sábado, 28 de junho de 2008

Beijo gay em Berlim ainda opoe artistas e politicos

SILAS MARTÍ
da Folha de S.Paulo


Era para ser um monumento às vítimas homossexuais do Holocausto o bloco de concreto erguido há um mês à beira do Tiergarten, parque central de Berlim. Mas, segundo os artistas por trás do projeto, virou símbolo de como a política consegue sufocar a arte e sinal de que, apesar de tudo, a Alemanha continua homofóbica.

(Foto)Beijo gay em filme de Thomas Vinterberg exibido dentro do memorial em Berlim

"Não queríamos uma abstração, como triângulos cor-de-rosa", diz à Folha Michael Elmgreen, dinamarquês radicado na Alemanha, que assina o projeto do memorial com o parceiro Ingar Dragset -os dois participaram da 25ª Bienal de São Paulo, em 2002.

Imitando as lápides de concreto do monumento aos judeus mortos sob o regime de Hitler, o novo bloco fica a alguns metros dali e mostra, dentro de uma pequena fresta, um vídeo de dois homens se beijando, dirigido pelo também dinamarquês, co-fundador do Dogma, Thomas Vinterberg. "Queríamos uma imagem explícita", conta Elmgreen.

O estopim do conflito foi quando o ministro alemão da Cultura, Bernd Neumann, censurou a imagem que deveria estampar o convite para a inauguração oficial do monumento. No lugar do beijo, um cartão todo cinza, sem imagens, chegou às mãos dos convidados.

A feminista Alice Schwarzer levantou outra queixa: um memorial às vítimas gays só com homens ignora o sofrimento das lésbicas mortas no Holocausto. Na cerimônia, chamou o projeto, aprovado numa competição que desbancou sugestões de artistas como Wolfgang Tillmans, de "kitsch" e "fálico".

Os artistas agora, cedendo à pressão de feministas e outros grupos de interesse, terão de mudar a cada dois anos o filme exibido dentro do memorial.

Arte coletiva?

"É ridículo e vergonhoso que eles estejam passando por isso", diz Thomas Vinterberg à Folha, por telefone, de Copenhague. "Arte é subjetiva. Nunca é possível chegar a um acordo coletivo em relação à arte."

Em preto-e-branco, o filme dentro do memorial foi gravado no mesmo lugar onde está hoje o bloco de concreto, dando a impressão de estender a paisagem de fora para dentro do cubo. Mudar o filme, na opinião de Vinterberg, destruiria esse efeito. "Se eu soubesse que chegaria a isso, jamais teria participado do projeto."

Os artistas lembram que a construção do memorial gay fora aprovado na administração do Partido Verde, anterior aos democratas cristãos agora no poder. "Eles apóiam o papa, não querem ver dois homens se beijando", diz Elmgreen, acrescentando que foi seu primeiro e último projeto público. "Jamais faremos algo do tipo de novo, vimos que tem muito pouco a ver com arte e muito mais a ver com política."

"O monumento virou um comentário sobre a vida política na Alemanha no início deste século mais do que uma homenagem a homossexuais", lamenta Vinterberg. "Artistas deveriam ser protegidos, não manipulados. O que fizeram foi arruinado; ser gay ainda é tabu."

Fonte: Folha de São Paulo(27.06.2008)
http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u416745.shtml

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Neonazista pedófilo é condenado por terrorismo na Grã-Bretanha

Um simpatizante do nazismo que estava sendo investigado por pornografia intantil foi condenado por crimes ligados a terrorismo na Grã-Bretanha.

Durante as investigações, a polícia descobriu que Martyn Gilleard, de 31 anos, tinha quatro bombas caseiras, além de balas, espadas, machados e facas em seu apartamento. Ele mantinha bombas cheias de pregos debaixo de sua cama.

Gilleard escreveu que queria "salvar" a Grã-Bretanha do "perigo multirracial", segundo relatos feitos durante o julgamento na cidade de Leeds.

O réu também admitiu crimes ligados à pornografia infantil. Mais de 39 mil imagens foram encontradas em seu computador.

Gilleard foi condenado por preparar atos terroristas, posse de objetos e coleta de informação para fins de terrorismo. Ele também foi condenado por crimes de ofensa sexual contra crianças.

Durante o julgamento ele admitiu que tinha uma coleção de objetos ligados ao nazismo, afirmando que admirava os nazistas pela forma como eles "reconstruíram" a Alemanha.

Instruções

Policiais encontraram na casa de Gilleard "armas cortantes potencialmente letais", 34 balas para armas calibre 2,2 e textos da internet sobre atos terroristas. Entre estes papéis estavam instruções sobre como fabricar uma bomba e como matar uma pessoa por envenenamento.

"Eu simplesmente tinha algumas latas. Estava entediado", disse Gilleard explicando a razão de ter fabricado as bombas.

"Uma idéia apareceu e pensei 'Por que não? Tenho tudo o que preciso', então montei (a bomba)", acrescentou.

"Martyn Gilleard é um terrorista como a corte demonstrou hoje em seu veredicto", disse o detetive-chefe e superintendente John Parkinson.

Imagens

Os policiais também encontraram na casa de Gilleard cerca de 39 mil imagens indecentes com crianças.

O detetive Parkinson afirmou que o réu era "um indivíduo extremamente perigoso" e acrescentou que seu comportamento era "muito bizarro".

"Literatura encontrada em sua casa expôs as visões anti-semitas de Gilleard, sua intolerância racial e cultural e seu ódio por religião", afirmou.

"Também demonstrou sua prontidão para usar ameaças e intimidação para promover sua causa", acrescentou.

Fonte: BBC/O Globo
http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2008/06/24/neonazista_pedofilo_condenado_por_terrorismo_na_gra-bretanha-546946891.asp

Cruz Vermelha alemã teve "papel infeliz" durante o nazismo

BERLIM, 24 JUN (ANSA) - A Cruz Vermelha Alemã (DRK) teve um "papel infeliz" durante o nazismo, disse nesta terça-feira em Berlim o atual presidente da organização, Rudolf Seiters, durante a apresentação de um estudo histórico sobre a adequação da DRK à Alemanha de Hitler.

"É triste pensar o quanto a Cruz Vermelha Alemã se distanciou de seus princípios humanitários", disse Seiters, que já ocupou o cargo de ministro do Interior do Governo alemão.

Segundo o estudo das historiadoras Brigitte Morgenbrod e Stephanie Mekenich, de 1933 a 1945 a DRK socorreu apenas os soldados, os prisioneiros e os civis alemães e não fez nada para ajudar as vítimas e os perseguidos pelo regime.

Muitos membros da DRK, afirma o estudo, sabiam mas fechavam os olhos para as deportações, os fuzilamentos e os campos de concentração.

As historiadoras disseram, por exemplo, que em 1944 no campo de concentração de Theresienstadt, membros da DRK acompanhavam visitantes da Cruz Vermelha Internacional (ICRC) ao longo de um percurso predeterminado atrás do qual eram escondidos todos os horrores da prisão.

Segundo a pesquisa, a cruz vermelha aceitou desde 1933 o regime nazista, expulsando rapidamente todos os seus membros judeus.

Fonte: ANSA
http://www.ansa.it/ansalatinabr/notizie/rubriche/mundo/20080624125534679179.html

terça-feira, 24 de junho de 2008

Papa recebe grupo de sobreviventes do Holocausto

Fundação 'Pave the Way' promove simpósio sobre a atuação do papa Pio XII durante a Segunda Guerra

VATICANO - O papa Bento XVI recebeu no Vaticano sobreviventes do Holocausto. Após a audiência geral, o papa "acolheu de braços abertos" o norte-americano Gary Krupp, presidente da "Pave the Way Foundation" (Fundação Pavimente o Caminho), segundo informou o jornal Osservatore Romano.

Krupp "quis fortemente o encontro com Bento XVI" para informar-lhe sobre um simpósio que, de 15 a 18 de setembro, em Roma, "aprofundará" o estudo sobre a ajuda oferecida aos judeus pelo papa Pio XII.

Para o norte-americano, a presença durante a audiência de sobreviventes do Holocausto é "uma expressão de gratidão ao papa Pio XII, por ocasião dos 50 anos de sua morte".

Alguns judeus acusam Pio XII, no comando da Igreja Católica de 1939 a 1958, de ser indiferente em relação ao Holocausto e de não se manifestar contra Hitler. Os defensores do papa vêem nele um homem santo que trabalhou nos bastidores para ajudar os judeus na Europa toda.

Vários grupos judaicos, em especial a Liga Antidifamação, com sede nos EUA, já pediram que o Vaticano suspenda o processo de canonização desse papa, que se encontra em andamento, enquanto não divulgar todos os documentos secretos referentes à Segunda Guerra.

O Osservatore Romano também informou que, além dos judeus, Bento XVI recebeu Mame Mor Mbacke, "notável referência para os muçulmanos do Senegal", que expressou seu compromisso de colaborar com os católicos pela paz e pela justiça. Segundo a publicação, o encontro "é um sinal positivo para o diálogo com o Islã na África".

Fonte: Ansa e Reuters/Estadão(18.06.2008)
http://www.estadao.com.br/vidae/not_vid191840,0.htm

domingo, 22 de junho de 2008

Portas Fechadas - Canadá em tempos de Holocausto

Sobre a situação no Canadá em tempos de Holocausto.
Texto de Dr. Pedro Germán Cavallero *

Quem visita o Canadá, aprecia imediatamente a diversidade étnica e cultural de sua população. Este “Canadá de cores” se destaca em relevo em Toronto, onde as distintas coletividades fazem sentir sua presença através de restaurantes de comida étnica, comércios de produtos típicos e bairros inteiros que parecem “pequenas repúblicas” encravadas na geografia canadense. Desde há mais de meio século, o país tem recebido de forma contínua levas de imigrantes, perseguidos políticos e vítimas de conflitos armados. Esta tendência se acentuou fortemente em fins da década de ‘60 e começo dos ‘70, mantendo-se até o presente.

Na atualidade a coletividade de maior crescimento demográfico é a asiática, é em sua maioria de origem chinesa. Concentrados na região do Pacífico, os asiáticos contam além disso com uma forte presença em Toronto. O antigo bairro judeu de Spadina se converteu no epicentro da vida social, comunitária e comercial dos residentes chineses. Uma visita ao mesmo nos leva a compará-lo com o bairro de Once (Buenos Aires), onde os coreanos “redesenharam” essa parte da cidade tradicionalmente habitada pela coletividade judaica portenha. Spadina apresenta uma geografia urbana salpicada de postos de rua, restaurantes chineses, dragões de pedra e luzes de neón que parecem assinalar o fim de uma era marcada pelos vendedores e comerciantes judeus locais. Uma velha sinagoga, todavia ativa e com sua fachada escurecida, desafia solitariamente o evidente passo do tempo.

REFÚGIO PARA OS PERSEGUIDOS?

O Canadá goza amplamente de uma reputação internacional de “abertura” no que diz respeito a perseguidos políticos e emigrados econômicos chegados com o anseio de se fixar. Em boa medida, essa reputação responde a uma realidade concreta.

Prova disto são os chilenos, uruguaios e argentinos (emigrados durante a “Guerra Suja”), colombianos (empurrados pelo conflito armado que dessangra o país), nicaragüenses e guatemaltecos (saídos de seus países durante os convulsivos anos ’80), asiáticos, africanos, russos e europeus do Leste radicados no país. Contudo, a trajetória do país é mais complexa: durante a Segunda Guerra Mundial, o Canadá fechou herméticamente suas portas ignorando os desesperados pedidos de auxílio dos judeus europeus.

CANADÁ E O HOLOCAUSTO

Segundo o historiador canadense Franklin Bialystock, autor de "Delayed Impact: The Holocaust and the Canadian Jewish Community" (Reação Tardia: o Holocausto e a Comunidade Judia Canadense), durante as duas décadas posteriores à II Guerra a Shoá “esteve ausente na vida dos canadeenses”. Para Bialystock, essa “amnésia generalizada” incluiu também a uma parte da comunidade judia local. Este dado resulta em algo significativo se se tem em conta que os 15 por cento dos judeus canadenses eram sobreviventes do Holocausto. Durante anos, as instituições educativas comunitárias tampouco fizeram grandes avanços na difusão da experiência, tanto no âmbito interno como com a opinião pública. Haveria de se passar três décadas (até começo dos anos ’80), para que se produzisse uma virada fundamental e se “redescobrisse” o extermínio perpetrado pelo Terceiro Reich.

Surpreendentemente, a mudança sobreveio em 1982 a partir da publicação do livro "None Is Too Many (Nenhum é demais). A investigação dos historiadores canadenses Irvin Abella e Harold Trouter gerou um grande debate no país ao revelar pela primeira vez a política de “portas fechadas” implementada peplo primeiro ministro Mackenzie King com relação aos refugiados europeus.

Mackenzie King, o formidável líder do Partido Liberal que encabeçou o governo entre 1926-1948, exerceu o cargo durante 22 anos, convertendo-se em uma figura de enorme popularidade e influência na vida política canadense. As revelações dos historiadores Abella e Trouter foram acompanhadas por outras ainda mais desconcertantes: além de impedir o ingresso ao Canadá das vítimas do nazismo, autorizou-se a entrada de criminosos de guerra nazi.

Bialystock destaca como fator relevante do período histórico a relativa “passividade” da comunidade judaica ante as reiteradas negativas do governo. Contudo, uma das explicações que resgata de suas investigações para explicar este fenômeno deriva da situação que atravessava, durante esses anos, o judaísmo canadense: “fracionado, débil e sem capacidade real para chegar até os círculos de poder”. Essas circunstâncias, ao se combinarem, impediram influir de uma forma efetiva no traçado da política doméstica e na internacional.

OS ANOS DE PRÉ-GUERRA

Durante os anos prévios à II Guerra Mundial, o Canadá se esforçava para romper com uma tradição anti-semita que impregnava a distintos segmentos da população. No âmbito doméstico atuavam vários grupos pró-fascistas que enrareciam o clima de opinião geral. Entre eles, eram particulamento conspícuos o Partido Nacional Social Cristão (NSCP) e o Partido Nacionalista do Canadá, ambos de forte orientação fascista e anti-semita. Estes grupos impediram que se tomasse forma uma política humanitária destinada a socorrer as vítimas do nazismo. No mesmo contexto, tampouco se pode esquivar-se a participação do Canadá no esforço bélico aliado. Desde sua alienação contra as potências do Eixo “a preocupação pelas vítimas do Holocausto ficou relegada pela atenção dedicada à guerra mesmo”. Outros historiadores sustentam que, além de todos esses fatores, os círculos influentes acreditavam que o assentamento de judeus europeus “não era viável no Canadá”, ainda que fosse possível na Palestina sob controle britânico”.

O FRONT INTERNO

Outra circunstância que impediu a abertura à imigração de refugiados e perseguidos judeus foi dada pela marcada cautela que prevalecia entre alguns líderes comunitários judeus. Estes viam como prioritário orientar a comunidade “a superar os obstáculos internos criados pelo anti-semitismo doméstico, como condição necessária para inserir-se socialmente”.

De acordo com esta visão, o crescimento “rápido” da minoria judia houvera posto em perigo o dificultoso processo assimilacionista que estava tendo lugar. No começar da guerra, a comunidade judia era estimada em 167.000 pessoas, ou seja, os 1.5 por cento da população total. Deles, 50 por cento eram imigrantes procedentes em sua maioria da Rússia, Polônia e Romênia. Essa presença, reduzida, com um nível muito incipiente de inserção social e um alto componente imigrante, enfrentava a discriminação em suas mais variadas formas. O acesso à moradia, emprego, estabelecimentos educativos, parques, passeios públicos e comércios privados era restringido para os judeus canadenses.

Neste contexto, eram comuns (fundamentalmente na província de Ontario) os cartazes contendo legendas tais como: “Só Gentios”, “Judeus Não” e “Só Cristãos”. A realidade social cotidiana limitava as possibilidades concretas da comunidade judia para advogar (menos ainda “pressionar”) a favor da obtenção de permissões de ingresso para familiares, amigos ou pessoas do mesmo povo.

HÓSPEDES NA PRÓPIA CASA

Recentemente no início dos anos ’40, començou-se a se debater uma legislação de conteúdo anti-discriminatório que haveria de permitir alcançar progressivamente um tratamento mais igualitário para os judeus locais.

Durante o mesmo período, os três parlamentares canadenses de origem judia que integravam o Parlamento, Samuel Jacobs, Sam Factor (ambos do Partido Liberal) e A. Heaps (da oposição), estavam muito longe dos espaços políticos de decisão, tanto e suas respectivas bancadas na Câmara dos Comuns como na base de seus agrupamentos políticos. Segundo os historiadores Abella e Trouter, os judeus canadenses “tinham a sensação de serem ‘hóspedes’ em sua própria terra, de estar no Canadá mas não ser parte da mesma”.

Esse sentimento colocava a dirigência comunitária em uma situação extremadamente débil ao dialogar com as autoridades governamentais. Os distintos acadêmicos que tem investigado o período coincidem em assinalar que a “diplomacia silenciosa” seguida pelos dirigentes comunitários frente ao governo (para persuadi-lo de abrir à imigração) evidentemente fracassou, ao igual que fracassaram os esforços das organizações judias destinados a arrecadar ajuda humanitária. Depois da liberação dos campos de concentração, o governo de Mackenzie King não modificou em absoluto sua posição intransigente respeito dos refugiados judeus. King permaneceu a frente do governo até bem o começo do pós-guerra, sendo substituído como premier em início de 1948.

Segundo Abella e Trouter, para o líder liberal não havia “um benefício eleitoral direto” derivado da adoção de uma posição mais receptiva. De igual forma, uma parte importante da opinião pública canadense seguia aferrada ao anti-semitismo, e os judeus residentes no país continuavam sendo vistos de forma negativa. Finalmente, uma cifra revela com clareza a “eficácia” e “dedicação” com a qual a burocracia governamental canadense implementou a política de “portas fechadas”.

A mesma surge do número de refugiados judeus que foram autorizados a entrar no país: entre o 1 de abril de 1945 e o 31 de março de 1947, o Canadá aprovou o ingresso de tão somente 2.918 judeus europeus. Estes constituíam os 3 por cento dos 98.011 imigrantes (fundamentalmente europeus não-judeus) ingressados no dito período.

* Advogado - Coordenador do “National Council of La Raza”, (NCLR), Washington.

Fonte: Fundación Memoria del Holocausto(Argentina)
http://www.fmh.org.ar/revista/20/puecer.htm
Tradução: Roberto Lucena

sábado, 21 de junho de 2008

Melhor museu do que indenizações, diz chanceler italiano

BERLIM, 19 JUN (ANSA) - Uma saída para a disputa sobre as indenizações para os italianos obrigados a trabalhos forçados, durante o regime nazista, na Alemanha, seria, por exemplo, a construção de um monumento ou um museu da memória, solução apresentada pelo chanceler italiano, Franco Frattini, em entrevista para o jornal alemão Sueddeutsche Zeitung, que será publicada na edição de amanhã.

"Não quero colocar Berlim em dificuldade, e sim ajudar a resolver um problema que não diz respeito apenas ao governo da Alemanha", disse Frattini, segundo o que antecipou hoje o jornal de Munique.

Segundo o chanceler italiano, as pessoas que foram obrigadas a trabalhos forçados não encontrariam grande vantagem em uma indenização de alguns milhares de euros. Um memorial ou um museu poderiam, por outro lado, ser a solução, segundo Frattini, e um grupo bilateral de especialistas poderia estudar algumas propostas.

"Eu considero perigosos estes veredictos", afirma Frattini na entrevista, sobre as decisões apresentadas no início do mês pelos tribunais italianos, e que afirma que a Alemanha não pode recorrer ao princípio de imunidade de Estado para se eximir dos pedidos de indenizações nos processos abertos por italianos obrigados a trabalhos forçados na Alemanha nos anos entre 1943 e 1945.

"Se os tribunais devem decidir caso por caso sobre o reconhecimento ou não da imunidade do Estado, o princípio de imunidade estatal se torna imprevisível. O mundo, pelo contrário, precisa da certeza do direito, se queremos evitar que tudo se torne imprevisível". Frattini, na entrevista, afirma poder imaginar que Itália e Alemanha peçam juntas ao tribunal de Haia um parecer esclarecedor sobre a questão da imunidade de Estado.

Fonte: ANSA(19.06.2008)
http://www.ansa.it/ansalatinabr/notizie/rubriche/mundo/20080619134734676414.html

Berlim planeja ações contra a Itália

Julgamentos ligados ao nazismo: Berlim planeja ações contra a Itália

BERLIM (AFP) — O governo alemão planeja promover ações judiciais contra a Itália, depois de duas ações do Tribunal de Cassação italiano darem razão a pessoas que se apresentaram como vítimas do nazismo, exigindo uma indenização de Berlim.

As ações do Tribunal de cassação sobre o caso italiano estão "sendo traduzidas", informou nesta sexta-feira o porta-voz do Ministério alemão de Relações Exteriores, Martin Jäger.

"Vamos analisar detalhadamente reservando-nos a possibilidade de realizar diligências jurídicas no futuro", disse, acrescentando que "estamos em contato com o governo italiano sobre este processo".

O Tribunal de cassação italiano considerou, na quarta-feira, que o trabalho forçado de prisioneiros italianos promovidos pela Alemanha nazista constituiu "um crime contra a humanidade" e que o Estado alemão não podia a esse respeito invocar imunidade para evitar compensar estes "escravos de Hitler", apesar do acordo com Berlim sobre prisioneiros de guerra - normalmente excluídos das compensações.

A questão diz respeito a 43 homens, civis e militares, apelidados de "os jovens do Vale Suse", no noroeste da Itália, deportados para o campo de Gaggenau e obrigados a trabalhar para a empresa Daimler, assim como nove outros indivíduos presos e deslocados em circunstâncias diversas.

Jäger assinalou que a Alemanha não considerava as vítimas italianas como presos de guerra, não podendo, desta forma, ser indenizados.

Recordou que a Alemanha indenizou 3.395 trabalhadores forçados civis em 2000, com um montante de 1,89 milhão de euros.

O porta-voz também lembrou que em virtude de um acordo entre os dois países de 1961, 40 milhões de deutschemarks foram pagos em compensação às vítimas do nazismo.

Fonte: AFP(06.06.2008)
http://afp.google.com/article/ALeqM5jnjqCMFzRAEXs-ES3k5Z36MiABVw

Criminoso de guerra nazista é visto passeando em cidade da Áustria

VIENA - Em Klagenfurt, uma das quatro cidades austríacas em que estão sendo disputados os jogos da Eurocopa, vive tranqüilamente o número 4 da lista de criminosos de guerra nazistas procurados internacionalmente.

Milivoj Asner, de 95 anos, natural da Croácia, foi encontrado pelo tablóide britânico The Sun que publicou fotos suas passeando pelas ruas do centro de Klagenfurt em companhia da mulher.

Asner, que foi o chefe da polícia secreta nazista em seu país de origem, é acusado de ter deportado centenas de judeus, ciganos e sérvios para os campos de concentração e possui um mandado de prisão internacional.

As fotos publicadas nesta segunda-feira com grande destaque pelo The Sun mostram Asner caminhando tranqüilamente pelas ruas de Klagenfurt. Durante o passeio ao lado da mulher, Asner foi totalmente ignorado pelas centenas de policiais de rua, mesmo os habitantes da cidade conhecendo bem sua identidade real e os crimes atrozes por ele cometidos.

Há anos a Croácia pede sua extradição. No entanto, Viena sustenta que Asner não está em condições de ser interrogado ou processado.

Segundo o Wiesenthal Center, organização judaica que há mais de 30 anos luta contra o anti-semitismo e se empenha em levar à justiça os chefes nazistas sobreviventes, a Áustria representa o paraíso dos criminosos de guerra.

- Temos a intenção de reportar este fato ao ministro da Justiça austríaco. Se este homem é capaz de passear e degustar vinho nos bares, será capaz também de suportar um processo - afirmou ao The Sun o diretor da agência, Efraim Zuroff.

Fonte: Agência ANSA/JB Online(16.06.2008) http://jbonline.terra.com.br/extra/2008/06/16/e16065710.html
Foto(site da Interpol): Milivoj Asner
Ver também: Daily Mail - Criminosos de guerra nazi
http://www.dailymail.co.uk/news/article-496729/Last-Nazi-war-criminals-warned-Were-you.html
The Sun - Criminosos de guerra nazi
http://www.thesun.co.uk/sol/homepage/news/article521322.ece

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Teoria Ariana de Hitler é desmentida pela ciência

Uma nova pesquisa científica provou que a teoria da pureza racial escandinava, sustentada por Hitler e os nazistas, é totalmente falsa. O conceito de um único tipo genético escandinavo, de uma raça que andou pela Dinamarca e se estabeleceu lá, isolada do mundo, é uma falácia.

O estudo mostrou que corpos de cemitérios de 2 mil anos deidade no leste da Dinamarca continham tanta variação genética em seus restos quanto a quantia esperada a ser encontrada em indivíduos dos dias atuais. Os achados, analisados pela Universidade de Copenhagen, destroem o conceito de "superioridade" da raça nórdica.

Hitler usou pesquisas pseudo-científicas para apoiar suas idéias de que os europeus do norte poderiam formar uma raça impecável, que comandariam a sociedade humana. A teoria racista, que coloca a raça "superior" no topo da hierarquia humana e judeus em baixo, desenvolveu papel central no Holocausto.

Línea Melchior, que analisou o DNA de diversos corpos, tem certeza que dinamarqueses sempre mantiveram contato com pessoas do mundo todo. Em um dos terrenos, inclusive, foram encontrados restos de um homem que pareceu ter origem árabe. Longe de demonstrar isolamento e "genética pura", o estudo provou que os dinamarqueses se misturaram com pessoas do mundo todo.

Fonte: Redação SRZD (Brasil, 15.06.2008)
http://www.sidneyrezende.com/noticia/13604
Texto original: Telegraph (Reino Unido, 16.06.2008)
http://www.telegraph.co.uk/news/worldnews/europe/denmark/2124105/Adolf-Hitler's-Aryan-theory-rubbished-by-science.html (link acima expirou)
http://www.telegraph.co.uk/news/worldnews/europe/denmark/2124105/Adolf-Hitlers-Aryan-theory-rubbished-by-science.html

sábado, 14 de junho de 2008

Crise acelera avanço neonazista

Vitória eleitoral anima extrema direita alemã, que ganha terreno no cada vez mais empobrecido leste do país
ALEMANHA

Marcos Guterman

A história ensina que não é bom subestimar a capacidade dos nazistas de perceber oportunidades históricas. Assim como na década de 20 do século passado, a extrema direita alemã está aproveitando agora uma mistura explosiva de crise econômica e hesitação política dos partidos tradicionais para alimentar um projeto declarado de se tornar uma força nacional.

Os neonazistas alemães, cuja ação é bastante limitada pela legislação, parecem estar se sentindo bastante à vontade, sobretudo após um importante triunfo nas últimas eleições no Estado de Mecklenburgo-Pomerânia Ocidental - terra da primeira-ministra alemã, Angela Merkel, que classificou o resultado como ‘desagradável’.

O Partido Nacional Democrático (NPD, na sigla em alemão), nome fantasia da agremiação neonazista, obteve 7,5% dos votos na eleição, em setembro, dando-lhe direito a cinco cadeiras no Parlamento do Estado.

Com os votos ainda quentes nas urnas, algumas lideranças civis voltaram a pedir a proibição do NPD, mas o governo se disse contrário, sob o argumento de que o problema não era legal, e sim de mobilização da sociedade para esvaziar o discurso dos extremistas.

Analistas ouvidos pelo Estado concordam com essa avaliação. Todos coincidem no ponto segundo o qual os neonazistas crescem a reboque do desemprego, da desatenção do poder federal e de uma indiferença mais ou menos generalizada.

Mecklenburgo-Pomerânia Ocidental, que fica no antigo lado comunista da Alemanha, é o Estado mais pobre do país e, portanto, é o ecossistema ideal para o florescimento do extremismo de direita.

Um estudo divulgado na semana passada mostra o quanto cresceu a clientela preferencial dos neonazistas. Segundo a Fundação Friedrich Ebert , ligada ao Partido Social Democrata, há 6,5 milhões de alemães abaixo da linha de pobreza, que é de 938 euros. Essa massa ganha, em média, 424 euros por mês, e representa 8% da população.

O índice sobe para 20% no lado oriental da Alemanha, exatamente a base do crescimento neonazista. ‘O voto nos nazistas em 1930-33 e o voto nos neonazistas hoje são votos de protesto, e os políticos dos grandes partidos precisam trabalhar duro para remover as causas desse protesto’, afirma Richard J. Evans, especialista em história contemporânea alemã na Universidade de Cambridge (Reino Unido). ‘O melhor meio de lidar com o neonazismo é reduzir o desemprego nas regiões do leste da Alemanha, que são sua maior fonte de apoio.’ No entanto, para Robert Gelatelly, historiador da Universidade Estadual da Flórida (EUA) que editou o livro As Entrevistas de Nuremberg, o problema é ainda mais profundo. Segundo ele, sucessivos governos alemães têm se dedicado bastante a resolver a crise do leste, ‘mas 50 anos de desmandos comunistas provaram-se muito mais difíceis de superar do que se imaginava’.

Entre especialistas alemães, parece haver bem menos boa vontade em relação à reação de suas instituições quando confrontadas com o problema do neonazismo. Christian Gerlach, historiador da Universidade de Colúmbia (EUA), por exemplo, acha que há ‘leniência’ (ler na próxima página).

Uma parte do problema pode ser debitada na conta da própria democracia. Como se convencionou acreditar, Hitler subiu ao poder em 1933 por conta da confusa situação política após a Primeira Guerra Mundial. Agora, novamente, os defensores do nazismo encontram campo para crescer dentro de um regime democrático.

Mas há diferenças que o tempo tratou de estabelecer. ‘A Alemanha impôs limites a sua democracia desde a fundação da Alemanha Ocidental’, explica Max Paul Friedman, historiador da Universidade Estadual da Flórida. ‘Diferentemente dos EUA, onde quase todo tipo de manifestação é protegida por lei, na Alemanha o sujeito pode ser punido por negar o Holocausto, incitar ataques racistas e cometer outros crimes de expressão política radical.’ De fato, vários partidos políticos já foram banidos na Alemanha desde o fim da 2ª Guerra por defender o nazismo, e as expressões políticas desse movimento têm sido sistematicamente limitadas. Por outro lado, como adverte Richard Evans, ‘uma democracia deve respeitar o voto das minorias’, ainda que violentas. A ‘minoria’ que o NPD quer representar são os alemães que não querem nem ouvir falar em imigrantes. A plataforma do partido é simples: os imigrantes devem ser expulsos do país.

Com essa disposição, e uma enorme resiliência, o NPD agora pretende ser o guarda-chuva sob o qual os diversos grupos extremistas de direita no país podem se abrigar, no que eles têm chamado de ‘pacto pela Alemanha’. ‘O apelo dos grupos neonazistas desde os anos 70, e especialmente desde a reunificação, deixou de ser basicamente o antisemitismo e agora é a propaganda antiimigração’, afirma Max Friedman. ‘Durante as campanhas eleitorais é possível ver cartazes do NPD com fotos de famílias turcas carregando bagagens sob o slogan ´Tenham uma boa viagem para casa´ - uma maneira esperta de escapar das restrições à propaganda racista.’ O relativo sucesso do NPD neste momento reflete, portanto, a recorrência da questão da imigração como problema na Alemanha.

A perseguição ao imigrante, muitas vezes violenta, feita por grupamentos paramilitares a serviço do NPD, lembra os ataques aos judeus nos anos 20 e 30. Trata-se de uma ação que visa a destruir o sujeito desenraizado que surge como uma ameaça ao modo de vida alemão. A preocupação é saber até aonde os neonazistas conseguirão ir. ‘Eu não acho que os ´neo´ irão mais longe’, argumenta Robert Gellately. ‘Mas não é uma coisa boa que eles já tenham chegado tão longe.

Fonte: Estado de São Paulo(arquivo, 25.10.2006)
http://blog.controversia.com.br/2006/10/25/crise-acelera-avanco-neonazista/

Violência de neonazistas na Itália deixa um morto

Presos dois últimos neonazistas acusados de assassinato em Verona

A polícia italiana prendeu nesta terça-feira os últimos dois membros do grupo neonazista que no último dia 1º de maio espancou até a morte em Verona, noroeste do país, um jovem de 29 anos por este ter se negado a dar um cigarro.

Os dois rapazes, Federico Perini, de 20 anos, e Nicoló Veneri, de 19, foram presos no aeroporto de Bergamo, norte do país, após retornarem à Itália vindos de Londres.

Após a agressão, ambos haviam fugido no automóvel da mãe de um deles, dirigindo-se à Áustria.

De lá seguiram para a Alemanha e depois pegaram um avião com destino a Londres. Nessa última segunda-feira, os médicos do hospital de Verona certificaram a morte cerebral da vítima da agressão, Nicola Tommasoli, um desenhista industrial que ficou em coma após a surra recebida pelo grupo de ultradireita.

Os outros três integrantes do grupo presos entre o domingo e a segunda-feira são: Guglielmo Corsi, de 19 anos, Andrea Vesentini, de 20, e Raffaele Delle Donne, de 19.

Fonte: ANSA(06.05.2008)
http://www.comunitaitaliana.com/site/index.php?option=com_content&task=view&id=5363&Itemid=2&date=2008-07-01

Antropologia - neonazismo usa internet para propagar seus ideais

A intolerância e o ódio racial encontraram um potente meio para se propagar: a internet.

Uma pesquisa aponta o crescimento rápido de páginas virtuais destinadas à disseminação do racismo e do ideário de superioridade da ´raça ariana´: em 2002 elas eram cerca de 8 mil e em 2007 já totalizavam 12,6 mil. O estudo procurou identificar quem são os neonazistas, em que portais se encontram, como operam na internet e quais são os discursos que usam para validar suas visões.

A antropóloga Ana Dias, autora da pesquisa, afirma que um dos maiores desafios foi driblar os mecanismos que dificultam a identificação imediata do conteúdo das páginas racistas. Segundo ela, em geral, essas páginas são muito densas tanto em hipertextualidade quanto em multimídias (ícones, vídeos e imagens ocupam dezenas de bytes), dificultando sua localização por mecanismos de busca.

Os dados mostram que há, no Brasil, mais de 150 mil simpatizantes de movimentos neonazistas, racistas e revisionistas, sendo que cerca de 100 mil são ativistas.

- Não são adolescentes que se juntam a um movimento por diversão. Trata-se de um grupo de pessoas que acredita em suas idéias e está disposto a pô-las em prática.

Discursos distorcidos

Segundo Dias, há dois discursos que sustentam as idéias desses grupos: o genômico, que se baseia na premissa de que a ´raça ariana´ possui genes superiores e foi escolhida por Deus para promover o desenvolvimento da raça humana; e o discurso mitológico, que cria mitos e se apropria de outros para construir o ideário ariano.

Um dos mitos mais fortes é o do sangue ariano, que seria responsável pela conexão transcendental existente entre os arianos. Para esse grupo, se esse sangue permanecer puro, ou seja, se não houver mistura de raças, a raça ariana evoluirá e se tornará eterna.

A pesquisadora cita exemplos como o da página norte-americana National Alliance, na qual está expressa a preocupação de seus integrantes com a formação de líderes que sejam capazes de lutar pelos ´direitos´ dos brancos. Já na página do grupo brasileiro Valhalla88 aparecem o ódio ao negro e ao judeu e a recusa a mistura inter-racial.

Graças à denuncia feita pela antropóloga e por outros internautas ao Ministério Público, essa página foi retirada do ar.

Fonte: Jornal do Brasil(clipping do site da Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão/Procuradoria Geral da República)
http://pfdc.pgr.mpf.gov.br/clipping/marco/antropologia-neonazismo-usa-internet-para-propagar-seus-ideais/