Campininha, hoje tem 78 anos. Ele era pequeno quando tudo aconteceu. Relata que assistia às partidas de futebol dos times das fazendas, gostava de ganhar doces comprados pelo vigia das crianças, que sempre pagava tudo em boró. “Dizem que eles não tinham salário, mas eu gosto até de esclarecer isso, porque tinha esse homão, o Icho, que ia na venda, e comprava pra nós gasosa (refrigerante), bala, rosca, doce. Comprava e pagava, mas pagava com um vale que tinha nome de boró. Naquele tempo, era o dinheiro da fazenda. Era o dinheiro que valia. Só tinha uma venda na cidade. Aí eles aceitavam o boró e depois trocavam por dinheiro no escritório”. Uma forma de disfarçar a escravidão: os vales, fora da região, não valiam nada.
Considerado o historiador de Campininha, seu Carmo conta a história das fazendas de maneira muito nostálgica. Ressalta, a todo o momento, o passado de alegria e felicidade, e como tudo era bonito e movimentado. “Nossa vida era muito alegre aqui, mesmo a dos meninos que vieram lá do Rio de Janeiro... Eu não sei a vida interna deles, porque eles não saíam muito, mas eles tinham o time de futebol, a escolinha, a banda...”. E conta que as crianças da Santa Albertina, nos fins de semana, iam às festas na Cruzeiro do Sul. Tocavam, faziam barulho para que os bois de raça – com nomes e devidamente registrados com documentos e certidões de nascimento, ao contrário das crianças – se acostumassem com multidões e não dessem trabalho nas competições, em feiras agropecuárias. “A gente via aqueles animais de raça, touro, cavalo, que iam para as exposições também, tudo com a marca da suástica no lombo, que nem o tijolo... A gente achava bonito, diferente”, relata.
Seu Carmo chegou a ser amigo de Renatinho, o Renato Rocha Miranda Filho, sobrinho de Osvaldo e Sérgio, herdeiro de suas fazendas, que também não se casou. Morreu solteiro e deixou as terras para dois sobrinhos e também para os filhos de um empregado que morava com ele, Manezinho, o primeiro marido de d. Senhorinha, a atual esposa de Tatão – o homem que encontrou os tijolos com o símbolo nazista. Os sobrinhos Rocha Miranda, vivos, moradores do Rio de Janeiro, não aceitaram dar entrevista até o fechamento desta reportagem. Eles estão consultando os advogados sobre o caso, porque discordam da história pesquisada por Aguilar Filho.
Uma descoberta recente, no entanto, só reforça a tese sobre a violência vivida pelos órfãos da Santa Albertina. No interior do Paraná, à beira do Rio Iguaçu, vive Marujo, um senhor de quase 90 anos que já passou por altos e baixos na sua trajetória surpreendente. De escravo na fazenda, Argemiro dos Santos virou herói nacional: serviu à Marinha durante a Segunda Guerra Mundial, venceu o inimigo trabalhando nas caldeiras de um navio e sobreviveu para contar a história – sua história. Foi também engraxate, mendigo, jogador de futebol, boxeador. Já adulto, acompanhava o carnaval nas ruas da “saudosa” Lapa, bebia, “corria atrás de um rabo de saia”. Toca trompete, ou pistom, como costuma dizer. Já fez parte de uma banda com integrantes da terceira idade embalando boleros, valsas e marchinhas de carnaval, tocando em aniversários e outras festas. Hoje, passa as tardes “tomando uma gelada” e contemplando o jardim na varanda de sua casa, ao lado da esposa, d. Guilhermina, com quem está casado há 61 anos.
Marujo deixou o tempo soterrar as lembranças de sua estada na Santa Albertina. Usou o trauma como força motriz de uma vida sofrida, sempre se superando, sem medo do que vinha pela frente. Nunca contou a história da infância para ninguém da família, que só soube do assunto há poucos meses, após a visita de Aguilar Filho e, recentemente, da Revista de História. Seu Argemiro fugiu da fazenda quando tinha 13 anos: um belo dia, esperou a noite cair e deu no pé. Ninguém mais soube dele. “Eu falei pra mim: vou cair é fora desse negócio! Fui andando, peguei um caminhão até a estação Engenheiro Hermillo e fiquei lá escondido. Quando apareceu o trem, eu fui lá e, pum! Entrei e fui parar em Sorocaba. Aí fiquei ali engraxando. Era jornaleiro, dormia num banco na praça. Mas logo caí fora, pensando em jogar futebol. Eu era bom de bola. Fui pra São Paulo”. Na capital, ouvindo o programa de rádio “Repórter Esso”, soube que a Marinha precisava de voluntários para a guerra. “Aí eu falei: opa! Se é pra morrer, vou morrer na guerra! Morrer sendo engraxate?”. E foi assim que Argemiro Santos virou Marujo. Fixou-se pela primeira vez na vida em Foz do Iguaçu. Chegou lá como voluntário numa expedição da Marinha. Um olheiro de futebol o chamou para jogar no time local, ABC. Logo se apaixonou, casou escondido, constituiu família e teve três filhos.
Na fazenda Santa Albertina, ele cuidava dos bichos e capinava. Lembra-se dos castigos com palmatória, do uniforme com marcas do integralismo que usava nos fins de semana e das festas na Cruzeiro do Sul, sempre regadas à cachaça. Confirma boa parte das lembranças narradas por Aloísio Silva. Conta com vivacidade sobre o cumprimento comum do dia a dia: “Anauê!”, grita ele esticando o braço. E explica: “Ah, isso era como bom dia. Bom dia! Anauê! Era assim que nós falava.” Apesar dos detalhes que vêm e vão à cabeça, seu Argemiro não se lembra de ser chamado por números, tampouco sabe o nome de qualquer funcionário da fazenda, criança ou adulto. Também nunca soube o nome da mãe. Tomou conhecimento disso só recentemente, quando descobriu que é mais velho do que pensava, pois foi deixado na roda dos enjeitados com 2 anos. Pelo menos é o que consta no registro das freiras do orfanato no dia 7 de abril de 1926, data em que comemora o nascimento.
“Quando ouço gente dizendo que sofreu, é porque não sabe pelo que eu passei. Tive uma vida muito dura antes de chegar aqui em Foz (do Iguaçu)”, lembra. Mas Marujo não se sente injustiçado e muito menos denomina o período na Santa Albertina como escravidão, assim como os moradores de Campininha.
“Nunca precisamos de nada.” Essa é a forma como d. Diva, nascida e criada em Campininha, que foi governanta na fazenda Santa Albertina, descreve sua situação trabalhista no passado. Mas dinheiro, ela não recebeu por muito tempo. Só foi receber salário no fim dos anos 1970, quando a administração mudou.
D. Diva é viúva de José Alves de Almeida, o Dois, o órfão que, depois de liberado, continuou trabalhando na Santa Albertina para o herdeiro, Renatinho: “Ele tinha tudo o que precisava, mandava e desmandava na fazenda. Seu Renato era muito bom, sempre dava roupa. Dinheiro que sobrava das compras.”O Dois vivia para cima e para baixo com o patrão. Seu Aloísio conta que José Alves chegou a estudar culinária no Rio de Janeiro depois de adulto, a mando da mãe de Renatinho, que “pegou ele pra criar”. “Ela levou o Dois pro Rio, ensinou a falar direito, escrever direito. Nós chamava ele de Zé Pretinho, porque ele era bem pretinho mesmo. O apelido pegou.”
Segundo o filho de José Alves de Almeida, Reginaldo, o apelido de Zé Pretinho é mais antigo. A madre superiora do orfanato foi quem começou a chamá-lo assim. Ele o criou desde pequeno até quando o menino foi mandado para a fazenda. Dois, ao que tudo indica, não fazia parte da criteriosa escolha de Osvaldo Rocha Miranda. Foi enviado junto com os outros porque “fez malcriação” para as freiras. Era para ele “aprender a se comportar”. Ao partir, deixou no Rio a irmã Judith, que chorou dias a fio, na parte feminina do educandário, de saudade do irmão. Eles voltaram a se encontrar depois de décadas, quando Dois já se chamava José Alves de Almeida, o cozinheiro da família Rocha Miranda.
Muito simpática, d. Diva é uma senhora de quase 80 anos, irmã da falecida d. Alice, cujo endereço profissional era a fazenda Retiro Feliz, propriedade de veraneio dos alemães Arndt von Bohlen Krupp e Annelise von Bohlen Krupp, mais conhecida como Madame. Antes da década de 1950, as terras pertenciam a Otávio Rocha Miranda, também membro da Ação Integralista Brasileira e irmão de Osvaldo e Sérgio. Arndt era um jovem da alta sociedade europeia, filho renegado de Alfried Krupp, um dos donos do conglomerado de empresas Krupp – conhecidas por produzirem armas de fogo utilizadas na Segunda Guerra. Coincidentemente, os Rocha Miranda tinham relações comerciais com essas empresas. Alfried, em 1948, foi condenado por exploração de mão de obra escrava na Alemanha.
Nas idas e vindas da memória, percebe-se que Campininha até hoje é marcada por vincos de silêncio sobre um passado incômodo. A opressão e a violência ainda se escondem dentro da parede maciça do esquecimento. Uma história suja, que começou a ser revelada por porcos. Quem saiu de lá, como Marujo, consegue revisitar o passado com menos rancor. Quem ficou, como seu Aloísio, tenta esconder as lembranças. Quando perguntado a respeito do momento mais marcante na fazenda, ele pensa, repensa e solta: “Sabe que... Nem triste, nem feliz. Para mim, aquele lugar nunca existiu.”
Saiba mais - Bibliografia
AGUILAR FILHO, Sidney. “Educação, autoritarismo e eugenia: exploração do trabalho e violência à infância desamparada no Brasil (1930-1945)”. Tese de doutorado. Campinas, SP: [s.n.], 2011.
www.bibliotecadigital.unicamp.br/document/?code=000807532&opt=4
AGRADECIMENTOS:
Seu Aloísio Santos, Ditinho, d. Diva, Tatão, d. Senhorinha, d. Gibinha, Sidney Aguilar Filho, seu Carmo Gomes, seu Argemiro Santos, Darley Santos, d. Guilhermina, Alexandre Palmar, Philippe Noguchi.
Fonte: Revista de História
http://www.revistadehistoria.com.br/secao/capa/entre-a-suastica-e-a-palmatoria-1
Alice Melo
1/1/2012
Boi premiado e ficha de documentação de gado da Fazenda Cruzeiro do Sul na década de 1930.Uma briga de porcos derrubou a primeira barreira que encobria uma história existente apenas nas lembranças de velhos personagens. O obstáculo rompido nos idos da década de 1990 era a parede gasta de um chiqueiro imundo que outrora fora habitado por empregados de uma fazenda localizada no município de Paranapanema, interior de São Paulo. A Cruzeiro do Sul, que hoje beira os 72 hectares de terra. Na ocasião, quem tentava conter os suínos em sua disparada era Tatão, então proprietário das terras, e seu empregado, Aparecido. A dupla falhou ao apartar a rixa; os bichos abriram um buraco na parede e escaparam rumo ao capinzal numa corrida ensurdecedora. Aparecido seguiu os porcos para evitar prejuízo, mas Tatão permaneceu atônito no chiqueiro destruído. Os tijolos maciços caídos no chão, antes encobertos pela argamassa, revelaram ao homem a marca inconfundível, cravada no centro de um losango: a suástica nazista.
“Eu chamei: hômi, volta aqui, hômi, vem ver isso”, lembra Tatão – apelido de José Ricardo Rosa – fixando os olhos verdes no horizonte, entre uma e outra baforada no seu tradicional cigarro de palha. “Quando ele chegou, eu mostrei a marca pra ele. Ele me disse que era a marca do tijolo. Eu falei: como assim? É a marca da Alemanha! E ele disse que não, era a marca do tijolo. Por anos, eu fui ridicularizado na cidade. Ninguém desconfiava que aquele tijolo, com aquela marca, era a prova de que existiu, naquela fazenda, uma filosofia nazista no passado.”
A descoberta do tropeiro permaneceu como peça solta de um quebra-cabeça complexo até 1998, quando a enteada de Tatão, Suzane, durante uma aula sobre a Segunda Guerra Mundial, reconheceu, nas imagens do livro didático, a marca encontrada nos tijolos de sua fazenda, e avisou ao professor. O historiador Sidney Aguilar Filho, que trabalhava na cidade de São Roque, a 160 quilômetros da fazenda, não acreditou na história da menina. Foi preciso que ela levasse o material na aula seguinte para que ele iniciasse uma investigação. Esta durou dez anos e culminou na tese de doutorado “Educação, autoritarismo e eugenia: exploração do trabalho e violência à infância desamparada no Brasil (1930-1945)”, defendida na Unicamp em 2011. Com aquele objeto em mãos, o pesquisador rumou à região e se instalou no município vizinho, Campina do Monte Alegre, ou Campininha – cidade hoje com 5 mil habitantes. Lá, teceu os primeiros fios de uma teia tortuosa de significados. Em meio a polêmicas, a teia liga a simbologia nazista presente na propriedade rural a um contexto de simpatia a ideais de racismo e autoritarismo no Brasil das décadas de 1930 e 1940.
Entrevistando moradores antigos da cidade e revirando arquivos Brasil adentro, Aguilar Filho se deparou com um caso tão curioso quanto o dos tijolos marcados com a suástica: a escravização de 50 garotos órfãos, na maioria negros, numa propriedade rural vizinha. A Fazenda Santa Albertina, com extensão estimada em quase 4 mil hectares de terra. Para sua surpresa, descobriu que tanto a Santa Albertina quanto a Cruzeiro do Sul pertenciam à mesma família no passado: Rocha Miranda. Família tradicional, cujos membros viviam no Rio de Janeiro há gerações, mas mantinham quatro propriedades rurais no interior de São Paulo. Osvaldo, Otávio, Sérgio e Renato Rocha Miranda repartiram as terras do pai, Luís, depois que ele faleceu, em 1915. O caso ilustra, na prática, o ideário eugênico relacionado principalmente à educação por meio do trabalho que permeava o país naquele momento [ver artigo...página XX]. 59 alqueires
Ao que tudo indica, Osvaldo Rocha Miranda, ex-proprietário da Santa Albertina, um dos “benfeitores” do orfanato masculino carioca Romão de Mattos Duarte, que pertence até hoje à Irmandade de Misericórdia, no Rio de Janeiro, escolhia as crianças pessoalmente e as retirava para trabalhar em suas terras sob um contrato de tutelato. O documento tinha o aval tanto do juiz de menores da época quanto da madre superiora da instituição. Os meninos que não fugiram ou morreram permaneceram na localidade entre 1933 e 1945. Nunca receberam salário e, por vezes, eram submetidos a castigos corporais. Trabalhavam na lavoura junto aos adultos. Não tinham nomes, eram chamados por números, e permaneciam sob vigilância constante de um capataz. Este levava consigo instrumentos para castigar fisicamente os meninos e andava sempre acompanhado de dois cães pastores-alemães adestrados: Fiança e Veneno.
A ligação entre as fazendas Cruzeiro do Sul e Santa Albertina, além de familiar, é ideológica. Por mais que as histórias sejam distintas, elas se cruzam em determinados pontos. Os irmãos eram simpáticos à ideologia autoritária: Sérgio Rocha Miranda marcava com a suástica tijolos da estrutura de todas as construções da fazenda, o lombo do gado de exposição, a bandeira da propriedade, que era erguida no mastro, ao lado das bandeiras do Estado de São Paulo e do Brasil. Já o irmão Osvaldo era membro da Câmara dos Quarenta da Ação Integralista Brasileira, com outros dois irmãos, também proprietários de terras na mesma região. Em sua fazenda, os órfãos, mesmo sem ter sapatos, recebiam uniforme de cor verde, engomado, contendo o sigma integralista na braçadeira e no chapéu, para ir a festas nos fins de semana na cocheira da fazenda Cruzeiro do Sul. Os moradores da Santa Albertina, segundo relatos de pessoas que viveram ali, se cumprimentavam gritando “Anauê”, com a mão erguida acima da cabeça.
A história, além de aparecer em vestígios deixados em documentação da época, como o livro de entrada e saída de órfãos no educandário, está ativa na memória de seu Aloísio Silva. Durante décadas, ele foi chamado de “Vinte e Três”. Seu Aloísio tem 89 anos, mora em Campininha. Nesta cidade, morou a maior parte dos órfãos que, de um dia para o outro, foram “liberados”, de acordo com o termo usado por seu Aloísio. Com a doença e posterior morte de Osvaldo Rocha Miranda, em 1945 – período que coincide com a derrocada dos ideários autoritários no Brasil e, principalmente, na Alemanha nazista, país com o qual os Rocha Miranda mantinham relações comerciais estreitas –, o jovem herdeiro, Renato Rocha Miranda Filho (sobrinho de Osvaldo e Sérgio, que morreram solteiros, sem deixar filhos) liberou o grupo, agora já adulto. Sem rumo ou qualquer dinheiro, alguns ficaram pela região e voltaram a trabalhar para a família, como Aloísio e os falecidos José Alves de Almeida, o “Dois”, e Roque. Outros tentaram a sorte longe dali, muitos morreram no caminho.
Em um primeiro encontro, seu Aloísio pode parecer um homem de poucas palavras. As rugas profundas na face e as mãos ainda calejadas mostram o passado de muito trabalho debaixo de sol quente. Na fazenda, quando pequeno, cuidava dos animais, penteava a crina dos cavalos, capinava. Hoje em dia, seu Aloísio vai ao baile da terceira idade todo domingo. Não bebe, tampouco fuma. Nem sempre foi assim, era homem brabo, chegado à pinga – as pessoas da região o chamavam, à época, de “Nego Bêbo". Com o tempo e a curiosidade do povo, ele ganhou amigos para conversar. A memória antes soterrada pelos anos passou a ser pulsante, e hoje ele já consegue falar da infância com tranquilidade. Se no passado era “Nego Bêbo”, agora Aloísio Silva é respeitado na cidade. Ele se diz revoltado, injustiçado. Reclama que, ao ter sido tirado do Rio de Janeiro, naquele 16 de novembro de 1933, todas as chances de conhecer sua mãe foram por água abaixo. Só soube o nome dela, Maria Augusta, depois que o professor Sidney lhe mostrou a documentação encontrada no arquivo do educandário. Certidão de nascimento mesmo, os meninos não tinham. Seu Aloísio acha que foram queimadas quando eles chegaram à fazenda, já que, ao serem levados do Rio de Janeiro, cada um tinha o próprio registro de identidade.
A história contada por ele é rica em detalhes: a primeira leva de dez meninos do orfanato Romão Duarte foi escolhida a dedo por Osvaldo Rocha Miranda, com auxílio de seu motorista, André: “Ele recuou nós tudo num canto, no quintal de brincar. Aí colocou nós empilhado ali e ficou no passadiço em cima, com um saco de bala. Aí, de lá de cima, o major Osvaldo Rocha Miranda jogava um punhado de bala. E nós ia catar que nem galinha catando milho”, lembra com amargura. “Nós não sabia de nada... Então ele ia olhando e apontava com uma vara: André, põe esse pra lá, põe esse pra cá. Ele apartou dez da nossa turma. Na segunda vez que ele jogou as balas, nós já foi catar tudo com medo, assombrado, olhando pra cima. Nós não sabia o que ia fazer com nós. Depois que ele fez a escolha dele, falou: André, solta os outros”, conta. Os mais rápidos, espertos e fortes eram selecionados para o grupo da fazenda – critério muito semelhante ao utilizado para separar os prisioneiros que trabalhariam dos que morreriam nos campos de concentração nazistas, mantidos pelos alemães justamente no mesmo período.
Vestindo seu habitual chapéu de feltro preto e calçando botinas de couro branco, Aloísio Silva revela, com momentos de silêncio profundo, que, depois de serem escolhidos, os meninos com idade entre 9 e 11 anos ficaram oito dias em estado de isolamento até serem levados por carros da polícia à estação de trem D. Pedro II, a Central do Brasil. A promessa era de uma vida boa no campo. Após pegar a maria-fumaça, os meninos foram até a estação Engenheiro Hermillo, em Campininha. “Quando chegamo na fazenda, já tinha um tutor lá – um paraibano ruim, ruim mermo – para tomar conta de nós. Andava com uma vara de marmelo e uma palmatória com cinco furos na ponta, pra caso de nós desobedecesse. Era uma vida muito difícil aqui naquele tempo. A mão da gente chegava a sangra que a gente nem conseguia escreve na escola no dia seguinte”. Em dia de sol quente, ficavam com os pés escaldados, mas não eram poupados da labuta.
Os 50 meninos foram em três levas para a Santa Albertina – entre 1933 e 1934. No primeiro ano, cursaram a quarta série na escola. Tinham aula com a professora Olívia, uma senhora muito boa que, “coitada, não podia fazer nada”, segundo seu Aloísio. Documentos redigidos por funcionários da delegacia de Itapetininga, na época, mostram que as fazendas do entorno também utilizavam o trabalho no campo como aliado à educação dos filhos de empregados. Mas, no caso dos órfãos do Romão Duarte, o esquema era diferente: eles permaneciam isolados dos demais moradores e só podiam deixar a propriedade acompanhados pelo capataz. Alguns meninos jogavam bola contra times da região, mas sempre vigiados.
Seu Carmo Gomes, morador de Campininha, hoje tem 78 anos. Ele era pequeno quando tudo aconteceu. Relata que assistia às partidas de futebol dos times das fazendas, gostava de ganhar doces comprados pelo vigia das crianças, que sempre pagava tudo em boró. “Dizem que eles não tinham salário, mas eu gosto até de esclarecer isso, porque tinha esse homão, o Icho, que ia na venda, e comprava pra nós gasosa (refrigerante), bala, rosca, doce. Comprava e pagava, mas pagava com um vale que tinha nome de boró. Naquele tempo, era o dinheiro da fazenda. Era o dinheiro que valia. Só tinha uma venda na cidade. Aí eles aceitavam o boró e depois trocavam por dinheiro no escritório”. Uma forma de disfarçar a escravidão: os vales, fora da região, não valiam nada.
Considerado o historiador de Campininha, seu Carmo conta a história das fazendas de maneira muito nostálgica. Ressalta, a todo o momento, o passado de alegria e felicidade, e como tudo era bonito e movimentado. “Nossa vida era muito alegre aqui, mesmo a dos meninos que vieram lá do Rio de Janeiro... Eu não sei a vida interna deles, porque eles não saíam muito, mas eles tinham o time de futebol, a escolinha, a banda...”. E conta que as crianças da Santa Albertina, nos fins de semana, iam às festas na Cruzeiro do Sul. Tocavam, faziam barulho para que os bois de raça – com nomes e devidamente registrados com documentos e certidões de nascimento, ao contrário das crianças – se acostumassem com multidões e não dessem trabalho nas competições, em feiras agropecuárias. “A gente via aqueles animais de raça, touro, cavalo, que iam para as exposições também, tudo com a marca da suástica no lombo, que nem o tijolo... A gente achava bonito, diferente”, relata.
Seu Carmo chegou a ser amigo de Renatinho, o Renato Rocha Miranda Filho, sobrinho de Osvaldo e Sérgio, herdeiro de suas fazendas, que também não se casou. Morreu solteiro e deixou as terras para dois sobrinhos e também para os filhos de um empregado que morava com ele, Manezinho, o primeiro marido de d. Senhorinha, a atual esposa de Tatão – o homem que encontrou os tijolos com o símbolo nazista. Os sobrinhos Rocha Miranda, vivos, moradores do Rio de Janeiro, não aceitaram dar entrevista até o fechamento desta reportagem. Eles estão consultando os advogados sobre o caso, porque discordam da história pesquisada por Aguilar Filho.
Uma descoberta recente, no entanto, só reforça a tese sobre a violência vivida pelos órfãos da Santa Albertina. No interior do Paraná, à beira do Rio Iguaçu, vive Marujo, um senhor de quase 90 anos que já passou por altos e baixos na sua trajetória surpreendente. De escravo na fazenda, Argemiro dos Santos virou herói nacional: serviu à Marinha durante a Segunda Guerra Mundial, venceu o inimigo trabalhando nas caldeiras de um navio e sobreviveu para contar a história – sua história. Foi também engraxate, mendigo, jogador de futebol, boxeador. Já adulto, acompanhava o carnaval nas ruas da “saudosa” Lapa, bebia, “corria atrás de um rabo de saia”. Toca trompete, ou pistom, como costuma dizer. Já fez parte de uma banda com integrantes da terceira idade embalando boleros, valsas e marchinhas de carnaval, tocando em aniversários e outras festas. Hoje, passa as tardes “tomando uma gelada” e contemplando o jardim na varanda de sua casa, ao lado da esposa, d. Guilhermina, com quem está casado há 61 anos.
Marujo deixou o tempo soterrar as lembranças de sua estada na Santa Albertina. Usou o trauma como força motriz de uma vida sofrida, sempre se superando, sem medo do que vinha pela frente. Nunca contou a história da infância para ninguém da família, que só soube do assunto há poucos meses, após a visita de Aguilar Filho e, recentemente, da Revista de História. Seu Argemiro fugiu da fazenda quando tinha 13 anos: um belo dia, esperou a noite cair e deu no pé. Ninguém mais soube dele. “Eu falei pra mim: vou cair é fora desse negócio! Fui andando, peguei um caminhão até a estação Engenheiro Hermillo e fiquei lá escondido. Quando apareceu o trem, eu fui lá e, pum! Entrei e fui parar em Sorocaba. Aí fiquei ali engraxando. Era jornaleiro, dormia num banco na praça. Mas logo caí fora, pensando em jogar futebol. Eu era bom de bola. Fui pra São Paulo”. Na capital, ouvindo o programa de rádio “Repórter Esso”, soube que a Marinha precisava de voluntários para a guerra. “Aí eu falei: opa! Se é pra morrer, vou morrer na guerra! Morrer sendo engraxate?”. E foi assim que Argemiro Santos virou Marujo. Fixou-se pela primeira vez na vida em Foz do Iguaçu. Chegou lá como voluntário numa expedição da Marinha. Um olheiro de futebol o chamou para jogar no time local, ABC. Logo se apaixonou, casou escondido, constituiu família e teve três filhos.
Na fazenda Santa Albertina, ele cuidava dos bichos e capinava. Lembra-se dos castigos com palmatória, do uniforme com marcas do integralismo que usava nos fins de semana e das festas na Cruzeiro do Sul, sempre regadas à cachaça. Confirma boa parte das lembranças narradas por Aloísio Silva. Conta com vivacidade sobre o cumprimento comum do dia a dia: “Anauê!”, grita ele esticando o braço. E explica: “Ah, isso era como bom dia. Bom dia! Anauê! Era assim que nós falava.” Apesar dos detalhes que vêm e vão à cabeça, seu Argemiro não se lembra de ser chamado por números, tampouco sabe o nome de qualquer funcionário da fazenda, criança ou adulto. Também nunca soube o nome da mãe. Tomou conhecimento disso só recentemente, quando descobriu que é mais velho do que pensava, pois foi deixado na roda dos enjeitados com 2 anos. Pelo menos é o que consta no registro das freiras do orfanato no dia 7 de abril de 1926, data em que comemora o nascimento.
“Quando ouço gente dizendo que sofreu, é porque não sabe pelo que eu passei. Tive uma vida muito dura antes de chegar aqui em Foz (do Iguaçu)”, lembra. Mas Marujo não se sente injustiçado e muito menos denomina o período na Santa Albertina como escravidão, assim como os moradores de Campininha.
“Nunca precisamos de nada.” Essa é a forma como d. Diva, nascida e criada em Campininha, que foi governanta na fazenda Santa Albertina, descreve sua situação trabalhista no passado. Mas dinheiro, ela não recebeu por muito tempo. Só foi receber salário no fim dos anos 1970, quando a administração mudou.
D. Diva é viúva de José Alves de Almeida, o Dois, o órfão que, depois de liberado, continuou trabalhando na Santa Albertina para o herdeiro, Renatinho: “Ele tinha tudo o que precisava, mandava e desmandava na fazenda. Seu Renato era muito bom, sempre dava roupa. Dinheiro que sobrava das compras.”O Dois vivia para cima e para baixo com o patrão. Seu Aloísio conta que José Alves chegou a estudar culinária no Rio de Janeiro depois de adulto, a mando da mãe de Renatinho, que “pegou ele pra criar”. “Ela levou o Dois pro Rio, ensinou a falar direito, escrever direito. Nós chamava ele de Zé Pretinho, porque ele era bem pretinho mesmo. O apelido pegou.”
Segundo o filho de José Alves de Almeida, Reginaldo, o apelido de Zé Pretinho é mais antigo. A madre superiora do orfanato foi quem começou a chamá-lo assim. Ele o criou desde pequeno até quando o menino foi mandado para a fazenda. Dois, ao que tudo indica, não fazia parte da criteriosa escolha de Osvaldo Rocha Miranda. Foi enviado junto com os outros porque “fez malcriação” para as freiras. Era para ele “aprender a se comportar”. Ao partir, deixou no Rio a irmã Judith, que chorou dias a fio, na parte feminina do educandário, de saudade do irmão. Eles voltaram a se encontrar depois de décadas, quando Dois já se chamava José Alves de Almeida, o cozinheiro da família Rocha Miranda.
Muito simpática, d. Diva é uma senhora de quase 80 anos, irmã da falecida d. Alice, cujo endereço profissional era a fazenda Retiro Feliz, propriedade de veraneio dos alemães Arndt von Bohlen Krupp e Annelise von Bohlen Krupp, mais conhecida como Madame. Antes da década de 1950, as terras pertenciam a Otávio Rocha Miranda, também membro da Ação Integralista Brasileira e irmão de Osvaldo e Sérgio. Arndt era um jovem da alta sociedade europeia, filho renegado de Alfried Krupp, um dos donos do conglomerado de empresas Krupp – conhecidas por produzirem armas de fogo utilizadas na Segunda Guerra. Coincidentemente, os Rocha Miranda tinham relações comerciais com essas empresas. Alfried, em 1948, foi condenado por exploração de mão de obra escrava na Alemanha.
Nas idas e vindas da memória, percebe-se que Campininha até hoje é marcada por vincos de silêncio sobre um passado incômodo. A opressão e a violência ainda se escondem dentro da parede maciça do esquecimento. Uma história suja, que começou a ser revelada por porcos. Quem saiu de lá, como Marujo, consegue revisitar o passado com menos rancor. Quem ficou, como seu Aloísio, tenta esconder as lembranças. Quando perguntado a respeito do momento mais marcante na fazenda, ele pensa, repensa e solta: “Sabe que... Nem triste, nem feliz. Para mim, aquele lugar nunca existiu.”
Saiba mais - Bibliografia
AGUILAR FILHO, Sidney. “Educação, autoritarismo e eugenia: exploração do trabalho e violência à infância desamparada no Brasil (1930-1945)”. Tese de doutorado. Campinas, SP: [s.n.], 2011.
www.bibliotecadigital.unicamp.br/document/?code=000807532&opt=4
AGRADECIMENTOS:
Seu Aloísio Santos, Ditinho, d. Diva, Tatão, d. Senhorinha, d. Gibinha, Sidney Aguilar Filho, seu Carmo Gomes, seu Argemiro Santos, Darley Santos, d. Guilhermina, Alexandre Palmar, Philippe Noguchi.
Fonte: Revista de História
http://www.revistadehistoria.com.br/secao/capa/entre-a-suastica-e-a-palmatoria-1
sábado, 2 de fevereiro de 2013
Thomas Kues: valas comuns na Letônia (Holocausto)
Fãs "revisionistas" de Thomas Kues ficarão desapontados ao saber que ele reconheceu a existência de uma vala comum judaica na Letônia. Neste artigo ele cita o seguinte da Bernhard Press, The Holocaust in Latvia (O Holocausto na Letônia), pág. 159, descrevendo uma vala comum encontrada por M. Morein em 1946:
Kues poderia ter se poupado desta vergonha imensa, checando sua própria fonte. Em vez disso, ele baleou seus amigos "revisionistas" em ambos os pés, reconhecendo uma vala comum que faz parte da prova do genocídio de 1941 na Letônia.
Fonte: Holocaust Controversies
Texto: Jonathan Harrison
http://holocaustcontroversies.blogspot.com.br/2011/01/thomas-kues-mass-grave-in-latvia.html
Tradução: Roberto Lucena
(…) enquanto procurava os cadáveres de seus pais em 1946, perto da aldeia de Kukas próxima a Krustpils, [Morein] descobriu uma vala comum de cadáveres cujas roupas traziam etiquetas francesasKues gostaria que seus leitores acreditassem que estes eram judeus franceses deportados para a região do Báltico depois de 1941. (O que ele não explica é como as mortes dos judeus iriam apoiar a sua tese de que os judeus franceses não estavam sendo submetidas a uma política de extermínio). No entanto, Kues ignora o fato de que na página 49 do mesmo livro da Press, é citado um massacre de judeus em 1941 na localização daquele túmulo:
Naquela época, todos os judeus de Viesite, juntamente com os de Jekabpils (Jakobstadt) e Nereta, foram assassinados por um pelotão de execução de Perkonkrusts na aldeia de KukasJekabpils foi situado próximo de Krustpils (as cidades foram fundidas em 1962), então a ação sobre Kukas é claramente a mesma que produziu o túmulo encontrado por Morein em Kukas em 1946. A atual localização do túmulo é descrito neste site, que fornece o seguinte relato:
O cemitério contém túmulos coletivos marcados e um memorial às vítimas do Holocausto. Enterros neste cemitério foram registrados. O registro é localizado no escritório do presidente da comunidade judaica de Jekabpils. Esta [é] o único cemitério judaico que surgiu na Letônia após a Segunda Guerra Mundial. Na década de 1950, o antigo cemitério judeu em Krustpils (fundada no início do século 19) foi liquidado, e as lápides foram transportados para Asote e enfileiradas na fronteira do cemitério. Em 1958, os restos mortais dos judeus de Krustpils e Plavinas, mortos em 1941, foram enterrados neste cemitério. Um ano mais tarde, um monumento foi erguido.Assim, os cadáveres encontrados por Morein foram mortos em 1941 e estão localizados hoje em Asote.
Kues poderia ter se poupado desta vergonha imensa, checando sua própria fonte. Em vez disso, ele baleou seus amigos "revisionistas" em ambos os pés, reconhecendo uma vala comum que faz parte da prova do genocídio de 1941 na Letônia.
Fonte: Holocaust Controversies
Texto: Jonathan Harrison
http://holocaustcontroversies.blogspot.com.br/2011/01/thomas-kues-mass-grave-in-latvia.html
Tradução: Roberto Lucena
quinta-feira, 31 de janeiro de 2013
Como Hitler foi possível
Há 80 anos Hitler assumia o poder na Alemanha
Em 30 de janeiro de 1933, o então presidente Hindenburg nomeou Adolf Hitler como chanceler da Alemanha. Poucos tinham ideia da dimensão desse fato. Propaganda nazista encenou o acontecimento como uma "tomada de poder".
Cenas sombrias ocorreram no Portão de Brandemburgo em 30 de janeiro de 1933, em Berlim. Já há horas, o chefe da Propaganda nazista, Joseph Goebbels, vinha posicionando homens da tropa de assalto de Hitler próximo ao local. Mais de 20 mil membros da chamada SA (Sturmabteilung), a tropa de choque do Partido Nazista, haviam chegado durante a noite.
O início estava marcado para as 19h. Tochas foram acesas, batalhões da SA desfilavam pelo Portão de Brandemburgo. Poucas horas antes, Adolf Hitler havia alcançado seu grande objetivo: ser nomeado chanceler pelo então presidente alemão Paul von Hindenburg.
Adolf Hitler saúda espectadores da janela da Chancelaria em Berlim
Um grande baile a fantasia
O recém-empossado chanceler alemão foi festejado por seus seguidores. De uma janela da então Chancelaria, Hilter cumprimentou os espectadores presentes. Goebbels havia planejado um gigantesco espetáculo. Ele pretendia encenar de forma dramática esse novo capítulo da Alemanha: aquela deveria ser "a noite do grande milagre". Ele havia planejado algo especial. Uma espécie de fita de fogo formada por portadores de tochas devia atravessar a cidade.
Goebbels queria criar imagens monumentais, ideais para impressionar os espectadores no cinema, já que era ali que os noticiários eram transmitidos na época. Mas os transeuntes passeavam distraídos para lá e para cá entre as formações da SA e impediram as gravações desejadas.
Goebbels ficou desapontado e reencenou as imagens mais tarde. O famoso pintor alemão de origem judaica, Max Liebermann, já tinha visto o bastante. Para o desfile de tochas dos homens da SA na frente de sua casa, o pintor escolheu palavras dramáticas: "Eu nunca conseguiria comer tanto para tudo o que gostaria de vomitar."
Como Hitler foi possível
Todo o poder era pouco para o ditador nazista
A história da ascensão de Adolf Hitler está intimamente ligada ao declínio da República de Weimar. Desde o surgimento em 1918, ela sofria de defeitos congênitos irreparáveis – era uma democracia sem democratas. Boa parte da população rejeitava a jovem República, sobretudo a elite econômica, funcionários públicos e até mesmo políticos.
Tentativas de golpe pela direita e pela esquerda sacudiram o país. Nos primeiros cinco anos da República de Weimar, assassinatos espetaculares chocaram o país. Entre outros, as mortes dos comunistas Rosa Luxemburg e Karl Liebknecht, bem como o assassinato do ministro do Exterior Walther Rathenau, de origem judaica. Os criminosos provinham da ala de extrema direita.
A política da República de Weimar foi marcada pela total instabilidade. Nos 14 anos de sua existência, ela presenciou 21 diferentes governos. Entre os 17 partidos do Parlamento, encontrava-se uma série de inimigos declarados da Constituição. Com cada nova crise política e econômica, os eleitores perdiam mais e mais a confiança nos partidos democráticos.
Enquanto isso, o extremismo político vivenciava um grande crescimento. Os nazistas, pelo lado da direita, e os comunistas, pela esquerda, ganhavam cada vez mais adeptos. Por volta de 1930, a Alemanha estava à beira de uma guerra civil. Nazistas e comunistas travavam batalhas de rua. A crise econômica de 1929 piorou ainda mais a situação. Em junho de 1932, o número oficial de desempregados no país somava 5,6 milhões de pessoas.
O desejo por um líder forte
Hindenburg: militar condecorado, político de pouca visão
Em tal situação, muitos alemães ansiavam por um nome forte à frente do governo, alguém que pudesse tirar o país da crise. O presidente Paul von Hindenburg era uma dessas pessoas, para muitos, ele era uma espécie de substituto do imperador. De fato, segundo a Constituição de Weimar, o presidente do país era a instância política central. O cargo detinha uma imensa esfera de poder.
O presidente podia dissolver o Parlamento e outorgar leis por decretos emergenciais, algo que cabe normalmente a qualquer Parlamento. Hindenburg fez uso, diversas vezes, da possibilidade de governar contornando o Legislativo. No entanto, Hindenburg não tinha como cumprir o papel de salvar a Alemanha da miséria, pois já estava com 85 anos no início de 1933.
Após diversas trocas de governo, Hindenburg pretendia, na ocasião, instalar um governo estável chefiado pelos conservadores nacionalistas de direita. A princípio, ele era cético quanto à nomeação de Adolf Hitler para chefe de governo. Durante muito tempo, Hindenburg ironizou Hitler, chamando-o de "soldado raso da Boêmia" – uma alusão ao fato de que ele, Hindenburg, era um condecorado marechal de campo da Primeira Guerra Mundial, e Hitler, apenas um soldado comum.
Mas Hindenburg mudou de opinião. Pessoas próximas a ele lhe asseguraram que manteriam Hitler sob controle. Alfred Hugenberg, líder do Partido Popular Nacional Alemão, declarou: "Nós iremos enquadrar Hitler." Tinha-se um grande senso de segurança, também porque somente dois ministérios foram oferecidos aos nazistas no novo gabinete de governo. Por outro lado, Hitler e seus seguidores passaram a se apresentar propositalmente de forma moderada e a evitar alaridos.
Princípio do fim
Hitler após assumir o poder
De fato, no dia 30 de janeiro de 1933, um sonho se tornou realidade para Hitler e sua comitiva. Com alegria, Goebbels confidenciou ao seu diário: "Hitler é chanceler. Como um conto de fadas!" Na mais completa ignorância sobre Hitler e suas intenções, nomeou-se o "coveiro" da República para chanceler. Mas Hitler já havia apresentado seus planos no livro Mein Kampf. Ele escreveu que os judeus seriam "removidos" e um novo "habitat" seria conquistado "pela espada".
O dia 30 de janeiro de 1933 entrou para a história como o dia da "tomada de poder", conceito na verdade inventado pela propaganda nazista, pois a nomeação de Hitler – e essa é a verdadeira ironia da história – aconteceu de forma constitucional. Após a tomada de posse, Hindenburg falou as seguintes palavras: "E agora, meus senhores, para frente com a ajuda de Deus!"
Hindenburg não teve de presenciar que o caminho de Hitler levaria na verdade ao Holocausto e à Segunda Guerra Mundial. Ele morreu em 1934. E logo Hitler mostrava quão ingênua foi a crença de que ele poderia ser controlado e neutralizado. Pouco depois de ser empossado como chefe de governo, começou em todo o país o terror das tropas de assalto da SA.
Comunistas, social-democratas e sindicalistas foram perseguidos. Em pouco tempo os primeiros campos de concentração foram instalados. Ali, os membros da SA torturavam suas vítimas, que iriam incluir, pouco tempo depois, judeus e outras pessoas consideradas indesejáveis pelos nazistas. Hitler precisou somente de poucos meses para embaralhar a República de Weimar e instalar sua ditadura.
Autor: Marc von Lübke (ca)
Revisão: Francis França
Fonte: Deutsche Welle
http://www.dw.de/h%C3%A1-80-anos-hitler-assumia-o-poder-na-alemanha/a-16562683
Em 30 de janeiro de 1933, o então presidente Hindenburg nomeou Adolf Hitler como chanceler da Alemanha. Poucos tinham ideia da dimensão desse fato. Propaganda nazista encenou o acontecimento como uma "tomada de poder".
Cenas sombrias ocorreram no Portão de Brandemburgo em 30 de janeiro de 1933, em Berlim. Já há horas, o chefe da Propaganda nazista, Joseph Goebbels, vinha posicionando homens da tropa de assalto de Hitler próximo ao local. Mais de 20 mil membros da chamada SA (Sturmabteilung), a tropa de choque do Partido Nazista, haviam chegado durante a noite.
O início estava marcado para as 19h. Tochas foram acesas, batalhões da SA desfilavam pelo Portão de Brandemburgo. Poucas horas antes, Adolf Hitler havia alcançado seu grande objetivo: ser nomeado chanceler pelo então presidente alemão Paul von Hindenburg.
Adolf Hitler saúda espectadores da janela da Chancelaria em Berlim
Um grande baile a fantasia
O recém-empossado chanceler alemão foi festejado por seus seguidores. De uma janela da então Chancelaria, Hilter cumprimentou os espectadores presentes. Goebbels havia planejado um gigantesco espetáculo. Ele pretendia encenar de forma dramática esse novo capítulo da Alemanha: aquela deveria ser "a noite do grande milagre". Ele havia planejado algo especial. Uma espécie de fita de fogo formada por portadores de tochas devia atravessar a cidade.
Goebbels queria criar imagens monumentais, ideais para impressionar os espectadores no cinema, já que era ali que os noticiários eram transmitidos na época. Mas os transeuntes passeavam distraídos para lá e para cá entre as formações da SA e impediram as gravações desejadas.
Goebbels ficou desapontado e reencenou as imagens mais tarde. O famoso pintor alemão de origem judaica, Max Liebermann, já tinha visto o bastante. Para o desfile de tochas dos homens da SA na frente de sua casa, o pintor escolheu palavras dramáticas: "Eu nunca conseguiria comer tanto para tudo o que gostaria de vomitar."
Como Hitler foi possível
Todo o poder era pouco para o ditador nazista
A história da ascensão de Adolf Hitler está intimamente ligada ao declínio da República de Weimar. Desde o surgimento em 1918, ela sofria de defeitos congênitos irreparáveis – era uma democracia sem democratas. Boa parte da população rejeitava a jovem República, sobretudo a elite econômica, funcionários públicos e até mesmo políticos.
Tentativas de golpe pela direita e pela esquerda sacudiram o país. Nos primeiros cinco anos da República de Weimar, assassinatos espetaculares chocaram o país. Entre outros, as mortes dos comunistas Rosa Luxemburg e Karl Liebknecht, bem como o assassinato do ministro do Exterior Walther Rathenau, de origem judaica. Os criminosos provinham da ala de extrema direita.
A política da República de Weimar foi marcada pela total instabilidade. Nos 14 anos de sua existência, ela presenciou 21 diferentes governos. Entre os 17 partidos do Parlamento, encontrava-se uma série de inimigos declarados da Constituição. Com cada nova crise política e econômica, os eleitores perdiam mais e mais a confiança nos partidos democráticos.
Enquanto isso, o extremismo político vivenciava um grande crescimento. Os nazistas, pelo lado da direita, e os comunistas, pela esquerda, ganhavam cada vez mais adeptos. Por volta de 1930, a Alemanha estava à beira de uma guerra civil. Nazistas e comunistas travavam batalhas de rua. A crise econômica de 1929 piorou ainda mais a situação. Em junho de 1932, o número oficial de desempregados no país somava 5,6 milhões de pessoas.
O desejo por um líder forte
Hindenburg: militar condecorado, político de pouca visão
Em tal situação, muitos alemães ansiavam por um nome forte à frente do governo, alguém que pudesse tirar o país da crise. O presidente Paul von Hindenburg era uma dessas pessoas, para muitos, ele era uma espécie de substituto do imperador. De fato, segundo a Constituição de Weimar, o presidente do país era a instância política central. O cargo detinha uma imensa esfera de poder.
O presidente podia dissolver o Parlamento e outorgar leis por decretos emergenciais, algo que cabe normalmente a qualquer Parlamento. Hindenburg fez uso, diversas vezes, da possibilidade de governar contornando o Legislativo. No entanto, Hindenburg não tinha como cumprir o papel de salvar a Alemanha da miséria, pois já estava com 85 anos no início de 1933.
Após diversas trocas de governo, Hindenburg pretendia, na ocasião, instalar um governo estável chefiado pelos conservadores nacionalistas de direita. A princípio, ele era cético quanto à nomeação de Adolf Hitler para chefe de governo. Durante muito tempo, Hindenburg ironizou Hitler, chamando-o de "soldado raso da Boêmia" – uma alusão ao fato de que ele, Hindenburg, era um condecorado marechal de campo da Primeira Guerra Mundial, e Hitler, apenas um soldado comum.
Mas Hindenburg mudou de opinião. Pessoas próximas a ele lhe asseguraram que manteriam Hitler sob controle. Alfred Hugenberg, líder do Partido Popular Nacional Alemão, declarou: "Nós iremos enquadrar Hitler." Tinha-se um grande senso de segurança, também porque somente dois ministérios foram oferecidos aos nazistas no novo gabinete de governo. Por outro lado, Hitler e seus seguidores passaram a se apresentar propositalmente de forma moderada e a evitar alaridos.
Princípio do fim
Hitler após assumir o poder
De fato, no dia 30 de janeiro de 1933, um sonho se tornou realidade para Hitler e sua comitiva. Com alegria, Goebbels confidenciou ao seu diário: "Hitler é chanceler. Como um conto de fadas!" Na mais completa ignorância sobre Hitler e suas intenções, nomeou-se o "coveiro" da República para chanceler. Mas Hitler já havia apresentado seus planos no livro Mein Kampf. Ele escreveu que os judeus seriam "removidos" e um novo "habitat" seria conquistado "pela espada".
O dia 30 de janeiro de 1933 entrou para a história como o dia da "tomada de poder", conceito na verdade inventado pela propaganda nazista, pois a nomeação de Hitler – e essa é a verdadeira ironia da história – aconteceu de forma constitucional. Após a tomada de posse, Hindenburg falou as seguintes palavras: "E agora, meus senhores, para frente com a ajuda de Deus!"
Hindenburg não teve de presenciar que o caminho de Hitler levaria na verdade ao Holocausto e à Segunda Guerra Mundial. Ele morreu em 1934. E logo Hitler mostrava quão ingênua foi a crença de que ele poderia ser controlado e neutralizado. Pouco depois de ser empossado como chefe de governo, começou em todo o país o terror das tropas de assalto da SA.
Comunistas, social-democratas e sindicalistas foram perseguidos. Em pouco tempo os primeiros campos de concentração foram instalados. Ali, os membros da SA torturavam suas vítimas, que iriam incluir, pouco tempo depois, judeus e outras pessoas consideradas indesejáveis pelos nazistas. Hitler precisou somente de poucos meses para embaralhar a República de Weimar e instalar sua ditadura.
Autor: Marc von Lübke (ca)
Revisão: Francis França
Fonte: Deutsche Welle
http://www.dw.de/h%C3%A1-80-anos-hitler-assumia-o-poder-na-alemanha/a-16562683
quarta-feira, 30 de janeiro de 2013
Alemanha lembra os 80 anos da chegada de Hitler ao poder
A exposição "Berlim 1933- O caminho para ditadura" em cartaz no centro de documentação "Topografia do Terror".
kulturprojekte-berlin.de
RFI
Berlim marca hoje com uma série de eventos os 80 anos da chegada de Hitler ao poder. Na abertura de uma das 120 exposições que serão realizadas durante todo o ano, a chanceler alemã Angela Merkel ressaltou “a responsabilidade permanente da Alemanha pelos crimes nazistas”.
Com a colaboração de Marcio Damasceno, correspondente da RFI em Berlim
A chanceler alemã, Angela Merkel, inaugurou nesta quarta-feira, a exibição, chamada "Berlim 1933 – O caminho para a ditadura", retrata os últimos dias da República de Weimar e os seis primeiros meses do governo de Hitler, quando o país foi transformado rapidamente de uma democracia frágil em uma ditadura.
A mostra traz cerca de 100 fotos e documentos de época, exibidos no centro de documentação "Topografia do Terror", localizado no centro da capital alemã, onde funcionava o quartel general da polícia secreta de Hitler, a Gestapo. A exibição recorda também de 36 cidadãos que foram vítimas da violência dos nazistas nas semanas seguintes à nomeação de Hitler como chefe de governo.
A mostra será apenas uma de uma série de 120 exposições e eventos realizados durante este ano em museus, galerias e teatros da capital alemã em recordação aos 80 anos da nomeação de Hitler como chanceler alemão e à ascensão dos nazistas ao poder.
Outra exposição importante que faz parte da programação deste ano será aberta nesta quinta-feira no Museu de História Alemã, com o nome "Diversidade destruída. Berlim 1933-1938". Esta exibição se dedica às transformações que atingiram a vida capital alemã sob o regime totalitário nazista. Berlim era até então o centro da vida judia na Alemanha, abrigando mais de 160 mil judeus, uma diversidade cultural que foi destruída.
Fonte: RFI
http://www.portugues.rfi.fr/europa/20130130-alemanha-lembra-os-80-anos-da-chegada-de-hitler-ao-poder
kulturprojekte-berlin.de
RFI
Berlim marca hoje com uma série de eventos os 80 anos da chegada de Hitler ao poder. Na abertura de uma das 120 exposições que serão realizadas durante todo o ano, a chanceler alemã Angela Merkel ressaltou “a responsabilidade permanente da Alemanha pelos crimes nazistas”.
Com a colaboração de Marcio Damasceno, correspondente da RFI em Berlim
A chanceler alemã, Angela Merkel, inaugurou nesta quarta-feira, a exibição, chamada "Berlim 1933 – O caminho para a ditadura", retrata os últimos dias da República de Weimar e os seis primeiros meses do governo de Hitler, quando o país foi transformado rapidamente de uma democracia frágil em uma ditadura.
A mostra traz cerca de 100 fotos e documentos de época, exibidos no centro de documentação "Topografia do Terror", localizado no centro da capital alemã, onde funcionava o quartel general da polícia secreta de Hitler, a Gestapo. A exibição recorda também de 36 cidadãos que foram vítimas da violência dos nazistas nas semanas seguintes à nomeação de Hitler como chefe de governo.
A mostra será apenas uma de uma série de 120 exposições e eventos realizados durante este ano em museus, galerias e teatros da capital alemã em recordação aos 80 anos da nomeação de Hitler como chanceler alemão e à ascensão dos nazistas ao poder.
Outra exposição importante que faz parte da programação deste ano será aberta nesta quinta-feira no Museu de História Alemã, com o nome "Diversidade destruída. Berlim 1933-1938". Esta exibição se dedica às transformações que atingiram a vida capital alemã sob o regime totalitário nazista. Berlim era até então o centro da vida judia na Alemanha, abrigando mais de 160 mil judeus, uma diversidade cultural que foi destruída.
Fonte: RFI
http://www.portugues.rfi.fr/europa/20130130-alemanha-lembra-os-80-anos-da-chegada-de-hitler-ao-poder
terça-feira, 29 de janeiro de 2013
Ceija Stojka - sobrevivente do Holocausto, artista cigana morre aos 79 anos
Nascida na Áustria, Ceija Stojka passou por três campos de concentração. Com sua obra, ela ajudou a expor a perseguição nazista ao seu povo.
Da Reuters
A artista cigana Ceija Stojka, cujo trabalho ajudou a expor a perseguição nazista ao seu povo, morreu na segunda-feira (28) aos 79 anos em um hospital de Viena, disse sua agente à agência de notícias APA.
Sobrevivente do Holocausto, Stojka escreveu um dos primeiros relatos autobiográficos de ciganos (ou "romanis") sobre a perseguição nazista, em um livro intitulado "Vivemos em reclusão: as memórias de uma romani", de 1988. Além disso, ela passou décadas dedicando a falar do seu povo pela música e a arte.
Os ciganos, como os judeus, foram enviados para campos de concentração pelo regime nazista alemão durante a Segunda Guerra Mundial. Até 1,5 milhão deles morreram.
Nascida na Áustria, Stojka sobreviveu a passagens pelos campos de Auschwitz, Bergen-Belsen e Ravensbrueck. Apenas cinco outros membros de sua família, que tinha mais de 200 pessoas, sobreviveram.
"Busquei a caneta porque precisava me abrir, gritar", disse a ativista numa exibição de 2004 no Museu Judaico de Viena.
Stojka começaria a pintar aos 56 anos, muitas vezes usando os dedos ou palitos em vez de pincéis. Muitas das suas obras aludem à experiência nos campos de concentração, e eram descritas como "assustadoras" e "infantis" por visitantes em exposições dela mundo afora.
Fonte: Reuters/Terra
http://diversao.terra.com.br/gente/artista-cigana-ceija-stojka-sobrevivente-do-holocausto-morre-aos-79,1376494267f7c310VgnCLD2000000dc6eb0aRCRD.html
Da Reuters
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| A artista cigana Ceija Stojka (Foto: Divulgação/The Gypsy Chronicles) |
Sobrevivente do Holocausto, Stojka escreveu um dos primeiros relatos autobiográficos de ciganos (ou "romanis") sobre a perseguição nazista, em um livro intitulado "Vivemos em reclusão: as memórias de uma romani", de 1988. Além disso, ela passou décadas dedicando a falar do seu povo pela música e a arte.
Os ciganos, como os judeus, foram enviados para campos de concentração pelo regime nazista alemão durante a Segunda Guerra Mundial. Até 1,5 milhão deles morreram.
Nascida na Áustria, Stojka sobreviveu a passagens pelos campos de Auschwitz, Bergen-Belsen e Ravensbrueck. Apenas cinco outros membros de sua família, que tinha mais de 200 pessoas, sobreviveram.
"Busquei a caneta porque precisava me abrir, gritar", disse a ativista numa exibição de 2004 no Museu Judaico de Viena.
Stojka começaria a pintar aos 56 anos, muitas vezes usando os dedos ou palitos em vez de pincéis. Muitas das suas obras aludem à experiência nos campos de concentração, e eram descritas como "assustadoras" e "infantis" por visitantes em exposições dela mundo afora.
Fonte: Reuters/Terra
http://diversao.terra.com.br/gente/artista-cigana-ceija-stojka-sobrevivente-do-holocausto-morre-aos-79,1376494267f7c310VgnCLD2000000dc6eb0aRCRD.html
sexta-feira, 25 de janeiro de 2013
O Holocausto em fotos (The Atlantic, especial WWII)
Especial da Revista The Atlantic (EUA) com fotos do Holocausto e da Segunda Guerra em alta resolução (uma parte do Arquivo Nacional dos EUA). Segue abaixo a parte com as fotos relativa ao Holocausto com a posterior tradução das legendas das fotos.
Só um aviso: apesar da tradução do aviso da matéria da revista eu reforço o aviso aqui, pra quem se chocar demais com esse tipo de foto é recomendável cautela pois as fotos chocam, principalmente pela alta resolução da imagem. Eu já vi várias mas com resolução pior, a alta resolução das fotos dá uma visão mais chocante da tragédia.
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Tradução: Um dos termos mais terríveis da história foi usado pela Alemanha nazista para designar seres humanos cujas vidas não tinha importância, ou aqueles que devessem ser mortos imediatamente: lebensunwertes Leben, ou "vida indigna da vida". A frase foi aplicada ao deficiente mental e mais tarde para os "racialmente inferiores", ou "sexualmente desviados", bem como os "inimigos do Estado", tanto internos como externos. Desde o princípio da guerra, parte da política nazista era assassinar civis em massa, especialmente direcionadas para os judeus. Mais tarde na guerra, esta política se transformou na "solução final" de Hitler, o extermínio completo dos judeus. Ela começou com os esquadrões da morte dos Einsatzgruppen no Leste, que matou cerca de um milhão de pessoas em inúmeros massacres, e continuou em campos de concentração onde os prisioneiros tinha negadas alimentação adequada e cuidados de saúde. Isso culminou na construção de campos de extermínio - instalações governamentais cujo objetivo era o assassinato sistemático e a eliminação de um número em massa de pessoas. Em 1945, com o avanço das tropas aliadas, elas começaram a descobrir estes campos e descobriram os resultados dessas políticas: centenas de milhares de prisioneiros famintos e doentes trancados com milhares de cadáveres. Eles encontraram evidências de câmaras de gás e crematórios para grandes volumes, assim como milhares de valas em massa, documentação de terrível experimentação médica, e muito mais. Os nazistas mataram mais de 10 milhões de pessoas desta maneira, incluindo 6 milhões de judeus. (Esta entrada é a parte 18 de uma retrospectiva de 20 partes, semanal, da II Guerra Mundial) [45 fotos]
Aviso: Todas as imagens desta entrada são mostrados na íntegra, não sendo excluído o conteúdo chocante das fotos. Há muitos cadáveres. As fotos são chocantes e pesadas. Esta é a realidade do genocídio, e de uma parte importante da Segunda Guerra Mundial e da história humana.
1. Uma menina russa de 18 anos de idade, magra olha para a lente da câmera durante a libertação do campo de concentração de Dachau em 1945. Dachau foi o primeiro campo de concentração alemão, inaugurado em 1933. Mais de 200.000 pessoas foram detidas, entre 1933 e 1945, e 31.591 mortes foram declaradas, a maioria por desnutrição, doenças e suicídio. Ao contrário de Auschwitz, Dachau não era explicitamente um campo de extermínio, mas as condições eram tão terríveis que centenas de pessoas morriam a cada semana. (Eric Schwab / AFP / Getty Images)
2. Nesta foto fornecida pelo Memorial do Holocausto de Paris mostra um soldado alemão dispararando contra um judeu ucraniano durante uma execução em massa em Vinnytsia, Ucrânia, em algum momento entre 1941 e 1943. Esta imagem é intitulada de "O último judeu em Vinnitsa", o texto que foi escrito no verso da fotografia foi encontrado em um álbum de fotos pertencente a um soldado alemão. (AP Photo/ USHMM/LOC)
3. Soldados alemães interpelam judeus após o Levante do Gueto de Varsóvia, em 1943. Em outubro de 1940, os alemães começaram a concentrar a população da Polônia de mais de 3 milhões de judeus em guetos superlotados. No maior deles, o Gueto de Varsóvia, milhares de judeus morreram devido à doença galopante e fome, mesmo antes dos nazistas começaram suas deportações em massa do gueto para o campo de extermínio de Treblinka. O Levante do Gueto de Varsóvia - a primeira rebelião em massa urbana contra a ocupação nazista da Europa - ocorreu de 19 de abril até 16 de maio de 1943, e começou depois que tropas alemãs e policiais entraram no gueto para deportar os habitantes sobreviventes. O levante terminou quando a resistência mal-armada e sem suprimentos foi esmagado pelas tropas alemãs. (OFF/AFP/Getty Images)
4. Um homem leva embora corpos de judeus mortos no Gueto de Varsóvia, em 1943, onde as pessoas morriam de fome nas ruas. A cada manhã, cerca de 4-5 da manhã, carros fúnebres recolhiam uma dúzia ou mais cadáveres das ruas. Os corpos de judeus mortos foram cremados em covas profundas. (AFP/Getty Images)
5. Um grupo de judeus, incluindo um garoto, é escoltado do Gueto de Varsóvia por soldados alemães em 19 abril de 1943 (foto). A imagem faz parte de um relatório da SS do general Stroop para seu comandante, e foi apresentado como prova nos julgamentos de Crimes de Guerra em Nuremberg, em 1945. (AP Photo)
6. Após a Revolta do Gueto de Varsóvia, o gueto foi completamente destruído. Dos mais de 56.000 judeus capturados, cerca de 7.000 foram mortos, e o restante foi deportado para centros de extermínio ou campos de concentração. Esta é uma vista dos restos do gueto o qual a SS alemã pôs ao chão com dinamite. O Gueto de Varsóvia só existiu por alguns anos, e nesse tempo, cerca de 300.000 judeus poloneses perderam a vida lá. (AP Photo)
7.Um alemão em um uniforme militar atira em uma mulher judia depois de uma execução em massa em Mizocz, Ucrânia. Em outubro de 1942, as 1.700 pessoas no gueto de Mizocz lutaram contra auxiliares ucranianos e policiais alemães que tinham a intenção de liquidar a população. Cerca de metade dos moradores conseguram fugir ou se esconder durante a confusão antes do levante ser finalmente abatido. Os sobreviventes capturados foram levados para uma ravina e fuzilados. Foto cedida pelo Memorial do Holocausto de Paris. (AP Photo/USHMM)
8. Deportados judeus no campo de trânsito de Drancy, perto de Paris, França, em 1942, em sua última parada antes dos campos de concentração alemães. Alguns 13.152 judeus (incluindo 4.115 crianças) foram caçados pelas forças policiais francesas, tirados de suas casas para o "Vel d'Hiv", o estádio de inverno de ciclismo, no sudoeste de Paris, em julho de 1942. Eles foram mais tarde levados para um terminal ferroviário em Drancy, a nordeste da capital francesa, e depois deportados para o leste. Apenas um punhado retornou. (AFP/Getty Images)
9. Anne Frank posa para foto em 1941 nesta foto disponibilizada pela Casa Anne Frank em Amsterdã, Holanda. Em agosto de 1944, Anne, sua família e outras pessoas que estavam se escondendo das forças de segurança alemãs de ocupação, foram capturados e enviados para uma série de prisões e campos de concentração. Anne morreu de tifo aos 15 anos no campo de concentração de Bergen-Belsen, mas seu diário publicado postumamente fez dela um símbolo de todos os judeus mortos na Segunda Guerra Mundial. (AP Photo/Anne Frank House/Frans Dupont)
10. Chegada e processamento de um transporte inteiro de judeus da Carpática Rutênia, região da Tchecoslováquia anexada em 1939 à Hungria, ao campo de extermínio de Auschwitz-Birkenau na Polônia, em maio de 1944. A foto foi doada ao Yad Vashem em 1980 por Lili Jacob. (AP Photo/Yad Vashem Photo Archives)
11. Czeslawa Kwoka, de 14 anos, aparece em uma foto de identidade de prisioneiro fornecida pelo Museu de Auschwitz, tomada por Wilhelm Brasse enquanto trabalhava no departamento de fotografia em Auschwitz, na parte administrativa do campo de extermínio nazista onde cerca de 1,5 milhões de pessoas, a maioria judeus, morreram durante Segunda Guerra Mundial. Czeslawa era uma menina católica polonesa, de Wolka Zlojecka, na Polônia, que foi enviada para Auschwitz com sua mãe, em dezembro de 1942. Dentro de três meses, ambas foram mortas. Fotógrafo (e companheiro de prisão) Brasse lembrou das fotografias de Czeslawa em um documentário de 2005:.. "Ela era tão jovem e tão aterrorizada. A menina não entendia por que ela estava lá, e ela não conseguia entender o que estava sendo dito a ela. Então esta Kapo mulher (um prisioneiro superintendente) pegou um pau e lhe bateu no rosto. Esta mulher alemã estava apenas extravasando sua raiva na menina. Uma menina tão bonita, tão inocente. Ela chorou, mas não podia fazer nada. Antes das fotografias serem tomadas, a menina enxugou as lágrimas e o sangue do corte no lábio. Para dizer a verdade, eu senti como se estivessem atingindo a mim, mas eu não podia interferir. Isto teria sido fatal para mim." (AP Photo/Auschwitz Museum)
12. Uma vítima de experiências médicas nazistas. Um braço da vítima mostra uma queimadura profunda de fósforo em Ravensbrueck, na Alemanha, em novembro de 1943. A fotografia mostra os resultados de uma experiência médica com fósforo, que foi realizada por médicos em Ravensbrueck. Na experiência, uma mistura de fósforo e de borracha foi aplicada sobre a pele e depois queimada. Depois de vinte segundos, o fogo foi apagado com água. Depois de três dias, a queimadura foi tratada com Echinacin na forma líquida. Depois de duas semanas a ferida havia curado. Esta fotografia, tirada por um médico do campo, foi inscrita como prova durante o Julgamento dos Médicos em Nuremberg. (U.S. Holocaust Memorial Museum, NARA)
13. Prisioneiros judeus no campo de concentração de Buchenwald, depois da libertação do campo em 1945. (AFP/Getty Images)
14. Soldados norte-americanos silenciosamente inspecionam alguns dos vagões carregados com mortos que foram encontrados no tapume ferroviário no campo de concentração de Dachau na Alemanha, em 3 de maio de 1945. (AP Photo)
15. Um francês esfomeado sentando ao lado de cadáveres no sub-campo do campo de trabalho forçado de Mittelbau-Dora, em Nordhausen, Alemanha, em abril de 1945. (U.S. Army/LOC)
16. Corpos jazem empilhados contra as paredes da sala de um crematório num campo de concentração alemão em Dachau, na Alemanha. Os corpos foram encontrados pelas tropas norte-americanas do Sétimo Exército que tomaram o campo em 14 de maio de 1945. (AP Photo)
17. Um soldado dos EUA inspeciona milhares de alianças de casamento de ouro retiradas de judeus pelos alemães e escondidas nas minas de Salt Heilbronn, em 3 de maio de 1945 na Alemanha. (AFP/NARA)
18. Três soldados americanos olham corpos dentro de um forno em um crematório, em abril de 1945. Foto tirada em um campo de concentração na Alemanha não identificado, no momento da libertação por Exército dos EUA. (U.S. Army/LOC)
19. Este amontoado de cinzas e ossos são os escombros de um dia de extermínio de prisioneiros alemães por 88 soldados no campo de concentração de Buchenwald, perto de Weimar, na Alemanha, exibidos em 25 de abril de 1945. (AP Photo/U.S. Army Signal Corps)
20. Prisioneiros atrás da cerca elétrica do campo de concentração de Dachau saúdam soldados norte-americanos em Dachau, Alemanha, em uma foto sem data. Alguns deles usam o uniforme listrado azul e branco da prisão. Eles decoraram suas cabanas com as bandeiras de todas as nações que haviam feito secretamente ao ouvirem as armas da 42ª Divisão Arco-íris ficarem cada vez mais altas quando foram chegando a Dachau. (AP Photo)
21. General Dwight D. Eisenhower e outros oficiais norte-americanos no campo de concentração de Ohrdruf, pouco depois da libertação do campo em abril de 1945. Quando as forças norte-americanas foram chegando, os guardas atiraram nos prisioneiros restantes. (U.S. Army Signal Corps/NARA)
22. Um prisioneiro moribundo, fraco demais para se sentar em meio a seus trapos e sujeira, vítima de inanição e incrível brutalidade, no campo de concentração de Nordhausen na Alemanha, em 18 de abril de 1945. (AP Photo)
23. Prisioneiros em uma marcha da morte de Dachau para o sul ao longo da rua Noerdliche Muenchner em Gruenwald, Alemanha, em 29 de abril de 1945. Milhares de prisioneiros foram levados à força de campos de prisioneiros para campos distantes e mais dentro da Alemanha porque forças aliadas estavam chegando perto. Milhares de pessoas morreram ao longo do caminho, qualquer pessoa incapaz de se manter em pé foi executado no local. Na foto, o quarto da direita é Dimitry Gorky, que nasceu em 19 de agosto de 1920 em Blagoslovskoe, Rússia, de uma família de camponeses. Durante a Segunda Guerra Mundial, Dmitry foi preso em Dachau por 22 meses. A razão de sua prisão não é conhecida. Foto divulgada pelo Museu Memorial do Holocausto dos EUA. (AP Photo/USHMM, cortesia do KZ Gedenkstaette Dachau)
24. Soldados norte-americanos andam em fila próximos às pilhas de cadáveres no chão ao lado de barracas, no campo de concentração nazi em Nordhausen, Alemanha, em 17 de abril de 1945. O campo era localizado a cerca de 70 km a oeste de Leipzig. Quando o campo foi libertado em 12 de abril, o Exército dos EUA encontrou mais de 3.000 cadáveres e um punhado de sobreviventes. (AP Photo/US Army Signal Corps)
25. Um prisioneiro morto estirado em um vagão de trem próximo ao campo de concentração de Dachau, em Maio de 1945. (Eric Schwab/AFP/Getty Images)
26. Soldados libertadores, do Corpo XX do 3º Exército do Tenente-General George S. Patton, são mostrados no campo de concentração de Buchenwald ao lado de um carroceria com cadáveres, perto de Weimar, Alemanha, em 11 de abril de 1945. (AP Photo/U.S. Army)
27. General Patch, da 12 ª Divisão Blindada, fazendo seu caminho em direção à fronteira com a Áustria, descobrindo os horrores do campo de prisioneiros alemão de Schwabmünchen, a sudoeste de Munique. Mais de 4.000 trabalhadores escravos, todos os judeus de várias nacionalidades, foram alojados na prisão. Os internos foram queimados vivos brutalmente por guardas que atearam fogo aos barracos nos quais os prisioneiros dormiam, atirando em qualquer um que tentasse escapar. Esparramado aqui no recinto da prisão estão os corpos queimados de alguns dos trabalhadores escravos judeus descobertos pelo 7º Exército dos EUA em Schwabmünchen, em 01 de maio de 1945. (AP Photo/Jim Pringle)
28. O cadáver de um prisioneiro se encontra na cerca de arame farpado em Leipzig-Thekla, um campo secundário de Buchenwald, perto de Weimar, Alemanha. (NARA)
29. Estas vítimas mortas pelos alemães foram retiradas do campo de concentração de Lambach, na Áustria, em 6 de maio de 1945, por soldados alemães sob as ordens de soldados do Exército dos EUA. Assim que todos os corpos foram removidos do campo, os alemães os enterraram. Este campo originalmente abrigou 18.000 pessoas, cada edifício com lotação de 1600 pessoas. Não havia camas ou quaisquer instalações sanitárias, e de 40 a 50 prisioneiros morriam por dia. (AP Photo)
30. Um jovem se senta em um banquinho ao lado de um corpo queimado no campo de Thekla em Leipzig, em abril de 1945, depois que as tropas norte-americanas entraram Leipzig em 18 de abril. No dia 18 de abril, os trabalhadores da fábrica de avião Thekla foram trancados em uma construção isolada da fábrica pelos alemães e queimados vivos por bombas incendiárias. Cerca de 300 prisioneiros morreram. Aqueles que conseguiram escapar morreram no arame farpado ou foram executados pela Juventude Hitlerista, de acordo com o relatório de um capitão dos EUA. (Eric Schwab/AFP/Getty Images)
31. Corpos queimados de prisioneiros políticos jazem espalhados sobre a entrada de um celeiro em Gardelegen, Alemanha, em 16 de abril de 1945, onde eles encontraram a morte nas mãos das tropas alemães da SS, que colocou o celeiro em chamas. O grupo tentou fugir e foi fuzilado pelas tropas da SS. Dos 1.100 presos, apenas 12 conseguiram escapar. (AP Photo/U.S. Army Signal Corps)
32. Alguns restos/pedaços de esqueletos humanos encontrados por homens da Terceira Divisão Blindada do Primeiro Exército dos EUA, no campo de concentração alemão de Nordhausen em 25 de abril de 1945, onde centenas de "trabalhadores escravos" de várias nacionalidades estavam mortos ou morrendo. (AP Photo)
33. Quando as tropas norte-americanas libertaram os prisioneiros do campo de concentração de Dachau, na Alemanha, em 1945, muitos guardas alemães da SS foram mortos pelos prisioneiros que jogaram seus corpos no fosso ao redor do campo. (AP Photo)
34. O tenente-coronel Ed Seiller de Louisville, Kentucky, está em meio a uma pilha de vítimas do Holocausto, quando ele fala a 200 civis alemães que foram forçados a ver as condições cruéis no campo de concentração de Landsberg, em 15 de maio de 1945. (AP Photo)
35. Prisioneiros subnutridos, quase mortos de fome, aparecem na foto em um campo de concentração em Ebensee, Áustria, em 7 de maio de 1945. O campo foi supostamente usado para experimentos "científicos". (NARA/Newsmakers)
36. Um sobrevivente russo, liberado pela 3ª Divisão Blindada do Primeiro Exército dos EUA, identifica um ex-guarda de campo que espancava brutalmente prisioneiros em 14 de abril de 1945, no campo de concentração de Buchenwald, na Turíngia, Alemanha. (AP Photo)
37. Cadáveres pilhados no campo de concentração de Bergen-Belsen depois das tropas britânicas libertarem o campo em 15 de abril de 1945. Os britânicaos encontraram 60.000 homens, mulheres e crianças morrendo de fome e doenças. (AFP/Getty Images)
38. Tropas alemãs da SS carregam vítimas do campo de concentrção de Bergen-Belsen em caminhões para o enterro, em Belsen, Alemanha, em 17 de abril de 1945. Guardas britânicos seguram fuzis ao fundo. (AP Photo/British Official Photo)
39. Cidadãos de Ludwigslust, Alemanha, inspecionam as proximidades de um campo de concentração sob as ordens da 82ª Divisão Aerotransportada em 6 de maio de 1945. Corpos de vítimas dos campos alemães de prisioneiros foram encontrados jogados em fossas no quintal, num poço contendo 300 corpos. (NARA)
40. Uma pilha de corpos deixados para apodrecer no campo de Bergen-Belsen, em Bergen, na Alemanha, encontrados após o campo ser libertado pelas forças britânicas em 20 de abril de 1945. Cerca de 60.000 civis, a maioria sofrendo de febre tifóide, tifo e disenteria, morriam às centenas por dia, apesar dos esforços frenéticos dos serviços médicos que percorriam o campo. (AP Photo)
41. Quem aparece algemado após sua prisão é Joseph Kramer, comandante do campo de concentração de Bergen-Belsen em Belsen, fotografado em 28 de abril de 1945. Depois de julgado, Kramer, "A Besta de Belsen", foi condenado e executado em dezembro de 1945. (AP Photo)
42. Mulheres alemãs da SS removem os corpos de suas vítimas para caminhões no campo de concentração de Belsen, Alemanha, em 28 de abril de 1945. Fome e doença mataram centenas de milhares de encarcerados no campo. Soldados britânicos aparecem ao fundo segurando fuzis na lama que vai encherá a vala comum. (AP Photo/British official photo)
43. Um guarda alemão da SS, em pé em meio a centenas de corpos, transporta outro cadávers de uma vítima do campo de concentração para uma vala comum em Belsen, na Alemanha em abril de 1945. (AP Photo)
44. Pilhas de cadáveres no campo de concentração de Bergen-Belsen em 30 de abril de 1945. Cerca de 100.000 pessoas são as estimativas do que deve ter morrido apenas neste campo. (AP Photo)
45. A mãe alemã cobre os olhos de seu filho quando eles andam com outros civis passado por uma fileira de corpos exumados em Suttrop, Alemanha. Os corpos eram de 57 russos mortos por soldados alemães da SS e despejados em uma vala comum, antes da chegada das tropas do Nono Exército dos EUA. Soldados da 95ª divisão de Infantaria foram levados por informantes à sepultura em massa em 3 de maio de 1945. Antes do enterro, todos os civis alemães na vizinhança foram obrigados a ver as vítimas. (U.S. Holocaust Memorial Museum, U.S. Army Signal Corps)
Fonte: The Atlantic (EUA)
Tradução: Roberto Lucena
Só um aviso: apesar da tradução do aviso da matéria da revista eu reforço o aviso aqui, pra quem se chocar demais com esse tipo de foto é recomendável cautela pois as fotos chocam, principalmente pela alta resolução da imagem. Eu já vi várias mas com resolução pior, a alta resolução das fotos dá uma visão mais chocante da tragédia.
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Tradução: Um dos termos mais terríveis da história foi usado pela Alemanha nazista para designar seres humanos cujas vidas não tinha importância, ou aqueles que devessem ser mortos imediatamente: lebensunwertes Leben, ou "vida indigna da vida". A frase foi aplicada ao deficiente mental e mais tarde para os "racialmente inferiores", ou "sexualmente desviados", bem como os "inimigos do Estado", tanto internos como externos. Desde o princípio da guerra, parte da política nazista era assassinar civis em massa, especialmente direcionadas para os judeus. Mais tarde na guerra, esta política se transformou na "solução final" de Hitler, o extermínio completo dos judeus. Ela começou com os esquadrões da morte dos Einsatzgruppen no Leste, que matou cerca de um milhão de pessoas em inúmeros massacres, e continuou em campos de concentração onde os prisioneiros tinha negadas alimentação adequada e cuidados de saúde. Isso culminou na construção de campos de extermínio - instalações governamentais cujo objetivo era o assassinato sistemático e a eliminação de um número em massa de pessoas. Em 1945, com o avanço das tropas aliadas, elas começaram a descobrir estes campos e descobriram os resultados dessas políticas: centenas de milhares de prisioneiros famintos e doentes trancados com milhares de cadáveres. Eles encontraram evidências de câmaras de gás e crematórios para grandes volumes, assim como milhares de valas em massa, documentação de terrível experimentação médica, e muito mais. Os nazistas mataram mais de 10 milhões de pessoas desta maneira, incluindo 6 milhões de judeus. (Esta entrada é a parte 18 de uma retrospectiva de 20 partes, semanal, da II Guerra Mundial) [45 fotos]
Aviso: Todas as imagens desta entrada são mostrados na íntegra, não sendo excluído o conteúdo chocante das fotos. Há muitos cadáveres. As fotos são chocantes e pesadas. Esta é a realidade do genocídio, e de uma parte importante da Segunda Guerra Mundial e da história humana.
1. Uma menina russa de 18 anos de idade, magra olha para a lente da câmera durante a libertação do campo de concentração de Dachau em 1945. Dachau foi o primeiro campo de concentração alemão, inaugurado em 1933. Mais de 200.000 pessoas foram detidas, entre 1933 e 1945, e 31.591 mortes foram declaradas, a maioria por desnutrição, doenças e suicídio. Ao contrário de Auschwitz, Dachau não era explicitamente um campo de extermínio, mas as condições eram tão terríveis que centenas de pessoas morriam a cada semana. (Eric Schwab / AFP / Getty Images)2. Nesta foto fornecida pelo Memorial do Holocausto de Paris mostra um soldado alemão dispararando contra um judeu ucraniano durante uma execução em massa em Vinnytsia, Ucrânia, em algum momento entre 1941 e 1943. Esta imagem é intitulada de "O último judeu em Vinnitsa", o texto que foi escrito no verso da fotografia foi encontrado em um álbum de fotos pertencente a um soldado alemão. (AP Photo/ USHMM/LOC)
3. Soldados alemães interpelam judeus após o Levante do Gueto de Varsóvia, em 1943. Em outubro de 1940, os alemães começaram a concentrar a população da Polônia de mais de 3 milhões de judeus em guetos superlotados. No maior deles, o Gueto de Varsóvia, milhares de judeus morreram devido à doença galopante e fome, mesmo antes dos nazistas começaram suas deportações em massa do gueto para o campo de extermínio de Treblinka. O Levante do Gueto de Varsóvia - a primeira rebelião em massa urbana contra a ocupação nazista da Europa - ocorreu de 19 de abril até 16 de maio de 1943, e começou depois que tropas alemãs e policiais entraram no gueto para deportar os habitantes sobreviventes. O levante terminou quando a resistência mal-armada e sem suprimentos foi esmagado pelas tropas alemãs. (OFF/AFP/Getty Images)
4. Um homem leva embora corpos de judeus mortos no Gueto de Varsóvia, em 1943, onde as pessoas morriam de fome nas ruas. A cada manhã, cerca de 4-5 da manhã, carros fúnebres recolhiam uma dúzia ou mais cadáveres das ruas. Os corpos de judeus mortos foram cremados em covas profundas. (AFP/Getty Images)
5. Um grupo de judeus, incluindo um garoto, é escoltado do Gueto de Varsóvia por soldados alemães em 19 abril de 1943 (foto). A imagem faz parte de um relatório da SS do general Stroop para seu comandante, e foi apresentado como prova nos julgamentos de Crimes de Guerra em Nuremberg, em 1945. (AP Photo)
6. Após a Revolta do Gueto de Varsóvia, o gueto foi completamente destruído. Dos mais de 56.000 judeus capturados, cerca de 7.000 foram mortos, e o restante foi deportado para centros de extermínio ou campos de concentração. Esta é uma vista dos restos do gueto o qual a SS alemã pôs ao chão com dinamite. O Gueto de Varsóvia só existiu por alguns anos, e nesse tempo, cerca de 300.000 judeus poloneses perderam a vida lá. (AP Photo)
7.Um alemão em um uniforme militar atira em uma mulher judia depois de uma execução em massa em Mizocz, Ucrânia. Em outubro de 1942, as 1.700 pessoas no gueto de Mizocz lutaram contra auxiliares ucranianos e policiais alemães que tinham a intenção de liquidar a população. Cerca de metade dos moradores conseguram fugir ou se esconder durante a confusão antes do levante ser finalmente abatido. Os sobreviventes capturados foram levados para uma ravina e fuzilados. Foto cedida pelo Memorial do Holocausto de Paris. (AP Photo/USHMM)
8. Deportados judeus no campo de trânsito de Drancy, perto de Paris, França, em 1942, em sua última parada antes dos campos de concentração alemães. Alguns 13.152 judeus (incluindo 4.115 crianças) foram caçados pelas forças policiais francesas, tirados de suas casas para o "Vel d'Hiv", o estádio de inverno de ciclismo, no sudoeste de Paris, em julho de 1942. Eles foram mais tarde levados para um terminal ferroviário em Drancy, a nordeste da capital francesa, e depois deportados para o leste. Apenas um punhado retornou. (AFP/Getty Images)
9. Anne Frank posa para foto em 1941 nesta foto disponibilizada pela Casa Anne Frank em Amsterdã, Holanda. Em agosto de 1944, Anne, sua família e outras pessoas que estavam se escondendo das forças de segurança alemãs de ocupação, foram capturados e enviados para uma série de prisões e campos de concentração. Anne morreu de tifo aos 15 anos no campo de concentração de Bergen-Belsen, mas seu diário publicado postumamente fez dela um símbolo de todos os judeus mortos na Segunda Guerra Mundial. (AP Photo/Anne Frank House/Frans Dupont)
10. Chegada e processamento de um transporte inteiro de judeus da Carpática Rutênia, região da Tchecoslováquia anexada em 1939 à Hungria, ao campo de extermínio de Auschwitz-Birkenau na Polônia, em maio de 1944. A foto foi doada ao Yad Vashem em 1980 por Lili Jacob. (AP Photo/Yad Vashem Photo Archives)
11. Czeslawa Kwoka, de 14 anos, aparece em uma foto de identidade de prisioneiro fornecida pelo Museu de Auschwitz, tomada por Wilhelm Brasse enquanto trabalhava no departamento de fotografia em Auschwitz, na parte administrativa do campo de extermínio nazista onde cerca de 1,5 milhões de pessoas, a maioria judeus, morreram durante Segunda Guerra Mundial. Czeslawa era uma menina católica polonesa, de Wolka Zlojecka, na Polônia, que foi enviada para Auschwitz com sua mãe, em dezembro de 1942. Dentro de três meses, ambas foram mortas. Fotógrafo (e companheiro de prisão) Brasse lembrou das fotografias de Czeslawa em um documentário de 2005:.. "Ela era tão jovem e tão aterrorizada. A menina não entendia por que ela estava lá, e ela não conseguia entender o que estava sendo dito a ela. Então esta Kapo mulher (um prisioneiro superintendente) pegou um pau e lhe bateu no rosto. Esta mulher alemã estava apenas extravasando sua raiva na menina. Uma menina tão bonita, tão inocente. Ela chorou, mas não podia fazer nada. Antes das fotografias serem tomadas, a menina enxugou as lágrimas e o sangue do corte no lábio. Para dizer a verdade, eu senti como se estivessem atingindo a mim, mas eu não podia interferir. Isto teria sido fatal para mim." (AP Photo/Auschwitz Museum)
12. Uma vítima de experiências médicas nazistas. Um braço da vítima mostra uma queimadura profunda de fósforo em Ravensbrueck, na Alemanha, em novembro de 1943. A fotografia mostra os resultados de uma experiência médica com fósforo, que foi realizada por médicos em Ravensbrueck. Na experiência, uma mistura de fósforo e de borracha foi aplicada sobre a pele e depois queimada. Depois de vinte segundos, o fogo foi apagado com água. Depois de três dias, a queimadura foi tratada com Echinacin na forma líquida. Depois de duas semanas a ferida havia curado. Esta fotografia, tirada por um médico do campo, foi inscrita como prova durante o Julgamento dos Médicos em Nuremberg. (U.S. Holocaust Memorial Museum, NARA)
13. Prisioneiros judeus no campo de concentração de Buchenwald, depois da libertação do campo em 1945. (AFP/Getty Images)
14. Soldados norte-americanos silenciosamente inspecionam alguns dos vagões carregados com mortos que foram encontrados no tapume ferroviário no campo de concentração de Dachau na Alemanha, em 3 de maio de 1945. (AP Photo)
15. Um francês esfomeado sentando ao lado de cadáveres no sub-campo do campo de trabalho forçado de Mittelbau-Dora, em Nordhausen, Alemanha, em abril de 1945. (U.S. Army/LOC)
16. Corpos jazem empilhados contra as paredes da sala de um crematório num campo de concentração alemão em Dachau, na Alemanha. Os corpos foram encontrados pelas tropas norte-americanas do Sétimo Exército que tomaram o campo em 14 de maio de 1945. (AP Photo)
17. Um soldado dos EUA inspeciona milhares de alianças de casamento de ouro retiradas de judeus pelos alemães e escondidas nas minas de Salt Heilbronn, em 3 de maio de 1945 na Alemanha. (AFP/NARA)
18. Três soldados americanos olham corpos dentro de um forno em um crematório, em abril de 1945. Foto tirada em um campo de concentração na Alemanha não identificado, no momento da libertação por Exército dos EUA. (U.S. Army/LOC)
19. Este amontoado de cinzas e ossos são os escombros de um dia de extermínio de prisioneiros alemães por 88 soldados no campo de concentração de Buchenwald, perto de Weimar, na Alemanha, exibidos em 25 de abril de 1945. (AP Photo/U.S. Army Signal Corps)
20. Prisioneiros atrás da cerca elétrica do campo de concentração de Dachau saúdam soldados norte-americanos em Dachau, Alemanha, em uma foto sem data. Alguns deles usam o uniforme listrado azul e branco da prisão. Eles decoraram suas cabanas com as bandeiras de todas as nações que haviam feito secretamente ao ouvirem as armas da 42ª Divisão Arco-íris ficarem cada vez mais altas quando foram chegando a Dachau. (AP Photo)
21. General Dwight D. Eisenhower e outros oficiais norte-americanos no campo de concentração de Ohrdruf, pouco depois da libertação do campo em abril de 1945. Quando as forças norte-americanas foram chegando, os guardas atiraram nos prisioneiros restantes. (U.S. Army Signal Corps/NARA)
22. Um prisioneiro moribundo, fraco demais para se sentar em meio a seus trapos e sujeira, vítima de inanição e incrível brutalidade, no campo de concentração de Nordhausen na Alemanha, em 18 de abril de 1945. (AP Photo)
23. Prisioneiros em uma marcha da morte de Dachau para o sul ao longo da rua Noerdliche Muenchner em Gruenwald, Alemanha, em 29 de abril de 1945. Milhares de prisioneiros foram levados à força de campos de prisioneiros para campos distantes e mais dentro da Alemanha porque forças aliadas estavam chegando perto. Milhares de pessoas morreram ao longo do caminho, qualquer pessoa incapaz de se manter em pé foi executado no local. Na foto, o quarto da direita é Dimitry Gorky, que nasceu em 19 de agosto de 1920 em Blagoslovskoe, Rússia, de uma família de camponeses. Durante a Segunda Guerra Mundial, Dmitry foi preso em Dachau por 22 meses. A razão de sua prisão não é conhecida. Foto divulgada pelo Museu Memorial do Holocausto dos EUA. (AP Photo/USHMM, cortesia do KZ Gedenkstaette Dachau)
24. Soldados norte-americanos andam em fila próximos às pilhas de cadáveres no chão ao lado de barracas, no campo de concentração nazi em Nordhausen, Alemanha, em 17 de abril de 1945. O campo era localizado a cerca de 70 km a oeste de Leipzig. Quando o campo foi libertado em 12 de abril, o Exército dos EUA encontrou mais de 3.000 cadáveres e um punhado de sobreviventes. (AP Photo/US Army Signal Corps)
25. Um prisioneiro morto estirado em um vagão de trem próximo ao campo de concentração de Dachau, em Maio de 1945. (Eric Schwab/AFP/Getty Images)
26. Soldados libertadores, do Corpo XX do 3º Exército do Tenente-General George S. Patton, são mostrados no campo de concentração de Buchenwald ao lado de um carroceria com cadáveres, perto de Weimar, Alemanha, em 11 de abril de 1945. (AP Photo/U.S. Army)
27. General Patch, da 12 ª Divisão Blindada, fazendo seu caminho em direção à fronteira com a Áustria, descobrindo os horrores do campo de prisioneiros alemão de Schwabmünchen, a sudoeste de Munique. Mais de 4.000 trabalhadores escravos, todos os judeus de várias nacionalidades, foram alojados na prisão. Os internos foram queimados vivos brutalmente por guardas que atearam fogo aos barracos nos quais os prisioneiros dormiam, atirando em qualquer um que tentasse escapar. Esparramado aqui no recinto da prisão estão os corpos queimados de alguns dos trabalhadores escravos judeus descobertos pelo 7º Exército dos EUA em Schwabmünchen, em 01 de maio de 1945. (AP Photo/Jim Pringle)
28. O cadáver de um prisioneiro se encontra na cerca de arame farpado em Leipzig-Thekla, um campo secundário de Buchenwald, perto de Weimar, Alemanha. (NARA)
29. Estas vítimas mortas pelos alemães foram retiradas do campo de concentração de Lambach, na Áustria, em 6 de maio de 1945, por soldados alemães sob as ordens de soldados do Exército dos EUA. Assim que todos os corpos foram removidos do campo, os alemães os enterraram. Este campo originalmente abrigou 18.000 pessoas, cada edifício com lotação de 1600 pessoas. Não havia camas ou quaisquer instalações sanitárias, e de 40 a 50 prisioneiros morriam por dia. (AP Photo)
30. Um jovem se senta em um banquinho ao lado de um corpo queimado no campo de Thekla em Leipzig, em abril de 1945, depois que as tropas norte-americanas entraram Leipzig em 18 de abril. No dia 18 de abril, os trabalhadores da fábrica de avião Thekla foram trancados em uma construção isolada da fábrica pelos alemães e queimados vivos por bombas incendiárias. Cerca de 300 prisioneiros morreram. Aqueles que conseguiram escapar morreram no arame farpado ou foram executados pela Juventude Hitlerista, de acordo com o relatório de um capitão dos EUA. (Eric Schwab/AFP/Getty Images)
31. Corpos queimados de prisioneiros políticos jazem espalhados sobre a entrada de um celeiro em Gardelegen, Alemanha, em 16 de abril de 1945, onde eles encontraram a morte nas mãos das tropas alemães da SS, que colocou o celeiro em chamas. O grupo tentou fugir e foi fuzilado pelas tropas da SS. Dos 1.100 presos, apenas 12 conseguiram escapar. (AP Photo/U.S. Army Signal Corps)
32. Alguns restos/pedaços de esqueletos humanos encontrados por homens da Terceira Divisão Blindada do Primeiro Exército dos EUA, no campo de concentração alemão de Nordhausen em 25 de abril de 1945, onde centenas de "trabalhadores escravos" de várias nacionalidades estavam mortos ou morrendo. (AP Photo)
33. Quando as tropas norte-americanas libertaram os prisioneiros do campo de concentração de Dachau, na Alemanha, em 1945, muitos guardas alemães da SS foram mortos pelos prisioneiros que jogaram seus corpos no fosso ao redor do campo. (AP Photo)
34. O tenente-coronel Ed Seiller de Louisville, Kentucky, está em meio a uma pilha de vítimas do Holocausto, quando ele fala a 200 civis alemães que foram forçados a ver as condições cruéis no campo de concentração de Landsberg, em 15 de maio de 1945. (AP Photo)
35. Prisioneiros subnutridos, quase mortos de fome, aparecem na foto em um campo de concentração em Ebensee, Áustria, em 7 de maio de 1945. O campo foi supostamente usado para experimentos "científicos". (NARA/Newsmakers)
36. Um sobrevivente russo, liberado pela 3ª Divisão Blindada do Primeiro Exército dos EUA, identifica um ex-guarda de campo que espancava brutalmente prisioneiros em 14 de abril de 1945, no campo de concentração de Buchenwald, na Turíngia, Alemanha. (AP Photo)
37. Cadáveres pilhados no campo de concentração de Bergen-Belsen depois das tropas britânicas libertarem o campo em 15 de abril de 1945. Os britânicaos encontraram 60.000 homens, mulheres e crianças morrendo de fome e doenças. (AFP/Getty Images)
38. Tropas alemãs da SS carregam vítimas do campo de concentrção de Bergen-Belsen em caminhões para o enterro, em Belsen, Alemanha, em 17 de abril de 1945. Guardas britânicos seguram fuzis ao fundo. (AP Photo/British Official Photo)
39. Cidadãos de Ludwigslust, Alemanha, inspecionam as proximidades de um campo de concentração sob as ordens da 82ª Divisão Aerotransportada em 6 de maio de 1945. Corpos de vítimas dos campos alemães de prisioneiros foram encontrados jogados em fossas no quintal, num poço contendo 300 corpos. (NARA)
40. Uma pilha de corpos deixados para apodrecer no campo de Bergen-Belsen, em Bergen, na Alemanha, encontrados após o campo ser libertado pelas forças britânicas em 20 de abril de 1945. Cerca de 60.000 civis, a maioria sofrendo de febre tifóide, tifo e disenteria, morriam às centenas por dia, apesar dos esforços frenéticos dos serviços médicos que percorriam o campo. (AP Photo)
41. Quem aparece algemado após sua prisão é Joseph Kramer, comandante do campo de concentração de Bergen-Belsen em Belsen, fotografado em 28 de abril de 1945. Depois de julgado, Kramer, "A Besta de Belsen", foi condenado e executado em dezembro de 1945. (AP Photo)
42. Mulheres alemãs da SS removem os corpos de suas vítimas para caminhões no campo de concentração de Belsen, Alemanha, em 28 de abril de 1945. Fome e doença mataram centenas de milhares de encarcerados no campo. Soldados britânicos aparecem ao fundo segurando fuzis na lama que vai encherá a vala comum. (AP Photo/British official photo)
43. Um guarda alemão da SS, em pé em meio a centenas de corpos, transporta outro cadávers de uma vítima do campo de concentração para uma vala comum em Belsen, na Alemanha em abril de 1945. (AP Photo)
44. Pilhas de cadáveres no campo de concentração de Bergen-Belsen em 30 de abril de 1945. Cerca de 100.000 pessoas são as estimativas do que deve ter morrido apenas neste campo. (AP Photo)
45. A mãe alemã cobre os olhos de seu filho quando eles andam com outros civis passado por uma fileira de corpos exumados em Suttrop, Alemanha. Os corpos eram de 57 russos mortos por soldados alemães da SS e despejados em uma vala comum, antes da chegada das tropas do Nono Exército dos EUA. Soldados da 95ª divisão de Infantaria foram levados por informantes à sepultura em massa em 3 de maio de 1945. Antes do enterro, todos os civis alemães na vizinhança foram obrigados a ver as vítimas. (U.S. Holocaust Memorial Museum, U.S. Army Signal Corps)
Fonte: The Atlantic (EUA)
Tradução: Roberto Lucena
quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
Os ciganos, entre "as vítimas mais esquecidas do holocausto" 67 anos depois
Agencias. @DiarioSigloXXI. terça-feira, 22 de janeiro de 2013, 19:10
MADRID, 22 (SERVIMEDIA)
A Fundación Secretariado Gitano (FSG) recordou esta terça-feira as mais de 500.000 pessoas de etnia cigana (Roma e Sinti) que morreram nos campos de extermínio nazi, pela razão da celebração do Dia Internacional da Memória do Holocausto no próximo dia 27 de janeiro.
Depois do ato em homenagem às vítimas celebrado nesta terça-feira no Senado, a FSJ destacou também que os ciganos seguem sendo "uma das vítimas mais esquecidas deste terrível genocídio".
Quando se aproxima o 67º aniversário da libertação de Auschwitz (por esta razão a escolha do 27 de janeiro como Dia Internacional da Memória do Holocausto pela ONU), a comunidade cigana quis destacar que este coletivo é um dos "mais estigmatizados e perseguidos em toda a UE”, onde "o anticiganismo representa um fenômeno crescente em vários países".
Por isso sua petição aos Estados membros, para porem em marcha leis mais duras contra a discriminação e lhes exigir "uma atitude mais contundente frente a qualquer conduta racista, de estigmatização e de preconceitos" contra os ciganos.
Em nota à imprensa, a FSG expressou seu desejo de que este dia sirva para entender "a rejeição e perseguição que secularmente sofre este povo", assim como compreender sua situação atual.
Fonte: Diario Siglo XXI
http://www.diariosigloxxi.com/texto-s/mostrar/82572/los-gitanos-entre-quotlas-victimas-mas-olvidadas-del-holocausto-quot-67-anos-despues
Tradução: Roberto Lucena
MADRID, 22 (SERVIMEDIA)
A Fundación Secretariado Gitano (FSG) recordou esta terça-feira as mais de 500.000 pessoas de etnia cigana (Roma e Sinti) que morreram nos campos de extermínio nazi, pela razão da celebração do Dia Internacional da Memória do Holocausto no próximo dia 27 de janeiro.
Depois do ato em homenagem às vítimas celebrado nesta terça-feira no Senado, a FSJ destacou também que os ciganos seguem sendo "uma das vítimas mais esquecidas deste terrível genocídio".
Quando se aproxima o 67º aniversário da libertação de Auschwitz (por esta razão a escolha do 27 de janeiro como Dia Internacional da Memória do Holocausto pela ONU), a comunidade cigana quis destacar que este coletivo é um dos "mais estigmatizados e perseguidos em toda a UE”, onde "o anticiganismo representa um fenômeno crescente em vários países".
Por isso sua petição aos Estados membros, para porem em marcha leis mais duras contra a discriminação e lhes exigir "uma atitude mais contundente frente a qualquer conduta racista, de estigmatização e de preconceitos" contra os ciganos.
Em nota à imprensa, a FSG expressou seu desejo de que este dia sirva para entender "a rejeição e perseguição que secularmente sofre este povo", assim como compreender sua situação atual.
Fonte: Diario Siglo XXI
http://www.diariosigloxxi.com/texto-s/mostrar/82572/los-gitanos-entre-quotlas-victimas-mas-olvidadas-del-holocausto-quot-67-anos-despues
Tradução: Roberto Lucena
Albert Speer - o Arquiteto de Hitler
Documentário exibido pelo National Geographic sobre Albert Speer, arquiteto de Hitler, cotado para sucedê-lo e ministro dos armamentos do Terceiro Reich, um dos cabeças do Terceiro Reich e o homem que manteve a máquina de guerra nazi de pé. Speer escapou da condenação de pena de morte encenando o papel de "bom nazista" no julgamento de Nuremberg.
Posts sobre Speer:
Carta prova que [Albert] Speer sabia do Holocausto
Testemunho de Albert Speer e Holocausto
Quando Hitler decidiu-se pela Solução Final?
Posts sobre Speer:
Carta prova que [Albert] Speer sabia do Holocausto
Testemunho de Albert Speer e Holocausto
Quando Hitler decidiu-se pela Solução Final?
terça-feira, 22 de janeiro de 2013
Filme: La Rafle (Amor e Ódio), com Mélanie Laurent e Jean Reno. França de Vichy
Crítica do filme. O 'aprisionamento de judeus' na França
'La rafle' (Amor e Ódio), com Mélanie Laurent e Jean Reno
Menemsha Films
(Foto) Mélanie Laurent como enfermeira em um campo de internamento em "La rafle".
Por Jeannette CATSOULIS. Publicado: 15 de novembro de 2012
Um 'monte de lágrimas' relembra a contribuição da França com o Holocausto (não reconhecida pelo governo francês até 1995), "La rafle" ("Amor e Ódio") é um conto bem-intencionado mas dramatizado com pouca habilidade, sobre o aprisionamento de 13.000 judeus parisienses no no verão de 1942.
Abordar o tema a partir de vários pontos de vista - incluindo os de uma enfermeira protestante horrorizada (Mélanie Laurent), um médico judeu cansado (Jean Reno) e os membros de duas famílias judias - a escritora e diretora, Rose Bosch, provoca atuações comprometidas com o roteiro ao longo de muitas das fissuras do filme. Entre esses, os episódios que mostram a negociação entre funcionários corruptos franceses e seus ocupantes nazistas são especialmente cortantes, e a passagem de cena de fome dos prisioneiros judeus para a festa de aniversário do pródigo Hitler, comandada por uma Eva Braun bêbada, é embaraçosamente pesada.
No entanto, a Sra. Bosch retorce o puro terror do aprisionamento e o subsequente sofrimento dos judeus. Em uma escala épica e minuciosa em detalhes (o roteiro foi baseado em extensa pesquisa feita pela Sra. Bosch e o historiador do Holocausto Serge Klarsfeld), o filme inclui cenas de multidão que se agitam com uma miséria não forçada.
É desnecessário, portanto, retornar tantas vezes ao destino de uma criança de cabelos encaracolados - uma indulgência sentimental que só enfraquece o todo do filme. Seria melhor ter seguido a adolescente judia corajosa (Adèle Exarchopoulos) que trafega através da rede nazista: sua coragem e ação são muito mais atraentes do que uma sala cheia de crianças levadas.
Uma versão desta crítica apareceu na versão impressa em 16 de novembro de 2012, na página C12 da edição do New York Times com a manchete: La Rafle.
Fonte: NY Times
http://movies.nytimes.com/2012/11/16/movies/la-rafle-with-melanie-laurent-and-jean-reno.html
Tradução: Roberto Lucena
Observação: eu assisti o filme e não concordo com o teor da crítica acima, o filme tem uma visão francesa do ocorrido e não uma visão norte-americana, por isso talvez essa crítica ácida acima ao filme por não se enquadrar "facilmente" ao que "críticos" dos EUA esperam desse tipo de filme. Mas por não ter encontrado outra crítica que li sobre o filme pra traduzir, acabei traduzindo essa pra informar sobre o filme "Amor e ódio" (La Rafle) que vale a pena ser assistido. A observação se dá porque muita gente tem acessado o link pra ler algo sobre o filme e não concordo com a crítica acima e não foi possível colocar outra no lugar.
Trailer:
'La rafle' (Amor e Ódio), com Mélanie Laurent e Jean Reno
Menemsha Films
(Foto) Mélanie Laurent como enfermeira em um campo de internamento em "La rafle".
Por Jeannette CATSOULIS. Publicado: 15 de novembro de 2012
Um 'monte de lágrimas' relembra a contribuição da França com o Holocausto (não reconhecida pelo governo francês até 1995), "La rafle" ("Amor e Ódio") é um conto bem-intencionado mas dramatizado com pouca habilidade, sobre o aprisionamento de 13.000 judeus parisienses no no verão de 1942.
Abordar o tema a partir de vários pontos de vista - incluindo os de uma enfermeira protestante horrorizada (Mélanie Laurent), um médico judeu cansado (Jean Reno) e os membros de duas famílias judias - a escritora e diretora, Rose Bosch, provoca atuações comprometidas com o roteiro ao longo de muitas das fissuras do filme. Entre esses, os episódios que mostram a negociação entre funcionários corruptos franceses e seus ocupantes nazistas são especialmente cortantes, e a passagem de cena de fome dos prisioneiros judeus para a festa de aniversário do pródigo Hitler, comandada por uma Eva Braun bêbada, é embaraçosamente pesada.
No entanto, a Sra. Bosch retorce o puro terror do aprisionamento e o subsequente sofrimento dos judeus. Em uma escala épica e minuciosa em detalhes (o roteiro foi baseado em extensa pesquisa feita pela Sra. Bosch e o historiador do Holocausto Serge Klarsfeld), o filme inclui cenas de multidão que se agitam com uma miséria não forçada.
É desnecessário, portanto, retornar tantas vezes ao destino de uma criança de cabelos encaracolados - uma indulgência sentimental que só enfraquece o todo do filme. Seria melhor ter seguido a adolescente judia corajosa (Adèle Exarchopoulos) que trafega através da rede nazista: sua coragem e ação são muito mais atraentes do que uma sala cheia de crianças levadas.
Uma versão desta crítica apareceu na versão impressa em 16 de novembro de 2012, na página C12 da edição do New York Times com a manchete: La Rafle.
Fonte: NY Times
http://movies.nytimes.com/2012/11/16/movies/la-rafle-with-melanie-laurent-and-jean-reno.html
Tradução: Roberto Lucena
Observação: eu assisti o filme e não concordo com o teor da crítica acima, o filme tem uma visão francesa do ocorrido e não uma visão norte-americana, por isso talvez essa crítica ácida acima ao filme por não se enquadrar "facilmente" ao que "críticos" dos EUA esperam desse tipo de filme. Mas por não ter encontrado outra crítica que li sobre o filme pra traduzir, acabei traduzindo essa pra informar sobre o filme "Amor e ódio" (La Rafle) que vale a pena ser assistido. A observação se dá porque muita gente tem acessado o link pra ler algo sobre o filme e não concordo com a crítica acima e não foi possível colocar outra no lugar.
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sexta-feira, 18 de janeiro de 2013
Gottfried Küssel - Líder neonazi austríaco condenado a 9 anos de prisão
Líder neonazi austríaco condenado a 9 anos de prisão
Por Rachel Hirshfeld
Publicado em: 15/01/2013, 1:46 AM
Um tribunal de Viena condenou uma figura que é líder neo-nazista na Áustria a nove anos de prisão por seu envolvimento no lançamento de um site de extrema-direita que glorifica o nazismo.
Gottfried Küssel, 54, é "uma figura de destaque na cena de extrema-direita" e já havia sido condenado por problemas semelhantes, incluindo uma condenação de 11 anos em 1994, disse a juiz,a Martina Krainz, anunciando o voto do júri de 5-3 por sua condenação.
A plataforma de discussão "Alpen-Donau" foi fechada no mês passado, depois que promotores em Viena pediram a seus homólogos nos EUA para dar assistência pelo fato da página ter funcionado através de um servidor localizado nos Estados Unidos, o que impossibilita os oficiais austríacos a tomarem medidas, informou o The Austrian Times.
Krainz disse que a Internet é crucial para espalhar a ideologia neo-nazista, que é proibida na Áustria, e, por essa razão, o tribunal havia imposto uma punição severa a Küssel, bem como a dois outros réus que receberam sentenças de prisão de sete e quatro anos e meio.
O advogado de Küssel, Michael Dohr, disse que vai recorrer da condenação. "Eu esperava uma absolvição por causa da prova muito tênue. Havia apenas provas circunstanciais, não mais que isso", disse ele em comentários transmitidos pela rádio pública austríaca ORF.
De acordo com o The Austrian Times, Küssel também é suspeito de esconder uma instalação onde os neonazistas podiam se encontrar em Viena pela marca da propriedade que funcionava como uma "lanchonete nacional de comida orgânica."
Dezenas de nacionalistas e skinheads tomaram as ruas da cidade alemã de Dortmund na noite de terça-feira para protestar contra a prisão de Küssel.
Oskar Deutsch, líder da comunidade judaica de Viena, disse recentemente que o número de incidentes antissemitas no país quase dobrou em relação ao ano passado.
Deutsch disse ao jornal Kurier que a comunidade judaica registrou 135 incidentes desse tipo no ano passado, em comparação a 71 ocorridos em 2011.
Fonte: Arutz Sheva/The Austrian Times
http://www.israelnationalnews.com/News/News.aspx/164190
Tradução: Roberto Lucena
Curiosidade, matérias do El País (Espanha) de 1991 e 1993 com o Gottfried Küssel:
1. Criar o IV Reich. O líder dos neonazis alemães ressuscita as ânsias imperiais
2. Um tribunal austríaco condena a dez anos de prisão o neonazi Küssel
Comentário: uma vez chegou um email pro blog perguntando, cínica ou tolamente pois não acredito que uma pessoa que tenha contato com o negacionismo não veja de imediato a ligação da negação do Holocausto com grupos neofascistas, qual a ligação entre neonazis e negação do Holocausto. Ou foi sobre isso ou sobre o David Irving, mas o teor da pergunta ia nessa direção.
Particularmente acho que nem seria o caso de se responder mais uma pergunta dessas, ou por ser algo óbvio demais e também por falta de paciência (pergunta óbvia demais irrita), mas fica aí o registro com um monte de provas e reportagens mostrando a ligação umbilical entre neonazismo, extrema-direita fascista e negação do Holocausto. Querer negar algo tão escancarado, ou é desonestidade intelectual, ou desespero de simpatizantes desse tipo de credo não assumindo o que defendem (ou ambos).
Só mais um aviso já que há perfis com a cara-de-pau de dar uma de "joão-sem-braço" pra vir aqui comentar fomentando picuinha como se ninguém tivesse "entendido" a real intenção disso: a quem queira comentar a matéria? À vontade, de preferência sem fakes. Mas por favor, não tragam fofoca citando sites "revis" brasileiros aqui pra tentar fomentar "discussão" (idiota) pois o pessoal sabe quais as fontes de propagação "revis" no país e portanto não precisa ser "alertado" sobre sites, tampouco o blog não vai servir de meio de propagação dessa lixarada. Qual a razão do aviso? Simples: posso não publicar comentários desse tipo ou deixar passar pra descer a sola no conteúdo do comentário. Dúvidas? Favor ler o post e os outros posts com avisos (clicando na tag do post): Divergências políticas.
Por Rachel Hirshfeld
Publicado em: 15/01/2013, 1:46 AM
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| Prisão (foto) |
Gottfried Küssel, 54, é "uma figura de destaque na cena de extrema-direita" e já havia sido condenado por problemas semelhantes, incluindo uma condenação de 11 anos em 1994, disse a juiz,a Martina Krainz, anunciando o voto do júri de 5-3 por sua condenação.
A plataforma de discussão "Alpen-Donau" foi fechada no mês passado, depois que promotores em Viena pediram a seus homólogos nos EUA para dar assistência pelo fato da página ter funcionado através de um servidor localizado nos Estados Unidos, o que impossibilita os oficiais austríacos a tomarem medidas, informou o The Austrian Times.
Krainz disse que a Internet é crucial para espalhar a ideologia neo-nazista, que é proibida na Áustria, e, por essa razão, o tribunal havia imposto uma punição severa a Küssel, bem como a dois outros réus que receberam sentenças de prisão de sete e quatro anos e meio.
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| Gottfried Küssel |
De acordo com o The Austrian Times, Küssel também é suspeito de esconder uma instalação onde os neonazistas podiam se encontrar em Viena pela marca da propriedade que funcionava como uma "lanchonete nacional de comida orgânica."
Dezenas de nacionalistas e skinheads tomaram as ruas da cidade alemã de Dortmund na noite de terça-feira para protestar contra a prisão de Küssel.
Oskar Deutsch, líder da comunidade judaica de Viena, disse recentemente que o número de incidentes antissemitas no país quase dobrou em relação ao ano passado.
Deutsch disse ao jornal Kurier que a comunidade judaica registrou 135 incidentes desse tipo no ano passado, em comparação a 71 ocorridos em 2011.
Fonte: Arutz Sheva/The Austrian Times
http://www.israelnationalnews.com/News/News.aspx/164190
Tradução: Roberto Lucena
Curiosidade, matérias do El País (Espanha) de 1991 e 1993 com o Gottfried Küssel:
1. Criar o IV Reich. O líder dos neonazis alemães ressuscita as ânsias imperiais
2. Um tribunal austríaco condena a dez anos de prisão o neonazi Küssel
***
Comentário: uma vez chegou um email pro blog perguntando, cínica ou tolamente pois não acredito que uma pessoa que tenha contato com o negacionismo não veja de imediato a ligação da negação do Holocausto com grupos neofascistas, qual a ligação entre neonazis e negação do Holocausto. Ou foi sobre isso ou sobre o David Irving, mas o teor da pergunta ia nessa direção.
Particularmente acho que nem seria o caso de se responder mais uma pergunta dessas, ou por ser algo óbvio demais e também por falta de paciência (pergunta óbvia demais irrita), mas fica aí o registro com um monte de provas e reportagens mostrando a ligação umbilical entre neonazismo, extrema-direita fascista e negação do Holocausto. Querer negar algo tão escancarado, ou é desonestidade intelectual, ou desespero de simpatizantes desse tipo de credo não assumindo o que defendem (ou ambos).
Só mais um aviso já que há perfis com a cara-de-pau de dar uma de "joão-sem-braço" pra vir aqui comentar fomentando picuinha como se ninguém tivesse "entendido" a real intenção disso: a quem queira comentar a matéria? À vontade, de preferência sem fakes. Mas por favor, não tragam fofoca citando sites "revis" brasileiros aqui pra tentar fomentar "discussão" (idiota) pois o pessoal sabe quais as fontes de propagação "revis" no país e portanto não precisa ser "alertado" sobre sites, tampouco o blog não vai servir de meio de propagação dessa lixarada. Qual a razão do aviso? Simples: posso não publicar comentários desse tipo ou deixar passar pra descer a sola no conteúdo do comentário. Dúvidas? Favor ler o post e os outros posts com avisos (clicando na tag do post): Divergências políticas.
quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
Argentina: branca, hispânica e católica - Parte 2
Escrito por Ruben Holdorf; 06-Dez-2009
As relações da elite e políticos, militares e religiosos com os nazistas de Hitler
Antissemitismo
Não obstante o engajamento político e ideológico com o nazismo, a cúpula argentina patenteava seu asco contra a presença de judeus no país. Goñi confessa ser esse um dos segredos mais vergonhosos da história deles, pois "nenhum outro país tomou medidas tão extraordinárias para cancelar seus ‘vistos de entrada' para judeus quanto a Argentina, às vésperas do Holocausto de Hitler".(8) O escritor portenho cita as palavras do embaixador argentino em Londres, Tomás Le Breton, explicando a negativa de vistos para crianças judias, porque "eram exatamente o tipo de gente que o governo argentino não queria no país, pois iam crescer e ajudar a aumentar a população judaica por propagação".(9) Depois desse episódio, ele solicitou que os britânicos os esterilizassem antes de enviá-los à Argentina. É óbvio que eles recusaram tal absurdo.
Outro britânico, o ex-primeiro-ministro Winston Churchill, interpretando o pensamento de Hitler sobre o antissemitismo, narra as intenções nazistas para os judeus:
O chefe da Imigração na Argentina e antropólogo Santiago Peralta, difundia a maquiavélica ideia de que os judeus deveriam ser culpados pela morte de Cristo, "que pregou o amor, a doçura e a paternidade entre os homens, contra a religião de Jeová, que é uma religião de punição, ódio e medo". Peralta recebia a corroboração do cardeal argentino Antonio Caggiano, defensor do dever de cristãos em perdoar os nazistas pelo que fizeram no Holocausto.(11) Ao defenderem o direito de perdão aos nazistas, e aos judeus o destino à "pira de Torquemada", os argumentos contraditórios dos líderes argentinos demonstravam a raiz da ignorância, da intolerância e da violência.
Apesar das evidências antissemitas do catolicismo, inclusive detalhadas no filme de Costa-Gravas, Schmidt se apega a algumas linhas da desaparecida e quase lendária Encíclica Escondida, de Pio XI, em cujo conteúdo o papa condena o "racismo ‘por ser unicamente a luta contra os judeus', reprovada mais de uma vez pela Santa Sé, ‘sobretudo quando desdobravam a capa do cristianismo para se abrigarem nele'", e continua, estabelecendo "que ‘os métodos perseguidores do antissemitismo não podem, de modo algum, se conciliar com o espírito autêntico da Igreja Católica'", protetora do "povo judeu contra os ataques injustos de que tem sido vítima". Logicamente que não se pode incluir nesse contexto o processo inquisitorial movido contra os judeus na Península Ibérica entre os séculos 15 e 18, tampouco o papel omisso do pontificado de Pio XII, descrito por Schmidt como "o encabrestamento da insanidade genocida de Adolf Hitler".(12)
A religião e os fugitivos
Hitler não deixou o sincretismo religioso imperar durante o período em que se entronizou no poder. Ele criou uma igreja nacional para os "autênticos" cristãos alemães. As igrejas que reivindicaram por motivos de consciência sua independência foram proscritas, colocadas na ilegalidade, caso do grupo de jovens católicos denominado Rosa Branca, segundo Hourdin,(13) exterminado pelos nazistas.
Ao comentar e se admirar com a coragem de Kurt Gerstein, Hourdin erra ao chamá-lo de católico, citá-lo como oficial da SS e traçar seu objetivo como militar, cujo intuito visava a desvendar os bastidores dos campos de concentração. Personagem principal do filme Amém, o tenente Gerstein era luterano. Depois de testemunhar as atrocidades dos campos de extermínio, o oficial tenta denunciar e buscar apoio junto à Igreja Luterana, mas essa nega a se envolver contra o regime. Por esse motivo Gerstein procurou Von Galen. No entanto, este o expulsa e também repudia qualquer tipo de auxílio. Seu invento, o Zyklon B, passou a ser manuseado para outros fins e ele ficou acuado pelo alto-comando da SS a responder pela aquisição, transporte, manipulação, orientação e uso do ácido da morte. Médico, Gerstein entrou para a SA, incorporado ao exército alemão e não à elite da SS.
No que se refere ao assunto religião, Goñi repudia essa fachada cristã dos nazistas, rotulando-os de pagãos, pois na Argentina eles veneravam o sol mancomunados aos terroristas montoneros, os mesmos que "fizeram campanha para o candidato peronista à presidência, Carlos Menem".(14) Esse fascínio dos nazistas pelo ocultismo ou práticas pagãs recebe a confirmação de Churchill, acusando Hitler de invocar "o temível ídolo de um Moloch que tudo devorava, e do qual ele era o sacerdote e a encarnação".(15)
Não foram poucos os refugiados aceitos na Argentina. A maioria com empregos no serviço público ou em postos de indústrias alemãs, como a Mercedes-Benz. Caso do carniceiro Adolf Eichmann, descoberto e sequestrado pelo Mossad (serviço secreto israelense), depois julgado e enforcado. Somente da Alemanha, mais de 500 militares conseguiram abrigo sob o manto protetor de Perón. Somando-se a esses, milhares de criminosos austríacos, franceses, belgas, holandeses, eslovacos e croatas. Da Croácia conseguiram se evadir mais de trinta mil personagens apenas para a Argentina.
O cardeal austríaco Alois Hudal, que presta auxílio ao "Doutor" no filme Amém, fornecendo-lhe um passaporte argentino, também é incriminado por Goñi. Este acrescenta à lista criminosos franceses gentilmente "ajudados, em sua fuga, pelo Vaticano e pela Igreja Católica argentina", não deixando de delatar o futuro papa Paulo VI, Giovanni Battista Montini, manifestando "o interesse do papa Pio XII em arranjar a emigração ‘não apenas de italianos' para a Argentina... ou seja, oficiais nazistas".(16)
Com o propósito de acobertar os nazistas dos aliados e seus tribunais, Perón e seus comparsas estruturaram uma rede internacional de resgate de criminosos de guerra. Algumas histórias se transformaram em mito, como a de Martin Bormann, secretário de governo de Hitler. Os chilenos diziam que ele se fixou como fazendeiro no país, migrando para a Bolívia e finalmente para a Argentina. Goñi(17) garante a morte de Bormann durante a queda de Berlim. A ex-secretária de Hitler, Traudl Junge,(18) concorda com essa hipótese, relatando sua morte provavelmente em Berlim, em 2 de maio de 1945, quando cometeu suicídio ingerindo cianeto de potássio. Entretanto, ao condená-lo à morte à revelia por crimes de guerra, o Tribunal de Nurembergue plantou a semente da dúvida a respeito de seu desaparecimento. Informado pelo serviço secreto britânico, Churchill atesta que "Bormann tentou passar pelas linhas russas e desapareceu sem deixar vestígios".(19)
Paz com criminosos
Hitler e Perón passaram, mas permaneceram os resquícios. E eles podem ser detectados nos discursos e atitudes de governantes contemporâneos, mas de índole populista com raízes no passado tirânico e intolerante. Em momento algum existe qualquer relação entre nazismo e catolicismo em Churchill. Ele confronta ideologia com ideologia, analisando o fascismo como "a sombra ou o filho feio do comunismo... Assim como o fascismo brotou do comunismo, o nazismo desenvolveu-se a partir do fascismo... estavam destinados a mergulhar o mundo num conflito ainda mais hediondo, que ninguém pode afirmar que tenha terminado".(20) Junge esclarece essa preocupação ao elucidar as mudanças ocorridas na Alemanha pós-guerra:
Quanto aos argentinos, permaneceram incólumes à parceria política, econômica, militar e religiosa com os nazistas europeus. Vez ou outra o peronismo ascende ao poder. Até mesmo o crítico de política Noam Chomsky, professor do MIT, intitula os governos argentinos de "neonazistas".(22) Parece difícil acontecer um rompimento entre as gerações na Argentina. Sua história, bem como as das colônias alemãs no Sul do Brasil, no Chile e Paraguai, prossegue no limbo de arquivos estatais ou na memória daqueles que sofrem com as torturantes lembranças. E esse processo de renascimento de governos populistas - não somente na América Latina -, reforça e solidifica a volta da censura, do medo, da intransigência e do despotismo.
Ruben Holdorf é jornalista graduado pela UFPR, doutorando em Comunicação e Semiótica (PUC-SP), tem dois mestrados, um Multidisciplinar em Comunicação, Administração e Educação (Unimarco) e outro em Educação (Unasp), é diretor de Jornalismo da Rádio Unasp e leciona no curso de Jornalismo do Unasp.
Notas
8 Ibid, p. 56.
9 Ibidem, p. 64.
10 CHURCHILL, Winston S. Memórias da Segunda Guerra Mundial. 2 ed. Rio : Nova Fronteira, 1995, p. 31.
11 GOÑI, Uki. A verdadeira Odessa: o contrabando de nazistas para a Argentina de Perón. Op. Cit., pp. 69 e 120.
12 SCHMIDT, Ivan. Canal da Imprensa. A conspiração do silêncio. Op. Cit.
13 HOURDIN, Georges. Vítima e vencedor do nazismo: Dietrich Bonhoeffer. Op. Cit.
14 GOÑI, Uki. A verdadeira Odessa: o contrabando de nazistas para a Argentina de Perón. Op. Cit., p. 134.
15 CHURCHILL, Winston S. Memórias da Segunda Guerra Mundial. Op. Cit., p. 42.
16 GOÑI, Uki. A verdadeira Odessa: o contrabando de nazistas para a Argentina de Perón. Op. Cit., pp. 117 e 123.
17 Ibid, p. 23.
18 JUNGE, Traudl. Até o fim: os últimos dias de Hitler contados por sua secretária. Rio : Ediouro, 2005, p. 183.
19 CHURCHILL, Winston S. Memórias da Segunda Guerra Mundial. Op. Cit., p. 1.088.
20 Ibid, p. 11.
21 JUNGE, Traudl. Até o fim: os últimos dias de Hitler contados por sua secretária. Op. Cit., p. 218.
22 CHOMSKY, Noam. Estados fracassados: o abuso do poder e o ataque à democracia. Rio : Bertrand Brasil, 2009, p. 209.
Atualizado em ( 06-Dez-2009 )
Fonte: Revista Acta Científica (UNASP), texto completo em PDF no link abaixo
http://www.unasp-ec.com/revistas/index.php/actacientifica/article/view/293
Texto também citado no site Onda Latina Onda Latina
Ver:
Argentina: branca, hispânica e católica - Parte 1
As relações da elite e políticos, militares e religiosos com os nazistas de Hitler
Antissemitismo
Não obstante o engajamento político e ideológico com o nazismo, a cúpula argentina patenteava seu asco contra a presença de judeus no país. Goñi confessa ser esse um dos segredos mais vergonhosos da história deles, pois "nenhum outro país tomou medidas tão extraordinárias para cancelar seus ‘vistos de entrada' para judeus quanto a Argentina, às vésperas do Holocausto de Hitler".(8) O escritor portenho cita as palavras do embaixador argentino em Londres, Tomás Le Breton, explicando a negativa de vistos para crianças judias, porque "eram exatamente o tipo de gente que o governo argentino não queria no país, pois iam crescer e ajudar a aumentar a população judaica por propagação".(9) Depois desse episódio, ele solicitou que os britânicos os esterilizassem antes de enviá-los à Argentina. É óbvio que eles recusaram tal absurdo.
Outro britânico, o ex-primeiro-ministro Winston Churchill, interpretando o pensamento de Hitler sobre o antissemitismo, narra as intenções nazistas para os judeus:
Qualquer organismo vivo que deixasse de lutar por sua existência estava fadado à extinção. Um país ou raça que deixasse de lutar estava igualmente condenado. A capacidade de luta de uma raça dependia de sua pureza. Daí a necessidade de livrá-la dos elementos contaminadores estrangeiros. A raça judaica, por sua universalidade, era necessariamente pacifista e internacionalista. O pacifismo era o mais letal dos pecados, pois significava a rendição da raça na luta pela vida.(10)Antes de serem conduzidos aos campos da morte, os judeus mais abastados sofreram todo o tipo de assédio. Ameaçados de deportação, muitos rogavam aos amigos e parentes nos Estados Unidos a transferência de valores para as contas dos nazistas em bancos suíços, portugueses e argentinos. Sempre havia um negociador suíço envolvido na trama. A Espanha serviu de laboratório para a engenharia militar antes da Segunda Guerra e Portugal passou a ser um paraíso fiscal e trampolim de escape para os nazistas. Daí a imunidade territorial desses três países europeus às tropas alemãs, erroneamente considerados neutros pelos historiadores.
O chefe da Imigração na Argentina e antropólogo Santiago Peralta, difundia a maquiavélica ideia de que os judeus deveriam ser culpados pela morte de Cristo, "que pregou o amor, a doçura e a paternidade entre os homens, contra a religião de Jeová, que é uma religião de punição, ódio e medo". Peralta recebia a corroboração do cardeal argentino Antonio Caggiano, defensor do dever de cristãos em perdoar os nazistas pelo que fizeram no Holocausto.(11) Ao defenderem o direito de perdão aos nazistas, e aos judeus o destino à "pira de Torquemada", os argumentos contraditórios dos líderes argentinos demonstravam a raiz da ignorância, da intolerância e da violência.
Apesar das evidências antissemitas do catolicismo, inclusive detalhadas no filme de Costa-Gravas, Schmidt se apega a algumas linhas da desaparecida e quase lendária Encíclica Escondida, de Pio XI, em cujo conteúdo o papa condena o "racismo ‘por ser unicamente a luta contra os judeus', reprovada mais de uma vez pela Santa Sé, ‘sobretudo quando desdobravam a capa do cristianismo para se abrigarem nele'", e continua, estabelecendo "que ‘os métodos perseguidores do antissemitismo não podem, de modo algum, se conciliar com o espírito autêntico da Igreja Católica'", protetora do "povo judeu contra os ataques injustos de que tem sido vítima". Logicamente que não se pode incluir nesse contexto o processo inquisitorial movido contra os judeus na Península Ibérica entre os séculos 15 e 18, tampouco o papel omisso do pontificado de Pio XII, descrito por Schmidt como "o encabrestamento da insanidade genocida de Adolf Hitler".(12)
A religião e os fugitivos
Hitler não deixou o sincretismo religioso imperar durante o período em que se entronizou no poder. Ele criou uma igreja nacional para os "autênticos" cristãos alemães. As igrejas que reivindicaram por motivos de consciência sua independência foram proscritas, colocadas na ilegalidade, caso do grupo de jovens católicos denominado Rosa Branca, segundo Hourdin,(13) exterminado pelos nazistas.
Ao comentar e se admirar com a coragem de Kurt Gerstein, Hourdin erra ao chamá-lo de católico, citá-lo como oficial da SS e traçar seu objetivo como militar, cujo intuito visava a desvendar os bastidores dos campos de concentração. Personagem principal do filme Amém, o tenente Gerstein era luterano. Depois de testemunhar as atrocidades dos campos de extermínio, o oficial tenta denunciar e buscar apoio junto à Igreja Luterana, mas essa nega a se envolver contra o regime. Por esse motivo Gerstein procurou Von Galen. No entanto, este o expulsa e também repudia qualquer tipo de auxílio. Seu invento, o Zyklon B, passou a ser manuseado para outros fins e ele ficou acuado pelo alto-comando da SS a responder pela aquisição, transporte, manipulação, orientação e uso do ácido da morte. Médico, Gerstein entrou para a SA, incorporado ao exército alemão e não à elite da SS.
No que se refere ao assunto religião, Goñi repudia essa fachada cristã dos nazistas, rotulando-os de pagãos, pois na Argentina eles veneravam o sol mancomunados aos terroristas montoneros, os mesmos que "fizeram campanha para o candidato peronista à presidência, Carlos Menem".(14) Esse fascínio dos nazistas pelo ocultismo ou práticas pagãs recebe a confirmação de Churchill, acusando Hitler de invocar "o temível ídolo de um Moloch que tudo devorava, e do qual ele era o sacerdote e a encarnação".(15)
Não foram poucos os refugiados aceitos na Argentina. A maioria com empregos no serviço público ou em postos de indústrias alemãs, como a Mercedes-Benz. Caso do carniceiro Adolf Eichmann, descoberto e sequestrado pelo Mossad (serviço secreto israelense), depois julgado e enforcado. Somente da Alemanha, mais de 500 militares conseguiram abrigo sob o manto protetor de Perón. Somando-se a esses, milhares de criminosos austríacos, franceses, belgas, holandeses, eslovacos e croatas. Da Croácia conseguiram se evadir mais de trinta mil personagens apenas para a Argentina.
O cardeal austríaco Alois Hudal, que presta auxílio ao "Doutor" no filme Amém, fornecendo-lhe um passaporte argentino, também é incriminado por Goñi. Este acrescenta à lista criminosos franceses gentilmente "ajudados, em sua fuga, pelo Vaticano e pela Igreja Católica argentina", não deixando de delatar o futuro papa Paulo VI, Giovanni Battista Montini, manifestando "o interesse do papa Pio XII em arranjar a emigração ‘não apenas de italianos' para a Argentina... ou seja, oficiais nazistas".(16)
Com o propósito de acobertar os nazistas dos aliados e seus tribunais, Perón e seus comparsas estruturaram uma rede internacional de resgate de criminosos de guerra. Algumas histórias se transformaram em mito, como a de Martin Bormann, secretário de governo de Hitler. Os chilenos diziam que ele se fixou como fazendeiro no país, migrando para a Bolívia e finalmente para a Argentina. Goñi(17) garante a morte de Bormann durante a queda de Berlim. A ex-secretária de Hitler, Traudl Junge,(18) concorda com essa hipótese, relatando sua morte provavelmente em Berlim, em 2 de maio de 1945, quando cometeu suicídio ingerindo cianeto de potássio. Entretanto, ao condená-lo à morte à revelia por crimes de guerra, o Tribunal de Nurembergue plantou a semente da dúvida a respeito de seu desaparecimento. Informado pelo serviço secreto britânico, Churchill atesta que "Bormann tentou passar pelas linhas russas e desapareceu sem deixar vestígios".(19)
Paz com criminosos
Hitler e Perón passaram, mas permaneceram os resquícios. E eles podem ser detectados nos discursos e atitudes de governantes contemporâneos, mas de índole populista com raízes no passado tirânico e intolerante. Em momento algum existe qualquer relação entre nazismo e catolicismo em Churchill. Ele confronta ideologia com ideologia, analisando o fascismo como "a sombra ou o filho feio do comunismo... Assim como o fascismo brotou do comunismo, o nazismo desenvolveu-se a partir do fascismo... estavam destinados a mergulhar o mundo num conflito ainda mais hediondo, que ninguém pode afirmar que tenha terminado".(20) Junge esclarece essa preocupação ao elucidar as mudanças ocorridas na Alemanha pós-guerra:
A maioria dos alemães entende o processo como um ponto final, a partir do qual reina um silêncio coletivo sobre o período nazista. De um lado, os interesses dos aliados facilitam esse processo: os alemães precisam ser parceiros da Guerra Fria, no lado ocidental e no oriental. Do outro, os políticos alemães da era de Adenauer cortejam a boa vontade dos eleitores - e quem apoiar a exigência de um "ponto final" terá mais probabilidade de recebê-la... Ralph Giordano chama isso a "grande paz" com os criminosos. Somente no final dos anos 1960, a segunda geração do pós-guerra irá forçar seus avós a tomarem partido.(21)Durante a ocupação aliada e a reconstrução da Alemanha como parte do Plano Marshall, havia a preocupação em se esquecer o passado. No entanto, esse passado se tornou obscuro para as gerações posteriores até o momento em que não foi mais possível encobrir as subterrâneas conexões com o nazismo. Houve um rompimento entre gerações. As novas gerações não admitem qualquer vínculo com aquele período de nódoa, desonra para a história da nação germânica. Daí a acusação de Giordano contra aqueles omissos quanto a presença de criminosos circulando livremente pelo território em atenção a um "ponto final" e seus interesses políticos e financeiros. Para se compreender essa questão, é suficiente lembrar que o Tribunal de Nurembergue jamais condenou um empresário ou cientista nazista à morte, mesmo contendo provas cabais da participação desses em crimes de guerra.
Quanto aos argentinos, permaneceram incólumes à parceria política, econômica, militar e religiosa com os nazistas europeus. Vez ou outra o peronismo ascende ao poder. Até mesmo o crítico de política Noam Chomsky, professor do MIT, intitula os governos argentinos de "neonazistas".(22) Parece difícil acontecer um rompimento entre as gerações na Argentina. Sua história, bem como as das colônias alemãs no Sul do Brasil, no Chile e Paraguai, prossegue no limbo de arquivos estatais ou na memória daqueles que sofrem com as torturantes lembranças. E esse processo de renascimento de governos populistas - não somente na América Latina -, reforça e solidifica a volta da censura, do medo, da intransigência e do despotismo.
Ruben Holdorf é jornalista graduado pela UFPR, doutorando em Comunicação e Semiótica (PUC-SP), tem dois mestrados, um Multidisciplinar em Comunicação, Administração e Educação (Unimarco) e outro em Educação (Unasp), é diretor de Jornalismo da Rádio Unasp e leciona no curso de Jornalismo do Unasp.
Notas
8 Ibid, p. 56.
9 Ibidem, p. 64.
10 CHURCHILL, Winston S. Memórias da Segunda Guerra Mundial. 2 ed. Rio : Nova Fronteira, 1995, p. 31.
11 GOÑI, Uki. A verdadeira Odessa: o contrabando de nazistas para a Argentina de Perón. Op. Cit., pp. 69 e 120.
12 SCHMIDT, Ivan. Canal da Imprensa. A conspiração do silêncio. Op. Cit.
13 HOURDIN, Georges. Vítima e vencedor do nazismo: Dietrich Bonhoeffer. Op. Cit.
14 GOÑI, Uki. A verdadeira Odessa: o contrabando de nazistas para a Argentina de Perón. Op. Cit., p. 134.
15 CHURCHILL, Winston S. Memórias da Segunda Guerra Mundial. Op. Cit., p. 42.
16 GOÑI, Uki. A verdadeira Odessa: o contrabando de nazistas para a Argentina de Perón. Op. Cit., pp. 117 e 123.
17 Ibid, p. 23.
18 JUNGE, Traudl. Até o fim: os últimos dias de Hitler contados por sua secretária. Rio : Ediouro, 2005, p. 183.
19 CHURCHILL, Winston S. Memórias da Segunda Guerra Mundial. Op. Cit., p. 1.088.
20 Ibid, p. 11.
21 JUNGE, Traudl. Até o fim: os últimos dias de Hitler contados por sua secretária. Op. Cit., p. 218.
22 CHOMSKY, Noam. Estados fracassados: o abuso do poder e o ataque à democracia. Rio : Bertrand Brasil, 2009, p. 209.
Atualizado em ( 06-Dez-2009 )
Fonte: Revista Acta Científica (UNASP), texto completo em PDF no link abaixo
http://www.unasp-ec.com/revistas/index.php/actacientifica/article/view/293
Texto também citado no site Onda Latina Onda Latina
Ver:
Argentina: branca, hispânica e católica - Parte 1
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